28 fevereiro 2005

mail@xpto.dgaccp.pt Diz a lei que...

Em Portugal, a matéria das correio electrónico não solicitado, ou spam, encontra-se actualmente regulada no artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro, o qual, neste ponto, operou a transposição parcial da Directiva 2002/58/CE, sobre privacidade nas comunicações electrónicas.

A legislação portuguesa relativa a comunicações não solicitadas incide ostensivamente na actividade do marketing directo e dos serviço prestados à distância por via electrónica, mediante remuneração ou pelo menos no âmbito de uma actividade económica na sequência de pedido individual do destinatário.

A lei é clara quando não houver intenção comercial, venda e promoção publicitária de produtos e serviços.

O citado decreto estipula no Artigo 20.º

1 - Não constituem comunicação publicitária em rede:

a) Mensagens que se limitem a identificar ou permitir o acesso a um operador económico ou identifiquem objectivamente bens, serviços ou a imagem de um operador, em colectâneas ou listas, particularmente quando não tiverem implicações financeiras, embora se integrem em serviços da sociedade da informação;

b) Mensagens destinadas a promover ideias, princípios, iniciativas ou instituições.

Ora, mal anda quem pensa que breves mensagens - e lá de quando em vez - para o endereço público de uma Embaixada ou de um Consulado, e que dizem coisas assim: «Movimento diplomático. Ver actualizações em Notas Verbais» ou «Diplomacia cultural, uma tristeza, Ver em Notas Verbais» ou mesmo ainda «A história da cunha. Abra Notas Verbais»... serão marketing directo, venda de produtos e serviços a troco de qualquer ganhunça.

Como o presumível bloqueio dos endereços que transitam pelo servidor do MNE tem levado a que bastantes, muitos, mesmo muitos diplomatas colocados em postos externos (desde Embaixadores a secretários de embaixada), conselheiros e funcionários nos tenham enviado os respectivos endereços privados solicitando-nos alertas de matérias, bem se pode concluir que anda por aí gente que tem medo da informação aberta e das «mensagens destinadas a promover ideias, princípios, iniciativas...» como a lei acautela.

E isto para não se falar de certas chefias que literalmente proíbem os funcionários que tutelam, de abrirem a página de NV para uma breve vista de olhos... Tais chefias perdem tempo.

Cavalinhos de Tróia. Quanto a isto...

Quanto aos cavalos de Tróia, programas que fornecem o acesso não autorizado do nosso computador a terceiros de forma indevida, abrindo uma porta para o exterior de forma a que outras pessoas se possam ligar ao nosso computador sem que tomemos conhecimento e façam um cem numero de coisas, nomeadamente copiar senhas e códigos, é oportuno lembrar o que a Lei n.º 109/91, de 17 de Agosto, publicada no D.R. n.º 188 (Série I-A), de 17 de Agosto (Lei de Criminalidade Informática) estipula:

(...)

Artigo 6.º
Sabotagem informática

1 - Quem introduzir, alterar, apagar ou suprimir dados ou programas
informáticos ou, por qualquer outra forma, interferir em sistema informático, actuando com intenção de entravar ou perturbar o funcionamento de um sistema informático ou de comunicação de dados à distância, será punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa até 600 dias.
2 - A pena será a de prisão de um a cinco anos se o dano emergente da perturbação for de valor elevado.
3 - A pena será a de prisão de 1 a 10 anos se o dano emergente da
perturbação for de valor consideravelmente elevado.

Artigo 7.º
Acesso ilegítimo


1 - Quem, não estando para tanto autorizado e com a intenção de alcançar, para si ou para outrem, um benefício ou vantagem ilegítimos, de qualquer modo aceder a um sistema ou rede informáticos será punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.
2 - A pena será a de prisão até três anos ou multa se o acesso for conseguido através de violação de regras de segurança.
3 - A pena será a de prisão de um a cinco anos quando:
a) Através do acesso, o agente tiver tomado conhecimento de segredo comercial ou industrial ou de dados confidenciais, protegidos por lei;
b) O benefício ou vantagem patrimonial obtidos forem de valor consideravelmente elevado.
4 - A tentativa é punível.
5 - Nos casos previstos nos n.os 1, 2 e 4 o procedimento penal depende de queixa.

Artigo 8.º
Intercepção ilegítima


1 - Quem, sem para tanto estar autorizado, e através de meios técnicos, interceptar comunicações que se processam no interior de um sistema ou rede informáticos, a eles destinadas ou deles provenientes, será punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
2 - A tentativa é punível.

Necessidades. Quem tem medo da almejada sociedade da informação?

Por constatarmos a sistemática devolução de correio electrónico com mensagens breves, exclusivamente para indicar teor informativo editado por Notas Verbais, enviadas muito espaçadamente para endereços ostensivamente públicos de Embaixadas e Consulados, importa por ora lembrar a legislação portuguesa relativa ao SPAM, prática em que não nos revemos. Naturalmente que não queremos relacionar um possível e eventualmente deliberado bloqueio dos endereços de Notas Verbais (notas.verbais@gmail.com e notas_verbais@hotmail.com) com a caterva de Cavalos de Tróia que temos detectado e com manobras engenhosas de bloqueio da página que configuram pirataria informática e portanto crime. Por tudo isto, é importante por ora e apenas lembrar aqui a legislação. Repetimos - por ora e apenas, porque matéria para provocar algum calafrio em uns tantos, não nos falta. Não nos falta e para bom entendedor meia palavra basta.

Interrompamos então, por uns momentos, a diplomacia, a política externa e as razões de Estado, para lembrar a tal legislação. Por ser útil para as Necessidades. Daqui a pouco.

26 fevereiro 2005

Humanos recursos! Um Director-Geral do MNE ganha 3000 euros, um Vice-Cônsul pode chegar aos 8000.

Sim, um DIRECTOR-GERAL do MNE ganha 3000 euros mensais.

Uma SECRETÁRIA (há poucos ou quase nenhuns secretários...) contratada num posto de segunda grandeza e num país com custo de vida muito abaixo do de Portugal ganha 2460 euros mensais, com direito a 13º e 14º mês.

Num posto com essas mesmas características (onde os salários mais baixos ficarão por entre os 1300 e 1500 euros, um VICE-CÔNSUL (que apesar do título não é da carreira, portanto não é, nem de longe diplomata) pode chegar aos 8000 euros, muito mais do que um Cônsul, sempre diplomata de carreira e hierarquicamente colocado acima dessa figura do vice e que, para segurar os galões, se socorre dos abonos (de representação e de habitação) por sua vez atribuídos por critérios arbitrários e, por vezes, mais do que duvidosos. Em matéria de vice-cônsules, há reformas de oiro.

Enquanto isto, as FUNCIONÁRIAS ADMINISTRATIVAS, melhor dito, as funcionárias do QUADRO ADMINISTRATIVO DO MNE (são quase todas mulheres, não por vitória do género, mas por exploração sempre no mesmo género...), não têm férias pagas, quandomcolocadas no Monistérios (os tais «Serviços Cenatrais») têm salários da ordem dos 750 Euros em média e no estrangeiro o pouco mais que recebem será para a renda da sua casa e viagens a Portugal, quando podem.

Assim se compreende, o motivo pelo qual os beneficiados por esta situação espúria nos postos externos e que são equiparados a funcionários públicos, não querem «pertencer ao quadro» porque neste «quadro», SE FOSSE CASO DE SEREM CHAMADOS AO MNE, iriam auferir os salários de miséria que, em Lisboa, o MNE paga aos funcionários, o mesmo MNE que paga principescamente lá fora aos equiparados...

Washington. Os militares já têm portas?

Já agora, nesta fase de perguntas, pois perguntas são sempre o mercurocromo para as feridas que, nas Necessidades, vão de um governo para o governo seguinte, perguntamos se os militares na Embaixada de Portugal em Washington (Adido de Defesa e Militar, Adido Naval e Adido Aeronáutico) já têm portas...

