28 janeiro 2005

Línguas papais na Europa. Como o Vaticano resolve a questão...

Porque sabem muito e apenas porque muito sabem - Portugal tem a experiência disso desde D. Afonso Henriques... - NV não perdem de vista os passos da diplomacia do Vaticano.

Ora como é que o Estado da Santa Sé resolve a questão das línguas, designadamente no seu sistema mediático?

Assim:




Exactamente: Deutsch; English; Español; Français; Italiano; Português... Seis, assim as contou Rocha Páris pelos dedos.

Briefing da Uma. Chegada de cônsules a postos. Círculos da Europa e de fora da Europa. Oficiais e pouco cavalheiro

Briefing da Uma. A primeira verdade que um conhecido embaixador jubilado disse no termo da carreira activa, foi esta: «Há três espécies de mentira: as mentiras, as mentiras piedosas e as explicações por escrito ao Inspector Diplomático e Consular».

1 – Cônsules, sejam mais comedidos…
2 – Peregrinos círculos eleitorais
3 – Funcionários dos serviços externos ou párocos?

1 – (Temos registado que há cônsules-gerais portugueses que mal assumem o posto se desdobram em declarações, pregações, avaliações e vaticínios… São instruções?) - «Não, não há instruções das Necessidades nesse sentido, mas de facto assim é, por parte de alguns. A vida e obra dos tolos, todavia, aconselha a que os cônsules-gerais sejam mais comedidos quando assumem os postos sobretudo quando os seus currículos pessoais e profissionais deixam muito a desejar, nomeadamente no ponto de vista ético. As asneiras já são tantas que a ninguém aproveita o espavento de mais asneiras. E não vamos entrar em detalhes…»

2 – (Os funcionários dos serviços externos, pelos vistos, estão a ser eleitoralmente assediados pelos partidos …) - «Em democracia ninguém pode nem deve impedir isso. Funcionários do quadro externo MNE, secretários e ex-secretários de Estado das Comunidades Portuguesas ou mesmo directores de jornais que se dizem especializados na emigração como se isto fosse uma especialidade, são de facto vistos pelos partidos como bombas de sucção de votos. E têm razão – são bombas de sucção.»

3 – (Mais uma vez, fugiu à resposta, contornou, evitou com brincadeiras de palavras. Por favor seja concreto) - «Em que matéria deseja que sejamos concretos?...»

(… por exemplo no que diz respeito aos funcionários do quadro externo. Eles podem?) - «Claro que podem. O problema é que não há rotatividade e mobilidade nos locais de trabalho desses funcionários administrativos, alguns estão numa embaixada ou num consulado durante uma vida e por entre esses, um ou outro acaba por se transformar numa espécie pároco vitalício para não citar de episódicos casos de outras profissões mais antigas no mundo, do que não vem grande mal ao mesmo mundo, diga-se. O problema é quando um ou outro se deputa e delega para a mentalidade do dirigente, do líder e do condutor de massas. Não vamos entrar em detalhes…»

(Entre, entre lá nos detalhes!) - «Agora não. Oportunamente diremos das boas mas desde já fica claro: não temos medo nem receio de párocos consulares e muito menos de autoconvencidos condutores de massas por acaso beneficiários de inspecções consulares molengas do passado.»

Relatos. A cultura dos relatos

Há por aí uns apresentadores de província que estão a relatar a ida do Embaixador Falcão Machado para o Iraque como se fosse o trajecto de um futebolista para a Academia de Alcochete. Uma tristeza a juntar aos relatos provincioanos sobre o tsunami.

Passaportes especiais. E se os honorários não forem honoráveis?

O regime de concessão de passaportes foi alterado e a folha oficial (dia 26, Lei nº 13/2005) disso já dá conta. Velha aspiração e bandeira do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas, os passaportes especiais passam a permitir, em princípio, a correcta acreditação dos funcionários do quadro externo do MNE e também dos cônsules honorários.

Nos termos da lei, a partir de agora, os passaportes especiais podem ser emitidos para os funcionários de nacionalidade portuguesa, desde que não tenham a nacionalidade do país onde exercem funções, do quadro único de vinculação dos serviços externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, quando não tenham direito à emissão de passaporte diplomático;

Também pode beneficiar desse documento, o pessoal de nacionalidade portuguesa, desde que não tenha a nacionalidade do país onde exercem funções, que integra o quadro único de contratação dos serviços externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sempre que por imposição das autoridades locais do país em que residam tal se torne efectivamente indispensável ao exercício das respectivas funções, ou à sua correspondente acreditação local;

E finalmente, os cônsules honorários quando de nacionalidade portuguesa e desde que não tenham a nacionalidade do país onde exercem funções, pelo que outra nacionalidade (de terceiro país) lá poderão ter, e aqui, bem aqui é que a dúvida pode torcer o passaporte, se o honorário não for também honorável… Casos tristes e lamentáveis, há.

Retirou. ONU deixou de ser ONG…

As Necessidades já retiraram a ONU da lista de ONG’s seleccionadas para a página oficial das Comunidades Portuguesas…

Hora Zero. Condoleezza Rice

Rice, entre 3 e 10 de Fevereiro, anda pela Europa e Médio Oriente, no avanço da viagem de Bush marcada para 22 e 25 de Fevereiro (visita às sedes da UE e NATO, Alemanha (encontro com Schroeder) e Eslováquia (local de conveniência para encontro com Putin). Condoleezza Rice passa pelo Reino Unido, Alemanha, Polónia, Turquia, Israel, Cisjordânia, Itália, França, Bélgica e Luxemburgo. Está tudo dito.

27 janeiro 2005

Antológica Diplomacia Papal. Seguir com atenção...

O imbróglio não diz respeito a Portugal mas ao vizinho do lado mas importa seguir com atenção. Vaticano e Madrid andam de candeias às avessas e o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol sentiu-se em posição de convocar o Núncio Apostólico a quem fi transmitida a protocolar palavra «surpresa» depois das críticas do Papa contra uma laicização da Espanha. O subsecretário de Estado para os Assuntos Externos, Luís Calvo, deu conta ao Núncio do seu espanto pela «referência explícita» de João Paulo II a um «suposto laicismo que poderá limitar a liberdade religiosa» por «atitude deliberada» do governo de Madrid. Madris emitiu mesmo um comunicado oficial sobre a matéria com todas as letras e que rapidamente chegou aos filtros da consabida diplomacia papal.

O Papa, que endereçara aquelas reprimendas à Espanha na segunda-feira (24) num discurso perante o colectivo dos bispos espanhóis que peregrinaram até ao Vaticano em visita Ad Limina, no bom estilo da diplomacia pontifícia, não respondeu directamente. E encarregou, hoje, o porta-voz do Vaticano, monsenhor Joaquin Navarro-Valls, de reagir a Madrid com a seguinte declaração (tradução não oficial), pensada e redigida também no mais rigososo estilo da diplomacia papal e que é de antologia:

«Tendo tomado conhecimento do Comunicado ministerial (espanhol), convém recomendar uma reeleitura atenta do discurso papal, que expõe muito claramente a doutrina da igreja. Assim diz-se que a Santa Sé saúda a vontade expressa pelo Governo Espanhol de manter boas relações com a Igreja, atrvés de um diálogo permanente e no respeito recíproco. Esta é, pela sua parte, a linha imutável da Santa Sé»


Ora, diplomatas e negociadores de Estado, aprendam! E o ministro da Defesa espanhol, José Bono que, a propósito deste imbrógilo afirmava alto e bom som, na terça-feira, que «o governo espanhol não é o pregador da cristandade» que se acautele porque ainda corre o risco de ter que ao Vaticano em visita também Ad Limina...

Possivelmente o embaixador Rocha Páris já terá transmitido ao MNE a relevantissima informação de que o Papa recebeu hoje em separado mais seis bispos espanhóis (D. Julián López Martín - bispo de Leão, D. José Vilaplana Blasco – bispo de Santander, D. Antonio Cañizares Llovera, bispo de Toledo, D. Francisco Cases Andreu, bispo de Albacete, D. Antonio Angel Algora Hernando, bispo de Ciudad Real e D. Ramon del Hoyo López, bispo de Cuenca), mas NV não querem que alguma coisa e muito menos coisa antológica falte à lusitana CIFRA e já agora também ao castelhano ministro da Defesa...

Briefing da Uma. Santana manda? Prioridades, Pilritos

Briefing da Uma. A propósito de debates, seria bom recordar Balzac: «Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares». O ímpar não pode julgar.

