
No paraíso fiscal, a imunidade é a maçã.
- Manuel CXXVIII Paleólogo©
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Relações internacionais.

COMO O TEMPO PASSA. Neste dia, há 29 anos - era MNE, João de Freitas Cruz - entraram para a carreira como adidos de embaixada:
Não há ninguém que explique a Vasco Pulido Valente que não há Diplomacia do Pedinte, mas apenas Protocolo do Pedinte também com suas dispensas e privilégios?
OLHA QUEM FOI MINISTRO Dois - um, há 187 anos, e até era filósofo; outro, há 176 anos, interino, foi assassinado quatro anos depois.
Silvestre Pinheiro Ferreira que neste dia mas em 1821 assumiu os estrangeiros, foi um dos mais notáveis publicistas da cultura portuguesa, deixando marca no direito público francês (pertenceu-lhe a ideia consolidada do poder de sufrágio, depois desenvolvida por Hauriou) e com concepções políticas próprias (influenciou Proudhon, por exemplo), mas foi mais um a não ser profeta na sua terra. No Brasil, no entanto, consideram-no como que pai-fundador do liberalismo de lá. Acompanhou a coroa para o Rio onde viveu de 1810 a 1821, período em que produziu grande parte da sua obra. Estudou com os Oratorianos, formando-se em Filosofia. As suas Prelecções Filosóficas (1813), resultado das lições de filosofia que ministrou no Real Colégio de São Joaquim, no Brasil, será a mais importante das suas obras.
Agostinho José Freire, interino por três meses nos Estrangeiros (neste dia, em 1832, no governo de Palmela mas em dissonância com este) foi defensor da causa liberal, participou na Guerra Peninsular, fora deputado às Cortes Constituintes de 1821, ministro da Guerra e ministro interino da Marinha, nomeado por D. Pedro IV, e já em 1835 haveria ainda de se ministro do Reino. Na sequência da revolução de Setembro de 1836, quando se decidira a abandonar a vida política, Agostinho José Freira foi chamado ao Palácio de Belém pela rainha, e quando para aí se dirigia, alguns soldados da guarda real, postados na calçada da Pampulha, assassinaram-no.
OLHA QUEM FOI O PRIMEIRO DOS MINISTROS Exactamente, Marco António de Azevedo Coutinho, com funções reportadas à sua nomeação neste dia de Julho de 1736, embora apenas tenha tomado posse em 1738.
OLHA QUEM FOI MINISTRO Depois do 1.º e único conde de Porto Santo (ontem, como interino) há 181, seguiu-se hoje há 181 anos, o 7.º conde da Ponte, também interino. Mais perto mas já longe, em 1929, Henrique Trindade Coelho era empossado como MNE. Mas evoque-se alguém que não foi MNE e que, neste dia há 34 anos, tomava posse como secretário de estado dos Negócios Estrangeiros: Jorge Campinos.
Em 1929, Henrique Trindade Coelho (filho de José Trindade Coelho, o de Os Meus Amores, mas não saíu ao pai), foi MNE por escassos 20 dias, cruzando-se ainda com António de Oliveira Salazar então apenas nas Finanças (Ivens Ferraz, chefe do governo) e quando estava na forja, por Linhares de Lima, a Campanha do Trigo. Henrique Trindade Coelho foi amigo pessoal de Mussolini, certamente pela oportunidade ou circunstância próxima de ter sido embaixador junto da Santa Sé. Quando estalou o 28 de Maio, Henrique Trindade Coelho era director do diário O Século e pessoa da maior confiança de Gomes da Costa.
Jorge Campinos, neste dia há 34 anos, tomava posse como secretário de esatdo dos Negócios Estrangeiros (Mário Soares, MNE). Nasceu em 1937, foi um dos fundadores do PS, foi ainda ministro do Comércio Externo no VI Governo Provisório e ministro sem pasta no I Governo Constitucional, participou nas conversações que conduziram ao reconhecimento, por parte de Portugal, da independência da Guiné e S. Tomé e Príncipe, foi ainda juiz do Tribunal Constitucional e deputado europeu. Em 1988 foi escolhido para o cargo de director dos serviços jurídicos do Parlamento Europeu e funcionário da Comissão Europeia. Morreu em Moçambique vítima de acidente de viação, a 30 de Julho de 1993. Muitos o recordam, alguns o evocam.
CONTAGEM DECRESCENTE Falta 1 dia para se constatar 272 anos.
COMO O TEMPO PASSA. Neste dia, há 32 anos - era MNE, José de Medeiros Ferreira - entraram para a carreira como adidos :Se Fernanda Leitão diz, é porque é mesmo assim.
CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão
PORTUGUESA DE MÉRITO
Susy Soares, uma popular figura da comunidade portuguesa no Canadá, acaba de assumir a direcção do departamento Diversity, por decisão da administração da OMNI Television, num documento em que não poupa elogios à nossa compatriota.
Tendo entrado ao serviço do grupo Rogers em 1986, como voluntária, no termo da sua passagem pela Universidade de Toronto, bem se pode dizer que Susy Soares fez uma carreira a pulso, por exclusivo mérito, tendo sido uma fiel e atenta colaboradora da evolução de uma estação televisiva multicultural que, actualmente, tem a funcionar estações subsidiárias em várias províncias do Canadá.
A OMNI, por si mesma, e por parcerias com televisões doutros países, entre os quais Portugal e o Brasil, abrange um universo de milhões de espectadores de costa a costa deste imenso país. De passagem se anote que, ao comprar a popular estação City TV e um esplêndido imóvel na Dundas Square para instalação de todos os seus serviços televisivos, o grupo Rogers mostra que está confiante no futuro. Susy Soares é, sem dúvida, uma peça importante desta empresa que vem a servir os emigrantes de 160 países que vivem no Canadá. É um quadro de empresa de alto gabarito profissional.
Descendendo da família Amorim dos Arcos de Valdevez e tendo casado com um cidadão de Ponte de Lima, Amaro Soares, Susy tem pautado a sua vida por um alto perfil moral e um grande apego aos valores portugueses. Os seus dois filhos, Nicole e Michael, ambos estudantes da Universidade de York, foram criados nesses valores e no gosto pela língua portuguesa.
Sempre disponível para ajudar quem precisa e as boas causas da comunidade portuguesa de Toronto, Susy Soares fez por suas mãos o seu lugar de prestígio neste país que acolhe 650 mil portugueses, o que vem a ser um legítimo orgulho para a comunidade lusa.
A Diplomacia de Resultados em vez de representar, soma; em vez de proteger, subtai; em vez de informar, multiplica; em vez de promover, divide; em vez de negociar, faz de conta, e em vez de tantos aborrecimentos de estado com essa coisa da extensão externa do serviço público, diverte-se com a fórmula E=mc².
OLHA QUEM FOI MINISTRO Dois interinos: o Conde de Porto Santo, neste dia em 1827 e por um dia apenas, e Cândido José Xavier em 1833 mas por três meses.
Alexandre de Saldanha da Gama, 1.º conde de Porto Santo, já tinha sido titular da pasta dos Estrangeiros entre 1825 e 1826, oficial da marinha, foi ajudante de campo do duque de Sussex, foi maçon, governador do Maranhão (1802-1806) e de Angola (1807-1810), representou Portugal no Congresso de Viena (1814-1815), embaixador na Rússia (1815-1818) e em Espanha (1820 e 1823). Depois da celebérrima vilafrancada é feito conde de Porto Santo, retornando à embaixada de Madrid. Morreu sem descendência e o título de Porto Santo morto ficou na adjacência.
