Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
30 abril 2006
Mário Lino: «Sou um iberista confesso»
Alta realidade. O ministro Mário Lino vai a Galiza dar lições de estatuto autonómico para Portugal e como disse que Espanha e Portugal têm «língua comum» e «história comum» porque não hão de ter carris comuns? Já agora rei comum, porque segundo ele «a Ibéria é uma realidade que persegue tanto o governo Espanhol como o Português». Abrir Notas Formais.
29 abril 2006
Agapito, paternais conselhos. Métodos para Jorge Veludo...
A problemática. De rompante, Agapito:
- Meu caro! Essa gente turbulenta do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas anda a leste! Queixam-se eles de não serem recebidos, de os ouvirem a sério, dos seus insistentes pedidos não serem atendidos e de se arrastarem em promessas! Pois o que é que essa gente quer? Particularmente Jorge Veludo, esse terrível Jorge Veludo, o elemento mais temido pelos últimos cinco ministros, 14 secretários de Estado, creio até que pelos 24 últimos secretários-gerais! Ou Jorge Veludo não ande a atormentar as consciências das Necessidades desde 1863! Ouviu bem? 1863!
Embaixador, seja explícito...
- Também você não entende? Meu caro! Há uma receita fácil para o Jorge Veludo falar directamente com o Ministro, ser ouvido, ser atendido! Fácil, muito fácil, meu caro!
Acha que sim?
- Fácil, facílimo! Ele, Jorge Veludo, é que não sei se tem coragem! Mas tem dois, três métodos, qual deles mais eficaz, nem eu sei! Primo! Pois quer ele ser primeira página e abrir telejorais, luzir como motitivo central de conferências de imprensa e de 14 comunicados oficiais? Então ele, ou alguém por ele que ponha, não o caderno reivindicativo, mas uns charros na bagagem, se dirija ao Dubai e aí declare às autoridades dos Emiratos Árabes que é cineasta sindical! De certeza que as Necessidades destacarão um embaixador, qual um! Dois embaixadores! O de Riade outro especial para intercederem ao mais alto nível junto desse governo do Golfo para Jorge Veludo vir para Lisboa, na certeza que mal chegue à Portela será encaminhado para o Terceiro Andar e em carro oficial com escolta de honra! Tenho a certeza que que será recebido com antecipada comoção e lágrimas de marketing político!
Com certeza embaixador. Passemos a outro método mais fino.
- Segundo método? Ainda me pergunta? Isso nem parece ser seu! Secundo! Ele, Jorge Veludo que se disfarce de traficante de trabalhadores ilegais e vá para Navarra, com alguém da confiança a dar umas concertadas dicas à Guardia Civil! Limpinho! Vai ver que até o MNE divulga em comunicado oficial e para todo mundo desde Arganil ao Porto Santo, o número de telemóvel do cônsul em Bilbau, para apoio de Jorge Veludo! E o ministro até falará com ele de quarto em quarto de hora em linha especial mandada instalar por Henrique Granadeiro, com insistências do género – "senhor Jorge Veludo, fique descansado que abriremos concursos", ou "tenha calma que rectificaremos salários", e "esteja certo de que o MNE vai dar formação e condições de trabalho ao quadro externo", ou ainda "oh! homem, acabaremos certamente com essa triste experiência dos temporários".
E se esse seu método não resultar?
- Terceiro método, terceiro, meu caro! Esse de certeza é mais eficaz, muito mais eficaz! Tertio! Que o Jorge Veludo finja ser electricista ou mesmo informático chega, e dando nas vistas, repare bem!, dando nas vistas, que entre na Arábia Saudita agitando no ar um cheque do Citibank International PLC emitido a partir de Bruxelas pela nossa portuguesa Direcção-Geral do Tesouro, pois como sabe Portugal não possui bancos com visibilidade internacioal, tenha santa paciência Teixeira Pinto, e vai ver que as autoridades dos Emiratos Árabes perante esse cheque, ficarão rendidas ao cheque! Um cheque assim, veja:

E perante esse cheque que não é um estranho ponto da ciência diplomática, os sauditas imediatamente facultarão gabinete de luxo onde Jorge Veludo ficará o tempo que for preciso até que o próprio ministro, mesmo a partir de Sofia, lhe telefone e lhe garanta providenciar junto dos árabes e à luz do direito internacional, para que o caderno reivindicativo seja negociado em Lisboa e não na Arábia Saudita! E verá como Jorge Veludo regressará feito herói pelas televisões, verá como a imprensa portuguesa, a pretexto de humanizar a imagem do ministro, porá Jorge Veludo nos píncaros, dando ao ministro a certidão de saber negociar dignamente a problemática!
Dito isto, Agapito levantou o obelisco jubilado do enorme corpanzil sobre os tacões de sola, e, com aquele tac-tac-retrac dos sapatos 45, foi pelo corredor fora, notoriamente preferindo a chão de pedra polida ao tapete de ponto grosso que testemunha o corrupio em vésperas de promoções e colocações... tic-tac-retrac, presumindo-se que ao encontro de alguém da ASDP para descrever outros métodos que não revelou mas que, recta e patrioticamente, bem conhece.
- Meu caro! Essa gente turbulenta do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas anda a leste! Queixam-se eles de não serem recebidos, de os ouvirem a sério, dos seus insistentes pedidos não serem atendidos e de se arrastarem em promessas! Pois o que é que essa gente quer? Particularmente Jorge Veludo, esse terrível Jorge Veludo, o elemento mais temido pelos últimos cinco ministros, 14 secretários de Estado, creio até que pelos 24 últimos secretários-gerais! Ou Jorge Veludo não ande a atormentar as consciências das Necessidades desde 1863! Ouviu bem? 1863!
Embaixador, seja explícito...
- Também você não entende? Meu caro! Há uma receita fácil para o Jorge Veludo falar directamente com o Ministro, ser ouvido, ser atendido! Fácil, muito fácil, meu caro!
Acha que sim?
- Fácil, facílimo! Ele, Jorge Veludo, é que não sei se tem coragem! Mas tem dois, três métodos, qual deles mais eficaz, nem eu sei! Primo! Pois quer ele ser primeira página e abrir telejorais, luzir como motitivo central de conferências de imprensa e de 14 comunicados oficiais? Então ele, ou alguém por ele que ponha, não o caderno reivindicativo, mas uns charros na bagagem, se dirija ao Dubai e aí declare às autoridades dos Emiratos Árabes que é cineasta sindical! De certeza que as Necessidades destacarão um embaixador, qual um! Dois embaixadores! O de Riade outro especial para intercederem ao mais alto nível junto desse governo do Golfo para Jorge Veludo vir para Lisboa, na certeza que mal chegue à Portela será encaminhado para o Terceiro Andar e em carro oficial com escolta de honra! Tenho a certeza que que será recebido com antecipada comoção e lágrimas de marketing político!Com certeza embaixador. Passemos a outro método mais fino.