1 – A notícia de que Falcão Machado foi mandado para Bagdad…

2 – Prioridades e Pilriteiros

1 – (Afinal o Primeiro Ministro Santana Lopes despachou o processo da ida do embaixador Falcão Machado assim que o recebeu, ou seja, apenas na passada segunda-feira… Onde houve a demora?) - «A tramitação burocrática que a indigitação, proposta e nomeação de um Embaixador envolve é incrivelmente morosa, interpondo-se nesse processo o Ministério das Finanças. Sem dinheiro nada há a fazer porque as Necessidades estão sem orçamento adequado. A questão foi levantada pela Rádio Renascença e importa repetir – não se pode indigitar à força um embaixador para qualquer posto e muito menos para Bagdad! Em certa medida, é o que se passa com os capelães – a GNR que diga se um capelão militar pode ser despachado à força, a pesar de o terem solicitado para levantar a moral da rapaziada! A questão da ida do embaixador português para Bagdad deveria ter sido logo resolvida por Teresa Gouveia quando se constatou que Luís Barreiros, física e psicologicamente, já não aguentaria nem mais um dia no Iraque, depois das difíceis circunstâncias que suportou. E dizer-se que a embaixada estava a funcionar em pleno com um encarregado de negócios, isso também não corresponde à verdade e não vamos entrar em detalhes. Há uma série de embaixadas por abrir e de embaixadores para partir precisamente por esse mesmo processo burocrático que amarra o MNE. Portanto, é exagerado sugerir-se que Santana Lopes mandou o Embaixador Falcão Machado como se este fosse um pau mandado. Falcão Machado disponibilizou-se para as funções e nisso revelou acto de coragem – é o que o gabinete do Primeiro Ministro deveria ter dito logo à partida. Aliás, o Presidente da República que é quem tem exclusiva competência para nomear os embaixadores sob proposta do governo, não pode isentar-se deste arrastamento inacreditável, tratando-se de Bagdad. E não vamos entrar em detalhes…»

2 – (Nos programas dos dois principais partidos, nomeadamente quanto a política externa, fala-se amiúde em prioridades, nas grande prioridades, na máxima prioridade para isto e para aquilo… Afinal o que é uma prioridade?) - «É verdade. Os políticos portugueses banalizaram o conceito de prioridade pelo que já pouco se acredita quando se anuncia uma prioridade. Já tivemos até um Ministro do Comércio Externo que se chegasse à Tunísia, o primeiro anúncio era o de ‘a Tunísia é a prioridade para Portugal’ e no dia seguinte, com o Egipto no périplo, mal chegado ao Cairo, lá dizia que ‘o Egipto é a maior prioridade para Portugal’. Uma semana depois, na África do Sul, outra prioridade e quinze dias depois, em Banguecoque, a Tailândia a maior prioridade continua a ser, tendo o homem dado a volta ao mundo e anunciado prioridade de Portugal em todo o lado. Antes de Portugal ter entrado para a CEE, naturalmente que4 se aceitaria que a Europa fosse apresentada como uma prioridade para a nossa política externa, tal como agora isso se admite e alguns desejam por parte da Turquia e da Ucrânia… Mas sendo Portugal, há muito, membro pleno da EU tanto que disso por vezes já se esquece em matéria de direitos e também de deveres; tendo exercido a presidência, eleito eurodeputados e tendo-se até autoflagelado politicamente para generosamente doar um presidente para a Comissão após o empenho nacional prioritário num candidato que afinal ninguém apoiava, é inacreditável que partidos responsáveis ainda estejam a anunciar que a Europa é a nossa grande prioridade. Mas há dúvidas nisso ou será que isso é apenas uma manifestação secundária de adolescência europeia? A maturidade, uma maturidade europeia, exigiria outra pose, outro enunciado. E não vamos entrar em detalhes, bastando recordar o que a sabedoria portuguesa produziu em versos ridículos mas imortais – aliás tudo o que é ridículo, entre nós, ganha a imortalidade. São estes os versos:

Pilriteiro, dás pilritos…
Porque não dás coisa boa?
Cada um dá o que tem,
Conforme a sua pessoa.


Pilritos. Ora aqui está a prioridade.

Vozeirão. A falar de Marrakech!

Telefonema de Marrakech! Temos que afastar o aparelho meio metro do ouvido – grande vozeirão do outro lado, é o Embaixador Agapito.

«Meu caro! O próximo MNE é Jaime Gama por interposta pessoa e o resto é conversa! É conversa!»

Ministeriáveis e secretariáveis. Inusitado interesse...

Despertou inusitado interesse o anúncio feito por NV que iria tratar do assunto a que Bloguitica já dedicou uma oportuna nota. Já é grande a montanha de correio para NV no que diz respeito às Necessidades, foi grande mas foram cinco telefonemas (um deles a desoras...) que especialmente nos impressionaram. E já agora seria bom que Jorge Coelho indagasse quem, das suas cercanias, anda a espalhar boatos... Na verdade, o boato da cercania é o pior dos boatos.

Crónica do Canadá. Em Notas Formais

Fernanda Leitão escreve-nos de Toronto. Publicamos a Crónica em Notas Formais porque desejamos que nada, absolutamente nada falte a um dos maiores, mais dinâmicos e sábios Secretários de Estado das Comunidades que Portugal já algum dia teve – José Cesário.

Hora Zero. O próximo MNE…

Interrogam-se os diplomatas e funcionários dos serviços externos sobre quem será o próximo Ministros dos Negócios Estrangeiros. A avaliar pela clareza e transparência dos dois principais partidos, o PS pode responder à vontade que o próximo MNE pode ser outro mas não o mesmo e o PSD dirá que pode ser o mesmo ou outro. Os restantes partidos adjacentes, tangentes ou mesmo secantes do poder, naturalmente que podem dizer, cada um, o nome de quem não será. E apenas não ficamos na mesma porque NV contam em breve descrever os ministeriáveis e já agora os secretariáveis do PS para as Necessidades.

26 janeiro 2005

Embaixador em Bagdad. Ao menos digam que Falcão Machado também teve coragem!

A propósito da partida, de imediato, do embaixador Falcão Machado para Bagdad onde a missão diplomática portuguesa estava desguarnecida desde a partida de Luís Barreiros em Dezembro, vem o gabinete do primeiro-ministro dizer agora que deu instruções para o embaixador seguir já e já, que o processo foi despachado na segunda-feira e logo remetido para Sampaio mas que há acordo quanto à nomeação, por aí fora. Não se diz o principal.

1 – Teresa Gouveia, em Junho de 2004, não devia ter retirado Luís Barreiros de Bagdad sem ter a certeza de que outro iria para lá de imediato ou melhor – que algum diplomata se ofereceria para o posto... e que quem se oferecia tinha perfil, seria aceite em Belém e que portanto não seria mais um aventureiro da diplomacia. Luís Barreiros abandonou Bagdad em Dezembro, no próximo dia 1 de Fevereiro deve iniciar funções já como embaixador na Croácia e não tem responsabilidades na matéria.

2 – Com as eleições iraquianas à porta e com a GNR a contar os dias finais, seria uma vergonha para Portugal não ter em Bagdad um embaixador na plenitude.

3 – Bagdad é um daqueles postos nada, absolutamente nada apetecidos e nenhum MNE deste mundo, nenhum Primeiro-Ministro do Mundo ao lado, e muito menos nenhum Presidente da República que se julgue acima do Mundo, pode obrigar um diplomata a ir para Bagdad, à força. A última coisa a que o MNE poderia recorrer seria nomear alguém «imperativamente por conveniência de serviço»... Ora as funções de embaixador e para mais em Bagdad, é daquelas que não podem ser exercidas à força. As experiências de embvaixadores à força em África resultaram em situações lamentáveis e que se fossem conhecidas por inteiro deixariam o contribuinte de boca aberta. Assim sendo, depois da asneira de Teresa Gouveia e da era de perseguições de Martins da Cruz, a António Monteiro só restava aguardar que alguém se oferecesse, e além disso, que desse garantias de credibilidade e seriedade.

4 – Falcão Machado teve essa coragem e não precisa de Bagdad para se promover na carreira – é embaixador, chegou ao topo, é um diplomata respeitado. Dá um exemplo aos diplomatas mais jovens. Não tem nada a ver com essa meia-dúzia de génios enganosos cuja única coragem é a de andarem de gabinete para gabinete e que por tal coragem saltam quase de adidos para embaixadores...

5 - A coragem e espírito de missão de que Falcão Machado dá provas, é que o gabinete do Primeiro-Ministro deveria ter destacado. Afinal, ele vai talvez arriscar mais num só dia, do que 180 soldados da GNR em três meses. É a vida de diplomata - até a coragem tem que ser discreta.

Martin Schultz. Santo Deus, que excepção alemã!

O líder do Partido Socialista Europeu, Martin Schultz, depois das calinadas produzidas em Lisboa, pretendeu hoje, em Bruxelas, dar um ar de graça lusófona e não encontrou nada de melhor que recorrer à figura alegórica do Velho do Restelo que, como se sabe, qundo apoia alguma coisa é de fugir.

Na recepção a José Sócrates, o líder do PSE disse que na sua recente deslocação à capital portuguesa, encontrou nada menos nada mais que o Velho do Restelo que descreveu como «uma personagem cheia de preocupações e que em nada acredita», mas que até esse, sendo assim, terrível verme da descrença lhe garantira que Sócrates «será o próximo primeiro-ministro de Portugal»... Ora, pior personagem para vaticínios desejadamente felizes é que o sr, Schultz não poderia ter encontrado em Lisboa. Os alemães são fortes em alegoria mas Martin é uma das excepções e, pior do que isso, excepção repetente.

CPLP. Eclipse

Pelo menos na net, a CPLP eclipsou-se. Enfim, já se consegue abriri www.cplp.org mas tentar auscultar a actualidade, a vida e alguma pujança da CPLP é o mesmo que forçar um debate em Titã entre o metano e o gelo sujo. Aliás tudo aquilo na CPLP é um eclipse. Notícias? Não há. Agenda do Secretário Executivo? Nada. Conselho de Concertação Permanente? Nada. Nos Destaques, apenas a Guiné-Bissau e tudo ultrapassado... Um eclipse.

Hora Zero. João Salgueiro à espera do choque tecnológico…

Exactamente, desde 15 de Março de 2000 - vai para cinco anos - o site oficial da Representação de Portugal junto da ONU em Nova Iorque registou apenas 61.072 visitantes até este preciso momento, o que é muito pouco. Com este número, mesmo em cinco meses que fosse, qualquer blogue já tinha perdido a paciência e se um embaixador não a perde ao fim de cinco anos de site, não se percebe… Mas NV compreendem que ainda não houve tempo para choque tecnológico na Representação em Nova Iorque e portanto vamos dar uma ajuda ao embaixador João Salgueiro que, honra lhe seja feita, mal chegou às Nações Unidas (dia 21, sexta-feira passada) já se fez sentir e ouvir – alterou de imediato a mensagem inicial de boas vindas do site onde já colocou a sua fotografia e, na segunda-feira (24), fez uma intervenção na Assembleia Geral em nome do Grupo de Estados da Europa Ocidental a propósito da evocação do holocausto. Segundo nos garantem, o embaixador chinês Wang Guangya que falou a seguir a Salgueiro, gostou muito de ouvir o representante português.

