25 maio 2007

Sem comentários, porque Portugal tem embaixadas a mais

Da agência Lusa, a seco:

    Lisboa, 25 Mai (Lusa) - Cinco portugueses e dois espanhóis foram detidos na semana passada em Riga, Letónia, depois de terem pisado e destruído bandeiras daquele país, e aguardam a sentença do tribunal, de acordo com a imprensa letã.

    "Cinco cidadãos portugueses e dois espanhóis foram detidos em Riga por profanarem a bandeira da Letónia", confirmou hoje à Lusa a agência noticiosa letã LETA. De acordo com a agência, os jovens, com idades entre os 25 e os 36 anos, que estavam e visita à Letónia, tiraram uma bandeira da Igreja da Nossa Senhora dos Lamentos e começaram a pisá-la.

    O grupo terá, entretanto, tirado outras bandeiras nacionais da Letónia porque "quando viram a polícia, deitaram duas ao rio Daugava, mas não tiveram tempo para se livrar de outras três que tinham com eles", afirma a LETA.
    Segundo a edição online do jornal The Baltic Times, "os jovens estavam visivelmente bêbedos".

    Os cinco portugueses e dois espanhóis foram presentes no dia seguinte ao Tribunal Distrital de Riga, que lhes decretou a prisão.

    Na altura, a assessora do juiz Dzintra Balta disse que os detidos poderão recorrer da decisão do tribunal quando receberem o veredicto na sua língua. Os jovens incorrem numa pena de prisão que pode ir até três anos de prisão ou a uma multa até 50 ordenados mínimos.

    Os cidadãos espanhóis disseram a um representante da Embaixada espanhola na Letónia que os visitou que "não pretendiam mostrar desrespeitos, queriam apenas uma recordação", segundo a LETA.

    A Embaixada de Espanha lamentou o incidente e diz que se tratou mais de um acto de vandalismo do que de uma profanação premeditada à bandeira letã.

    Já a Embaixada de Portugal em Riga, contactada pela Lusa, preferiu o silêncio, remetendo qualquer comentário para a Secretaria de Estado das Comunidades.

    MCL.
    Lusa/fim

Regra para 2071. Tem futuro

    Mas então a subjectividade não foi a regra do MNE em 1947 ? Por que razão a regra não haveria de ser retomada em 2071 ?

Corte

Nada de substantivo. Nada de relevante, além das partidas e chegadas. Numa coisa assim, só os bobos animam a corte.

19 maio 2007

┌ Argumentário ┐O avião de EDU

┌ Expresso ┐ A história relatada hoje pelo Expresso, de que o Presidente angolano José Eduardo dos Santos quer adquirir para uso exclusivo das suas viagens oficiais e particulares um Boeing de 101,6 milhões de euros, é na verdade um caso de direitos humanos e merece a solidariedade internacional.

Cônsules honorários

Será prudente o MNE publicar a lista oficial dos cônsules honorários que representam estados estrangeiros em Portugal e aceites por Portugal...

Grande revelação

António Braga "revelou" à Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros que o cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio vai ser exonerado... Será nomeado outro? E para quê e porquê um honorário em Cabo Frio, se um dos poucos portugueses residentes na área está detido? Não bastará um quiosque?

É claro que, na troca de galhardetes, José Cesário seria o último a aceitar-se como tendo autoridade moral em matéria de cônsules honorários. Não passamos disto - a troca de galhardetes.

18 maio 2007

Sondagens...

Os Barómetros NV, sobre os decisores do MNE, encerram segunda-feira (21). Vote.

