Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
20 maio 2005
Brasil-Portugal. E vice-versa porque falou Seixas da Costa.
Um infalível notador do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas enviou para NV a comunicação do embaixador Seixas da Costa, aí feita em 2 de Maio, sobre Portugal e a Política Externa Brasileira. Documento. Está na íntegra em Notas Formais.
Nervosismo nas Necessidades. Há movimento no horizonte…
E há nova fase de nervosismo nos altos escalões das Necessidades. Já em 2005, vagam os postos de chefes de missão em Tóquio, Bucareste e Berna (por esta ordem) e em 2006 seguir-se-ão, também por ordem, as vagas em Viena, Bruxelas, Oslo, NATO, Londres e Washington… Começou a corrida e começaram os arranjos. Bastantes, muitos embaixadores a passarem à disponibilidade.
Possivelmente, Pedro Catarino (a sair de Washington em Dezembro) ou Manuel Corte-Real (a sair em Novembro de Berna) poderão ser os sucessores de Quartin Santos no cargo de Secretário-Geral do MNE, repondo-se a tradição de colocar um veterano na chefia da carreira – o que muitos diplomatas aplaudem mas com luvas (não se ouvem os aplausos…)
E Quartin Santos? Possivelmente Haia ou talvez mesmo Londres.
É claro que as atenções vão para o posto que António Monteiro (a aguardar em casa colocação) vai ocupar. Presumimos qual.
Além disso, parece que a Inspecção Diplomática vai ser mais «activa»… Será?
Possivelmente, Pedro Catarino (a sair de Washington em Dezembro) ou Manuel Corte-Real (a sair em Novembro de Berna) poderão ser os sucessores de Quartin Santos no cargo de Secretário-Geral do MNE, repondo-se a tradição de colocar um veterano na chefia da carreira – o que muitos diplomatas aplaudem mas com luvas (não se ouvem os aplausos…)E Quartin Santos? Possivelmente Haia ou talvez mesmo Londres.
É claro que as atenções vão para o posto que António Monteiro (a aguardar em casa colocação) vai ocupar. Presumimos qual.
Além disso, parece que a Inspecção Diplomática vai ser mais «activa»… Será?
Barómetro NV. O sítio da interrogação...
Notaram, com certeza. O Barómetro NV,a propósito do Tratado da UE, simplemente pergunta - Sim? Não? Abstenção?
Vale o que que vale.
Vale o que que vale.
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Barómetro/NV
19 maio 2005
À margem. República, a causa e os efeitos.
A propósito do diário República, alguns obviamente não querem evocar as causas. Por interesse, recordam apenas os efeitos.
Sucintamente:
1 – Na sequência dos acontecimentos do 11 de Março de 1975, a parte da Redacção do diário República então assumidamente afecta ao PCP ou na zona de influência do PCP com elementos que tinham entrado para o jornal por obra de um acordo de partilha que marcou o nebuloso termo da antiga direcção Carvalhão Duarte/Alfredo Guisado, abandonaram o jornal rumo a lugares-chave noutros meios de comunicação carecidos de «controlo» - o Século, o DN, a televisão e a rádio estatais.
2 – Com esse desfalque, o precário mas desejado e até reclamado pluralismo do República perdeu a argumentação da aparência.
3 – Assim, a 2 de Maio de 1975, dois Jornalistas do diário República , apresentaram uma moção em plenário convocado exclusivamente para esse efeito e que, em substância, preconizava – a) um Estatuto Editorial para o jornal (a ser elaborado pela Direcção e votado pela Redacação); b) a eleição de uma Comissão de Redacção (designação que, desde sempre sugerida por Salgado Zenha nomeadamente nas páginas do próprio República, antecedeu a já vulgarizada de Conselho de Redacção). Os autores da moção foram o signatário e o então jornalista Jardim Gonçalves, agora, passados estes anos todos, chefe de gabinete do Cardeal Patriarca de Lisboa.
4 – Nesse dia 2 de Maio, o jornal não se publicou precisamente pelo prolongado plenário e acesas discussões que a dita moção provocou, cujos dois únicos subscritores ficaram isolados – a proposta para que o jornal assumisse um Estatuto Editorial que não tinha foi literalmente vencida e igualmente vencida ficou a proposta para a eleição de uma Comissão de Redacção com estritas finalidades éticas e deontológicas.
5 – Quem mais lutou contra tais propostas foi precisamente o Director Comercial do jornal, Álvaro Belo Marques, estranhamente chamado a participar no plenário redactorial. A argumentação desse responsável foi decisiva para acabar com algumas poucas hesitações que pendiam para a provação da moção – esse Director Comercial que escassas duas semanas depois retiraria o nome de Raul Rêgo do cabeçalho para aí fazer imprimir o seu, foi dizer, em última análise, que com um Estatuto Editorial o República perderia vendas e proventos e que com uma Comissão de Redacção seria o fim da estabilidade laboral, o fim dos salários e o fim do jornalismo naquele primeiro andar da Rua da Misericórdia. A democraticidade interna e o escrutínio deontológico, para esse homem, era uma catástrofe. Seria agora desprimoroso dizer os nomes de quem secundou essa argumentação do Director Comercial mas há bastantes consciências que devem sentir-se pesadas.
6 – Nessas circunstâncias, nesse mesmo dia 2 de Maio, eu apresentei ao Administrador do República, Gustavo Soromenho, a minha carta de demissão do jornal com efeitos imediatos, partindo para férias de que não usufruía havia muito, alertando a administração para os próximos passos do Director Comercial. E parti mesmo para férias e para longe de Lisboa.
7 - Quando, a 19 de Maio, Álvaro Belo Marques usurpa a direcção do jornal mandando serrar o nome de Raul Rêgo da zincogravura que acompanhara anos de resistência e de luta pela liberdade de Imprensa, eu já não pertencia ao jornal, estava muito longe de Lisboa e apenas a precipitação do acto é que me surpreendeu.
8 – No dia seguinte ao da usurpação (dia 20) regressei a Lisboa e contactei de imediato os representantes dos trabalhadores do República, disponibilizando-me reentrar na Redacção, com duas condições: a) afastamento imediato de Álvaro Belo Marques da autonomeação como director; b) clara disposição dos trabalhadores ao diálogo com a administração legal e legítima visando-se sanar o conflito. Na verdade, quanto ao primeiro ponto, Álvaro Belo Marques foi afastado, mas, quanto ao segundo, só muito tardiamente é me apercebi que nem a administração nem os que faziam o papel de representar os trabalhadores queriam o diálogo e muito menos queriam sanar o conflito. Havia reservas mentais de parte a parte, algumas dessas reservas com direito a calculadas indemnizações. Algum dia será feita a história dos respectivos interesses – porque havia e houve interesses que em nada tiveram a ver com a invocada luta pela Liberdade de Imprensa. Não é para agora nem para aqui.
9 – Assim sendo não é para esse cobarde Atento que se serviu da boa vontade e acolhimento do Barnabé e do BdE para me imputar actos que nunca pratiquei nem podia praticar, não é para ele que a resposta está dada. A resposta está dada para os Desatentos que ainda por aí andam pela Universidade Nova e pelos escadotes da Política, escrevendo ou tecendo considerações sobre o República, confinando a questão ao 19 de Maio da ocupação e da usurpação onde eu já não estava nem estaria, mas omitindo deliberadamente aquele 2 de Maio onde estive e onde voltaria a estar, omitindo a recusa liminar da elaboração de um Estatuto Editorial e omitindo a recusa da eleição de uma Comissão de Redacção – recusas essas que não foram seguramente abonatórias nem para a Liberdade de Imprensa nem para os jogos de interesses que o episódio suscitou.