25 janeiro 2005

Briefing da Uma. Viagens, ONU, Genebra, Andorra, Angola

Briefing da Uma. «Contar em demasia com o comprovado demérito alheio é o mesmo que, antes da festa, incendiar a fábrica do fogo de artifício», costumava afirmar o mais sério dos chanceleres das ordens honoríficas portuguesas a cada um dos propostos para condecoração.

1 – Viagens de Carlos Gonçalves
2 – ONU classificada como ONG
3 – Círculo Eleitoral de Genebra
4 – Monteiro/Andorra
5 – Monteiro/Angola

1 – (O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, acaba de fazer mais uma viagem à França. Sendo ele também candidato, cabeça de lista pelo seu partido pelo Círculo da Europa, é normal?) - «Se o Secretário de Estado das Comunidades, Carlos Gonçalves, em Outubro foi à França, em Novembro à França foi, em Dezembro voltou à França e no início de Janeiro à França voltou, porque é que neste final deste mesmo Janeiro não haveria de voltar outra vez à França com um salto ao Luxemburgo? A campanha eleitoral não começou, Portugal ainda está na fase da pré-campanha e só ignorantes, mal-intencionados e inimigos da boa imagem externa do Estado é que não compreendem que uma coisa é Carlos-Gonçalves-Secretário-de-Estado e outra é Carlos-Gonçalves-candidato-e-cabeça-de-lista»

(Não nos pode dizer o que foi ele fazer nesta última vez à França?) - «Posso. Carlos Gonçalves foi inaugurar centros emissores de bilhetes de identidade».

(Isso também se inaugura) - «Não deveríamos responder a essa pergunta que não passa de provocação. Você não sabe que a tradição portuguesa é precisamente a de inaugurar?)

(Tradição?) - «Sim tradição. No início da década de 70, chegou a ser inaugurada uma fotocopiadora e um policopiador a álcool num consulado, o que mereceu notícia de primeira página e no final dessa mesma década foi inaugurado um telefax, coisa que justificou uma viagem oficial. Isto para não referirmos a inauguração das lavandarias do Sheraton (às Picoas) pelo ilustre Presidente Tomás que igualmente em acto oficial inaugurou as escadas rolantes da estação de Metro do Parque Eduardo VII. Com uma tradição destas porque é que o secretário-candidato Carlos Gonçalves não haveria de inaugurar um centro emissores de bilhetes de identidade? Riam mas só daqui a trinta anos.»

2 – (Foi afirmado em NV que um site oficial do MNE coloca a Organização das Nações Unidas na lista das Organizações Não Governamentais. É verdade?) - «É verdade e acreditamos que essa manifestação de ignorância crassa apenas ainda se mantenha porque Carlos Gonçalves talvez ainda esteja a inaugurar centros emissores de bilhetes de identidade. Podemos acrescentar que esse site intitula-se Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas que como se sabe não existe... No organograma do MNE, ao do de dois outros secretários de Estado, há um Secretário de Estado das Comunidades que tutela uma única Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e nada mais. Não há nenhuma Secretaria de Estado e até poderia nem existir secretário de Estado porque é o Director-Geral que faz tudo – o que pode e o que não pode. Há muito que os secretários de Estado apenas viajam mostrando-se aos emigrantes como presidentes da república em miniatura, alguns, por sinal em letra muito pequena e fazendo tristes figuras. O historial é grande.»

3 – (Desenvolvimentos no caso de Genebra em que o candidato Manuel de Melo se opõe à Cônsul Geral?) - «Este é um caso em que a Inspecção Diplomática e Consular deveria ter actuado rápidamente, velozmente e doesse a quem doesse. Os episódios com Manuel de Melo arrastam-se desde 1999, há cinco anos portanto. Já era tempo da inspecção e dos tribunais terem decidido, punindo ou ilibando, ilibando ou punindo. Até agora temos tido uma verdadeira guerra de comunicados, cada qual com as suas verdades e inverdades. Pode não ser o caso, mas infelizmente há alguns cônsules-gerais, poucos mas há, que também se julgam presidentes da república em miniatura mal o MNE volte as costas na visita de pompa. O historial não é pequeno.»

4 – (O Ministro António Monteiro esteve em Andorra. Foi importante?) - «Andorra é um voto na ONU e um voto na Península . Foi importante porque uma pulga pode incomodar um elefante.»

(Houve declaração conjunta?) - «Houve. Isso será oportunamente arquivado em Notas Formais.»

5 – (O Ministro António Monteiro parte esta noite para Angola. Será importante?) - «Boa pergunta, essa. Curiosamente, os angolanos são amiúde acusados de não terem ultrapassado a cultura de guerra que lhes ficou de anos e anos de violência interna. No entanto, apesar dos percalços, os partidos angolanos, todos (da FNLA, MPLA à UNITA) dão mostras de quererem agora e em definitivo uma cultura de paz o que se comprova até pela extrema paciência que revelam reciprocamente. A política portuguesa para Angola ou a visão política portuguesa sobre Angola é que não há meio de deixar de estar informada pela lupa da guerra ou pela cultura de guerra que, po simpatia ou imitação, em Portugal também se gerou a propósito de Angola. Se António Monteiro conseguir provar em Luanda e convencer os angolanos de que Portugal pode ser ou é o melhor advogado ou parceiro facilitador de Angola, por exemplo junto da União Europeia e no objectivo da convocação da conferência internacional de doadores, deixará certamente bom trabalho para si próprio se eventualmente ele a si próprio se suceder nas Necessidades ou para outro MNE que proximamente lhe suceda e que dificilmente poderá fazer o mesmo que Monteiro agora, na hora H, pode fazer, em função do que Angola lhe deve pelo que ele fez nas Nações Unidas, no Conselho de Segurança, noutra hora também H para Luanda. Ou seja: Monteiro deixa trabalho feito e sem espalhafate. Aguardemos.»

Anaximandro. Se um incomoda, dois...

À margem

O que caracteriza um autêntico pensador pré-socrático é o não se importar com registo de marcas e patentes. E se esse modesto pensador honorário se chamar Anaximandro, ele até ficará feliz por haver mais Anaximandros na Terra, pelo que se, por hipótese, toda a Humanidade apenas for constituída por Anaximandros de carreira, então meus senhores e minhas senhoras, isso será já o Paraíso Global - ou o mundo cada vez mais não passe de uma amostra do que a Ásia Menor já foi! E sendo assim, não há qualquer incidente diplomático lá porque em Incursões há também um Anaximandro, um outro. E como o humor sadio com sadio humor se paga, convencionemos em obediência aos Tratados e nos termos internacionalmente aceites, que um Anaximandro reconhecidamente seja de carreira e o outro seja honorário, sem prejuízo de que venha a ser constituída uma ONG de Anaximandros...

Toda a cordialidade para Incursões e não desanimem por isso. Há quem se abstenha por motivos bem mais graves e mais preocupantes.

Hora Zero. A ciência… honorária do site de Carlos Gonçalves.

O tac-tac rápido dos botins e o vozeirão de se ouvir a cem metros, claro que só poderia ser o Embaixador Agapito:

«Irra! Isto é demais! Eu vi, eu vi meu caro com estes olhos que um dia serão jubilados! Não é que a nossa Secretaria de Estado das Comunidades, por entre as páginas da net que sugere como sendo de interesse, coloca a Organização das Nações Unidas na lista das ONG? Este choque tecnológico é demais!»

Calma embaixador! Não haverá por aí confusão?

«Qual confusão, qual carapuça! Experimente, experimente… Clique AQUI e abra a página. O que está lá em cima? Você não lê Organizações Não Governamentais? E vá agora lendo mais… Não vê a Abraço, depois a ILGA, depois a Opus Gay? Não vê? E depois a Organização das Nações Unidas na mesma lista de ONG, não vê? Isto já não é uma Secretaria de Estado, é uma vergonha de ciência honorária! Uma vergonha, uma vergonha! O MNE colocar a ONU na lista das ONG’s! E na mesma pilha da ILGA e da Opus Gay!»

E mal Agapito desapareceu escada acima, eis que o embaixador Casamia, desenhando corações no ar com o seu proverbial lápis amarelo, saltita da Cozinha Velha com a mão veludosa a esconder metade do lábio inferior, aquela metade de lábio que desde Andrade Corvo foi sempre metade do contraditório:

«Que horror! Mas que horror! Ouvi tudo, ai se ouvi o que aquele tendencioso do Agapito, aquele separatista disse! Eu não vejo que mal haverá em colocar a ILGA e a Opus Gay na mesma lista da ONU, neste momento em que a nossa diplomacia procura afirmar a vertente multilateral! Que horror essa mania de tentar discriminar as Nações Unidas das restantes ONG’s! Que horror! Vou já e já apresentar queixa contra Agapito ao Conselho do Ministério. Já! O secretário de Estado Carlos Gonçalves fez bem em promover a ONU a ONG. Fez bem e fez bem, muito bem, credo!»




24 janeiro 2005

Diplomacia cultural. Calcutá... o que é isso?

NV desejam que nada falte à nossa Diplomacia Cultural, pelo que, à falta de melhor das bandas da Índia, para além deste velho selo postal dedicado ao autor dos Lusíadas na eterna pose de tudo aquilo a que dá nome (em naufrágio...) oferecemos ao Embaixador em Nova Delhi, Joaquim Lemos Marques, esta informação acabada de chegar do Quai d’Orsay, e que faz questionar sobre se vale a pena o Estado Português suportar tanto centro cultural, tanto adido cultural e tanto conselheiro cultural que nem sequer uma feira do livro com três milhões de visitantes e com a França em figura central se regista no pobre site da nossa missão em Nova Delhi, quanto mais estar lá ainda que fosse à boleia...

