07 abril 2006

Pergunta ingénua. Do adido John Bull IV...

Espigou cedo. O adido John Bull IV que ingressou na carreira recentemente, ao cruzar-se hoje com o veterano embaixador Agapito Barreto, perguntou com impúdica ingenuidade: «Senhor embaixador, será que o MNE tem provas documentais das habilitações de todo o pessoal especializado constante no Anuário? Não me refiro ao pessoal dirigente não diplomático, nem ao pessoal das carreiras técnica e técnica-superior, pois nestes casos dificilmente o Estado aldraba o facto...»

Réplica espessa de Agapito:

«Meu caro adido! Você espigou! Não sabe que há licenciaturas honoris causa? Não sabe?»

O rapaz corou de escrúpulo, lembrando-se naquele repente do que Ramalho, em 1887, escrevera ao primero da cepa Bull, a sua cepa: «O português tem horror ao facto».

Luxemburgo. Diz quem sabe. DFA, reveja enquanto é tempo

Diz quem sabe. Naturalmente que, para Notas Verbais, é um dever transcrever o essencial: «Permito-me tomar esta posição porque acompanhei desde o primeiro momento a génese deste Centro Cultural, tendo sido o seu instalador e primeiro Director durante cerca de três anos.

«Assim, para esclarecimento do público em geral e do Senhor Carneiro Jacinto e do MNE, em particular, confirmo que o espaço onde funciona o Centro Cultural do Instituo Camões no Luxemburgo é propriedade privada e foi arrendado directamente pelo Estado luxemburguês, que, desde 1 de Janeiro de 1998, paga directamente ao senhorio uma verba que ronda os € 4.800,00 mensais, estimando-se que, até à data, os contribuintes luxemburgueses já contribuíram generosamente com cerca de € 437.000,00 para que exista um espaço cultural português digno no seu território, situação ímpar, que mereceria, no mínimo, alguma gratidão por parte do Estado português e dos seus representantes.

«Acrescento ainda que este Centro Cultural deve a sua existência ao envolvimento pessoal do Primeiro Ministro luxemburguês, Senhor Jean Claude Juncker, que, à data, julgo que em 1997, confrontou directa e frontalmente o nosso então Primeiro Ministro, Senhor Engº. António Guterres, para esta necessidade de afirmação de Portugal e dos portugueses no seu país, disponibilizando-se para apoiar financeira e logisticamente a iniciativa.

«Obtido o acordo de princípio por parte do Governo português, fui eu próprio, acompanhado por um actual Ministro do Governo luxemburguês e então Chefe de Gabinete da Senhora Ministra da Família, visitar vários espaços possíveis, tendo a escolha do local onde se instalou o Centro sido da minha responsabilidade, com o natural acordo do Senhor Embaixador então em funções.

«O acordo bilateral obtido assentava, do lado português, na disponibilização de um orçamento anual para despesas de funcionamento e animação cultural e, do lado luxemburguês, em facultar um espaço adequado para a instalação do Centro, que, como atrás referi, foi obtido sem quaisquer restrições de custo de arrendamento e que seria, como tem sido, assumido pelo Estado luxemburguês, e ainda, e é um detalhe que nem sempre é invocado, a oferta, a fundo perdido, de uma verba de cerca de PTE 10.000.000$00, em moeda de então ou cerca de € 50.000,00, actuais, para o arranque breve de obras de adaptação do local e aquisição de diverso equipamento.

«Devo dizer que a primeira transferência de verbas de Portugal foi tão tardia que este subsídio luxemburguês foi absolutamente determinante para conseguir inaugurar o Centro Cultural em Maio de 1999, com a habitual pompa e circunstância.

«Por tudo isto, seria aconselhável que representantes do Governo português fossem mais comedidos e responsáveis nas suas afirmações e decisões e que reconheçam, neste caso concreto, que, por questões que se prendem com princípios de ética política e com o reforço das boas relações bilaterais, temos uma profunda dívida de gratidão para com os luxemburgueses e para com os seus governantes.


DFA, reveja enquanto é tempo. Pode haver consequências.

Foreign Office está para o Rilvas, assim como o protocolo está para a carroça

Nomeação de embaixadores. Não temos, nem queremos ter endosso da Associação de Diplomatas e muito menos de qualquer lobby do MNE por entre os seis bem contados. Mas porque alguns ilustres cidadãos não compreenderam o que NV pretenderam sugerir com "o segredo do Foreign Office", não resistimos a carrear mais um caso para que se compare a polidez protocolar da diplomacia britânica com a carroceria diplomática do Rilvas que era por onde adequadamente entravam outrora as carroças. É um caso de hoje mesmo, tal como há dois dias foi o caso da Turquia.

Comparemos.

