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04 dezembro 2015

BRIEFING da UMA " A Casa aguentou, aguentou

BRIEFING da UMA " A responder às questões, aqui passa a estar o personagem e intérprete recentemente empossado no cargo, com longuíssima experiência em compromissos internacionais, o embaixador Traciano Biqueirão .
" 
Parece governo-sombra?
1 - (DECLARAÇÃO PRÉVIA) Senhoras e Senhores, obrigado pela vossa presença,  pelo que noto, a sala está cheia ainda que este briefing com me estreio, aconteça com seis horas de atraso. Como sabem o novo secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, tomou posse às 17 horas de hoje, pensava eu que, pela agenda oficial de Belém a coisa demorasse cinco minutos, assim foi mais ou menos, mas nunca contei que tivesse que aguentar paleio de horas no Pátio doa Bichos. As minhas desculpas pelo atraso. Mas permitam-me saudar os que, antes de mim, desempenharam desde há anos, as funções que assumo, designadamente o conselheiro Brandão Margallo e o conselheiro Marques Dieter Klaus, ambos aposentados intempestiva e injustamente. Vamos então às questões. Se faz favor...
2 - (Agência Social-Comunistas News - ASCN) O Ministro dos Negócios Estrangeiros passa a ser o úmero Dois na hierarquia do governo, e parece que para sublinhar essa qualidade, foi ele que encerrou o debate parlamentar sobre o Programa do executivo. Tem isso significado especial para as Necessidades ou é mais uma geringonça?
- O senhor, que representa uma agência noticiosa muito à Coreia do Norte, sabe melhor do que eu que em qualquer Estado Totalitário, um Ministério dos Negócios Estrangeiros é uma espécie em vias de extinção ou a tender para isso, pelo que ministros e secretários de Estado acabam por ser verbos de encher. Pelo que me cabe dizer, neste XXI Governo, o Ministério reentrou na Lista do Património Imaterial e Irrevogável de onde nunca devia ter sido excluído, com repartição da sua dignidade institucional e até competências por diversas geringonças...
- (ASCN) Mas o ministro não é de Estado, nem vice...
- E para quê essa designação? Só por causa de mais uma coroas ou penachos protocolares como em Piongyang? Asseguro-lhe que em Lisboa todos os atuais ministros são de Estado e todos os secretários de Estado, de Estado são. E quanto a vices, isso justificou-se na História portuguesa dos tempos da Índia, hoje é questão para divã de psiquiatra.
 (ASCN) O senhor é muito agressivo nas respostas, é completamemnte diferente dos seus antecessores que eram doces, suaves, afetuosos...
- Não somos do mesmo género. Além disso, desde que li esse livro "Jesus e a Política, de Paulo Rangel, fiquei despemperado tal como autor. Mais alguma pergunta? Se faz favor...
- (The Best Friends Forever Journal) O ex-ministro Pires de Lima afirmou que vai acabar a diplomacia económica. Pode comentar?
- Deixe que o secretário de Estado da Internacionalização entre em funções e responder-lhe-ei com todo o gosto. Fica combinado. Mas desde já observo que, tal como nas cervejas, há diplomacia económica com álcool e diplomacia económica sem álcool. E pronto, minhas senhoras e meus senhores, até quinta da próxima semana, se nãohouver antes um briefing extraordinário. Mais uma pegunta? Se faz favor, masbreve.
- (Tralha TV) O site oficial do MNE em vez das fotos de Margarida Marques, Teresa Ribeiro e Jorge Costa Oliveira, apresenta umas sombras como lhe posso mostrar aqui, veja:
É um governo-sombra?
- Obrigado pelo reparo. Pelas informações de que disponho ainda não houve tempo para a fotografia. A do Ministro foi a primeira, já está; a de José Luís Carneiro idem, as sombras de Margarida Marques e Teresa Ribeiro, primeiro eram sombras de homens, agora já passaram a sombras de mulheres e assim se evitam confusões como já ocorreram outrora. Além disso, a sombra do SE da Internacionalização surgem sem o nome do titular. Como sabe, no MNE, quando as coisas mudam, custa muito a tirar uma fotografia e mais ainda custa a escrever. Mas asseguro-lhe que, nem que tenha que ser eu a tirar a fotografia ou a recorrer ao Google Images, isso vai ser corrigido. Há muita tralha que vem do passado.

31 julho 2013

BRIEFING da UMA " Que é das 18:00... Currículo e equipa

BRIEFING da UMA " Agora, a responder diariamente às questões, aqui passa a estar o personagem e intérprete conselheiro Marques Dieter Klaus.
" 
Quem é o conselheiro Marques Dieter Klaus
e qual é a sua equipa.
Mantenha-se atualizado!

(DECLARAÇÃO PRÉVIA) Senhoras e senhores jornalistas e de ofícios pouco correlativos, boa tarde! Antes de mais, as minhas desculpas pelo atraso. Este briefing era para ter começado às 13, são 18 e 14. Devo portanto uma explicação. Pouco antes das 13, chamaram-me a atenção, na secretaria geral, para a conveniência de vos apresentar o meu curriculum neste meu primeiro contacto convosco. Acaba por ser um bom pretexto para que esta sessão tenha alguma substância, pois, como sabem, pouco ou nada haverá para dizer publicamente nas matérias de diplomacia portuguesa, política externa, atividade e ação externa do Estado. Ainda está tudo morno…
- Posso?
- Se faz favor.
- Mas não há nada, mesmo nada nas Necessidades, e por essas embaixadas?
- Bem! Alguma coisa vai havendo, mas sem grande impacto público ou que justifique manchetes.
- Desculpe, disse manchetes ou machetes?
- Curioso. Ainda agora, em telefonema de uma capital europeia, trataram o nosso ministro como Rui Manchete. Como porta-voz, peço a vossa ajuda, sobretudo aos senhores correspondentes internacionais aui presentes, para que se dissipe esse equívoco – o nosso ministro é Rui Ma-che-te e não Rui Manchete. Mas, retomando, como sabem, nas Necessidades, esta é a hora para mais uma recomposição dos gabinetes – chefes de gabinetes, adjuntos, assessores. À exceção da comunidade migrante do senhor secretário de Estado José Cesário, é um ciclópico trabalho como compreenderão. Além disso, a prioridade para ponderar matérias deixadas pelo anterior ministro e para muitas das quais a bitola vai ser diferente. Daremos conta.
- E por essas embaixadas? Não acontece nada?
- Como sabem, a diplomacia portuguesa é muito ativa. Telefona-se muito, e-mails a dizer basta, muita troca de fotografias, preparação das visitas marcadas para 2015 e 2016…
- 2015 e 2016? Tanta antecedência?
- Com certeza, este ministério levou muito a sério a preparação da era pós-tróika.
- Isso é folclore. Diga-nos, senhor conselheiro Marques Dieter Klaus, se há matéria relevante das embaixadas.
- Olhe! Relevantíssima! Assim, por exemplo, na nossa Embaixada em Otava, no Canadá, houve um importantíssimo almoço na Residência do Embaixador Moreira da Cunha, oferecido ao monsenhor José Avelino Bettencourt, Chefe de Protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano, natural de S. Jorge, dos Açores, mas que tem dupla nacionalidade, portuguesa e canadiana.
- Diplomacia económica?
- Essa sua observação é de uma ironia dos diabos, tratando-se de um chefe de protocolo do Vaticano. O monsenhor encontra-se de férias no Canadá e, como sabe, nos tempos que correm, tudo o que cheire a papa Francisco adorna telegramas para Lisboa.
- (Caras) Senhor conselheiro, sou da revista Caras, há fotografia desse almoço? Além disso, o que comeram à sobremesa?
Gomes da Silva, Moreira da Cunha,
monsenhor Avelino Bettencourt e Domingos Gonçalves
- Há fotografia e para si se reproduz. Quanto à sobremesa, foram servidas “vaidades com fios de ovos à moda dos querubins dourados”.
-  (Jornal Rilvas Times) Lamento dizer-lhe, senhor cosnelheiro, mas este briefing está a derivar. Pode falar do seu currículo, se não há mais nada para nos dizer?
- O que preferem? Leio em voz alta ou distribuo cópias?
- (várias vozes) Leia! Leia!
- Com todo o gosto. Como não gosto de falar de mim próprio, peço aqui ao meu assistente, adido Mikel Relvas, que vos transmita a minha biografia oficial.
- (Agência Foz) Desculpe. Antes disso, quantos assistentes tem o senhor conselheiro?
- Não há nada a esconder. São quatro os meus assistentes que tenho a honra de apresentar: adido Mikel Relvas, 1.º secretário de consulado Invicto Gaspar, conselheiro de Imprensa Asterisco Leite e assistente estagiário Pirites Pereira.
- (Jornal espanhol não identificado) Uma equipa de luxo!
- É. Passo a palavra ao senhor adido Mikel Relvas.
- (adido Mikel Relvas) Currículo oficial do Excelentíssimo Senhor Conselheiro Marques Dieter Klaus.
Franquelim de Souza Marques de Sarmento Dieter Klaus nasceu em Pedragosa em 1940. Licenciou-se em Alquimia pela Universidade de Segóvia e possui o curso complementar de Meninos de Jesus nos Retábulos Medievais Portugueses, foi atleta do Belenenses, saltador à vara do Sporting, tenista do Benfica e hoquista do Porto. Solicitador diplomático desde 1987, foi vogal do Conselho Superior de Faroleiros, com sede no Bugio, e por largos anos mecânico da cadeira de rodas dos ministros das Finanças alemães…
- (Ibidem Notícias TV) Leia a síntese apenas, por favor poupe-nos. A atividade profissional basta.
- Com certeza, passo a ler apenas esse destaque.
Atividade profissional.
Foi correspondente epistolar da Enron Corporation…
- (Borda d'Água) Não nos leia mais. Isso é longo? Dê-nos uma cópia, por favor.
- São 27 páginas.
- (conselheiro Dieter Klaus) Distribua cópias. Senhoras e senhoreas, está terminada a sessão. Até amanhã. Ah! Um observação apenas. Os nossos briefings diários serão berves, à exceção das quartas-feiras. Boa tarde!

01 julho 2011

BRIEFING 1 julho e segue

BRIEFING " Regresso, poucas perguntas mas sala cheia...