Segue a nota para o emb. Lemos Marques:

5 - FOIRE DU LIVRE DE CALCUTTA

La France est l'invitée d'honneur de la Foire du livre de Calcutta qui se tiendra du 26 janvier au 6 février 2005. Attirant plus de 3 millions de visiteurs, cette foire est la plus grande manifestation littéraire en Asie.
La décision des organisateurs d'inviter la France marque la reconnaissance de la nouvelle politique française menée en Inde dans le domaine de l'écrit depuis 2 ans, qui est à l'origine, notamment, du succès commercial d'une collection de romans français contemporains, publiée par l'éditeur indien Rupa avec le concours du ministère des Affaires étrangères. Le livre français suscite d'ailleurs un intérêt croissant en Inde et les auteurs français qui s'y rendent y rencontrent une large audience.
Près de 1700 livres, couvrant tous les domaines éditoriaux, seront présentés à la Foire du livre de Calcutta dans le pavillon français, sur un stand pris en charge par le Bureau international de l'Edition française (BIEF) ; ils seront commercialisés par un libraire local à un prix préférentiel. C'est Unipresse qui assurera la représentation de la presse française.
Une dizaine d'auteurs français, dont JMG Le Clézio, Patrick Chamoiseau, Dominique Fernandez, Pierre Michon, Andreï Makine, se rendront à Calcutta à l'invitation du ministère des Affaires étrangères. Par ailleurs, Daniel Pennac et Jean-Claude Carrière sont les invités d'honneur du gouvernement du Bengale. Seront également présents à la Foire du livre de Calcutta des éditeurs : Jean-François Richez (Larousse), Françoise Mateu (Syros Jeunesse), Paul Otchakovsky-Laurens.

Embaixadores. Mais sete assumem os postos.

Irão. Embaixador Moreira da Cunha no cargo de Embaixador de Portugal em Teerão (assume funções , hoje, dia 24

Eslováquia. Embaixador José Vieira Branco no cargo de Embaixador de Portugal em Bratislava, (assume o posto na próxima quarta-feira, dia 26)

Nações Unidas. Embaixador João Salgueiro na chefia da Missão Permanente de Portugal junto da ONU, em Nova Iorque (em funções desde a passada sexta-feira, dia 21)

Dinamarca. Embaixador José Bouza Serrano no cargo de Embaixador de Portugal em Copenhaga (desde o dia 17)

Austrália. Embaixador António Jorge Mendes no cargo de Embaixador de Portugal em Camberra (desde o dia 16)

Brasil. Embaixador Francisco Seixas da Costa no cargo de Embaixador de Portugal em Brasília (desde o dia 14)

OSCE. Embaixadora Ana Maria Barata no cargo de Representante Permanente de Portugal junto da Missão OSCE em Viena (desde o dia 12)

Briefing da Uma. Banguecoque. Genebra. São Paulo. Washington…

Briefing da Uma. Um dia lembraram a Jaime Gama a tal frase de Paul Valéry: «Nem sempre sou da minha opinião». José Lamego e Teresa Moura (recordam-se?) ainda estão a pensar nisso.

1 – Pequeno sismo em Banguecoque
2 – A resposta do funcionário consular de Genebra
3 – Consulado de São Paulo…
4 – Washington…

Declaração prévia: «Meus senhores e minhas senhoras, hoje temos que ser breves. Não estranhem. Perguntem, por favor…»

1 – (Como é que isso está em Banquecoque?) - «Como sabem as Necessidades criaram um serviço de previsão de sismos. Admite-se que haja um, pequeno, em Banguecoque, com a mais que provável chamada a Lisboa de dois diplomatas. Mais não podemos dizer.»

2 – (Não há mais sismos?) - «É também provável que em Genebra haja outro sismo. A resposta do funcionário consular Manuel de Melo, alvo de uma nota das Necessidades, é muito provável que provoque um outro pequeno sismo. A chefia do consulado geral não fica francamente beneficiada com esta história, a não ser que as Necessidades expliquem melhor.)

(NV não divulgam essa resposta? - «Sim, muito em breve.»

3 – (E é tudo quanto a sismos?) - «Infelizmente não. O Consulado Geral em São Paulo também pode abanar.»

4 – (O resto, portanto, está tudo calmo?) - «Nem tanto assim, o satélite das Necessidades detectou movimentos anómalos em Washington. As imagens estão a ser estudadas mas que há estranhos sinais lá isso há. Meus senhores e minhas senhoras, terminamos aqui. Até ao briefing de amanhã. Tenham paciência.»

Ministério da Francofonia? Onde é que há isso em Paris?

Uma crónica de Carlos Pinto Coelho - «Cinco ideias e um pecado» - que circula em listas de difusão, como na do PortugalClub mantida pelo nosso embaixador honorário Casimiro Rodrigues, sugere-se a criação de uma Secretaria de Estado da Lusofonia tutelada pelo Ministério da Cultura e, no contexto, cita-se a experiência francesa do «Ministério da Francofonia».

Nos termos da sugestão, tal Secretaria de Estado da Lusofonia serviria de chapéu ou de tutela para uma empresa televisiva autónoma de capitais públicos que deveria substituir a RTP Internacional e a RTP África. A crónica de Carlos Pinto Coelho está já arquivada em Notas Formais, mas sobre o tal «Ministério da Francofonia» aqui seguem umas observações antes que António Vitorino e Luís Amado cheguem às Necessidades e Augusto Santos Silva ao Ministério da Cultura e peregrinamente da Comunicação Social, onde já fez o impensável com o bíblico Arons.

Então, as observações:

1 - A França, contrariamente ao que sugere Carlos Pinto Coelho e muitos decisores pensam, não tem um «Ministério da Francofonia». De facto, no Quai d’Orsay, há um Ministro Delegado para a Cooperação, para o Desenvolvimento e para a Francofonia - assim mesmo - cargo exercido agora por Xavier Darcos, sob tutela directa do ministro Barnier. Mas não é um ministério é apenas o gabinete de um «ministro delegado», à margem da estrutura do Quai d'Orsay, trabalha com um chefe de gabinete e um chefe de gabinete adjunto e a francofonia é apenas um dos temas da sua agenda… Não há Ministério, há apenas um «ministro delegado»…

2 - Ainda no Quai d'Orsay, há um Serviço dos Assuntos Francófonos na dependência funcional do Secretário Geral do Ministério e, além disso, a toda poderosa Direcção Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento dividida em seis direcções de serviços. Dois deste serviços dizem respeito às legítimas preocupações televisivas de Carlos Pinto Coelho: a Direcção do Audiovisual Exterior (com uma subdirecção para a rádio e televisão e outra subdirecção para o cinema, tecnologias de informação e comunicação) e a Direcção da Cooperação Cultural e do Francês, língua (com uma subdirecção para a cooperação cultural e artística e outra exclusivamente para a língua francesa). É esta máquina que acciona a rede de cerca de sete mil agentes da francofonia que actuam mundo fora...

3 - Naturalmente que, noutro plano - plano internacional - há a Organização Internacional da Francofonia, a homóloga da CPLP mas diferente em quase tudo designadamente por não ser apenas uma agência de empregos político-diplomáticos coisa em que a CPLP está convertida na prática. Na estrutura desta Organização Internacional da Francofonia, há dois elementos funcionais de extrema relevância: o chamado «Operador Principal» ou talvez melhor Agente ou Parceiro Principal que é a Agência Intergovernamental da Francofonia - a chave da questão... – e, ao lado, os «Opérateurs Directs» ou Agentes, Parceiros directos e que são: a Agência Universitária da Francofonia, a Universidade Senghor de Alexandria, a Associação Internacional dos Presidentes de Câmara Francófonos e ... a TV5.

4 - A França tem o seu modelo de francofonia sem Ministério de qualquer Francofonia, e a Espanha para a sua língua ou línguas e para divulgação da sua cultura ou culturas tem outro cuja proa está no Instituto Cervantes, também sem qualquer Ministério do Castelhano. Portugal imita em diversos quintais um e outro modelo, deixando no vazio o que não pode imitar e mesmo onde imita (caso do Instituto Camões) não tem tido coerência nas políticas e nos instrumentos e muito menos transperência nos procedimentos, o que também tem permitido as benesses dos quintais e os males dos mesmos quintais – corrupios de viagens, sobreposições, duplicações, atropelos e disputas de competências, com toda a gente cooperante neste esquema a ficar satisfeita desde que haja ou enquanto havia dinheiro para comissões, subsídios, brochuras e documentários.

Sondagem. Políticas externas do PS e do PSD/PPD

Vamos colocar uma sondagem sobre as bases programáticas apresentadas pelo PS e pelo PSD/PPD, em matéria de política externa e questões conexas. Uma sondagem vale o que vale mas não deixa de valer.

As duas propostas estão colocadas em Notas Formais onde, em boa oportunidade, também arquivaremos as propostas do CDS/PP, PCP e Bloco de Esquerda.

Entretanto, aguardamos que os dois principais protagonistas (Santana e Sócrates) digam quem irão colocar no xadrês das Necessidades... É um pormenor talvez mais importante e até mais decisivo do que as «bases programáticas» que apresentaram.

