Com esta cena do rei Abdullah da Arábia Saudita em visita ao Reino Unido e Gordon Brown sentando-se à mesma mesa, a diplomacia de Londres fica em maus lençóis no processo Mugabe/ cimeira UE-África. Brown e Miliband, com dois pesos e duas medidas, não se livram da fama de confundirem o mal com a caramunha.
É claro que as Necessidades não podiam deixar de aproveitar a circunstância para o anúncio da expedição dos convites com Mugabe e o seu fino sindicato africano de apoio por entre os destinatários. Londres não pode protestar porque o zelo pelos direitos humanos não é apenas para o mapa cor de rosa…
Amado e Cravinho esfregam as mãos de contentes pelo pretexto britânico. Londres está num entalanço, e assim se prova que, em diplomacia, 95 por cento é ciência do óbvio e 5 por cento moral da sorte.
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
31 outubro 2007
┌ Parabéns ┐
- Gonçalo Teles Gomes, 1.º secretário
... já agora
Celebram três anos de promoção a embaixador, Júlio Sales Mascarenhas, (chefe da missão em Haia), José Duarte Sequeira e Serpa, (chefe da missão em Varsóvia), Carlos Neves Ferreira, (chefe da missão em Atenas), Ana Maria Martinho, (requisitada na Comissão Europeia, equipa de Durão Barroso), Maria Margarida Figueiredo, (directora geral dos Assuntos Técnicos e Económicos).
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30 outubro 2007
Pequeno senão
- Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje, é o que se ensina nos países em que tudo se faz com atraso à excepção de cobranças, sobretudo cobranças morais.
┌ Parabéns ┐
- José Rui Borges Velez Caroço, conselheiro
chefe de divisão nos Serviços das Organizações Económicas Internacionais - António Pignatelli Corrêa Aguiar, 1.º secretário
nos Serviços dos Estados europeus não membros da UE
Neste dia...
♠ José Lamego, posse como SENEC em 1995 - passaram 12 anos
♣ Seixas da Costa, posse como SEAE em 1995 - 12 anos passaram...
♥ José Lello, posse como SECP em 1995 - lá vão 12 anos também.
... já agora
Celebram três anos de promoção a embaixador, Tadeu Soares (secretário executivo adjunto da CPLP) e José Duarte Ramalho Ortigão (chefe da Missão na UNESCO)
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29 outubro 2007
Consta
Segundo consta, há fraude na progressão na carreira diplomática... Mas, como lá diz o site da ASDP, esta é uma «área reservada aos sócios».
Bernarda na Suíça Com que então, portugueses "sem cabeça" só porque não têm elite?
- Manuel de Melo e António Dias Ferreira, Conselheiros eleitos pelo círculo eleitoral dos emigrantes na Suíça, sob o título "Comunidade portuguesa é injuriada e vexada pelas autoridades escolares suíças", dizem isto:
Em nota de informação enviada aos serviços escolares cantonais, datada de 11.09.2007 e à qual apenas agora tivemos acesso, a CDIP – o organismo que coordena os serviços da instrução pública na Suíça, tece considerações altamente injuriosas e vexatórias para os milhares de portugueses residentes na Confederação Helvética.↑ , presidente da CDIP.O referido documento foi elaborado no âmbito da visita que António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas efectuou ao país, e serviu de pano de fundo para a análise da situação e tomada de conclusões acerca do insucesso escolar dos alunos portugueses na Suíça, durante o encontro que teve lugar no dia 12 de Julho de 2007, entre o secretário de Estado português e a Sra. Isabelle Chassot
Depois de reconhecer que os resultados escolares dos alunos portugueses na Suíça são os mais baixos dentre as comunidades de migrantes que vivem no país e que os portugueses têm uma representação excessiva nas classes especializadas, e que raramente acedem a uma formação pós-obrigatória, a CDIP aponta três razões essenciais que explicam a situação, entre as quais a de que «a comunidade portuguesa na Suíça é uma comunidade “sem cabeça”, isto é, esta comunidade não dispõe de nenhuma elite na Suíça que lhe possa servir de modelo; esta situação explica-se em virtude das perturbações políticas que Portugal conheceu após a Revolução dos Cravos (1974): depois da democratização do país, a maioria dos quadros e dos intelectuais portugueses que residiam na Suíça e que aí tinham feito os seus estudos, regressaram ao seu país; daí em diante apenas as famílias de origem modesta se fixaram na Suíça».
Mas a gravidade da situação não se fica por aqui. Na acta final do encontro entre as duas delegações, sendo a delegação portuguesa chefiada por António Braga, atribui-se única e exclusivamente à comunidade portuguesa a responsabilidade da situação, nomeadamente a «origem sócio-cultural modesta das famílias» e as «dificuldades destas em compreender a complexidade do sistema escolar suíço e de reagir em consequência face aos problemas», ao que acresce ainda a «ausência de “modelo” para a comunidade portuguesa (isto é, na hora actual, não existe mais na Suíça, personalidades portuguesas que tenham um papel de modelos para os jovens desta comunidade». No mesmo documento pode ainda ler-se que «convém assinalar, em particular, a abertura da delegação portuguesa quanto às causas que estão na origem dos problemas escolares encontrados pelos alunos portugueses na Suíça».
Ora, não foram essas as conclusões que António Braga transmitiu aos conselheiros do CCP na Suíça, no encontro que realizou com os mesmos na Embaixada de Portugal em Berna, após a sua visita à Suíça.
Para lá das apreciações insultuosas e humilhantes para com a comunidade portuguesa, a CDIP, de forma leviana – a sua análise não está sustentada em qualquer estudo sério elaborado para o efeito – tira conclusões escabrosas que revelam apenas um desrespeito profundo pela comunidade lusa, além de demonstrar um desconhecimento absoluto daquilo que representa hoje a comunidade portuguesa na Suíça, onde se destacam professores universitários, médicos, políticos, sindicalistas, empregados bancários, quadros superiores em muitas empresas, destacados empresários, etc.
Em nome da honrosa massa de trabalhadores portugueses, que está entre as que mais têm contribuído para o desenvolvimento económico e social da Suíça, repudiamos os insultos e o enxovalho à comunidade por parte da CDIP, e exigimos à senhora Isabelle Chassot, enquanto presidente desse órgão, que apresente um pedido formal de desculpas à comunidade portuguesa na Suíça.
Exigimos igualmente ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga e ao embaixador de Portugal na Suíça, Eurico de Paes, um esclarecimento cabal sobre tudo o que se passou entre as delegações portuguesa e suíça, e se as conclusões assumidas foram efectivamente aquelas que a CDPI levou à acta que elaborou da referida reunião.
Apelamos também à mobilização e solidariedade de todos os líderes e membros da comunidade portuguesa na Suíça, contra este ataque grosseiro à nossa comunidade, e solicitamos desde já a todos os emigrantes portugueses, que boicotem quaisquer iniciativas a realizar pela CDIP e pela Embaixada de Portugal em Berna, a começar já pela recepção que o embaixador português vai oferecer no dia 30 deste mês, aos professores portugueses na Suíça, e que apenas pretende servir para os envolver nesta farsa ignóbil e repugnante.
Genebra/Sion, 29 de Outubro de 2007.
Apelam aqueles conselheiros da emigração a que sejam enviadas mensagens de protesto e repúdio para os endereços electrónicos do secretário de estado António Braga, do embaixador em Berna, Eurico Paes, e da presidente do referido CDIP, Isabelle Chassot. NV duvidam que protestos deste género e por esta via tenham eficácia, mas que António Braga deve explicar o que se passa, lá isso deve.
┌ Parabéns ┐
- Manuel Côrte-Real, embaixador
chefe do Protocolo de Estado - José de Freitas Ferraz, ministro plenipotenciário 1.ª
embaixador em Maputo - Helena Furtado Paiva, conselheira
directora dos Serviços das Organizações Políticas Internacionais - Duarte Pinto da Rocha, adido
na direcção geral dos Assuntos Técnicos e Económicos/Multilateral
Neste dia...