10 – Resta dizer que o velho zinco do cabeçalho do República de onde Álvaro Belo Marques purgou o nome de Raul Rêgo, foi por mim custosamente recuperado e, anos depois, bons anos depois, doado à Fundação Mário Soares, em acto público, onde está e bem. É um símbolo. Símbolo sofrido. Símbolo mesmo.
Sucintamente:
1 – Na sequência dos acontecimentos do 11 de Março de 1975, a parte da Redacção do diário República então assumidamente afecta ao PCP ou na zona de influência do PCP com elementos que tinham entrado para o jornal por obra de um acordo de partilha que marcou o nebuloso termo da antiga direcção Carvalhão Duarte/Alfredo Guisado, abandonaram o jornal rumo a lugares-chave noutros meios de comunicação carecidos de «controlo» - o Século, o DN, a televisão e a rádio estatais.
2 – Com esse desfalque, o precário mas desejado e até reclamado pluralismo do República perdeu a argumentação da aparência.
3 – Assim, a 2 de Maio de 1975, dois Jornalistas do diário República , apresentaram uma moção em plenário convocado exclusivamente para esse efeito e que, em substância, preconizava – a) um Estatuto Editorial para o jornal (a ser elaborado pela Direcção e votado pela Redacação); b) a eleição de uma Comissão de Redacção (designação que, desde sempre sugerida por Salgado Zenha nomeadamente nas páginas do próprio República, antecedeu a já vulgarizada de Conselho de Redacção). Os autores da moção foram o signatário e o então jornalista Jardim Gonçalves, agora, passados estes anos todos, chefe de gabinete do Cardeal Patriarca de Lisboa.
4 – Nesse dia 2 de Maio, o jornal não se publicou precisamente pelo prolongado plenário e acesas discussões que a dita moção provocou, cujos dois únicos subscritores ficaram isolados – a proposta para que o jornal assumisse um Estatuto Editorial que não tinha foi literalmente vencida e igualmente vencida ficou a proposta para a eleição de uma Comissão de Redacção com estritas finalidades éticas e deontológicas.
5 – Quem mais lutou contra tais propostas foi precisamente o Director Comercial do jornal, Álvaro Belo Marques, estranhamente chamado a participar no plenário redactorial. A argumentação desse responsável foi decisiva para acabar com algumas poucas hesitações que pendiam para a provação da moção – esse Director Comercial que escassas duas semanas depois retiraria o nome de Raul Rêgo do cabeçalho para aí fazer imprimir o seu, foi dizer, em última análise, que com um Estatuto Editorial o República perderia vendas e proventos e que com uma Comissão de Redacção seria o fim da estabilidade laboral, o fim dos salários e o fim do jornalismo naquele primeiro andar da Rua da Misericórdia. A democraticidade interna e o escrutínio deontológico, para esse homem, era uma catástrofe. Seria agora desprimoroso dizer os nomes de quem secundou essa argumentação do Director Comercial mas há bastantes consciências que devem sentir-se pesadas.
6 – Nessas circunstâncias, nesse mesmo dia 2 de Maio, eu apresentei ao Administrador do República, Gustavo Soromenho, a minha carta de demissão do jornal com efeitos imediatos, partindo para férias de que não usufruía havia muito, alertando a administração para os próximos passos do Director Comercial. E parti mesmo para férias e para longe de Lisboa.
7 - Quando, a 19 de Maio, Álvaro Belo Marques usurpa a direcção do jornal mandando serrar o nome de Raul Rêgo da zincogravura que acompanhara anos de resistência e de luta pela liberdade de Imprensa, eu já não pertencia ao jornal, estava muito longe de Lisboa e apenas a precipitação do acto é que me surpreendeu.
8 – No dia seguinte ao da usurpação (dia 20) regressei a Lisboa e contactei de imediato os representantes dos trabalhadores do República, disponibilizando-me reentrar na Redacção, com duas condições: a) afastamento imediato de Álvaro Belo Marques da autonomeação como director; b) clara disposição dos trabalhadores ao diálogo com a administração legal e legítima visando-se sanar o conflito. Na verdade, quanto ao primeiro ponto, Álvaro Belo Marques foi afastado, mas, quanto ao segundo, só muito tardiamente é me apercebi que nem a administração nem os que faziam o papel de representar os trabalhadores queriam o diálogo e muito menos queriam sanar o conflito. Havia reservas mentais de parte a parte, algumas dessas reservas com direito a calculadas indemnizações. Algum dia será feita a história dos respectivos interesses – porque havia e houve interesses que em nada tiveram a ver com a invocada luta pela Liberdade de Imprensa. Não é para agora nem para aqui.
9 – Assim sendo não é para esse cobarde Atento que se serviu da boa vontade e acolhimento do Barnabé e do BdE para me imputar actos que nunca pratiquei nem podia praticar, não é para ele que a resposta está dada. A resposta está dada para os Desatentos que ainda por aí andam pela Universidade Nova e pelos escadotes da Política, escrevendo ou tecendo considerações sobre o República, confinando a questão ao 19 de Maio da ocupação e da usurpação onde eu já não estava nem estaria, mas omitindo deliberadamente aquele 2 de Maio onde estive e onde voltaria a estar, omitindo a recusa liminar da elaboração de um Estatuto Editorial e omitindo a recusa da eleição de uma Comissão de Redacção – recusas essas que não foram seguramente abonatórias nem para a Liberdade de Imprensa nem para os jogos de interesses que o episódio suscitou.
10 – Resta dizer que o velho zinco do cabeçalho do República de onde Álvaro Belo Marques purgou o nome de Raul Rêgo, foi por mim custosamente recuperado e, anos depois, bons anos depois, doado à Fundação Mário Soares, em acto público, onde está e bem. É um símbolo. Símbolo sofrido. Símbolo mesmo.
À margem. República, os comentários
É bom recordar – em Outubro do ano passado, discutia-se o caso Marcelo/TVI, censura ou não, conveniências encapotadas ou não. Alguém sem rosto, usando o pseudónimo de Atento, enviou para o credenciado Barnabé e para o estimável Blogue de Esquerda, comentários que deveriam ficar onde ficaram se não correspondessem a algumas impressões mais ou menos generalizadas e que reportam equívocos cultivados sobre a questão do diário República, faz hoje 30 anos que foi ocupado – evocação que ainda hoje iremos seguramente fazer, doa a quem doer pois também seguramente a alguém ou a alguns doerá.
Eis os comentários desse Atento que não teve a coragem de usar nome próprio mas deixando uma perna de fora (não nos perguntem que perna):
1 – No BdE (9 de Outubro) foi assim:
«Pacheco Pereira não me merece qualquer consideração. É um bonzo insuportavelmente arrogante, não me interessando o que é politicamente, já que nem ele deve saber...
Mas muito menor consideração me merece o Carlos Albino, cujo percurso (desde antes de ter comandado o assalto ao "República") tenho acompanhado com asco.
Estão bem um para o outro, duas asas que são da mesma nojenta panela.»
2 – No Barnabé (10 de Outubro) assim foi, repetindo o mesmo texto no BdE (também a 10 de Outubro) :
«O caso do Marcelo tem dado origem a tomadas de posição que, vindas de quem vêm, me deixam perplexo.