Quando o actual embaixador em Israel, Pedro Bártolo foi nomeado, o que disse o Rilvas sobre mudanças em Telavive? Quando muito que o anterior foi exonerado e que o seguinte foi nomeado, tendo sido necessário prestar muita atenção à folha oficial que apenas traz a lume a exoneração do anterior e a nomeação do sucessor, dois ou três meses depois da mudança, sem que o Rilvas diga alguma coisa quem é Pedro Bártolo, o que vale, o que fez e quando fez.

E o Foreign Office? Hoje mesmo, para Telavive, não três meses depois, mas quatro meses antes diz isto, polidamente, protocolarmente, britânicamente, exactamente isto, sem tirar nem pôr:

CHANGE OF HER MAJESTY'S AMBASSADOR TO THE STATE OF ISRAEL (07/04/06)

Mr Tom Phillips CMG has been appointed to be Her Majesty's Ambassador to the State of Israel in succession to Mr Simon McDonald CMG who will be transferring to another Diplomatic Service appointment. Mr Phillips will take up his new appointment during August 2006.

CURRICULUM VITAE

Full Name: Tom Richard Vaughan Phillips
Date of Birth: 21 June 1950
Married to: Anne
Children: Two sons (1987 & 1989)

2003-2006 - FCO: Director South Asia and Afghanistan
2002 - UK Special Representative for Afghanistan
2000-2002 - Kampala, High Commissioner
1997-1999 - FCO: Head of Eastern Adriatic Department
1993-1997 - Washington, Counsellor (External)
1990-1993 - Tel Aviv, Consul General & Deputy Head of Mission
1988-1990 - FCO: Deputy Head of Personnel Policy Department
1985-1988 - Harare, 1st Secretary
1983-1986 - FCO: Energy, Science and Space Department
1977-1983 - Department of Health and Social Security


Idêntica pauta de procedimento seguiu o Foreign Office, anteontem, quando anunciou a nomeação de Nicholas Baird como embaixador em Ankara, posto que assumirá em Outubro. Pois em Ankara, lá está agora Lemos Godinho como embaixador de Portugal. Nem antes de Lemos Godinho, nem com Lemos Godinho nem depois de Lemos Godinho, o Rilvas disse qualquer coisa com jeito de Estado, porque também nunca disse, não diz nem possivelmente dirá a esse propósito qualquer coisa com jeito de protocolo de Estado. Sim! É que ao lado das razões de Estado há também os jeitos de Estado, mas a voz das Necessidades é que, por mais prosápia que tenha, não tem jeito, nem polidez de pauta. Possivelmente abre-se excepção para aqueles que, não por conveniência de Estado mas por favores devidos, são considerados circunstancialmente «grandes embaixadores» ou embaixadores de 1.ª... E até nisto o Foreign Office dá lição: para Londres, são todos embaixadores, não há de 1.ª nem de 2.ª como nas farinhas das padarias, e todos são tratados pela mesma pauta. Para Lisboa, é conforme a carroça que entra no Rilvas e conforme a carroça que sai do Rilvas.

Condoleezza Rice. Entrevista à NBC/Brian Williams

Ler em Notas Formais. Integral.

06 abril 2006

Angola/Assinaturas. Suor no acordo aéreo

Em resumo. Acordos com Angola: Turismo, Vistos, Aéreo, Protecção de Investimentos. Muito suor com o Acordo Aéreo, esteve não esteve, mas está.

A inauguração do Centro Cultural correu bem. Muita gente, PM falou, correu bem. Mérito de João Pignatelli e do apoio (financeiro) do ICA, convem sublinhar e é justo. João Pignatelli, Adido Cultural conseguiu refazer um decrépito e sem dignidade antigo Centro Cultural. Destaque ainda para a exposição de notáveis artistas portugueses - "Portugal Novo", assim se designa. Fica por duas semanas à vista. Parabéns Pignatelli, quando NV tiverem querosene, irão visitar o seu centro. Visto não nos faltará...

Movimentex. Lista de colocações. Distribuição anima os claustros

Claustros. Só hoje fui distribuida a lista para colocações de doplomatas no estrangeiro e já é dado como certa a transferência do conselheiro José da Costa Pereira, de Washington para a Missão das N. U. (Nova Iorque). É impossível deixar de haver animação nos claustros.