♥ José Mendes Leal, posse como MNE em 1869, há 138 anos
♣ Marquês de Ávila, depois duque, posse como MNE em 1870, há 139 anos...
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28 outubro 2007
Consulados e Registo Civil. Sistema inoperativo
- Tem isto muito a ver, tal como um célebre pensador e editorialista português já em 1973 escrevia, com a problemática da informática das infra-estruturas em Portugal...
Escreve Manuel de Melo, com o que sabe acontecer na Suíça, que o Sistema de Informação do Registo Civil (SIRIC) falha nos consulados e que no MNE, transcreve-se, como de costume nesse reino da incompetência, começou a construir-se a casa pelo telhado, isto é, deu-se ordem aos consulados para entrarem em ambiente de produção sob a batuta da referida aplicação informática, antes mesmo de acautelar a funcionalidade da mesma em ambiente de teste. E o resultado foi catastrófico, quase levando à loucura os dois diplomatas responsáveis pelos consulados de Genebra e Caracas, os quais – diga-se de forma corajosa – foram obrigados a levantar o tom e dar dois murros na mesa, mandando Lisboa e o SIRIC às urtigas. É que o sistema estava quase sempre inoperativo ou inacessível, impossibilitando os funcionários de executar os registos, causando graves transtornos ao bom desenrolar da actividade consular e pondo os nervos em franja aos muitos utentes que se viam obrigados a esperar horas a fio para serem atendidos...Só que, Manuel de Melo, a falha ocorre nas próprias conservatórias do território nacional, em muitas das quais há meses e meses que perdura o que se explica como «avaria». Há emigrantes que têm vindo de propósito a Portugal para tratar de documentação nas suas terras e... é o mesmo que nos consulados.
Chapeau!
É de não perder a entrevista de Luís Amado ao Correio da Manhã (Eduardo Dâmaso/António Ribeiro Ferreira). Se querem saber o que é uma entrevista, é isso - nas respostas e nas perguntas. Os questionários já cansam.
Onde Mafra já vai
Na FOLHAONLINE, quando se abre uma qualquer notícia, a primeira indicação que surge é esta:Comunicar erros
como por exemplo neste caso e com base na Deutsche Welle, a propósito do "instituto" proposto pela Rússia à UE, em Mafra. É que se neste caso não houver erros a comunicar, a história foi mal contada em Mafra... Escreve-se na Folhha que O instituto observará a situação das minorias étnicas, dos imigrantes e da mídia na União Européia, explicou Sergei Jastrschembski, assessor pessoal de Putin para a UE, neste sábado (27/10). "Não será um projeto conjunto. Será um instituto russo", acrescentou.
Nem mais nem menos. Se não houver erros a comunicar, a história foi mal contada.
┌ Parabéns ┐
- Maria Isabel Valente da Silva, 2.ª secretária
na embaixada em Bruxelas
Hoje, há uns tantos anos...
♠ Jaime Gama, posse como MNE em 1995
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27 outubro 2007
Voilà. Mafra, Rússia e Congo
- ■ The EU has been busy getting on with business - Ler o homólogo de Manuel Lobo Antunes, Jim Murphy no blogue das Necessidades de Londres, sendo desprimoroso falar do FCO do Rilvas.
Luís Amado. Inimitável na gestão de degraus
Pois nem Nicolas Sarkozy, nem Miguel Ángel Moratinos que levam a vida a copiar Luís Amado em matéria de política mediterrânica, apresentando como suas (suas de França ou de Espanha...) as ideias que ao discreto MNE português pertencem (Moratinos, ao menos, assume) podem imitar Luís Amado na gestão deste último degrau:


- Benita Ferrero-Waldner, a Comissária Europeia responsável pelas Relações Externas e pela Política Europeia de Vizinhança, com toda a legitimidade, testemunhará que outros a fariam dar ou dariam eles próprios um trambolhão.
José Aparecido de Oliveira. Palavras justas, omissão gratuita, homenagem certa
A propósito de obituários.
De Pedro d'Anunciação, palavras justas na edição do Sol, sobre José Aparecido de Oliveira. Está lá o essencial sobre o homem que se considerava «o brasileiro mais português do Brasil» e que articulou política e diplomaticamente o que Portugal, pelo complexo das colónias, não ousava concretizar. Claro que não será aqui e agora que se dirá o que sobre Aparecido falta dizer. Chegará o momento.
Na prosa do In Memoriam que José Cutileiro que faz jazer no Expresso, omissão gratuita. Há oito dias, ele falou do mercenário Bob Denard, e alongou-se esta semana sobre a condessa Andrée de Jongh. Tinha mais. É possível que José Cutileiro não seja responsável pela agência de selecção funerária do lado, mas, em todo o caso, a omissão da morte de José Aparecido, fosse esta referida mesmo em corpo 5 presente, quando até se releva a de SS Bajwa o «vice-presidente da Cãmara de Nova Deli, Índia, onde sofreu uma queda ao tentar expulsar os macacos que invadiram a sua casa» !, apenas prova que a falta de espaço é um motivo técnico. É uma omissão gratuita como gratuito será dizer que quem faz obituários é sinal de que está vivo.
E homenagem certa, dia 7 de Novembro: os representantes diplomáticos dos estados membros da CPLP em Brasília, promovem uma evocação a José Aparecido de Oliveira, que decorrerá na embaixada de Portugal na capital brasileira. Estarão presentes familiares de Aparecido, designadamente o seu filho, deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira, José Sarney será um dos oradores .e o embaixador de Cabo Verde, Daniel Pereira, falará em nome dos representantes diplomáticos dos países CPLP. Uma mensagem em vídeo de Mário Soares, personalidade ligada por fortes laços de amizade a José Aparecido de Oliveira, será também apresentada durante a homenagem.
Notas reversais. De Charles Calixto
Olhem só cá para isto, que é do plenipotenciário Charles Calixto:
Perguntam vários Notadores, por e-mail e até por telefone, «quem é Charles Calixto?» Sabendo que todos ficarão na mesma, a todos se responde: é um intérprete que vive do personagem que é...
- POEMA
Estavas bom Calixto posto em socego
Do teu abono colhendo o parco fruto
Naquele fazer e refazer de contas
Que o quarto andar nunca deixa durar muito
Quando ousado e atrevido te desafiou
Esse mísero e mesquinho Anaximandro.
Que com verbo fácil, pena ágil e certeira
Saiu-me mas foi um grandessissimo malandro...
Etc... etc... etc...
"Sans rancune"
PS - E julgava eu que já se tinham esquecido de mim...
Um cordial abraco do
Calixto.
Perguntam vários Notadores, por e-mail e até por telefone, «quem é Charles Calixto?» Sabendo que todos ficarão na mesma, a todos se responde: é um intérprete que vive do personagem que é...
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Notadores
Sondagem Vale o que vale
- Na sondagem sobre Martins da Cruz relançado pelo PSD, 79.34% consideraram isso como negativo, apenas 13.22% como positivo e 7.44% optaram pelo tanto faz.
Segunda-feira, entra nova sondagem
No PE, até já se "felecita"!
- Nesta última newsletter dos eurodeputados socialistas, InfoEuropa Nº 128, lê-se:
PE felecita e aplaude
Presidência Portuguesa
da UE
Presidência Portuguesa
da UE
Com este "felecita", a Presidente da Delegação portuguesa do Grupo do PSE, Edite Estrela, não deve ter tem a gramática sob controlo...
26 outubro 2007
Passe de mágica. Putin faz do lenço uma pomba
Putin quer observadores da OSCE nas legislativas russas de Dezembro e um instituto euro-russo para a defesa dos direitos humanos.

Num passe de mágica, Putin entalou quem dele disse que mais não faria em Mafra que figura de corpo presente, que apenas cumpriria calendário, enfim, que o comunicado final da cimeira UE-Rússia seria cena de rotina.