- Segundo método? Ainda me pergunta? Isso nem parece ser seu! Secundo! Ele, Jorge Veludo que se disfarce de traficante de trabalhadores ilegais e vá para Navarra, com alguém da confiança a dar umas concertadas dicas à Guardia Civil! Limpinho! Vai ver que até o MNE divulga em comunicado oficial e para todo mundo desde Arganil ao Porto Santo, o número de telemóvel do cônsul em Bilbau, para apoio de Jorge Veludo! E o ministro até falará com ele de quarto em quarto de hora em linha especial mandada instalar por Henrique Granadeiro, com insistências do género – "senhor Jorge Veludo, fique descansado que abriremos concursos", ou "tenha calma que rectificaremos salários", e "esteja certo de que o MNE vai dar formação e condições de trabalho ao quadro externo", ou ainda "oh! homem, acabaremos certamente com essa triste experiência dos temporários".E se esse seu método não resultar?
- Terceiro método, terceiro, meu caro! Esse de certeza é mais eficaz, muito mais eficaz! Tertio! Que o Jorge Veludo finja ser electricista ou mesmo informático chega, e dando nas vistas, repare bem!, dando nas vistas, que entre na Arábia Saudita agitando no ar um cheque do Citibank International PLC emitido a partir de Bruxelas pela nossa portuguesa Direcção-Geral do Tesouro, pois como sabe Portugal não possui bancos com visibilidade internacioal, tenha santa paciência Teixeira Pinto, e vai ver que as autoridades dos Emiratos Árabes perante esse cheque, ficarão rendidas ao cheque! Um cheque assim, veja:

E perante esse cheque que não é um estranho ponto da ciência diplomática, os sauditas imediatamente facultarão gabinete de luxo onde Jorge Veludo ficará o tempo que for preciso até que o próprio ministro, mesmo a partir de Sofia, lhe telefone e lhe garanta providenciar junto dos árabes e à luz do direito internacional, para que o caderno reivindicativo seja negociado em Lisboa e não na Arábia Saudita! E verá como Jorge Veludo regressará feito herói pelas televisões, verá como a imprensa portuguesa, a pretexto de humanizar a imagem do ministro, porá Jorge Veludo nos píncaros, dando ao ministro a certidão de saber negociar dignamente a problemática!
Dito isto, Agapito levantou o obelisco jubilado do enorme corpanzil sobre os tacões de sola, e, com aquele tac-tac-retrac dos sapatos 45, foi pelo corredor fora, notoriamente preferindo a chão de pedra polida ao tapete de ponto grosso que testemunha o corrupio em vésperas de promoções e colocações... tic-tac-retrac, presumindo-se que ao encontro de alguém da ASDP para descrever outros métodos que não revelou mas que, recta e patrioticamente, bem conhece.
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28 abril 2006
"Lição de embaixador". As Necessidades no seu melhor
Assim mesmo. Publicamos o seguinte testemunho, não só pelo testemunho mas também porque testemunhámos e testemunhamos continuar a verificar-se:
Diziam os latinos que a sorte protege os audazes, devemos nós, descendentes dos latinos corrigir o lema: uma democracia à sorte protege os impunes. Quanto mais disparate, maior promoção.
«Nunca mais me esqueço, quando eu era adida, um senhor Embaixador (que tinha sido CG em Toronto!) ter-nos ido explicar - a mim e aos meus colegas em formação no ID - que a regra número um no estrangeiro era fugir dos nossos compatriotas (sic), que são uma "gentinha" horrível (resic) que só traz complicações e vergonhaças...
«Logo, há dois tipos de consulados: aqueles onde há portugueses (alguns em França, na Suiça, América do Norte, Brasil, Venezuela, África do Sul...) que dão trabalho e são "para os pretos" (para premiar algum desgraçado que esteve três anos em Kinshasa...) e depois há os outros, a "carne limpa", onde antigamente também se contava Londres, e que hoje ficam, sobretudo, em Espanha (escandalosamente bem pagos, por sinal), no sul de França, em Milão, Nova Iorque..., onde não há emigrantes à vista e os Srs. Cônsules podem portanto fazer aquilo para que são pagos pelos contribuintes - isto é, nada.
Diziam os latinos que a sorte protege os audazes, devemos nós, descendentes dos latinos corrigir o lema: uma democracia à sorte protege os impunes. Quanto mais disparate, maior promoção.
Ucrânia/tráfico humano. Portugal está lá?
Palavra a Pessanha Viegas. More than 30 representatives from foreign consulates in Ukraine gathered today in Kyiv for an anti-trafficking course, co-organized by the OSCE Project Co-ordinator in Ukraine.
The training course focuses on current prevention, prosecution and protection initiatives in the country. It will also include discussions on the root causes and consequences of trafficking, ways in which consular officials can identify and assist potential victims, and an overview of the work of the Ukrainian Foreign Ministry's Centre on the Protection of Ukrainian Citizens Abroad.
Portugal que acolhe tantos ucranianos (trabalhadores e não só), está lá? Se está, deveria haver uma palavra. Como não há ministro, não há registro.
The training course focuses on current prevention, prosecution and protection initiatives in the country. It will also include discussions on the root causes and consequences of trafficking, ways in which consular officials can identify and assist potential victims, and an overview of the work of the Ukrainian Foreign Ministry's Centre on the Protection of Ukrainian Citizens Abroad.
Portugal que acolhe tantos ucranianos (trabalhadores e não só), está lá? Se está, deveria haver uma palavra. Como não há ministro, não há registro.
27 abril 2006
João Weinstein/Londres. Abaixo-assinado contra
Mais desconfortos. Dão a cara, assinam, protestam e pedem o afastamento do Cônsul-Geral em Londres, João Bernardo Weinstein. Centenas de Emigrantes no Reino Unido (serão uns 350 ou 4000 mil no total) enviaram um abaixo-assinado a Sócrates, DFA e deputados acusando o cônsul de ser responsável pelo «caos» dos serviços consulares. Anunciam que em breve chegarão a Lisboa mais assinaturas, mostram-se dispostos a uma manifestação em Londres junto do consulado.O abaixo-assinado refere que há cidadãos que se vêem obrigados a cancelar viagens «por não conseguirem marcações de entrevistas para obter documentos», e outros que têm que se dirigir a Portugal para tratar de documentos. «Os nacionais são obrigados a enviar fax para fazerem marcações, quando deveriam somente apresentar-se perante este Consulado-geral e obterem os seus documentos», insurgem-se, acrescentando que «os utentes que protestam são simplesmente postos na rua por dois seguranças que não falam português», além de perdas de dias trabalho e dinheiro causadas por «informação incorrecta» prestada por alguns dos funcionários sem preparação. «Quando se telefona para falar com o cônsul-geral, este não está disponível e com muita frequência se encontra fora do posto» , afrm-se no abaixo-assinado que contundentemente diz de João Weinstein: «Este senhor não sabe, não quer, tem ódio e até repugnação de aparecer à comunidade».
