Ora como é que o Estado da Santa Sé resolve a questão das línguas, designadamente no seu sistema mediático?
Assim:
Exactamente: Deutsch; English; Español; Français; Italiano; Português... Seis, assim as contou Rocha Páris pelos dedos.
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
E finalmente, os cônsules honorários quando de nacionalidade portuguesa e desde que não tenham a nacionalidade do país onde exercem funções, pelo que outra nacionalidade (de terceiro país) lá poderão ter, e aqui, bem aqui é que a dúvida pode torcer o passaporte, se o honorário não for também honorável… Casos tristes e lamentáveis, há.
O imbróglio não diz respeito a Portugal mas ao vizinho do lado mas importa seguir com atenção. Vaticano e Madrid andam de candeias às avessas e o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol sentiu-se em posição de convocar o Núncio Apostólico a quem fi transmitida a protocolar palavra «surpresa» depois das críticas do Papa contra uma laicização da Espanha. O subsecretário de Estado para os Assuntos Externos, Luís Calvo, deu conta ao Núncio do seu espanto pela «referência explícita» de João Paulo II a um «suposto laicismo que poderá limitar a liberdade religiosa» por «atitude deliberada» do governo de Madrid. Madris emitiu mesmo um comunicado oficial sobre a matéria com todas as letras e que rapidamente chegou aos filtros da consabida diplomacia papal.
O Papa, que endereçara aquelas reprimendas à Espanha na segunda-feira (24) num discurso perante o colectivo dos bispos espanhóis que peregrinaram até ao Vaticano em visita Ad Limina, no bom estilo da diplomacia pontifícia, não respondeu directamente. E encarregou, hoje, o porta-voz do Vaticano, monsenhor Joaquin Navarro-Valls, de reagir a Madrid com a seguinte declaração (tradução não oficial), pensada e redigida também no mais rigososo estilo da diplomacia papal e que é de antologia:
«Tendo tomado conhecimento do Comunicado ministerial (espanhol), convém recomendar uma reeleitura atenta do discurso papal, que expõe muito claramente a doutrina da igreja. Assim diz-se que a Santa Sé saúda a vontade expressa pelo Governo Espanhol de manter boas relações com a Igreja, atrvés de um diálogo permanente e no respeito recíproco. Esta é, pela sua parte, a linha imutável da Santa Sé»
Ora, diplomatas e negociadores de Estado, aprendam! E o ministro da Defesa espanhol, José Bono que, a propósito deste imbrógilo afirmava alto e bom som, na terça-feira, que «o governo espanhol não é o pregador da cristandade» que se acautele porque ainda corre o risco de ter que ao Vaticano em visita também Ad Limina...
Possivelmente o embaixador Rocha Páris já terá transmitido ao MNE a relevantissima informação de que o Papa recebeu hoje em separado mais seis bispos espanhóis (D. Julián López Martín - bispo de Leão, D. José Vilaplana Blasco – bispo de Santander, D. Antonio Cañizares Llovera, bispo de Toledo, D. Francisco Cases Andreu, bispo de Albacete, D. Antonio Angel Algora Hernando, bispo de Ciudad Real e D. Ramon del Hoyo López, bispo de Cuenca), mas NV não querem que alguma coisa e muito menos coisa antológica falte à lusitana CIFRA e já agora também ao castelhano ministro da Defesa...
Telefonema de Marrakech! Temos que afastar o aparelho meio metro do ouvido – grande vozeirão do outro lado, é o Embaixador Agapito.
Despertou inusitado interesse o anúncio feito por NV que iria tratar do assunto a que Bloguitica já dedicou uma oportuna nota. Já é grande a montanha de correio para NV no que diz respeito às Necessidades, foi grande mas foram cinco telefonemas (um deles a desoras...) que especialmente nos impressionaram. E já agora seria bom que Jorge Coelho indagasse quem, das suas cercanias, anda a espalhar boatos... Na verdade, o boato da cercania é o pior dos boatos.