São Paulo. Nenhuma resposta ainda

Até agora, o cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Luís Barreira de Sousa, não deu qualuer sinal de resposta às duas simples perguntas que NV lhe fizeram com marcação prévia. Naturalmente que não está obrigado a responder! No entanto, se responder poderá evitar outras duas simples perguntas...

25 fevereiro 2005

A Saia Larga. Diplomática e... consular.

NV vão retomar, neste fim-de-semana, a divulgação dos abonos de representação e dos abonos de habitação atribuídos pelas Necessidades aos diplomatas de carreira colocados em Embaixadas e Consulados. Há casos, em Espanha por exemplo, que são absolutamente exorbitantes e incompreensíveis.

Se, algum dia, fosse publicado, na íntegra, o que mensalmente embaixadores, cônsules-gerais e outros não-gerais, chanceleres, vice-cônsules, conselheiros, por aí fora... recebem, haveria de certeza mau estar geral dos contribuintes. Isto não invalida que quando o embaixador é bom ou que além de ser bom está numa missão de risco e de coragem, até devesse receber três ou quatro vezes mais! Ora acontece precisamente o contrário. E situação mais grave é quando há gente que chega às missões às 11 da manhã e sai às 13, cativa um carro exclusivamente para a mulher comprar alfaces e ir ao cabeleireiro, não consegue atrair um único investidor para Portugal e assim anda de quatro em quatro anos a fazer de Cardeal D. Henrique aos saltos por todo o mundo.

Também vamos dizer algumas coisas pouco agradáveis relativamente a determinados funcionários não-diplomatas, eternamente parasitados nos quadros locais de postos externos. Há reformas de oiro auferidas por verdadeiros analfabetos que são um insulto aos contribuintes portugueses. Há vice-cônsules, por exemplo, que ganham mais do que os cônsules, por vezes mais do que o dobro, fora os arranjos, para não falar do que, conforme o poder circunstancial, se esconde na saia larga da Inspecção Diplomática e Consular.

Mas também iremos abrir o pano para a situação clamorososamente injusta dos funcionários administrativos do quadro do MNE, muitos deles reduzidos ao limiar da pobreza.

E não há ministro que tenha tempo, vontade e poder de manobra para limpar esta situação de Portugal. Limpar.

Como é que o MNE pode fazer alguma coisa de proveitoso, de útil e com lucro, se o orçamento que tem apenas dá para pagar ordenados, abonos e suplementos e se os emolumentos cobrados nos consulados, em vez de serem reinvestidos num choque que, antes de tudo, devia ser ético e deontológico, se transformam na mesma filosofia corporativa dos fundos que não são mais do que sacos azuis?

Ciclópico trabalho. Para o próximo MNE…

O próximo MNE tem um ciclópico trabalho marcado: a colocação do Embaixador António Monteiro, o único ministro que se salvou a ponto de haver uma maioria absoluta a lamentar que ele tenha sido… ministro antes do tempo.

Reuniões da OEA. Quem vai?

Mas quem é que por regra vai às reuniões da OEA em Washington e faz os relatórios? É diplomata, ao menos?

Claro que há mais perguntas sobre Washington. E temos pena.

ANSA atenta. Portugal com o mesmo helicóptero de Bush

446 milhões de euros na compra de 12 aparelhos.

PORTOGALLO COMPRA ALL'ITALIA ELICOTTERO DI BUSH

Lisbona, 24 febb ANSA - Il capo di Stato Maggiore della Aeronautica Militare Italiana, generale Leonardo Tricarico, ha consegnato ufficialmente oggi al presidente portoghese Jorge Sampaio l´elicottero Agusta-EH 101, praticamente lo stesso utilizato dal presidente George W.Bush.

L'atto ufficiale è stato celebrato alla base aerea di Montijo, vicino a Lisbona. Il Portogallo ha già comprato 12 elicotteri Agusta EH 101, per un valore di 446 milioni di euro.

Durante la visita di 12 ore, il generale Tricarico ha incontrato il suo collega portoghese, generale Taveira Martins, con cui ha affrontato il tema dell´attività di collaborazione bilaterale tra i due paesi e nell´ambito della NATO, scambiando anche opinioni a proposito del velivolo C27G, della ditta ALENIA, già acquistato dell'Aeronautica Militare Italiana.

"Si tratta di un velivolo che nel suo settore non ha concorrenti credibili. Nessun velivolo ha le performance del C27G per quanto riguarda i diversi allestimenti e le possibilità di missione, quali il trasporto di truppe, la capacità di carico, l'autonomia di azione, la resistenza delle strutture e l'agevolezza di imbarco e sbarco di uomini e materiali", ha detto il generale Tricarico.

Secondo il generale italiano, questo elicottero presenta "una completa interoperabilità con il velivolo C-130, già in dotazione alla Aeronautica militare Portoghese nel rispetto del standard NATO".

Col suo collega portoghese, il generale Tricarico ha anche ricordato i numerosi ed evidenti successi conseguiti dal G-222, il velivolo da cui si è sviluppato il C27G, in operazioni in Africa, Timor Est e Balcani, che di recente è stato selezionato anche dall'Aeronautica Greca e per il quale, nello stesso tempo, la US-Air Force ha mostrato interesse.
(ANSA-LIS/MD)

Consulado-Geral em São Paulo. Marcação prévia…

As duas seguintes perguntas são, por esta via, formalmente dirigidas ao Cônsul-Geral em São Paulo, Luís Barreira de Sousa:

1 - O senhor cônsul pode explicar com clareza que obras fez e se as fez devida ou indevidamente na sua residência, incluindo na piscina?

2 - O senhor cônsul recebeu ou não alguma instrução do MNE sobre a matéria? Se recebeu, acatou?


Pode o cônsul, à vontade, responder com duas penadas, cinco frases, mil parágrafos ou mesmo com dez mil folhas! - NV reproduzirão pronta e fielmente esse eventual tim-tim por tim-tim.

Aguardamos pacientemente a resposta do cônsul, já que o responder não ofende e o perguntar é sempre uma homenagem ao direito de marcação prévia.

24 fevereiro 2005

José Saraiva.

Ficará o corpo onde apenas o segredo
entra com o sol. Até ao centro da terra
construída está a pirâmide. As pedras
da palavra. Na palavra vertical, o desenho
da mó. O peso cósmico de uma flor total
na selva. E nas estrelas? Ficará a semente
esse espaço para sempre.

José Saraiva foi um dos fundadores
da Associação dos Jornalistas Portugueses.
Grande companheiro.
Adeus.


Carlos Albino

Consulado-Geral em São Paulo. De Portugal ou do Togo?

A ser verdade que o Consulado-Geral em São Paulo se recusou a passar, sem marcação prévia, segundas vias do cartão de eleitor aos portugueses ali residentes impossibilitando-os, assim, de terem votado nas eleições legislativas, o caso é grave. E tanto mais grave que para reenviar peças de barco para o Rio não é precisa marcação prévia mas cantar o Olha a Mala...

Oh cônsul Luís Barreira de Sousa! Explique lá bem este caso das marcações prévias porque para o Togo já basta o Togo. Na verdade lemos atentamente os imperativos mandamentos que constam no site do consulado e há por aí uma grande confusão entre cidadão e utente, entre um serviço público e uma central telefónica, entre um espaço de cidadania e uma sala de visitas da penitenciária. O caro cônsul talvez tenha querido antecipar o choque tecnológico mas isso não é um choque, é uma grande e bem urdida escapadela!

Embaixador Agapito. É ele!

«Está? Está lá? Acordei-o? Não ouviu do PS afirmarem que José Sócrates ainda não convidou ninguém - ninguém - para o Governo? Ninguém! Como é que por aí já queriam que o Vitorino aceitasse aquilo para que não foi convidado? E como é que Vitorino pode dizer que recusa aquilo para que ninguém o convidou? Habituem-se!»