  • Embaixadas em Tripoli e no Dubai, para abrir. Quem?
  • Roma/Chávez. Acordo de Cooperção Económica

    Diplomacia de Negócios. Claro que estos mui, muito gratos por Caracas nos tenha dito: «Están cordialmente invitados, a la firma del Programa Complementario al Acuerdo Marco de Cooperación Económica, Industria de Infraestructura y para el Desarrollo entre los Gobiernos de la República Bolivariana y la República Italiana, para la construcción de los tramos ferrocarrileros: 1) San Juan de los Morros, Dos Caminos, Calabozo, San Fernando de Apure, y 2) Chaguaramas-Las Mercedes-Cabruta. Por Venezuela, Ministro de Infraestructura, Ramón Carrizales. Por Italia, Viceministro de Relaciones Exteriores, Gianpaolo Bettamio. Lugar: Casa Amarilla, Salón de los Embajadores. Fecha: Jueves, 06 de abril de 2006. Hora: 8 de la noche». Não poderemos assistir, além da hora, falta-nos querosene.

    Diplomacia de negócios, não é Seixas da Costa? Na Venezuela, os portugueses fazem o pão que a diplomacia económica amassou...

    Vera Jardim, há mais lebre… Um adido termonuclear!

    Adido termonuclear. E como levantou a lebre, continuemos Vera Jardim, para que a próxima audição parlamentar seja mais proveitosa, em matéria de conselheirais figuras. Então não é que o Adido Social em Londres, Alvim de Faria, também cursou engenharia aeroespacial / termodinâmica / termonuclear? E não é que só depois de colocado na UE com responsabilidades na gestão de fundos em Ciência e Tecnologia, é que Lisboa descobre a afinidade científica entre social e termodinâmica, nomeando-o, isso mesmo, adido social (era Cesário) no Consulado-Geral em Londres, onde o que tanta falta faz é um adido termonuclear? Na verdade, Vera Jardim que levantou a lebre, entre o social e o termonuclear, a única diferença que poderá existir é Viseu…

    Vera Jardim, continuemos...E que tal um conselheiro mecânico para Caracas?

    Economia lunar. Claro que levantou a lebre, Vera Jardim. Levantou a lebre. Que diria a DFA, se o ministro lhe lesse em voa alta o curriculum do conselheiro económico nomeado agora para Caracas? Pois para um conselheiro económico, eis o curriculum, tal como consta no Anuário do MNE: *SENA (João Arlindo Andrade de) – Nasceu em 13 de Dezembro de 1947, na Guarda; doutor em Engenharia Mecânica e Aeroespacial, pelo Polytechnic Institute of New York; Vice-Cônsul no Consulado-Geral em Nova Iorque, de 1975 a 1988; secretário privativo, na Representação Permanente junto da União Europeia, em Bruxelas, de 3 de Janeiro de 1989 a 20 de Janeiro de 1998; conselheiro técnico na Representação Permanente junto da União Europeia, em Bruxelas, em 27 de Março de 1998. Acrescente-se que na REPER, o engenheiro aero-espacial foi... chefe de pessoal!

    Ora, meu caro Vera Jardim, a engenharia mecânica e aeroespacial, como sabe, tem muito a ver com economia, com funções de vice-cônsul e de chefe de pessoal, ou não andemos na Lua. Mas talvez a coisa esteja certa - Chávez precisa de ogivas.

    Lisboa e Pequim/Taiwan. Preocupação com actos unilaterais

    Posição, até que enfim! Comunicado oficial das Necessidades, preocupação de Lisboa com «actos unilaterais» na questão de Taiwan. Em Notas Formais

    Portugal/ajuda ao desenvolvimento. Último da OCDE

    Grande novidade. Pelos relatório do CAD, Portugal é o último da OCDE na ajuda ao desenvolvimento... Quantos discursos oficiais, dos últimos anos, até anteontem, não terão que ser refundidos?

    Porreirismo nacional, quanto a conselheiros/adidos. Não será Vera Jardim?

    Um biólogo, Conselheiro Social? A propósito de ter sido nomeado conselheiro social para Otawa (rumando agora para Toronto) um biólogo que sempre tratou de questões do ambiente e que, por isso, desconhecerá o dossier da Emigração, das Migrações para o Canadá e a biobliografia própria de conselheiro social, e que podendo ser um excelente especialista de ambiente e até um grande biólogo, mas que à partida não se lhe vê perfil técnico de conselheiro social, vem a propósito lembrar considerandos recentes de Vera Jardim.

    Pois no parlamento, Vera Jardim sugeriu um tanto reverencialmente frente a Freitas que, nas mais das vezes, são nomeados conselheiros/adidos paras embaixadas sem as qualificações adequadas às tarefas que vão desempenhar. Vera jardim fez a constatação a pretexto de elogios à anunciada criação da carreira técnica de conselheiro/adido com ingresso por concurso público.