Interrogam-se os diplomatas e funcionários dos serviços externos sobre quem será o próximo Ministros dos Negócios Estrangeiros. A avaliar pela clareza e transparência dos dois principais partidos, o PS pode responder à vontade que o próximo MNE pode ser outro mas não o mesmo e o PSD dirá que pode ser o mesmo ou outro. Os restantes partidos adjacentes, tangentes ou mesmo secantes do poder, naturalmente que podem dizer, cada um, o nome de quem não será. E apenas não ficamos na mesma porque NV contam em breve descrever os ministeriáveis e já agora os secretariáveis do PS para as Necessidades.
O líder do Partido Socialista Europeu, Martin Schultz, depois das calinadas produzidas em Lisboa, pretendeu hoje, em Bruxelas, dar um ar de graça lusófona e não encontrou nada de melhor que recorrer à figura alegórica do Velho do Restelo que, como se sabe, qundo apoia alguma coisa é de fugir.
Exactamente, desde 15 de Março de 2000 - vai para cinco anos - o site oficial da Representação de Portugal junto da ONU em Nova Iorque registou apenas 61.072 visitantes até este preciso momento, o que é muito pouco. Com este número, mesmo em cinco meses que fosse, qualquer blogue já tinha perdido a paciência e se um embaixador não a perde ao fim de cinco anos de site, não se percebe… Mas NV compreendem que ainda não houve tempo para choque tecnológico na Representação em Nova Iorque e portanto vamos dar uma ajuda ao embaixador João Salgueiro que, honra lhe seja feita, mal chegou às Nações Unidas (dia 21, sexta-feira passada) já se fez sentir e ouvir – alterou de imediato a mensagem inicial de boas vindas do site onde já colocou a sua fotografia e, na segunda-feira (24), fez uma intervenção na Assembleia Geral em nome do Grupo de Estados da Europa Ocidental a propósito da evocação do holocausto. Segundo nos garantem, o embaixador chinês Wang Guangya que falou a seguir a Salgueiro, gostou muito de ouvir o representante português.
1 – (O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, acaba de fazer mais uma viagem à França. Sendo ele também candidato, cabeça de lista pelo seu partido pelo Círculo da Europa, é normal?) - «Se o Secretário de Estado das Comunidades, Carlos Gonçalves, em Outubro foi à França, em Novembro à França foi, em Dezembro voltou à França e no início de Janeiro à França voltou, porque é que neste final deste mesmo Janeiro não haveria de voltar outra vez à França com um salto ao Luxemburgo? A campanha eleitoral não começou, Portugal ainda está na fase da pré-campanha e só ignorantes, mal-intencionados e inimigos da boa imagem externa do Estado é que não compreendem que uma coisa é Carlos-Gonçalves-Secretário-de-Estado e outra é Carlos-Gonçalves-candidato-e-cabeça-de-lista»
O que caracteriza um autêntico pensador pré-socrático é o não se importar com registo de marcas e patentes. E se esse modesto pensador honorário se chamar Anaximandro, ele até ficará feliz por haver mais Anaximandros na Terra, pelo que se, por hipótese, toda a Humanidade apenas for constituída por Anaximandros de carreira, então meus senhores e minhas senhoras, isso será já o Paraíso Global - ou o mundo cada vez mais não passe de uma amostra do que a Ásia Menor já foi! E sendo assim, não há qualquer incidente diplomático lá porque em Incursões há também um Anaximandro, um outro. E como o humor sadio com sadio humor se paga, convencionemos em obediência aos Tratados e nos termos internacionalmente aceites, que um Anaximandro reconhecidamente seja de carreira e o outro seja honorário, sem prejuízo de que venha a ser constituída uma ONG de Anaximandros...
Toda a cordialidade para Incursões e não desanimem por isso. Há quem se abstenha por motivos bem mais graves e mais preocupantes.