É uma pena que as coisas tenham chegado a este ponto - os serviços consulares não são, não devem, não podem ser uma polícia de choque ou uma força legionária contra os Emigrantes e o MNE só faz mal quando, a tempo e horas, não aprende com a doutrina dos factos. Foi assim ontem em Toronto, agora em Roterdão e Londres, e não vale a pena falar de mais passados, alguns passados muito tristes e abafados. Pois para que serve a Inspecção Diplomática e Consular?
Josep Borrell/Fernando Neves. Estrutura de Omissão das Necessidades
O almoço de Fernando Neves. Num desses sinais de seráfica separação de poderes e de agendas de cada poder, é claro que pela agenda oficial do PR Cavaco Silva não ficaríamos a saber que o Presidente do Parlamento Europeu é recebido pelo Primeiro-Ministro, tal como pela agenda oficial do PM José Sócrates (com a célebre central) se desconheceria que Josep Borrel é recebido em Belém. E quer uma, quer outra agenda não dão conta de que o presidente do PE, afinal, tem o programa principal com Jaime Gama, no parlamento, cuja agenda oficial é que diz tudo e tão bem que até assinala que o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Fernando Neves, oferece um almoço nas Necessidades a Borrell, facto que a agenda do MNE não dá conta, aliás não dá conta de nada.Uma agenda, naturalmente que dá trabalho e obriga a trabalho que não dá glória nem faz colher dividendos de protagonismo ministerial adventício, mas é um trabalho humilde a que por exemplo os porta-vozes do Quai d'Orsay e do Foreign Office não se furtam, tanto que o trabalho de agenda é o principal e até o oiro nessas atrasadas chancelarias de Paris e Londres... Mas em Lisboa, portanto, ao lado da novissima «Estrutura de Missão para as Tecnologias de Informação e Comunicação», é até um dever pátrio constatar no MNE a existência e, apesar de velhissima, a vivacidade da «Estrutura de Omissão da Informação e do Borrifanço de Agenda». Veja no que o seu almoço deu, Fernando Neves. Um simples almoço oficial!
A propósito, na Agenda Diplomática de Lisboa (clique AQUI), modesta e verde - vai amadurecendo -, lá se vai registando os aniversários, para já, dos diplomatas (chegará a vez para todos os funcionários), ao menos para que haja pretexto para parabéns nas Necessidades.
Júlio Mascarenhas (Haia), Óscar Filipe (Roterdão). Emigrantes estão contra
Desconfortável, no mínimo. Estruturas associativas dos Emigrantes Portugueses na Holanda pedem exoneração do cônsul-geral em Roterdão, Óscar Ribeiro Filipe; criticam com veemência o embaixador em Haia, Júlio Mascarenhas, pedem a manutenção da conselheira social em Haia, Isabel Martins, e exigem a colocação de um Assistente Social no consulado em Roterdão. Entenda-se o que se entender, é a voz da comunidade. É pena chegar-se ao que se chegou. Comunicado na íntegra e sem segundas leituras em Comunidades Portuguesas (clique AQUI)
26 abril 2006
Toronto complica-se. Denúncias contra sindicato de direcção portuguesa
E agora? Jornais de distribuição nacional no Canadá, divulgaram a acusação feita pela LIUNA (o sindicato norte-americano da construção civil de que depende a importante 183 de Toronto/Ontário) ao presidente António Dionísio e a João Dias, membros principais da direcção: má gestão, dinheiros mal parados, documentos falseados. As notícias referem a exigência de afastamento da direcção. Dionísio protesta inocência, mas um porta-voz da LIUNA, também português, fez declarações públicas apaziguadoras, garantindo que a nova direcção a vir não porá em causa os fundos de pensões e outros direitos dos trabalhadores filiados... Complica-se a situação e a interpretação da viagem de DFA. Ler em Comunidades Portuguesas
Como se nota, Imprensa e TV portuguesas sempre atentas aos factos nacionais, como não há ministro, não há registo.
Briefing da Uma. As comunicações dentro MNE
Briefing da Uma. «Quando alguém se convence que tem língua de Estado, eis aí o inimigo», costuma dizer um escriba nascido em Loulé, zona da qual o Presidente da República sabe muito bem quem de lá pode nascer.
1 – Como era outrora.
2 – No tempo dos telegramas: o “verde” e o “rosa”
3 – Ofícios: um único destinatário.
4 – O escapamento ao arquivo central e a grande confusão.
5 – Expediente Martins da Cruz
6 – A «Nota de Cifra pessoal a SEXA Ministro»
7 – Sócrates e Cavaco, bem informados?
(Declaração prévia – Senhoras, Senhores. Desculpem o atraso mas tivemos que explicar ao Rei da Arábia Saudita o que foi o 25 de Abril em Portugal. O anterior rei Fahd Ibn Abdulaziz nunca quis saber nada disso e muito menos ouvir falar de Otelo e de Fabião mas o actual rei Abdullah manifestou total interesse e forçou-nos ler-lhe, palavra a palavra, o belo discurso pronunciado por Vasco Lourenço na noite de 24. A tradução (simultânea) terminou há escassos 15 minutos, com Abdullah visivelmente comovido e rematando a emoção com as seguintes palavras: “Então, o vosso ministro DFA esteve aqui e não me transmitiu tão divinas e reveladoras palavras que de imediato ordenarei que sejam lidas nas Três Mesquitas?”)
1 – (Deixe-se lá do Abdullah e fale-nos do que nos prometeu. Notas Verbais fazem muito bem em falar das comunicações dentro do MNE. Como é era isso, antigamente?) – Repondo-lhe com todo o gosto. Até há uns anos, a articulação entre as missões diplomáticas e consulares fazia-se, quase exclusivamente, através das figuras dos Telegramas e dos Ofícios. Nos telegramas utilizava-se uma linguagem parca em palavras, sem artigos e com poupança de advérbios. Havia também os Aerogramas, em que era utilizada a linguagem "enxuta" do telegrama, mas que era enviado por mala. Não se sabe se ainda existe.
2 – (Pode explicar-me se esses Telegramas eram abertos ou cifrados e como é que eram classificados?) – Na verdade, os Telegramas eram, quase sempre, cifrados e tinham a classificação de Reservado, Confidencial, Secreto e Muito Secreto. Depois de um tempo em que eram telegramas "a sério", enviados através dos Correios (daí a parcimónia nas palavras), passaram a ser remetidos por telex e, agora, por e-mail. O nome Telegrama mantém-se, bem como a respectiva cor: "verdes" para os expedidos, "rosa" para os recebidos.
3 – (O senhor fala em Telegramas mas também havia Ofícios... ) – A sua observação é pertinente...