Por exemplo, um sujeito que dá pelo nome de Carlos Albino - "correspondente diplomático" (ridícula designação!) do "Diário de Notícias" - arvorou-se em defensor da liberdade de informação.
A desvergonha não tem, realmente, limites.
Nem toda a gente tem a memória curta e há quem se lembre perfeitamente de que esse mesmo Carlos Albino foi o chefe de fila do assalto ao "República".
O Pacheco Pereira - que é da mesma cepa - acolheu-o imediatamente no seu arrogante blog de petas...
Há crimes que não deviam prescrever.»
À margem. Uns dias, dias necessários.
Desculpem mas foram uns dias necessários. Necessários para esquecer uma respiração que durou 23 anos e necessários para respirar de novo. Desculpem este à margem.
Faz hoje 30 anos que o jornal República foi ocupado e que o lugar de Raul Rêgo na direcção do vespertino, efemeramente e por um dia só, foi usurpado por um agente duplo. Lembramo-nos, a propósito, de uns comentários colocados em Outubro passado envolvendo-nos, um no Barnabé, outro no BdE e outro também no BdE. Ainda hoje - outro à margem, desculpem... - trataremos desses equívocos porque já deram mestrado e muito protagonismo espúrio.
13 maio 2005
Diplomacia aérea... Funditec e Pestanas nas asas da Varig
Sim. TAP? Os máximos dos grupos Pestana e Funditec, já na próxima semana, vão discutir com os novos administradores da Varig a compra da empresa aérea brasileira. Uma parceria com a TAP pode não ficar prejudicada e a negociação terá êxito se os brasileiros não sentirem tocado um inquestionável símbolo de soberania. Estamos em crer que, desta vez, os grupos portugueses envolvidos não se podem queixar muito da «diplomacia económica» das Necessidades...
12 maio 2005
Embaixadores jubilados. Sim, há que os ouvir
Sobre o que NV deixaram sugerido quanto ao MNE ouvir o embaixador Mello Gouveia, particularmente no que toca às relações Portugal-Tailândia, bastante correio, muito até, se tem recebido. Na generalidade, há concordância. Cutileiro, Reino, Gaspar da Silva, Mello Gouveia, Leonardo Mathias, Hall Temido, Knopfli... tantos mais, sobre certas matérias há que os ouvir, mesmo que não sejam colunistas.
Luanda. Haja Cultura! Não é João Pignatelli?
Até agora responsável pelo Pólo em São Paulo do Centro Cultural Português em Brasília, João Pignatelli de Freitas vai passar a dirigir o Centro Cultural Português em Luanda, sendo acreditado como conselheiro cultural junto da Embaixada de Portugal em Angola. O cargo há muito que inexplicávelmente estava vago, como se Angola não fosse Angola.
Freitas do Amaral resolveu mais um «problema pendente». Bom trabalho, João Pignatelli!
Freitas do Amaral resolveu mais um «problema pendente». Bom trabalho, João Pignatelli!
Briefing da Uma. Freitas – Brasil foi, Angola Julho, e imaginem… Hanói em Outubro!
Briefing da Uma. «À minha volta, reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade...», constatava Simone de Beauvoir. E não se constata?
1 – El País!
2 – Freitas/Brasil
3 – Freitas/Angola
4 – Freitas/Ásia
1 – (NV publicam hoje, em destaque e em castelhano, uma frase da coluna de Juan Cruz publicada em El País… O senhor está dobrar o joelho a Madrid?) - «Esse destaque é para continuare para ser refrescado tanto quanto possível diariamente. A crónica intitulada ‘Mentira’, escrita por Juan Cruz assenta que nem uma luva no jornalismo português, em certo e determinado jornalismo português – precisamente aquele «jornalismo» que foi estimulado e fomentado pelo Paulo Portas enquanto esteve no poder. Os seus amigos bem posicionados em jornais de referência, para além de terem vendido a alma por pequenas ganhunças (a ganhunça teria que ser pequena porque as almas desses também nunca foram grandes) levaram às ùltimas consequências o que Juan Cruz denuncia na edição de El País de hoje, dia 12 de Maio. Diz Juan Cruz que «se dan la mano los periodistas y los políticos, en desayunos, almuerzos, meriendas e cenas, y la consecuencia es que cada vez más se parecen las mentiras de unos y de otros. Y el sistema que se ha puesto en marcha es una maquinaria terrible cuyo primer afectado es el periodismo tal como hubiéramos querido que fuera.»
(O que é que isso tem a ver com a Diplomacia Portuguesa, com a Política Externa e com as Razões de Estado?) - «Tudo. Tem a ver com tudo. A ‘cobertura’ da guerra do Iraque, por exemplo, foi em determinados jornais, executada à margem de quaisquer critérios jornalísticos e muitos editoriais chegaram a ser soprados, senão até ditados, directa ou indirectamente de gabinetes ministeriais. Outro exemplo, a política israelita chegou a ser veiculada em Portugal como nem os mais extremistas e radicais da direita judaica se atrevem em Israel. Disseram-se os maiores disparates sobre o Tribunal Penal Internacional, sobre o multilateralismo, sobre as Nações Unidas apenas para agradar os que, em Portugal, são mais bushistas que Bush, não por convicção mas apenas porque em Portugal a competição neurótica impera. Na verdade, quando o sistema mediático está entregue a neuróticos, a competição só pode ser neurótica. Também a máquina diplomática já esteve entregue a neuróticos, pelo que a competição nas Necessidades só poderia ter sido neurótica. Diplomacia e Jornalismo, como dizia e repetia o velho Gama, andam cada vez mais juntos.»
(E quais os sintomas do neurótico?) - «As dores de estômago… Há um ensaio de Karen Horney, The neurotic Personality of Our Time, que já tem algum tempo mas que descreve bem o fenómeno. Leiam-no.»
2 – (De Notas Verbais, nem uma palavra sobre a visita oficial de Freitas do Amaral ao Brasil. Foi neurose?) - «Ainda bem que os senhores não perdem o humor. Neste País, as palavras moralizadoras não funcionam – o humor e a ironia, além de prevenirem e mesmo erradicarem as dores de estômago, é que podem fazer tudo o que a moral não faz. Pois sobre Freitas no Brasil, temos que dizer: foi um êxito. O ministro não foi ao Brasil fazer turismo político. A diplomacia brasileira não foi apenas simpática, sentimental. E ao condecorarem Freitas do Amaral com a Grã-Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta insígnia que um estrangeiro pode ter, não se limitaram ao gesto simbólico ou ao simbolismo do gesto… Freitas foi recebido no Brasil e pelos brasileiros como grande personalidade de relevo. Não foi por acaso que o encontro com o Presidente Lula da Silva durou 45 minutos, com Severino Cavalcanti (presidente da Câmara dos Deputados e N.º 3 da hierarquia do Estado) durou 30 minutos, depois foi a reunião/almoço/conferência de imprensa com o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, e, depois na resid~encia do embaixador aocnteceu um ‘must’ muito raro: jantar com o Vice-Presidente da República, José Alencar (N.º 2 da hierarquia do Estado e responsável governamental pelo dossier Varig), com o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim (N.º 4 da hierarquia do Estado), com o ‘guru’ do Presidente Lula para a Política Externa que é Prof. Marco Aurélio Garcia, com o Reitor da Universidade de Brasília, com o homem-forte da Globo e ‘tutti quanti’... Mais: importante o encontro prolongado com os ‘opinion makers’ colunistas de tudo quanto importa na imprensa brasileira.»