BRIEFING " A responder diariamente às questões, aqui passa a estar o personagem e intérprete recentemente empossado no cargo, com longuíssima experiência em Portugal, na China e na Europa: o conselheiro Brandão Margallo.
" 
Essa é uma trapalhada desnecessária:
 n.º 2, Assuntos Europeus,
Negócios Estrangeiros, Cooperação...
É como num caleidoscópio?
  1. Declaração prévia
  2. Elenco do MNE, aliás MENE
  3. Assuntos Europeus
1 - (DECLARAÇÃO PRÉVIA) Senhoras e Senhores, obrigado pela vossa presença,  pelo que noto, a sala está cheia ainda que este briefing tenha sido convocado há escassa meia hora. Chamo-me Brandão Margallo,  servi em inúmeros postos, e juro por minha honra que irei cumprir com lealdade a missão que junto de vós me foi confiada. Permitam-me, no entanto, saudar o meu antecessor nestas funções, o conselheiro Croix, chamado agora a vender a Marca Portugal. Desejo-lhe os maiores êxitos pessoais e profissionais. Estou à vossa disposição para duas ou três perguntas, não mais, pois este encontro foi meramente convocado para vos transmitir que vamos retomar o outrora tradicional Briefing da Uma, exatamente às 13 horas de cada dia. Façam o favor....


2 - (Afinal, no MNE, passa a haver ainda mais governantes... É isto  diminuir o governo?) Compreendo porque colocam essa questão pois têm-me bombardeado com a pergunta - O que é isso de ser SE  "dos Negócios Estrangeiros"? É claro que esta designação do cargo sugere ser quem é substituto do MNE, mas que não é já o n.º 2 da hierarquia da casa, havendo agora um "SE Adjunto e dos Assuntos Europeus" que o próprio protocolo oficial da posse se encarregou de colocar em n.º 2.

(Senhor conselheiro Margalho, não foi já Durão Barroso que optou por esaa solução, ao ter colocado Vitor Martins como n.º 2, não lhe chamando "Adjunto"?) É verdade, o senhor está bem documentado. Mas, num pequeno à parte, por favor não me chame Margalho mas sim Margallo, em castelhano técnico. Brandão Margallo. Voltando à questão, é verdade que no tempo de Barroso o secretário de Estado passou a ser apenas da Cooperação - Briosa e Gala, lembram-se?  E sempre vos acrescento mas em off, respeitem o off, essa é uma trapalhada desnecessária. Em off, certo? Agora em on: tenhamos fé, embora um elenco não pode ser tratado como um caleidoscópio que se agita, fica diferente mas é o mesmo....

(O senhor conselheiro Brandão já nos começa com o jogo do off e do on como o anterior porta-voz conselheiro Croix. Está a querer dizer qualquer coisa que não diz?) Nada disso! A imprensa sempre me mereceu toda a consideração e estou aberto a todas as críticas (na sala, primeiro risos, depois gargalhadas). Calma! Vou direto ao assunto! O SE dos Assuntos Europeus costuma ser alguém muito próximo do PM. E agora que o PM não leva o MNE aos Conselhos Europeus, é verdade que isso ainda se justificaria mais. Pois é alguém do CDS, sem que pareça ter alguma ligação pessoal a PPC...

(Isso, é o quê) Depreenda, meu caro! Você que é um ilustre jornalista britânico, tem obrigação de depreender...

3 - (Cheira-me a esturro ver uma adjunta de um vereador do Porto como subsecretária...)  - Após longo silêncio - Estou à espera da pergunta. Na televisão não lhe ensinaram que uma pergunta nunca termina com reticências? - Novo silêncio, com a jornalista corada - Estou à espera da pergunta! Bem! Não quer perguntar. Mas anote: o último subsecretário foi o Ivo Cruz filho, com  Freitas do Amaral, tendo em tempos sido o Ivo Cruz pai, com Deus Pinheiro, embora sendo ambos CDS, o que dá ao lugar um ar de Caldas... E pronto, senhoras e senhores, até amanhã. Respeitem o offf.

30 junho 2011

BRIEFING " Quanto a medidas: oito verbos no infinitivo

BRIEFING " O conselheiro Brandão Margallo leu os verbos. Excelentes verbos!
" 








(Sou do jornal Submarino Internacional, pode defintivamente dizer quais as medidas para a diplomacia económica?) – Olhe, quanto a verbos, o programa usa os verbos reafectar, contribuir para reforçar, estimular, apoiar, relançar, fomentar e promover. Quanto a substantivos, eu não os posso inventar pelo que vou ler o papel e, como se costuma dizer, missão cumprida, quanto a diplomacia económica nestes briefiings. Passo a ler, com pontos e tudo:
  1. - Reafectar recursos para os países com maior potencial de incremento das exportações e atracção de investimento directo estrangeiro;
  2. - Contribuir para reforçar a internacionalização e a competitividade das empresas, assegurando uma acção coordenada com as estruturas empresariais privadas nos mercados externos; desburocratizar a vida das empresas que actuam no exterior e dos investidores estrangeiros em Portugal; -Intervir no sentido de eliminar os casos de dupla tributação que ainda se verificam.
  3. - Estimular as grandes empresas portuguesas no sentido de envolverem PME portuguesas -na sua internacionalização;
  4. -Apoiar a formação de consórcios de empresas e de redes integradas de cadeia de valor;
  5. - Relançar a “Marca Portugal” enquanto símbolo de qualidade, das empresas, marcas e produtos portugueses no estrangeiro;
  6. - Fomentar e reforçar as parcerias entre empresários portugueses residentes e não residentes, nomeadamente na reforma do programa Netinvest; e também o investimento dos não residentes no país;
  7. - Promover a acção de câmaras de comércio portuguesas e outras estruturas empresariais nos países de residência e a sua articulação nacional.
Posto isto, não me perguntem hoje mais nada, até amanhã que ainda teremos programa

BRIEFING " O que vai estar "no centro" da avaliação e desempenho.

BRIEFING " O conselheiro Brandão Margallo, desta vez, leu o papel..
" 
Eixo como sinónimo
de objetivo.
E anúncio da ligação
da política externa
com a política interna...



(Sou do Canal IDEM ASPAS, tem alguma novidade sobre a diplomacia económica?) – As instruções que tenho é para vos transmitir, e vou reproduzir com rigor, que “a promoção da diplomacia económica deve estar no centro de uma profissão altamente qualificada no Estado e do Estado”. Portanto, instruíram-me para vos esclarecer que “os instrumentos existentes na rede do Ministério dos Negócios Estrangeiros serão envolvidos no novo modelo de promoção e atracção do investimento e da internacionalização da economia portuguesa”

(Então não têm estado envolvidos até agora?) – Presumo onde quer chegar, mas o que vos posso adiantar é que, e passo a citar as instruções que recebi, “um dos principais eixos de acção da política externa portuguesa deve ser a criação de condições favoráveis para o crescimento e desenvolvimento económico do País, ligando o mais estreitamente possível a política externa com a política interna, especialmente no que diz respeito aos objectivos de internacionalização da economia, promoção das exportações e da “Marca Portugal” e captação de investimento estrangeiro”. Fim de citação.

(Mas como é que isso vai ser feito? Com que meios? Acha que as embaixadas têm todas elas condições para responder? E a AICEP no meio disso?) – Um programa é um programa, tem linhas de orientação geral. Terão de aguardar. Em todo o caso, vou pedir novas instruções e às 19 e 45, conto poder falar-vos de algumas medidas. Até já.

BRIEFING " A credibilidade: nos perdidos e achados?

BRIEFING " O conselheiro Brandão Margallo responde, ou tenta responder a mais uma questão.
" 
Grande imbróglio provocado
pela "recuperação da credibilidade"
como se fosse a política externa a tê-la perdido

  •  Ninguém perde o que não tem, já os sofistas sabiam
(Da parte do jornal O Privado, se a diplomacia económica não tem sido uma prioridade estratégica, o que é que se tem andado a fazer? Isso é uma crítica à capacidade da carreira diplomática ou apenas agora é se descobre isso?) Muito obrigado pela sua pergunta, ainda bem que faz. Logo a abrir o capítulo da política externa, o programa do governo elogia a diplomacia portuguesa, supondo-se que, com isso , elogia a carreira diplomática em geral, mas, depois vai dizendo uma coisas em particular. E assim, de modo geral, o programa do governo assume claramente que “Portugal tem uma diplomacia competente e segura, com provas dadas nos organismos internacionais, sendo a política externa assente em opções europeias, atlânticas e lusófonas que reúnem largo consenso e têm merecido acordo político consistente”. Quer isto dizer que na Europa, no Atlântico e na Lusofonia temos sido uns ases. Só que, depois, em estilo de adversativa, acrescenta-se um “sucede que”. E o é que sucede? Pois, diz o governo “sucede que, na situação em que Portugal se encontra, é preciso ir além dos consensos tradicionais” e que “ devemos ter a coragem de inovar, procurar consenso e adoptar uma nova prioridade estratégica nacional”. E que inovação se pretende? Precisamente “uma fortíssima diplomacia económica” coisa descrita como “desafio inexorável e inadiável para a recuperação da nossa credibilidade externa…


(Oh senhor conselheiro Brandão Margallo! Recuperação da credibilidade externa? Foi perdida? Então se temos tido uma diplomacia competente, segura e com provas dadas, deixou-se perder a credibilidade?) Sim, de acordo, não escondo que há aí alguma coisa que não se entende, se é uma crítica à carreira, uma crítica à AICEP que tem uma máquina e peras, olhe, não sei. De facto o programa refere que essa fortíssima diplomacia económica deve visar a atracção de investimento e a promoção das empresas, produtos e marcas portuguesas no exterior, mas deveras não posso confirmar se Portugal perdeu a credibilidade e que é preciso recuperá-la agora. Não tenho instruções para vos responder, fica para as 18 e 30 em ponto. Tenho quer indagar se não temos diplomacia económica apenas porque a nossa credibilidade foi perdida, se ainda temos credibilidade recuperável ou se a credibilidade estará, afinal, na secção de perdidos e achados.

(Não será credibilidade financeira, ou empresarial, por exemplo, na Polónia?) Na verdade, o que a certo passo se especifica é que a política externa deve orientar-se para a recuperação da reputação financeira, mas isso será mais com as Finanças, a Economia, os reguladores, o BPN, os paraísos fiscais, etc... etc... e não propriamente com as pobres Necessidades que são o alvo do capítulo. Tenham paciência. Às 18 e 30. Baterei as palmas.

BRIEFING da UMA " A económica diplomacia

BRIEFING BREVE "  Com direito apenas a uma única pergunta, Em compensação, ficam marcados mais três briefings breves para hoje: às 17:00, 18:30 e 19:45... Mas nada de pressas, quando ouvirem o conselheiro Brandão Margallo bater as palmas e dizer "Meninos" Entrem!..." é que chegou a hora. O conselheiro Brandão Margallo recuperou a prática de outrora do porta-voz Carneiro Jacinto, com belos efeitos.
" 
Desde há muito que a Diplomacia Económica
 acaba por ser apenas Económica Diplomacia
  • De D. Sancho II a Martins da Cruz
? única (Sou do jornal J, o Governo insiste…) – Desculpe, jornal J? J de quê?