Novo governo francês. Senhores e senhoras, sem bizantinices

São senhores e senhoras, sem os pruridos e as manuelinas do protocolo lusitano. Oficialmente, do Eliseu partiu assim:

  • M. François FILLON, Premier ministre
  • M. Alain JUPPE, ministre d'Etat, ministre de l'écologie, du développement et de l'aménagement durables
  • M. Jean-Louis BORLOO, ministre de l'économie, des finances et de l'emploi
  • Mme Michèle ALLIOT-MARIE, ministre de l'intérieur, de l'outre-mer et des collectivités territoriales
  • M. Bernard KOUCHNER, ministre des affaires étrangères et européennes
  • M. Brice HORTEFEUX, ministre de l'immigration, de l'intégration, de l'identité nationale et du codéveloppement
  • Mme Rachida DATI, garde des sceaux, ministre de la justice
  • M. Xavier BERTRAND, ministre du travail, des relations sociales et de la solidarité
  • M. Xavier DARCOS, ministre de l'éducation nationale
  • Mme Valérie PECRESSE, ministre de l'enseignement supérieur et de la recherche
  • M. Hervé MORIN, ministre de la défense
  • Mme Roselyne BACHELOT-NARQUIN, ministre de la santé, de la jeunesse et des sports
  • Mme Christine BOUTIN, ministre du logement et de la ville
  • Mme Christine LAGARDE, ministre de l'agriculture et de la pêche
  • Mme Christine ALBANEL, ministre de la culture et de la communication, porte-parole du Gouvernement
  • M. Eric WOERTH, ministre du budget, des comptes publics et de la fonction publique
  • M. Roger KAROUTCHI, secrétaire d'Etat auprès du Premier ministre, chargé des relations avec le Parlement
  • M. Eric BESSON, secrétaire d'Etat auprès du Premier ministre, chargé de la prospective et de l'évaluation des politiques publiques
  • M. Dominique BUSSEREAU, secrétaire d'Etat auprès du ministre d'Etat, ministre de l'écologie, du développement et de l'aménagement durables, chargé des transports
  • M. Jean-Pierre JOUYET, secrétaire d'Etat auprès du ministre des affaires étrangères et européennes, chargé des affaires européennes
  • M. Martin HIRSCH, haut commissaire aux solidarités actives contre la pauvreté

Esta partiu de quem?

Se é verdade que as novas normas do MNE excluem os funcionários consulares de acções de formação apenas porque prestam serviços em consulados e só por isso, ficando segredados dos funcionários colocados em secções consulares de embaixadas que também só por isto têm direito à formação, o assunto merece briefing.

Qual foi a cabeça pensadora?

Como se faz um Embaixador

    O problema não é o de haver mais cinco ministros plenipotenciários, dois e meio ou noventa que fosse. O problema é que o crisma de ministro plenipotenciário faz um embaixador. Está hoje publicado na folha oficial a forma como o mérito dos conselheiros de embaixada em condições de promoção a ministro plenipotenciário é avaliado pelo Conselho Diplomático - critérios gerais e complementares, ponderação e factores circunstanciais.

    Numa primeira leitura, isto dá para tudo - para padrinhos e para afilhados, sobretudo se o peso for determinado por funções de nomeação estritamente política e confiança pessoal, as quais se não devem penalizar também não devem favorecer. Ler AQUI.

Dos Notadores. O incidente do diplomata saudita

Charles Calixto. Exactamente, de um dos notadores mais estimados:
    "
    Não conheço os detalhes do incidente, mas esta "versão" da história com o diplomata árabe publicada pelo CM "cheira-me" a influenciada pela própria Polícia. Ora se há fauna que irrita particularmente a PSP portuguesa são precisamente os diplomatas estrangeiros... Interessaria ouvir também a versão contrária.

    Convém lembrar que a imunidade existe precisamente para salvaguardar os diplomatas e, sobretudo, o seu trabalho profissional de certo tipo de "pressões" (bem conhecidas de muitos diplomatas...) das autoridades locais.

    Por outro lado, a imunidade não é absoluta. Caso haja sido praticado algum delito pelo diplomata, ele poderá ser sempre processado, julgado e condenado no seu País de origem.


Em tempo: o problema é que o visado não responde.

17 maio 2007

Diplomacia das arábias

História, hoje, no Correio da Manhã, envolvendo o segundo secretário de embaixada da Missão diplomática do Reino da Arábia Saudita em Lisboa. É mais um trabalho para as Necessidades (porque tudo terá que passar por aqui), com o embaixador Mohammed Al-Rashid a ficar certamente numa situação desconfortável. Mas Portugal deve compreender estas coisas porque já experimentou situações não tão graves, mas mais ou menos semelhantes.