(NV estiveram nesse encontro?) – «Não. Modestos pensadores pré-socráticos, por uma questão de moral, humor e ironia, além de não serem brasileiros – basta-lhes a Ásia Menor! – recusam a pretensão neurótica de ‘opinion makers’. Daí que não tenham dores de estômago.»
(Então o nosso Freitas esteve bem…) – «Esteve bem. Disse exactamente o que era preciso dizer - sobre a TAP, sobre os investimentos brasileiros em Portugal, sobre a questão dos centros de distribuição de produtos, sobre a Guiné e, em especial, sobre os brasileiros em Portugal . Batemos com os nós dos dedos em madeira enquanto vamos dizer o que se segue: Freitas do Amaral não precisa da aprender a postura de Estado, sabe estar com presidentes e ministros, não se intimida nem se empertiga, está suficientemente à vontade no lugar para saber ouvir e não gagueja em público, embora deva ainda ganhar alguma substância mais no discurso, que, no Brasil, lhe saiu um pouco genérico ou académico. Mas vai lá ! Foi uma agradável surpresa. Além disso, trata bem os colaboradores e é simpático à sua volta, o que repete o Monteiro e a Teresa e está muito distante do Aristóteles que estragou a filosofia grega e das mil ilhas do mar Egeu que, como sabem, compõem as Necessidades, a Diplomacia Portuguesa, a Política externa e as Razões de Estado.»
(E o dedo do Embaixador Seixas da Costa não andou atrás disso?) - «O dedo? Os senhores sabem que os bons embaixadores com que Portugal conta não têm apenas um dedo – têm dez dedos nas mãos e dez dedos nos pés! Vinte dedos! Aliás, voltando à frase do destaque, Juan Cruz apenas se esqueceu de dizer claramente que também os Jornalistas devem ter vinte dedos.»
(Mas e a situação nos Consulados-Gerais em São Paulo e no Rio, nos consulados que fecharam e noutros que não fecharam mas é como se estivessem fechados?) - «Sobre essa matéria, estamos em crer que Freitas sabe que os senhores sabem o que ele também sabe apontar a dedo. Ou muito nos enganamos ou a bagunça vai acabar. Tenham calma que o tempo das cunhas, com Freitas, terá passado. Batemos com os nós dos dedos na madeira.»
3 – (Brevemente, Freitas vai a Angola…) - «Sim, em Julho. Freitas visita Angola em Julho, quando ocorre a reunião ministerial da CPLP. O diálogo com os angolanos vai ser complicado.»
(Complicado?) - «É complicado. Sobre isso falaremos oportunamente para não estragarmos os relatos de Luanda que estão a ser comentados nas Necessidades, certamente com o dedo do embaixador Xavier Esteves.»
(Um ou vinte?) – «Um.»
(Diga-nos alguma coisa, só uma coisinha, precisamos de uma coisinha para manchete…) – «Desculpem, mas por agora não podemos adiantar mais nada. Falaremos oportunamente.»
(Assim, o senhor põe o Embaixador Xavier Esteves nervoso…) - «Nem uma palavra mais, diria até Aristóteles!»
(Pelo que sabemos Simonetta Luz Afonso está agora em Luanda. A que se deve?) - «Errado, isso é errado. Quem está em Luanda é a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima., seguindo para o Rio de Janeiro, no domingo. A presidente do Instituto Camões não a acompanha. E sobre isto é, por agora, também tudo.»
4 – (E Ásia? Freitas está a esquecer a Ásia?) - «estamos a verificar que os senhores o que precisam é de manchete, agora que já não temos cineastas no Dubai. Sobre a Ásia, podemos adiantar que Freitas do Amaral está a ponderar uma deslocação à Ásia, possivelmente em Outubro, para pôr os pontos nos iis nessa área, onde alguns pontos nos iis têm que ser colocados, designadamente no iis das palavras dignidade e dinamismo. A grande novidade, nessa deslocação, será a primeira visita de um MNE português a Hanói. O ministro tem grande prestígio no Vietname (capaital político ganho na ONU…) e Portugal está a passar ao lado desse país, tal como no Laos, no Burma e no Cambodja, nem sequer existindo comércio com essas paragens. Também não vai fazer turismo político. A visita a Hanói não vos serve para manchete?»
(E Japão, China, Filipnas e Tailândia?) - «Já querem saber demais. Mas sobre a Tailândia, é bem possível que Freitas do Amaral se queira informar com o Embaixador Mello Gouveia, o último diplomata português a deixar obra nesse país. Sim, Mello Gouveia, grande embaixador, com vinte dedos.»
(Mas assim, você está a deixar nervosos pelo menos cinco embaixadores…) – «Só fica nervoso nas mil ilhas do Mar Egeu quem quer e quem não sabe andar de barco, como diria o ministro plenipotenciário Tânger Corrêa. Boa tarde, meus senhores, o breefing terminou.»
1 – El País!
2 – Freitas/Brasil
3 – Freitas/Angola
4 – Freitas/Ásia
1 – (NV publicam hoje, em destaque e em castelhano, uma frase da coluna de Juan Cruz publicada em El País… O senhor está dobrar o joelho a Madrid?) - «Esse destaque é para continuare para ser refrescado tanto quanto possível diariamente. A crónica intitulada ‘Mentira’, escrita por Juan Cruz assenta que nem uma luva no jornalismo português, em certo e determinado jornalismo português – precisamente aquele «jornalismo» que foi estimulado e fomentado pelo Paulo Portas enquanto esteve no poder. Os seus amigos bem posicionados em jornais de referência, para além de terem vendido a alma por pequenas ganhunças (a ganhunça teria que ser pequena porque as almas desses também nunca foram grandes) levaram às ùltimas consequências o que Juan Cruz denuncia na edição de El País de hoje, dia 12 de Maio. Diz Juan Cruz que «se dan la mano los periodistas y los políticos, en desayunos, almuerzos, meriendas e cenas, y la consecuencia es que cada vez más se parecen las mentiras de unos y de otros. Y el sistema que se ha puesto en marcha es una maquinaria terrible cuyo primer afectado es el periodismo tal como hubiéramos querido que fuera.»(O que é que isso tem a ver com a Diplomacia Portuguesa, com a Política Externa e com as Razões de Estado?) - «Tudo. Tem a ver com tudo. A ‘cobertura’ da guerra do Iraque, por exemplo, foi em determinados jornais, executada à margem de quaisquer critérios jornalísticos e muitos editoriais chegaram a ser soprados, senão até ditados, directa ou indirectamente de gabinetes ministeriais. Outro exemplo, a política israelita chegou a ser veiculada em Portugal como nem os mais extremistas e radicais da direita judaica se atrevem em Israel. Disseram-se os maiores disparates sobre o Tribunal Penal Internacional, sobre o multilateralismo, sobre as Nações Unidas apenas para agradar os que, em Portugal, são mais bushistas que Bush, não por convicção mas apenas porque em Portugal a competição neurótica impera. Na verdade, quando o sistema mediático está entregue a neuróticos, a competição só pode ser neurótica. Também a máquina diplomática já esteve entregue a neuróticos, pelo que a competição nas Necessidades só poderia ter sido neurótica. Diplomacia e Jornalismo, como dizia e repetia o velho Gama, andam cada vez mais juntos.»
(E quais os sintomas do neurótico?) - «As dores de estômago… Há um ensaio de Karen Horney, The neurotic Personality of Our Time, que já tem algum tempo mas que descreve bem o fenómeno. Leiam-no.»