(Exatamente, o I passou a J deixou de ser do L de Lena para passar a ser J de Jaime) – Ah! Se faz favor…

(Afirma o governo que a diplomacia económica vai ser o ponto central da ação externa ou da atividade externa ou da política externa, já nem se percebe… Isso equivale a quê em função dos elementos funcionais da diplomacia?) – Boa pergunta, vejo que Jaime Antunes começa bem no primeiro dia do seu jornal que deve deixar de ser um tanto venezuelano. Nota-se que quer Paulo Portas, quer o próprio programa do governo dá especial ênfase à função de Promoção, alcandorando esta função complementar a função principal. Todavia, nessa matéria, deixando-nos de rodeios, o primeiro-ministro não abre mão da orientação geral e di-lo de forma expressa no programa. Lá se diz que, passo a ler, “o governo promoverá, sob orientação directa do Primeiro-Ministro, uma reestruturação dos vários instrumentos e organismos do Estado que intervêm no âmbito da promoção e atracção do investimento e internacionalização da economia portuguesa”, e depois que com tal “reestruturação” sob orientação direta do primeiro-ministro, portanto Paulo Portas tenha calma e aguente os cavalos!, pretende “empreender uma maior coordenação entre a área económica e a dos Negócios Estrangeiros reflectida numa plataforma comum que fortaleça a diplomacia económica e dê maior abertura e robustez ao tecido produtivo português”, não diz mais nada mas re-béu-béu o passarinho ao ninho… Há muito que se ouve essa cantiga da “maior coordenação entre a área económica e a dos Negócios Estrangeiros”, pelo que Diplomacia Económica acaba sempre por ser Económica Diplomacia. Desde Deus Pinheiro, qual Deus Pinheiro! Desde D. Sancho II que foi o inventou da Económica Diplomacia. Martins da Cruz apenas inverteu os fatores, dando selo à expressão. Até logo, às 17:00! Baterei as palmas nos Claustros, como nos tempos de Carneiro Jacinto! Oh! Como Freitas do Amaral se deliciava com o eco daquelas palmas!

29 junho 2011

BRIEFING da UMA " Houve bastante redação escolar

BRIEFING " Declarações, hoje, na sala de imprensa, prestadas algumas em voz-off pelo conselheiro Brandão Margallo.
" 
A grande novidade:
 Portugal "vai cumprir o mandato 
no Conselho de Segurança"...
Portanto, não vai renunciar, como ninguém propalou.
  1. Estados Paralelos no MNE
  2. Conselho de Segurança
  3. AICEP
1 – (Pergunto-lhe se também dentro do MNE vai ser reduzido o Estado Paralelo?) Respondo-lhe com todo o gosto, mas antes quero pedir antes das perguntas digam por favor o órgão a que pertencem…

(Sou do Jornal de Contas & Favas Contadas) – Obrigado. Quanto à sua pergunta o programa deste governo, como deve saber) diz que urge reduzir substancialmente o “Estado Paralelo”. E urge, oh se urge! Na mira do programador estão institutos, fundações, entidades públicas empresariais, empresas públicas ou mistas ao nível da Administração Regional e Local, isso vira-se fundamentalmente para outros lado, mas no MNE pode haver alguma coisa de Estado Paralelo. Não digo que haja, mas pode haver algum Estado Paralelo. Há áreas em que podem ser invocados interesses do Estado para não se deixar cair na praça pública gestões de certos montantes, mas o Tesouro e o Tribunal de Contas não são propriamente praças públicas e não podem ser subsumidos do escrutínio rigoroso. Refiro-me concretamente à gestão dos dinheiros dos emolumentos consulares que deveriam à cabeça financiar as políticas para as Comunidades – parece não estar a acontecer isso. Tem sido por aí dito que o FRI terá em grande parte um Estado Paralelo e seria bom que houvesse clareza na orgânica, funcionamento ou procedimentos e nas contas desse fundo. Garante o governo que nos seus primeiros 90 dias, portanto até final de setembro, com base num levantamento da dimensão deste “Estado Paralelo” serão definidas opções. Aguardemos.

2- (Sou da revista Submarino Internacional, diz este governo que vai cumprir o mandato de Portugal no Conselho de Segurança nas Nações Unidas. Colocou-se a hipótese não cumprir?) – Com certeza,. Num dos corolários àquele ritual de reafirmações de que Portugal deve empenhar-se afincadamente nas organizações internacionais multilaterais, afirma o governo que, entre três prioridades, dará prioridade a cumprir o mandato no Conselho de Segurança… Confesso-vos, em off, respeitem o off!, que estranhei essa prioridade, pois nem lembraria ao Menino Jesus Portugal renunciar ao mandato… Mas isto é off! Além disso, dizer-se apenas isso, é pouco. É um pouco proceder como aqueles clubes condenados à descida de escalão e que se limitam a dizer à liga que garantem cumprir o calendário.

(Disse que há mais duas outras prioridades…) Estão lá expressas – que Portugal vai preparar a candidatura de Portugal ao Conselho de Direitos Humanos 2014-17; o que não novidade porque já vem detrás, e que vai valorizar o multilateralismo baseado na cultura, como plataforma para a internacionalização das empresas e comunidades portuguesas. Mais uma vez coisa vaga. Primeiro, porque valorizar o multilateralismo baseado na cultura sem se especificar que cultura é esta ou o que se entende aqui por cultura, é um foguete atirado ao ar, pois não nenhum multilateralismo baseado na anti-cultura ou contra a cultura… Segundo, quanto aos Direitos Humanos, alvo de um processo de reforma inevitável, tal como o Conselho de Segurança, sem laivo de fundamentação da candidatura em função dessa reforma, é sugerir que Portugal quer cumprir outro calendário. Essa parte do programa deve ter sido redigido por um escolar, e os escolares, como sabem, têm momentos em que julgam descobrir a pólvora… Tomemos isso como incidente de percurso.

3 – (Da agéncia Factos Consumados, tenho três perguntas…) Faça a primeira…


(Confirma que o governo que vai acelerar a transformação das delegações comerciais da AICEP em veículos efetivos de dinamização de negócios e de apoio às empresas?) Mas não foi para isso a AICEP e delegações foram criadas? Segunda pergunta…

(Confirma que o governo vai reforçar a orientação da diplomacia portuguesa para a vertente económica, em coordenação com a AICEP?) Queria que fosse em descoordenação? Além dssio não sei se o inspirado redator do programa em vez de redigir “reforçar a orientação” não teria tido a intenção de redigir “orientar o reforço”. Há dislexias… Terceira e última pergunta!

(Confirma que o governo vai reformular o capital de risco público, concentrando numa única entidade os vários veículos, como a Caixa Capital, a AICEP Capital e InovCapital?) O capital de risco público, tal como está, não só um risco público, é um grande traço público. Em matéria de risco público não pode haver capelinhas e muito menos três capelinhas de aparições. Senhoras e senhores, muito obrigado.

28 junho 2011

BRIEFING " Regresso, poucas perguntas mas sala cheia...

BRIEFING " A responder diariamente às questões, aqui passa a estar o personagem e intérprete recentemente empossado no cargo, com longuíssima experiência em Portugal, na China e na Europa: o conselheiro Brandão Margallo.
" 
Essa é uma trapalhada desnecessária:
 n.º 2, Assuntos Europeus,
Negócios Estrangeiros, Cooperação...
É como num caleidoscópio?
  1. Declaração prévia
  2. Elenco do MNE, aliás MENE
  3. Assuntos Europeus
1 - (DECLARAÇÃO PRÉVIA) Senhoras e Senhores, obrigado pela vossa presença,  pelo que noto, a sala está cheia ainda que este briefing tenha sido convocado há escassa meia hora. Chamo-me Brandão Margallo,  servi em inúmeros postos, e juro por minha honra que irei cumprir com lealdade a missão que junto de vós me foi confiada. Permitam-me, no entanto, saudar o meu antecessor nestas funções, o conselheiro Croix, chamado agora a vender a Marca Portugal. Desejo-lhe os maiores êxitos pessoais e profissionais. Estou à vossa disposição para duas ou três perguntas, não mais, pois este encontro foi meramente convocado para vos transmitir que vamos retomar o outrora tradicional Briefing da Uma, exatamente às 13 horas de cada dia. Façam o favor....


2 - (Afinal, no MNE, passa a haver ainda mais governantes... É isto  diminuir o governo?) Compreendo porque colocam essa questão pois têm-me bombardeado com a pergunta - O que é isso de ser SE  "dos Negócios Estrangeiros"? É claro que esta designação do cargo sugere ser quem é substituto do MNE, mas que não é já o n.º 2 da hierarquia da casa, havendo agora um "SE Adjunto e dos Assuntos Europeus" que o próprio protocolo oficial da posse se encarregou de colocar em n.º 2.

(Senhor conselheiro Margalho, não foi já Durão Barroso que optou por esaa solução, ao ter colocado Vitor Martins como n.º 2, não lhe chamando "Adjunto"?) É verdade, o senhor está bem documentado. Mas, num pequeno à parte, por favor não me chame Margalho mas sim Margallo, em castelhano técnico. Brandão Margallo. Voltando à questão, é verdade que no tempo de Barroso o secretário de Estado passou a ser apenas da Cooperação - Briosa e Gala, lembram-se?  E sempre vos acrescento mas em off, respeitem o off, essa é uma trapalhada desnecessária. Em off, certo? Agora em on: tenhamos fé, embora um elenco não pode ser tratado como um caleidoscópio que se agita, fica diferente mas é o mesmo....

(O senhor conselheiro Brandão já nos começa com o jogo do off e do on como o anterior porta-voz conselheiro Croix. Está a querer dizer qualquer coisa que não diz?) Nada disso! A imprensa sempre me mereceu toda a consideração e estou aberto a todas as críticas (na sala, primeiro risos, depois gargalhadas). Calma! Vou direto ao assunto! O SE dos Assuntos Europeus costuma ser alguém muito próximo do PM. E agora que o PM não leva o MNE aos Conselhos Europeus, é verdade que isso ainda se justificaria mais. Pois é alguém do CDS, sem que pareça ter alguma ligação pessoal a PPC...

(Isso, é o quê) Depreenda, meu caro! Você que é um ilustre jornalista britânico, tem obrigação de depreender...