(Com essa do pertinente o senhor mostra Ter a ronha de todos os porta-vozes. Deixe-se lá de pertinências e vá ao assunto!) – Sim, indo ao assunto, os Ofícios também têm as mesmas classificações mas, contrariamente aos Telegramas - que têm uma rede de distribuição, dependente do encaminhamento pretendido pelo posto, mas igualmente decidido pelo Serviço de Cifra -, são enviados por mala diplomática e têm apenas um único destinatário, que é designado por quem os subscreve. Os Ofícios vão para o Serviço do Expediente e os Telegramas vão - como iam os Aerogramas - para o Serviço da Cifra.
4 – (Daqui a pouco, o senhor está a falar do tempos de D. João V como os velhos jarretas. Como é que o senhor ainda fala em telegramas e aerogramas na era dos e-mails que é o que mais interessa?) – Calma! Calma!!! Vocês jornalistas portugueses de agora, cada um de vós até parece o rei Fahd Ibn Abdulaziz! Anotem com calma, que sobre o MNE não falo árabe! Então, continuando, digo-vos que, numa certa altura, houve a tendência de generalizar a prática do envio de e-mails, directamente entre serviços e postos, escapando a um arquivamento central. A confusão foi total, ninguém sabia quem dava instruções, qual a hierarquia das comunicações - face aos Telegramas -, alguns embaixadores ousaram protestar e a outros, sabiamente, nem sequer lhes passou pela cabeça aderir à nova moda. O tempo encarregou-se de acabar com a prática, que hoje só sobrevive para questões não importantes.
5 – (Não duvido das suas palavras, mas, pagando-lhe pela mesma moeda, o senhor ou já aprendeu muito com o rei Abdullah, ou está a esconder-nos alguma coisa...) – Nada escondo, nem esconderei. Querem ouvir? Em 2002, a gestão Martins da Cruz, para evitar que a Presidência da República - a quem uma cópia de cada telegrama é obrigatoriamente distribuída - soubesse do que se passava na política externa, passou a recomendar a determinadas Embaixadas - mais "sensíveis" e amigalhaças... - o uso da figura da "Nota de Cifra". O ministro Cruz tinha a "Nota de Cifra" como o seu principal veículo de comunicação com o embaixador Esteves, em Luanda, por exemplo.
6 – (Notável, o que nos revela! Era assim em Portugal como outrora na Arábia Saudita? E continua a ser assim? O que é então a "Nota de Cifra" ?) - É uma comunicação cifrada que o chefe da missão envia a alguém da hierarquia do MNE, que lhe é entregue directamente pelo Serviço de Cifra e de cujo teor (em princípio...) não fica registo naquele Serviço. As "Notas de Cifra pessoais para SEXA Ministro" passaram a ser famosas nos tempos da "gestão da cunha".
7 – (Senda estas as circunstâncias das comunicações dentro do MNE, Cavaco e Sócrates podem considerar-se bem informados?) – Já dissemos o suficiente para que os senhores tirem as ilações. Mas para que conste, existe também a figura do "Telegrama Pessoal". No passado era dirigido apenas ao Ministro - ou deste para o chefe da missão - , mas a prática generalizou-se hoje aos Secretários de Estado e ao Secretário-Geral. E assim vai o MNE em termos de comunicações. As Necessidades, em termos de comunicações de Estado são aquilo por que a Igreja Católica chama ao sertão – uma Terra de Missão. Daí a justeza da designação do novo serviço acabado de criar, a Estrutura de Missão para as Tecnologias de Informação e Comunicação onde não faltarão... missionários.
(Missionários?) – Sim, missionários. Quando alguém se convence que tem língua de Estado, eis aí o inimigo.
1 – Como era outrora.
2 – No tempo dos telegramas: o “verde” e o “rosa”
3 – Ofícios: um único destinatário.
4 – O escapamento ao arquivo central e a grande confusão.
5 – Expediente Martins da Cruz
6 – A «Nota de Cifra pessoal a SEXA Ministro»
7 – Sócrates e Cavaco, bem informados?
(Declaração prévia – Senhoras, Senhores. Desculpem o atraso mas tivemos que explicar ao Rei da Arábia Saudita o que foi o 25 de Abril em Portugal. O anterior rei Fahd Ibn Abdulaziz nunca quis saber nada disso e muito menos ouvir falar de Otelo e de Fabião mas o actual rei Abdullah manifestou total interesse e forçou-nos ler-lhe, palavra a palavra, o belo discurso pronunciado por Vasco Lourenço na noite de 24. A tradução (simultânea) terminou há escassos 15 minutos, com Abdullah visivelmente comovido e rematando a emoção com as seguintes palavras: “Então, o vosso ministro DFA esteve aqui e não me transmitiu tão divinas e reveladoras palavras que de imediato ordenarei que sejam lidas nas Três Mesquitas?”)1 – (Deixe-se lá do Abdullah e fale-nos do que nos prometeu. Notas Verbais fazem muito bem em falar das comunicações dentro do MNE. Como é era isso, antigamente?) – Repondo-lhe com todo o gosto. Até há uns anos, a articulação entre as missões diplomáticas e consulares fazia-se, quase exclusivamente, através das figuras dos Telegramas e dos Ofícios. Nos telegramas utilizava-se uma linguagem parca em palavras, sem artigos e com poupança de advérbios. Havia também os Aerogramas, em que era utilizada a linguagem "enxuta" do telegrama, mas que era enviado por mala. Não se sabe se ainda existe.
2 – (Pode explicar-me se esses Telegramas eram abertos ou cifrados e como é que eram classificados?) – Na verdade, os Telegramas eram, quase sempre, cifrados e tinham a classificação de Reservado, Confidencial, Secreto e Muito Secreto. Depois de um tempo em que eram telegramas "a sério", enviados através dos Correios (daí a parcimónia nas palavras), passaram a ser remetidos por telex e, agora, por e-mail. O nome Telegrama mantém-se, bem como a respectiva cor: "verdes" para os expedidos, "rosa" para os recebidos.
3 – (O senhor fala em Telegramas mas também havia Ofícios... ) – A sua observação é pertinente...
(Com essa do pertinente o senhor mostra Ter a ronha de todos os porta-vozes. Deixe-se lá de pertinências e vá ao assunto!) – Sim, indo ao assunto, os Ofícios também têm as mesmas classificações mas, contrariamente aos Telegramas - que têm uma rede de distribuição, dependente do encaminhamento pretendido pelo posto, mas igualmente decidido pelo Serviço de Cifra -, são enviados por mala diplomática e têm apenas um único destinatário, que é designado por quem os subscreve. Os Ofícios vão para o Serviço do Expediente e os Telegramas vão - como iam os Aerogramas - para o Serviço da Cifra.