Sobre Cândido José Xavier, oficial do Exército e secretário particular de D. Pedro IV, teve protagonismo nas guerras liberais, mas antes com outra história: fez parte da Legião integrada nos exércitos de Napoleão Bonaparte na Batalha de Wagram e na Batalha de Borodino e integrou a força de invasão do general André Massena em Portugal, por essa razão condenado à morte, por traição, pelo conselho de regência mas aguentou-se exilado em Paris até que a Revolução de 1820 lhe anulçou a sentença, regressando a Portugal, e, reintegrado no posto de sargento-mor, subiu na política. Dele disse Oliveira Martins que «tinha a astúcia e com ela a tenacidade dos ambiciosos e a impertinência própria dos caracteres subalternadamente dominadores»... Ainda hoje se conhece o género.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 2 dias para os 272 anos, mas não há motivo para nervosismo.
Foi dito e por aí se repete que o primeiro-ministro José Sócrates defendeu hoje que “a língua portuguesa é um instrumento potenciador da cultura e dos laços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, acrescentando José Sócrates “ser necessário transportar o português para o mundo”.
ESTAMOS num momento interessante, pelo menos para mim, ao nível das ideias e das estratégias em jogo.
Em primeiro lugar, o Ministro Amado ao assumir o compromisso de elaborar um documento sobre o futuro das relações transatlânticas para a Reunião Informal de MNE's, em Setembro, em Avignon, toma uma iniciativa interessantíssima em política externa europeia que paralelamente, em termos internos portugueses, pode levar a um reequilíbrio da vertente excessivamente europeista que tem caracterizado a nossa politica externa desde 1986.
RECEBI ONTEM uma notícia que me agradou especialmente: o outrora Vice-Cônsul de Portugal na Embaixada em Rabat, Fernão Quintanilha dos Santos, após um processo na justiça que durou mais de 6 anos, foi ilibado.
Como é costume no MNE, com este "pessoal de segunda categoria", não há qualquer contemplação e, assim, resolveram exonerar o Vice-Cônsul, instaurar-lhe um processo disciplinar e entregar o caso ao Ministério Público. A acusação foi esta: ter permitido que o Chefe de Missão (naquela época era o Embaixador Brito e Cunha, já aposentado e sobejamente conhecido por ter arranjado problemas a vários colaboradores) utilizasse os dinheiros públicos como se fossem seus próprios (adquiriu viaturas acima do valor permitido; fez obras na Residência sem autorização, etc.). Esta situação não seria tão criticável se ao principal beneficiário destes gastos tivesse sido também instaurado um processo, mas não o foi e pelo contrário ainda foi arrolado como testemunha principal.
ISTO de José Eduardo dos Santos e, agora também, de Armando Guebuza privilegiarem pela ausência, durante a Cimeira da CPLP, será caso para se pensar, se valerá ou não a pena o investimento político da parte daqueles que nela, ainda, se empenham. A CPLP, pelos vistos, não conseguiu, até hoje, impor-se como Organização para ser levada a sério pela totalidade dos seus componentes, nem tão pouco como instituição capaz de galvanizar os mais altos dirigentes dos países que dela fazem parte. Assim sendo...
Vale a pena continuar a existir? Se Angola e Moçambique não enviam os seus Presidentes a estas Cimeiras, justifica-se a sua continuação? Não são esses gestos reveladores do pouco interesse que suscita a dita CPLP junto daqueles países?

OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia, chegou a vez de lembrar um há 32 anos e recordar outro de há 207 anos...
José de Medeiros Ferreira, neste 23 de Julho de 1976, tomava posse como ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo que exerceu cerca de 15 meses mas de que ficou com muito por contar, e já contou aos poucos alguma coisa. Medeiros Ferreira, antes, fora secretário de estado dos Negócios Estrangeiros com Melo Antunes (desde 19 de Setembro de 1975), enfim, 1975 e 1976, dois anos que, à distância parecem dois meses mas equivaleram a dois séculos. Os dois meses estão contados, os dois séculos é que não.
D. João de Almeida Melo e Castro, figura de hábitos controversos, também neste dia mas em 1801, assumia a secretaria de estado na regência de D. João VI. Com o título de 5.º conde de Galveias, Carlota Joaquina, já a corte estava no Rio, apelidava-o depreciativamente de "Dr. Pastorinhas" por disputas do âmbito da esfera privada de rectaguarda. Adiante, fiquem as coisas positivas, ele foi, apesar de "pastorinhas", o fundador do primeiro laboratório químico no Brasil. João de Almeida Melo e Castro assumiu os Estrangeiros pouco mais de um mês após a assinatura do tratado de Badajoz, entre o príncipe regente, e Carlos IV de Espanha, comprometendo-se este a restituir praças tomadas por Espanha a Portugal, incluindo Olivença - o que até hoje ficou por cumprir. Como registo, anote-se que este 5.º conde de Galveias, em cujo curriculo figura ter sido embaixador de Portugal em Viena, Londres, Roma e Haia, nas discussões que antecederam a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, apoiou a aliança inglesa e a mudança da corte para o Rio, ao lado de D. Rodrigo de Souza Coutinho, contra a aproximação à França defendida pelo marquês de Belas.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 5 dias para aqueles 272 anos. O FRI não podia ter dado um subsidiozinho para alguma coisa de jeito e preceito?
OLHA QUEM FOI MINISTRO Não mais que interino, há 140 anos, Carlos Bento da Silva, na pasta dos Negócios Estrangeiros, no governo de Sá da Bandeira.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 6 dias para aqueles 272 anos que mereceriam mais tom de festa do que de velório.
(Obrigado. Queria saber se, afinal, o novo regulamento do MNE existe ou não, se é projecto, anteprojecto, proposta, sei lá!) – A rigor, para o novo regulamento do MNE, há um texto que tem vindo a ser alterado e que partiu de um borrão de ante-projecto, depois passou a ante-projecto a tender para projecto, mas, repito, não foi apresentado como projecto passível de discussão pelas partes interessadas.
(Não tenho que lhe dizer.) – O senhor está aqui acreditado em que qualidade? Mostre o seu cartão. Mostre cá…
Foi Confúcio que fez o melhor SIADAP da carreira diplomática portuguesa: Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é demais.
PARA QUE NÃO SE REPITA O secretário de um dos últimos concursos diplomáticos, confrontado com tratamentos desiguais de candidatos em matéria de tempos de preparação, explicou de pronto que responder a esse tipo de imprevistos faria parte da praxe para se ser diplomata... E com isto, mandava regras estabelecidas às ortigas, sobretudo as tais regras concebidas para dar iguais oportunidades a todos os candidatos.
(Senhor especialista Palha, Tahoma é assim mesmo importante para a política externa portuguesa?) - Bem, pá, é. Bem vistas as coisas, pá, os políticos externos estarão numa grande porque Tahoma, pá, é a fonte padrão do sistema operacional Windows, distribuída primeiramente na versão 95, pá. E então, pá, a Tahoma é uma fonte de grande importância por apresentar um número muito completo de caracteres unicode, e também, pá, é a mais compatível com as diferentes línguas. E então, nós, pá, aqui no MNE, temos que ir nessa, pá, o Tahoma é bué da fixe.
COMO O PETRÓLEO REACTIVA A proposta surgiu do Brasil, concretamente do senador Inácio Arruda que acaba de propôr à representação brasileira no Parlamento do Mercosul que avance com a criação de um Conselho de Defesa do Mercosul «com o objectivo de guardar as fronteiras da região».
Será verdade que, todos os dias de manhã, todos os funcionários diplomáticos que exercem chefias na direcção-geral de Política Externa (seja sub director, director de serviço, chefe divisão) têm que ir ao gabinete do director-geral e, em pé - não deve haver cadeiras - serão interrogados sobre o que há de relevante, ou que se preveja que apareça como tal, tendo que ir mesmo que nada haja nem se preveja? Será verdade?
É sabido, desde 2003, que NV muito apreciam figuras, personagens e intérpretes… como diria o mítico ministro plenipotenciário Charles Calixto. Pois o eurodeputado Paulo Casaca está por direito próprio e por vida própria na galeria como «O Imparável». E é mesmo. Pelo que nos últimos dias dele se soube, não parou e tudo leva a crer que não parará:
O político nunca deve dizer com pompa de agora «nunca até sempre»; o diplomata deve dizer na circunstância de sempre «nunca até agora».