3 - (Cheira-me a esturro ver uma adjunta de um vereador do Porto como subsecretária...)  - Após longo silêncio - Estou à espera da pergunta. Na televisão não lhe ensinaram que uma pergunta nunca termina com reticências? - Novo silêncio, com a jornalista corada - Estou à espera da pergunta! Bem! Não quer perguntar. Mas anote: o último subsecretário foi o Ivo Cruz filho, com  Freitas do Amaral, tendo em tempos sido o Ivo Cruz pai, com Deus Pinheiro, embora sendo ambos CDS, o que dá ao lugar um ar de Caldas... E pronto, senhoras e senhores, até amanhã. Respeitem o offf.

06 dezembro 2009

BRIEFING " Comenda e pensamento

"
Pois as nuvens
que correm de Portugal para Espanha
e de Espanha para Portugal
são "ibéricas"
desde que chova


EDUARDO LOURENÇO Comenda de Espanha - Pensamentos em Portugal. Na embaixada de Espanha, à margem da sessão de entrega da Comenda da Ordem do Mérito Civil, outorgada pelo rei Juan Carlos, Eduardo Lourenço produziu declarações sobre os dois lados. Matéria para este briefing. Meras observações.


  1. (Eduardo Lourenço diz: “Agora, que estamos no contexto da Europa, Portugal e Espanha têm um destino ainda mais comum”. Alguma coisa a comentar?) -  É claro que Eduardo Lourenço tem toda a razão mas, no contexto da Europa, o destino de Portugal é tão comum com Espanha como com qualquer um dos restantes 25 estados membros e num plano de igualdade, embora com matizes. E por matizes, o destino comum de Portugal com o Reino Unido e com a França, Itália e Alemanha depois, não pode nem deve ser saldado, ou mesmo entrar em falência, pelas matizes com Espanha. Há por alguma confusão entre destino comum e destino partilhado.

  2. (Confessa Eduardo Lourenço: “Só aos 40 anos me apercebi de que parte do meu vocabulário era leonês, ainda que falado à portuguesa”, e que na sua região natal (São Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, distrito da Guarda), “a fronteira é simbólica, não há nada que fisicamente separe os dois países”) - Pois bem! Ter-se apercebido disso aos 40 anos, foi um bocado tarde. Quanto ao vocabulário leonês falado à portuguesa, há que perguntar a opinião dos galegos e sobre a fronteira simbólica, todas as fronteiras do mundo são na verdade simbólicas sendo o símbolo, como Eduardo Lourenço sabe melhor que ninguém, pouco mais do que aquilo que leva ao reconhecimento de algo que lhe corresponde, é contíguo e se ajusta. Aí há que perguntar às nuvens que pairam fisicamente sobre diferentes países – olhando para tais nuvens, nem simbolicamente há fronteiras. Só que não podemos ficar a olhar apenas para as nuvens.

  3. (Eduardo Lourenço testemunhou de que com o estudo de grandes figuras da cultura espanhola, “vi um outro lado de nós próprios”. Também comenta isso?) - Com certeza que comentamos. Primeira observação, desconhece-se se algum pensador espanhol é capaz de dizer que ao estudar grande figuras da cultura portuguesa também verá um outro lado dos espanhóis – seria uma retribuição deferente, se convicta. Segunda observação, o estudo das grandes figuras espanholas não esgota o nosso outro lado. As figuras francesas também dão contributo, as inglesas igualmente, as italianas com certeza, as alemãs fornecem bastantes esboços, e, bem vistas a coisas, até as figuras marroquinas a tender para os árabes de que maneira! Basta ver o dia-a-dia do nosso outro lado.

  4. (Eduardo Lourenço referiu ainda que “o iberismo não precisa de ser uma ideologia, como foi em certo momento no século XIX, pois nessa altura os portugueses perceberam que isso queria dizer uma nova forma de subordinação”...) - A subordinação tem sempre novas formas, é como a mutação de um vírus difícil de identificar na hora. Já agora, o contexto da Europa fez-se para impedir tal vírus e respectivas mutações, o que é válido para os 27 de agora no seu todo e não apenas para dois do mesmo género que tenham resolvido casar com comunhão de adquiridos e tendo em comum problemas.

  5. (O embaixador espanhol Alberto Navarro, recordou a existência de um prémio com o nome de Eduardo Lourenço e que tal prémio “é ibérico” pois resulta de uma parceria das universidades de Coimbra e de Salamanca.) - Meu caro, quanto a isso repitmos: as nuvens sobre dois países não se disputam. São nuvens, andam para cá e para lá e nos momentos de seca, ambos os lados desejam que chova. Portanto, o embaixador Alberto Navarro é livre de dizer que tais nuvens são nuvens ibéricas. Não há mal nisso, desde que chova e resolva o problema da água nos rios internacionais. Mas não se pode ficar a olhar só para as nuvens…

26 setembro 2009

BRIEFING " O 5 de Outubro

Actualizado, 21:30
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Cavaco
Bento XVI
João Marcelino
Duarte Pio


PELO QUE SE LÊ E OUVE Mensagem do presidente - Percebeu-se bem. Mensagem do presidente ao País que as televisões não conseguiram sincronizar, e nem constava na agenda oficial de Belém - Cavaco foi bem percebido. As mensagens presidenciais em vésperas de eleições tornaram-se numa tradição, mas desta vez até passou despercebida a falta de anúncio, talvez pela habituação ao silêncio de Cavaco entretanto criada. Muitos foram colhidos de surpresa e bastantes perceberam a ênfase de Cavaco na lembrança de que «do primeiro ao último dia do meu mandato serei sempre Presidente de todos os Portugueses», ou, também na lógica política, a definição não deva ser mais clara que o definido.

  1. 5 de Outubro. Houve entre os partidos um acordo de distanciamento que não implicava o presidente da República, mas Cavaco, ao decidir que não discursará no 5 de Outubro por causa das autárquicas, dá sinal de que duvida da sua própria imparcialidade e de que se isenta como garante da imparcialidade. O que é que autárquicas têm a ver com algum dos 457 temas que o presidente da República poderia abordar no 5 de Outubro? O presidente foi eleito para falar, não foi eleito para estar calado, e deve estar preparado para falar nas circunstâncias mais melindrosas, como não é o caso do 5 de Outubro - não há propriamente crise de regime e também não há crise de sistema, pois a crise que uns temem, outros desejam e os restantes atraiem pouco ou nada tem a ver com o regime e muito pouco com o sistema, pelo que até se imporia uma palavra presidencial. Palavra pedagógica, sábia e inspiradora de confiança. O presidente acaba assim por legitimar muito silêncio de embaixadores portugueses que, por esse mundo fora, se calam precisamente quando pelas funções deviam falar, e que no 5 de Outubro ficam mudos por serem monárquicos, que no Dia de Portugal ficam surdos por saudades de outro sistema e que, por redobradas razões, vão no 25 de Abril dar um passeio como se o estado tivesse os seus ordenados em atraso.

  2. Bento XVI O papa efectua agora a sua 13.ª viagem apostólica e que mais não é uma «visita pastoral» à República Checa. É claro que foi recebido em Praga pelo presidente checo Václav Klaus e pela lógica da visita também pelo arcebispo de Praga, cardeal Miloslav Vlk, e pelo presidente da Conferência Episcopal checa, o arcebispo Jan Graubner. O papa tem toda a legitimidade para fazer as visitas pastorais que entender desde que possa e os anfitriões não levantem obstáculos embora normalmente até desejem. Mas visita de estado é uma coisa e visita pastoral, outra.

    Ora, a propósito da anunciada visita do papa a Portugal, bastante gente escreveu para NV, e alguns dos correspondentes criticaram-nos por não termos alinhado na onda de reparos segundo os quais Cavaco terá provocado mais um caso irritando a organização católica em Portugal, por tricas de quem devia anunciar primeiro ou ao mesmo tempo, como se Deus tivesse tal pecado em conta.

    A questão é de lana caprina: trata-se de uma visita com duas partes – primeira, visita de estado com programa oficial»; segunda, visita privada, de carácter particular, turística, pastoral, como o papa queira e goste, e que pela lógica de Fátima e pelo pretexto de 13 de Maio é pastoral. Não se compreenderia que o papa, em Maio viesse a Portugal, para passear num barco rabelo no Rio Douro.

    Nenhum reparo a fazer ao procedimento da Presidência da República, pelo que algumas vozes da igreja identificaram como pecado o que nem Deus tem em conta.

    Fundamentalmente, a presidência disse

    1. Que Bento XVI «efectuará uma Visita a Portugal no próximo ano, em resposta ao convite que lhe foi endereçado pelo Presidente da República», e não por outra entidade
    2. Que «Para lá do programa oficial» Bento XVI deslocar-se-á «ao Santuário Mariano de Fátima, onde presidirá às cerimónias religiosas de 13 de Maio»
    3. Que «o conteúdo e o momento» do anúncio da visita «foram acordados entre a Presidência da República e o Vaticano, através da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé»

    Não há nenhum pecado, assunto encerrado.

  3. João Narcelino Inteiramente de acordo com o que João Marcelino escreve em editorial do Diário de Notícias. Apenas um reparo: ao que João Marcelino chama «código deontológico», o documento é apenas um Carta Ética, que se aceita e com a qual se concorda inteiramente mas não é código regulamentar. Um código deontológico conteria, por exemplo, a regulamentação dos deveres recíprocos entre jornalistas e também das condições de exercício dos direitos dos jornalistas a fontes de informação. Pequeno reparo face ao mais importante e no que é mais importante, João Marcelino tem plena razão.

  4. Duarte Pio. Há umas semanas, Duarte Pio afirmou estar iminente uma ditadura em Portugal - ficou por aqui, e também não o obrigou a explicar-se. Pouco depois, no rescaldo da bandeira monárquica na Câmara Muncipal de Lisboa declarou tratar-se de uma manisfestão legítima. Ontem, a propósito desta história entre Belém e S. Bento, que até nem se sabe que história deveras é, Duarte Pio apareceu na televisão a garantir que histórias destas são impossíveis nas monarquias... Ora histórias piores do que estas abundam nas monarquias do Círculo da Europa (com reais serviços secretos a fazerem das tripas coração para as abafar), e muito piores histórias nas monarquias do Círculo de Fora da Europa são mais que muitas, algumas tendo realmente estendido o tapete aos piores dos fundamentalismos islâmicos, para não se referir o resto... Duarte Pio bem pode em Israel dizer que descende de David como disse, e junto dos árabes garantir que descende de Maomé como garantiu, mas não tem jeito para historiador de crises institucionais.