4 – (Daqui a pouco, o senhor está a falar do tempos de D. João V como os velhos jarretas. Como é que o senhor ainda fala em telegramas e aerogramas na era dos e-mails que é o que mais interessa?) – Calma! Calma!!! Vocês jornalistas portugueses de agora, cada um de vós até parece o rei Fahd Ibn Abdulaziz! Anotem com calma, que sobre o MNE não falo árabe! Então, continuando, digo-vos que, numa certa altura, houve a tendência de generalizar a prática do envio de e-mails, directamente entre serviços e postos, escapando a um arquivamento central. A confusão foi total, ninguém sabia quem dava instruções, qual a hierarquia das comunicações - face aos Telegramas -, alguns embaixadores ousaram protestar e a outros, sabiamente, nem sequer lhes passou pela cabeça aderir à nova moda. O tempo encarregou-se de acabar com a prática, que hoje só sobrevive para questões não importantes.5 – (Não duvido das suas palavras, mas, pagando-lhe pela mesma moeda, o senhor ou já aprendeu muito com o rei Abdullah, ou está a esconder-nos alguma coisa...) – Nada escondo, nem esconderei. Querem ouvir? Em 2002, a gestão Martins da Cruz, para evitar que a Presidência da República - a quem uma cópia de cada telegrama é obrigatoriamente distribuída - soubesse do que se passava na política externa, passou a recomendar a determinadas Embaixadas - mais "sensíveis" e amigalhaças... - o uso da figura da "Nota de Cifra". O ministro Cruz tinha a "Nota de Cifra" como o seu principal veículo de comunicação com o embaixador Esteves, em Luanda, por exemplo.
6 – (Notável, o que nos revela! Era assim em Portugal como outrora na Arábia Saudita? E continua a ser assim? O que é então a "Nota de Cifra" ?) - É uma comunicação cifrada que o chefe da missão envia a alguém da hierarquia do MNE, que lhe é entregue directamente pelo Serviço de Cifra e de cujo teor (em princípio...) não fica registo naquele Serviço. As "Notas de Cifra pessoais para SEXA Ministro" passaram a ser famosas nos tempos da "gestão da cunha".
7 – (Senda estas as circunstâncias das comunicações dentro do MNE, Cavaco e Sócrates podem considerar-se bem informados?) – Já dissemos o suficiente para que os senhores tirem as ilações. Mas para que conste, existe também a figura do "Telegrama Pessoal". No passado era dirigido apenas ao Ministro - ou deste para o chefe da missão - , mas a prática generalizou-se hoje aos Secretários de Estado e ao Secretário-Geral. E assim vai o MNE em termos de comunicações. As Necessidades, em termos de comunicações de Estado são aquilo por que a Igreja Católica chama ao sertão – uma Terra de Missão. Daí a justeza da designação do novo serviço acabado de criar, a Estrutura de Missão para as Tecnologias de Informação e Comunicação onde não faltarão... missionários.
(Missionários?) – Sim, missionários. Quando alguém se convence que tem língua de Estado, eis aí o inimigo.
Diga-me quantos precisa...Dir-lhe-ei quantos o acompanharão
A olho. Depois do filme diplomático das exonerações, desmentidas recolocações e renomeações mentidas, agora, em comunicações pessoais para o Ministro, diversos chefes de missão terão de «qualificar» até final do mês, as respectivas Embaixadas visando a «futura reestruturação», segundo quatro níveis. A saber:1 - Prioritárias
2 - Indispensáveis
3 - Necessárias
4 - Convenientes
Os embaixadores poderão pronunciar-se sobre a embaixada e até sobre o pessoal de ue podem vir a precisar, possivelmente sobre o pessoal a mais.
Até dia 30, os destinatários da missiva de DFA devem fazer propostas "sem ambição excessiva nem miserabilismos sobre quais as categorias e o número de pessoas que devem integrar o quadro ideal ...."
A ideia que preside a esta intenção do MNE é a de dotar de mais pessoal as representações 1 e 2 e... reduzir ao indispensável as 3 e 4.
Numa primeira avaliação, os critérios são manifestamente científicos, obedecendo pelos visto ao tal princípio de Arquimedes segundo o qual o prioritário que não seja necessário é igual à raiz quadrada do conveniente vezes o indispensável, ou, na matemática popular portuguesa, a olho.
Esta troca de "correspondência" faz-se através de Telegrama Pessoal ou de «Nota de Cifra pessoal para SEXA Ministro» o que exclui as comunicações da colecção que por norma segue ou deveria seguir sempre para o Presidente da República e para o Primeiro Ministro.
Tal como o venerando Embaixador Agapito costuma dizer, "há enguia debaixo da rocha".
O Briefing da Uma, marcado para as 13:00 (hora de Lisboa), vai centrar-se sobre como está o MNE em matéria de comunicações.
25 abril 2006
Trabalho de embaixadores...Até agora, apenas Seixas da Costa
Apenas em "O Globo" Pois nem viria para o caso contar quantos Embaixadores de Portugal andaram de cravo ao peito, mas conviria saber quantos Embaixadores de algum modo assinalaram e sem vergonha, a instauração da Democracia Portuguesa que, para muitos países pelo mundo fora, foi uma marca de água. Até este momento, através do Google que é a Estrutura de Missão de NV, apenas tivemos registo de um artigo a esse propósito publicado no jornal O Globo pelo Embaixador Francisco Seixas da Costa. Está na íntegra em Notas Formais.
Continuaremos a pesquisa, pois ainda não chegámos aos jornais da Arábia Saudita, embora se saiba que não há abonos para cravos... Na cruzada contra omissões, ajudem-nos.
Destaque:
«Não está feita a história colectiva da oposição ao Estado Novo português no Brasil – e ela terá de fazer-se um dia. Uma história de pertinácia e sacrifícios, marcada por contradições e muitos conflitos, como é sina de todas as culturas de exílio, e onde avultou o papel do jornal “Portugal Democrático” – que aqui se publicou de 1956 até depois da Revolução portuguesa, curiosamente sobrevivendo durante todo o regime militar brasileiro.»
Continuaremos a pesquisa, pois ainda não chegámos aos jornais da Arábia Saudita, embora se saiba que não há abonos para cravos... Na cruzada contra omissões, ajudem-nos.
Vergonha por uma flor. Flor que vence a vergonha
Cravos. Tem toda a razão, meu caro. Recorda-me você que há uma altura do ano, próximo do São Martinho em que muitos dos diplomatas ingleses que andam pelo mundo começam a aparecer com uma pequena flor vermelha na lapela, a papoila vermelha vendida pelas ligas de veteranos e que celebra o Armísticio de 1918. E como comprovado observador que você é, também notou que quem passa os olhos sãos pela Sky News ou pela BBC também apanha com um ou outro locutor ou entrevistado com a dita papoila. Caminha para cem anos e os ingleses não têm vergonha dessa flor. Pelo contrário, transforma-na em instituição.Estive para lhe dar troco. Devia-o ter feito. Como saberá, em Portugal, os poderes do Estado que são muito dados à floricultura - aliás a governação é sempre um caso de floricultura - tais poderes têm todavia vergonha das flores. É claro que em 11 de Novembro de 1918, nem sequer a mensagem calorosa do rei Jorge V sobre o armistício continha adubo suficiente para plantar uma papoila no peito do destinatário português, o Presidente Sidónio Pais. E a papoila não vingou como insígnia muito menos como símbolo. Pelos acontecimentos do mês seguinte desse mesmo ano (tentativa abortada de assassinato em 5 de Dezembro e tiro fatal a 14) ficou omisso na nossa história se Sidónio teve vergonha da papoila ou se tinha outra ideia para a floricultura da Pátria.