O essencial da história

"
Guinava à esquerda e à direita o carro do corpo diplomático quando a PSP o fez parar, na madrugada de sábado. Era o segundo secretário da embaixada da Arábia Saudita e andava pelas ruas de Lisboa com um pneu furado. Depois fugiu e quase atropelava um dos agentes, mas foi apanhado, insultou e ameaçou-o. Abriu a porta do carro e desferiu um violento soco no peito do polícia.

A jante já raspava no asfalto, ainda não eram 02h45, quando o árabe de 41 anos ouviu a sirene para encostar à direita. Disse logo que era diplomata e que estava a caminho de “uma estação de serviço”, adiantou uma fonte policial ao CM, e “foram-lhe pedidos os documentos”.

Mas insistiu que era um diplomata e que “não podia ser fiscalizado”, arrancando a “grande velocidade” pela Avenida Carlos Pinhão. Um dos agentes “teve de se desviar da estrada para não ser atropelado”.

O segundo secretário da embaixada saudita estava farto da insistência dos polícias e, mal saiu do carro, bastante exaltado, desferiu um “violento soco no peito” do primeiro agente que lhe saiu ao caminho, avisando-os pela última vez: “Vocês não me podem estar a fazer isto, olhem que eu sou diplomata! Ou me deixam seguir em paz ou estão todos f...”.

A polícia não cedeu às ameaças e este diplomata árabe, já a incorrer num crime até cinco anos de prisão, foi detido e levado para a 14.ª esquadra da PSP dos Olivais. Só que o árabe nem assim desarmou e, num misto de inglês com mau português, brindou um agente da PSP à sua frente com novo insulto. “Tu não passas de um porco com uma arma. Vai-te f...”

Ler a notícia toda AQUI pois nunca se sabe se o BID a transcreverá do Correio da Manhã.

Dos Notadores. Sobre Amado e UE

De A.S.
    "
    O essencial do que diz o Ministro Amado é também a opinião já expressa por Seixas da Costa que a negociação do novo Tratado deve ser feita a partir do texto do antigo. Até aí tudo bem.

    A questão essencial é saber se Portugal está disposto a aceitar uma proposta de mini-tratado limitado às questões institucionais como pretendem os Grandes dentro da UE ou se está disposto a liderar um grupo de médios e pequenos países, como aconteceu na negociação do Tratado de Nice, de forma a que haja um equilíbrio entre os interesses dos Grandes e dos Pequenos Países.

    A comunitarização de certos sectores é essencial, a criação de um Senado com igual representação dos Estados Membros é uma garantia em que devíamos insistir antes de abrir mão das decisões por unanimidade no Conselho. Sobre se haverá referendo ou não já muito se falou, provavelmente para escamotear as questões que são verdadeiramente importantes! Gostaríamos que o Ministro Amado fizesse o seu primeiro "discurso de substância” sobre o que pensa sobre a Europa e os interesses de Portugal na UE.

16 maio 2007

Sondagens...

    Como diriam Martins da Cruz, Teresa Gouveia e Freitas do Amaral: «Pode-se duvidar delas, mas as sondagens das Notas Verbais nunca andaram longe da verdade». Se não disseram, sentiram.

    Votem que os resultados estão bonitos.

Luís Amado, é assim?

Pediu Amado que as negociações para um novo tratado europeu "decorram com serenidade e sem mais ruído", afirmando que "precisamos de um novo tratado rapidamente, independentemente de como o vamos chamar" mas que a base do novo texto "deve ser" o do Tratado Constitucional...

Sugerirá Amado que um certo estilo de precipitar a integração da Europa , tão ao gosto da elite burocrática transgovernamental que se habituou a tomar decisões complexas, com rapidez e sem ruído, no pressuposto de que os europeus concordariam incondicionalmente, sugerirá o ministro que tal estilo provavelmente disfarçado não irá redundar num atoleiro maior do que aquele que à evidência provocou?