E desligou. Nem ouviu as Boas Noites, este Agapito...

Abençoado Arquivo: Cônsul Honorário e engajador de açorianos em Providence

Vale a pena recordar porque há certa matéria-prima que nunca se esgotou e que possivelmente jamais se esgotará no subsolo da portugalidade. A história é antiga - 1971 – e foi descrita na Revista «A Chama» pelo médico Manuel Luciano da Silva.

O artigo é reproduzido na íntegra em Notas Formais e tenham paciência porque é longo, mas vale a pena porque ajuda a comprender como parte da diáspora foi moldada e explorada por uns quantos escrápulas que apenas não se tornaram santos por milagre – a Nossa Senhora não lhes apareceu.

Passados 34 anos, os cônsules honorários simultaneamente engajadores (outrora mais lá fora e hoje se calhar mais cá dentro) ou com outros expedientes entretanto sofisticados, apenas terão mudado de local de actuação e de país de representação. Além disso, a permissividade de 1971 também continua igual a si própria, a ter descendentes, parentes directos e colaterais. Leiam, leiam, tenham paciência.

23 fevereiro 2005

MNE Passarão... Há trabalho de casa que não é para Passarinho

Chova muito ou faça sempre sol, 2005 para Portugal passa a voar para 2006 – autárquicas, referendo europeu, presidenciais. A política interna portuguesa tem o condão de fazer voar o tempo como um passarinho que mais depressa voará quer se entretenha a piar de impostos ou fique atordoado no encantamento de reformas quase sempre répteis. Já com a política externa não é assim – a agenda internacional é que comanda e um período de vinte anos pode equivaler a um simples pio interno de qualquer vaidoso ou, quando muito a dois pios de um carreirista idiota que, entre nós, também tem aptidão para o voo.

O Luxemburgo exerce até final de Junho a Presidência da UE, segue-se o Reino Unido até Dezembro – estaremos nós muito preocupados a fazer as contas das câmaras eleitas e com o próximo contrato de comodato para Belém, para não falar de um se não forem dois referendos, um deles comburente mas outro que pode ser o combustível que em Portugal também faz levantar voo a toda a passarada política. E assim será a velocidade de 2006, com a Finlândia primeiro, a Áustria a seguir na tal presidência que, no primeiro semestre de 2007 estará nas mãos da Alemanha seguindo-se Portugal, exactamente no segundo semestre.

O ano de 2007 vai ser um ano-chave para a União Europeia e até 2020 Portugal não voltará seguramente a desempenhar essa responsabilidade que naturalmente favorece quem a tem e para ela se prepara.

José Sócrates obviamente tem que contar no seu Governo com um MNE-Passarão e não com um MNE-plumitivo e passarinho, com um MNE que dê garantias de que sabe voar nas complexas matérias europeias, que as domina e que pode entrar a qualquer hora nas Necessidades com a exacta percepção de que entre 2005 e 2007 é um tempo que já não permite nem piadas, nem estágios, nem aquela mudança de penas a que se chama «entrar nos dossiers», pois será a última vez que Portugal poderá piar a sério na UE até aos anos vinte.

Mas, para o próximo MNE, há mais trabalhos de casa... Habituem-se! – já lá diz Vitorino.

A propósito, fica arquivado em Notas Formais o calendário das presidências da UE até 2020.

Briefing da Uma. Andrave Corvo e Jaime Gama.

Briefing da Uma. «Não convém à corte nem ver de mais, nem falar de mais», não foi António Vitorino que disse mas sim Jean de la Fontaine que Jaime Gama deve conhecer de cor e salteado.

(Declaração prévia: «Hoje, senhores, senhoras e restantes géneros homologados, vamos ser muito breves. Apenas responderemos a duas perguntas»)

1 – Próximo MNE…
2 – Votos da Emigração

1 – (Pode adiantar-nos o nome do próximo MNE?) - «Naturalmente que o próximo MNE não será nomeado nem na Comunicação Social nem pela Comunicação Social. Habituem-se! Antes do dia 20, havia um cenário de cinco nomes ministeriáveis, dois dos quais com a calculada oposição de Andrade Corvo e de Jaime Gama. Talvez mais de Andrade Corvo! No dia 21, a meio da tarde, formou-se uma fila de candidatos declarados por esta ou por aquela via, mas declarados - por si próprios ou por interposta pessoa... No dia 22, de manhã, formavam já um bom pelotão os que desdenhavam mas queriam e continuam a querer comprar e, à tarde, seria já do tamanhão de um regimento o número dos que pediam a terceiros que dissessem o que a segundos não lhes convinha nem lhes convirá dizer. Hoje, dia 23, apenas uma de três personagens que se julgam discretas será MNE.»

(Mas que enigma, Santo Deus! Sabe quem são essas três personagens?) - «Sabemos mas não dizemos. Habituem-se!»

(E para a Defesa?) - «Nem José Lamego sabe, quanto mais Andrade Corvo!»

(E João Soares?) - «Não fazemos mais comentários. Habituem-se!»

(E essa do Freitas do Amaral?) - «Essa hipótese é tão certa como António Vitorino, Nuno Severiano Teixeira ou mesmo Maria Carrilho irem chefiar a missão diplomática em Londres, ou a Presidência do Parlamento vir a ser confiada a Luis Amado!»

(Jaime Gama é decisivo nesta matéria?) - «É o primeiro teste sério para Sócrates, como líder do partido que obteve a maioria absoluta. A escolha do MNE não é apenas um pequeno fait divers. É um teste. Um líder prova-se na gestão dos amuos. Habituem-se!»

2 – (NV afirmaram hoje de manhã que a abstenção dos Emigrantes nas Américas é inesperadamente enorme. Confirma? «Confirmamos, sobretudo por parte dos eleitores recenseados no Rio de Janeiro, área que em certo sentido é determinante. Alguns métodos usados na campanha eleitoral junto dos Emigrantes não foram edificantes e roçaram a indignidade. Por ora não diremos mais. Habituem-se!»

Habituem-se!

Sócrates começa a conhecer certas pessoas. Já chegou ao MNE e, já agora, à Defesa.

Votos dos Emigrantes… Cesário faz prova de vida

E temos de aguardar por 3 de Março, para se saber quais serão os quatro deputados da emigração. Até agora, os dois deputados eleitos pelo círculo Fora da Europa têm sido tradicionalmente do PSD e os restantes dois do círculo da Europa têm-se repartido irmanmente por PS e PSD. Só que também o panorama eleitoral dos emigrantes, tudo leva a crer, poderá ter ficado alterado profundamente.

Os boletins dos emigrantes, que votam por correspondência, começaram a ser enviados a dia 20 de Janeiro e são aceites até ao dia 2 de Março, desde que tenham o carimbo dos correios tenha sido datado até 20 de Fevereiro, dia das eleições. O apuramento dos votos dos emigrantes será a 2 de Março.

Dos quatro milhões e tantos cem mil de emigrantes (ninguém sabe ao certo, porque o número é sempre aproximado ou afastado conforme as conveniências) apenas 150 mil estão recenseados, e destes só uma percentagem ínfima exerce o direito de voto. Abundam as sugestões de que, por exemplo, no círculo Fora da Europa (mais de um terço dos eleitores estão concentrados no Brasil) a abstenção foi excepcionalmente anormal…

Depois de um ronda de conversas por secções consulares e consulados com gente que tem o «termómetro» na mão e quie são daquelas conversas de que raramente temos dúvidas e quase nunca enganam, NV - apesar de tudo com risco, cautela e caldos de galinha - calculam que:

1 – O PSD perde o seu tradicional mandato de irmandade no Círculo da Europa, devendo Maria Carrilho e Carlos Luís beneficiar da eleição, em detrimento de Carlos Gonçalves e de Santos Ferreira.