O tac-tac rápido dos botins e o vozeirão de se ouvir a cem metros, claro que só poderia ser o Embaixador Agapito:
E mal Agapito desapareceu escada acima, eis que o embaixador Casamia, desenhando corações no ar com o seu proverbial lápis amarelo, saltita da Cozinha Velha com a mão veludosa a esconder metade do lábio inferior, aquela metade de lábio que desde Andrade Corvo foi sempre metade do contraditório:
NV desejam que nada falte à nossa Diplomacia Cultural, pelo que, à falta de melhor das bandas da Índia, para além deste velho selo postal dedicado ao autor dos Lusíadas na eterna pose de tudo aquilo a que dá nome (em naufrágio...) oferecemos ao Embaixador em Nova Delhi, Joaquim Lemos Marques, esta informação acabada de chegar do Quai d’Orsay, e que faz questionar sobre se vale a pena o Estado Português suportar tanto centro cultural, tanto adido cultural e tanto conselheiro cultural que nem sequer uma feira do livro com três milhões de visitantes e com a França em figura central se regista no pobre site da nossa missão em Nova Delhi, quanto mais estar lá ainda que fosse à boleia...
5 - FOIRE DU LIVRE DE CALCUTTA
La France est l'invitée d'honneur de la Foire du livre de Calcutta qui se tiendra du 26 janvier au 6 février 2005. Attirant plus de 3 millions de visiteurs, cette foire est la plus grande manifestation littéraire en Asie.
La décision des organisateurs d'inviter la France marque la reconnaissance de la nouvelle politique française menée en Inde dans le domaine de l'écrit depuis 2 ans, qui est à l'origine, notamment, du succès commercial d'une collection de romans français contemporains, publiée par l'éditeur indien Rupa avec le concours du ministère des Affaires étrangères. Le livre français suscite d'ailleurs un intérêt croissant en Inde et les auteurs français qui s'y rendent y rencontrent une large audience.
Près de 1700 livres, couvrant tous les domaines éditoriaux, seront présentés à la Foire du livre de Calcutta dans le pavillon français, sur un stand pris en charge par le Bureau international de l'Edition française (BIEF) ; ils seront commercialisés par un libraire local à un prix préférentiel. C'est Unipresse qui assurera la représentation de la presse française.
Une dizaine d'auteurs français, dont JMG Le Clézio, Patrick Chamoiseau, Dominique Fernandez, Pierre Michon, Andreï Makine, se rendront à Calcutta à l'invitation du ministère des Affaires étrangères. Par ailleurs, Daniel Pennac et Jean-Claude Carrière sont les invités d'honneur du gouvernement du Bengale. Seront également présents à la Foire du livre de Calcutta des éditeurs : Jean-François Richez (Larousse), Françoise Mateu (Syros Jeunesse), Paul Otchakovsky-Laurens.
Irão. Embaixador Moreira da Cunha no cargo de Embaixador de Portugal em Teerão (assume funções , hoje, dia 24
Uma crónica de Carlos Pinto Coelho - «Cinco ideias e um pecado» - que circula em listas de difusão, como na do PortugalClub mantida pelo nosso embaixador honorário Casimiro Rodrigues, sugere-se a criação de uma Secretaria de Estado da Lusofonia tutelada pelo Ministério da Cultura e, no contexto, cita-se a experiência francesa do «Ministério da Francofonia».
Vamos colocar uma sondagem sobre as bases programáticas apresentadas pelo PS e pelo PSD/PPD, em matéria de política externa e questões conexas. Uma sondagem vale o que vale mas não deixa de valer.
Sob o título «Portugal na Europa e no Mundo», o PS reparte o seu projecto governamental por seis pontos sob o chapéu de «Política Externa e Integração Europeia», coloca mais uns quatro pontos, em certo sentido relacionados com a matéria, sob o chapéu da «Defesa Nacional», e também lá pelo meio a propósito do sagrado mandamento de «Valorizar a Cultura», os pensadores não resistem à sintomática tentação de «Afirmar Portugal no Mundo» que não deixa de ser triste sintoma…
Em Notas Formais está na íntegra a parte que directamente se relaciona com a política externa.