Tal como em todas as magias que se pretendam perfeitas na cartola política, prescindiu de ser ele, de viva-voz, a anunciar a transformação do lenço em pomba. Deixou esse protagonismo para o seu homólogo do semestre, Sócrates. Por certo, não foi condescendência diplomática, foi calculado propósito de semear credibilidade nas chancelarias europeias onde Vladimir Putin disso precisa, agora como Presidente da Federação Russa, amanhã como primeiro-ministro, a crer-se no que fez correr.
Ora, a credibilidade política e diplomática começa pela avocação daquele velho princípio segundo o qual quem não deve não teme. Putin, ao convidar observadores da OSCE para seguirem as eleições legislativas russas marcadas para 2 de Dezembro, quis deixar sugerido que não teme, e ao propor a criação de um instituto para a defesa dos direitos humanos, também quis deixar insinuado que não deve.
Tomou, pois, uma iniciativa que a OSCE, por receios políticos, não ousou formular no seu quadro, e avançou com a proposta do instituto euro-russo (27+1) que leva à avaliação de que, afinal, para serve o quadro dos 47 do Conselho da Europa a que a Rússia pertence desde 1996 e que, dispondo já de institutos que escrutinam os direitos humanos, pese a existência, desde 1999, de um Comissário dos Direitos do Homem (Álvaro Gil-Robles/Espanha) não dispõe de um instituto promotor daqueles mesmos direitos. Naturalmente que o quadro convencional do Conselho da Europa estava fora de questão em Mafra e seria um desconforto esclarecer a questão.
Monólogo de Religiões
Qualquer diplomata com © sabe que o culto da personalidade só não é evidente para os sacerdotes do templo onde se venera o deus pagão que é cego.
Caderno do STCDE. Outra história
- E corre pelo STCDE que "nem o Senhor Ministro, nem ninguém em seu nome" respondeu ao pedido de abertura de negociações do Caderno Reivindicativo 2007/8 remetido ao MNE no início de Outubro. Falta de resposta também do Departamento Geral de Administração do MNE, com o qual estaria acordado desde há meses retomar negociações após o verão.
- Apenas do gabinete de António Braga "houve contactos" para "as possibilidades de intervenção que possam caber no seu âmbito de competências".
MUDIP. Benditos emolumentos
- A Associação Mutualista Diplomática Portuguesa, a MUDIP que o FRI celebriza, tem assembleia geral convocada pelo embaixador Francisco José Knopfli, para 14 de Novembro (17:00, nas Necessidades).
- Na ordem de trabalhos: a apreciação e votação do orçamento e programa de acção da MUDIP para o ano de 2008.
Arquivo de Maio. Quem disse?
- ■ Quem disse, em Maio, que temas como democracia e os direitos humanos "devem ser discutidos com abertura e franqueza, mas sem ter a pretensão de dar lições aos outros: nem a Rússia à Europa, nem a Europa à Rússia"?
Quem respondeu "Sócrates", acertou.
- ■ E, na sequência, quem completou que "há prisões e torturas em vários países Europeus, há problemas com os meios de comunicação social, e países que têm leis de imigração contrárias ao direito internacional"?
Acertou quem respondeu "Putin".
E já são 11. As câmaras de luso-comércio no Brasil
- Parece que Seixas da Costa continua sem dormir: a nova Câmara de Comércio Portugal-Brasil do Distrito Federal, vai ter rosto público já em Novembro. É a 11.ª câmara a operar no Brasil.
Fernando Brites é o presidente desta 11.ª câmara em território brasileiro, cujo núcleo de fundadores integra figuras relevantes do mundo económico e académico da capital federal, bem como personalidades políticas, como o antigo vice-presidente da República Marco Maciel, o senador Adelmir Santana e o deputado Paes Landim. O Governo do Distrito Federal deu todo o seu apoio institucional à criação desta Câmara.
- A Câmara de Comércio do Distrito Federal integrará já a missão empresarial que o Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio agendou para Portugel, em Novembro, e estará também presente no III Encontro Empresarial Brasil-Portugal, previsto para 7 de Dezembro, no Rio de Janeiro.
25 outubro 2007
Sala da Bênção. Ponto alto de Putin em Portugal
Com certeza, oh amigo Charles Calixto, ministro plenipotenciário, não lhe retiramos a categoria. Por hoje, pouco haverá a dizer sobre Putin em Portugal para a sua última cimeira com a Europa - última se, entretanto, não houver reforma constitucional na Rússia, e, em nova legitimidade, Putin não continuar nas cimeiras na qualidade de primeiro-ministro... Nunca se sabe, sendo isso previsível - a notável experiência de Timor pode ser útil a Moscovo. Mas, por hoje, haverá pouco a dizer, de novo e de importante, que não seja publicidade institucional, à excepção de um pormenor.
Esse pormenor, que só desatentos não consideram já o ponto alto da visita continuando a ser pormenor, é precisamente o que está programado para as 14:30, em Mafra.
É que diplomaticamente, Portugal tem sofrido de um trauma irreparável, trauma que decorre da conformação nacional em meter o Rossio na Rua da Betesga. Ora, nessas 14:30, Putin abre a exposição que expurga definitivamente isso de Rossio e de Betesga, preenchendo o vazio desse lugar traumático com “A Rússia na Biblioteca do Real Paço de Mafra”. Além disso, o fenómeno vai acontecer na Sala da Bênção! Que melhor local para mais um êxito político-diplomático?
De facto, o "meter a Rússia na biblioteca de Mafra", dá-nos um gigantesco prestígio perante a Europa e o mundo, onde até agora temos tido apenas a fama do passe de mágica de subverter as escalas do Rossio e da Betesga - o que já não é para todos, como se viu no tratado, pese a Vital Moreira.
Com toda a autoridade que se lhe suporta, a partir de amanhã, José Sócrates pode argumentar perante qualçquer dos seus colegas europeus que lhe peça o impossível, não o velho, caduco e desacredidado truque do Rossio na Betesga, mas assim: «Meu caro! O que me pede é o mesmo que meter a Rússia na biblioteca de Mafra!». Gordon Brown, por exemplo, que se atreva.
"Justiça Civil". Há dias que merecem aspas
Celebra-se, hoje, quinta-feira, o Dia Europeu da Justiça Civil. A proclamação deste dia data de 2003, por efeito de iniciativa conjunta da Comissão Europeia (António Vitorino, diga-se) e do Conselho da Europa, e correspondendo ao repto inicialmente lançado no Conselho Europeu de Tampere, em 1999. Pretende-se sensibilizar os cidadãos europeus para o mundo da justiça, na sua vertente civil. Pelo que diz respeito a Portugal, não seria melhor começar por sensibilizar os juízes e, dada a relevância nacional, juízes de campo?Oh! Charles Calixto! Descanse!
Nem por sombras! Não!!! Descanse o meu amigo ministro-plenipotenciário Charles Calixto! Não foi pelo site, nem pelo blogue da embaixada de Portugal em Brasília, ou seja, não foi por Seixas da Costa! Seguramente!!! Foi através do Portugal Digital que NV ficaram a saber isto:
"
O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, promoveu esta semana o segundo de uma série de debates em Brasília no âmbito da presidência portuguesa da União Européia (UE). Seixas da Costa reuniu na sua residência os chefes das missões diplomáticas em Brasília para uma nova reunião sobre a realidade brasileira.
É por estas e por outras que Quartin Santos continua a interrogar-se em Pequim: «Mas como é que Seixas da Costa tem tempo para dormir?"
"
O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, promoveu esta semana o segundo de uma série de debates em Brasília no âmbito da presidência portuguesa da União Européia (UE). Seixas da Costa reuniu na sua residência os chefes das missões diplomáticas em Brasília para uma nova reunião sobre a realidade brasileira.- A primeira reunião, realizada na passada semana, havia tido como convidado o deputado, ex-ministro e antigo presidente da Câmara de Deputados, Aldo Rebelo ↑, e abordou temas da actualidade política interna do país.