22 janeiro 2005

Assim de repente. Sobre os pensadores do PS e do PSD

Os partidos, sobretudo os dois que estão na calha do poder (para não falar nos respectivos apêndices de recurso para coligações), não há meio de perceberem que um programa eleitoral ou um projecto para o exercício do poder que almejam, não é nem pode ser um ensaio, uma explanação de teorias, uma tese de mestrado, um brilharete de conceitos, enfim, uma explicação aos pobres iletrados dos eleitores… Os partidos não há meio de perceberem que traçar um rumo para um País que precise de um rumo ou que precise de confiar/acreditar num rumo, não é o mesmo que atirar para o ar aquilo que é óbvio e que a auto-confiança (tens razão José Gil quando te insurges contra esse titânico conceito da auto-estima que cheira a metano!) não se ganha com propostas imperiais de afirmação no Mundo para compensar a pobreza do óbvio. Em matéria de política externa assim é; em matéria de acção diplomática, é assim, e a Europa já é demasiado alargada para que continue a ser apresentada como uma manta para esconder o que convém e para ameaçar com o que não convém.

Um governo, um ministro das Necessidades, é para governar, para fazer, para construir e não para dar aulas teóricas. As aulas já cansam.

PS. Como os pensadores de Sócrates pensam...

Sob o título «Portugal na Europa e no Mundo», o PS reparte o seu projecto governamental por seis pontos sob o chapéu de «Política Externa e Integração Europeia», coloca mais uns quatro pontos, em certo sentido relacionados com a matéria, sob o chapéu da «Defesa Nacional», e também lá pelo meio a propósito do sagrado mandamento de «Valorizar a Cultura», os pensadores não resistem à sintomática tentação de «Afirmar Portugal no Mundo» que não deixa de ser triste sintoma…

Assim, quanto a «Portugal na Europa e no Mundo», o PS pensa no âmbito da «Política externa e integração europeia», promover

  • Participação activa nos centros de decisão da vida e das instituições mundiais
    Portugal na construção europeia
  • A internacionalização da economia portuguesa
  • Responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacional
  • Relançamento da política de cooperação
  • Valorização das Comunidades Portuguesas

    E no âmbito da «Defesa Nacional», pensa ou disserta sobre

  • Um quadro novo de segurança internacional
  • Uma resposta integrada da política de defesa
  • Uma aposta na segurança cooperativa
  • Missões das Forças Armadas

    Mas antes e a páginas tantas, para «Valorizar a Cultura», o PS também pensa apostar em

  • Afirmar Portugal no Mundo…

    E não se sai daqui.

    A parte do texto do PS de Sócrates, com relação directa e útil com os temas da política externa ou da acção externa do Estado, está na íntegra em Notas Formais.
  • PPD/PSD. Como os pensadores de Santana Lopes pensam...

    Sob o título «Afirmar Portugal através dos nossos activos no Mundo», o PPD/PSD reparte o seu projecto governamental pelos seguintes sete pontos, assim também sintomaticamente titulados, já que a nossa polítiva não excede o patamar dos sintomas que é um triste patamar:

  • Competir na Europa e no Mundo
  • O Orgulho de ser Português
  • Fazer de Portugal uma nação na primeira linha do projecto europeu
  • Trabalhar, com as Forças Armadas, pelo prestígio de Portugal
  • Assumir a importância estratégica das Comunidades Portuguesas
  • Fazer do Português língua oficial das Nações Unidas
  • Fazer do Oceano uma aposta colectiva

    Em Notas Formais está na íntegra a parte que directamente se relaciona com a política externa.
  • 21 janeiro 2005

    Banguecoque. Posto isto, é assim

    Muito sucintamente, agora que já ninguém pode acusar NV de terem censurado a Imprensa de Macau e as cobras e lagartos que se publicaram a propósito do tsunami, temos a dizer:

    1 - O MNE fez o que tinha a fazer. Sampaio teve razão e Monteiro razão teve. A célula de crise reuniu nas Necessidades, actuou e o Director-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, Embaixador Sequeira e Serpa, no dia 31 de Dezembro, às 01:30 horas (hora de Lisboa) ou 07:45 horas (hora da Tailândia) lá estava a chegar ao Aeroporto de Phuket, para também fazer o que tinha a fazer.
    2 - O embaixador Lima Pimentel, no Expresso, fez pior emenda que o soneto depois do secretáro de embaixada Fernando Marcos ter borrado os dois tercetos finais do mesmo soneto. Os funcionários da embaixada em Banguecoque é que fizeram das tripas coração na ajuda. Julgamos estar em condições para afirmar que o caso está a ser apurado.
    3 - O porta-voz oficial do MNE, António Carneiro Jacinto, no acompanhamento deste caso e do princípio ao fim, fez um trabalho notável e sem precedentes nas Necessidades.

    Genebra. O que dirá Lello a Sócrates?

    Um esclarecimento do Porta-Voz das Necessidades, António Carneiro Jacinto, acaba de dizer em substância o seguinte, sobre a suspensão do funcionário do Consulado de Portugal em Genebra, Manuel de Melo, por sua vez candidato do PS pelo círculo da Europa:

    1.º - A decisão ministerial de suspender o funcionário pelo período de três meses, decorre da instrução de dois processos disciplinares em que ele é arguido, instaurados por despacho ministerial respectivamente em 5 de Março de 2003 e em 17 de Abril do mesmo ano;

    2.º - Foi, ainda, instaurado um processo disciplinar, por despacho do Secretário-Geral do MNE em 26 de Fevereiro de 2004 e está também em curso um processo de inquérito, decorrente de despacho do Secretário-Geral do MNE de 9 de Novembro de 2004;

    3.º - Ao funcionário Manuel de Melo foram já aplicadas duas penas disciplinares, respectivamente em 17 de Janeiro de 1996 e em 25 de Março de 1999.


    De facto, isto é processo disciplinar em curso em demasia... Ou Manuel de Melo é um Cristo ou então que Lello explique a Sócrates estas histórias de 1996 e 1999, para que as causas não sejam tomadas por efeitos.



    20 janeiro 2005

    Universalidade de Portugal à vista. Exemplos...

    E houve protestos de várias capitais, depois do alvitre dado a Moreira da Cunha para «observar» a próxima feira do livro de Teerão que certamente terá este ano mais do que o milhão e 800 mil visitantes de 2004.
    Vários chefes de missão sentem-se marginalizados por NV não se terem lembrado deles e acusam-nos de fazer o mesmo que o Instituto Camões, organismo que, como sabe, tem a incumbência de liquidar a universalidade da cultura portuguesa, acabar com essa veleidade da lusofonia e aplicar um plano de atrofiamento da língua até à extinção do português. E o organismo está a executar isto tão bem desde há vários e tantos anos que NV apenas poderiam ficar surpreendidas com o coro de protestos dos embaixadores. De qualquer forma, aqui vão umas ajudas para a desejada extinção da nossa universalidade em que apenas uns poucos pândegos ainda acreditam:



    Para a Missão Diplomática no Egipto.
    Sim, no Cairo, de 26 de Janeiro a 8 de Fevereiro, é a 37.ª Feira Internacional do Livro.
    Em 2004 teve 3 125 expositores e registou 4 milhões e 350 mil visitantes...
    Fuja desta gente, oh embaixador no Cairo e nem uma palavra diga sobre isto às Necessidades a bem da extinção da nossa universalidade!

    Para o Embaixador na Índia.
    Exactamente, em Calcutá, de 26 de Janeiro a 6 de Fevereiro, a 30.ª Feira do Livro de Calcutá – 571 expositores em 2004 com 2 milhões e 500 mil visitantes...
    OH embaixador em Nova Deli, nem se lembre de falar de Portugal e dos Portugueses em Calcutá! Uma simples presença nossa aí seria adiar o fim da Língua!

    Para a Missão em Rabat.
    Não será em Rabat, mas em Casablanca, entre 11 e 20 de Fevereiro, a 11.º Salão Internacional da Edição e do Livro de Casablanca, aqui tão perto, com França e Espanha no centro das atenções. Por favor, oh embaixador em Rabat nem tente sugerir que Portugal arme uma simples barraca que ainda iria proporcionar viagens para três secretários de Estado, cinco directores gerais e presidentes de três institutos, em dias separados por causa dos atritos. Contribua, por favor, para a nossa extinção!

    Para a Embaixada em Telavive.
    De 13 a 18 de Fevereiro, em Jerusalém, será pois a 22.ª Feira Internacional do Livro de Jerusalém. Por favor, nem fale de Portugal aos organizadores! Ajude a liquidação do português, nem que seja à pedrada contra os nossos escritores mais traduzidos porque quanto mais traduzidos mais pedrada merecem!


    Na China. Singular caso.
    Na China é que o imbróglio é apenas aparente. Está marcada a Feira Internacional do Livro em Taipé (Taiwan) entre 15 e 20 de Fevereiro que no ano passado registou escassos 300 mil visitantes (o que isto comparado com a feira do Porto?). Ora a forma mais eficaz de liquidar o Português e a Cultura Portuguesa na única China que o mundo esmagadoramente reconhece ter capital em Pequim, é participar em força na feira da Formosa. É isto o que o embaixador Santana Carlos deve fazer, contrariamente ao que se aconselha aos seus colegas de outras capitais – sem uma boa e forte participação na Formosa, o Português jamais será hostilizado e liquidado em Pequim. Mãos à obra que a liquidação está em marcha!

    E em Tripoli? Há uma semana do livro científico em Beirute (primeira semana de Fevereiro);

    E em Seul? Em Março, há a Feira do Livro Franco-Coreano onde o Português não deve meter prego nem estopa, o mesmo devendo acontecer no Festival Franco-Irlandês de Literatura, previsto para 15 a 17 de Abril, em Dublin.