23 setembro 2009

BRIEFING " Estropiados

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Alfredo Barroso
Nuno Rogeiro
José Manuel Fernandes


PELO QUE SE OUVE & LÊ Mina antipessoal - Deflagrou, estropiou. A contra-informação, procedimento que sobretudo a televisão banalizou como momento de humor mas não é, quando levada à alta política transforma-se em verdadeira mina antipessoal – caso deflagre por este ou aquele motivo, mesmo que por um motivo inesperado ou não calculado, os efeitos tanto podem vitimar um santo inocente como o próprio autor, seja este um acessório isolado ou parte de autoria em cadeia. Ora, a coisa podia ter ficado pelo anúncio de Louçã sobre quem foi – ficaria por aí, como muito de Louçã por ali fica; também podia ter sido descrita a mesma coisa pelo DN eventualmente «com base num e-mail cuja proveniência e autoria não se revela por imperiosos motivos éticos e deontológicos» - ninguém acreditaria e andaria o país a perguntar por largos meses de onde veio o e-mail sem se interessar grandemente pela substância; mas apenas porque o e-mail foi reproduzido e a substância posta à evidência, quem duvida da gravidade de uma inventona sobre escutas do primeiro-ministro ao presidente da República, mina antipessoal que deflagrou por motivo não calculado (o e-mail…) motivo esse que tanto faz que se considere mal ético maior ou mal deontológico menor - deflagrou, estropiou.

  1. Se fosse nos EUA Bem! Se fosse nos EUA, sublinha Alfredo Barroso no DN, «levaria à renúncia do Presidente», «o mandato estaria em risco», só que «em Portugal, os grandes escândalos políticos esvaziam-se muito depressa».

  2. Aquele debate na SIC Oh Nuno Rogeiro! Para quê tanto trabalho? Se Cavaco fosse sérvio, Lima kosovar e Sócrates croata, lá teríamos nova guerra nos Balcãs e estaria tudo explicado sem mais jogos de cintura.

  3. Das duas uma A reter do editorial de José Manuel Fernandes, ontem no seu Público: «… das duas uma: ou a seguir a 27 de Setembro (Cavaco) fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como chefe de estado, porventura de forma irremediável».

21 setembro 2009

BRIEFING " Escutas

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Secretas militares.
Balsemão.
Eduardo dos Santos.


PELO QUE SE LÊ Questão prévia - As escutas, independentemente de continuarem a dominar o noticiário quotidiano, dominam mais e sem dúvida o íntimo dos cidadãos. O Presidente não toma uma iniciativa clara de esclarecimento, antes pelo contrário tudo indica que fará de conta que esclarecerá mais tarde e a más horas. Ora, se o forte de Belém pode ser escutado, porque não a frágil cabana de cada um? – é a pergunta que causará não tanto o medo mas pavor, porque pode-se não ter medo mas sim pavor. Cavaco devia já ter dado um sinal, um sinal qualquer de confiança para o cidadão – não deu, é mau e a partir de agora vai sendo tarde porque o compromete com alguma agenda paralela difícil de entender e muito mais difícil de ser escutada...

  1. Secretas muito públicas Diz o DN que o Estado-maior das Forças Armadas «nega buscas a pedido de Cavaco Silva», entenda-se, buscas das secretas militares em Belém para apurar se houve escutas ou material electrónico que as permitisse… O CM, no sábado, garantira que «serviços de informações de carácter militar» tinham estado em Belém para uma limpeza electrónica dos gabinetes. E Cavaco continua calado, favorecendo que as secretas se tornem cada vez mais públicas. Aguardemos se o próximo capítulo tem «carácter militar».

  2. Balsemão. Entrevista no Público. Última pergunta: «A Sonae contactou-o para saber se estava interessado numa parceria?» Resposta: «Essa pergunta devem fazê-la à Sonae, que estão lá dentro…» Para se saber mais do que isto, só com escuta.

  3. A grande novidade. Título de primeira do Público Eduardo dos Santos no poder há 30 anos. Compreende-se a chamada de atenção porque nas Necessidades há muita gente convenientemente esquecida disso, ou suficientemente lembrada.

21 julho 2008

BRIEFING ■ O estado dos regulamentos

Regulamento do MNE,
Regulamento Consular,
como é que isso está?


UM PROJECTO NÃO É UM PROSPECTO Declaração prévia: «Meus senhores, minhas senhoras, depois dessa confusão do regulamento de alhos do MNE em que se misturaram os bugalhos do regulamento consular, pedem vocências este briefing, estamos à vossa disposição, perguntem, se fazem favor. Comece você…»

  1. (Obrigado. Queria saber se, afinal, o novo regulamento do MNE existe ou não, se é projecto, anteprojecto, proposta, sei lá!) – A rigor, para o novo regulamento do MNE, há um texto que tem vindo a ser alterado e que partiu de um borrão de ante-projecto, depois passou a ante-projecto a tender para projecto, mas, repito, não foi apresentado como projecto passível de discussão pelas partes interessadas.

    (Quando se refere a partes, refere-se à ASDP e ao STCDE?) – Naturalmente que sim.

    (E o Conselho Diplomático, não tem uma palavra a dizer?) – Claro que tem, em termos de parecer não vinculativo e que decorre da competência desse conselho quanto a propor ou dar parecer sobre as alterações à legislação respeitante ao ministério dos Negócios Estrangeiros e à carreira diplomática. O Conselho Diplomático é um órgão do MNE, integra a hierarquia nomeada das Necessidades e uns quantos diplomatas eleitos porque funciona no âmbito da carreira diplomática, e portanto não é um sindicato nem uma associação sindical, nem pode esvaziar as funções e objectivos destes, até porque é presidido pelo secretário-geral. Naturalmente que o conselho deve pronunciar-se sobre projectos que lhe sejam apresentados pela tutela, e não se pronuncia sobre prospectos mesmo que o prospecto seja do secretário-geral. Com rigor, não se chegou à fase de um projecto de decreto-lei que vise aprovar o regulamento do ministério.

  2. (E quanto ao novo regulamento consular? Aconteceu o mesmo?) – Não pode haver confusão entre o que se passou já com o regulamento consular e o trajecto do prospecto que deu em ante-projecto do regulamento do MNE. Uma primeira versão do regulamento consular foi negociada com o STCDE e com a ASDP, com várias propostas destas estruturas representativas a serem aceites, chegando-se a um acordo de que resultou uma última versão.

    (Que foi apresentada ao Conselho Diplomático, para parecer…) – Como é que sabe disso?

    (Não tenho que lhe dizer.) – O senhor está aqui acreditado em que qualidade? Mostre o seu cartão. Mostre cá…

    (Este cartão não serve?) – Então o senhor é funcionário da secretaria-geral do MNE e está aqui no briefing disfarçado de repórter do ABC gratuito?

    (Mandaram-me…) – Faz favor, abandone de imediato a sala, os procedimentos ficam para depois…

        (O funcionário abandonou a sala aos gritos «Mandaram-me! Mandaram-me!», prosseguindo o briefing:)

    podem continuar a perguntar.

    (O Conselho Diplomático emitiu parecer sobre o regulamento consular?) – Emitiu e foi um parecer desfavorável mas que não é vinculativo.

    (Desfavorável? Porquê) – Porque o regulamento consular não estaria em consonância com o prospecto do ante-projecto do regulamento do MNE que não chegou a projecto.

    (Quer dizer que a argumentação do conselho contra o regulamento consular foi uma argumentação a favor de um versão do regulamento do MNE?) – É o senhor que diz.

    (Isso não tem a ver com as nomeações?) – É o senhor que pergunta.

    (Por amor de Deus! Eu não sou funcionário da secretaria-geral! Responda-me se a hierarquia representada no conselho não quer abrir mão das nomeações!) - Naturalmente que isso nos leva à questão de fundo que é a de se saber se as nomeações, designadamente para postos consulares, são exclusivamente assunto interno da carreira ou assunto de exclusiva decisão política. Aqui é que bate o ponto.

    (E não haverá uma solução de equilíbrio?) – Quanto a essa possibilidade, o funcionário da secretaria-geral que ainda agora foi aconselhado a sair da sala, saberá mais do que eu, e ele é um dos que poderiam confirmar se é verdade ou não que foi recusada pelo conselho diplomático uma proposta equilibrada no sentido do mesmo conselho poder apresentar três nomes por entre quais o decisor político poderia optar.

    (Então foi pena que o senhor tivesse expulsado o funcionário…) – Não lamente, será melhor para ele ser alvo de procedimento por estar indevidamente neste briefing, do que ser alvo se inquérito por dizer aqui o que é inconveniente para a metade mais um do conselho.

18 julho 2008

BRIEFING DA UMA ■ Tahoma

A letra Tahoma
vai resolver a situação
de mais chefes que índios


VIVA A FORMA, ABAIXO O CONTEÚDO Declaração prévia: «Meus senhores, minhas senhoras, tenho aqui ao meu lado o nosso especialista informático Cortez Palha que vos falará da letra Tahoma. Como sabem, o problema dos ofícios, notas e telegramas das Necessidades é apenas uma questão de forma, porque quanto ao conteúdo temos o ministro e os secretários de estado para aguentarem o que lhes chega. Perguntem, então.»

  1. (Senhor especialista Palha, Tahoma é assim mesmo importante para a política externa portuguesa?) - Bem, pá, é. Bem vistas as coisas, pá, os políticos externos estarão numa grande porque Tahoma, pá, é a fonte padrão do sistema operacional Windows, distribuída primeiramente na versão 95, pá. E então, pá, a Tahoma é uma fonte de grande importância por apresentar um número muito completo de caracteres unicode, e também, pá, é a mais compatível com as diferentes línguas. E então, nós, pá, aqui no MNE, temos que ir nessa, pá, o Tahoma é bué da fixe.

  2. (Ouvi dizer que a letra Verdana é muito semelhante à Tahoma. Como distinguir isso? Nuno Brito vai usar lupa?) - Não pá! Isso vê-se logo mal se se abre o Word, pá. Mas sim, pá, a Verdana é uma fonte irmã da Tahoma. E até porque foram criadas ambas as duas, ou seja uma e outra, as duas portanto, pelo mesmo tipógrafo, o Matthew Carter, com quem viajei num avião da TAP, sei lá, pá, há sete, oito anos. E se queres saber, pá, a Tahoma é também uma fonte sem serifa e humanista, pá, que palavra me saíu, pá, sim, humanista, ou seja, remete ligeiramente à caligrafia, que é do baril para os da política externa, estás a ver, pá. Mais, pá, como expliquei ao director, a Tahoma tem formato mais estreito que a Verdana, os espaços entre as letras são mais justos, e por causa disso, a Tahoma, pá, é muito usada em diversas interfaces e sites, sendo mesmo incluida no pacote de fontes padrão do sistema operacional Mac OS X v10.5, o Leopard em 2007.