Ontem foi a vez de os embaixadores debaterem com a colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde → , tendo, entre outros assuntos, sido focadas as relações externas do Brasil e perspectivas de futuro no quadro latino-americano.- Os próximos encontros organizados pela presidência portuguesa versarão temas como a política de direitos humanos, a política económica, a política de defesa, a política económico-cultural e as políticas sociais, informou a Embaixada de Portugal no Brasil.
É por estas e por outras que Quartin Santos continua a interrogar-se em Pequim: «Mas como é que Seixas da Costa tem tempo para dormir?"
┌ Parabéns ┐
- Luís Barreira de Sousa, ministro plenipotenciário 1.ª
secretário-geral adjunto - Carlos Macedo Oliveira, conselheiro
cônsul geral em Montreal - José Manuel Costa Santiago, 1.º secretário
na embaixada em Nova Deli - João Miguel Neves da Costa, 1.º secretário
na REPER - Carlos Maciel Ferreira, 1.º secretário
na embaixada em Moscovo
Há 198 anos, tomava posse como Secretário dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, D. Miguel Pereira Forjaz, conde da Feira. O tempo que já lá vai.
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24 outubro 2007
Não deve andar longe da fórmula
Fala Caracas:
- "Las relaciones entre la Federación de Rusia y la República Bolivariana de Venezuela, han dado un salto cualitativo que ha sido posible, gracias a la voluntad política y amistad personal entre los presidentes Vladimir Putin y Hugo Chávez, quienes comparten la visión estratégica de desarrollo de la unidad, por el camino de la creación del mundo multipolar, basado en los principios de la democracia, el derecho internacional, respeto a la soberanía y voluntad de los pueblos".
- La afirmación corresponde al embajador de la Federación de Rusia en Venezuela, Mikhail Orlovets, durante la instalación este miércoles de la IV Reunión de la Comisión Intergubernamental de Alto Nivel Rusia – Venezuela. El diplomático ruso señaló que la excelente relación entre los mandatarios Putin y Chávez, sirve de buena base para la intensificación de los vínculos multifacéticos que atañen todas las esferas de cooperación entre los dos países, como lo son el tecnológico, comercial, técnico-militar, energético, científico, educativo y cultural, entre otros´.
- El Embajador Mikhail Orlovets recalcó el impresionante avance de las relaciones bilaterales y económicas entre ambas naciones y recordó que varias compañías energéticas rusas participan en la exploración de nuevos yacimientos petrolíferos y gasíferos en Venezuela, mientras otras desarrollan prometedores proyectos en las esferas energética, de minería y construcción de maquinaria, entre otras.
Lendo certos textos...
Há constitucionalistas que parecem ser uma constituição com uma perna só - apenas outorgam.
Bem feito. Melhor pensado
Mas Seixas da Costa tem tempo para dormir?
- perguntará Quartin Santos em Pequim.
- perguntará Quartin Santos em Pequim.
Cerca de 30 jornalistas brasileiros discutiram em S. Paulo "A imagem da Europa nos "media" do Brasil". Organizado pela Embaixada de Portugal no Brasil e pela Delegação da Comissão Europeia, o seminário decorreu no Consulado Geral de Portugal em S. Paulo, com os representantes dos maiores jornais brasileiros, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Gazeta Mercantil e Valor Econômico, com diplomatas de diversos países europeus na assistência. O encontro reuniu ainda representantes de revistas, de grandes emissoras de rádio e televisão, como a Rede Globo e a TV Cultura, bem como jornalistas de publicações regionais dos Estados da Baía, Ceará, Pernambuco, Paraná e do Rio Grande do Sul. Por quase, só da China é que ninguém lá estava.
Agapito. Teste de daltonismo...
E, nos Claustros, fazendo-se perito em placas de Ishihara, foi testando cada diplomata que passava, fazendo esta simples pergunta:
Mostrava esta placa:

Depois esta:

Finalmente esta:

E como ninguém nas Necessidades conseguiu identificar o número cinco, nem na primeira das placas que tiraria todas as teimosias da diplomacia económica, nem na segunda que é o logo do IPAD, nem na terceira em que na visão normal se lê "AICEP de Basílio Horta" que é um grande número, Agapito soturno, com desgosto, com tédio:
- - Meu caro! Que número consegue ler aqui?
Mostrava esta placa:

Depois esta:

Finalmente esta:

E como ninguém nas Necessidades conseguiu identificar o número cinco, nem na primeira das placas que tiraria todas as teimosias da diplomacia económica, nem na segunda que é o logo do IPAD, nem na terceira em que na visão normal se lê "AICEP de Basílio Horta" que é um grande número, Agapito soturno, com desgosto, com tédio:
- - Esta gente é toda daltónica! Tenho que alertar o ministro Luís Amado!
AICEP e AICEP. Como resolvem o assunto?
- Há duas AICEP's - uma, da Associação dos Operadores de Correios e Telecomunicações no endereço http://www.aicep.pt/ que já esteve construída, agora está em construção. Outra, da Agência para o Investimento e o Comércio Externo de Portugal no endederço http://www.icep.pt/CmsAPI/AICEP/aicep.html... Resolvam o assunto sem engenharia informática mas com código de conduta.
Dos Notadores. A basílica de Basílio
Do Notador Rolha *
- "
Pois... Brilhante! o documento da AICEP para que as Notas alertam.
Mas tem por lá outros dignos de nota. Veja-se o relatório e contas de 2006 da API - clicar no link API__Relatório e contas 2006
E vá à página 54. Tem por lá os vencimentos dos executivos da Basílica..
Nada mau: Basílio = a quase 100 mil euros/ano (dividindo por 12, dá quase 8.000)
+ automóvel novíssimo de 56.000 - outros executivos têm carro com 3 anitos que só vale 40.000
E andamos nós a pagar impostos para esta rapaziada.
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Notadores
Newark. Saíu-se bem no euro-dólar
Teixeira dos Santos no almoço com os membros da Câmara do Comércio Luso-Americana de New Jersey saíu-se bem. Nada de bombástico quanto ao euro-dólar, pouco que seja novidade, caíu no goto dos comensais. Não sabemos se o trabalho está feito pelas agências de comunicação, mas já não é necessária mais publicidade institucional - as reticências ficam mal depois disto.
Código de conduta
- O site da AICEP de Basílio Horta parece dar acolhimento a papeletas tipo igreja universal do reino de deus.
Tenham paciência, vejam as 17 páginas desta "comunicação". Que brincadeirinha! E então aquela ideia quadrada de que "A nossa marca tem a configuração circular do globo", ou que "A nossa percepção actual do mundo distancia-se da Esfera Armilar e aproxima-se mais de um quadro de Pollock"...
Vamos longe.
23 outubro 2007
Publicidade institucional
Mas que rendimento político está a resultar do saltinho que, de Washington, Teixeira dos Santos dá a Newark! Já se sabia que este ministro, aprecie-se ou não as suas orientações, é dos poucos que explica, ouve explicações e é sério. É claro que terminadas as reuniões do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e dos bastidores do G-7, em Washington, Teixeira dos Santos poderia ir comprar gravatas e fatos, enfim algum passeio de autoridade, ou como outros, esgravatar o 107º relógio da democracia representativa.
A convite do cônsul-geral em Newark, Francisco Azevedo, e da Câmara de Comércio Luso-Americana de New Jersey (Luis Nogueira, presidente), o ministro sabe ao que vai. Se pontuar, como essa câmara de comércio espera que pontue em mais um almoço mensal que promove, NV darão conta.
Barulhinhos no eurotelefone
Você sabe o que é o boomerang e o efeito de boomerang, não sabe?
Parece que se pretendeu evitar o debate atempado sobre a Europa, ao longo de meses não se explicou bem o que foi estando em causa, secundarizou-se que Portugal, ainda mal esquecida está a fase traumática dos fundos uns mal aplicados, outros desviados e os restantes vazados, por exemplo, para o vizinho do lado, formulasse o seu problema europeu para encontrar as suas soluções europeias.É claro que, em democracia, o debate tem a força da água - quanto mais se retém, maior é a sua força motriz, e quanto mais impositivamente se deafia mais depressa dá em bruta.