    É claro que haverá por aí uma ligeira confusão – confusão entre o que é função/cargo e o que se pode entender por carreira especializada. A função/cargo é a de conselheiro/adido, todavia as especialidades são muitas, variadas e com exigências distintas de especialização para especialização. A questão justifica oportunamente alguma reflexão, tratando-se de matéria que nas Necessidades raramente foi ponderada com rigor na hora de despacho de cada nomeação, por regra decidida conforme conveniências circunstanciais, influências anormais e interferências habituais. O próprio ministro DFA as reconheceu e chamou-lhes cunhas, palavra que não se ouvia desde Martins da Cruz a outro propósito jamais bem esclarecido ou totalmente esclarecido.
    A questão, pois, independentemente de concurso ou não, é a do critério de escolha.

    É impensável, por exemplo, nomear-se como adido militar, um oficial de Marinha para uma embaixada em País que ou não tem marinha, ou não tem mar, ou cujas questões militares implicam forças terrestres e meios aéreos…

    O mesmo acontecerá na área cultural, sendo impensável a nomeação de um conselheiro ou adido cultural que não conheça um músico, um pintor, um escritor, ou que não tenha lido um livro há vinte e sete dias... ou que não conheça bem, com provas dadas, quer a cultura do país que envia quer a cultura do país que recebe a configurar interesses recíprocos que também desconhece. Exige-se para tais funções, acima de tudo um especialista e, além disso um especialista que, com sensibilidade, saiba fazer e organizar as coisas, conhecendo-as.

    E o mesmíssimo se deve dizer dos conselheiros sociais, cujas responsabilidades agora, segundo parece, foram redescobertas, em função do que aconteceu e acontece na Holanda e também no Canadá.

    Ora, segundo os maus hábitos do porreirismo nacional, patrioticamente cultivado a honrados níveis, o diálogo que precede convites e nomeações de uns tantos «especialistas» não anda longe do «Oh pá, as funções são fáceis, aquilo é normal, pá! Em dois dias estás inteirado, haverá um caso mais bicudo mas desenrascastes facilmente, pá! Certo, pá?», e fica nomeado.

    O caso do Canadá, não se entende.

    05 abril 2006

    Movimentex. De Washington a Saravejo. Pelas nossas contas…

    Pois, movimentex. Sem se atender a ordem de saída, pelas nossas contas, vai haver movimentex nas seguintes chefias de missão: Washington (por sinal, o último a sair... em principio, pois EmbPC perfaz 65 em Dezembro), Londres, Bogotá, Luanda, Nato, Bruxelas, Ankara, Oslo, Roma, Berlim, Manila, Bangkok, Praia, Buenos Aires, NUOI/Genebra, Pequim, Cairo, Seul, Adis Abeba, (Riad ?), ainda o N.º 2 em Washington que Embaixador/a junto OEA, N.º 2 REPER, N.º 2 ONU, S. Paulo (equiparado) e Sarajevo (?).

  • E como aquela do segredo de Estado do Foreign Office não foi bem entendida no protocolo, NV ainda vão explicar melhor. O exemplo da Turquia serve. Aguardamos a chegada de novo personagem e intérprete: o adido Jonh Bull. Uma ramalhal personagem...
  • Conselheiros/Luxemburgo. Para quê alterar a verdade?

    Ficamos mal vistos. Ainda a exoneração do conselheiro cultural no Luxemburgo e, por inerência, director do Centro Cultural do IC nesse país. Autorizada estatura do Gabinete de DFA, a propósito dessas instalações do Instituto Camões no Luxemburgo, desautorizou-se e por duas vias.

    Via primeira. Essa pessoa do gabinete garantira que «não é verdade que o Governo luxemburguês pague a renda do Instituo Camões» e que o edifício seria propriedade do Estado luxemburguês que o teria cedido a Portugal para as actividades do IC. Dito isto, seria de pensar que a gente acredita, tanto mais que tal garantia foi prestada à Agência Lusa, na sequência de uma pergunta da deputada luxemburguesa Claudia Dall'Agnol, que lá, no parlamento luxemburguês, quis saber qual a razão pela qual a decisão de Lisboa em exonerar o director do Centro Cultural do IC não foi comunicada ao governo do Grão-Ducado quando é este que paga a renda do edifício...

    O (excelente) jornal Contacto foi saber e apurou junto da Comissária para os Estrangeiros no Ministério da Família e da Imigração do Luxemburgo, Christiane Martin que o governo daquele país paga efectivamente 4,826 euros de renda mensal pelas instalações no boulevard Royal - é inquilo. Portanto, o Luxemburgo paga a renda do Instituto Camões, confiado no bom cumprimento de um protocolo celebrado com o Estado Português (1999), obrigando-se este a nomear e manter o director do Centro, director que... foi agora exonerado.