Um esclarecimento do Porta-Voz das Necessidades, António Carneiro Jacinto, acaba de dizer em substância o seguinte, sobre a suspensão do funcionário do Consulado de Portugal em Genebra, Manuel de Melo, por sua vez candidato do PS pelo círculo da Europa:
1.º - A decisão ministerial de suspender o funcionário pelo período de três meses, decorre da instrução de dois processos disciplinares em que ele é arguido, instaurados por despacho ministerial respectivamente em 5 de Março de 2003 e em 17 de Abril do mesmo ano;
2.º - Foi, ainda, instaurado um processo disciplinar, por despacho do Secretário-Geral do MNE em 26 de Fevereiro de 2004 e está também em curso um processo de inquérito, decorrente de despacho do Secretário-Geral do MNE de 9 de Novembro de 2004;
3.º - Ao funcionário Manuel de Melo foram já aplicadas duas penas disciplinares, respectivamente em 17 de Janeiro de 1996 e em 25 de Março de 1999.
E houve protestos de várias capitais, depois do alvitre dado a Moreira da Cunha para «observar» a próxima feira do livro de Teerão que certamente terá este ano mais do que o milhão e 800 mil visitantes de 2004.
Vários chefes de missão sentem-se marginalizados por NV não se terem lembrado deles e acusam-nos de fazer o mesmo que o Instituto Camões, organismo que, como sabe, tem a incumbência de liquidar a universalidade da cultura portuguesa, acabar com essa veleidade da lusofonia e aplicar um plano de atrofiamento da língua até à extinção do português. E o organismo está a executar isto tão bem desde há vários e tantos anos que NV apenas poderiam ficar surpreendidas com o coro de protestos dos embaixadores. De qualquer forma, aqui vão umas ajudas para a desejada extinção da nossa universalidade em que apenas uns poucos pândegos ainda acreditam:
1 – (É verdade que, no que diz respeito a 2004, cinco diplomatas que exerceram funções em gabinetes governamentais, foram promovidos a ministros plenipotenciários?) - «É verdade. A promoção a ministro justifica-se em função daquilo que o Estado português deles pode e deve esperar, tanto que só nesse grau de ministro é que podem ser nomeados embaixadores. Qual é a dúvida?»
Com eleições à porta, este é o pior e o melhor momento para se reflectir sobre esta diplomacia portuguesa ou sobre o que se designa ainda por diplomacia, para se pensar ou repensar no papel dos diplomatas, para se avaliar o desempenho dos últimos ministros, para se tentar perceber as motivações dos secretários de Estado (e então o das Comunidades!), o desempenho dos presidentes dos institutos e organismos autónomos do MNE e, enfim, para se avaliar a bondade dos critérios de promoções, nomeações e colocações.
Pois é. Deus quer, Casimiro Rodrigues sonha, a obra nasce. Quem na emigração ou da emigração não conhece o PortugalClub? Se cada mail enviado por Casimiro Rodrigues fosse um grão, ele encheu um ceirão. Temido e por vezes afrontado por uns e adolado por vezes também interesseiramente por outros, todos na Hora H «sentem» a garra do PortugalClub por essas comunidades fora porque a «obra» de Casimiro, a partir do seu cantinho no Brasil, é um espelho, vai sendo um espelho de como se pensa, como se escreve, como se interpreta - desde os fantasmas vencidos do passado aos candidatos a fantasmas do presente. Não é um Portugal dos Pequeninos, é uma amostra nada pequenina de Portugal dos que se julgam Grandes. Argolada de cônsul, escorregadela de embaixador ou mesmo espirro de funcionário de chancelaria que não teve o cuidado de pôr o lenço na boca, pois é verdade - mais hora menos hora, lá vai cair no PortugalClub onde por acaso se cultiva o princípio do contraditório. E o curioso é que, sendo já o mais alargado correio dos emigrantes, não recebe subsídio da Secretaria de Estado - é obra de pura carolice como convém quando Deus quer, algum homem por essa senda ouse sonhar livremente e uma obra se acumule no ceirão, grão a grão, mail a mail. E não vamos dizer mais porque poderemos estragar o PortugalClub - um mimo diplomático qualquer borra sempre a opa. Mas que há quem tenha medo já do PortugalClub, lá isso há! E teria que ser mesmo assim: se é verdade que Portugal está lamentavelmente cheio de mostrengos e de adamastores, também é verdade que o adamastor original e modelo de todos os mostrengos se apanhou algum susto na vida e teve medo, foi por uns portugueses que sonharam sem saberem se Deus quis e a obra nasceria. Posto isto, bom Sábado.
