Não estamos esquecidos desse assunto,
embora tenhamos que fazer umas precisões nos acidentes
e não na substância ...
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"... soçobram os requisitos para efectivação de responsabilidade criminal dos actos imputáveis a Rui (Cabeçadas) de Sousa, por inexistência de tipicidade no ordenamento jurídico português..."
Li com muita atenção na revista Sábado a matéria sobre o Progama das NU, bem escrita, e fiquei estupefacto com a justificativa do embaixador Monteiro para aceitação do cargo na SOCO International. Diz o meu ilustre colega que quando "as coisas apareceram" o presidente da SOCO lhe tinha garantido não ter cometido nada de ilegal. E o relatório do comité independente sobre "as coisas"? O embaixador Monteiro não leu o relatório? Como é possível ele aceitar um alto cargo numa empresa directamente visada e inculpada em actividades ilícitas que não são meras coisas, num programa das NU a cuja comissão o próprio embaixador Monteiro presidiu? Nota final: não conheço o despacho do procurador-adjunto José Lopes Ranito, citado na revista, mas acho estranho, muito estranho esse argumento da lacuna da lei.
Zé Plauto, emb
1. Rui de Sousa
Nuno Brito era o Administrador do Programa Oil for Food, cuja Comissão foi presidida por Antonio Monteiro!
Na Revista Sábado, pelo jornalista Nuno Tiago Pinto, mais uma: «Em Junho passado, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (António Monteiro) foi nomeado administrador não executivo na Soco International, a empresa de que Rui (Cabeçadas) de Sousa é presidente não executivo».
Mas diga-se, em tempo: Nuno Brito, que antes de director-geral de Política Externa (onde surpreendentemente rendeu o embaixador Vasco Bramão Ramos), fora director-geral dos Assuntos Europeus, tinha sido anteriormente Conselheiro Diplomático de Durão Barroso (talvez este tenha dito: - "Foi porreiro pá, leva contigo este").
«Notas Verbais ao levantarem esta questão do Oil for Food, recordam o testemunho de Ana Gomes mas também deveriam recordar as perguntas de António Duarte na Grande Loja do Queijo Limiano, em Abril de 2005 e que transcrevo: Recordar-se-á (Ana Gomes) por ventura de alguma empresa portuguesa ou subsidiária da mesma, que tenha assinado contrato com a ONU para comprar petróleo ao Iraque ? Quem assinou o despacho que deu inicío à operação Oil for Food ? Para além de Ceyhan, onde a empresa UNOCAL detentora do consórcio Cent Gás, e face mais ou menos visível do financiamento via Al-Tawqa Bank aos iluminados da Al-Qaeda, o nome de Baniyas na Síria, não surgia em nenhum relatório, no que ao Smuggling , diz respeito ? Face ao estipulado pelas resoluções 986 e 1111, usar portos diferentes das de Mina-Al-Bakr e Kirkuk_Yumurtalik, para fazer sair petróleo do Iraque, é considerado exactamente o quê ? E, já agora, uma pergunta sobre algo que não sei mas que gostaria de saber - o citado na Nota Oficial do MNE e no relatório da ONU, Rui Cabeçadas de Sousa, era um conhecido ou um desconhecido do embaixador António Monteiro?
Eye de Belfast
«Não segui esse escândalo de perto, mas, pelo que me recordo e sei, com objectivos que nunca foram explicados, Portugal candidatou-se e foi eleito para dirigir o dito Programa das NU "Oil for food" encarregado de administrar o que era permitido ao Iraque de Sadam vender de barris de petróleo para fazer face aos gastos com medicamentos e produtos básicos para a população civil. O Iraque, com a aparente conivência de quem dirigia o Programa dado que tinha de aprovar cada transacção, vendeu mais barris do que o permitido. Isto foi possível dada a confiança de que gozavam dos gestores do Programa certas empresas fantoches. Presidia ao Programa o António Monteiro (então Representante nas NU/Nova Iorque) e era Administrador o Nuno Brito (então N.º 2 na Representação em Nova Iorque). Estarei enganado?
Retired but Presented, emb.
«Acabo de verificar nos links das suas notícias que o ex-Secretário Geral do Quai d´Orsay Serge Boidevaix foi preso devido aos benefícios financeiros que retirou do Programa, bem como um Jean-Bernard Mérimée. O ex-Embaixador de França nas NU , Jean-David Levitte, fez uma nota à imprensa em 7 de Abril de 2004 a explicar-se, mas nada fica claro da sua ligação a Boidevaix.
«Onze Ministérios Públicos solicitaram documentos à Comissão Volcker para procederem a investigações com vista a abrirem processos criminais contra seus nacionais, mas nada consta sobre a Procuradoria Geral da República.
Petronix
A comissão independente das Nações Unidas que investigou o caso (2 400 empresas acusadas em todo o mundo de terem pago subornos ou comissões ilegais ao regime de Saddam, num relatório de 630 páginas) deu o seu trabalho por terminado em Dezembro passado. Há uma excelente síntese do escândalo na Wikipedia, mas também pode ser recapitulado em Oil-for-Food ou no site oficial do programa da ONU.
1. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já estava previamente informado sobre o alegado envolvimento do cidadão português Armando Carlos Costa Oliveira no processo de investigação da Comissão Independente de Inquérito ao programa das Nações Unidas “Petróleo por Alimentos”. Neste sentido, a pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros, efectuado há cerca de 6 meses, as autoridades judiciárias portuguesas estão a acompanhar o processo em causa, bem como a colaborar com as competentes autoridades de investigação internacionais.
2. O Ministério dos Negócios Estrangeiros apenas no final do dia de ontem, na sequência da publicação do relatório final da Comissão Independente de Inquérito ao programa das Nações Unidas “Petróleo por Alimentos”, teve conhecimento do alegado envolvimento do cidadão português Rui Cabeçadas de Sousa. A natureza do envolvimento deste cidadão português no caso das violações ao regime de sanções aplicado pelas Nações Unidas ao Iraque será, desde já, analisada em pormenor pelas autoridades nacionais competentes, estando, também neste caso, o Governo português inteiramente disponível para colaborar com as competentes autoridades de investigação internacionais.
3. O relatório da Comissão Independente de Inquérito ao programa das Nações Unidas “Petróleo por Alimentos” está disponível para consulta no seguinte endereço electrónico: http://www.iic-offp.org/documents/IIC%20Final%20Report%2027Oct2005.pdf