    Mas - nota final - possivelmente, o embaixador em Londres vai estragar a estratégia de liquidação do português com alguma acção para a Feira do Livro de Londres (13 a 15 de Março), tal como o nosso embaixador em Berlim talvez tenha a triste ideia de adiar a extinção da universalidade que nos resta com algum convite para a Feira do Livro de Leipzig (17 a 20 de Março) sendo certo que os inimigos da liquidação da nossa diplomacia cultural vão estar caídos aos cachos no 25.º Salão do Livro de Paris (18 a 23 de Março) para não falar dos cachos que vão cair na 42.ª Feira do Livro Juvenil de Bolonha (13 a 16 de Abril).... É triste, muito triste que estes embaixadores ousem fazer alguma coisa pela universalidade da nossa cultura inviabilizando assim e de uma penada, o excelente trabalho de liquidação em que tantos dos nossos conselheiros culturais já se empenharam firmemente.

    Teerão. Moreira da Cunha, o embaixador

    Moreira da Cunha, que vinha a exercer as funções de sub director-geral dos Assuntos Multilaterais, vai assumir a chefia da missão de Portugal em Teerão, rendendo no posto o embaixador Costa Arsénio. Moreira da Cunha deu um exemplo a todos os que medram como ministros plenipotenciários à espera de postos Revlon, e parte para o Irão no próximo domingo.

    NV garante a Moreira da Cunha que Teerão é uma das mais belas cidades deste mundo, sobretudo limpa e sem fundamentalismos seria o paraíso com neves eternas à frente dos olhos. E vai a tempo de se inteirar da 18.ª Feira Internacional do Livro de Teerão (princípio de Maio) que no ano passado contou com 1900 expositores e um milhão e 800 mil visitantes que lêem inglês e francês, línguas para onde muita obra portuguesa está traduzida. Na diplomacia cultural, trabalho não faltará no Irão mesmo sem a ajuda de Afonso de Albuquerque em Ormuz. Mas esta é outra história e outra diplomacia a que havemos de voltar.

    Briefing da Uma. Cinco plenipotenciários de bagagem sem armas. Postos Revlon. Mulher exemplar. Paródia com Malta.

    Briefing da Uma. Já viram como Victor Hugo teve toda a razão ao notar que deixamos de ter inimigos quando estes são infelizes?

    1 – Ministros plenipotenciários, cinco
    2 – Plenipotenciários para Abuja, nenhum
    3 – Postos Revlon
    4 – Mulher corajosa – Fátima Perestrelo
    5 – Outra coragem – Malta

    1 – (É verdade que, no que diz respeito a 2004, cinco diplomatas que exerceram funções em gabinetes governamentais, foram promovidos a ministros plenipotenciários?) - «É verdade. A promoção a ministro justifica-se em função daquilo que o Estado português deles pode e deve esperar, tanto que só nesse grau de ministro é que podem ser nomeados embaixadores. Qual é a dúvida?»

    2 – (Dúvida nãi há mas algum deles, por exemplo, se ofereceu para a chefia da missão em Abuja, na Nigéria, lugar perigoso?) - «O Estado esperava mas também é verdade que nenhum dos neo-ministros se ofereceu, porque infelizmente chefiar embaixadas já está muito perto dos anúncios classificados. É este tipo de mordomias que acaba por perverter o sentido de Estado da carreira diplomática. Os meninos dos gabinetes voam.»

    3 – (E para Teerão, outro lugar de combate mas importantíssimo, alguém se ofereceu?) - «Pelo que deve por enquanto constar, ninguém se ofereceu para o Irão. Não é um Posto Revlon…»

    (Posto Revlon? Isso é novo…) - «Por exemplo Londres, é um Posto Revlon. Esta lá gente a mais, mas sempre cabe mais um precisamente porque é Revlon. Londres é uma daquelas missões onde não se justificam tantos diuplomatas».

    4 – (Então ninguém vai para Abuja?) - «Vai e é uma mulher. Portanto é o que na inteira propriedade de termo se deve considerar uma mulher corajosa – Fátima Perestrelo.»

    5 – (E não mais nenhuma coragem a assinalar?) - «Há, felizmente há mais coragens como é a da chefia da Missão de Portugal em Malta que tem residência em Lisboa e gabinete no MNE…»

    (E Malta está a gostar dessa coragem?) - «Para além de ser motivo já de paródia em bastantes chancelarias, Malta não está a gostar, muito embora cada rua de Lisboa tenha desde há muito duas valetas»

    Eleições. O pior e o melhor momento nas Necessidades..

    Com eleições à porta, este é o pior e o melhor momento para se reflectir sobre esta diplomacia portuguesa ou sobre o que se designa ainda por diplomacia, para se pensar ou repensar no papel dos diplomatas, para se avaliar o desempenho dos últimos ministros, para se tentar perceber as motivações dos secretários de Estado (e então o das Comunidades!), o desempenho dos presidentes dos institutos e organismos autónomos do MNE e, enfim, para se avaliar a bondade dos critérios de promoções, nomeações e colocações.

    E é o pior momento porque, diga-se o que se disser, não há apenas a probalidade mas sim a certeza de haver sempre alguém a ver nisso partidarite. Mas também será o melhor momento porque é um excelente intervalo da partidarite e do jogo de arbitrariedades que para alguns compensa. Entre os dois momentos, o diabo que escolha.

    Os nossos ilustres detractores e também sábios gestores de ocasiões, entenderam?

    19 janeiro 2005

    Banguecoque. Apenas dois funcionários? Quais?

  • No portal Ponto Final, de Macau (19 de Janeiro):

    “António Monteiro promete analisar queixas”

    “O ministro mantém que a diplomacia portuguesa esteve bem no essencial, mas admitiu também alguns erros a corrigir no futuro”

    “Há queixas, que vão ser analisadas, mas não me parece que se deva falar da necessidade de processos disciplinares”.
    houve falhas ao nível da ‘afectividade e do relacionamento’ mas que também poderão ser justificadas com a presença de apenas dois funcionários na embaixada de Banguecoque".


  • Em Macau Hoje (15 de Janeiro 2005):

    "... o encarregado de negócios da embaixada portuguesa em Banguecoque, Jorge Marcos, mandou voltar no dia seguinte um menor de 17 anos, ferido, sem identificação nem dinheiro, sem saber se a mãe estava viva ou morta, que lhes pedia apenas para tentarem contactar telefonicamente familiares, de quem sabia o nome mas não os números de telefone."

    "Alega o embaixador Lima Pimentel que tudo estava estregue ao encarregado de negócios Jorge Marcos. O mesmo que mandou à sua sorte o jovem Martim. O mesmo que expulsou um cidadão e jornalista português, delegado da agência Lusa, do recinto da embaixada apenas porque a entrevista com o embaixador (acertada no aeroporto) não tinha passado por ele. O mesmo que não respondeu a dezenas de chamadas telefónicas que lhe foram feitas nos momentos de crise. Serão factos que constam dos relatórios «outros também» a que o ministro faz referência e não merecem procedimento?"


    Textos na íntegra em Notas Formais
  • Pessimismo. Políticas e Ocorrências...

    Embaixador Agapito, de rompante:

    «Meu caro! Em Portugal já não há Políticas Externas! Quando muito apenas teremos Ocorrências Externas!!!»

    Missão em Banguecoque. Um inquérito não seria mau para esta pobre diplomacia.

    É verdade. Lima Pimentel explicou-se no Expresso, certamente para o Expresso e com o Expresso. Pelo que se leu, isso não é suficiente face ao que, por aqui e por ali começa a correr e ao que dali e dacolá começa a vir, com queixas de particulares na base. Os artigos de Macau são no mínimo perturbadores para quem, de boa-fé, aceitou as explicações iniciais sem a lógica da fábula do lobo e do cordeiro – Viena é Viena, Banguecoque é Banguecoque. Lima Pimentel e o secretário Fernando Marcos devem explicar mais e melhor o que se passou. Porque apenas o MNE o pode promover, um inquérito do MNE não seria mau desde que não seja mais um «inquérito à Toronto»...Ou é preciso perguntar ao primeiro-ministro húngaro se teve dúvidas em fazer o que fez?

    A Missão de Portugal em Banguecoque, desde a saída do embaixador Mello Gouveia (já lá vão uns anos) têm-se degradado - está sem pessoal, o pouco que lá está trabalha em condições humilhantes que o sindicato tem muito bem explicado, e quanto aos diplomatas, nem falemos dos costumes. Pobre diplomacia, o estado em que estás.

    15 janeiro 2005

    Diplomacia de ceirão. Este homem faz obra

    Pois é. Deus quer, Casimiro Rodrigues sonha, a obra nasce. Quem na emigração ou da emigração não conhece o PortugalClub? Se cada mail enviado por Casimiro Rodrigues fosse um grão, ele encheu um ceirão. Temido e por vezes afrontado por uns e adolado por vezes também interesseiramente por outros, todos na Hora H «sentem» a garra do PortugalClub por essas comunidades fora porque a «obra» de Casimiro, a partir do seu cantinho no Brasil, é um espelho, vai sendo um espelho de como se pensa, como se escreve, como se interpreta - desde os fantasmas vencidos do passado aos candidatos a fantasmas do presente. Não é um Portugal dos Pequeninos, é uma amostra nada pequenina de Portugal dos que se julgam Grandes. Argolada de cônsul, escorregadela de embaixador ou mesmo espirro de funcionário de chancelaria que não teve o cuidado de pôr o lenço na boca, pois é verdade - mais hora menos hora, lá vai cair no PortugalClub onde por acaso se cultiva o princípio do contraditório. E o curioso é que, sendo já o mais alargado correio dos emigrantes, não recebe subsídio da Secretaria de Estado - é obra de pura carolice como convém quando Deus quer, algum homem por essa senda ouse sonhar livremente e uma obra se acumule no ceirão, grão a grão, mail a mail. E não vamos dizer mais porque poderemos estragar o PortugalClub - um mimo diplomático qualquer borra sempre a opa. Mas que há quem tenha medo já do PortugalClub, lá isso há! E teria que ser mesmo assim: se é verdade que Portugal está lamentavelmente cheio de mostrengos e de adamastores, também é verdade que o adamastor original e modelo de todos os mostrengos se apanhou algum susto na vida e teve medo, foi por uns portugueses que sonharam sem saberem se Deus quis e a obra nasceria. Posto isto, bom Sábado.