1. (É verdade que há uns determinados embaixadores que, neste período já eleitoral, se desdobram em insinuações de que a haver novo governo PS haverá recuos na política externa nisto ou naquilo?) - «Infelizmente é verdade. Embora sejam poucos os casos de missões diplomáticas cujas chefias protagonizam essas cenas pouco recomendáveis na carreira, o que sabemos já é demais. Acreditamos que o ministro António Monteiro seja o primeiro a ficar incomodado com tais comportamentos porque não é assim que se acautela a imagem de um País, os interesses de um Estado e o exemplo de uma Democracia. Os casos desta baixa política de chancelaria chegam à meia dúzia mas são já meia dúzia. Um Embaixador de Portugal acreditado numa capital estrangeira não tem que armar-se em pitonisa fornecendo oráculos sobre como será a política externa portuguesa consoante este ou aquele partido ganhe. A figura do embaixador-pitonisa da baixa política é coisa que há muito já devia ter acabado.»
Num momento em que, por exemplo, a França formou no interior do Quai d’Orsay uma central de inteligência para os negócios e salvaguardar a respectiva alma que é o segredo, Portugal dá este espectáculo triste de nem sequer saber construir um pequenino segredo de Estado, pequenino que seja. Pior que a provável descoordenação entre ministérios e os atropelos que à evidência os Ministérios fazem uns sobre os outros, é a vulgarização de estratégias. Que Álvaro Barreto diga que desconhecia o que Sarmento foi fazer e que este, inusitadamente, tenha chamado a si algo que deveria ter sido António Monteiro a conduzir e o primeiro ministro a conhecer ou a percebner sem hesitações estivesse em Paris, em Madrid ou em Roma, tudo isso se perdoa até porque tem sido sempre assim: a coordenação não é uma virtude dos governos portugueses, como os embaixadores tão bem conhecem e sofrem no terreno. O que choca é que sejam ministros a revelar estratégias e alvos negociais que o Estado deveria salvaguardar com prudência, cautela e responsabilidade.Enfim, razão teve Henri Monnier em lembrar que o carro do Estado rola sobre um vulcão e, claro, não apenas sobre a GALP.
A última coisa que as Necessidades dizem, aqui em Notas Verbais é a primeira a destacar-se: «Esta habitual reflexão anual não é aberta à comunicação social»...
- Então Embaixador, 2005 começou bem para si?
- Então Embaixador, 2005 começou bem para si?
O Instituto Camões ainda não foi liquidado mas a diplomacia cultural foi – não existe, se é que alguma vez existiu como tal. Quanto a Simoneta, esta é a melhor ocasião para se demitir. Ninguém sentiria isso grandemente, não há gestão de gravidade a assegurar, os despedimentos estão feitos e os concursos talhados. Bonita obra!
Em matéria de política externa, Novas Fronteiras começam mal, mas no sítio certo, pela designação – a Alfândega do Porto, porque isto só dá para ironizar. Há fronteiras que apenas merecem uma boa alfândega e a do Porto é das boas. Pois, na sexta-feira (dia 8), os independentes do Fórum vão discutir, na cidade que já teve os mais importantes vice-reis da República, o novíssimo tema «Portugal na Europa e no Mundo», coisa que se discute desde D. Afonso Henriques mas que pouca gente tem sentido. Tema original, portanto. Na verdade, há dois anos que democratas – por entre eles, muitos diplomatas, especialistas de relações internacionais, observadores e demais curiosos alguns escribas – desgostosos com o que o PS foi e com o que o PSD foi sendo de mãos dadas com o PP, mas também não querendo embarcar nas brincadeiras do BE e muito menos nas marchas do PCP, enfim desejavam o mínimo que se pode desejar num País em que a sua política externa está aparentemente liquidada: esperança sem cangas, debate sem vínculos de mordomia, troca de ideias sem metas nas cadeiras de deputado, conclusões que os partidos (a começar pelo PS) registassem e tivessem em conta séria.