OLHA QUEM FOI MINISTRO Há escassos quatro anos, naquele mês de Julho que foi até Março do ano seguinte, em que a política deixou mazelas.
António Monteiro, precisamente, tomava posse como ministro neste dia em 2004. O seu curriculum é por demais conhecido e os acontecimentos que levaram este diplomata de carreira ao cadeirão das Necessidades, depois da passagem de Teresa Patrício Gouveia, são também por demais conhecidos e amiúde ainda lembrados (anatemizados, como diria o embaixador Fernando Castro Brandão), pelo que, isto por hoje é só para recordar. E já agora relembrança por inteiro: tomavam igualmente posse, como secretários de estado, Henrique (Negócios Estrangeiros e Cooperação), Mário David (Assuntos Europeus) e Carlos Gonçalves (Comunidades Portuguesas). Para uns foi ontem, para outros foi há um século.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 11 dias para que os diplomatas portugueses possam dizer o que os da maior parte das chancelarias europeias não podem sequer imitar, e que é isto: «Há 272 anos que...»
CONTINUANDO... E prova de que o Conselho Diplomático não é estado-maior, nem conselho de magistratura e muito menos conferência episcopal, está em que os principais membros desse órgão do MNE - repita-se, órgão do ministério e não órgão da carreira embora os elementos seja desta - pois tais membros principais estão aí por inerência: secretário-geral (que preside), directores-gerais, inspector diplomático, por aí fora até 9, a que se juntam 8 representantes eleitos em cada grau da carreira (1 pelos embaixadores; 2 por plenipotenciários; 2 por conselheiros; 2 por secretários e 1 por adidos).
MAS O QUE É ISTO? Fartos da era de Cristo, aí temos a era Brito: todos os ofícios, mas todos, mesmo dos sub-directores e directores de Serviço, passam a ser assinados pelo director geral de Política Externa, mesmo que, é lícito calcular, isso implique resmas, e metade de resma que seja, resma inteira ou duas resmas, para assinar diariamente!
QUESTÃO DE PRIMA-IRMÃ Os militares têm o Estado Maior, os juízes têm o Conselho Superior, os bispos têm a Conferência Episcopal e os diplomatas têm o Conselho Diplomático.
Pois diria Anaximandro, que todos os diplomatas derivam de outros diplomatas mais antigos por transformações sucessivas.
SA AS NV ME PERMITEM JULGO faça-se a devida correcção: Francisco Ribeiro de Menezes, conselheiro de embaixada apenas há 6 anos, convem recordar, ainda não é ministro plenipotenciário. É certo que desejo não lhe falta, como a outros conselheiros, tal como na passagem de 1º secretário a conselheiro, então como a outros secretários. Mas não, por enquanto ainda não, faça-se a correcção, a saber - conselheiro de embaixada e chefe de gabinete.
NUNO BRITO e Carlos Neves Ferreira tomam posse da DGPE e do Instituto Diplomático, sem a presença do Secretário Geral, em serviço em Roma. É estranho!
AS CONVERSAS de corredores que as Notas respigam, nem sempre partem de flores que cheiram bem, mas têm imensa piada. A propósito desta conversa sobre SG-Adjunto, que dizer também do facto da também jovem conselheira, desde 2006, Helena Paiva, desde hoje, SubDirectora do serviço de informações? Até sexta-feira era Directora de Serviços dos SPM, na DGPE...
PARECE QUE o instigador do jornalista do Diário de Noticias também tem gabinete no MNE. Tudo parece estar relacionado com a tenaz oposição que o Secretário-Geral Fernando Neves manifestou, no passado, ao Regulamento Consular. No antigo projecto, não havia concursos públicos para os funcionários, a nomeação não era escrutinada de nenhum modo, o que permitia a nomeação de qualquer amigo do nomeante; havia Secretárias pagas pelo erário público para os Cônsules Honorários, para além dos ordenados de luxo, enfim, um rega-bofe!
OLHA QUEM FOI MINISTRO Um adesivo, coisa que por aí mais há. Um adesivo que tomou posse neste dia, em 1919. E tão adesivo que nem dele se encontra fotografia... No que dá ser adesivo.
Conversa nos Claustros:
PINGARÁ? O novo presidente do Instituto Diplomático, Carlos Neves Ferreira, vai seguramente ter muito trabalho, sobretudo em matéria de associações gravitacionais do MNE, na mira de que alguma coisa pingue, porque sempre pinga. O embaixador Neves Ferreira já recebeu uma - uma que ainda anda a recolher dinheiro para pagar a publicação do extracto do estatuto na folha oficia - , mas, segundo corre, mais seis outras associações reclamam chegar a audiências com o responsável do ID para pedir apoios.
Bastantes notaram o erro quando, aqui, se deu a posse do embaixador Carlos Neves Ferreira na inspecção diplomática e não na presidência do Instituto Diplomático onde deveras já está.
NUNO BRITO, PRIMEIRAS MEDIDAS Notáveis! E como são bastantes, vai dar por dias ou, se intervalados estes forem, por semanas...Carta de Manuel Lobo Antunes
O Diário de Notícias tem vindo a publicar uma série de artigos sobre o projecto de decreto-lei do novo estatuto da carreira diplomática, que alimentaram uma polémica (até com chamada de primeira página, como na edição de 8 de Julho), com base num documento, ao qual o DN teve acesso, já ultrapassado há vários meses.
Ao longo destes meses, nunca – com excepção do dia de ontem e já depois de publicada a notícia – o DN contactou o meu Gabinete para obter esclarecimentos sobre esta matéria, apesar de ser conhecido, por todas as pessoas envolvidas neste processo, que eu assumi a responsabilidade pela versão final do projecto de Estatuto remetida ao Senhor Ministro.
A notícia publicada hoje, na edição de 9 de Julho, corrige algumas das imprecisões e erros factuais em que o jornalista Francisco Almeida Leite tem vindo a persistir, como por exemplo a alegada perda de direitos políticos dos diplomatas, solução que seria naturalmente contraproducente e até de duvidosa constitucionalidade.
Mas a ânsia de fomentar a controvérsia continua, como se depreende pela leitura do texto e dos subtítulos. Que fique claro, de uma vez por todas, o seguinte: os diplomatas sempre estiveram vinculados ao segredo de Estado (não há aqui nenhuma novidade "quente"), o Ministério das Finanças sempre teve de autorizar a abertura de vagas no MNE, o novo estatuto não abriu nenhuma "guerra" no MNE, os embaixadores não vão gerir o pessoal a seu bel-prazer.
E finalmente, não é verdade que a última versão do projecto de Estatuto, da minha responsabilidade, tenha sido remetida ao Gabinete do Senhor Ministro apenas ontem. Essa é uma informação totalmente infundada (visto que a mesma foi entregue àquele Gabinete em 24.06.2008), embora eu compreenda que possa constituir um álibi para as imprecisões e erros factuais até aqui publicados nos artigos do jornalista Francisco Almeida Leite sobre esta matéria.
Assumo a responsabilidade política pelas alterações constantes deste projecto de Estatuto, não fujo à polémica ou ao debate sobre o seu conteúdo, desde logo através da imprensa, mas tenho alguma dificuldade em lidar com a falta de rigor, intelectual e jornalístico, que, registo, não costuma ser norma num jornal com a tradição e responsabilidade do Diário de Notícias.
Manuel Lobo Antunes
Secretário de estado Adjunto e dos Assuntos Europeus
E N.R.