    Segunda via. Não era necessário ir tão longe. O próprio site oficial do Instituto Camões diz o mesmo e fala verdade: «O governo luxemburguês colocou à disposição o local e atribuiu um subsídio de instalação. Cabe ao governo português assegurar a manutenção do espaço, os recursos humanos e o financiamento das grandes iniciativas a promover pelo Instituto.» Está lá.
    No mínimo, o MNE devia ter informado previamente o Luxemburgo - DFA, excelente jurista, sabe que devia ter sido assim. E acima desse mínimo, civilizadamente pois, devia Portugal ter cumprido a letra e o espírito do protocolo, cumpri-lo à europeia e não à africana - DFA, experiente político, devia também saber que uma coisa é despachar para o Benelux e outra considerar o Luxemburgo que não alugaria instalações para um centro a funcionar sob direcção de raids culturais no Benelux. Não ficamos bem vistos, no mínimo.

    Britânicos revelam segredo de Estado! Sem precedentes

    Oficial. O Foreign Office acaba de revelar que Mr Nicholas Baird has been appointed Her Majesty's Ambassador to the Republic of Turkey in succession to Sir Peter Westmacott who will be transferring to another Diplomatic Service appointment. Mr Baird will take up his new appointment during October 2006.

    E assim acaba um dos maiores segredos de Estado em Londres! Se fosse em Portugal, as Necessidades teriam sabido manter tal segredo, não apenas até Outubro, mas até mesmo Dezembro, que é quando a nossa provinciana folha oficial publica os segredos de Estado que recobrem de rodrigos e baldaquinos as nomeações de embaixadores e movimento diplomático em geral. Não há meio de aprendermos a fazer movimentex. Vamos pegar na palavra. Boa palavra para os segredos das Necessidades.

    Perigo nos Claustros. Macacos mordam a liteira!

    Perigosos Claustros. Precisamente sobre o movimento diplomático, ouvir nos claustros das Necessidades é perigoso - tanto pode estar em cima da verdade para a controlar, como muito longe desse controlo para a dissimular. Mas descansem os brincalhões com ar de sério que os últimos a brincar são os que brincam melhor. É uma cena que vemos repetida há 10, 20, 30 anos. E então não foi isso o que ontem nos acontece? Apenas não retiramos o texto para que ele fique como documento, a provar o que se diz como se quem diz julgasse que quem ouve acredita... Ou não seja agora verdade que Pedro Bártolo vai ser Número 2 da REPER (onde já esteve por duas vezes e esteve bem), ou macacos mordam a liteira e ocupem já os claustros!

    Diplomacia euro-paralamentar... Desta vez não é gralha

    Para lamentar. Eurodeputados de outras nacionalidades, logo aqui pelos de pé da porta, têm como alvo primeiro fazerem lobby pelo seu país, para o que se torna conveniente uma doseada discrição, calculada humildade e sobretudo bom senso - e quando toca a reunir (para obtenção de um cargo ou mesmo de dez euros), até os limites dos grupos políticos se diluem. Neste sentido, até é possível que, nesses países, à diplomacia pura se admita juntar uma diplomacia europarlamentar, sem gralhas. E entre nós, o que há a dizer dessa vintena que elegemos? Lobby? Lobby pelo país ou de cada um por si próprio?

    Os nossos eurodeputados, uma boa parte deles, a avaliar pelo tom e pelo teor de declarações, comunicados e poses públicas, imaginam-se certamente majestades - majestades da política europeia para efeitos da nossa aldeia, majestades enviadas pela nossa aldeia para efeitos de estendal europeu (não me forçem a contar partes gagas).

    As declarações que fazem, pelo tom e pelo conteúdo, seja por distracção que se perdoa seja por cultura deveras detestável, de que os tristes não se apercebem porque é intencionalmente destinada ao Ecos da Paróquia, parecem partir de majestades, espécies de presidentes da república em miniatura ou de ministros mal aproveitados pelo país ingrato... Ora isto não é diplomacia europarlamentar mas sim diplomacia europaralamentar, ou na inteira propriedade do termo, é uma diplomacia de gralhas.