(NV estiveram nesse encontro?) – «Não. Modestos pensadores pré-socráticos, por uma questão de moral, humor e ironia, além de não serem brasileiros – basta-lhes a Ásia Menor! – recusam a pretensão neurótica de ‘opinion makers’. Daí que não tenham dores de estômago.»
(E o dedo do Embaixador Seixas da Costa não andou atrás disso?) - «O dedo? Os senhores sabem que os bons embaixadores com que Portugal conta não têm apenas um dedo – têm dez dedos nas mãos e dez dedos nos pés! Vinte dedos! Aliás, voltando à frase do destaque, Juan Cruz apenas se esqueceu de dizer claramente que também os Jornalistas devem ter vinte dedos.»(Mas e a situação nos Consulados-Gerais em São Paulo e no Rio, nos consulados que fecharam e noutros que não fecharam mas é como se estivessem fechados?) - «Sobre essa matéria, estamos em crer que Freitas sabe que os senhores sabem o que ele também sabe apontar a dedo. Ou muito nos enganamos ou a bagunça vai acabar. Tenham calma que o tempo das cunhas, com Freitas, terá passado. Batemos com os nós dos dedos na madeira.»
3 – (Brevemente, Freitas vai a Angola…) - «Sim, em Julho. Freitas visita Angola em Julho, quando ocorre a reunião ministerial da CPLP. O diálogo com os angolanos vai ser complicado.»(Complicado?) - «É complicado. Sobre isso falaremos oportunamente para não estragarmos os relatos de Luanda que estão a ser comentados nas Necessidades, certamente com o dedo do embaixador Xavier Esteves.»
(Um ou vinte?) – «Um.»
(Diga-nos alguma coisa, só uma coisinha, precisamos de uma coisinha para manchete…) – «Desculpem, mas por agora não podemos adiantar mais nada. Falaremos oportunamente.»
(Assim, o senhor põe o Embaixador Xavier Esteves nervoso…) - «Nem uma palavra mais, diria até Aristóteles!»
(Pelo que sabemos Simonetta Luz Afonso está agora em Luanda. A que se deve?) - «Errado, isso é errado. Quem está em Luanda é a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima., seguindo para o Rio de Janeiro, no domingo. A presidente do Instituto Camões não a acompanha. E sobre isto é, por agora, também tudo.»
4 – (E Ásia? Freitas está a esquecer a Ásia?) - «estamos a verificar que os senhores o que precisam é de manchete, agora que já não temos cineastas no Dubai. Sobre a Ásia, podemos adiantar que Freitas do Amaral está a ponderar uma deslocação à Ásia, possivelmente em Outubro, para pôr os pontos nos iis nessa área, onde alguns pontos nos iis têm que ser colocados, designadamente no iis das palavras dignidade e dinamismo. A grande novidade, nessa deslocação, será a primeira visita de um MNE português a Hanói. O ministro tem grande prestígio no Vietname (capaital político ganho na ONU…) e Portugal está a passar ao lado desse país, tal como no Laos, no Burma e no Cambodja, nem sequer existindo comércio com essas paragens. Também não vai fazer turismo político. A visita a Hanói não vos serve para manchete?»(E Japão, China, Filipnas e Tailândia?) - «Já querem saber demais. Mas sobre a Tailândia, é bem possível que Freitas do Amaral se queira informar com o Embaixador Mello Gouveia, o último diplomata português a deixar obra nesse país. Sim, Mello Gouveia, grande embaixador, com vinte dedos.»
(Mas assim, você está a deixar nervosos pelo menos cinco embaixadores…) – «Só fica nervoso nas mil ilhas do Mar Egeu quem quer e quem não sabe andar de barco, como diria o ministro plenipotenciário Tânger Corrêa. Boa tarde, meus senhores, o breefing terminou.»
Concursos públicos. Naturalmente que assim devia ser para os conselheiros
Mas alguém duvida que os cargos de conselheiros nas Embaixadas (de Imprensa, de Cultura, de Cooperação…) são providos em função de critérios nada transparentes?
É o amigo do amigo-ministro X, é a amiguinha do ministro-amigo Y, é o assessor do ministro Z que seis meses antes sabe que vai abandonar o governo ou que o governo está por um fio, é a prateleira dourada para o amigo X-Y, é o favor que se presta por algum favor semelhante ao rosmaninho dobrado na gaveta entre as dobras do lençol… As Necessidades deviam por cobro a esta situação estabelecendo a regra do concurso público para esses cargos vitais – repetimos, vitais – nas Embaixadas e mais vitais são em Países-chave como a França, Espanha, EUA, Rússia, Angola, Brasil, China e Japão. É claro que há excepções – confirmam a regra. Carlos Fino agora em Brasília, não duvidamos, é uma excepção, havendo mais, lá chegaremos. Mas a regra é temos por fora uns bons pares de jarras, muitas delas regadas com suplementos do FRI.
Mas aí temos centenas, vai para uns dois milhares de jovens licenciados em Relações Internacionais, em Comunicação Social e em Ciências da Comunicação que andam pelas esquinas e de esquina em esquina. Muitos, muitos deles – sabemos – são espíritos superiores, bem formados, verdadeiros quadros. Portugal que tanto investiu neles, desperdiça-os. Prefere o compadrio, o sistema que transforma os conselheiros em África em sobas, na Europa em garfos espetados, na América em caixeiros e na Ásia em paus para toda a colher. É claro que há excepções mas não anulam o que devia ser regra.
É o amigo do amigo-ministro X, é a amiguinha do ministro-amigo Y, é o assessor do ministro Z que seis meses antes sabe que vai abandonar o governo ou que o governo está por um fio, é a prateleira dourada para o amigo X-Y, é o favor que se presta por algum favor semelhante ao rosmaninho dobrado na gaveta entre as dobras do lençol… As Necessidades deviam por cobro a esta situação estabelecendo a regra do concurso público para esses cargos vitais – repetimos, vitais – nas Embaixadas e mais vitais são em Países-chave como a França, Espanha, EUA, Rússia, Angola, Brasil, China e Japão. É claro que há excepções – confirmam a regra. Carlos Fino agora em Brasília, não duvidamos, é uma excepção, havendo mais, lá chegaremos. Mas a regra é temos por fora uns bons pares de jarras, muitas delas regadas com suplementos do FRI.Mas aí temos centenas, vai para uns dois milhares de jovens licenciados em Relações Internacionais, em Comunicação Social e em Ciências da Comunicação que andam pelas esquinas e de esquina em esquina. Muitos, muitos deles – sabemos – são espíritos superiores, bem formados, verdadeiros quadros. Portugal que tanto investiu neles, desperdiça-os. Prefere o compadrio, o sistema que transforma os conselheiros em África em sobas, na Europa em garfos espetados, na América em caixeiros e na Ásia em paus para toda a colher. É claro que há excepções mas não anulam o que devia ser regra.
Dos leitores. RTPi...
De M. G. J. (dos confins) :
«Estou a ser colonizado pelos espanhois e iatlianos! Dado que a RTPi só manda para aqui programas que ofendem a minha inteligência acabo por sintonizar a TVE e TVItaliana. NV fizeram bem, ainda que ao de leve, tocar nesse assunto - uma emissão de tv vale por 34 embaixadores e 74 cônsules, mais ainda se forem honorários... »
«Estou a ser colonizado pelos espanhois e iatlianos! Dado que a RTPi só manda para aqui programas que ofendem a minha inteligência acabo por sintonizar a TVE e TVItaliana. NV fizeram bem, ainda que ao de leve, tocar nesse assunto - uma emissão de tv vale por 34 embaixadores e 74 cônsules, mais ainda se forem honorários... »
Duas linhas. Pelo que se vê e ouve…
Não seria já momento para as Necessidades editarem um manual com as recomendações protocolares para os funcionários do MNE, sejam eles diplomatas ou não?