Não querendo sequer comentar os considerandos pessoais que o sr. secretáriod e Estado me dirige, mantenho, na íntegra, o que escrevi nos últimos dias. O documento que o DN revelou em primeira mão tem o timbre do MNE e era o único existente à data da publicação dos primeiras notícias. A elaboração de outras versões do estatutop da carreira diplomática, com o intuito de emendar a mão, é da responsabilidade do sr. secretário de Esatdo, como aliás é assumido nesta carta. Mas ainda são os jornais, e não o poder político, a determinar o que é ou não notícia. E um docuimento interno do Governo com a relevância deste é forçosamente notícia.
Francisco Almeida Leite
Jornalista
Passo a reportar o que por aqui soube. As contas do Vaticano relativas a 2007 acusaram um passivo de 9 milhões de euros, depois de três anos de ganhos. Em 2007, entraram nos cofres papais 236.737.207 euros contra 245.805.167 euros de despesas.
Além disso, a actividade de instituições na órbita da Santa Sé (Rádio Vaticano, Tipografia, Osservatore Romano, Editora e Centro de Televisão) apresentaram um défice de 14,6 milhões de euros centrados sobretudo nos custos da Rádio Vaticano e do Osservatore, mas a Tipografia e TV renderam 1.458.754 euros e a Livraria Editora deu um lucro de 1,6 milhões de euros.
A governadoria do estado da Cidade do Vaticano registou contas positivas no montante de 6,7 milhões de euros contra os 21,8 milhões de euros em 2006, rombo não só devido a despesas com o património artístico (restauro da Capela Pauina, trabalhos nas basílicas de São Paulo e de Santa Maria Maior) mas também devido à segurança do Vaticano, além de que a mesma governadoria cobriu metade do défice da Rádio Vaticano (12,2 milhões de euros).
Resta-nos lembrar que este Óbulo de São Pedro é uma colecta de esmolas realizada anualmente pelos católicos do mundo inteiro, surgiu na Idade Média e perdura até hoje. Naturalmente que se comenta por aqui que aaquela doação anónima de quase 10 milhões de euros, é mais do que uma esmola – é uma penitência bem-vinda para as contas papais, de resto apresentadas a 4 de Julho pelo monsenhor Velasio De Paolis, presidente da prefeitura para os Assuntos Económicos do Vaticano.

OLHA QUEM FOI MINISTRO Sobre este dia, há 139 anos, há discrepância: na cronologia oficiosa das Necessidades tomava posse da pasta dos Estrangeiros, José da Silva Mendes Leal, data que outros (designadamente José Adelino Maltez) remetem para 11 de Agosto. Mas como o MNE deve ter documento, fiemo-nos no MNE.
Mendes Leal, escritor, jornalista, diplomata e político, a seguir-se aquela cronologia oficiosa não anatemizada (como diria o embaixador Fernando Castro Brandão...) teria sido substituído interinamente pelo chefe do governo, o duque de Loulé (era este ainda só marquês) a 14 de Setembro, mas voltaria à pasta dos Estrangeiros a 29 de Outubro – governo esse que era já o 6.º da monarquia aberta de D. Luís... Seja como for, a entrada de Mendes Leal para o governo (até Maio de 1870) foi devida à tentativa de reconciliação entre as facções do Partido Histórico, que exigiu a entrada da ala esquerda para o poder, ala onde se incluía Mendes Leal. Coube a este, apresentar no parlamento a sentença arbitral do presidente norte-americano Ulysses S. Grant que dando razão a Portugal no conflito luso-britânico sobre a posse da ilha de Bolama (Guiné). Como responsável dos Estrangeiros, Mendes Leal teve de enfrentar forte oposição do marechal Saldanha, então embaixador em Madrid. De resto o governo caiu na sequência de revolta militar comandada pelo marechal. Curiosamente, nesse ano de 1870, seria discutida no parlamento uma proposta de lei para que os deputados renunciassem aos seus vencimentos face à crise em que Portugal vivia… A partir de 1871, Mendes Leal desliga-se da política e envereda pela actividade diplomática – embaixador em Madrid até 1874, ano em que foi transferido para Paris onde foi comissário de Portugal na organização da Exposição Universal de 1878, tendo também, nesse posto, negociado a Convenção Telegráfica entre Portugal, a Espanha e a França (assinada em 1880) o que não é deslocado referir, pois em alguns aspectos ainda estamos na era dos telégrafos...

A bem da verdade, não sabemos. É cousa (cousa é intencional) para o embaixador Tadeu Soares, presidente do conselho directivo da ASDP e que já foi director-geral de um ex-MNE se pronunciar. Na vez dele, bem pode Miguel Almeida e Sousa (vice-presidente) fazê-lo ou mesmo os secretários Rui Macieira e Gabriela Albergaria, por escala natural Madalena Fischer (tesoureira) e por recurso Sónia Melo e Castro e Joana Araújo, vogais que não consoantes. E se todos estes membros se escusarem, o embaixador José Luiz Gomes, presidente do Conselho Fiscal, por acaso também Inspector Diplomático, não costuma ficar calado, mas se ficar, os vogais fiscais Ricardo Pracana e Luís Cabaço também poderiam tratar da cousa. Em último recurso, naturalmente, a embaixadora embaixadora Margarida Figueiredo, presidente da Assembleia Geral, ou, caso seja proibida de falar dadao que também por acaso é directora-geral, sempre os secretários da dita assembleia, Mário Damas Nunes ou Pedro Sousa Abreu, poderão dar uma palavrinha sobre este MNE em guerra, guerra inoportuna depois do caos. Em todo o caso, é gente demais para, havendo guerra, a ASDP não dar por ela, ou para, no meio do caos, terem sido convocadas assembleias gerais, designadamente assembleias extraordinárias, para se discutir, para discutir o quê? Não se sabe.
O TEXTO do próximo Estatuto Diplomático poderia (julgo que "deveria" seria a palavra mais adequada) incluir, entre outros aspectos, o facto de um diplomata, qualquer que seja a sua categoria, não poder, de futuro, fazer apenas Postos de categoria A e ser obrigado a alternar com outros, de categoria B, ou C.
Dever-se-ia, igualmente, salvaguardar as tentativas de contornar essa obrigatoriedade, como sucede, por exemplo, com aqueles diplomatas que estando colocados em Postos A, para evitarem o sacrifício de uma passagem por um "hardship post", pedem para regressar a Lisboa e, a partir daí, quando voltam a recandidatar-se, fazem-no, de novo, para outro Posto de classe A...com a justificação de que já tinham anteriormente estado num Posto C, que era Lisboa (a Secretaria de Estado!). É um truque habitual, muito usado, que apenas serve para mascarar uma realidade, infelizmente muito comum nesta Casa: a de não se estar disposto a fazer Postos difíceis, a de se ter concorrido à carreira para navegar apenas em "águas límpidas, evitando as turvas".
Portanto, dupla compensação. E há mesmo os que, por virtude dos conhecimentos (ou influências conseguidas) feitos durante esse período, no exercício daquelas actividades, conseguem evitar a colocação (por vezes in extremis) em Postos C. Ora, aquilo que está em causa é a "democraticidade" da carreira (uma certa justiça, digamos), o impedir situações de privilégio e que, sobretudo, se avalie um diplomata através de um conjunto de experiencias profissionais que foi obrigado a enfrentar. Só assim, também, se deveriam oferecer lugares de destaque nas chefias dos serviços internos aos diplomatas.
VOLTO A REFERIR-ME Volto hoje a referir-me à necessidade do DGPE assegurar a coordenação interna e a externa, em nome do MNE.
A política externa é composta de objectivos, meios humanos e financeiros e uma estrutura de coordenação – a DGPE. Por iniciativa do então Ministro António Monteiro, o Conselho de Ministros atribuiu ao DGPE a coordenação interministerial de todos os assuntos que tenham relevância na política externa portuguesa e na política internacional. Como Você sabe, eu tenho sido crítico de algumas opções do António Monteiro, mas devo reconhecer o mérito nesta iniciativa e ainda na maneira como exerceu a coordenação interna, entre DG'S, quando foi o primeiro DGPE.
