02 junho 2006

Entretanto... Carta de DFA ao Sindicato

Diz DFA ao Sindicato, por causa da greve dos serviços externos, marcada para dia 9: "Essa representação externa (de Portugal, pelo MNE) poderá ser gravemente prejudicada pelo fracasso das habituais comemorações do Dia Nacional, enfraquecendo a credibilidade e o prestígio de Portugal em futuros contactos internacionais, o que pode consequentemente inviabilizar a eficaz prossecussão de atribuições que consubstanciam necessidades essenciais a garantir pelo Estado no domínio da protecção dos seus cidadãos no estrangeiro". (Carta de 24/Maio)

NV: A propósito deste assunto Freitas do Amaral/Sindicato, poderá o Ministro divulgar a lista de Embaixadas/Consulados que promovem o Dia de Portugal e, sobretudo, como e onde o promovem, a fim de a opinião pública avaliar os temidos fracassos? NV vão fazer uma ronda...

Entretanto... Sobre Timor-Leste, disse Acalam

Disse Acalam: "Não haverá a coragem para denunciar e condenar frontalmente a situação criada em Timor Leste ?

"A Comunidade Internacional apoiou a criação por parte do povo timorenses do novo Estado, eleições democráticas sancionaram um governo, cujo mandato se concluiria em 2007. Assistimos à fragmentação das forças armadas, à dissolução real da polícia, ao saque dos tribunais.

"O que se passa nas ruas de Dili é apenas resultado da conduta política dos mais destacados dirigentes timorenses, que têm uma responsabilidade moral não só perante o seu próprio povo mas também perante a Comunidade Internacional. Derrubar Governos pelo apoio ou complacência a facções dissidentes das forças armadas, a detenção e fuzilamento de agentes das forças policiais, é uma prática inaceitável.

"Ao Governo de Mari Alkatiri poderão ser apontadas todas as críticas- incluindo o erro de nomear para lugares essenciais na ordem interna personagens como Rogério Lobato ou David Ximenes, a falta de flexibilidade e capacidade para o diálogo, a auto-suficiência e alguma inclinação para o autoritarismo que apenas justificariam um quadro de luta política democrática e dentro das instituições de Estado.

"Timor Leste ainda merece que os seus responsáveis, políticos e religiosos, tão estimados pelos portugueses, se destaquem pela generosa construção de um Estado emergente democrático, viável e estável. Infelizmente os passos dados desde os últimos meses levam a cobrirmos Dili com os mesmos lençóis de Monrovia, Freetown e Mogadiscio.

"Que isto seja dito abertamente"

NV: Estamos atentos a Timor. É oportuno reler as matérias da última viagem de Sampaio. E não só, para perturbação de Carneiro Jacinto.

Entretanto... ...disse B.C.

Disse B. C. : "Confesso que estranhei a ausência dos seus comentários iluminados e 'straight to the point' relativamente às inesperadas e certas promoções ao grau mais elevado da carreira (refiro-me à sempre desejada categoria de Conselheiro de Embaixada) bem como ao surpreendente (de surpresa em surpresa, confirmam-se as certezas) movimento diplomático ordinário (é extraordinário!). O seu post sobre o que Ivo Cruz ouviu deixou-nos àgua na boca...
Como diria um funcionário que um dia tive num consulado... "mais trabalho, mais barulho que só assim nos fazemos ententer !"

NV: Iremos recuperar o que Ivo Cruz ouviu.

27 maio 2006

Carneiro Jacinto 1. Breve reparo

A verdade de Joaquim Brandão. Em 20 de Feverreiro, Notas Verbais divulgaram correctamente que o ainda então conselheiro jurídico da Embaixada de Portugal em Madrid, Joaquim Brandão, um dos “exonerados”, iria ser recolocado na REPER/Bruxelas... Carneiro Jacinto, pouco depois, a propósito desse e de outros casos, emitiu o célebre “esclarecimento” que nada esclareceu (a não ser a sua “auto-exoneração” do cargo na Embaixada em Paris que afinal mantinha e pelo qual foi confortavelmente pago à tabela, dando vida à expressão Paris-em-Lisboa), fez desmentidos que nada desmentiram, mas, a propósito de Joaquim Brandão, deixou ficar manhosamente no escrito oficial apenas que o conselheiro jurídico em Madrid «regressa a Lisboa», como se o regressar fosse o suficiente para desmentir.

Ora, está sabido, Joaquim Brandão vai ocupar um cargo de “conselheiro técnico” para ele talhado na REPER, altamente remunerado e de topo. O que, a 20 de Fevereiro, em Notas Verbais se afirmou, era então a verdade previsível, é hoje a verdade confirmada. E fica por aqui apenas este breve reparo.

Naturalmente que o Governo tem toda a legitimidade para nomear quem bem entenda, e de criar o cargo ou função que julgue necessário, independentemente do nomeado se chamar Joaquim Brandão e deste ter sido exonerado de Madrid. Como também, amanhã ou depois, este mesmo Governo poderá com igual legitimidade nomear Carneiro Jacinto para conselheiro em Roma, independentemente da sua recente auto-exoneração de Paris em Lisboa, do reconhecimento da sua folha de serviços em Belém (olim), e, em função dessa folha, da convenientemente discreta passagem pelo ICEP ou mesmo por Washington – enfim, aquilo a que se chama uma brilhante carreira que nada faria todavia prever que privilegiasse Notas Verbais com o tratamento de obstáculo sedicioso à glória.