  • Hoje, ainda agora mesmo, Capoulas Santos fez espalhar, a propósito da gripe das aves, a notícia redigida segundo a qual «o Deputado Capoulas Santos defendeu que a comparticipação financeira da UE nas acções a executar deverá ser de 100%, e não de 50% como a Comissão Europeia preconiza.» Pois se defendeu, foi ele o único a defender? Mais ninguém? 150% não seria mais eficaz para o comunicado? E se a proposta foi dele, não seria melhor guardar protagonismo para quando ou se tal proposta for aprovada? Para quê tanta ânsia?
  • Outro caso, de agora também, Jamila Madeira. Igualmente fez comunicado pelos nutridos meios de que dispõe para chegar à aldeia. A propósito de acordo obtido no âmbito das negociações das Perspectivas Financeiras da UE, a citada, citando-se a si própria, diz que «Jamila Madeira mostrou-se particularmente satisfeita com o reforço obtido para os programas LEONARDO e ERASMUS MUNDUS, bem como saúda o sinal muito positivo dado com a atenção que teve o Programa PROGRESS (que substituirá os Programas EQUAL e URBAN), a Cooperação Territorial e o 7º Programa Quadro para a Inovação.» Mas o que é aquele «particularmente satisfeita» e o que aquilo de uma eurodeputada entre mil dizer à aldeia que «saúda»? O que é que a aldeia tem a ver com a vida particular e com a satisfação? E não temos Sócrates, o parlamento nacional e se for necessário Cavaco, para saudar? Que presunção política é esta?
  • E como não há duas coisas sem três, eis que, a rematar, nos surge um terceiro comunicado que logo em título afirma que «Edite Estrela critica rejeição de propostas destinadas a lembrar vítimas do fascismo e de regimes ditatoriais na Europa». Edite critica, e depois? O seu grupo político não critica pelo que tem de ser ela a dar cara e nome na crítica da rejeição? Ou não será que a rejeição acaba por potenciar o protagonismo ou a ânsia de protagonismo na aldeia?
  • Angola/Pelo que é. Nem se percebe

    Visita. A visita, pelo que é, é Sócrates, Sócrates e Sócrates. E ainda mais Sócrates e se sobrar alguma coisa será Sócrates. Assim nesta visita, pelo que ela é, nem se percebe porque DFA e Cravinho rumaram para Luanda - ou um ou outro, pois um bastava. Aliás Cravinho está mais à vontade - se em Luanda se falar de política externa angolana, o assunto não passará da cooperação; do resto e se for importante, encarregar-se-á Sócrates que é a estrela, afinal de contas. DFA está sem espaço em Luanda. Havemos de falar dos acordos.

    Mas assim que a estrela regresse a Lisboa, outra estrela chega Luanda, na sexta-feira: Jaime Gama com mais cinco deputados para uma reunião de parlamentares da CPLP (prova de vida!). Só mesmo angolanos é que organizam assim as coisas umas em cima das outras ! Podiam ter feito um arranjo e empurrar para uma semana depois. Enfim !

  • Emb. Xavier Esteves muito encostado a DFA. Posto na mira. Merece, tem feito um grande trabalho...
  • Simonetta, presidente do ICamões não seguiu. Foi uma Sub-Directora para masrcar presença do IC na inauguração do Centro Cultural e da exposicão sobre Portugal.
  • EUA/Chávez. Ligeira mudança? Versão de Caracas

    Indícios. Pela primeira vez, a administração Bush concede uma reunião a nível de altos funcionários dos EUA e Venezuela, em Washington. A chancelaria venezuelana não fez passar muito tempo para assinalar o facto. O comunicado oficial de Caracas publica-se em Notas Formais. Sinais de abrandamento da parte norte-americana?

    04 abril 2006

    Agapito. Conselheiral guerra

    A cantar! O Embaixador Agapito Barreto a cantar! Como ele cantava, atirando a garganta para cada quadro que encontrava nos corredores das Necessidades, quadros inumeráveis como abelhas vingadoras, as diplomacias aladas que, com ferrão implacavelmente soldado ao óleo das telas, zumbem como se fizessem ou condicionassem o despacho, todo e qualquer despacho.

    «Meu caro! Talim-talão! Isto dos conselheiros exonerados, renomeados, transferidos, recolocados, auto-exonerados, retirados de onde não deviam ser e despachados para onde não se precisaria, por aí fora ainda vai dar numa conselheiral guerra. Talim-talão! Talim-talão Meu caro! Deixe-me cantar, deixe-me cantar àvontade - talim-talão, cabeça de vaca não tem coração !»

    Movimento. Muda muita gente. Para onde é outra história

    Claustros. Em cinso minutos de claustros, imaginem o que se soube e se ouviu: que se fala de Fernandes Pereira para a NATO; que Maria José Pires poderia ir para o lugar deixado vago por Fezas Vital; que Quartin/SG iria para Roma (bem acompanhado de porta-voz! calculem que poderá ser!); que Valente (4 anos em Roma) iria para Londres; que para SG se confirma cada vez mais Pedro Catarino; que Santana Carlos iria para Washington (onde o mandarim não é preciso); que Tavares de Sousa iria para Bruxelas, perguntando-se então para onde o excelente João de Valera? Para onde ? E mais se diz que Fernando Neves, caso DFA não resista politicamente, iria para Londres (e então Valente ?)

  • Margarida Figueiredo terá obviamente razão para sentir o que sente.
  • A promoção a ministro-plenipotenciário poderá levar uma voltita para não se favorecer só quem está na SE...
  • Londres/greve suspensa. A solicitação de António Braga...