2 – O PS tem assegurado pelo menos um dos mandatos no Círculo Fora da Europa, elegendo Aníbal Araújo, enquanto o mandato restante tanto pode pesar para José Cesário (agora cabeça de lista do PSD) como para Fernando Ramos (número dois da lista do PS), mas o futuro de Cesário está mais periclitante punido pela abstenção previsivelmente grande, pelo que até neste círculo, o PS pode ganhar o que nunca sonhou noutras circunstâncias – o pleno.

Nos centros onde o eleitorado mais se concreta (Toronto, por exemplo) Cesário foi um perfeito desastre político, primeiro como governante depois como candidato. Além disso, uma carta aberta, amplamente difundida pelas Américas, do anterior deputado do PSD, Neves Moreira que se viu marginalizado, injustiçado e sacrificado pelo seu partido, terá sido fatal para José Cesário que assim faz uma definitiva prova de vida política.

22 fevereiro 2005

Novas Fronteiras. Pobreza de textos sobre esse «Portugal na Europa e no Mundo»

Quanto a Portugal no Mundo (a Europa, felizmente, não está fora do mundo...) esperava-se que a iniciativa Novas Fronteiras fosse uma grande central de ideias, de amplo debate e de soluções fundamentadas para um Estado afunilado, com uma política externa violentamente continentalizada e cada vez mais sem bilhete de identidade muito embora cada vez mais com cartão de contribuinte. Esperava-se que o partido promotor desse fórum incentivasse os cidadãos que, por esta ou outra razão, não estão em partidos ou que deles sairam mas que não é por isto que serão menos democratas do que aqueles que por aí fazem carreira a tropel, ou que não tenham contribuído ou não estejam a contribuir possivelmente em alguns casos mais para a democracia do que os próprios carreiristas egocentrados da política.

Em matéria de política externa, o texto matriz proposto para debate - pobre, com raciocínios arcaicos, estereotipados, cheio de lugares comuns e sem golpe de asa – foi francamente desmotivador da participação dos que eram à partida definidos como destinatários do fórum. Esse texto foi vertido para componente do Programa Eleitoral do PS e assim ficou.

O site oficial desse fórum dá conta dos «contributos» ou reflexões que esse mesmo tema ou esse mesmo texto despertou por parte dos aderentes. Ao todo nove, ou dez se se considerar que um enunciado de Jorge Couto, antigo presidente do Instituto Camões, sobre a língua portuguesa no mundo, aí também terá cabimento. Dez, aceitemos.

Com destaque e à cabeça, é colocado um texto de Nuno Severiano Teixeira com aquilo que enumera como quatro desafios de interesse estratégico para Portugal. Não deve haver espanhol que não goste deste «contributo» muito embora sejam cada vez mais os portugueses que desconfiam dos contributos europeus dos espanhóis. E não falemos do MIBEL, da NATO... Mas porque Nuno Severiano Teixeira é Nuno Severiano Teixeira essa reflexão vai ficar arquivada em Notas Formais. Para que conste...

Num segundo texto, Carlos Sangreman fala de uns tais seis pilares para uma Cooperação Internacional, diz algumas verdades sobre políticos e política que, no MNE,houve neste domínio mas também divaga em demasia – chega a deixar sugerido que o IPAD seja organizado com uma estrutura tipo “holding” absorvendo o Instituto Camões e retomando as funções da APAD... Não falemos dos tempos das avenças a editores em dinheiro fresco porque uma cooperaração dessas até teria mais pilares que a Ponte Vasco da Gama!

Num terceiro texto, Osvaldo Salas começa assim: «Conjuntamente com informação e tecnologia, governação e o aspecto humano da inovação, a globalização é um factor decisivo para o futuro de Portugal. Este foi, é e será condicionado pelo desenvolvimento mundial, e vice-versa.» E propõe que a Assembleia da República crie uma «Comissão para o Futuro», possivelmente para o vice-versa.

O quarto texto é de João Gomes Cravinho, antigo presidente do Instituto da Cooperação Portuguesa e cuja actuação não cabe aqui apreciar. Começa por elogiar Nuno Severiano Teixeira, Jaime Gama e Luís Amado e termina assim: «... a recuperação da seriedade e da respeitabilidade internacional da cooperação portuguesa é tarefa urgente, depois destes três anos desastrosos. Mas é também uma tarefa cujos contornos são claros, bem conhecidos por quem trabalha neste meio. Que venha então uma nova era para a cooperação portuguesa, retomando e recuperando o trabalho interrompido em 2002 e dilapidado desde então.»

Num quinto texto, Severiano Manso, euro-céptico confesso, adverte para o excesso ou para a obsessão de Europa, e num notável post-scriptum até faz elevar o debate: «Já agora se o PS for Governo, como desejo, que crie outras moedas para o euro e para os centavos pois estas são horríveis»...

É de Nuno Magalhães o sexto texto onde se propõe que o próximo governo crie «no estrangeiro a figura do Liceu Português, a exemplo dos colégios alemão e liceu francês, em Portugal»... Está tudo dito, como quem cofia o bigode diz na Marinha Grande.

Depois, lá vem José Mateus, no sétimo texto intitulado «O Reequipamento das FA Como Choque Tecnológico» e que começa assim: «Portugal necessita de uma política de Defesa Nacional que permita a existência das capacidades necessárias à garantia dos interesses nacionais e à protecção dos cidadãos nacionais, dentro e fora do território nacional, e que conjugue a economia da Defesa como defesa da Economia.» E termina assado.

Um oitavo texto é de Francisco Nuno Ramos, bem conhecido no Instituto Camões pelas responsabilidades que aí teve. Este «contributo» termina com a proposta de que «todo o estudante de Língua Portuguesa tenha: - um dicionário, - uma gramática, - um prontuário, - um caderno e um lápis, - acesso aos sítios na Internet que facilitam a aprendizagem do Português» e dá um exemplo a finalizar: «que nos locais onde a missa e os actos litúrgicos são rezados ou realizados em português não seja descurada a nomeação de um padre português (ex.: Damão)».

Finalmente, um «Horizonte Estratégico de Consenso Nacional» é o que Paulo J. M. Vilares Vicente propõe nas Novas Fronteiras . Com a profundidade dos contributos anteriores, traça então o horizonte: «É preciso reconhecer que somos um país pequeno, com pouco “chão” e “à beira mar plantado”. Dificilmente seremos uma potência agrícola ou industrial e o nosso papel só terá relevo, enquanto complementar no quadro Europeu e Mundial, explorando os activos que nos são únicos.» Exploremos, pois, os activos...

E não há mais. Podem ler tudo na íntegra, naturalmente que nas próprias Novas Fronteiras.

No entanto, para melhor aproveitarem o tempo, leiam ou releiam «Portugal, Hoje - O Medo de Existir», de José Gil... E vejam se, nessas páginas, não haverá um choque filosófico de que tanta gente precisa.

Agapito. Alvo de repreensão

Toca a todos mesmo aos mais velhos como o respeitável intérprete mas irreverente personagem que é o Embaixador Agapito. Circulado o telegrama por ele enviado de Marraquexe, os serviços centrais expediram a seguinte repreensão:

" Afigura-se que terminologia empregue por Vossa Excelência nao se harmoniza com os padrões de linguagem desta Secretaria de Estado."


Sabemos que Agapito se trancou no hotel e decidiu não ir pronunciar o discurso de encerramento do seminário internacional «A exportação de palmeiras marroquinas para as rotundas do Algarve».

Briefing da Uma. Lealdade prometida por José Manuel Durão Barroso

Briefing da Uma. «Há pessoas que observam as regras da honra como se vêem as estrelas: de longe», escreveu Victor Hugo que alguns plagiam.