Não é isso, a nomeação de Joaquim Brandão para a REPER, que se discute. Nem sequer se discute Carneiro Jacinto que, vendo bem as coisas, não tem substância passível de discussão num breve reparo como este. Porque vai haver o preparo. Num dos próximos dias. É que Carneiro Jacinto já brincou demais com a probidade e com a honestidade de quem nada tem a esconder.

Carneiro Jacinto. Chegou o momento...

Cinco, bastam. Claro que chegou o tempo de tratar do caso Carneiro Jacinto que, como se sabe, tem dito de Notas Verbais o impensável, embora o que ele prega sobre o seu autor deveras não conta porque não se escreve. E o caso vai ser tratado em cinco ocasiões - a primeira (ainda hoje) vai ser um reparo e que até vai ser breve; a segunda será um preparo; a terceira será um aparo; a quarta falará do anteparo, e a quinta explicará o amparo. Com certeza que a última das cinco ocasiões irá coincidir com o final do campeonato do mundo de futebol e, por isso, vamos ter tempo.

26 maio 2006

Erros dos correios? Kofi Annan-Sócrates, Freitas...

Rigor político. Freitas do Amaral escreveu a Kofi Annan a pedir aval para a força multinacional para Timor-Leste. O Secretário-Geral das Nações Unidas respondeu a José Sócrates. Erro dos correios ? Não, rigor político e chapada de luva branca em quem não sabe quem fala com quem.

25 maio 2006

Briefing da Uma. A greve do dia 9.

Briefing da Uma. «Dizer propositada e intecionalmente o contrário do que se pensa, apenas reforça o princípio do contraditório» - anónimo.

1 – A greve do dia 9
2 – Diplomatas versus MNE
3 – Declaração final (muito importante)

1 – (Os trabalhadores dos serviços externos do MNE marcaram uma greve para o dia 9 de Junho, véspera do Dia de Portugal e de muito futebol político na Alemanha. No entanto, os chamados jornais de referência têm sido discretos e até mesmo omissos sobre os motivos invocados para essa greve. Pode explicar?) – Se os senhores dizem que há silêncio ou omissão, a culpa é do sindicato dessa gente externa que não contratou uma agência de comunicação para comunicar…

(Os motivos invocados para a greve não deixam o MNE bem colocado…) – Como assim? O MNE, este MNE fica até muito bem colocado desde que a greve não se estenda à selecção de futebol que já é o principal eixo dos serviços externos portugueses! Neste aspecto, a situação está controlada com as mais que prováveis promoções de Scolari a ministro plenipotenciário e de Cristiano Ronaldo a conselheiro com valores acima dos de Manuela Franco.

(Mas os motivos invocados são fortes…) – E o senhor a insistir! Fortes o quê? Se não foi executada a actualização dos trabalhadores externos relativa a 2005, como o sindicato reclama, e se nem sequer foram negociadas as actualizações dos trabalhadores contratados em 2001 e a geral em 2006, como também não foi feita a compensação em IRS dos trabalhadores contratados, quer portugueses, quer não portugueses sujeitos ao respectivo imposto local, isso não mostra e não prova que o MNE se comporta como um empresário moderno, dinâmico e profundamente humanista?

(Todavia, o trabalho extraordinário não autorizado…) – Que mal há nisso? O senhor acha mal que o MNE exija trabalho extraordinário não autorizado e compensado nos termos da lei? O que é isso de lei? Hoje em dia, nenhuma chancelaria moderna cumpre a lei e Portugal não pode perder o comboio.

(Mas, segundo consta, o MNE mantêm trabalhadores contratados sem protecção social…) – Outra patranha e outra intriga! Hoje, apenas nos países islâmicos fundamentalistas é que se contratam trabalhadores sob garantias de protecção social! Portugal é um Estado moderno e os trabalhadores têm que compreender que o seu sacrifício é imprescindível. Essa de contratar trabalhadores com protecção social é de um nacionalismo bacoco, na expressão patenteada honrosa de um actual ministro. E já agora, antes que os senhores se arvorem em defensores do sindicato e da greve, adianto-vos que se o MNE não procede à devida acreditação dos seus funcionários externos junto das autoridades locais, só faz bem em tempos de profunda convicção iberista, na expressão igualmente honrosa e identicamente patenteada de outro actual ministro. Assim é totalmente correcto que a relação laboral com os trabalhadores nos Centros Culturais do Instituto Camões, quase todos mantidos sem segurança social, não seja enquadrada legalmente. Mal de Portugal, da cultura e língua portuguesa, se algum dia essa gente, toda ela nascida em Badajoz, tiver segurança social.