MINUTOS ALTERADOS MNE da Argentina, Jorge Enrique Taiana, com dia cheio. Primeiro no seminário sobre Oportunidade de Negócios na Argentina (AICEP, Av. 5 de Outubro, 11), daqui para S. Bento (Jaime Gama, 11 horas), depois Belém (Cavaco Silva, 16:30), segue para a Fundação Mário Soares (17:45) e fica o resto do dia com luz solar para as Necessidades (Amado, 19:00 e assinatura de acordos, 19:45).Não dá para perceber muito, mas dá para entender.
E se lhe disserem que, num novo Estatuto da Carreira Diplomática, o secretário-geral obrigará todos os diplomatas a mudarem o dia de aniversário para 10 de Julho, você acredita?
OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia, há 141 anos, um interino muito especial cujo somatório de anos nos Estrangeiros apenas foi superado pelo somatório de Jaime Gama.
João de Andrade Corvo, pela segunda vez interino neste dia 10 de Julho 1867 (uma primeira vez fora em 14 de Dezembro de 1866 já que as mãos estão metidas em velharias) teve a segunda mais longa das permanências na pasta dos Negócios Estrangeiros, em somatório de dias, meses, anos e seis tomadas de posse. Dele, dir-se-á mais lá para Setembro - há tempo. Por hoje, refira-se apenas obra publicada que deixou, porque há MNE's que também publicam, desde que o secretário-geral autorize. Para já, um romance histórico, Um Ano na Corte, em 4 volumes publicados entre 1850 e 1851 (acção em torno dos acontecimentos que provocaram a deposição de Afonso VI). Depois disso, O Sentimentalismo (1871), O Astrólogo (peça de teatro), Economia Politica para Todos (em 1881), Da Água para as Regas (1881), Roteiro de Lisboa a Goa (1882), e Estudos sobre as Províncias Ultramarinas (1884).
COMO AINDA DESCONHEÇO o citado projecto de Estatuto, vou aguardar para comentar. No entanto, devo dizer que considero uma "boutade" a afirmação desse ex-ministro, que julgo ser o Martins da Cruz, porque o direito à educação obrigatória gratuita está na Constituição; se alguém está ao serviço do Estado, os seus filhos devem ter esse direito reconhecido, sejam diplomatas ou militares ou qualquer outra profissão.A propósito do seu artigo no DN de hoje, e não tendo eu qualquer mandato para defender um projecto que é da responsabilidade do Secretário-Geral do MNE - cujo actual titular vai sair para o seu último posto, dentro de dias, e, naturalmente, não será, pessoalmente, o usufrutuário do alegado reforço de poderes que o diploma concederia ao lugar - gostava que soubesse que eu, tal como muitos dos mais antigos embaixadores, actualmente em exercício, fomos informalmente consultados sobre as bases dessa possível reforma e concordamos com as suas linhas essenciais. Esse texto, que naturalmente pode sempre ser melhorado, é o produto de um excelente e responsável trabalho que sei ter tido como louvável objectivo poder permitir que o MNE venha a ser dotado, futuramente, de uma gestão moderna e transparente - aquilo que actualmente ainda não tem e que, também é sabido, o actual poder político deseja conferir ao funcionamento da casa, no âmbito da reforma geral da Administração Pública em curso.
Quanto à questão dos subsídios para o ensino dos filhos dos diplomatas - assunto que pessoalmente não me toca - o modo como o tema é, ciclicamente, explorado pela comunicação social mais não é do uma caricatura demagógica, feita da cultura de despeito que sempre rodeia as leituras exteriores sobre a carreira diplomática. O anónimo e ácido comentário final de um ex-MNE fez-me recordar, nem sei bem porquê, um ponto que o projecto de estatuto, de facto, não prevê: "cunhas" para familiares de diplomatas entrarem na universidade pela "porta do cavalo".
Com cordiais cumprimentos
Francisco Seixas da Costa

OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia, há 82 anos, António Maria de Bettencourt Rodrigues, um médico, discípulo de Charcot em Paris(famoso na área da psiquiatria), exerceu clínica geral no Brasil, foi militante unionista. Ministro dos Negócios Estrangeiros, de 9 de Julho de 1926 a 10 de Novembro de 1928 (substituído, interinamente, por António Óscar de Fragoso Carmona, de 4 a 29 de Setembro de 1926).
A notícia do DN causou naturalmente alguma perturbação no Rilvas e não tanto nas Necessidades, pois colheu de surpresa bastantes diplomatas. Mas a perturbação não se justifica - estamos em condições de dizer que a actual versão do projecto de estatuto dos diplomatas pouco tem a ver com a versão referida por aquele jornal e há muito ultrapassada. Se tivesse sido datada, tudo bem, não admiraria - o país, já lá dizia Augusto de Castro, tem 90 por cento de historiadores e 10 por cento de romancistas.
Ter-se-ão apercebido alguns leitores que retirámos o Ponto Crítico 23 - está para reformulação. Na verdade, a versão do estatuto dos diplomatas de que temos conhecimento contende com considerandos publicados hoje no DN, mas julgávamos que este jornal tinha em seu poder uma versão mais recente e confirmada, tanto que foi caso para manchete. Mas não é assim. A versão vinda a público é muito mais antiga e está ultrapassada - o estatuto há oito meses que está a ser discutido em reuniões frequentes, e se a terra se move, porque não há-de mover-se um estatuto?
OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia, há 79 anos, mais um interino nos tempos da Ditadura Nacional.
Artur Ivens Ferraz que de 8 de Julho de 1929 a 21 de Janeiro de 1930 foi presidente do conselho de ministros, acumulando interinamente, para além dos Estrangeiros, também as pastas Educação, Colónias e Finanças. General do exército, profundamente ligado ao golpe militar de 28 de maio, Artur Ivens Ferraz era trineto materno de Thomas Hickling, um abastado comerciante e vice-cônsul norte-americano em Ponta Delgada, e sobrinho de Roberto Ivens, o explorador do continente africano. Na Grande Guerra, em França, fora designado chefe da missão de ligação com o exército britânico, e após o Armistício, Ivens Ferraz representou Portugal na Conferência do Desarmamento da Sociedade das Nações. Entre 1919 e 1922 fora adido militar em Londres. Há um excelente estudo sobre esta personagem, "A ascensão de Salazar: Memórias de seis meses de governo do general Ivens Ferraz", com prefácio e anotações do saudoso César Oliveira (Edições O Jornal; 1988).
JULGO que parte da concentração de poder no projecto de Estatuto atribuído ao Secretario Geral é fruto de o DGPE ter sido obrigado, por falta de tempo, a não realizar a coordenação interna e externa, estando, na prática, a funcionar como um Director-Geral Bilateral e Multilateral, pois tem de despachar quotidianamente estas duas vertentes, o que não acontecia até à nova estrutura criada pelo PRACE.
Até aqui o DGPE, era o Conselheiro mais próximo do Ministro, coordenava os DG's e só despachava a PESC, que era uma Direcção de Serviços de coordenação das outras Direcções de Serviços das outras Direcções Gerais. Daí o SG pretender, para além do despacho de questões de pessoal que todos os Ministros lhe delegam, ficar com um estatuto acima dos outros DG's para os poder coordenar.Pois que haveria de merecer? → 0.
(De 1 a 5, ou de ♠ a ♠♠♠♠♠ )
Em todos os tratados europeus deveria constar a seguinte cláusula final: "As partes asseguram, por sua honra, que nada neste tratado foi colhido no Google".«Soy enemigo de la reelección presidencial. En América Latina jamás ha funcionado para bien, pero toda regla tiene su excepción. Una admirable Ingrid Betancourt –admirable por su serenidad, temple, inteligencia y dominio de lo político- dijo porqué en su país había sido conveniente reelegir a Uribe. Esto nos plantea, en primer lugar, el problema desde un punto de vista teórico. ¿Es conveniente elegir a un presidente por tercera vez?»