1 – Durão Barroso
2 – Votos dos Emigrantes
3 – Iraque
4 – Cargos

1 – (O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso prometeu colaborar com lealdade com o próximo governo de José Sócrates. Pode comentar?) - «Notícia, grande notícia seria o Presidente da Comissão afirmar que não quererá colaborar e muito menos com lealdade. O que não se percebe é que as televisões portuguesas convertam em notícia relevante que José Manuel Durão Barroso disse que vai colaborar com lealdade… Obviamente, ele que, como Primeiro Ministro de Portugal, com tanta lealdade colaborou na fracassada candidatura de António Vitorino à presidência da Comissão, não iria negar essa mesma sua qualidade a José Sócrates, a estrela portuguesa que Bruxelas vê ao longe».

2 – (Vai haver surpresas nos votos dos emigrantes?) – «Competirá sobretudo a José Cesário manifestar a primeira surpresa. Até lá, qualquer comentário é prematuro».

3 – (António Monteiro, nas cimeiras da UE e da NATO em Bruxelas, a propósito do Iraque, funcionou já como MNE de Sócrates, como ontem afirmou?) - «António Monteiro é um diplomata por natureza e salvou que Portugal tivesse uma não-posição… Aliás, já salvou Sócrates que, em função do que já disse, não podia dizer em Bruxelas o que Monteiro disse com todo o à vontade vendo a estrela de longe. De resto, não seria agora que Jaime Gama iria contradizer Martins da Cruz que é visto agora também de longe. Se, no Rato, em vez de Gama mesmo que por interposta pessoa estivesse Ana Gomes, o planetário seria outro – pela latitude e pela latitude.»

4 – (Falou-se ontem da corrida a cargos… Pode concretizar?) - «Foi sempre assim. Não foram vocês que afirmaram que chegou a hora da mudança? Ou isso é mais um boato?.»

Agapito. Telegrama de Marraquexe...

DE MARRAQUEXE. EMB. AGPTO:

NÃO SE PERCEBE A DEMISSÃO DE PAULO PORTAS. ELE TINHA PEDIDO UM RESULTADO COM DOIS DÍGITOS E O POVO PORTUGUÊS DEU-LHE DOIS DÍGITOS E MESMO UMA VÍRGULA PARA COLOCAR NO MEIO DELES...

Hora Zero. Conselheiros nas embaixadas...

Algumas conselheirais figuras cuja colocação em embaixadas foi devida a estritas cunhas e por vezes a pérfidos critérios de compensação de favores, parece que estão já a fazer contas à vida...

21 fevereiro 2005

Descanso das 20. Acontece muito longe e Portugal nada tem a ver com isto

A UNICEF adverte que, no norte do Uganda, mais de 40.000 crianças vivem com medo de serem assassinadas ou sequestradas por grupos armados como o Exército da Resistência do Senhor (LRA). O responsável pelos serviços de protecção da UNICEF, Cornelius Wiliams, garante que o LRA continua a semear o pânico obrigando as crianças a abandonarem as suas casas durante a noite e a esconderem-se para evitarem ser capturadas. Segundo a UNICEF, entre 2000 e 2003, pelo menos 20.000 crianças foram sequestradas por membros do LRA, um grupo extremista que defende a instauração no Uganda de um regime baseado nos Dez Mandamentos bíblicos, sequestrando rapazes para integrarem as suas fileiras de combate, enquanto as raparigas são usadas como escravas sexuais.

Para maior descanso, veja o que acontece no Congo ainda segundo a UNICEF...

Iraque. Monteiro, o primeiro “MNE” de Sócrates...

Pelas declarações de Monteiro em Bruxelas (o Governo demissionário concerta afinal com o PS a posição sobre o Iraque que Portugal irá assumir amanhã, nas cimeiras da NATO e da União Europeia) Sócrates conta desde já com um inesperado MNE e este deve ter a vida facilitada – a política portuguesa é que vier a ser definida pela UE, restando saber que UE será, se a de Londres, a de Paris/Berlim ou a de Varsóvia. Recorde-se que o líder do PS, no início de Fevereiro, admitiu apenas mais missões no estrangeiro apenas no âmbito da União Europeia. "Portugal pode e deve integrar-se na estratégia europeia e deve estar apenas em tudo o que seja definido pela Europa no que diz respeito ao apoio político à reconstrução, mas não deve ter qualquer presença militar no Iraque", foi o que então Sócrates deixou determinado pelo que Portugal não tem que se incomodar muito em ter posição própria – basta saber o que a UE quer... E nesta notável opção euro-atlântica, nem valerá a pena esperar por alguma decisão da NATO que aceitou participar na formação das forças de segurança do Iraque, militares e policiais, mas com alguns países, como a França e Alemanha, a recusarem fazê-lo dentro do território iraquiano.

António Monteiro. Com Bush, em vez de Santana ou mesmo de Sampaio...

É evidente que Santana Lopes não participa nas cimeiras entre George W. Bush e os chefes de Estado e/ou de Governo da NATO e da UE. As cimeiras estão marcadas para amanhã e o governo português é representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro. À falta do PM, Sampaio poderia ir (não seria a primeira vez que Belém puxaria galões). E à falta do PR, também Santana Lopes, mesmo demissionário e apesar dos resultados eleitorais que teve, poderia dar um salto a Bruxelas – sempre é do Presidente dos EUA que se trata. Mas a presença de José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia deve estar a perturbar a nossa alta diplomacia.

Mister Iberdrola. Pina Moura

Muito exultou Ramón Font, numa ida à televisão, por causa do «papão espanhol», ao que disse ‘pela primeira vez’, não ter aparecido na campanha eleitoral. Não se percebe a alegria de Ramón Font porquanto, nesta campanha, nenhum tema de política externa figurou na refrega superficial e naturalmente muito menos o papão haveria de figurar... No entanto, para que conste, está já arquivado em Notas Formais, os acutilantes reparos de Nicolau Santos (Expresso, dia 18) dando conta como o «papão português» apareceu em Espanha, por via da Iberdrola que, em Portugal, Pina Moura deputa e delega.

Na íntegra em Notas Formais.

Um excerto:

… se alguém tem contribuído para adiar a entrada em vigor do MIBEL, o mercado ibérico de energia, são precisamente os espanhóis, que não só não querem deixar cair a subsidiação cruzada às grandes empresas do seu país, como na sequência da vitória eleitoral do PSOE resolveram estudar de novo todo o processo…

Briefing da Uma. Tenhamos esperança!

Briefing da Uma. «A esperança engana mais do que a habilidade», já lá dizia Vauvenargues.

1 – O que há para fazer no MNE…
2 – Ministeriáveis…
3 – Programa de Governo
4 – Cargos

1 – (Haverá muito que fazer no MNE ou está tudo feito?) - «Há muito que fazer. António Monteiro foi o único ministro que se salvou do pandemónio, não conseguiu fazer mais do que fez e evitou o pior. MAS também dificilmente conseguiria representar ou salvar a honra do convento por mais que dois, três meses. O Instituto Camões está destruído comprometendo em definitivo qualquer diplomacia cultural, a Cooperação está para o Estado como a Ilha do Porto Santo está para a Madeira, há graves problemas em Consulados-gerais estratégicos sem que medidas corajosas sejam tomadas, a diplomacia económica é impossível com a capacidade e recursos da Carreira, os funcionários dos serviços externos reclamam e com razão, os emigrantes continuam a ser mal servidos. Esperemos que as "Informações à Imprensa" provenientes da próxima equipa do MNE não sejam apenas as das viagens do ministro e dos secretários de Estado a Bruxelas… Tenhamos esperança!»

2 – (Há ministeriáveis?) - «Claro que há. Mas depois do que António Vitorino ditou, não vamos dizer nem mais uma palavra. Habituem-se! Mas tenhamos esperança, porque não foi a Comunicação Social nem na Comunicação Social que se inventou essa figura do porta-voz para a Política Externa (Luís Amado) e muito menos foi a Comunicação Social ou na Comunicação Social que se engendrou o luminar do porta-voz para a economia que é Manuel Pinho. Silva Lopes, ao que se sabe, não é jornalista, mas tenhamos esperança.»

