Martins da Cruz e Mohamed Benaissa (chefe da diplomacia de Marriocos) acabam de assinar um Acordo de Cooperação Marítima visando fundamentalmente a troca de informações sobre qualquer acidente ou ameaça de acidente marítimo nas águas dos dois países (vizinhos nas águas, sublinhe-se). Por força do acordo, é criada uma comissão bilateral co-liderada por um almirante marroquino e por um contra-almirante português, e também uma Autoridade gestora das informações.
O acordo luso-marroquino coincide praticamente com o depósito junto da Organização Marítima Internacional, de uma proposta de Portugal, Espanha e França para a criação de uma chamada Zona Marítima Particularmente Sensível. A esta proposta associaram-se até agora o Reino Unido, a Irlanda e a Bélgica. Se a proposta for levada à prática e não ficar na gaveta (como aconteceu com um acordo da década de 90 envolvendo Portugal, Espanha, França e a própria Comissão europeia) a protecção do flanco avançado da orla costeira atlântica da Europa fica mais acautelada. Indirectamente, Marrocos parece querer associar-se também não tanto por fé em Fátima mas pela lição do Prestige.
Aguardemos também pelo papel que Portugal desempenhará no esquema...
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
30 junho 2003
As pérolas do cônsul-geral no Rio de Janeiro
António Tânger Corrêa, um mês e meio depois de assumir o cargo de cônsul-geral no Rio de Janeiro, já produziu matéria verbal que dá que pensar. Por outras palavras, já produziu verdadeiras pérolas de diplomacia. pelo que acaba de afirmar:
Pérola 1, sobre objectivos:
«Criar sinergias entre a nova e antiga geração de portugueses para potenciar a presença de Portugal ao nível económico, comercial e até mesmo político».
Pérola 2, sobre ICEP:
«É absolutamente fundamental que a nova arquitectura da diplomacia económica portuguiesa seja rapidamente traduzida no novo papel do ICEP que ficará certamente ao serviço dessa estratégia de desenvolvimento económico de Portugal»
Pérola 3, sobre «três embaixadores» no Rio, São Paulo e Brasília:
«(Permite) Uma maior política de sinergias, dadas as especificidades étnicas e culturais das três zonas»
António Tânger Corrêa começa bem no Rio. Oxalá que não termine tão mal como em Toronto.
Aguardemos as «sinergias» da fórmula um só país, três sistemas de embaixadores...
Pérola 1, sobre objectivos:
«Criar sinergias entre a nova e antiga geração de portugueses para potenciar a presença de Portugal ao nível económico, comercial e até mesmo político».
Pérola 2, sobre ICEP:
«É absolutamente fundamental que a nova arquitectura da diplomacia económica portuguiesa seja rapidamente traduzida no novo papel do ICEP que ficará certamente ao serviço dessa estratégia de desenvolvimento económico de Portugal»
Pérola 3, sobre «três embaixadores» no Rio, São Paulo e Brasília:
«(Permite) Uma maior política de sinergias, dadas as especificidades étnicas e culturais das três zonas»
António Tânger Corrêa começa bem no Rio. Oxalá que não termine tão mal como em Toronto.
Aguardemos as «sinergias» da fórmula um só país, três sistemas de embaixadores...
27 junho 2003
Cuba, Desarmamento...
Christine Chanet, representante pessoal para Cuba do Alto Comissário dos Direitos do Homem, lançou ontem um apelo ao líder do regime de Havana para que conceda perdão a 50 emigrantes cubanos condenados em definitivo a pesadissimas penas de prisão. Em Abril, cerca de 80 cubanos foram presos e condenados em primeira instância acusados de «conivência com uma potência estrangeira» com o objectivo de derrubar o governo de Havana. Desses 80 condenados, 50 viram confirmadas agora as condenações por acórdão do Supremo Tribunal de Cuba.É difícil admitir que Fidel Castro «ouça» Christine Chanet depois do recente confronto com a União Europeia.
A Conferência do Desarmamento concluiu em Genebra a segunda parte da sessão de 2003, sem sinais de saída para o impasse em que se arrasta há anos. Israel transmitiu à Itália o exercício da presidência desse estéril fórum negocial, número apreciável de embaixadores fizeram oratórias de despedida, Jean Lint (Bélgica) por lá se congratulou que uma proposta meramente metodológica apresentada em Julho de 2002, enfim, já tem o apoio de 34 países (Espanha presente, Portugal ausente) enquanto outros 12 não disseram nem sim nem não (Cuba e Marrocos pelo meio) e não se sai daqui. Quem diz que as «soberanias nacionais» estão em crise?
A Conferência do Desarmamento concluiu em Genebra a segunda parte da sessão de 2003, sem sinais de saída para o impasse em que se arrasta há anos. Israel transmitiu à Itália o exercício da presidência desse estéril fórum negocial, número apreciável de embaixadores fizeram oratórias de despedida, Jean Lint (Bélgica) por lá se congratulou que uma proposta meramente metodológica apresentada em Julho de 2002, enfim, já tem o apoio de 34 países (Espanha presente, Portugal ausente) enquanto outros 12 não disseram nem sim nem não (Cuba e Marrocos pelo meio) e não se sai daqui. Quem diz que as «soberanias nacionais» estão em crise?
26 junho 2003
Almeida Sampaio, Pedro Bártolo, Luísa Bastos de Almeida e Barreira de Sousa
1. É uma nova geração que, lentamente, vai subindo ao topo da carreira diplomática e conta-se em poucas palavras: os diplomatas Luis de Almeida Sampaio (presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento), Barreira de Sousa (cônsul-geral em São Paulo), Luisa Bastos de Almeida (REPER) e Pedro Bártolo (chefe de gabinete do MNE) foram promovidos a ministros plenipotenciários por entre 120 candidatos para 4 vagas apenas. A decisão do MNE foi assinada no dia seguinte pelo primeiro-ministro Durão Barroso. Houve quem, no Palácio das Necessidades, engolisse a seco o significado das promoções.
2. A propósito. Porque razão na página oficial do MNE se omite pura e simplesmente os movimentos, colocações e promoções dos diplomatas? A omissão vai mais longe: a maior parte das representações portuguesas no exterior (embaixadas e consulados) surge sem os respectivos titulares. Para não se falar dos telefones e faxes desactualizados... Nem vale a pena referir as muitas restantes falhas que nos tempos que correm são clamorosas.
2. A propósito. Porque razão na página oficial do MNE se omite pura e simplesmente os movimentos, colocações e promoções dos diplomatas? A omissão vai mais longe: a maior parte das representações portuguesas no exterior (embaixadas e consulados) surge sem os respectivos titulares. Para não se falar dos telefones e faxes desactualizados... Nem vale a pena referir as muitas restantes falhas que nos tempos que correm são clamorosas.
25 junho 2003
João César das Neves e S. Malaquias...
Registo, para já, a companhia de Diplomacia Pública onde pelos vistos João César das Neves tem influência, a avaliar a profecia sobre o fim do jornalismo. S. Malaquias faria melhor, por exemplo com a urgente previsão sobre quantos Césares das Neves ainda surgirão até ao fim do jornalismo...
Frase fundadora
Como aconselhava Malebranche «é preciso tender para a perfeição sem a pretender». É a regra também aqui.
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