O que envenena a democracia não é o debate, irradie ele das representativas luzes parlamentares, ou tenha sede nos que dão a representação e sem os quais não há democracia representativa. O que envenena é a falta de debate. E debater não é ouvir e calar, permitindo que a negociação se faça em nome de gente calada, sobretudo num tema como a Europa que é o principal tema português.
Ora, estamos mal se, quando telefonamos para a Europa, ouvimos uns barulhinhos no telefone.
22 outubro 2007
São Paulo. Cônsul-geral
José Guilherme Queiroz de Ataíde, ministro plenipotenciário de 1ª classe, foi nomeado cônsul-geral de Portugal em São Paulo.
O que o SEF haveria de recordar
A carta do STCDE (Público, 20), a propósito do artigo "Falta de oficiais do SEF potencia imigração ilegal para Portugal" (José Bento Amaro, idem, 16), com declarações do presidente do Sindicato do Pessoal de Investigação do SEF, Gonçalo Rodrigues, obriga a uma trabalheira e a uma pergunta:
Voltaremos ao assunto.
- Trabalheira: reler o livro de Freitas do Amaral (os tais "15 meses") em que aborda a questão e zurze
- Pergunta: Então porque saíu o Cônsul-geral de Luanda?
Voltaremos ao assunto.
Quanto a blogues do FCO e no MNE. Lenga-lenga
Pelo que está a chegar a NV, parece que muita e bem colocada gente concorda em que o MNE acolha no portal oficial blogues da Casa, com Luís Amado, Manuel Lobo Antunes, João Cravinho e António Braga na esteira de Davis Miliband e Jim Murphy no britânico FCO.É claro que sendo longínqua essa hipótese, que em certo sentido equivaleria a acabar com a cultura dos punhos de renda, e ainda assim admitindo-se que António Ramalho Ortigão (embaixador em Islamabd e acreditado como não residente no Afeganistão) entrasse nesse exercício para ombrear com o seu homólogo britânico em Cabul, Sir Sherard Cowper-Coles, já seria milagre que as Necessidades concedessem oportunidade a um dos diplomatas que entraram como adidos em 24 de Janeiro deste ano - ao acaso e por exemplo, Sílvia Dias Inácio -, para medir talento com a jovem e nada fleumática Sarah Russell. Mais remota seria a permissão para que o conselheiro comercial em Santiago, Eduardo Carvalho Henriques, marcasse a presença que Maria Pia Gazzella marca a partir do Chile, e afastada de todo estaria a possibilidade de Jorge Veludo, o presidente do STCDE, blogasse no MNE - quanto a isto, nem o FCO se atreve a dar exemplo.
Toda esta lenga-lenga, para se deixar sugerido que, enquanto Luís Amado não decidir imitar Miliband, podem escrever para Notas Verbais, todos sem excepção, a começar pelo Inspector Diplomático, o Embaixador José Luíz Gomes... Ficaríamos imunes.
Voilà. Custa saber isto
- ■ João Pedro Henriques (DN/22), com base em anotações interpretativas, observa e bem que «O Tratado Reformador permite afinal a pena de morte nalgumas circunstâncias (tempo de guerra)» o que contradiz posições da UE e, mais perto do que é importante, a tradicional posição portuguesa. Escreve o jornalista que «tentou, em vão, obter um comentário da presidência portuguesa da UE». Custa saber isto.
- É claro que, como todos os tratados, o Tratado de Lisboa tem que passar pelo crivo da Procuradoria Geral da República que, nesta matéria, nunca se colocou no vão. João Pedro Henriques, bata à porta do Duque de Palmela, onde só em alegoria o trabalho e a força moral ficam à porta...
Voilà. Filosofia Zau
- ■ Pelo excelente Observatório da Língua Portuguesa - parabéns, Francisco Ramos! - chega-nos um ensaio de Filipe Zau (antigo conselheiro da CPLP) sobre a educação em Angola. Já aqui tínhamos dito haver duas filosofias no mundo: a filosofia Zen e a filosofia Zau. Esta é Zau.
Briefing. Tratamento do Tratado.
Briefing. Quem deseja ir longe poupa a montada.
Racine tinha razão.
Racine tinha razão.
1- Declaração prévia
2 - O estilo Paulo Bento
3 – O lema
4 – Parlamentos nacionais, diplomacia europeia com santos pelo meio, Presidente do Conselho, veto
5 - Referendo
(Declaração prévia – A sala está cheia, muito obrigado. Depois destes meses de ausência é confortável sentir-vos em peso. Estou à vossa disposição. Mas antes, permitam certificar-me que a porta-voz da presidência portuguesa, Clara Borja, não está na sala.)
(Voz - Não está!) - Então podemos começar.- (O Tratado de Lisboa é legível ou ilegível?) – Desculpe a incorrecção, mas para si o que é?
(É ilegível, complicado, labiríntico…) – Aí está! Quem por ofício deve explicar à sociedade o resultado de uma negociação diplomática, não pode declarar-se incompetente e ignaro. Ou está no ofício, sabe, tem preparação e está apto a explicar, ou dá a vez a outro. Ler instrumentos diplomáticos não é propriamente folhear a revista Caras que é outra montada.
(Está muito agressivo!) – Se assim entende. Ninguém, nos principais jornais credíveis dessa Europa, escreveu que o ficou acordado e nos termos em que ficou, é ilegível, complicado e labiríntico…
(E em Portugal, escreveu-se isso?) – Escreveu-se. Levar a opinião pública a pensar assim, não define ofício. Quanto mais de nivela por baixo em Portugal, mais se lê o El País e o El Mundo, não estranhem, ficando-se a saber mais por linhas tortas o que Portugal perde a partir dos ganhos de Espanha do que pelas linhas estilo Paulo Bento.
(Está a referir-se apenas a jornalistas ou também a políticos?) – Naturalmente que também ou sobretudo a políticos.
(Dê um exemplo desse estilo Paulo Bento a propósito do Tratado e deixe-se de insinuações!) – Com todo o gosto. No estilo Paulo Bento, é assim: Foi uma vitória/ fizemos tudo para ganhar/ a alternativa era perder/ merecemos ganhar/ tivemos força moral/ averbámos o que era possível averbar/ os 27 são um grupo difícil/ mas o nosso objectivo/ passou por fazer melhor/ do que os outros 26 no passado/ o querermos fazer melhor do que no passado/ implicou ter dois objectivos/ continuar na Europa/ e passar à fase seguinte/ um objectivo é mais difícil do que o outro/ esta vitória contrariou os prognósticos/ não abdicámos em cada negociação/ discutir o resultado/ que é o que temos feito em todas as negociações/ Kaczynsk, Brown e Prodi são três jogadores que admiramos/ mas sabíamos que estavam do outro lado/ e por isso/ competiu-nos fazer melhor do que eles/ cedendo os flancos/ para tratarmos do tratado…
(… Basta! Basta!!! – coro de vozes) – Claro que basta! Apenas dei um exemplo.
(Mas esse Paulo Bento quem é? É do Conselho, da Comissão, negociador português) - Admito que não o conheçam - é o embaixador itinerante da filosofia nacional que já chegou às razões de estado que poupam a montada. - (Este Tratado de Lisboa é igual, ou apenas mais ou menos semelhante à defunta Constituição?) – Olhe, simbolicamente o lema foi retirado, mas o lema da União continua a ser aplicado com todo o rigor – Unida na Diversidade.