(Sugere que a Comunicação Social está a comportar-se mal?) - «Muito mal! Muito mal mesmo! O mundo mediático deveria ser alvo de duras medidas correctivas e nada melhor do que voltar-se à solução protagonizada por Jorge Coelho que conseguiu ser o único ministro a tutelar simultaneamente a Administração Interna e a Comunicação Social. Na verdade, os problemas da Comunicação Social apenas se resolverão com o mesmo ministro a comandar polícias (secretas e públicas) e jornalistas… É só trabalhar ficheiros e ter esperança.»

3 – (Tem alguma indicação sobre as linhas do Programa de Governo para a Política Externa?) - «Pergunte isso a Jaime Gama. Apenas sabemos que a grande novidade será a do aprofundamento da integração na Europa, o que nos dá um agrande esperança.»

4 – (E aí temos corrida a cargos…) - «Naturalmente. Para já, a presidência do Instituto Camões onde ou Simoneta se demite ou é exonerada. Depois o IPAD. No MNE poucos mais cargos há, mas tenhamos esperança. Há um jornalista que vai ser porta-voz mas se tal não acontecer ele tem esperança em voltar a ser assessor. É uma coisa de nascença.»

Gama. Irreconhecível.

O MNE carismático do PS, Jaime Gama, apareceu duas vezes. A primeira vez não contava muito mas a segunda vez, na FIL, contou – a sua intervenção antecedeu a do líder do partido, com minutos contados e calculados. Foi um Gama irreconhecível. Outrora havia um Gama arguto, com exposição serena mas acutilante – agora foi um Gama de sons vulcânicos, com raciocínios analógicos próprios da oratória de parada. Meteu medo. Irreconhecível. Se voltasse ao MNE e dessa forma falasse, a terça parte da Carreira e a generalidade dos Funcionários cairia para o lado desmaiada.

«Habituem-se!»

«Descansem que o Governo não vai ser formado pela Comunicação Social nem na Comunicação Social. Habituem-se!» - foi o que o Sr. António Vitorino entendeu dever dizer nos calores da vitória do PS. Mas alguma vez a Comunicação Social formou um Governo? Alguma vez um Governo foi formado na Comunicação Social? António Vitorino interpreta alvitres legítimos, sugestões igualmente legítimas ou até mesmo especulações umas bem outras mal fundadas, como pretextos para o seu indisfarcável acinte contra a Comunicação Social. «Habituem-se!», ditou Vitorino. Estamos habituados, fique descansado.

Pois que mal vem ao mundo alvitrar que o próprio António Vitorino, com esta maioria absoluta, poderá ser ou será mesmo quem tem mais hipóteses de ser aceitavelmente MNE e mais alguma coisa? Não será essa a solução até desejada por muitos militantes de referência do PS e bastantes aderentes dessa coisa das Novas Fronteiras onde tanta gente se acolheu mais como protesto senão mesmo para punição do santanismo e antecedentes que nada tiveram com Santana e pouco mais do que isso?

Que nal vem ao mundo dar conta das sugestões que envolvem os nomes de Nuno Severiano Teixeira, de Maria Carrilho ou até mesmo do discreto Luís Amado?

Aquele «Habituem-se!» de Vitorino é uma nova fronteira de mau prenúncio e oxalá que nos enganemos.

18 fevereiro 2005

Notas Verbais retomam no dia 21, após as eleições

A actividade normal de Notas Verbais é retomada no dia 21.

O debate eleitoral em matéria de política externa foi nulo (nem as atoardas de Sócrates sobre o Iraque provocaram qualquer tipo de discussão, nem ao menos pela parte de José Lamego!), as Necessidades ficaram praticamente na quietude desde a queda do Governo de Santana Lopes (assinaturas de protocolos e pouco mais e então aqueles da UNESCO – verdadeiramente expressões da capacidade imaginosa e da competência de José Sasportes!) e por tudo o mais não valeria a pena escrever aqui fosse o que fosse e que não massacrasse os pobres olhos. Mas no dia 21 retomamos, já agora se o médico dos olhos deixar.

Vai ser bonito observar a liberdade que uns quantos ingénuos acreditam ter reconquistado... Sabemos o que a Casa gasta.

Carlos Albino

04 fevereiro 2005

Briefing da Uma. Duelo e Política Externa. Abonos de diplomatas. Diplomacia Cultural. Próximo MNE

Briefing da Uma. Wellington, ontem à noite, teria voltado a dizer: «Nada, a não ser uma derrota, é tão melancólico como uma vitória», mas também James Joyce voltaria a escrever: «Mais uma vitória como esta e estamos perdidos».

1 – Omissão da Política Externa…
2 – Abonos de diplomatas
3 – Diplomacia Cultural
4 – Próximo MNE

1 – (Não acha estranho que candidatos a Primeiro Ministro não falem da Política Externa?) - «Como os senhores sabem, Portugal habituou-se a reflectir de manhã até à noite sobre a gripe do jogador Káká, a hérnia do jogador Kéké, o entorse do jogador Kiki, a unha encravada do jogador Kókó e, coisa mais grave para a soberania portuguesa e para o Pacto de Estabilidade e Crescimento, a caimbra do jogador Kúkú – cinco jogadores que podem desde já substituir as cinco quinas como símbolos nacionais incontroversos. Estes, sim, para rádios, jornais e televisões e respectivos pensadores, são os verdadeiros problemas dos Portugueses. Lamentamos que os candidatos a Primeiro Ministro não se tenham pronunciado sobre esses cinco graves problemas, à vista dos quais a Política Externa não é nada, absolutamente nada.»

(O senhor está cáustico e irónico…) - «O que esperavam?»

2 – (Ontem à noite, na rubrica 'Hora Zera', Notas Verbais dão conta dos abonos de representação e de habitação para o lugar vago no Consulado em Versalhes e anunciam, para esta noite, a revelação dos montantes para os lugares também abertos para os Consulados-Gerais em Genebra e em Hamburgo. O que é que isso quer dizer?) - «E quando ou se essa rubrica chegar à Espanha, designadamente para os lugares vagos na Embaixada em Madrid, no Consulado-Geral em Sevilha e no Consulado em Bilbau, os senhores vão ver como a compensação é maior! O Estado Português aguenta tudo.»

3 – (Não seria interessante que o Instituto Camões fizesse o balanço da sua actuação neste últimos meses e anos?) - «O senhor refere-se à diplomacia cultural?»

(Exactamente.) - «Mas isso há? Aliás, houve alguma vez?»

4 – (António Vitorino diz que declina o lugar nas Necessidades…) - «A declinação é um conceito astronómico mas também pode ser um conceito de gramática latina – como se sabe António Vitorino declina as palavras como no latim, pelo que se deve estar extremamente atento à última sílaba de que depende saber-se se o caso é acusativo, genitivo, dativo ou mesmo ablativo… O que se afirmou em NV, mantém-se – Sócrates não anuncia MNE porque não tem MNE, por agora tem um pentágono de disponíveis para declinação: António Vitorino, Maria Carrilho, Luís Amado, José Lamego e Nuno Severiano Teixeira.»

Islamabad. 35 vinhetas de visto roubadas

Naturalmente que este não é um «caso de polícia». É um caso sério. Na Embaixada de Portugal em Islamabad foram roubadas 35 vinhetas de visto, há várias semanas… mas o MNE apenas e em 1 de Fevereiro é que faz circular a informação da ocorrência por missões e consulados, tudo levando a crer que tardou dar-se conhecimento do facto a Lisboa. Ou então não tardou. O Inspector Diplomático, embaixador Tavares de Sousa procede a um inquérito urgente (portanto há matéria), as polícias (SEF, Judiciária/Interpol) foram alertadas e por via do secretariado do Conselho, a UE passou a saber e, claro, os EUA também... Islamabad é Islamabad.