    2. (Mas o que é isso tem a ver com a política externa portuguesa?) - Pá, isso não é do meu campo. O que interessa, pá, é uniformizar isto, dar um ar de regrado a isto, pá. O Salazar não impôs o HCESAR nos teclados e não andava tudo regrado? É mais ou menos assim pá, mas não me meto na política. Eu, pá, no estudo que fiz, deixei lá que a fonte Tahoma é de fácil leitura, já que foi desenhada a fim de ser lida mesmo nos menores tamanhos em monitores de computador. Disse também que a altura X da fonte é relativamente grande e os espaços dentro das letras, como nos buracos das letras "o" e "a", são largos, e que assim se consegue mais ênfase na diferenciação de letras parecidas, como E e F para agilizar a leitura. Se isto ajuda ou não os políticos externos, pá, olhem, por mim, tanto me faz que voltem ao HCESAR.


  3. (O especialista Cortez Palha nem se apercebeu que, quando disse estas últimas palavras, já ninguém estava na sala...)

02 maio 2008

■BRIEFING BID■ Os postos ficam complementados

Brefing temporário de avaliação,
para se ter uma ideia de como vai isto

SOBRE O N.º 84, DE 2 DE MAIO Declaração prévia - Para a trabalheira do BID, valeram hoje quatro recortes do CM, dois do DN e quatro colagens da Lusa, cumprindo-se assim aquele sagrado objectivo de «síntese quotidiana da actualidade noticiosa nacional e estrangeira considerada relevante para a acção dos agentes diplomáticos portugueses em posto». Podem perguntar, se faz favor.

  1. (Com que notícias de Nacional, o BID complementa o quadro da informação devida aos serviços externos por parte do MNE?) – Complementa com a notícia que todo o mundo já conhecia, designadamente no Tibete onde o Correio da Manhã é o único jornal permitido – essa de que Manuel Lobo Antunes vai para Bruxelas e Manuel Carrilho para a UNESCO. Outro complemento do BID, também do CM, é a de que «Cavaco quer UE a uma só voz», havendo ainda uma terceira, esta do DN, jornal agora de ampla circulação em Cuba por ordens de Raul Castro, segundo a qual «a CGTP admite greve e UGT quer baixa do IRS». E nada mais. Como os senhores verificam, mau seria o dia informativo nos postos sem as novas permitidas no Tibete e as que já circulam em Cuba.

  2. (Ótimo! E no Internacional? Qual foi a papinha considerada relevante para os agentes diplomáticos?) – Se faz favor, tento na língua! É preciso ter topete!

    (Tento porquê?) – Primeiro, o senhor usou ótimo e não óptimo, ponha o p. Segundo, retire a palavra papinha, palavra que é atentatória da honra e dignidade do Gabinete de Informação e Imprensa do MNE. Certo? Muito respeitinho para com o próximo futuro ministro plenipotenciário Fernando Tavares de Carvalho que dirige esse estratégico gabinete que hoje já não se refere a Manuela Ferreira Leite.

    (Legal! Está legal! Me desculpe. O BID quanto a Internacional é abstrato ou conrecto?) – Está desculpado mas reincide nessa omissão do c em abstracto. Bem, quanto a Internacional, o BID de hoje complementa com notícia da Lusa que colheu de surpresa os postos – que a Guiné-Bissau, presidente da CPLP, organiza em Lisboa, a partir de sábado, a Semana Cultural da comunidade guineense «para aproximar a organização dos cidadãos». Além disso, com outra surpreendente notícia da Lusa, o BID colocou os meios diplomáticos de Londres em estado de choque ao complementar os postos com essa do Partido Trabalhista de Gordon Brown se encaminhar «para uma humilhante derrota nas eleições municipais de quinta-feira, em Inglaterra e no País de Gales, com o pior resultado nestes escrutínios em 40 anos». Foi uma completa surpresa para os postos onde, como sabem, a CNN está interdita e a Sky News banida. Se não fosse o BID ninguém ficaria complementado.

  3. (E de Economia?) – Uma só papinha do CM e nada mais.

    (Papinha? Mas o senhor interditou o uso dessa palavra! Como é?) – É verdade, mas no melhor pano cai a nódoa. Não façam caso. O que interessa é que o BID tenha complementado os postos com essa, no CM, do governador do Banco de Portugal ter afirmado que o crescimento da economia portuguesa «não será muito distante de 1,7%", o que corresponde à previsão apresentado há dias pelo relatório da Comissão Europeia e que José Sócrates desvalorizou».

  4. (E quanto a Cultura, que apresenta o BID de hoje?) – Duas coisas. Uma, do DN, sobre a exposição de André Guedes "Better Days, for These Days", e outra, do CM, a de que a Companhia de Diamantes da Namíbia revelou a descoberta de um navio com cerca de 500 anos e que as primeiras investigações indicam que se poderá tratar da caravela em que naufragou Bartolomeu Dias, no ano de 1500.

    (O nome desse Bartolomeu não era Bartolomeu Inocêncio Dias, BID?) – Não temos dados sobre essa matéria, somos jovens tal como vocês, nascemos depois do 25 de Abril e não sabemos bem o que se passou nesse dia.

    (Muitos risos na sala, e gargalhadas de um observador de Belém)

  5. (E quanto a Desporto, que relevante para os postos?) – Quanto a desporto, diz o BID que a Lusa informa que «o Zenit São Petersburgo alcançou hoje, pela primeira vez na sua história, a final da Taça UEFA de futebol com uma surpreendente goleada (4-0) sobre o colosso e principal favorito à vitória na prova, Bayern de Munique». E que, também segundo a Lusa, «o Glasgow Rangers, carrasco do Sporting, garantiu hoje a primeira presença na final da Taça UEFA em futebol, ao bater a Fiorentina por 4-2, no desempate por grandes penalidades, depois do "nulo" no fim do prolongamento». Portanto, como se torna evidente, matéria relevante para a acção dos agentes diplomáticos portugueses em posto. Sem as vitórias do Zenit sobre o colosso, e do carrasco Glasgow, pobres dos nossos embaixadores, tristes dos nossos ministros conselheiros, inflexíveis e inorgânicos dos nossos adidos…

  6. (E sobre o serviço de webclipping (área reservada) que o BID diz estar disponível, lê-se aí alguma coisa?) – Muito. A rua do Padre Aparício está já disponível e faculta aos postos 3 notícias/destaques envolvendo o MNE (um até da revista LUX), 1 notícia da Cooperação, 1 das Comunidades Portuguesas, 35 da Europa, 5 da ONU, 0 de Cimeiras Internacionais, 95 de Política Internacional, 17 de Médio Oriente, 15 da África/CPLP, 30 das Américas e 15 da Ásia… E é tudo.

    (Qual foi o destaque da LUX?) - É matéria de vida privada, mas refere-se a pedido de ajuda de um manequim ao MNE para que um bébé pudesse ser transferido para Portugal num voo especial e com os devidos cuidados... Terminamos por hoje.

  7. (Espere, espere! Você referiu Áfricas/CPLP, tudo junto? O Brasil e Timor já ficam nas Áfricas?) – A confirmar-se que a caravela encontrada na Namíbia era mesmo de Bartolomeu Inocêncio Dias (BID), qual é o problema de se colocar Brasil e Timor nas Áfricas? Acaso a CPLP não é peça de arqueologia marítima?

21 abril 2008

■BRIEFING■ É a Nota, é a Carta, é o Parecer....

Briefing. «Ninguém tem outro direito que não seja o seu dever» – Auguste Comte

1 – Declaração prévia
2 – A questão do MNE
  1. (Declaração prévia) – Meus senhores, minhas senhoras, pediram este briefing com urgência, aqui estamos. Por favor sejam breves. Mas concordamos com as vossas críticas ali fora - há muito que não não convocamos briefings, o último foi em 21 de Março, vamos estar mais atentos. Por hoje, dispomos de dez minutos. Primeira pergunta, você...)

  2. (A mim e a muita gente, intriga que se dê tanto espaço ao problema monárquico ou dinástico, como se queira. Porquê) - Está enganado! Não damos um centímetro quadrado de espaço à questão monárquica nem um milímetro que seja à questão dinástica. Mas daremos quilómetros, hectómetros, o que for necessário, para se esclarecer a intrusão do MNE ou de pontos precisos do seu aparelho nessas questões, com pretextos que, à partida, se revelam aparentemente difusos, pouco sustentados em matéria de facto. E quanto a factos, se A está para B assim como B está para C, ergo A está para C.

    (É por isso que hoje cita Comte?) – Precisamente.

    (O que pretende dizer com a intrusão do MNE?) – A questão da herança do título de chefe da casa real, com tudo o que isso supõe, é uma questão de direito sucessório e, em termos mais gerais, uma questão histórico-política que não cabe no quadro constitucional português, e claro está, não pode ser considerada no âmbito da actividade diplomática, a não ser que sejam detectados comportamentos abusivos, seja de quem for, que firam a imagem e os interesses do estado, comportamentos que sejam comprovados e não apenas insinuados e vagamente referidos. Ficam em plano secundário as simpatias por este por este por aquele, ou mais por este do que por aquele outro, mas para afirmação ou reforço de tais simpatias não é lícito que o aparelho de estado seja usado, sem fundamento claro e inequívoco, pondo em crise princípios fundamentais.

    (Então, assim, o problema eterniza-se...) – Não, desde que os tribunais se pronunciem em definitivo sobre uma querela que é do foro civil, numa perspectiva, do foro administrativo noutra, ou que até pode ser suscitada no foro penal ou criminal onde os factos têm que ser precisos. Trata-se de interesses privados em contenda, há leis para resolver isso. Os tribunais são um órgão de soberania e nenhum departamento político os pode ou deve substituir, pelo que também não é legítimo, sendo até capcioso, procurar-se obter através de departamentos políticos o que compete a tribunais decidir perante acções, processos, queixas ou participações. Mas sejam rápidos, por favor.

    (NV sempre colocaram as cinco questões a Rosário Poidimani?) – Sim, confirmamos. Contamos divulgar as respostas na quinta, o mais tardar na sexta-feira.

    (NV só ouvem Rosário Poidimani? Não ouvem Duarte Pio?) – NV apenas escrutinam quem é acusado, neste caso à evidência por via do MNE, por usurpação de títulos tradicionais ou falso uso dos mesmos. Não temos que ouvir quem não é acusado, independentemente da querela, sobre a qual não nos pronunciamos nem temos que nos pronunciar.

    (Mas o MNE não pode acusar, denunciar, comunicar a autoridades em terceiro país?) – Claro que pode e deve, mas com fundamentação clara, inequívoca e sustentada. Dispõe de meios para em cooperação com entidades competentes proceder a averiguações que obviamente terão de ser confidenciais, mas quando se acusa e da acusação resulta prisão do acusado e selagem de instalações, há todo o interesse público no conhecimento da causa e dos efeitos, sem prejuízo do que os tribunais decidirem, no caso a justiça italiana, sobretudo quando o que fica em causa é o uso de títulos em querela relativamente aos quais impende um espúrio reconhecimento oficial por parte do estado. O MNE não é um departamento justicialista.