La decisión más difícil
Teódulo López Meléndez
Álvaro Uribe Vélez puso en práctica lo que se ha convertido en uno de mis leit motiv: “La democracia es riesgo”. Y lo corrió. Por su mente pasaron todas las alternativas, también las del éxito. Debe haber mirado a sus generales que le han obsequiado abundantes victorias en los últimos tiempos, se debe haber mirado a sí mismo en ambas alternativas y con la valentía necesaria –otra característica de un estadista- soltó el “Adelante”.
Soy enemigo de la reelección presidencial. En América Latina jamás ha funcionado para bien, pero toda regla tiene su excepción. Una admirable Ingrid Betancourt –admirable por su serenidad, temple, inteligencia y dominio de lo político- dijo porqué en su país había sido conveniente reelegir a Uribe. Esto nos plantea, en primer lugar, el problema desde un punto de vista teórico. ¿Es conveniente elegir a un presidente por tercera vez? Sin ir a los laterales la respuesta es un rotundo “No”. Ahora bien, entran en juego las circunstancias, las batallas que se libran –y cuando hablamos de batallas no lo hacemos figurativamente, en Colombia el Estado libra una guerra-, un proceso a mitad de camino, la confianza y la solidaridad de un pueblo –no engañado por un dictador, no manipulado por un régimen fascista, sino en una democracia plena- que ve como ese camino democrático de firmeza le permite respirar con alivio y procurar el crecimiento y el lanzamiento de su patria hacia un destino definitivo. Así, la pregunta teórica colocada en un cuarto ascético, se complica de manera rotunda. Las preguntas teóricas, se concluye, no admiten desinfección, están contaminadas por los avatares históricos, por las circunstancias de una lucha. Cuando Churchill quiso alargarse en el poder Inglaterra lo despidió. Ya le había sido útil, ya le había dado lo que Inglaterra esperaba de él. En Venezuela Rómulo Betancourt supo, desde su condición de estadista, que jamás debería volver a buscar la presidencia, puesto que en un período había ganado la batalla contra las dictaduras militares y contra la insurgencia guerrillera y había afincado la democracia, esto es, un nuevo período sobraba, sólo sería una muestra de ambición personal.
SITE RENOVADO A embaixada de Portugal em Nova Delhi, com novo site, em novo endereço, com o embaixador Luis Castro Mendes a dizer o essencial e o convincente em quatro parágrafos sem caminhos marítimos - vai directo ao assunto. Dizem-nos que se trata da primeira fase estreada ontem mesmo, outra virá, aguardemos. Mas para primeira fase, o site passa com nota superior à média da matemática nacional, porque tem notícia do previsível e não notícia com gáspeas gastas, musgosa, oficialenta. E notícia é a visita de Luís Amado a Nova Delhi e a Goa, nos próximos dias 7 a 9, também com o essencial (o convincente ou não, é para depois).
OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia 6, três: em 1892 (interino, para não variar); em 1924, e em 1926 (por três dias, a dar nota desses tempos)
Há 116 anos Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, interino até Novembro - quem se lhe seguiu fica para depois, não anatemizemos persistentemente a época, como diria o embaixador Fernando Castro Brandão, até por mete um bispo nas Necessidades. Almirante e administrador colonial, Francisco Joaquim Ferreira do Amaral entraria a fundo metido na política na última fase da monarquia constitucional, nas funções de chefe do governo entre Fevereiro e Dezembro de 1908, num executivo suprapartidário, que ficou conhecido por governo da acalmação, nomeado pelo rei D. Manuel II, na sequência do regicídio. Após a experiência da acalmação, frequentou os círculos republicanos, aderindo depois de 1910 ao partido democrático de Afonso Costa.
Há 84 anos Vitorino Henriques Godinho conduziu a pasta dos Estrangeiros por pouco mais de quatro meses, no governo de Alfredo Rodrigues Gaspar (o 20.º pós-sidonista). Para caracterizar o ambiente, enquanto rebentavam bombas aqui e ali por estes dias, em Braga, terminava de hoje para amanhã, um Congresso Eucarístico Nacional e com uma conferência de António Oliveira intitulada “A paz de Cristo na classe operária pela sacratíssima Eucaristia”… Mas voltemos a Vitorino Henriques Godinho - oficial republicano (coronel em 1927), deputado e combatente em La Lys, este efémero MNE vai conhecer o pior na Ditadura e no Estado Novo, por motivos políticos. Por exemplo, em Fevereiro de 1938 é admitido às provas especiais para a admissão ao generalato, que faz com êxito, ficando classificado como Muito Apto, mas a promoção a brigadeiro, nunca se fez, porque o governo de Salazar, nunca a permitiu.
Há 82 anos Os três dias de Martinho Nobre de Melo, intelectual, jornalista e político de origem cabo-verdiana, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e um dos teóricos do corporativismo. Quanto aos três dias desse Julho de 1926, enquadre-se: a 17 de Junho de 1926, Mendes Cabeçadas fora forçado a renunciar às funções de Presidente da República e de Presidente do Ministérios a favor do general Gomes da Costa, num golpe palaciano que fez afastar o regime da herança parlamentar. Nesse mesmo dia de 17 de Junho, Gomes da Costa toma posse como Chefe de Estado e como Presidente do Ministério, assumindo interinamente todas as pastas, mas três dias depois (dia 19) forma-se novo governo já com ministros (nos Negócios Estrangeiros, António Óscar de Fragoso Carmona). A 6 de Julho, neste, dá-se remodelação do gabinete, com Martinho Nobre de Melo nos Negócios Estrangeiros, mas a remodelação falha, seguem-se nomeações e demissões, e, horas depois, na nova recomposição, Martinho Nobre de Melo volta a ficar nos Estrangeiros (onde Carmona voltara a figurar). Só que a 8 de Julho, o general Gomes da Costa é feito prisioneiro no Palácio de Belém e depois transferido para Caxias e Cascais, onde aguarda, sob prisão, a deportação para Angra do Heroísmo. A 9 de Julho é a vez de António Óscar Fragoso Carmona formar governo, e de Martinho Nobre de Melo a dizer adeus às Necessidades. Três dias aí, mas haveria de ser embaixador no Brasil.
BRINCADEIRINHA Como Martins da Cruz, para não sacrificar apenas uns cinco ou seis arqui-rivais, excluiu as biografias de todos os diplomatas da edição do Anuário Diplomático que iniciou essa tradição de omissões, o DN fez bem em publicar o perfil de Fernando Neves, mas fez mal em destinar-lhe um posto para não irá - não vai seguramente para a Santa Sé, sendo isto tão certo como Martins da Cruz ir agora abrir a embaixada no Vanuatu.
ESPECTACULAR Reporta o correspondente do Expresso em Bruxelas, Daniel do Rosário, que «a presidência francesa da UE vai ser julgada pela capacidade de resolver o problema do Tratado», que «o nível de ambição gaulês está longe de impressionar os analistas políticos em Bruxelas. Antes pelo contrário», e que, quanto ao que diz Portugal, segundo Manuel Lobo Antunes, «à Europa faltam líderes com entusiasmo e propostas, num contexto que está marcado pelo vazio de ideias», acrescentando-se que a expectativa de MLA sobre a presidência francesa é «positiva, mas nada de espectacular»...
AGORA COM TEMPO Pedro Santana Lopes dedica-se à crónica - Equinócios e Solstícios, cabeça adequada ao Sol. E diz ao que vem, tomando assento: «Neste espaço que hoje estreio no SOL vou falar de irracionalidades que, em Portugal, parecem ter pernas para andar sozinhas. Não se compreende como criam a sua dinâmica - e torna-se difícil voltar ao ponto de partida para as desmontar.» E não é que se refere mesmo a várias pernas que andam sozinhas?
NO ADRO Claro que não há novo estatudo dos diplomatas, há projecto e projecto que tem vindo a ser discutido e alterado - ainda a procissão vai no adro. Excessivo, portanto, o título «Novo estatuto dos diplomatas/ com artigos insconstitucionais».