(E os restantes símbolos?) – Foram extirpados, mas nenhum dos 27 abandonou a sala lá porque a bandeira da União foi a única entidade que não bebeu Murganheira. Além disso, todos os 27 pagaram em euros despesas em Lisboa, até Miliband que foi à FNAC do Colombo comprar um CD com o Hino à Alegria da Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven. Finalmente nenhum estado decretou arrancar do calendário a folha de 9 de Maio. Querem coisa mais legível, compreensível e menos labiríntica? Como sabem os britânicos adoram constituições não escritas… Foi-lhes feita a vontade. - (Deixe-se símbolos, vá ao que interessa. Como ficam os parlamentos nacionais na fotografia?) – Os parlamentos nacionais ganham poder de veto, podendo devolver à Comissão projectos que invadam as suas competências mas apenas se, em caso de tal oposição, somarem um terço de todos os parlamentos nacionais da UE.
(Quer dizer que…) – Quero dizer que é legível, compreensível e nada labiríntico. Se S. Bento deseja ir longe que poupe a montada. Portugal poderia ter-se batido por uma segunda câmara mas não teve montada.
(E quanto à diplomacia europeia? Há mesmo) – O Tratado de Lisboa também é claro – a política exterior comum recebe grande empurrão, com pequeno passo à Jean Monnet. O alto representante passa a ter uma crescente influência real, com o seu reconhecimento formal e acumulando a vice-presidência da Comissão. Ainda que não se intitulando MNE europeu, como dirá a sábia diplomacia do Vaticano, se o alto representante for um S. Francisco de Assis todo mandarão nele, até as pombinhas; mas se for um Tomás de Aquino, aí vem escolástica. É legível e nada labiríntico.
(Solana é S. Francisco ou S. Tomás?) – Javier Solana, se deseja ir mais longe, tem que poupar a montada.
(E quanto a essa figura de Presidente do Conselho?) – Voilà! Aí é que bate o ponto. O anterior tratado era escrito, com este, o de Lisboa, a Constituição vai sendo também não escrita. Na verdade já não estipula o macroestado europeu mas os passos vão nesse sentido ou no sentido da UE como instituição. A presidência da UE deixa de ser rotativa a cada semestre de estado – será assumida por uma mesma pessoa em mandatos de dois anos e meio, renováveis. Como sabem, nas constituições não escritas, um mandato de dois anos e meio renovável, dá cinco. Se, como os britânicos querem, o primeiro presidente for Tony Blair, haverá macroestado ou ele não seja Blair; se, como os franceses desejam, o presidente do Conselho for Claude Juncker, macroestado será a montada. Querem coisa menos ilegível, menos incompreensível e sem labirintos?
(Gostei do seu Voilà, pois o francês está em extinção. Mas quanto a essa complicada história do bloqueio de decisões? A UE ganha agilidade?) – Complicada? O senhor acha que o novo regime de decisões por maioria qualificada, para um bom número de matérias para as quais acaba a regra da unanimidade, é uma história complicada? Muito embora o direito de veto fique reservado para a política exterior, orçamental e fiscal – daí a importância do santo em serviço – maiores transferências de soberania vão ser um facto legível, compreensível e nada labiríntico.
(Esquece que em 2014…) – Não, não estamos esquecidos. Em 2014, a votação de decisões será por dupla maioria – o apoio de 55 por cento dos estados e que representem 65 por cento da população de toda a UE. Mesmo que a Madeira se torne independente, Gibraltar esteja resolvido e Paulo Bento seja MNE em 2014, não será por isso que as contas não serão legíveis, compreensíveis e nada labirínticas.
- (Parece que está contra o Tratado de Lisboa…) – O senhor é jornalista ou o referendo em pessoa?
(Estou aqui acreditado como…) – Então não se desacredite! Quem apoia o mais, apoia o menos, embora Portugal não possa dizer o mesmo que os espanhóis, preferindo falar como Paulo Bento.
(O que é que os espanhóis dizem?) – Que a Espanha foi a que mais lugares perdeu no Parlamento Europeu com o Tratado de Nice, e, agora, com o de Lisboa, foi quem mais ganhou. Bem, meus senhores, minhas senhoras, este briefing terminou. Falaremos do referendo em próxima oportunidade, seguramente antes de 2014.
Voilà. Conselho de amigo, aviso do céu
- ■ Sobre Tratado e referendo, Francisco Sarsfield Cabral.
Hoje no Público (papel ou na net para assinantes).
■ Editorial de El País, "Beatificación militante"
A propósito de Vaticano e mártires.
Foreign Office cria blogues. Miliband dá o exemplo...
- Seria uma revolução nas Necessidades se Luís Amado criasse um blogue no portal das Necessidades, mas é o que Miliband já está a fazer e, segundo parece, com alegria.
Ora, é o que o Foreign Office acaba de concretizar com seis pioneiros, à cabeça dos quais está precisamente o homólogo de Luís Amado, mas onde também não falta o correspondente de Manuel Lobo Antunes, completando por ora o quadro, a adida comercial no Chile (Maria Pia Gazzella), um secretário de embaixada colocado em Bruxelas (Lindsay Appleby), o embaixador britânico no Afeganistão (Sherard Cowper-Coles) e uma jovem diplomata acabada de entrar neste mês de Outubro na carreira (Sarah Russell) cujo recurso ao YouTube, NV não resistem em sugerir aos diplomatas acabados também de entrar nas Necessidades para que possam comparar diferenças de estilo e permissões.
No blogue de Miliband, um curioso post (dia 19, por certo de Lisboa...) intitulado INSIDE THE EU MONSTER, remetendo para a cópia da carta enviada por Gordon Brown ao Dear José (que é Sócrates) e, que a esta hora soma quatro comentários não menos curiosos.
21 outubro 2007
Turquia/PKK. Londres tem a sua agenda
Até agora, ao que conste, não houve declaração PESC talvez por ser Domingo, mas Miliband, apesar de ser Domingo, antecipou-se nestes termos:
- "I utterly condemn the latest attacks by the PKK and send our deepest condolences to the families of the victims. I want to express my complete solidarity with the Government, Armed Forces and people of Turkey.
"Let us be clear. The PKK is trying to destroy the Turkish Government's efforts to improve the situation of people in the south east of the country, provoke conflict between Turkey and Iraq and damage regional stability. Turkey's friends admire the resilience it has shown in seeking to resolve the issue of Iraqi territory being used to support these attacks. The Turkish Government is right to seek a solution through dialogue with the Iraqi Government. We support the continuation of those efforts and urge the Iraqi Government, with the support of the Kurdish Regional Government, to take the necessary steps to prevent the use of Iraqi territory for these purposes.
"I call on all in the region, especially Iraq, to express their disgust at these attacks. I call on the international community to be unequivocal in its condemnation of PKK terrorism and to support Turkey in restoring stability."
Tratado de Lisboa. Briefing anunciado
Nesta Segunda-feira, NV retomam os briefings.
Trataremos do Tratado.
Dos Notadores. Aparecido
No Notador Ch. Cal.:
- «Entrei há pouco no blogue da Embaixada em Brasília e verifiquei que aí . atempo e horas, se dava destaque ao falecimento do embaixador José Aparecido.»
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Notadores
Vagas em organizações internacionais
- Nunca é demais chamar a atenção de quem está em condições e que, por circunstâncias várias, pode não saber.
É um bom seviço do MNE que poderia ir mais além.
→ AQUI
20 outubro 2007
Morte de Aparecido de Oliveira. Três omissões lamentáveis e uma indigna
Se há posição oficial, não consta por aí
É lamentável que a Presidência da República , primeiro-ministro, Ministério dos Negócios Estrangeiros e CPLP não tenham emitido uma nota sobre o falecimento de José Aparecido de Oliveira. No caso da CPLP não é apenas lamentável, é indigno.
- Cavaco Silva sabe quem foi Aparecido e que papel desempenhou
- Sócrates tem a obrigação de saber
- Luís Amado tem o dever de não esquecer
- Luís Monteiro da Fonseca/CPLP devia curvar-se perante a memória do pai da organização
José Aparecido de Oliveira

- Temia que, algum dia, tivesse que escrever isto: morreu José Aparecido de Oliveira. Um grande amigo, como muitos dos meus amigos sabem. Desculpem a nota pessoal.