O embaixador Alexandre Vassalo e o secretário de embaixada Saraiva devem estar a passar um mau bocado. Mas atendendo às consequências do que ocorreu em 1998 também em Islamabad (roubo de 26 passaportes comuns e cinco passaportes diplomáticos, num assalto com homicídio do guarda da missão) tudo passa. A não ser que desta não passe.

Sondagem/Política Externa. Até dia 14. Qual o melhor programa - PS? PSD?

E aí temos a sondagem na coluna à direita, por baixo do Livro Branco (os nossos arquivos mensais). Até dia 14. Podem votar e ver os resultados mas ninguém se espante com as abstenções...

Hora Zero. Abonos… Versalhes

58 postos (embaixadas e consulados) com lugares abertos

Um lugar de cônsul para o Consulado em Versalhes.

Em Versalhes, fora o ordenado, em matéria de abonos, para que conste:

Ministro – 8.189,88 € (representação) e 3.266,40 € (habitação)
Conselheiro – 7.771,74 € (repres.) e 2.765,08 € (hab.)
Secretário – 6.543,92 € (repres.) e 2.302,57 € (hab.)

Amanhã: Genebra e Hamburgo.

03 fevereiro 2005

Briefing da Uma. Monteiro/Rice, António Carneiro Jacinto, o Papa e as Rosas

Briefing da Uma. «Este barulho ali da Capela... às três da manhã... são almas do outro mundo, ou alguém a ressonar na CIFRA, de certeza... Mas, que diabo! Na CIFRA não é... aqui há gato!» - monólogo do guarda sentindo um tremor de arrepio na espinha.

1 – António Monteiro e Condoleezza Rice
2 – O trabalho do Porta-Voz
3 – Papa e rosas

1 – (A nova secretária de Estado dos EUA a partir de hoje e por oito dias corre de Londres para Berlim, vai a Ancara, ruma para Jerusalém, e depois Cisjordânia, vem para Roma, segue para Paris, vai andar por Bruxelas e termina tudo no Luxemburgo... E Portugal no meio disto?) - «Como sabem a sucessora de Colin Powell na chefia da diplomacia norte-americana, vai participar na reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros, dia 9 (quarta-feira), na sede da NATO em Bruxelas, reunião essa em que o MNE António Monteiro participa e que preparará a cimeira da Aliança Atlântica marcada para o próximo dia 22, também na capital belga, com George W. Bush, mais uma vez, no centro das atenções mundiais. Não está agendado qualquer encontro formal e oficial bilateral entre Rice e Monteiro mas quase garantimos que vai haver um encontro à margem. Há toda a curiosidade em observar o que Rice vai dizer a Monteiro e que não deve ser nenhum boato.»

2 – (Como avalia o trabalho do Porta-Voz das Necessidades, António Carneiro Jacinto?) - «Positivamente. Em escassos meses, o Porta-Voz das Necessidades emitiu até hoje perto de 400 notas ou comunicados o que ultrapassa em muito o que os adjuntos, assessores ou mestre de cerimónias dos anteriores três ministros (Gama incluído) produziram. António Carneiro Jacinto introduziu uma alteração profunda, muito positiva, na forma como as Necessidades se devem relacionar com o sistema mediático, reduzindo protagonismos pessoais. Antes dele, como sabem, outros dois porta-vozes fizeram das suas, designadamente Horácio do Vale César (Jaime Gama) e Fernando Lima (Martins da Cruz). O porta-voz Horácio gostava muito de falar para as rádios, por vezes às tantas da madrugada e estando por certo o ministro a dormir ele dizia sempre que «O senhor ministro pensa que...» para se falar das vezes em se ouvia «Nós pensamos...» parecendo por vezes comentários internacionais para o Açoreano Oriental o que termina sempre mal embora tarde e a más horas. Com Fernando Lima, o caso foi diferente mas também terminou muito mal com o embaraço das cunhas e outras coisas mais que, caso fossem reveladas, só Portugal é ficaria mal. O trabalho de António Carneiro Jacinto nas Necessidades foi um trabalho limpo, foi um trabalho profissional e foi um trabalho de quem não precisa do MNE para ser conhecido ou continuara ser voz sempre de algum dono. Falou com a sua própria voz e é isso que faz ou define um Porta-Voz, nunca apoucou diplomatas e, sobretudo, cativou a simpatia e respeito da imprensa estrangeira acreditada em Lisboa. E Notas Verbais afirmam isto com total insuspeição porque nunca, nunca receberam informação privilegiada do Porta-Voz – receberam o que todos os outros receberam. Só que nós, desculpem lá, temos para além do Embaixador Agapito muitos outros intérpretes e muitos outros personagens, além de conhecermos a Casa desde o tempo de Ruy Patrício e só não promovemos já um jantar com os próximos 30 jovens adidos apenas porque o FRI não desbloqueou a verba! Está tudo dito.»

3 – (O Embaixador Rocha Páris não foi oferecer um rosa branca ao Papa, no hospital Gemelli?) - «Supomos que não. De facto, um padre e um religioso polacos, em nome de 700 peregrinos também polacos que deviam ser recebidos em audência geral entretanto cancelada, foram ao hospital entregar um ramo de rosas com as cores da Polónia. Também habitantes de terras vizinhas do antigo campo nazi de Auschwitz remeteram da Polónia 15 bem contadas rosas vermelhas. De Portugal, nada. Nem o Santuário de Fátima mandou uma pomba ou uma rosa branca que fosse! Temos a certeza que se rosa branca fosse mandada, o Embaixador Rosa Páris lá iria de rosa branca na mão, se possível a correr, sabendo-se que o cheiro da rosa branca portuguesa cura todo o qualquer espasmo da laringe.»

Embaixadores. Movimentação… Bagdad, Zagreb, Haia e Bratislava

E é assim que, em 2005, se vão concretizando (conforme o orçamento disponível e outras «questões operacionais») as decisões de 2004:

Bagdad. Ministro Plenipotenciário de 1ª classe Francisco Falcão Machado para o cargo de Embaixador de Portugal em Bagdad com início de funções no dia 2 de Fevereiro de 2005, após breve comissão de serviço extraordinária

Zabgreb. Ministro Plenipotenciário de 2ª classe Luís Barreiros para o cargo de Embaixador de Portugal em Zagreb - início de funções desde 1 de Fevereiro

Haia. Ministro Plenipotenciário de 1ª classe Fernando Neves para o cargo de Embaixador de Portugal em Haia - início de funções desde 31 de Janeiro

Bratislava. Ministro Plenipotenciário de 1ª classe José Ernst Henzler Vieira para o cargo de Embaixador de Portugal em Bratislava - início de funções desde 25 de Janeiro

Hora Zero. A última de Cesário…

José Cesário voltou à cena internacional não já como Secretário de Estado das Comunidades Viseenses mas como candidato a deputado pelo Círculo Fora da Europa. E é assim que voltou ao Canadá.

Ora Cesário que ama Notas Verbais acima de todas as coisas, fez comício em London, a sul do Ontário, na sede local do PSD... que é dentro da igreja onde existe o "cônsul honorário", o padre Lúcio Couto. Este estava à porta a receber os escassos participantes. Os portugueses dali protestaram, protestou o PS e Cesário fez mais uma no estilo que já se lhe conhece: declarou à imprensa que nem tinha visto o padre, que nem sabia que aquilo era igreja, que ali não há nenhum consulado honorário porque o Canadá ainda não reconheceu oficialmente… Isto é, o padre não é Lúcio, não devendo ser também translucidamente Couto, e o consulado honorário existe quando é caso disso... Perfeita cesariana.

02 fevereiro 2005

Ministeriáveis e secretariáveis. Um pentágono

Sócrates evita dizer que nome tem para MNE do seu possível Governo porque não tem um nome, tem um pentágono. Jaime Gama já não deve regressar às Necessidades, onde suplantou o somatório de Andrade Corvo, pois a presidência do Parlamento é o seu passo calculado.

Então que cinco lados são esses?