Resposta, na Câmara dos Comuns, da sub-secretária de estado Meg Munn sobre o relatório da comissão de Negócios Estrangeiros relativo os terrítórios britânicos ultramarinos:
LLEVAR UNA VIDA ALGO MÁS TRANQUILA Confirmado o que já era aguardado - Alberto Navarro, ex-secretário de estado dos Assuntos Europeus, designado por Madrid para chefiar a missão espanhola em Lisboa.
TRÊS HORAS No Forte de São Julião da Barra, aí temos às 9:00 o início da X Cimeira Luso-Marroquina - reuniões separadas dos ministros das Finanças, Obras Públicas, Negócios Estrangeiros, Turismo e Industria. Depois reunião de Sócrates com Abbas Al-Fassi (na foto), e o ritual das honras militares. Seguem-se mais reuniões empresariais (10:15) de energia, infra-estruturas, indústria e turismo, com a «foto de família» a anteceder uma reunião plenária das delegações e a conferência de imprrensa ao meio-dia. Vamos ver no que isto dá. 

OLHA QUEM FOI MINISTRO Há 76 anos, César de Sousa Mendes, na última fase da Ditadura Nacional e um mês depois de António de Oliveira Salazar ser nomeado presidente do Conselho de ministros.
Gémeo de Aristides de Sousa Mendes, César formou-se com o irmão em Coimbra, com o irmão entrou para a carreira em 1910, mas nesta subindo mais rapidamente – em 1926 era já ministro plenipotenciário tendo depois, até final da carreira, chefiado as então legações em Estocolmo, Varsóvia, México e Berna. Com o irmão no consulado em Antuérpia (desde 1929 até 1938), César assumiu a pasta dos Negócios Estrangeiros em 5 de Julho de 1932, neste mesmo dia substituído interinamente por 23 dias pelo ministro da Marinha, Aníbal de Mesquita Guimarães. Por afirmação aristocrática e tal como o irmão, César estendeu o nome para “do Amaral e Abranches”. Por cada desgraça que sucedia ao irmão (e foram muitas) César intercedia junto de Salazar a favor do gémeo nunca obtendo qualquer resposta, à excepção de quando Aristides morreu, já era 1954, em que lá lhe chegou uma carta do homem providencial com lacónica palavra: «Condolências». Ambos os gémeos foram tementes a Deus e aristocratas, cada um tendo feito o que fez, mas é assim – o sobrevivo dos gémeos normalmente é que recebe as condolências se o morto ficou marcado.
EX-MNE QUE NÃO DÁ A CARA Dedicou-se o DN, ontem, novamente à Casa, designadamente ao projectado Estatuto da Carreira Diplomática, com o título «Secretário-geral pretende esvaziar poderes do MNE». Para tirar algumas dúvidas que nos chegaram perante a iminência de tal golpe de estado, é de dizer que o texto da edição on-line daquele diário não coincide com o da edição em papel que tem mais «alguma coisa» dita por «um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros» que não dá a cara por cousa tão poica (cousa é propositado, tal como poica).Filhos de diplomatas com escola paga
No artigo 58.º, este novo estatuto diz que "os diplomatas têm direito ao reembolso integral mensal das despesas coma educação dos filhos, dos adoptados e dos enteados, menores de 18 anos". Mais, os diplomatas ficam a contar que as despesas com a educação compreendem, designadamente, as resultantes de matrícula, inscrição e propinas, em escola de sistema de ensino internacional". Uma medida controversa numa altura em que há grandes restrições na Administração Pública. No anterior estatuto, feito no tempo de Jaime Gama (em 1998), o regime diz que os diplomatas colocados nos serviços externos têm direito a um abono mensal que serve para ajudar a pagar despesas escolares com os filhos dependentes. Só que esse abono consta de uma parte fixa e outra variável, num valor proporcional às despesas escolares efectivas. Não estava previsto o pagamento integral. Para um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, "este regime proposto não existe para os filhos dos militares no Afeganistão e não tem que existir para os diplomatas. O Estado não tem que pagar colégios da Linha do Estoril".
QUESTÃO DE GÉNERO Dá hoje a folha oficial conta, Jaime Gama aprovou por despacho de 24 de Junho, o regulamento do Representante Permanente da Assembleia da República junto da União Europeia. Pela lógica, deveria designar-se por REPER/AR, ou então REPERPAR, ou até mesmo REPERSBENTO caso se quisesse evocar o santo que dá nome mas jamais deputou e muito menos delegou. Mas não! Segundo o regulamento, o representante chama-se Antena e no masculino - exactamente «O Antena». E então ali temos «As competências do Antena», que «O Antena deve promover e facilitar...», que «Para o efeito, o Antena deve, designadamente...», que «O local de trabalho do Antena é no edifício do Parlamento Europeu...», que «O Antena está sob a superintendência directa e exclusiva do Secretário-Geral da Assembleia da República...», que «O Antena tem os mesmos deveres que...», é O Antena, portanto, apesar dos dicionários, num total consenso ortográfico, registarem a palavra como um substantivo feminino, quer se trate de um «apêndice cefálico, tipicamente alongado ou filiforme que os animais de alguns grupos possuem e que funciona, epecialmente, como órgão do tacto e do olfacto», quer se trate de «condutor eléctrico utilizado em radiotecnia para a irradiação ou captação de ondas», pelo que quem tem as antenas, é antenado ou antenífero, aqui sim, podendo ser no masculino mas também no feminino - antenada ou antenífera...Ler o regulamento d'O Antena que pode vir a ser mulher... → AQUI
Apesar da máquina ser lenta, quanto a Ases de Espadas, vá lá: hoje → ♠.
(De 1 a 5, ou de ♠ a ♠♠♠♠♠ )
* O senador brasileiro Paulo Paim (do próprio PT) lamentou a ocorrência de trabalho análogo ao de escravo nas plantações de cana-de-açúcar do país destinadas à produção de álcool, conforme tem sido constado pelos fiscais do Ministério do Trabalho. “Só nos últimos cinco anos, 1.383 trabalhadores morreram na lavoura de cana e muitos deles, fatigados, tombaram em pleno canavial. Metade dos flagrantes de trabalho escravo ocorreu em canaviais”, denunciou o deputado perante o congresso brasileiro, acrescentando que “em apenas uma destilaria de álcool do Mato Grosso do Sul os fiscais tenham encontrado 409 trabalhadores em condições análogas à de escravo”.
OLHA QUEM FOI MINISTRO E assim chegamos ao homem das medalhas & condecorações pregadas no peito até dizer "chega!" - aquele espírito que persiste, colado às paredes. Mas antes...
Sobre António José de Ávila, depois conde e depois ainda duque de Ávila e Bolama, à frente da pasta dos estrangeiros neste dia, há 148 anos digamos que, se estivéssemos agora no ano de 1860, ontem (dia 3) teria sido assinado um Tratado com o Japão, e hoje tomaria posse novo governo presidido pelo duque de Loulé, com António José de Ávila a acumular a Fazenda com os Estrangeiros. Mas ainda estaríamos longe do ano em que este mesmo duque de Ávila ordenaria o encerramento das Conferências do Casino (1871). Politicamente, António José de Ávila identificou-se com a facção mais conservadora dentro do liberalismo português (o cartismo), tornando-se oposição ao governo progressista que tomou o poder em Setembro de 1836, na sequência da Revolução de Setembro. O duque de Ávila recebeu perto de 40 diplomas nacionais e estrangeiros, de índole científica e benemérita, coleccionando mais de três dezenas de títulos e condecorações nacionais e estrangeiras que procurava com sofreguidão, marcando-lhe traço de personalidade. E recebeu tantas condecorações e comendas que Bordalo o celebrizou como um "Calvário de Condecorações".