A propósito: ruído, para Amado, é já sinónimo de debate, ou o ministro refere-se a outra coisa que por vezes se chama com outro nome?

Transparências sindicais no MNE

Quando faz eleições, o STCDE (funcionários no exterior) tem o cuidado de divulgar quantos sócios votaram e quantos votos foram escrutinados. A ASDP (diplomatas) nada revela, apenas diz quem ganhou. Foi o caso das eleições de 19 de Abril - votaram 4, 40 ou 400? Que fantasma acordará na Capela daas Necessidades em dizer isso?

┌ Credenciais ┐João Santos Lucas

Escreve João Santos Lucas no Diário Económico:

    "
    (...)

    Portugal tem Embaixada em oito dos dez mais importantes clientes extracomunitários, mas não tem Embaixada nos países que no primeiro trimestre de 2007 ocupam a terceira e quarta posição como mais importantes clientes portugueses extracomunitários: Singapura e Malásia. Os dois países do sudeste asiático passaram a deter em conjunto 11,6% do total das exportações extracomunitárias. As exportações para a Malásia tiveram um crescimento de 660%, em relação a igual período do ano passado, e seguem um padrão de exportações semelhante ao de Singapura, já que 87% são produtos electrónicos, entre estes circuitos integrados . A exploração de outros mercados, por parte das empresas portuguesas, só teria a ganhar com a abertura duma Embaixada nestes países e com o desenvolvimento duma forte articulação com a nossa diplomacia.

Dos Notadores. É o bicho, é o bicho

Do Notador do Rio, Precison File, que sabe:
"
Muito se tem falado sobre os "bicheiros" do Rio, e as ligações perigosas a figuras políticas portuguesas. Torna-se necessário compreender como é feita a política no Brasil, para se ter uma ideia, dos verdadeiros interesses em que se move toda esta "bicharada"...

As forças partidárias no Brasil, não se enquadram ideologicamente em rigorosamente nada. Elas movem-se unicamente no jogo de interesses, e conluios, se for útil para as partes, e acima de tudo, se os proventos dessas alianças, renderem aquilo que todos almejam, os dólares e/ou euros, depositados o mais longe possível do Brasil…

Natural se torna portanto, que os "bichos" daqui, julguem haver alguma similitude na política portuguesa, e que naturalmente, o demonstrem, sem qualquer complexo, no seu modo de agir.

Se é verdade que toda a gente reconhece no industrial português detido, o mecenas do PS no Rio, também é verdade, que ninguém o conhece como inscrito ou militante do PS. Assim como, não se lhe reconhecem grandes proximidades a Cavaco Silva, mas era dele, a sede em Oliveira de Azeméis utilizada pelo candidato…

Por um lado, fala-se muito na proximidade deste "bicho" a António Braga. Aqui ninguém acredita nisso. Mas, por outro lado, o que dizer do assessor de Cavaco Silva, que segundo consta, viajou ( com esposa, claro… ) com tudo pago, de Lisboa ao Rio de Janeiro para assistir ao Carnaval em camarote de luxo com todas as mordomias ? Tudo por conta da "bicharada"...

O "Xenhor Xesário" ou o Deputado Bacalhau, que se deixem de palpites, ou como aqui se diz no Brasil, "não cutuquem onça, com vara curta"...

Pedida condenção do MNE por amnésia de 11 meses Corrigido

Não foi necessário ir a Ankara para se ficar a saber pelo Livro de Ponto - terrível mas excelente arquivo digital dos serviços jurídicos do STCDE (Jorge Mata) - que na sequência da acção administrativa respeitante à actualização salarial de 2005 do pessoal do quadro único de vinculação, o MNE demorou cerca de onze meses (330 dias) a dar integral execução ao acordo de actualização salarial firmado em 14 de Dezembro de 2005, muito para além do prazo acordado pelas partes. Nas alegações finais é pedida a condenação das Necessidades pela amnésia.