    (Espúrio?) – Exactamente, espúrio. Em sentido figurado, adulterado.

    (NV chegaram a falar da 'república de monárquicos' no MNE. O que se quer dizer com isso?) – Um diplomata, qualquer diplomata em qualquer capital ou chancelaria, tem legítimo direito em ser ou afirmar-se republicano, monárquico, o que entender. Já não se entende é que diplomatas republicanos se organizem na chancelaria de Madrid em grupo de pressão para protecção de interesses extra-constitucionais ou que diplomatas monárquicos em Lisboa façam o mesmo ou coisa idêntica.

    (Mas há esse grupo de pressão nas Necessidades?) – Francamente! Não nos interessa saber se há ou não grupo, se o grupo integra A, B ou C; interessa-nos apenas escrutinar se alguma posição, parecer, determinação, etc., violenta princípios deixando indícios inequívocos de acção de grupo ou de defesa de interesses fora do quadro do MNE. A partir daí, é ao MNE que compete averiguar se tem ou não grupos desse tipo. Nesse sentido, estamos a passar em revista a documentação oficial colhida na sequência dos requerimentos do deputado Nuno da Câmara Pereira.

    (NV vão pegar nisso?) – Com certeza que sim. Essa matéria foi já publicamente tratada mais numa perspectiva de rei ou roque, e só ligeiramente no escopo das Necessidades como central de definição diplomática, de execução da política externa e de salvaguarda da unidade e imagem do estado no exterior, a quel pode ser tudo menos uma mosca a pedalar numa bicicleta. Há pelo menos uma resposta oficial do MNE ao deputado Nuno da Câmara Pereira que colide com a doutrina invocadamente sugerida pela embaixada em Roma, pelo ex-consulado-geral em Milão e por um documento interno do MNE que como 'parecer' saltou para fora das Necessidades não se sabe como, sem dar azo ao inquérito que se imporia e continua a impor, doa a quem doer.

    (Safa! Isto não é folclore, como eu pensava!) – Não, não é folclore. Meus senhores, minhas senhoras, terminou o tempo. Bom resto de tarde.

22 março 2008

Coisas no MNE. E do cado de esquadra!

Lá chegaremos aos detalhes, brevemente. E aos documentos.
→ Briefing


Rematava a menina com aquele «Não há ?», a sua deputável meia-pergunta sobre se há coisas fantásticas. Pois há.

Apesar destes santos dias, muito correio a propósito do Briefing, e parece que muita gente sentiu o toque e percebeu (até que enfim!) que podemos ser plebeus, mas não somos infantes – há coisas fantásticas no MNE, e não apenas por cabo. Só que, se as Necessidades se envolveram ou foram envolvidas num assunto que não é do estado e muito menos da República, há quem diga que será preferível não envolver o ministro nisto, por outras e melhores palavras, que o ministro não se deixe envolver ou não fique também desnecessáriamente envolvido. Mas o que está feito, feito está.

21 março 2008

■ BRIEFING ■ MNE desnecessariamente envolvido

Briefing. «Uma máxima admirável: nunca mais falar das coisas depois de elas já estarem feitas» – Baron de Montesquieu

1 – Declaração prévia
2 – MNE, república e monarquia
    1- (Declaração prévia) – Apesar desta sexta-feira santa, a sala está surpreendentemente cheia. Foi verificado que todos os presentes estão devidamente credenciados para não acontecer como no último briefing em que tivemos que expulsar pessoa intrusa. Bem! Meus senhores e minhas senhoras, fomos sensíveis ao vosso abaixo-assinado para a convocação urgente deste briefing que necessariamente tem que ser breve. Primeira pergunta, se faz favor...)

    2 - (Notas Verbais, com esta história da questão de reis, viraram agora monárquicas e por entre os monárquicos, acaso optaram por uma facção?) - Nada disso! Somos indefectivelmente republicanos. Respeitamos obviamente quem tem por opção a monarquia para a organização do estado, mas isso não impede que de forma clara e inequívoca, concordemos com a existência dentro da República de pequenas repúblicas de monárquicos - isso é mal, até para os defensores da monarquia.

    (Refere-se a organização de interesses?) - Referimo-nos às eventuais organizações de interesses que violam ou põem em crise razões de estado, dentro do próprio estado.

    (O que é que isso tem a ver com o MNE?) - Eventualmente pode ter, sendo certo que o MNE como peça fundamental do regime republicano deve estar atento. A tolerância não pode resvalar para a distracção e para a lassidão.

    (Bolas! Pedimos este briefing urgente para o senhor ser concreto! E anda às voltas! A que se refere?) – Não andamos às voltas. O senhor não entende que as Necessidades não podem servir de palco para dirimir contendas, divergências ou até mesmo conflitos de interpretação entre monárquicos legitimamente convictos? Mais concretamente, os rolamentos da máquina do MNE ficariam gripados se nessa máquina estivessem constituídas pequenas repúblicas informais de monárquicos. Não acreditamos que elas existam neste momento mas há quem não peça a Deus para não cair na tentação.

    (Bolas! Quem fala assim não é gago.) – Desculpe, mas observações de sse tipo não cabem nos briefings.

    (Desculpe...) – Está desculpado. Outra pergunta!

    (Estou sem perceber nada disto! Mas que diabo está a acontecer?) – Os factos são estes - Ponto um, há um cidadão em Itália, que após meses de prisão preventiva, é alvo de um processo crime na justiça italiana, tudo leva a crer, na sequência de inequívocas afirmações por parte de representantes do estado português do quadro do MNE, sobre se tem ou não direito ou legitimidade a reivindicar o máximo símbolo da linhagem monárquica - pretendente ao trono, obviamente não reinante. Ora essa reivindicação que contende com outras, pelo menos duas, não é razão de estado, não pode ser preocupação da república e, a fortiori, nem o MNE nem ninguém do MNE tem que se meter nisso.

    (Boa, essa do a fortiori! Mas essa reivindicação não anda ligada ao funcionamento de um consulado abusivo?) – A seu tempo trataremos dessa questão do consulado, sobre a qual não se conhece participação formal e fundamentada da República Portuguesa à República Italiana, como o caso, a ter sido verdade, exigiria responsavelmente. Houve procedimentos difusos, na fronteira do informal e formal a nível de representantes de chancelarias, em que os factos eventualmente probatórios foram substituídos pelo argumentário trocado entre facções monárquicas sobre legitimidade de títulos, argumentário esse que destoa na boca da República, na voz do MNE e na língua dos representantes que, em representação, deve ser sempre e apenas a língua oficial com tento.

    (E então?) – Então, ponto dois, para além do processo em Itália entre a justiça italiana e o referido cidadão, já são também factos que, em Portugal, por esse mesmo cidadão, foi apresentada uma queixa-crime no DIAP e uma acção administrativa especial no Tribunal Administrativo de Lisboa, em que o MNE e quadros do MNE estão envolvidos como alvos. A justiça fará o seu trabalho, no segredo que tem por definição e garantia.

    (Quer isso dizer que, prontos, nada mais poderemos saber, lá porque está em segredo...) – Tem razão em parte, mas esse prontos só lhe fica mal, senhor jornalista, a não ser que seja da Caras. Bem! A comunicação, qualquer tipo de comunicação, não pode nem deve jurisdicionalizar-se ou judicializar-se, não sabemos qual o termo mais exactao, teremos que perguntar a Vital Moreira. Os tribunais farão o seu trabalho, avaliando se processo, queixa e acção são procedentes, ouvindo as partes. Pelo nosso lado, lidaremos com documentos, documentos que não sejam de subtrair do interesse público em que sejam conhecidos, independentemente de, também sobre os mesmos ou outros, a justiça se pronunciar. Aprendemos sempre com a justiça, tal como a justiça para ser justiça também foi ensinada. Só num regime autoritário é que a justiça não é ensinada e os cidadãos, por sua vez, não aprendem com a justiça.

    (Vamos ter documentos?) – Com certeza! Documentos que sejam de carácter público ou já públicos, ou feitos para eventual uso público.

    (E do MNE ou de gente do MNE?) – Com certeza! Do MNE e de gente do MNE. Ou você pensa que pertencemos a uma pequena república de monárquicos? Há regras, valores, princípios e procedimentos que indeclinávelmente qualquer cidadão responsável deve e tem que defender e que não podem ser postos em crise por atropelos, grupos de pressão e mesuras.

    (Você gosta muito de usar essa expressão pôr em crise...) – Gostamos. Nós e, pelo que se tem ouvido do próprio, o ministro Luís Amado também gosta. Como «máquina» da República, as Necessidades envolveram-se desnecessariamente na questão dos reis e nunca mais falar das coisas depois de elas já estarem feitas, como lá dizia o velho Montesquieu, é válido no Protocolo, não é válido em Diplomacia. E se isto não é verdade, que a justiça nos ensine. Bem! Meus senhores, minhas senhoras, acabou. Até à próxima e Boa Páscoa!

26 fevereiro 2008

Briefing Tão longo que vale por dois meses

Briefing. «A eloquência é a secção consular da diplomacia» – afirmou Manuel V Paleólogo© a um embaixador persa, nas novas oportunidades do ID.

1 – Declaração prévia
2 – Obras do Convento do Sacramento
3 – O que não se pode dizer à SEDES
4 – Orçamento do MNE
5 – Optimismo
6 – 2008, ano da reforma do MNE
7 – Círculo vicioso
8 – Criacionismo
9 – Segurança das missões
10 – O que não se pode dizer a Vital Moreira
11 - Cacau
12 – Novas oportunidades



1 - (Declaração prévia – A sala está cheia, muito obrigado. Depois destes meses de ausência é confortável sentir-vos em peso. Peço-vos que compreendam mas as vossas questões não podem nem devem ir além do que o secretário-geral do MNE afirmou no seminário diplomático de 7 de Janeiro. Estamos à vossa disposição)

(Só agora? Uma coisa de 7 de Janeiro?) – Agora é que tem piada.

(Várias vozes - Não sabemos onde está a piada!) – Pelos dicionários, piada tanto pode ser o pio das aves, como a porção de azeitonas que entra na vasa do moinho, de cada vez. Em diplomacia, mói-se. Vamos ao que interessa. Primeira questão?

2 – (Eu! Eu, se faz favor! As obras do Convento do Sacramento, arrancam ou não arrancam?) – Fernando Neves anunciou o arranque das obras do Convento do Sacramento, e além disso a construção da residência em Brasília, da chancelaria em Díli, e ainda contactos para estudar, com a Câmara de Lisboa, a envolvente ambiental e urbana do Palácio das Necessidades e a recuperação da Tapada.