EMBAIXADOR NA COLÔMBIA Augusto Peixoto, embaixador em Bogotá, esteve ontem no Parlamento, para visita de cortesia a Jaime Gama e, na ocasião, passou pela comissão de Negócios Estrangeiros. Com tudo o que está a acontecer na Colõmbia, informações de boa fonte. A cortesia também é um método e não é passo perdido.
CLARO COMO A ÁGUA É mesmo claro que o anúncio do ministro das Finanças, em Maputo, de que Portugal prepara para "muito em breve" o cancelamento da dívida de São Tomé e Príncipe, e que idênticas medidas poderão ser alargadas a outros países da CPLP, isto no final da cerimónia de cancelamento da dívida de Moçambique (249,5 milhões de euros), era coisa para Teixeira dos Santos «coordenar» com Luís Amado…→ 0.
(De 1 a 5, ou de ♠ a ♠♠♠♠♠ )
NAS MALHAS As autoridades belgas entregaram hoje (12:45) Jean-Pierre Bemba ao Tribunal Penal Internacional para cuja prisão penitenciária em Haia, foi de imediato transferido.
O embaixador Rocha Páris já deve ter comunicado ou possivelmente Cavaco Silva terá ouvido isso de Bento XVI sob sigilo que só Deus ouve, mas o papa, hoje mesmo, acaba de autorizar a promulgação de dois decretos da Congregação para a causa dos Santos (cardeal Saraiva Martins), envolvendo Nuno Álvares Pereira ao qual chamamos de Santo Condestável nos momentos de crise.
ORELHAS P'LOS PÉS Na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, ontem ocorreu a audição parlamentar Nº 35-CNECP (pós RAR)-X, nos termos do nº. 2 do artigo 104º do Regimento da Assembleia da República, sendo ouvido o ministro de estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
DE VANCOUVER A VLADIVOSTOQUE! Até que enfim, a assembleia parlamentar da OSCE sai do anonimato político, apenas porque um português foi eleito para presidente disso – português e João Soares. Se não fosse isso, alguém daria conta da 17ª sessão anual dessa estrutura, a decorrer em Astana, no Cazaquistão? E para que a fama seja maior, isso aconteceu pela primeira vez - é sempre importante ser a primeira vez porque a segunda já terá piada.
Mestre não é o que lava os pés aos discípulos, mas o que exige a estes que andem sempre com os pés lavados.
OLHA QUEM FOI (e é) MINISTRO Após 15 meses de Freitas do Amaral nas Necessidades, tomava posse, neste dia, há escassos dois anos, Luís Filipe Marques Amado (5.º ministro pós-NV)
Natural de Porto de Mós, Luís Amado reentrou em 2006 nas Necessidades como ministro (na Casa, antes, fora secretário de estado dos Estrangeiros, com Jaime Gama) e ao quarto dia já tinha provado que reentrou por si. É o ministro mais regular do XVII governo, com um raciocínio frio e cortante contraposto ao olhar afectivo daquela espécie reconhecível no segundo dos painéis de S. Vicente - o que, em diplomacia, produz o mesmos efeitos que um hipnotizador que sabe.
→ 0.
(De 1 a 5, ou de ♠ a ♠♠♠♠♠ )
COISA PARA POBRES Adelino Rodrigues, em nome da Associação de Reencontro dos Emigrantes, escreve ao MNE Luís Amado apelando a que Portugal ratifique a Convenção Internacional sobre a Protecção de todos os Trabalhadores Migrantes e Membros das suas Famílias (ONU, 1990, entrada em vigor em 2003, agora com 37 estados partes).
OLHA QUEM FOI MINISTRO Um, Brack Lamy, há 177 anos, foi por três meses; outro, António do Lago Cerqueira, há 83 anos, foi por um mês... No que dá escolher 2 de Julho para tomadas de posse!
Há 83 anos, António do Lago Cerqueira assumiu os Negócios Estrangeiros no 37º governo republicano (23º governo pós-sidonista) chefiado por António Maria da Silva, o chamado governos dos bonzos que durou até 1 de Agosto. Natural de Cepelos (Amarante, onde dá nome a avenida com um busto de bronze, de Acácio Lino) António do Lago Cerqueira foi personalidade de destaque no Partido Democrático, chefiado por Afonso Costa. Antes, aproveitara o exílio político para se especializar em vinhos, acabando por ser fundador das Caves da Calçada, responsáveis, em boa parte, pela difusão dos vinhos de Amarante.
OFICIAL E CRONOLÓGICO A folha oficial calendariza a questão: o ministro plenipotenciário Nuno Brito, exonerado de director-geral dos Assuntos Europeus, e nomeado director-geral de Política Externa, com efeitos a 1 de Julho, na vaga resultante da cessação de funções do embaixador Vasco Bramão Ramos.
NA DISPONIBILIDADE Ficam, por limite de idade:
SELECÇÃO REPER Manuel Lobo Antunes no privilégio de, como secretário de estado, escolher conselheiros técnicos para a equipa da REPER para onde vai:
CAMÕES Maria Fernanda Manteigas, assessora principal da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo para o cargo de chefe de divisão de Gestão de Recursos Humanos, do Instituto Camões alegadamente porque «o processo de reestruturação do Instituto Camões, iniciado em Abril de 2007, só ficará concluído com a integral definição do quadro de competências relativas à gestão da rede de docência do português no estrangeiro ao nível básico e secundário.»
O PRIMEIRO SUBMARINO Despachos do MNE e dos ministros das Finanças e da Defesa que começam por lembrar a quem não estava recordado que a criação, em 2004, da «Apesar de nada de multilateral nem bilateral, enfim → ♠.
(De 1 a 5, ou de ♠ a ♠♠♠♠♠ )
ONDE, QUEM E QUANDO E mal a Eslovénia agradecera, ontem mesmo o Quai d'Orsay envia-nos os pormenores do primeiro dia do semestre, sem salamaleques, sem aquelas coisinhas de trazer por casa e canas de foguetes que não faltarão, é claro. Assim:
BONITO Terminado o exercício da presidência eslovena, a equipa do site oficial, sem que tivesse obrigação de o fazer ou disso precisasse, enviou-nos o seguinte e-mail que se transcreve na parte com relação directa e útil para algumas consciências das Necessidades compararem culturas de relacionamento:
COMO O TEMPO PASSA. E não passa mal porque tem que passar. Neste dia, há 32 anos - era MNE, Melo Antunes (1976) - entraram formalmente para a carreira como adidos:
OLHA QUEM FOI MINISTRO Pois foi quem não chegou a ser: Albano Portugal Durão, pois não chegou a tomar posse, embora em alguns sítios se escreva que que foi mesmo MNE entre 1 de Julho e 1 de Agosto de 1925, no governo de António Maria da Silva - se esta for a verdade, como diria o embaixador Fernando Castro Brandão, teremos que anatemizar persistentemente a cronologia oficial do MNE... Em todo o caso, nas Necessidades, um ministro chamar-se Portugal e além disso Durão, sempre significa alguma coisa.
Albano Portugal Durão, natural da Sertã, foi militar (chegou a capitão-tenente em 1918) mas virado para empresas seguras: administrador dos Transportes Marítimos do Estado e da Companhia da Zambézia, membro do Conselho Fiscal do Banco Industrial Português, director de Minas em Tete e inspector-geral da Zambeze Mining Company. Membro do Partido Republicano Português, foi ministro da Agricultura (governo de Bernardino Machado, 1921), defensor do modelo intervencionista nas trocas comerciais externas. Passou também pelas Finanças (em governo de António Maria da Silva, 1922) sendo dele o decreto que obrigava os exportadores a entregar as cambiais às entidades bancárias, reservando-se o Estado metade das mesmas. Em 1924, ano anterior em que foi e/ou não foi MNE, Albano Portugal Durão fora nomeado alto-comissário em Angola, mas também não chegou a tomar posse do cargo, exercendo o lugar de vogal da Comissão Executiva da Conferência da Paz.