E pergunta-me você que distância irá da papoila ao cravo? Ora faz muito bem ao antecipar a resposta: somos do País de Abril, como Alice é do País das Maravilhas. Assim, quando a semente deixa de ser princípio e o craveiro uma instituição, a maneira mais própria da floricultura do Estado é pôr a vergonha ao peito.
23 abril 2006
Pensões no MNE. Pergunta pertinente...
Pertinente comentário enviado para Notas Formais:
NV acreditam que, melhor do que ninguém, o secretário-geral poderia manifestar tal estado de alma.
«Gostaria que me explicassem a cronologia dos actos e criterios administrativos que fazem com que um técnico ao serviço do MNE venha a receber uma pensão superior à de um embaixador.
«Por muito que puxe pela cabeça, não consigo descortinar a lógica sub-jacente que origina este estado de coisas.
«Alguma alma caritativa quererá explicar o fenómeno?
NV acreditam que, melhor do que ninguém, o secretário-geral poderia manifestar tal estado de alma.
Última de Chávez. Venezuela sai da Comunidade Andina
Oficial. Venezuela denuncia Acordo de Cartagena e retira-se da Comunidade Andina. Diz a diplomacia de Caracas: "Venezuela oficializó este sábado su decisión de retirarse de la Comunidad Andina de Naciones, al denunciar formalmente ante la Comisión de esa instancia subregional, el Acuerdo de Cartagena. La comunicación contentiva de tal decisión, suscrita por el Ministro de Relaciones Exteriores, Alí Rodríguez Araque, advierte que los Tratados de Libre Comercio firmados por Colombia y Perú con Estados Unidos, pretenden asimilar la normativa de dichos Tratados a la Comunidad Andina, con lo que se estaría produciendo una modificación fáctica de su naturaleza y principios originales, que para Venezuela resulta inaceptable."
22 abril 2006
Rios de € É notável
Notável lista. Está em Notas Formais a notável lista de aposentados do Estado em 2005, onde se observa três casos de pensões franciscanas no MNE. É patente que pontificam os juízes nessa ilustre assembleia que comprova não ser necessário ser militar nem sequer integrar estratégicas missões nos Balcãs para dar bitola de produtividade ao País - como justamente alertou o Presidente ACS, mas ocorre perguntar se muitos destes pensionistas não estarão ainda em idade de serem conselheiros, adidos...
No MNE, isto:
Em Setembro:
7.284,78 € para Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
6.758,68 € para Vice-Cônsul mdash; Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Em Novembro:
7.327,27 € para Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Nada mau e exemplar. Ler em Notas Formais (clique AQUI)
No MNE, isto:
Em Setembro:
7.284,78 € para Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
6.758,68 € para Vice-Cônsul mdash; Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Em Novembro:
7.327,27 € para Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Nada mau e exemplar. Ler em Notas Formais (clique AQUI)
Um doce! Adivinhem...
Um doce! NV oferecem um doce a quem adivinhar qual o diplomata português que acaba de brilhar em Harvard! O Google ajuda...
Informações por ofício... PM e PR à margem?
Claro que é grave. Já se tinha alertado em NV para essa prática das «informações por ofício ao gabinete» remetidas pelos chefes de missão e das quais, por seguirem por ofício, não são facultadas cópias nem ao Presidente da República nem ao Primeiro-Ministro. Quando estão em causa questões de peso como a reestruturação da rede de embaixadas e do mapa consular, o assunto é grave. O expediente do «ofício» foi inventado há um bom par de anos para o MNE cercear informações ao então PR Mário Soares (era Cavaco Silva primeiro-ministro...) mas agora voltou-se o bico do prego contra o martelo...Voltaremos ao assunto, passado que está algum desânimo como o fragmento dos passarinhos deixou transparecer.
Pois, o Canadá não está na OIT. Começemos por aqui...
Destaques. É de ler na íntegra, nova Carta de Fernanda Leitão que se publica em Comunidades Portuguesas. Onde está a investigação criminal prometida por DFA?
Três destaques, para aguçar a curiosidade:
Ler texto na íntegra em Comunidades Portuguesas (clique AQUI)
Três destaques, para aguçar a curiosidade:
Em Toronto, são cada vez mais os portugueses que por aqui estão atentos à promessa de investigação criminal que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. Freitas do Amaral, anunciou na sua conferência de imprensa no consulado português. Em Toronto, onde a construção vive um boom impressionante, os sindicatos têm sido os maiores fornecedores de mão de obra aos empreiteiros, o que está na origem de uma dupla felicidade: o patronato pode dispor de mão de obra calada, que se sujeita a tudo, e os sindicatos, porque o operário tem uma licença de trabalho temporária, faz de todos eles sócios pagantes, com as quotas em dia. Quando é deportado, o trabalhador perde tudo nesta roleta. Os que não têm licença de trabalho e vivem clandestinos, dão com as costas à mesma na construção, mas ganham 7 dólares por hora, quando a lei manda pagar bastante mais de 20 dólares. Não sei se este sindicalismo, bronco e abrutalhado, se deverá ao facto de o Canadá não fazer parte da Organização Internacional do Trabalho.
Ler texto na íntegra em Comunidades Portuguesas (clique AQUI)
Fragmento da Cozinha Velha. Evangelho Oficial
Modelo. Em verdade, em verdade vos digo: um certo dia, acercou-se um escriba d'Aquele que diz «As Necessidades sou Eu», pedindo-lhe que o orientasse na redacção de textos para a turba diplomática e para a plebe curiosa destas coisas. «Então não sabes o que a turba quer e do que mais gosta?», perguntou Aquele ao escriba que, rojando-se-lhe humildemente aos pés, respondeu com os olhos colados à calçada do Rilvas - «Senhor, dai-me um pouco da Vossa visão para que possa ver bem as palavras que escrevo, pois sem um porção dos Vossos olhos enxertada nos meus, escrevo contra a minha vontade e por certo contra a Vossa». Então, Aquele apiedou-se do escriba e, pousando as mãos sobre a sua cabeça ao mesmo tempo que os polegares lhe esfregavam as pálpebras, disse: «Escriba, que se afaste de ti o demónio da crítica e que do teu espírito saia o espírito do mal que te faz considerar como coisa pública aquilo que só a Mim pertence. Levanta-se e escreve sobre passarinhos!». Ditas estas palavras, o escriba levantou-se e, bendizendo Aquele, começou a procurar uma laje de pedra sobre a qual pudesse escrever com comodidade as palavras com que, a partir daquele momento, se sentia inspirado, ao serviço d'Aquele. E encontrada a laje, o escriba soltou o seu espírito vendo que as suas palavras eram já palavras d'Aquele e não suas. E a turba ficou atónita pelo milagre quando alguém leu tais palavras e que eram: «Os passarinhos tão engraçados, fazem os ninhos com mil cuidados; oh! não os perturbem nos beirais, deixem-nos fazer as necessidades mesmo que sujem os vossos frontais - são pelos filhinhos que vão nascer, que os passarinhos as vão fazer.» Ouviu-se então uma calorosa salva de palmas no Terceiro Andar, pelo que o bom fariseu Calhandro segredou ao ouvido d'Aquele: «Que grande milagre operaste! Assim, sim! Crónicas assim é que salvam o nosso Povo!» E satisfeitos, todos foram dando vivas até à Cozinha Velha onde, a expensas de um rico homem, a laje foi colocada à disposição dos escribas. E antes de dispersarem, Aquele ainda disse: «Crónicas destas serão abençoadas pelos séculos dos séculos porque são a mais pura liberdade. Em verdade, em verdade vos digo, este é o evangelho oficial.»