3 – (O ministro não pediu a Fernando Neves dados comparativos do número de diplomatas nas três presidências da UE? ) – Pediu e a contagem foi feita: em 1992, as Necessidades contavam com 425 diplomatas, em 2000 com 461, e em 2007 com 416.

(E a contagem do número de funcionários não-diplomáticos foi feita?) – Para quê contar isso? Contar funcionários não-diplomáticos faz adormecer, além de que o recurso a contratados a termo certo espevita e muito mais espevita se estes precários não tiverem segurança social e acumularem salários em atraso. Mas por favor não digam isto à SEDES, que ainda temos novo relatório catastrófico sobre a honra de estado!

(Como é que Fernando Neves comentou o decréscimo do número de diplomatas?) – Exactamente assim: «Os dados são eloquentes».

(Não brinque connosco! Segundo os dicionários, eloquência é a faculdade de convencer ou deleitar por meio da palavra e não dos números!) – E não deleitou?

4 – (Ainda sobre números, como é que Fernando Neves comentou o orçamento do MNE?) – Comentou com deleite. Disse que o orçamento do MNE continua à volta de 0,7% do OGE, aquém da prioridade que se pretende dar à nossa promoção externa. Disse que estava aquém mas não foi além.

5 - (Pessimismo de Fernando Neves?) – Nada disso, antes pelo contrário! O secretário geral julga, início de citação, haver este ano lugar a optimismo, fim de citação.

6 – (Boa! Precisamos de optimismo! Pode especificar?) – Fernando Neves indicou que o senhor ministro indicara que 2008 vai ser o ano da reforma do MNE, tendo indicado que 2007 foi o ano da preparação das bases dessa reforma.

7 – (Que bases?) – Nada melhor do que as próprias palavras do secretário-geral. Início de citação, «a conjugação da necessidade por nós sentida de alterar o regime da gestão e das carreiras do Ministério, com o PRACE, a revisão das carreiras da Função Pública e o novo regime de avaliação dos funcionários, o SIADAP, obrigou a que procedêssemos a uma revisão muito mais profunda e articulada do que inicialmente tinha pensado dos instrumentos de gestão do MNE, mas criou um ambiente muito mais propício, julgo, aos objectivos de dotar o país com um MNE adaptado à realidade do mundo actual.», fim de citação.

(Que discurso redondo, esse…) - Redondo, não! Os dados são eloquentes.

8 – (Vamos a medidas. Que medidas concretas?) – Fernando Neves indicou que apresentara ao ministro «um projecto exaustivo de reforma do Regulamento do Ministério».

(Com que âmbito?) – Ele indicou que o projecto cobre toda a actividade diplomática e consular…

(… cobre?) - … cobre e visa reforçar a unidade da acção externa do Estado…

(… essa é canção que se ouve desde 1939. A unidade ainda não está reforçada?) - … cobre, reforça e, além disso pelas indicações, vinca os poderes do Secretário Geral e dos chefes de missão…

(… mas isso não está vincado?) – Bem! Só agora me apercebo que você indica que está a brincar com coisas sérias. Advirto-o!

(Calma, nós aqui apenas queremos dados eloquentes! Fernando Neves anunciou alguma coisa de novo?) – Se indicou! Disse que o projecto indica a indicação que cria a carreira do Pessoal Especializado da secretaria de estado, mais indicando que cria o Estatuto do Pessoal dos Serviços Externos…

(… cria? Mas isso já não existe?) - … ele indicou que cria! Os dados são eloquentes! Se ele indicou que cria é porque o pessoal dos serviços externos não têm estatuto e se têm não deviam ter tido, pronto!

(… e para além desse criacionismo, que mais se ouviu de Fernando Neves?) – Muito mais se ouviu, indicando o secretário geral que o projecto indica para o respeito dos direitos adquiridos, para a introdução de um sistema de avaliação por objectivos, para a adaptação do SIADAP à especificidade do MNE e, não se riam, para a criação, início de citação, de mecanismos de gestão adequados a um Ministério que estende os seus serviços por vários países, fim de citação.

(Porque nos havíamos de rir? Os mecanismos de gestão não têm que ser todos adequados?) - Indicando bem, Fernando Neves indicou a Carreira Diplomática continuará a dispor de Estatuto próprio, cuja revisão inicial ficou pronta em Julho de 2007.

(E então?) – Então, Fernando Neves indicou que a necessidade de articular o Estatuto da Carreira com o Regulamento do Ministério, além da adaptação à introdução do SIADAP, obrigou a nova revisão profunda do projecto de Julho…

(… e então?) - … então indicando que em Janeiro deste ano, claro, apresentaria ao ministro uma versão final para que em Fevereiro corrente, claro possa haver indicações do início do diálogo indicado pois o ministério das Finanças indicara Fevereiro para a negociação da reforma das carreiras do MNE.

(Por acaso não estou a gostar do seu briefing de hoje) – Porquê?

(Contrariamente ao que é seu costume o senhor só diz que indica indicando, que a indicação indicará para o indicado… É demais!) – E ainda eu não vos revelei que Fernando Neves revelou que o novo Estatuto Diplomático indica para o aumento do grau de profissionalização, indicando a consagração da auto-regulação da carreira!

(Quer dizer com isso que vamos ter a Ordem dos Diplomatas? O que dirá Vital Moreira sobre essa indicação corporativa?) – Não dirá nada, nem poderá dizer nada porque Fernando Neves indicou que a carreira se afirma como garante da unidade da acção externa do Estado.

(Mas não é o Presidente da República que traduz tal garantia?) – E quem lhe garante que a carreira não irá ser o primeiro Presidente da República colegial?

(O senhor, afinal, o que está é contra a carreira!) – Esse dado não é eloquente. Meça as palavras. Advirto-o!

9 – (Este briefing, assim, não leva a nada. Fernando Neves, por acaso, não se referiu à questão da segurança nas missões?) – Fez indicações nesse sentido, sim senhor, indicando que solicitou que, em conjugação com a Autoridade Nacional de Segurança, se crie um grupo de trabalho para a segurança nas missões, com a indicação de que há necessidade cada vez mais premente disso mas que constitui um conceito até agora ausente da gestão e por conseguinte do Orçamento do MNE e que tem sido tratada de forma casuística, com recurso ao FRI.

(Explique essa: tratada de forma casuística com recurso ao FRI?) – Não comentamos.

(Falou da segurança das missões. E quanto à segurança do próprio Palácio?) – Quanto a isso Fernando Neves indicou estar em curso a alteração, num sentido mais institucional, do sistema de segurança do MNE.

(Mais institucional, o que quer dizer isso? Uma guarda diplomática?) – A indicação foi essa de mais institucional. Ver-se-á.

10 - (E quanto à revisão da rede diplomática?) – Quanto a isso, Fernando Neves indicou nesse 7 de Janeiro que estava a ser ultimada uma proposta para um processo de revisão da rede diplomática do Estado a que o ministro quer proceder.
(Não é o ministro que, politicamente, deve apresentar um projecto ou deva aguardar pela proposta?) – Não vamos comentar essa matéria mas talvez se trate de um primeiro exercício de auto-regulação. Mas não digam nada ao Vital Moreira!


11 – (Peço desculpa, é a minha vez. Queria perguntar sobre essa matéria de estado que é a dos Abonos dos diplomatas no exterior.) – Refere-se ao cacau?

(Sim ao cacau, sem o qual não há auto-regulação.) – Em matéria de cacaus, Fernando Neves indicou a articulação com os tais articulados projectos de Estatuto da Carreira e de Regulamento do Ministério, de uma proposta de novo sistema de Abonos no exterior, que fora enviada ao ministério das Finanças já em Julho de 2007.

(O povo gosta é de saber disso. Como é a proposta?) – O secretário geral indicou que o sistema proposto, início de citação, baseia-se num índice mais objectivo do custo de vida, atende às exigências diferenciadas de representação, cobre integralmente as despesas de habitação e educação e submete a prestação de contas as despesas de representação activa, fim de citação.

(Fiquei na mesma, além de julgar que as contas já eram prestadas.) – Que fique na mesma mas não pense que está a falar com a ministra da educação nos prós e contras. Nas Necessidades, os dados são eloquentes, pelo que, como Fernando Neves indicou o novo sistema de cacaus dos Abonos, início de citação, efectivamente só poderá ser aplicado após a entrada em vigor do Regulamento e do Estatuto, fim de citação.

(Essa palavra do efectivamente, até faz lembrar a Maria de Belém.) - Porque não se cala?

(Pá! O ambiente está duro!) – Indiquei-vos logo do início que estou aqui hoje exclusivamente para vos dar indicações do que Fernando Neves indicou.

(Bem ! Está bem, desculpe!) – Está desculpado mas efectivamente não repita. Agora pergunta final… Você!

12 - (Obrigado. Diga-nos o que Fernando Neves indicou, perdão, anunciou em matéria de formação.) – Com todo o gosto. Fernando Neves indicou que solicitara ao Instituto Diplomático, agora não apenas ID mas IDI, que indique, já para o próximo movimento diplomático, cursos compactos para os funcionários que vão para posto, bem como de cursos de administração destinados sobretudo aos chefes de missão a fim de estarem melhor preparados para exercer as funções de gestão que lhes compete como Dirigentes superiores do 1º grau.

(Essa dos cursos compactos sobretudo para chefes de missão, faz lembrar uma de novas oportunidades. Mas então a nomeação de ministro plenipotenciário ou de embaixador não pressupõe já preparação adequada para as funções? É preciso um curso compacto, no fundo para disfarçar a ausência de escrutínio?) – Quanto a isso pergunte directamente a Fernando Neves que se limitou a indicar que esse, início de citação, é um primeiro passo, talvez modesto, mas que poderá testar o modo mais adequado de introduzir uma acção consistente e de formação dentro dos condicionalismos reais da nossa carreira, fim de citação.

(E qual seria um passo menos modesto?) – Respondo, sim senhor. Passo menos modesto que cursos compactos, seria a aprendizagem ao longo da vida. Mais nenhuma pergunta?

(Por mim, mais nenhuma) – Obrigado pela vossa presença. Ah! Já me esquecia. Fernando Neves indicou que em será distribuído em breve um Guia para as missões diplomáticas em matéria administrativa e, início de citação, também o lançamento de uma resenha de imprensa on-line, acessível a todas as missões e postos consulares, que incluirá, para além dos principais títulos nacionais um vasto leque de publicações estrangeiras, fim de citação.

(Bem! Se é on-line é acessível, como on-line e acessíveis estão há muito os títulos nacionais e um vasto leque de publicações estrangeiras… Será mais um curso compacto?) – Não, é aprendizagem ao longo da vida.