11 maio 2005
Gente Nova! Novo Concurso (mais 40 vagas) lá para Setembro
Sim. Setembro – mais ou menos, mais para mais, pouco mais – é quando as Necessidades vão abrir novo concurso de acesso à Carreira Diplomática, para 40 vagas. Preparem-se, estudem e que alguns tentem de novo.Entretanto, no termo da corrida aberta em Maio de 2004, estão aprovados os candidatos (18 mulheres, 12 homens...) que preencherão as vagas de adidos então postas a concurso. Os cinco primeiros da lista de classificação final desse concurso do ano passado, são:
1 - Isabel Guedes da Silva Pestana (18,1)
2 - Pedro Bartolomeu Santos Matos Perestrelo Pinto (17,98)
3 - Patrícia Maria dos Santos Real Cadeiras (17,87)
4 - Joana Caleiras Rodrigues Fisher (17,16)
5 - João Ricardo Nunes Santos Castel-Branco da Silveira (17,15)
Lista completa de aprovados em Notas Formais
Embaixador Agapito! «Pelo que dos árabes sei…»
Vozeirão e atirando bruscamente uma foto para NV, só pode ser ele, conhecido na carreira como o Embaixador Alta Voz! É Agapito:«Meu caro! Nesta nota das Necessidades, diz-se que o Ministro da Defesa dos Emirados Árabes Unidos é o xeque Mohammad Din Rashid Al Maktoum. Você sabe que eu sou amigo daqueles xeques todos e este nosso agora amigo Ministro da Defesa não é Mohammad mas, sendo general para além de xeque, é Mohammed e em vez de Din tem bin no nome… Bin, com letra minúscula, meu caro! O António Carneiro Jacinto não tem culpa disto mas o diplomata que lhe passou os nomes deveria ter sido rigoroso. Já viu o que o seria o nosso Ministro chegar a Abu Dhabi e ser tratado como Biogo Amaral do Freitas? Rigor, meu caro! Haja rigor! Mas você está a ouvir-me? Ouça! O António não tem culpa!»
- Tenha calma embaixador, pequena troca de letras houve nisso! O general xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum até compreenderá essa minúscula confusão…
«Qual minúscula, meu caro! Cale-se! Você não está por dentro dos meandros e melindres da diplomacia árabe! O grave é que o Ministro dos Negócios Estrangeiros federal é Rashid mas não é Abdulla, tem Al mas não é Naimi como na nota se escreve. Para além de haver um Ministro de Estado para os Negócios Estrangeiros que é o xeque Hamdan bin Zayed Al Nahyan que não é referido mas que está hisrarquicamente abaixo do ministro - complicado, meu caro! Muito complicado! - a falar-se em Rashid Abdulla que existe escreva-se Abdullah, com h mas nunca se diga que é Al Naimi mas sim Al Nuaimi, com um u… Ouviu? Trata-se de Rashid Abdullah Al Nuaimi!»
- Mas afinal quem é Rashid Abdullah Al Nuaimi?
«É o Ministro que tem como colaborador directo o Ministro de Estado, xeque Hamdan bin Zayed Al Nahyan ! Ouviu ? E além disso, fala-se ainda na nota de um Vice-Ministro Abdulla Rashid mas não foi a falta do h, mais uma vez, no Abdullah, que me entornou o caldo. É que se tratou o Ministro como Vice-Ministro e, aí, com o nome na ordem inversa… O Ministro é Rashid Abdullah, jamais Abdulla Rashid e não se lhe dispense o estimável Nuaimi! »
- Em que ficamos?
«Meu caro! Por aquilo que sei dos árabes, desconheço esse vice-ministro nos Emirados. Há de facto na diplomacia dos Emirados um Secretário Adjunto ou Sub-Secretário de Estado. Trata-se de Saif Saeed bin Sa'ed. Além disso, para aquilatar a complicação, o Ministro de Estado para os Negócios Estrangeiros, o xeque Hamdan bin Zayed Al Nahyan é também Vice-Primeiro Ministro! »
- Tem a certeza?
«Certeza certérrima! Meu caro! Tão certo que hoje mesmo, dia 11, o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan (Defesa) e o xeque Hamdan bin Zayed Al Nahyan (Vice-Primeiro Ministro e Ministro de Estado dos N.E.) se encontraram, em Lahore, com o Presidente paquistanês Musharraf. A foto que lhe atirei é fresca e pequena, mas lá estão os dois xeques. Não vê?»
Enfim, olhar para o Golfo. Males que vêm por bem…
O embaixador António Monteiro foi aos Emirados Árabes, passou pelo Egipto e, para além do episódio que o levou tão longe como enviado de Freitas do Amaral, fez o que nas Necessidades nunca se pensou a sério: abrir caminho de diálogo no Golfo onde Portugal tem uma representação virtual, sem desprimor para o embaixador Silveira Borges, acreditado em Riade e em mais seis países, sem um cêntimo para se movimentar e sem colaboradores com que possa traçar qualquer estratégia e delinear alguma táctica. De entre os Estados da UE, Portugal tem em Riade a representação menos significatica (até Malta conta com dois diplomatas!) sendo também a que em mais capitais representa o Estado, além de que o embaixador da Arábia Saudita recebe em abonos de representação um décimo do que o cônsul-geral em Sevilha mete ao bolso – o que só se aceita por paradoxalmente os interesses de Portugal em Abu Dhabi serem representados, imagine-se, pela Espanha, presumindo-se que o embaixador espanhol não mexeu uma palha!
Sabemos que Freitas do Amaral vai modificar a situação da Embaixada em Riade, situação que apenas se tornou visível pelo episódio. É mais um ponto, a juntar a outros preciosos pontos que o Ministro arrecada em poucos meses, convertendo-se na melhor surpresa deste governo e contrariando prognósticos e presságios (um deste presságios foi de NV, está retirado).
Mas voltemos a Monteiro. O ex-MNE até poderia ter ido ao Cairo e a Dubai e, resolvendo o essencial da missão como resolveu, respirar de alívio e fazer turismo diplomático. Não foi assim. Trabalhou, abriu portas, chegou à fala com quem a Portugal interessa em função do relacionamento com os Emirados, prepara um relatório para as Necessidades. Nos Emirados, António agora foi Monteiro, como noutras situações (OSCE, por exemplo) Seixas foi da Costa e Fernando (Luanda, também por exemplo…) foi Neves e jamais Esteves. Quando um diplomata é diplomata com sentido de Estado, faz bom trabalho em quaisquer condições e circunstâncias, não amanteiga as informações, não altera os dados, não salta por cima da fasquia da discrição, não hesita nas iniciativas de Estado e, sobretudo, não desperdiça «a Missão» - qualquer missão que seja em nome do Estado e paga pelo Estado. Por nem sempre assim acontecer, Portugal tem sido prejudicado por muita Diplomacia Trapalhona, por muita Diplomacia do Encómio e por muita Diplomacia da Manteiga.