Tal como se alega

"
Nestes termos,
    E nos mais de direito, sempre do douto suprimento de V. Exa., deve a presente acção ser julgada procedente e provada, no segmento respeitante aos juros legais moratórios peticionados, pelo que o MNE e o MFAP deverão ser condenados a pagar aos associados do STCDE, as quantias, a liquidar em execução de sentença, correspondentes aos citados juros de mora, vencidos entre 1 de Janeiro e 31 de Outubro de 2006, por referência aos montantes remuneratórios pagos, em Novembro do mesmo ano, a cada um deles, por força da actualização dos valores dos índices 100 operada pela Portaria n.º 1083/2006, como é de inteira Justiça.»

O que é a Birmânia?

Naturalmente que Lisboa preocupar-se com o que se passa na Birmãnia apenas prejudicaria a preparação da presidência.

O que é a Sérvia?

Londres e Paris saudaram hoje formalmente a formação do novo governo de Belgrado saído da coligação dos partidos democráticos sérvios. De Lisboa, nem uma palavra - prepara a presidência.

Putin avisou...

Putin avisou Solana que não permitiria que o Alto Representante da UE fizesse a Serguei Lavrov o que fez a Condoleezza Rice - como a foto prova é a cultura diplomática europeia no seu melhor:

Alto Representante ou Alto Ausente?

A cimeira UE-Rússia de Samara não deve durar mais que breves horas e o Alto Representante da UE para a Política Externa, Javier Solana, não deverá sequer estar presente.

Solana é Alto Representante ou Alto Ausente?

Embaixador Agapito...

Ofegante, o embaixador Agapito arfava, arfava. Parecia ter cumprido correria olímpica desde o Cabo Rio Frio até Oliveira de Azeméis:
    - Meu caro! Só para si! Só para si! Portugal vai propor aos signatários de Viena a substituição da Convenção sobre relações Consulares pela Convenção sobre Quiosques e Downloads. Mas não diga a niguém! Se a República das Ilhas Fiji sabe, rouba a ideia.

Provincianismo e bagagens perdidas

1. É que essa continuada justificação da "preparação da presidência", antes do ministro partir e depois de chegar, quando o secretário de estado levanta voo ou recebe "o seu homólogo" que por vezes não passa de director-geral, essa continuada justificação até já parece do género daquelas explicações forçadas do adolescente faltoso para ir ao cinema onde não vai, sendo outro o filme ou fita repetida.

2. Há meses e meses que o mundo só existe para esse Portugal das Necessidades quase exclusivamente para a "preparação da presidência" sendo já uma excepção refrescante o CAGRE, coisa que soa tão horrivelmente que nem o dicionário da Academia nem o de Houaiss acolhem. Atirar foguetes por se ir ao CAGRE, sem se dizer depois ao menos quantas canas foram apanhadas, já não é apenas a prova do provincianismo da diplomacia, é já o provincianismo a provar se ainda há sempre alguém que resiste.

3. É que não se passa das partidas e das chegadas. O essencial e o que interessa são bagagens perdidas de Amado, Antunes e Cravinho já que as comunidades portuguesas, pelo efeito de simpatia, tendem a ser virtuais.

15 maio 2007

Evangelho segundo S. Bicho......e comentário ao apocalipse

Leiam a boa nova:


Meditem no comentário ao apocalipse:
    "As declarações de Ana Gomes são de uma pequenez tão inimaginável que não vislumbro forma de as comentar", disse António Braga à agência Lusa.

Conclusão de um antropólogo amador:
    «Por estas e por outras é que os aborígenes da Austrália inventaram o boomerang que é um instrumento de grandeza tão imaginável que não se vislumbra forma de o evitar.»

Abrir o livro dos cônsules honorários...

E não seria de abrir o livro dos cônsules honorários em Portugal? Porque será que o MNE resiste, para já, a publicar a listagem oficial para que se saiba quem e quantos representam o quem?