Carlos Albino
Embaixador Agapito no porreirismo nacional
- Ele, que em 14 ministros nunca dera o mais leve sinal da sua simpatia partidária, apertou a mão a um, depois ao outro, comovido, quase com lágrimas, vozeirão embargado, procurava uma palavra profunda e digna a dizer:
- - Meus caros! Há coisas porreiras não há, pá!?
O plebeísmo fulminou os dois líderes europeus - não ousaram fixá-lo. E Agapito ali ficou , com o tratado numa das mãos, a outra no bolso das calças fazendo saliência suspeita em obediência diplomática à etimologia da palavra.
- Agapito, não foi bonito.
19 outubro 2007
Diplomacia e Política
Era previsível – O medo do referendo abre perversamente portas aos adversários da integração europeia que, julgando estarem a travar um combate - o seu combate - apenas ajudam também perversamente os que, por medo declarado e calculismo, querem evitar o referendo. A diplomacia fez o seu trabalho, a política estraga-o.
A discussão envenena?
- Será que, para além do de Portugal, os restantes 26 chefes de governo também declaram que «uma discussão» sobre o tratado e sobre o referendo «apenas enveneraria» algum exercício? Em democracia, qual a discussão que envenena?
Procedimento político
- O texto definitivo do Tratado já é conhecido.
- Foi sendo dito e garantido que, quanto e referendo ou não, apenas depois de conhecido o texto.
- Então porque é que se remete agora para depois das 27 assinaturas de 13 de Dezembro? Receio de que alguma seja apócrifa?
Vá lá, o champanhe! Mas para quê carnaval?
- Quanto a isto, inteiramente de acordo com José Pacheco Pereira. Quem hoje passou os olhos pelo Foreign Office e pelo Quai d'Orsay (não falando das chancelarias de Madrid e de Roma...) constatou isso. O provincianismo português continua a ver a Europa como o seu quintal.
Lá mais para diante, iremos às fontes.
A mais recente graça nos Claustros...
- Como é sabido, o humor dos nossos diplomatas prima pela troca de letras ou jogos com letras, e pouco mais tendo em conta a Inspecção Diplomática.
Jovem secretário de embaixada, mostrando empenho:(Muitos risos nos Claustros)- Mais um êxito para a nossa diplomacia, o Tratado de Lisboa...
O interlocutor, já sabido conselheiro:- Tratado de Lisboa ou... trAmado de Lisboa?
Quem tem cuidados, não dorme
À hora da festa, não se sentindoisentado pela posição da presidência da UE sobre a matéria, in reaction to the attack on Benazir Bhutto, the Foreign Secretary, David Miliband, said in Lisbon:
- "
I am appalled by the attacks in Karachi that have killed at least 100 people and injured many others. I condemn utterly the use of violence against entirely innocent people and the attempt to suppress the right of Pakistanis to express their democratic voice. I share the shock of the Pakistani community in the United Kingdom at these horrific attacks.And I commit the government of the United Kingdom to work with all those committed to building a peaceful and democratic Pakistan.
Tratado por tratado
Quanto ao Tratado, Luís Amado espera a «conclusão do trabalho durante a noite de hoje».
Mas, concretamente, o que é que Portugal obteve? Que vantagens?
Mas, concretamente, o que é que Portugal obteve? Que vantagens?
18 outubro 2007
A propósito. Vale a pena recordar
Pois vale. As Necessidades, no Governo de Santana Lopes (posse a 17-07-2004) ficaram com o seguinte comando:
- Embaixador António Monteiro, MNE
- Henrique Freitas (Negócios Estrangeiros e Cooperação)
- Mário David (Assuntos Europeus)
- Carlos Gonçalves (Comunidades Portuguesas)
Digamos que é verdade
Três B's. O site da presidência portuguesa da UE, está bom, está bem, está bonito. A chama de gás está perdoada.
Solução à portuguesa. Presidente do PE deixa de contar...
Solução portuguesa para a Itália, revelada por um espanhol que abdica do benefício. Logo, é verdade.
A presidência portuguesa da UE propôs a concessão à Itália de mais um eurodeputado para superar a recusa italiana em aceitar a futura composição do Parlamento Europeu. A solução acaba de ser descrita pelo secretário de Estado espanhol, Alberto Navarro, que deixa assim Clara Borja, porta-voz oficial da presidência portuguesa, a Oeste de Madrid que é aquele local onde toda a gente diz “tanto segredo para nada”.Solução à portuguesa, porque para satisfazer a pretensão italiana, o Presidente do Parlamento Europeu deixa de entrar no cômputo geral dos 750 eurodeputados, permitindo à Itália 73 assentos em paridade com o Reino Unido, mantendo a França 74. Resta saber se o Presidente do PE é deputado ou não é, se deixa de ser para o ser ou se passa apenas a parecer que é, sendo. Essa questão de legitimidade institucional fica para depois mas que resulta de expediente, resulta.
Navarro garantiu que o expediente obteve o apoio dos próprios representantes do PE na Conferência Inter-Governamental (CIG) que está a negociar o novo Tratado, sugerindo justificar o seu papel de porta-voz ad hoc anunciando que a Espanha está disposta a aceitar um tal compromisso, com o objectivo de facilitar um acordo, embora também pudesse exigir um assento adicional, à custa de um vice-presidente não se sabe, mas porque não? Se Navarro não disse a verdade, está feito.
Do Vaticano. Nada de metáforas
De Frei Bermudas, legado no Vaticano, que mais rápido que o embaixador Rocha Páris não pode ser:
- "
Ora o Vaticano - este ora não é de orar -, no dia da crucial cimeira em que poderia dar uma palavrinha para os 27 em Lisboa, cala-se. Oficialmente apenas refere a visita da Presidente do Chile, Michelle Bachelet, dá conta de uma exposição sobre o Apocalipse nos Museus do Vaticano (até 7 de Dezembro), referindo ainda a publicação do discurso do arcebispo de Dublin, nas Nações Unidas, a propósito do XL aniversário da encíclica Populorum Progressio, além das cinco audiências do Papa e de quatro nomeações de bispos.Sobre a Europa, a sabedoria da diplomacia papal não tem nada a dizer – é assunto terreno enquanto não estiver resolvido, pelo que todos os observadores junto da Santa Sé são unânimes em comentar, aqui, que a exposição sobre o Apocalipse não é metáfora.
O ADN da Alta Diplomacia...
Santo Deus! - exclame-se em cinzento. Como o Expresso já está a fazer as Notas Verbais que Londres e Lisboa trocam!
Escreve Luísa Meireles:
Assim sendo, é licito perguntar: Mugabe é o culpado do desaparecimento?
Escreve Luísa Meireles:
"
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou esta quinta-feira, durante a Cimeira da União Europeia, a decorrer em Lisboa, que vai ter uma reunião, ao final do dia, com José Sócrates e onde será discutido o caso Maddie.
Segundo o lider trabalhista, para além dos dossiês de política europeia, um dos assuntos focados entre os dois chefes de estado será o da actuação da polícia portuguesa e inglesa desde o desaparecimento, a 3 de Maio, da menina inglesa, do apartamento da Praia da Luz, no Algarve.
Assim sendo, é licito perguntar: Mugabe é o culpado do desaparecimento?
Comezaina diplomática. Ou esturro
Pelo Expresso (Mafalca César Machado), se fica a saber que...
Apropriadamente, cheira a esturro. História → AQUI
Ler também como a Missão em Nova Iorque, chefiada pelo embaixador João Salgueiro, prometeu a comezaina → AQUI
Acabou mal a Quinzena Gastronómica de Portugal nas Nações Unidas: os quatro cozinheiros convidados para representar o nosso país foram proibidos de trabalhar... na cozinha. Vieram-se embora e protestaram junto do embaixador português na ONU.
Apropriadamente, cheira a esturro. História → AQUI
Ler também como a Missão em Nova Iorque, chefiada pelo embaixador João Salgueiro, prometeu a comezaina → AQUI
Aguardemos
- Caso o Tratado tenha êxito, apenas se lamentará o ofuscamento de Luís Amado, como já se percebe que está a acontecer à maneira do cinema mudo.