21 abril 2006
Dos Notadores. Prémio semi-esquecido...
De Públio:
NV - Na verdade, bem visto o site da ASDP (aqui) que promove e organiza o prémio, parece que Aristides Pereira parou em 2004...
«Em que dia do ano a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses deveria anunciar as nomeações para o Prémio Aristides Sousa Mendes?
«Hipótese A - Dia 24 de Abril ao fim da tarde, na casa arruinada de Carregal de Sal, perto da Sombra de Santa Comba.
«Hipótese B - Dia 25 de Abril, antes das Necessidades abrirem, no terreiro da Cova da Moura.(Para que não se esqueça, os prémios celebram a Memória, como aquela oliveira plantada em Jerusalém, para celebrar o único português que figura entre os justos).
NV - Na verdade, bem visto o site da ASDP (aqui) que promove e organiza o prémio, parece que Aristides Pereira parou em 2004...
20 abril 2006
Passeios e conversas. Enganos de Estado
Real nudez. O problema é que cada um, tal como o outro ou mais do que o outro, tem uma concepção de pífia realeza da política externa e uma postiça ideia majestática da representação ou da acção do Estado no exterior. O sigilo inútil, o segredo dispensável, a reserva encenada, a confidencialidade ridícula e a dissimulação que apenas engana o Estado, são características do rei que vai nu e que sem dar pela nudez vai como rei - o que, já de si, é malsão numa monarquia constitucional, quanto mais numa república de algumas cabeças onde nem sequer estalou o 5 de Outubro e muito menos estalaram outras datas.
19 abril 2006
Para Seravejo... No maior sigilo!
Do adido Furriel Russel:
«Prepara-se no maior sigilo a segunda deslocação externa do Presidente ACS - nas próximas horas será anunciada a sua chegada a Serajevo, para visita às forças nacionais ainda integradas em operações de peace building ( e já não de peace keeping ou do mais dramático peace enforcement).
«Tudo uma questão de encenação, parece que alguma nostalgia sobra por não termos qualquer resto de presença para-militar (GNR) no Iraque para justificar uma visita surpresa, com coletes à prova de bala e atiradores especiais encarapuçados em torno da nossa Alta Individualidade.
«Não seria mais emblemático que esta segunda visita do nosso venerando Alto Magistrado fosse por exemplo ao Colégio Europeu de Florença, a uma comunidade cientifica europeia ou norte americana onde se aglomerassem alguns promissores investigadores portugueses, a qualquer coisa de menos dejá vu?
«Prepara-se no maior sigilo a segunda deslocação externa do Presidente ACS - nas próximas horas será anunciada a sua chegada a Serajevo, para visita às forças nacionais ainda integradas em operações de peace building ( e já não de peace keeping ou do mais dramático peace enforcement).
«Tudo uma questão de encenação, parece que alguma nostalgia sobra por não termos qualquer resto de presença para-militar (GNR) no Iraque para justificar uma visita surpresa, com coletes à prova de bala e atiradores especiais encarapuçados em torno da nossa Alta Individualidade.
«Não seria mais emblemático que esta segunda visita do nosso venerando Alto Magistrado fosse por exemplo ao Colégio Europeu de Florença, a uma comunidade cientifica europeia ou norte americana onde se aglomerassem alguns promissores investigadores portugueses, a qualquer coisa de menos dejá vu?
Diplomacia pura. Olha bem para isto, Rosa!
A Carta do Canadá. Quando menos se espera, aqui recebemos os belos instrumentos diplomáticos de Fernanda Leitão. E numa ocasião em que, até nas Necessidades, os judas afinal coniventes com o mestre entregam o mestre, a carta de hoje é mesmo um caso de diplomacia pura...
CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão
OLHA BEM PARA ISTO, ROSA!Há muitos anos atrás, passei uma Páscoa com a Rosa Ramalho no seu pequeno lugarejo perto de São Martinho de Galegos, a um tiro de Barcelos. Cumpria, honradamente, uma promessa que a barrista me tinha arrancado a ferros, porque esse era um tempo de juventude, de jornais, de viagens, de agenda cheia. Ficámos amigas, já nem sei desde quando, e a verdade é que morríamos uma pela outra.
Dias fascinantes aqueles, com o Minho a explodir em verdes tenros e flores, o céu azul, o sol esplendoroso. O que nós vadiámos por aquele Minho, com a Rosa sempre a parar para abraçar pessoas, de todas as camadas sociais, que lhe queriam bem, metidas em mercados e igrejinhas lindas de morrer, abancadas em lugares risonhos onde nos serviam cabrito assado com grelos salteados, ou papas de serrabulho, ou bacalhaus de antologia, tudo regado a verde tinto bebido por malgas de loiça. Porque a Rosa se me tinha queixado que andava em baixo, com “uma gastura no estâmado que tu nem queiras saber”, e eu levei-a ao médico que diagnosticou cansaço e receitou descanso, passeata, e “coma-lhe e beba-lhe, Tia Rosa”. Para encurtar razões, aviámos a receita.
Num dia em que regressámos da passeata, havia uma encomenda à espera da Rosa: pessoa de bom estatuto, em Viana do Castelo, pedia por tudo que lhe fizesse uma Última Ceia para levar de oferta no estrangeiro. Essas ceias feitas pela Rosa eram rectangulares, em barro verde, constando de uma mesa comprida, Jesus ao meio e os discípulos distribuídos à esquerda e à direita. À frente de Nosso Senhor, um prato com um peixe, um pão e um cálice. À frente dos outros, um pãozinho muito redondinho. A artista, que era pequenina, sentou-se num banquinho, frente a uma banca de trabalho, e ali ficou a modelar figura por figura, sempre a cantarolar. Eu, muda, extasiada, comovida, porque, para mim, o acto da criação artística é um momento em que se tocam os dedos de Deus e do artista. Mas quando a Rosa deu por terminado o trabalho, reparei que havia um discípulo sem pãozinho. Solícita, e estúpida, chamei a atenção da Rosa. E ela, a cravar em mim aqueles belos olhos negros cheios de força, espantou-se: “Tu julgas-me capaz de pôr pão ao filho da p. do Judas?”. Fiquei transida de admiração perante aquele desamor fundo como uma raíz, igualzinho ao de outro minhoto e querido amigo, o escritor Tomás de Figueiredo, de quem o David Mourão Ferreira às vezes me dizia “ah, que ódio aquele, tão saudável”. Agora parece que se diz tão assumido...