Contas da República e com a República

José Cesário recorda-se certamente do tratamento que Notas Verbais destinaram à sua enormíssima calinada da nomeação do padre como cônsul honorário em London (Canadá) em instalações de sacristia. Não temos dois pesos e duas medidas para avaliar casos semelhantes em que a sacristia seja meramente substituída por bingo. É tão grave colocar coisa da República em lugar sagrado, como sujar o mais sagrado lugar da República como seja a sua representação, com coisa conspurcada de ilegalidade ou por hipótese de suspeição criminosa.

Claro que tanto London como agora o Cabo Rio Frio facilmente se transformam em pretextos para acertos de contas dentro dos partidos ou entre barões e baronesas de partidos, cada qual vingando honras feridas com bom pretexto e argumentos que, para além das aparências, apenas têm a validade dos normais acertos internos de contas partidárias. Não vamos nessa.

O que importa é sublinhar o ânimo leve com que se nomeiam representantes do estado (letra minúscula) e, por via disso, representantes da República (letra maiúscula). Nomeia-se sem indagar bem o perfil da personalidade, sem escrutinar as provas que dá ou possa dar de probidade e sem avaliar adequadamente a excelência de cidadania. É como se bastasse que alguém influente ou poder de decisão diga «é um tipo porreiro» para que o nome desse tipo seja impresso na folha oficial adornando-o com a honra da República. É grave que isto tenha acontecido no caso de London, continua a ser grave neste caso do Cabo do Rio Frio.

Além disso é chocante que um membro do governo volte a sugerir a propósito do Cabo Rio Frio (tal como outro justificou o de London) que a nomeação de um cônsul honorário dependerá apenas da oferta de instalações e do pagamento das despesas de funcionamento da representação da República... Mas então, António Braga, mesmo num estado com letra minúscula, a cavalo dado não se deve olhar ao dente?

Preparação da viagem

Agora digam que Portugal não tem sabedoria secular: Mal com a Estónia por amor à Rússia. Mal com a Rússia por amor à Estónia.

A fórmula. Que dirá Freitas?

Oh senhor prof. Freitas do Amaral, tanto trabalho há um ano para os concursos públicos de conselheiros depois da limpeza dos afilhados, para esta fórmula que se repete? É preciso ter topete.

(Clique para ampliar)

Dos Notadores. Mais um concurso...

Fala Catão:
"
O Chefe de Gabinete do Ministro do Trabalho foi nomeado Conselheiro na Embaixada junto da OCDE! Contenção de despesas só para alguns? Concursos? Mérito, ou...

Possivelmente...

... ainda o cônsul honorário do Cabo Rio Frio vai ser um cabo dos trabalhos.

Dos Notadores. A Estónia e a «família da UE»

"
Descontada toda a inabilidade que as autoridades estonianas tenham manifestado, a ausência de reacção dos Parceiros da Estónia na União Europeia no caso do episódio da estátua em Tallin vem demonstrar à saciedade como a UE já não é (se é que algum dia foi) uma familia, e menos ainda um grupo de países aliados que partilham uma politica externa comum e uma politica europeia de segurança e defesa. Já tinhamos, anteriormente, assistido à UE silenciar a Polónia face à Rússia.

Seria bom que os futuros negociadores do substituto do Tratado Constitucional fossem alertados - já que não dão sinais de terem entendido o exercicio anterior - para o risco que advém para um país pequeno não ter disponível nenhuma garantia (por exemplo, a unanimidade, ou um Senado com o mesmo número de representantes por Estado Membro) para que possa accionar a solidariedade dos outros Parceiros no Conselho, sobretudo num momento em que se está forjando uma aliança entre os chamados Grandes para impôr um mini-tratado, que não será mais que um reforço dos seus votos no Conselho e do número dos seus deputados no Parlamento Europeu, sem a contrapartida da comunitarização de sectores que aos países mais pequenos interessa.

[Resposta→ao→remetente]

Sem dúvida! Quem disse que Portugal não tem ou não cultiva as relações externas? O que não cultiva e não tem é uma política externa.