- Caso o Tratado não tenha êxito, apenas se lamentará que o protagonismo seja endossado a Luís Amado, como sempre acontece quando não se percebe.
Enquanto não há implementação do Tratado Despiciendo...
Já são 8 as palavras que Pedro Correia «odeia», a saber: Implementação, Acessibilidade, Governabilidade, Obstaculizar, Contratualizar, Despiciendo, Listagem, Problematizar.Se tais palavras são odiáveis, ou pela sugestão iliterata que carregam, ou pela sonoridade que desafina qualquer discurso - então Despiciendo, que parece escama de réptil de há 315 milhões de anos! – imagine-se Pedro Correia a ouvir em rondas negociais ou a ler em papéis de chancelaria um «vamos implementacionar», aquela difícil «acessibilidanização», uma suposta «medida governabilizável», um africano «contratualizamento», uma asiática e sic «competitividade listaginável» ou até, igualmente em ável, uma latino-americana «problematizicionável questão sustentável»… E isto para não falar daquela portuguesa tirada na iminência de falhanço de acordo: «Essa proposta é uma protérvia”, que o tradutor verteu prontamente para qualquer coisa como «favorável à Sérvia», como se os sérvios fossem protervos, palavra que, por enquanto, é despicienda para o excelente Corta-Fitas e onde não foi problematizada, até porque antes disso ainda há a «imagem não disponível».
Não reconheço Vital Moreira na figura de adenda
Sobre isto, naturalmente que é bom que assim seja e continue a ser. Mas quanto à adenda, é bom discorrer que os editoriais e abaixo-assinados dos últimos meses em Portugal contra os "graves atentados à liberdade de imprensa", não têm a ver com a boa posição de Portugal em matéria de liberdade de imprensa, mas apenas com o que, licitamente, os beneficiários dessa 8.ª posição pensam que pode vir a acontecer com o novo quadro legal.
Quanto a esta adenda, trata-se de provocação dispensável e deslustrosa: ninguém com seriedade por aí disse que o País caminha a passos largos para substituir a Coreia do Norte ou a Eritreia como os piores países para a liberdade de imprensa... E regista-se a provocação porque ela é demais - método para insultar como este, possivelmente só na Coreia do Norte e na Eritreia contra quem esteja contra o regime ou alguma coisa do regime. Não reconheço Vital Moreira a desempenhar esse papel.
Quanto a esta adenda, trata-se de provocação dispensável e deslustrosa: ninguém com seriedade por aí disse que o País caminha a passos largos para substituir a Coreia do Norte ou a Eritreia como os piores países para a liberdade de imprensa... E regista-se a provocação porque ela é demais - método para insultar como este, possivelmente só na Coreia do Norte e na Eritreia contra quem esteja contra o regime ou alguma coisa do regime. Não reconheço Vital Moreira a desempenhar esse papel.
Embaixador Agapito...
Pois que se esperaria de um vozeirão de jogador?
- - Meu caro! A Santa Casa perdeu grande oportunidade de um sorteio sobre se há ou não Tratado! Então esta não será uma cimeira de 27 apostadores mais o apostador Barroso?
┌ Ponto↔Crítico ┐ 13 A Pobreza e a "imagem" de Portugal
De grande dignidade, foi a posição do Presidente da República sobre a pobreza em Portugal. «Envergonho-me desta posição», disse. Poderia calar-se, evitar o assunto, desdramatizar a evidência ou assobiar para o lado em nome da imagem de Portugal - não o fez, assumiu a verdade que está à volta e que entra pelos olhos muito antes de as estatísticas, como juízes tardios, forçarem o muro da hipocrisia.
Sem vergonha, há uns meses, o ministro Manuel Pinho já tinha argumentado, por outras palavras e para chineses, as vantagens da pobreza de Portugal para a competitividade internacional, como se a situação fosse motivo de orgulho, crendo-se que se levou a sério depois de ter sido suportado e pela forma como foi suportado. Ficaram atónitos todos aqueles que, não tolerando já a hipocrisia, muito menos aceitam que a esperteza sacrifique a inteligência.
Na verdade, ser-se Presidente de uma República de pobres não é motivo de orgulho e de glória, mas lá por isso a política não tem que ser pobre e tender, ela própria, para a miséria. Ora, não se exige ao Chefe de Estado um decreto presidencial para eliminar a pobreza - é impossível. O que se espera dele nas suas funções é o magistério, que usa como quer e quando quer. Como Presidente da República, ao usar sem subterfúgios a palavra vergonha, exerceu esse magistério que, no caso da pobreza, vale por cem decretos presidenciais que, como toda a gente sabe - mais pobres ou menos pobres - seriam inaplicáveis.
Alguns responsáveis públicos, e de entre estes decisores, são amiúde tentados a sacrificar a verdade em nome da imagem de Portugal. Foi assim, no antigo regime, quando, em nome de tal imagem, MNE e embaixadores se esforçavam nas capitais ocidentais em provar que no País havia democracia, progresso e quanto a pobres nem pensar. Infelizmente, essa obsessão de «salvar a imagem» à custa da realidade transitou para o regime democrático - não raras vezes com recurso a operações de marketing político acompanhadas domesticamente pelas revoadas dessa horrível palavra da auto-estima, como se estima perdessemos sabendo que somos pobres e sabendo que estamos na cauda da Europa nas matérias essenciais - é o problema.
Ora, reconhecer o problema, mesmo que nos envergonhemos do problema, é o primeiro passo para se encontrar a solução. Por isso, desculpem lá os cultores da imagem de Portugal por qualquer preço, mas tenho que dizer: Obrigado, Presidente - formulou o problema, estimule a solução.
Carlos Albino
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Ponto Crítico
┌ Parabéns ┐
- Jorge César das Neves, 1.º secretário de embaixada
(em requisição/destacamento no Conselho da UE)
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Aniversários
17 outubro 2007
Cacaus públicos que dão em privativos e depois em privados
É claro que os emigrantes sabem. As receitas do Fundo para as Relações Internacionais orçamentadas aumentam dos 12.596.564 € em 2007 para os 17.900.772 € em 2008: ou seja 42%! Dos emolumentos consulares virá a maior fatia: 17.500.000 €, nada menos.Como perguntaria o conselheiro Ruella, o que é que emolumentos consulares têm a ver com o Centro Jacques Delors e com a MUDIP (Associação Mutualista Diplomática Portuguesa)?
O que está em causa não é a justeza ou justiça de subsídios àquelas entidades ou a entidades semelhantes, entidades privadas na generalidade. O que está em causa é que receitas colhidas por serviços do estado caiam em fundos autónomos que por sua vez funcionam como tesouro privativo e à margem do estado, muito embora a coberto de engenharia jurídico-financeira prestem vagas contas sobre baços critérios consolidando regalias excepcionais. Está mal e mais mal está quando para o resto do estado não é assim, contradizendo o que Teixeira dos Santos dia-sim, dia-não repete para cultivar aquela adesão geral dos que não conhecem ou dificilmente podem conhecer o que orçamento esconde.
Menezes! Não vá a Maringá!
É que depois da tal descoberta de duas centenas de militantes sociais-democratas encurralados entre canibais numa pequena reserva da Amazónia chamada Maringá, Menezes prometeu uma visita à reserva que, afinal, não fica bem na Amazónia mas ali muito perto, no Paraná para onde os índios fugiram em massa e onde são contumazes. Mas como avisa o Anuário Diplomático e Consular Português (pág. 135), também o consulado em Maringá está vago, pelo que, sem protecção consular, no meio daqueles índios honorários, a visita é de risco porque cada um deles conta por dez, têm penas de arara atadas ao cabelo e ossos atravessados nas narinas. Não vá - nem Cesário, nem Braga conseguiram até hoje encontrar um selvagem honorário e sem argolas na língua que represente Portugal nessa reserva.
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