Naturalmente que o episódio e respectivo desfecho não justificam, por si só, manchete provinciana de jornal como aconteceu, nem justificam cenários mediáticos apenas possíveis num País dominado pela «Cultura da Quinta» e eventualmente esmagado pelos pensamentos da ensaísta Lili Caneças que, com alguns ministros que já vimos passar pelas Necessidades, não custa a crer que até poderia ascender a embaixadora de boa vontade…
Se Freitas olhar a sério para o Golfo, fica de parabéns. Monteiro foi lá, viu e olhou a sério – está de parabéns. Episódios são episódios, questões de fundo são de fundo, quer se trate de Abu Dhabi quer se trate de Luanda onde Fernando foi Neves e não Esteves. Discrição mais discreta, não é possível por agora.
Sabemos que Freitas do Amaral vai modificar a situação da Embaixada em Riade, situação que apenas se tornou visível pelo episódio. É mais um ponto, a juntar a outros preciosos pontos que o Ministro arrecada em poucos meses, convertendo-se na melhor surpresa deste governo e contrariando prognósticos e presságios (um deste presságios foi de NV, está retirado).
Mas voltemos a Monteiro. O ex-MNE até poderia ter ido ao Cairo e a Dubai e, resolvendo o essencial da missão como resolveu, respirar de alívio e fazer turismo diplomático. Não foi assim. Trabalhou, abriu portas, chegou à fala com quem a Portugal interessa em função do relacionamento com os Emirados, prepara um relatório para as Necessidades. Nos Emirados, António agora foi Monteiro, como noutras situações (OSCE, por exemplo) Seixas foi da Costa e Fernando (Luanda, também por exemplo…) foi Neves e jamais Esteves. Quando um diplomata é diplomata com sentido de Estado, faz bom trabalho em quaisquer condições e circunstâncias, não amanteiga as informações, não altera os dados, não salta por cima da fasquia da discrição, não hesita nas iniciativas de Estado e, sobretudo, não desperdiça «a Missão» - qualquer missão que seja em nome do Estado e paga pelo Estado. Por nem sempre assim acontecer, Portugal tem sido prejudicado por muita Diplomacia Trapalhona, por muita Diplomacia do Encómio e por muita Diplomacia da Manteiga.
Naturalmente que o episódio e respectivo desfecho não justificam, por si só, manchete provinciana de jornal como aconteceu, nem justificam cenários mediáticos apenas possíveis num País dominado pela «Cultura da Quinta» e eventualmente esmagado pelos pensamentos da ensaísta Lili Caneças que, com alguns ministros que já vimos passar pelas Necessidades, não custa a crer que até poderia ascender a embaixadora de boa vontade…
Se Freitas olhar a sério para o Golfo, fica de parabéns. Monteiro foi lá, viu e olhou a sério – está de parabéns. Episódios são episódios, questões de fundo são de fundo, quer se trate de Abu Dhabi quer se trate de Luanda onde Fernando foi Neves e não Esteves. Discrição mais discreta, não é possível por agora.
Dubai, quantum satis... E é assim que.
O rapaz sabia que mas não resistiu a que. O embaixador em Riade, cinco dias depois do que, voou prontamente, adiantando do seu bolso para que. É claro que no Dubai, naquelas situações não é como que. Freitas do Amaral, recebido o apelo familiar com que, claro que fez tudo o que – nomeia o embaixador António Monteiro como enviado clemente, pelo que a rota do ex-ministro incluiu o Cairo e depois a capital dos Emirados e, tal como na Peregrinação, aconteceu excepcionalmente o que.
Hoje à hora do almoço, na Sala Madrid do Hotel Altis cativada para o efeito que, lá estava então quem poderia descrever o que e, vá lá, no final da narrativa sobre a peripécia do que, alguém lhe segredou ao ouvido, pelo que, ainda a tempo, enfim, agradeceu finalmente o que ministro, embaixadores e a diplomacia portuguesa fizeram para que. Do quanto tudo isto custou aos cofres do Estado ao quantum satis sobre este caso, a distância é tão evidente que.
Como diria Esopo, a fábula mostra que António Monteiro tem arte de fazer com que haja males que venham por bem – falaremos disto logo que. E Freitas também provou que. Não foi necessária uma Cimeira do Golfo que, mas pouco faltou para que.
Hoje à hora do almoço, na Sala Madrid do Hotel Altis cativada para o efeito que, lá estava então quem poderia descrever o que e, vá lá, no final da narrativa sobre a peripécia do que, alguém lhe segredou ao ouvido, pelo que, ainda a tempo, enfim, agradeceu finalmente o que ministro, embaixadores e a diplomacia portuguesa fizeram para que. Do quanto tudo isto custou aos cofres do Estado ao quantum satis sobre este caso, a distância é tão evidente que.
Como diria Esopo, a fábula mostra que António Monteiro tem arte de fazer com que haja males que venham por bem – falaremos disto logo que. E Freitas também provou que. Não foi necessária uma Cimeira do Golfo que, mas pouco faltou para que.
O problema. A mãe de todos os problemas
Jornalistas, muitos jornalistas de referência (uns discretos, outros nem tanto...)nos ou dos meios de comunicação social de referência, foram, na prática, insidiosamente silenciados - deixemo-nos de rodeios - e o País adormeceu, nem deu conta disso, nem dá. Não consumiram haxixe no Dubai, não foram apanhados com droga em Chipre e muito menos encravaram a unha do dedo mínimo do pé direito como aconteceu ao jogador Belézinho de que todo o País fala, comenta e pelo qual sofre precisamente e apenas por esse dedo mínimo.
O País vai bem. Preocupa-se com o essencial do Sistema Democrático que cada vez mais é regime. Por isso, a Sociedade está a «responder» à sua maneira: a TVE é cada vez mais procurada em detrimento da lucrativa RTP, o El Pais é cada vez mais lido, também a rádio ou rádios espanholas são ouvidas cada vez mais onde podem ser ouvidas e, já agora, o Instituto Cervantes é muito mais seguido pela net do que o Instituto Camões.
O País vai bem. Preocupa-se com o essencial do Sistema Democrático que cada vez mais é regime. Por isso, a Sociedade está a «responder» à sua maneira: a TVE é cada vez mais procurada em detrimento da lucrativa RTP, o El Pais é cada vez mais lido, também a rádio ou rádios espanholas são ouvidas cada vez mais onde podem ser ouvidas e, já agora, o Instituto Cervantes é muito mais seguido pela net do que o Instituto Camões.
06 maio 2005
Perturbações...
Sim. Nos últimos dias temos registado algumas perturbações na edição de Notas Verbais - textos que não entram, outros que entram mas não aparecem, ainda fácil entrada por http://notasverbais.blogspot.pt mas acesso não actualizado por www.notasverbais.blogspot.com , enfim a dependência da excelente máquina ou a interferência (não seria a primeira...) de alguém. As nossas desculpas.
05 maio 2005
Álvaro Morna. Quando morre um jornalista
Álvaro Morna.
Mata-nos a pena não tendo esta fim
Na palavra com que se encena
Viver das palavras que nos matam.
E nesse instante em que nos mata
A palavra desata o nó que a vida produz
Lançando para anos-luz o que tão perto
Nos enganou não ser breve a pena.
Mata-nos a pena não tendo esta fim
Na palavra com que se encena
Viver das palavras que nos matam.
E nesse instante em que nos mata
A palavra desata o nó que a vida produz
Lançando para anos-luz o que tão perto
Nos enganou não ser breve a pena.