E não é que, nesta Páscoa de 2006, tem sido uma badalação mediática à escala planetária por causa de uns papiros datados de 400 anos após a morte de Cristo na cruz, segundo os quais Judas teria sido um sujeito óptimo e até parceiro de Jesus nisso de ajeitaram factos às profecias? Tem sido uma algazarra, mesmo antes de se saber, de ciência certa, se vale a pena perder tempo com o achado.
Nunca pensei que o Judas tivesse tantos amigos dispostos a, mais uma vez, atacarem a Igreja. Olha bem para isto, Rosa!
Matérias classificadas. O crivo e a peneira
Quem fica de fora? Como qualquer país que se preze dar recato aos secretos temas da alta política internacional, o MNE despachou normas para credenciação do pessoal manuseante de matérias classificadas, a saber:
A credenciação é feita pelo Gabinete Nacional de Segurança (GNS),
Os directores-gerais e os chefes de posto enviam a lista dos contemplados (seguramente seleccionados com a devida ponderação e objectividade)
A lista definitiva é feita seguir pelo Secretário-geral/MNE para o GNS
Os escolhidos preenchem formulários que são canalizados para o GNS também pelo Secretário-geral
E está! Os acreditados recebem a devida formação do GNS, entidade que procederá ainda à avaliação dos procedimentos mnésicos e do devido equipamento em conformidade, supõe-se que para saberem manusear, corrigirem procedimentos e se equiparem.
Até aqui, tudo parece bem. Mas não é o que parece - as normas não se aplicam aos serviços externos do MNE onde por acaso estão os elos mais fracos ou mais frágeis da segurança quanto a meterias classificadas. Para tais serviços, não se destina formação, não se cuida dos procedimentos e muito menos do equipamento.
E assim é natural que, para quem não conheça o estado geral dos nossos serviços externos, o MNE possa por aí, em algum dia, garantir que os objectivos foram atingidos, que as Necessidades assumiram a incumbência da segurança com a devida seriedade, que se gastou com a necessária parcimónia embora alguém tenha ganho com a implementação das medidas e que o MNE estará perdoado quando, apesar do apertado crivo interno, fugir alguma informação... através da furada peneira (externa).
Tal como nos tempos da cortina de ferro (assuntos NATO, UE...), o crivo não mas a peneira tem elos fracos de sobra para que não se possa apurar responsabilidades.
A credenciação é feita pelo Gabinete Nacional de Segurança (GNS),E está! Os acreditados recebem a devida formação do GNS, entidade que procederá ainda à avaliação dos procedimentos mnésicos e do devido equipamento em conformidade, supõe-se que para saberem manusear, corrigirem procedimentos e se equiparem.
Até aqui, tudo parece bem. Mas não é o que parece - as normas não se aplicam aos serviços externos do MNE onde por acaso estão os elos mais fracos ou mais frágeis da segurança quanto a meterias classificadas. Para tais serviços, não se destina formação, não se cuida dos procedimentos e muito menos do equipamento.
E assim é natural que, para quem não conheça o estado geral dos nossos serviços externos, o MNE possa por aí, em algum dia, garantir que os objectivos foram atingidos, que as Necessidades assumiram a incumbência da segurança com a devida seriedade, que se gastou com a necessária parcimónia embora alguém tenha ganho com a implementação das medidas e que o MNE estará perdoado quando, apesar do apertado crivo interno, fugir alguma informação... através da furada peneira (externa).
Tal como nos tempos da cortina de ferro (assuntos NATO, UE...), o crivo não mas a peneira tem elos fracos de sobra para que não se possa apurar responsabilidades.
Angola/PS. Um artigo indefenido...
José Lello. O artigo do secretário para as Relações Internacionais do PS, publicado no diário Público (segunda-feira, 17) está para um, uma, uns e umas tal como os artigos definidos estão para o, a, os e as. É um artigo indefinido, que é a coisa mais triste da gramática e certamente também da política externa. Até se aceitaria que tal artigo fosse assinado por José Eduardo dos Santos, mas por José Lello custa a acreditar.
18 abril 2006
15 abril 2006
Viagens MNE/TAP... Ministro económico, embaixador business?
Sem necessidade... E essa do PM a obrigar ministros e SGs dos ministérios a viajar em classe económica?
A NV começam a chover perguntas. Duas, para já:
1 - E quanto aos Embaixadores... visto terem viagens em executiva devido a um Acordo entre o MNE e a TAP ? A TAP dá-lhes Business sempre, sem pagarem nada...
2 - E como será, quando o Ministro visitar oficialmente um país em económica e o Embaixador vai no avião um furo acima, de Business? Continuará o Acordo MNE/TAP? Vai manter-se?
A NV começam a chover perguntas. Duas, para já:
1 - E quanto aos Embaixadores... visto terem viagens em executiva devido a um Acordo entre o MNE e a TAP ? A TAP dá-lhes Business sempre, sem pagarem nada...
2 - E como será, quando o Ministro visitar oficialmente um país em económica e o Embaixador vai no avião um furo acima, de Business? Continuará o Acordo MNE/TAP? Vai manter-se?
Dos Notadores. Prova de vida. Vida consular à prova...
Dos Notadores (M.) - Caso de ressurreição... consular.
«...A prática consular é tradicionalmente desvalorizada e há quem ache ( incluindo alguns dos que o ilustre CA elegeu como "geniais" ou "excelentes") que entende ser mais relevante para a nação portuguesa integrar uma daquelas delegações que o Assistant Under Secretary for European Affairs recebe de quando em quando, ou assessorar uma das equipas negociadoras dos sobressalentes para F-16, do que ser Cônsul Geral em qualquer canto do Velho ou Novo Mundo onde os nossos modestos ilustres compatriotas se homiziam.
«Mas o episódio que relata lembrou-me um outro que reavivo.
«Em circunstâncias de abertura da nossa representação numa antiga colónia onde os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações tinham que fazer a requerida prova anual de vida, apresentou-se à Cônsul um senhor com um requerimento por si assinado em que declarava vir fazer prova de vida do irmão, falecido no ano passado.
«Quem testemunhou ainda hoje se arrepende de não ter guardado cópia do requerimento, mas todos os cidadãos utentes têm o direito à salvaguarda da sua privacidade por parte da administração. O utente consular mereceria ter sido condecorado com a Grã Cruz da Ordem da Ingenuidade.
«Como se vê nem tudo são espinhos nas ingratificadas práticas consulares.
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