    Está lá? Conforme. Podem suspender a greve e se assim for marcamos uma reunião para dia 18? Com certeza, a greve está suspensa. Ok!
    Ler comunicado da comissão ad hoc em Comunidades Portuguesas. Mas - pergunta inocente - como pode falar-se de "pagamento das contribuições obrigatórias para a Segurança Social à custa da retribuição líquida dos trabalhadores", quando a retribuição só é líquida depois de deduzidas as contribuições obrigatórias? Aguardamos telefonema do MNE.

    Fernando Neves/Europa. Política externa "comum" mas não "una"

    Um tom. Embaixador Fernando Neves, intervenção no Fórum de Debate do Futuro da Europa. Na íntegra em Notas Formais. Nada que não se saiba mas a revelar algum tom para a presidência.

    Na Comissão Europeia... Já há "processos psiquiátricos"?

    Chega-nos agora. Sabemos estar em causa um funcionário português da Comissão Europeia (NV não conseguiram ainda identificar). Chega-nos agora, confirmado: realizou-se no passado dia 28 de Março no Tribunal da Relação de Bruxelas, no Palácio de Justiça da Praça Poelart, a primeira audiência, ainda unicamente de ordem processual, de um dos casos actualmente em julgamento naquele tribunal sobre as práticas de processos psíquiátricos conduzidos pelo serviço médico da Comissão Europeia.

    Estas práticas foram já denunciadas no Parlamento Europeu pelo deputado holandês Paul Van Buitenen e também em vários artigos publicados nos jornais britânicos Daily Telegraphe e Financial Times e no jornal belga Père Ubu.

    Em causa, sobretudo, está o papel de determinados agentes exteriores à Comissão, como advogados e médicos recrutados numa base não transparente, obscura, fechada e puramente pessoal que influem (de modo que observadores consideram ilegal e sobre a base de puras vias de facto encomendadas por interessados) sobre um aspecto fundamental de uma organização internacional: a política de recrutamento e afastamento do seu pessoal estatutário.

    Sócrates/Angola. Resumindo e concluindo

    Visita/Angola/Relato/Poucos àpartes. Sócrates chega hoje ás 18.30 e oferece buffet para toda a comitiva que o acompanha a que se juntam diplomatas e funcionários da Embaixada e do Consulado-Geral em Luanda (às 20.30).

    Amanhã (dia 5)- Sócrates é recebido por PR JES em audiência, e são assinados Acordos (há muito que falar). PM angolano "Nandó" oferece almoço a Sócrates. Depois seguem-se reuniöes sectoriais a nível ministerial. De seguida PM vai à Assembleia Nacional onde estará Roberto de Almeda à sua espera. Às 17.30 inauguracäo da exposicão "Portugal Novo" no renovado e modernizado Centro Cultural (a justificar nota especial). À noite, PR JES oferece jantar a Sócrates e comitiva restrita.

    Dia 6 - Partida para a FILDA (a FIL angolana) para encontro de negócios, Sócrates e ministros angolanos fazem intervenções. De seguida, ala que väo para Benguela. Contactos com a Comunidade Portuguesa local e várias empresas portuguesas e entidades locais. Recepção à Comunidade. Uma vez regressado a Luanda, jantar oferecido por Sócrates à comitiva, sobretudo empresários portugueses segundo lista onde cabem uns e falham outros, há muitas reclamacões já, e outras mais se seguirão. É o embaixador XE que organiza (segundo NV sabem, Luis Patrão tem a ementa debaixo de olho, mas gabinete do PM secundariza "antenas do Martins da Cruz" assim se diz). Há quem esteja num estado lastimável de nervos.

    Dia 7 - Visita à famosa...Escola Portuguesa! Famosa, porque em vias de conclusäo há 4 anos, desde que Durão Barroso esteve em Luanda como... PM! Depois de visitas a empresas, Sócrates estará de novo no Centro Cultural.. então para almejada conferência de imprensa. Uma vez concluida esta acção ou evento (como agora se diz), recepção algures à Comunidade Portuguesa radicada em Luanda. Fala-se em 3000, será posivel? NV não acreditam - os anúncios postados no Jornal de Angola pelo "nóvel" Cônsul, são diários... o que pelo andar da carruagem poderá levar aos 10 mil. E se, afinal como parece, serão só uns tantos os selecionados? Como vai reagir a dita Comunidade? Enfim, uma vez concluído o repasto, é o aeroporto e a partida ás 15:00. E, boa viagem de regresso, senhor primeiro-ministro.

    03 abril 2006

    Barómetro/NV. Freitas, que desempenho? Muito bom, bom, sofrível, mau, péssimo...

    Barómetro. Já se justifica, em Abril, avaliar o desempenho de Freitas. Cada notador apenas pode votar uma vez e todos podem ver os resultados. Votação aberta até dia 10. Participem.