    14 janeiro 2005

    Ilustração diplomática. Primeira medida

    Segundo corre no MNE, o Expresso impresso mas menos espesso vai ser enviado para os Chefes de Missão que não sabem usar a Net e o Expresso espesso mas também impresso vai ser enviado para os restantes embaixadores já entendidos nas novas tecnologias, muito embora a todos seja facultada uma chave para abrirem a edição on line, por causa dos desmentidos. Quando o MNE tiver mais dinheiro, a prática será extensível ao Público, ao JN e ao Diário da Madeira, para não se referir outras pobres publicações que as Necessidades consideram como de mera circulação local.

    Brasília. Peça de espólio.

    Muito gostaríamos de possuir cópia do último Telegrama do embaixador António Franco ao deixar a missão diplomática em Brasília. Quem nas Necessidades leu o Telegrama, classifica a peça de notável pelo balanço, e de primorosa pelos recados à Secretaria de Estado. No entanto, em Portugal, é mais fácil e muito mais rápido saber que o secretário de Estado Henrique de Freitas escreveu nove linhas à Cônsul Honorária de Portugal no Sri Lanka, Preenie Kariyawasan Pinto, no seguimento do enorme apoio que deu, no terreno, à concretização da ajuda humanitária portuguesa (ver em Notas Formais) do que conhecer o balanço que um Embaixador fez no final de uma gestão em Brasília.

    Daqui a 55 anos encontraremos certamente essa peça de António Franco no espólio naval de Tânger Corrêa.

    Briefing da Uma. Baixa política em meia dúzia de Embaixadas.

    Briefing da Uma. «Os mentirosos são sempre pródigos em juras», é o que Pierre Corneille voltaria a dizer, olhos nos olhos, a alguns embaixadores nomeados por sedicioso favor.

    1. Baixa política de chancelaria
    2. Jeovás de embaixada
    3. Banguecoque

    1. (É verdade que há uns determinados embaixadores que, neste período já eleitoral, se desdobram em insinuações de que a haver novo governo PS haverá recuos na política externa nisto ou naquilo?) - «Infelizmente é verdade. Embora sejam poucos os casos de missões diplomáticas cujas chefias protagonizam essas cenas pouco recomendáveis na carreira, o que sabemos já é demais. Acreditamos que o ministro António Monteiro seja o primeiro a ficar incomodado com tais comportamentos porque não é assim que se acautela a imagem de um País, os interesses de um Estado e o exemplo de uma Democracia. Os casos desta baixa política de chancelaria chegam à meia dúzia mas são já meia dúzia. Um Embaixador de Portugal acreditado numa capital estrangeira não tem que armar-se em pitonisa fornecendo oráculos sobre como será a política externa portuguesa consoante este ou aquele partido ganhe. A figura do embaixador-pitonisa da baixa política é coisa que há muito já devia ter acabado.»

    (Pode citar as missões a que se refere?) - «Não vamos identificar a meia dúzia de chefias de missões que estão a pisar o risco. O MNE tem uma Inspecção Diplomática e tem um Secretário Geral. Indaguem. A função de NV, por ora, é apenas alertar e convidar alguns desses embaixadores a porem a mão na consciência que certamente têm.)

    2. (Há muito tempo que NV não se referem à eternização de titulares de certos cargos não diplomáticos no estrangeiro. Monteiro resolveu esse assunto?) - «Não resolveu nem se lhe podia exigir que tivesse resolvido em pouco mais de seis meses. Na verdade, há cargos a serem desempenhados pela mesma pessoa e no mesmo local, há dezenas de anos, de tal forma que já não se sabe se os vícios são a causa ou são o efeito… Na área admistrativa, o assunto pode ser relativamente contornado e avaliado pela conveniência mas quando a função é susceptível de interferir nas políticas e na aplicação das políticas, pode sugerir complicações insanáveis, como o caso dos conselheiros técnicos. Alguns destes conselheiros que já viram desfilar seis e sete embaixadores, bem podem ser considerados Jeovás das Embaixadas, figuras portanto anquilosadas por inexplicáveis eternidades e que tratam das matérias como verdadeiros patrões bíblicos.»

    (Pode citar casos concretos?) - «Basta confrontar o Anuário Diplomático de 1995 com o que o último e célebre Anuário elaborado por Martins da Cruz. Na verdade, se o Anuário da diplomacia portuguesa fosse anual, a eternidade dos nossos jeovás de embaixada não duraria mais de cinco anos…»

    3. (Afinal o que aconteceu em banguecoque?) - «Não hesitamos em reafirmar que o embaixador Lima Pimentel foi alvo de uma daquelas ciladas tão reles que até o reles corporativismo delas cedo se arrepende. O ministro António Monteiro teve uma actuação digno no caso, o mesmo não se diga do secretário de Estado da Cooperação que perdeu uma excelente ocasião para continuar a estar calado.

    Iraque. A GNR em Bagdad?

    Há um pedido formal norte-americano no MNE para que a força portuguesa da GNR estacionada no Iraque e cuja partida se admite para dia 30, seja deslocada para Bagdad. Ora aqui está matéria que envolve uma decisão política de fundo e que não compete ao actual governo de gestão. O MNE decidiu? O MAI decidiu? O PM decidiu? E podem decidir assim sem mais?

    13 janeiro 2005

    Brasil. Parece que acordou contra o turismo sexual

    E porque, segundo consta, há também em Portugal uns quantos foliões que fazem do Carnaval uma especial vertente da diplomacia sexual subproduto por vezes de muita diplomacia municipal, chama-se a atenção para o plano de acção do Ministério do Turismo do Brasil para combater o turismo sexual infantil durante o carnaval. A ideia é iniciar uma mobilização nas cidades mais visitadas nessa época, como o Rio, Recife, Salvador, Fortaleza e Florianópolis, envolvendo diversos setores da sociedade. As medidas fazem parte do Plano Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual e Comercial de Adolescentes e Crianças no Turismo, que será lançado durante o Fórum Mundial Social neste mês em Porto Alegre. Notícia completa em Notas Formais.

    China. Boa pergunta para Xangai

    O célebre consulado em Xangai já conheceu três ministros e ainda não viu a luz do dia... Posta de lado a hipótese peregrina de «representações comuns» pelas quais houve em Portugal quem tivesse pretendido resolver situações dessas - ora com a União Europeia ora com a moribunda CPLP (o Brasil tem nessa regão chinesa uma forte e bem apetrechada representação consular vocacionada para a acção comercial)- consta que em Xangai haverá um Consulado Geral, constando também que poderá ser equiparado a missão... Em que ficamos? O consulado de Xangai já vei no décimo episódio e já serviu de explicação para demasiadas viagens oficiais, para o caso que é.

    Luanda. Seis meses à espera do adido cultural...

    A Embaixada de Portugal em Luanda continua sem Adido Cultural desde há seis meses... E Angola é um daqueles países para onde não se pode enviar nem gente verde, nem gente à experiência, nem muito menos protegidos.

    São Tomé. Além do que tem sido dito…

    Num momento em que, por exemplo, a França formou no interior do Quai d’Orsay uma central de inteligência para os negócios e salvaguardar a respectiva alma que é o segredo, Portugal dá este espectáculo triste de nem sequer saber construir um pequenino segredo de Estado, pequenino que seja. Pior que a provável descoordenação entre ministérios e os atropelos que à evidência os Ministérios fazem uns sobre os outros, é a vulgarização de estratégias. Que Álvaro Barreto diga que desconhecia o que Sarmento foi fazer e que este, inusitadamente, tenha chamado a si algo que deveria ter sido António Monteiro a conduzir e o primeiro ministro a conhecer ou a percebner sem hesitações estivesse em Paris, em Madrid ou em Roma, tudo isso se perdoa até porque tem sido sempre assim: a coordenação não é uma virtude dos governos portugueses, como os embaixadores tão bem conhecem e sofrem no terreno. O que choca é que sejam ministros a revelar estratégias e alvos negociais que o Estado deveria salvaguardar com prudência, cautela e responsabilidade.Enfim, razão teve Henri Monnier em lembrar que o carro do Estado rola sobre um vulcão e, claro, não apenas sobre a GALP.

    China. Como o Camões é tão bom a viajar!

    A comitiva do Camões para a China... Pobre Estado que tudo aguentas.

    12 janeiro 2005

    Banguecoque. O Número Dois é um grande número

    A rádio repetiu até à exaustão as falas do Número Dois de Portugal em Banguecoque, a que a mesma rádio chamou encarregado de negócios, tratando-se do segundo secretário de embaixada Fernando Esteves Marcos. O embaixador Lima Pimentel tinha sido convocado para um dito seminário diplomático que resulta do péssimo costume português de conjugar férias com trabalho do que nem resulta trabalho e muito menos férias, porque o Tsunami não pede opinião às chancelarias. E o que é que o segundo secretário Marcos devia ter feito em vez de tanta verborreia de gabinete despejada para a rádio? Pura e simplesmente como secretário de embaixada deveria, com lealdade, ter avisado Lima Pimentel que o Tsunami não foi uma brincadeira mas uma enormissima tragédia - o que como secretário tinha obrigação de saber logo no dia 26 ; e depois como presuntivo encarregado de negócios, deveria ter dito ao embaixador - «Venha e depressa, que isto é demais para mim!» E deixava as rádios para depois, não sendo mais que número dois. O embaixador Lima Pimentel foi injustamente sacrificado no caso e o secretário Marcos que está apenas no nono ano de carreira não lucrou rigorosamente nada, antes pelo contrário, com a prosápia do mesmo caso.