14 maio 2007

[Barómetros] Até 21 de Maio Ministro e Secretários de estado a votos

Momento oportuno - meio mandato, antes da presidência e ao que se chegou, até 21 de Maio, façamos a contas sobre o MeNE Luís Amado, o SeAAE Manuel Lobo Antunes, o SeNEC João Cravinho e o SeCP António Braga, em votações separadas. Já podem participar. Oxalá que, desta vez, as dificuldades com o registo de votos estejam ultrapassadas.

Entretanto, quanto aos barómetros anteriores, sobre se «Portugal deve fazer tudo por uma cimeira UE-Brasil», maioria de 70.37% disse sim contra 29.63% com o não. E ainda sobre a tal «Nomeação de Sampaio para Aliança de Civilizações», 55.56% opinaram que se justifica, e 44.44% que não.

┌ Ponto↔Crítico ┐ 8 A falta de jeito do papa

Ao despedir-se do Brasil, o papa Bento XVI entendeu pronunciar-se sobre os rumos da Venezuela de Chávez e da Bolívia de Evo Morales. Podia tê-lo feito no Vaticano, antes de partir para a América Latina ou no regresso ao Estado da Santa Sé. Se o tivesse feito no Vaticano, junto do qual estão acreditados embaixadores daqueles dois estados sul-americanos, o pronunciamento do papa teria obviamente um explícito valor político e diplomático. Fazendo-o no Brasil, um estado terceiro e alheio, terá o papa julgado que falou de entre as nuvens ou como que a partir do céu que é o lugar mais ou menos espiritual onde se faz política e diplomacia supostamente com imunidade.

Para além de se duvidar da eficácia da mensagem papal junto de Chávez e de Morales, embora não citados directamente mas os destinatários identificados, é muito provável que o papa tenha contribuído para agravar o problema – o problema do autoritarismo e do populismo na América Latina propensa a isso.

Ao papa não bastou a lição que devia ter colhido quando, também em estado terceiro, exacerbou o mundo muçulmano com a ingénua citação de Manuel II Paleólogo numa universidade alemã (Ratisbona), e pela qual teve que pedir desculpa, em Setembro do ano passado em Castelgandolfo, debaixo de fortes medidas de segurança depois de um grupo terrorista iraquiano ter ameaçado atacar em Roma e na sequência de protestos, entre outros, do presidente da Indonésia e do Irão. É certo que, num primeiro momento, com essa do Paleólogo, o papa ganhou o epíteto de corajoso mas perante as consequências da simples citação que motivou o incêndio de igrejas na Cisjordânia e o assassínio de uma mulher italiana, Rosa Scorbati, a Irmã Lionella, em Mogadíscio, o pedido de desculpas papais aos crentes muçulmanos não só anulou a excepção corajosa como foi equivalente a desnecessária humilhação.

É lícito relacionar a imprudência de Rabistona com os considerandos do Brasil, porquanto Bento XVI dá mostras de pouco jeito para lidar com o gládio temporal, se é que o deseja acrescentar ao gládio espiritual que inegavelmente possui. Tal falta de jeito revela-se também nas omissões, como no caso da Turquia quando Ergodan tornou público que Bento XVI apoiava o ingresso daquele país na União Europeia – não foi verdade, mas o Vaticano calou-se, certamente para não ressuscitar sequelas da crise de Manuel II Paleólogo em função da qual a viagem foi programada.

Nesta viagem ao Brasil, o papa não ganhou muito, e, a ver vamos, apenas terá complicado. Num estilo diferente, pelo menos para efeitos mediáticos, ao antecessor João Paulo II pouco faltou para reduzir Fidel Castro à dimensão de pastorinho de Fátima, tanto que a sua morte levou o ditador cubano a reentrar na catedral de Havana, assistindo a uma missa, depois de 45 anos sem pôr os pés numa igreja católica e a escrever no livro de condolências: "Descanse em paz, batalhador incansável pela amizade entre os povos, inimigo da guerra e amigo dos pobres". E isto porque João Paulo II ia ao sítio e falava cara a cara - tinha a noção da política e da diplomacia que Bento XVI revela não ter.

Carlos Albino