    Preocupação militar nas Necessidades! E logo com a Batalha de Gallipoli!

    Diplomacia provinciana. E então, o nosso MNE que não diz uma palavra oficial sobre factos relevantes que Londres e Paris entre outras capitais oficialmente avaliam , que não emite uma posição oficial sobre acontecimentos ou decisões de elevado interesse multilateral ou internacional que o Quai d’Orsay e o Foreign Office, entre outras chancelarias, não deixam passar em branco, pois o canal oficial do nosso MNE, hoje, dá sinal de vida com um alerta aos jornalistas portugueses para as comemorações do 91.º Aniversário da Batalha de Gallipoli", que decorrerão a 24 e 25 de Abril de 2006, em Çanakkale, Turquia!

    Ficamos agora à espera da reciprocidade turca, com o MNE de Ankara a apelar aos jornalista turcos que venham cobrir, em Portugal, as comemorações da batalha de Aljubarrota...

    cont.

    Justifica-se esta euforia das Necessidades com a Batalha de Gallipoli! É que a folha oficial da província publica hoje o Aviso n.º 531/2006 do MNE em que «Torna público terem em 29 de Novembro de 1993 e em 5 de Dezembro de 1994 sido emitidas notas, respectivamente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa e pela Embaixada da República da Turquia em Lisboa, referindo ambas terem sido concluídas as respectivas formalidades constitucionais internas de aprovação do Acordo de Cooperação no Domínio do Turismo entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República da Turquia, assinado em Ankara em 28 de Abril de 1993.»

    De 1993 até 2006 para turcos e portugueses darem por terminado um acordo de turismo! 13 anos! Oh Lisboa, Lisboa, Ankara à vista!

    02 abril 2006

    Concurso diplomático. 1739 candidatos...para 20 vagas no MNE!

    Enchente. No dia 22 de Abril, dos 1749 lugares em anfiteatros e salas que a Faculdade de Direito de Lisboa dispõe, apenas 10 ficarão vagos... É a enchente. Foram admitidos provisoriamente ao concurso diplomático 1739 candidatos para 20 vagas (em 2005, para 30 vagas concorreram 1360). Notas Verbas desejam a todos, do Abel Gonçalves (primeiro da lista alfatètica) à Zita Viegas de Figueiredo (a última) sobretudo sorte, mas também força moral e prova de inteligência. Provas de seriedade ficam para depois, lá perto dos 20, porque a carreira diplomática precisa, sem dúvida, de seriedade própria de servidores do Estado.

    A primeira prova é de línguas (português e inglês) e já nestas o número deve levar razia, mas nunca se sabe. Depois, segue-se o calvário: exame psicológico, prova escrita de conhecimentos, prova oral de conhecimentos e entrevista profissional. Tenham paciência, cada um pode chegar lá, todos os 1749 é que não podem ocupar as 20 vagas. As provas são eliminatórias, com excepção da entrevista profissional, sendo admitidos à prova seguinte os candidatos com classificação igual ou superior a 14 valores.

    E para que haja boa disposição, um estímulo muito especial para os 21 Carlos e para as 42 Carlas que irão por certo provar que a ordem das quotas, tal a dos factores, é arbitrária.

    Estante/Passado que não passou. Para compreender "esta" Angola


    696 páginas, mil verdades. Alguns, sobretudo os citados (então Pezarat Correia!), não gostam do livro e, um terço desses alguns citados tudo fizeram para o diabolizar e para diabolizar quem cite o livro ou dele cite. Mas é livro! "Angola - Anatomia de uma uma Tragédia", do general Silva Cardoso, é um daqueles relatos documentados que nenhum diplomata, nenhum político e possivelmente nenhum empresário que pretenda estar acima dos discípulos de Monsieur de La Palisse, ninguém de testa alta que queira conhecer esta Angola de hoje ou que para esta Angola se dirija, deveria dispensar no bojo do avião. Mas também os próprios angolanos, sobretudo estes, os das novas gerações, pois a matéria é de um passado que não passou ainda que a pata desse passado pise mil verdades convenientemente mantidas na escuridão. A raiz do problema está lá descrita e identificada. Tirámos esse livro da sétima prateleira de cima da nossa estante, a oitava a contar da direita - está cheio de anotações, ficou engrossado com mais documentos (então um, que o próprio general me disse desconhecer!), declarações auto-punitivas, justificações espúrias, por aí fora, formando um bojo pelo qual apenas Dante poderia fazer uma viajem angolana, ficando incólume. Mas, pelo sim pelo não, mais vale este livro que mil verdades mesmo sem bojo...

    "ANGOLA - Anatomia de uma Tragédia", general Silva Cardoso (Oficina do Livro - info@oficinadolivro.pt )