1 - António Vitorino, vice-primeiro ministro acumulando o MNE (doutoramento adiado). Solução mais provável.
2 - Maria Carrilho, sobretudo por causa das quotas tão em moda. Mas também pode ir para a Defesa.
3 - Luis Amado, até agora tem sido o paciente número dois em tudo, é responsável do secretariado do PS para as relações internacionais.
4 - José Lamego que não diria que não, mas Gama...
5 - Nuno Severiano Teixeira que diria que sim.

Mais que provável é a escolha também de uma mulher para as Comunidades Portuguesas, um sonho que Mafalda Durão Ferreira não enjeitaria, diga-se de passagem, mas Lello...

Amã. Nem a propósito...

Desconhecemos como o embaixador Falcão Machado passou estes dias entre o parte e o não-parte para Bagdad, mas se por acaso «apanhou» a movimentação diplomática que se sente na capital jordana não deve dar por perdidas as horas roubadas ao sono. Há muito que defendemos que Portugal devia ter um embaixador residente em Amã, capital onde se sabe mais do Iraque (para não falar de outros países...) que no próprio Iraque (e nos tais outros países). Amã está hoje para o Médio Oriente como Chipre outrora já esteve, e se a UE e a ONU têm na Jordânia as suas bases recuadas de observadores, estejam descansados que as informações chegam por inteiro a Madrid, metade a Paris, um terço a Berlim e um milésimo a Lisboa...

Falcão Machado. As «questões operacionais»...

O Embaixador Francisco Falcão Machado chegou a Bagdad, «ultrapassadas as questões operacionais que o retiveram durante alguns dias na capital da Jordânia» nos termos que, com delicadeza e finura (excessiva, a nosso ver...), o Porta Voz das Necessidades, António Carneiro Jacinto dedicou ao caso (hoje mesmo) a contrastar com as declarações do gabinete do Primeiro Ministro que, há dias, tratou o Embaixador como se fosse uma amostra sem valor à semelhança das encomendas que outrora se despachavam nos balcões dos antigos CTT.

Ora, o que se passou ou, melhor, que «questões operacionais» foram essas?

Para já, o agrément a Falcão Machado foi concedido pelas autoridades de Bagdad apenas no dia 4 de Janeiro e a Embaixada do Iraque em Lisboa só pode confirmar isto mesmo. Concedido o agrément, naturalmente que haveria procedimentos, vários, da parte portuguesa, o último dos quais é o da publicação da nomeação do embaixador pelo Diário da República (e não apenas pela Rádio Renascença e muito menos por Notas Verbais...) mas supondo, além disso, a assinatura das Cartas Credenciais pelo Presidente da República, formalizada a proposta a Belém, como deve ser, pelo Primeiro Ministro... tramitação morosa, sem dúvida, e que ora encalha aqui, ora encalha acoli. Todos os diplomatas sabem que assim é, a começar pelos que como assessores diplomáticos são destacados para S. Bento.

Ora, sem Cartas Credenciais assinadas por Sampaio, sem nomeação publicada na folha oficial e sem bilhete de avião sequer na mão, como é que o Embaixador Falcão Machado que revelou uma coragem que é exemplar para os seus colegas de carreira ao manifestar ao Ministro António Monteiro total disponibilidade para a missão, poderia partir? Não poderia nem deveria, mesmo que Bagdad fosse Londres, Paris ou Washington ou, que fosse ao menos Abuja!

E como é que o gabinete do Primeiro Ministro, estando o MNE ausente em visita oficial (Angola), diz que ordena a partida, que deu ordens, enfim que despachou um diplomata ao balcão dos CTT, sem aquilatar e salvaguardar as razões que as Necessidades, com civilidade e trato agora qualifica de operacionais mas que toda a gente percebeu que eram «razões de segurança»? E sendo as razões desta ordem, é assim no estilo dos antigos CTT que se dizem as coisas? Não é, estando em jogo o que está.

O certo é que o Embaixador Falcão Machado, apesar de lhe ter sido concedido o agrément por Bagdad mas sem Cartas Credenciais assinadas por Sampaio, acabou por ser nomeado em «comissão de serviço» extraordinária, por receber o bilhete de avião no dia 26 de Janeiro ao fim da tarde mas partindo logo na manhã do dia seguinte (27) rumo a Amã. E não foi segredo para ninguém - muito menos segredo de Estado para Portugal porque as agências noticiosas internacionais deram conta do facto - assim que Falcão Machado chegou à capital da Jordânia, as conexões aéreas para o Iraque foram canceladas por razões de segurança, com o aeroporto de Bagdad a ser encerrado.

Briefing da Uma. Europa. Próximo MNE. Memória.

Briefing da Uma. A propósito das idas de Sócrates a Berlim e a Paris, não é despiciendo recordar o boato que Gabriel Sénac de Meilhan disseminou: «Os Alemães sentam-se à mesa para comer bem e os Franceses para reunir pessoas que podem ser úteis umas às outras».

1 – Europa
2 – Próximo MNE
3 – Memória

1 – (A Constituição Europeia está a avançar?) – «Grande avanço, meus senhores e minhas senhoras. O parlamento da Eslovénia ratificou ontem por maioria a Constituição Europeia, sendo o terceiro país da União Europeia a fazê-lo, depois da Hungria e da Lituânia.»

2 – (Quem vai ser o próximo MNE?) - «Até agora, apenas o CDS/PP indicou um nome que propõe para as Necessidades – António Lobo Xavier. No PS há jogo de xadrez – se este avança para ali, será este, mas admite-se que a rainha mexa se o cavalo a proteger, e quanto à torre, depende das quotas do género. O resto é boato.»

(Que linguagem cifrada!) - «Esta matéria será motivo para telegrama oportuno. O que está prometido, prometido está.»

(Parece que está com muita pouca vontade de falar, de nos dizer coisas, novidades…) - «É verdade. Sobre a questão do próximo MNE, a única indicação que vos posso dar é que neste momento há cinco jornalistas ex-assessores que anseiam por ser o próximo Porta-Voz das Necessidades. Já ensaiam a voz, encolhendo a garganta…»

3 – (Como, pelos vistos, não quer falar do presente, pode evocar-nos algum episódio do passado?) - «Com todo o gosto. Há para aí uns sete ou oito anos a Embaixada de Portugal em Islamabad foi assaltada durante a noite. Os ladrões encurralaram num quarto a mulher e filhas do guarda da chancelaria e, de seguida, arrumaram o pobre-homem do guardião da Missão Diplomática. Os assaltantes roubaram do cofre passaportes e o mais que por lá havia... O Bin Laden - embora então nada se soubesse das suas actividades - preparava a sua equipa para entrar em acção. E na Capela das Necessidades? Moita calada... O MNE só deu conhecimento do roubo às Missões cerca de um mês depois.... Tarde demais.»

(Mas porque razão se lembra disso agora?) - «Tarda não tarda, dir-lhe-ei o motivo.»

(Então essa memória não foi por acaso…) - «Sim. Não foi por acaso. Mas estejam atentos a Notas Verbais.»

Lá vem Agapito. Boatos não nomeados.

Toca o telefone. O vozeirão não engana - é o Embaixador Agapito.

«Meu caro, sei que teve uma complicação na vista, cuide-se e que tude passe depressa. Aliás, neste País, só por milagre é que os olhos abertos não ficam doentes.»

Obrigado, obrigado Embaixador Agapito, isto está melhor.

«E já avaliou esta agora dos boatos? Meu caro! Boatos sempre houve mas esta dos boatos não nomeados é inteiramente nova e suponho que há uma grave lacuna constitucional e um terrível vazio legal. Pelo quadro das competência do Governo, este não pode nomear boatos. E o Presidente da República pode muito bem nomear embaixadores, chefias militares, primeiro-ministros... mas boatos é que não pode nomear. Ora se Portugal está cheio de boatos não nomeados, quem os nomeou? É demais, é demais, é demais... E agora corre o boato de que o próximo MNE é um boato não nomeado? É demais!»