Mapa do Exército. Fronteira de Olivença em branco
Não restam dúvidas no mais recente, fresquíssimo Mapa oficial do Exército Português: a fronteira entre Portugal e Espanha nas áreas de Olivença (historicamente litigada) e de Vila Real (subtraída a Juromenha) está por definir e, além disso coloca em inequívocas quadrículas (sobretudo em 441-A, 428 e 441 mas também em 452, 463 e 474) os territórios reivindicados por Portugal.
Sem disparar um único tiro, o Exército Português faz assim no terreno o que na «agenda diplomática» se omite sem proveito para qualquer dos lados – nem para Portugal nem para Espanha. A patranha não resolve litígios, dever-se-ia dizer ao presidente da Estremadura espanhola, Juan Carlos Rodríguez Ibarra. Voltaremos ao assunto.
Abram o site do Instituto Geográfico do Exército, vão pelo acesso IGEOE-SIG, façam as aproximações adequadas e observem a fronteira das patranhas, a nascente dos distritos de Portalegre e Évora - a nascente é que as patranhas nascem.
Sem disparar um único tiro, o Exército Português faz assim no terreno o que na «agenda diplomática» se omite sem proveito para qualquer dos lados – nem para Portugal nem para Espanha. A patranha não resolve litígios, dever-se-ia dizer ao presidente da Estremadura espanhola, Juan Carlos Rodríguez Ibarra. Voltaremos ao assunto.
Abram o site do Instituto Geográfico do Exército, vão pelo acesso IGEOE-SIG, façam as aproximações adequadas e observem a fronteira das patranhas, a nascente dos distritos de Portalegre e Évora - a nascente é que as patranhas nascem.
Briefing da Uma. Os barómetros NV.
Briefing da Uma. Foi Jacques Deval quem observou que metade da vitória está na escolha do campo de batalha, a outra na escolha do momento…
1 – Vitória verbal de Freitas
2 – CPLP…
3 – Freitas/Brasil
1 – (Qual o resultado dessa pepineira do Barómetro NV sobre o ultimato de Freitas à União Europeia?) – «Meu caro senhor, você é correspondente do jornal Figaro de Benguela e dobre a língua – o uso de termos como pepineira só é admissível na cobertura de acontecimentos como o do encontro amistoso de Eduardo dos Santos e Chavez. Quanto à questão que levantou – os resultados do barómetro que ontem terminou - à pergunta sobre se Freitas do Amaral fez bem com a ameaça de bloqueio ao Orçamento da UE, responderam Sim, 77.78 % - maioria absoluta, portanto. Indiferentes revelaram-se 13.33 %, e com um «Fez mal» responderam 8.89 %. Não é uma vitória parlamentar do Ministro, mas que é uma vitória verbal, lá isso é…
(Desculpe o uso da palavra pepineira, foi uma questão de lusofonia…) - «Está desculpado. Na verdade o pepino é o nono estado-membro da lusofonia, desta vez está desculpado.»
2 – (Qual a sondagem que se segue?) - «A próxima sondagem que, mais minuto menos minuto, vai ser aberta, é precisamente sobre a lusofonia. A questão é esta – A CPLP existe?»
(Claro que existe…) – «Não comentamos, enquanto a sondagem decorrer. Respondam.»
3 – (E não diz nada sobre Freitas e o Brasil?) - «Sobre isso, Seixas da Costa não tem dito tudo e mais alguma coisa? Meus senhores, boa tarde e até ao breefing de amanhã. Um dia, os Sem Terra ainda vão ocupar uma fazenda para aí instalarem o Instituto Internacional da Língua Portuguesa que precisa, pelos vistos, de fazenda.»
1 – Vitória verbal de Freitas
2 – CPLP…
3 – Freitas/Brasil
1 – (Qual o resultado dessa pepineira do Barómetro NV sobre o ultimato de Freitas à União Europeia?) – «Meu caro senhor, você é correspondente do jornal Figaro de Benguela e dobre a língua – o uso de termos como pepineira só é admissível na cobertura de acontecimentos como o do encontro amistoso de Eduardo dos Santos e Chavez. Quanto à questão que levantou – os resultados do barómetro que ontem terminou - à pergunta sobre se Freitas do Amaral fez bem com a ameaça de bloqueio ao Orçamento da UE, responderam Sim, 77.78 % - maioria absoluta, portanto. Indiferentes revelaram-se 13.33 %, e com um «Fez mal» responderam 8.89 %. Não é uma vitória parlamentar do Ministro, mas que é uma vitória verbal, lá isso é…(Desculpe o uso da palavra pepineira, foi uma questão de lusofonia…) - «Está desculpado. Na verdade o pepino é o nono estado-membro da lusofonia, desta vez está desculpado.»
2 – (Qual a sondagem que se segue?) - «A próxima sondagem que, mais minuto menos minuto, vai ser aberta, é precisamente sobre a lusofonia. A questão é esta – A CPLP existe?»
(Claro que existe…) – «Não comentamos, enquanto a sondagem decorrer. Respondam.»
3 – (E não diz nada sobre Freitas e o Brasil?) - «Sobre isso, Seixas da Costa não tem dito tudo e mais alguma coisa? Meus senhores, boa tarde e até ao breefing de amanhã. Um dia, os Sem Terra ainda vão ocupar uma fazenda para aí instalarem o Instituto Internacional da Língua Portuguesa que precisa, pelos vistos, de fazenda.»
É assim. Ninguém quer Riade, mas Sevilha…
Transformou-se num «caso nacional» o facto do embaixador de Portugal em Riade (que representa o Estado em mais seis países...) estar apenas acompanhado pelo motorista, depois do vice-cônsul ter sido afastado compulsivamente e com a eternizada vaga de um conselheiro ou secretário de embaixada com directo prejuízo para o funcionamento do secção consular. Na verdade, pelos nossos apontamentos, até Malta conta na sua embaixada na Arábia Saudita com dois diplomatas – Portugal é a embaixada da UE que mais países cobre e menos pessoal dispõe, seguindo-se a vesga regra das redutoras soluções à lusitana.
E qual será o principal motivo para a falta de diplomatas «voluntários» para por o ombro no andor penosamente transportado pelo embaixador Silveira Borges?
Pois bem, o motivo é meramente terreno: abonos!
Senão compare-se: para a vaga de conselheiro ou secretário em Riade o abono de representação é de 255,75 € e o abono de habitação é de 2.368,12 €, enquanto, por exemplo, para o posto do Consulado-Geral em Sevilha, o abono de representação é de 10.963,81 € e o abono de habitação é de 3.820,98 €… Assim, quem quer ir para Riade e não deseja instalar-se em Sevilha, sobretudo se tem raízes e casa no Alentejo?
Assim, as Necessidades vão mal - a carreira diplomática não pode ser uma carreira de emigrantes de luxo.
E qual será o principal motivo para a falta de diplomatas «voluntários» para por o ombro no andor penosamente transportado pelo embaixador Silveira Borges?
Pois bem, o motivo é meramente terreno: abonos!
Senão compare-se: para a vaga de conselheiro ou secretário em Riade o abono de representação é de 255,75 € e o abono de habitação é de 2.368,12 €, enquanto, por exemplo, para o posto do Consulado-Geral em Sevilha, o abono de representação é de 10.963,81 € e o abono de habitação é de 3.820,98 €… Assim, quem quer ir para Riade e não deseja instalar-se em Sevilha, sobretudo se tem raízes e casa no Alentejo?
Assim, as Necessidades vão mal - a carreira diplomática não pode ser uma carreira de emigrantes de luxo.
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