    Tailândia. Exemplo húngaro

    Quanto ao rigor e seriedade que se exige às representações diplomáticas, até a Hungria já dá lições de transparência e rigor a Portugal. O primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany não foi em cantigas - pura e simplesmente ordenou o regresso do embaixador húngaro acreditado em Banguecoque, Janos Vandor, a Budapeste e sem retorno ao posto. Esse diplomata passou o Natal, passou o Ano Novo e por pouco também não passava o Dia de Reis em férias na Hungria, pois o Tsunami do dia 26 de Dezembro não terá incomodado grandemente a sua consciência reassumindo a missão em Banguecoque apenas no dia 5 de Janeiro...

    Conclave. Um fiasco

    O tal conclave foi um fiasco. Aliás, nas matérias de política externa portuguesa, há muito que os segredos de Estado são fiascos de Estado.

    07 janeiro 2005

    Conclave. A coisa está como dantes.

    A última coisa que as Necessidades dizem, aqui em Notas Verbais é a primeira a destacar-se: «Esta habitual reflexão anual não é aberta à comunicação social»...

    É nesta coisa que está a novidade. As anunciadas 160 cabeças pensadoras – segundo o MNE elas contam-se «entre Embaixadores e quadros superiores do Ministério dos Negócios Estrangeiros» faltando certamente o Embaixador na Tailândia que estava em serviço em Lisboa - debatem hoje coisas sigilosas, altamente secretas e acima daquilo a que o cidadão tem direito a saber. Já nem sequer se ousa falar do dever de saber. Por isto, naturalmente que as portas do chamado Seminário Diplomático estão fechadas à comunicação social e até mesmo ao grupo de jornalistas que as Necessidades acreditaram no pressuposto de que franquearia as portas. Nada pior para o reclamado objectivo da auto-confiança, da auto-estima e da crença no País, até porque 160 personalidades é o número mínimo para garantir confidencialidade... Santo Deus que isto faz lembrar os tempos do Ruy Patrício e suas excelentes sequelas.

    E afinal, em questão, não está alguma grande guerra em que Portugal esteja prestes a envolver-se implicando delicados segredos militares e muito menos o anúncio da descoberta da pólvora. Esse seminário orquestra-se em torno de debates sobre dois temas triviais: Portugal na União Europeia e Reflexão sobre a Política de Cooperação.

    Os convidados para falarem da questão europeia são António Vitorino e Victor Martins, e para a política de cooperação, Adriano Moreira e Ernâni Lopes.

    Pois que segredos haverá sobre a UE que Vitorino e Martins digam que a gente bem informada não saiba? E que poderá ser dito por Adriano e Ernâni sobre aquilo a que se insiste chamar política de cooperação, que a gente não suspeite, não tenha comprovado no terreno e não tenha sentido no circuito da burocracia do Estado onde pouco ou nada se fiscalize, se avalie e se balanceie?

    06 janeiro 2005

    Briefing da Uma. Perguntas apenas.

    Briefing da Uma. «Há respostas que não merecem perguntas, mas há perguntas a que apenas se pode responder com um silêncio que diga tudo» - toda a gente sabe quem disse isto nas Necessidades.

    1 – Portugal tem alguma posição?
    2 – Alguma posição é Portuguesa?
    3 – Como dizem os seus franceses, a AMI é fantástica não é?
    4 – Alguma coisa de Portugal equivale a posição?
    5 - Sampaio vai à China ou a comitiva?

    1 – UE/Conselho de Assuntos Gerais e Relações Exteriores. A presidência luxemburguesa convoca amanhã uma sessão extraordinária de Assuntos Gerais e Relações Exteriores para debater a situação humanitária na Ásia e preparar a reunião de doadores (dia 11). Portugal não tem nada de autónomo para dizer?

    2 – Sudão e Somália. Portugal não tem nada de autónomo a dizer sobre o processo de paz no Sudão e na Somália?

    3 – Gana. Cerimónia de investidura do Presidente ganês John Kufuor, amanhã em Acra. Portugal não envia representante de alto nível para deixar algum selo num país fundamental para a paz e estabilidade em África?

    4 – Maremoto na Ásia. Portugal não tem mais nada a dizer a não ser sobre paradeiro e saúde de uns quantos portugueses turistas?
    - Houve alguma reunião com as ONG portuguesas?
    - A França, popr exemplo mobilizou os seus seis mais importantes grupo empresariais de águas: o grupo Suez (Lyon), Véolia Water do grupo Véolia, SAUR do grupo Bouygues, o sindicato das águas da Île de France, a sociedade das águas de Marselha, a SAGEP (Paris) e a sociedade do canal de Provence...
    - Os EUA, enfim, dissolveram a «coligação» de países criada para coordenar a ajuda na Ásia, depois da acusção de quererem diminuir o papel central das Nações Unidas. Portugal disse alguma coisa sobre isto?
    - A RTP, a tal do serviço público, por exemplo, está já a cobrir o choro, as ruínas, a desgraça que se sabe, santo Deus. Mas estará em Genebra, no dia 11 para cobrir a reunião de doadores das Nações Unidas? E estará em Kobé, dia 18, a cobrir a reunião sobre prevenção de catástrofes?

    5 – Iraque/eleições. Alguém sabe se Portugal continua a defender eleições no Iraque no dia 30, apesar da escalada de violência recente? Ao menos disse que estas eleições «são difíceis, mas possíveis»?

    6 – O embaixador em Banguecoque, depois das atoardas do número dois, falou muito bem e explicou melhor?

    7 - O que é uma comitiva?

    05 janeiro 2005

    Agapito e Casamia. Um recusa os Açores, o outro a Madeira…

    Agapito encostado à liteira, ali à entrada do Rilvas, a bater com o tacão do sapato no chão, como não podia deixar de ser imitando intensa trovoada, raios e coriscos…

    - Então Embaixador, 2005 começou bem para si?
    - Meu caro, Imagine no que estes tipos queriam em que me transformasse! Vem um e propõe-me ser cabeça de lista, como independente, pelos Açores…
    - Aceitou?
    - Como poderia eu aceitar isso se nem de longe conheço o Santo Cristo? Você acha que sou um farsante?
    - Calma Embaixador! Calma!
    - Qual calma! Não é que vem o outro logo a seguir propondo-me ser cabeça de lista também pelos Açores? Isto é demais! É demais para um diplomata de Freixo de Espada à Cinta! É demais! É demais!!! Isto…


    E mal Agapito se sumiu escada a cima rumo ao Terceiro Andar e repetindo em cada dois degraus «É demais!», eis que entra com passada curta o único princípio do contraditório em que a diplomacia portuguesa se reconhece como fim – exactamente, o Embaixador Casamia.

    - Então Embaixador, 2005 começou bem para si?
    - Ai que horror! Então não é que um deles me convidou para cabeça de lista da Madeira?
    - Aceitou?
    - Que horror! Como havia eu de aceitar? Perderia a minha liberdade de movimentos na ilha! Você acha que sou capaz de abdicar dos meus afectos? Que horror!
    - Calma Embaixador! Calma!
    - E não é que vem o outro a seguir propondo-me também ser cabeça de lista igualmente pela Mdeira? Isto é demais! Que horror! Que horror! Ai que horror!!!


    E lá foi Casamia pelos Claustros fora, tremelicando os finos dedos no ar e escapulindo um rosário de horrores naquele sotaque com que, pela persistência, tantas missões diplomáticas se têm transformado em missões de afectos...

    Simoneta. A melhor ocasião.

    O Instituto Camões ainda não foi liquidado mas a diplomacia cultural foi – não existe, se é que alguma vez existiu como tal. Quanto a Simoneta, esta é a melhor ocasião para se demitir. Ninguém sentiria isso grandemente, não há gestão de gravidade a assegurar, os despedimentos estão feitos e os concursos talhados. Bonita obra!

    04 janeiro 2005

    Sócrates. Não percebeu ou não quis entender

    Em matéria de política externa, Novas Fronteiras começam mal, mas no sítio certo, pela designação – a Alfândega do Porto, porque isto só dá para ironizar. Há fronteiras que apenas merecem uma boa alfândega e a do Porto é das boas. Pois, na sexta-feira (dia 8), os independentes do Fórum vão discutir, na cidade que já teve os mais importantes vice-reis da República, o novíssimo tema «Portugal na Europa e no Mundo», coisa que se discute desde D. Afonso Henriques mas que pouca gente tem sentido. Tema original, portanto. Na verdade, há dois anos que democratas – por entre eles, muitos diplomatas, especialistas de relações internacionais, observadores e demais curiosos alguns escribas – desgostosos com o que o PS foi e com o que o PSD foi sendo de mãos dadas com o PP, mas também não querendo embarcar nas brincadeiras do BE e muito menos nas marchas do PCP, enfim desejavam o mínimo que se pode desejar num País em que a sua política externa está aparentemente liquidada: esperança sem cangas, debate sem vínculos de mordomia, troca de ideias sem metas nas cadeiras de deputado, conclusões que os partidos (a começar pelo PS) registassem e tivessem em conta séria.

    Pois que vai acontecer no Porto? José Sócrates fala a abrir, o senhor Poul Nyrup Rasmussen, Presidente do Partido Socialista Europeu (portanto tão independente como o secretário-geral do PS) continuará a falar antes de Alberto Castro, o Director da Faculdade de Economia da Universidade Católica do Porto que dará a vez a outro independente que mais não é que António Costa, havendo ainda um debate e conclusões com o não menos independente Jaime Gama, debate esse moderado pelo também incontroversamente independente e futurível MNE, António Vitorino.

    No domínio da política externa portuguesa, isto não vai a lado nenhum. Quando muito, ficar-se-á a saber que Portugal está na Europa e no Mundo. Sócrates não percebeu ou não quis entender.