(Bem, o senhor está hoje claramente a favor do Terceiro Andar. Pode garantir-nos que está a falar neste briefing livre de coacção e de chantagens?) – Totalmente livre. Garanto-vos. Pois o que é isso do sindicato, também como motivo de greve, protestar contra o facto de não serem assinados os contratos individuais de trabalho com os trabalhadores nas residências dos embaixadores? Essa gente não percebeu que os contratos de trabalho pertencem à pré-história? Não percebeu que a modernidade está em chegar ali, contratar a olho e apalavrar, tarefa muitas vezes tão bem desempenhada pela cônjuge do embaixador?

(Mas, parece que está provado que, desde 2001, não se procede à classificação legalmente exigida de serviço/avaliação de desempenho dos funcionários externos, condição imprescindível à evolução na carreira… ) – E essa gente pode alguma vez ser avaliada? O MNE só faz bem em mandar para as urtigas as exigências legais que são um atraso de vida! Se não vejam com o que se passou com alguns conselheiros ‘especialistas’ ou ‘técnicos’… As exigências legais têm que se moldar em função das chantagens, das mordomias, dos acordos de compadrio e das conveniências de serviço político. É isto que torna uma democracia saudável!

(Pêro, senhorr, disapareceran todalas acciones de formacion profissional de los funcionarios de exteriores, derecho cada vez mas imprescindível e concatenado a modernização de una Administração Pública que funcione por objectivos…) – Você é catalão?

(No, yo soi bielorrusso, de la radio-tv de Minsk, me desculpe el portugnol.) – Está perdoado. Se fosse catalão teria a resposta adequada, mas como é da Bielorrúsia pertence a um país que tal como Portugal valoriza acima de tudo o autodidactismo e a formação espontânea. Portanto, no MNE português quem não quer ou não pode aprender por si, deve ir à vida.

(É verdade, como diz o sindicato, que não são abertos concursos de ingresso há mais de seis anos, provocando graves carências de recursos humanos?) – Já agora complete a pergunta com o que eles dizem, que tais alegadas carências de recursos humanos serão precariamente colmatadas pelo progressivo e ilegal recurso a centenas de contratados a termo certo e a falsos prestadores de serviços – e, subsequentemente, o envelhecimento e a desmotivação do conjunto dos trabalhadores dos quadros… Isto é falso! Os contratados a termo certo são trabalhadores seguros, tanto que cada um deles vai possuir pulseira electrónica para rápida localização a qualquer hora do dia e da noite, solução moderna que os trabalhadores do quadro até agora sempre recusaram. A culpa é deles.

(Hoje não se pode fazer perguntas ao senhor.) – Aguardem pela importante declaração final.

2 – (Falou há dias de críticas dos diplomatas à reestruturação do MNE e não só. Porque se calou?) – Essa matéria, se me permitem, fica para o briefing de amanhã. Certo? Posto isto, tomem nota da seguinte Declaração Final do briefing de hoje.

(DECLARAÇÃO FINAL) – Por motivos alheios mas para desconforto de dois ou três mentirosos compulsivos, aqui se diz com toda a clareza e sem equívocos, que, sobre todas as matérias expostas, o responsável do briefing pensa exactamente o contrário de tudo o que afirmou.

Agapito... Inesperadamente

Do que o Embaixador Agapito se havia de lembrar:

- Meu caro, anote bem esta! Já viu que, na lista para conselheiros, por acaso não há nenhum Acácio?

Briefing da Uma. Está marcado

O Briefing da Uma - momento de altissima estimação no Terceiro Andar e idolatrado por todos os mentirosos compulsivos - volta naturalmente à hora indicada.

Há já 216 a termo certo. Nos serviços externos...

Para onde vai este MNE. Assevera o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas (greve marcada para 9 de Junho) que o número de contratados a termo certo nos serviços externos do MNE, de 60 em 2004, aumentou para 119 em 2005 e para 216 em 2006, dos quais 71 para as novas Embaixadas (Letónia, Estónia, Lituânia, Eslováquia, Eslovénia, Chipre e Malta) onde só vai haver pessoal precário, como nos consulados criados em Manchester e Xangai, cujos cônsules já foram enviados em Outubro e Junho do ano passado.

Garante ainda o sindicato que nas Embaixadas em Adis-Abeba, Dili e Jakarta, os cerca de 50 trabalhadores dos serviços já são “super-precários”, sendo designados como “prestadores de serviços”...

Assim sendo, é bonito num consulado e mais bonito é numa embaixada. Claro que, por este caminho, Portugal vai mudar se quem, em última análise, decide, continuar a assobiar para o lado.

24 maio 2006

Formatação da Carreira. À luz dos critérios...

Com pomos de discórdia. Eis a lista de classificação final dos candidatos admitidos ao concurso de acesso à Categoria de Conselheiro de Embaixada (valores a seguir aos nomes):

1—Maria Manuela Franco - 7,046
2—Luísa Pais dos Santos - 6,990
3—Ana Cristina Melo - 6,946
4—Carlos Veloso da Costa - 6,814
5—Bernardo Ribeiro da Cunha - 6,780
6—Paulo Jorge da Cunha Alves - 6,780
7—Ana Maria Ribeiro da Silva - 6,770
8—José Pedro Machado Vieira - 6,760
9—Maria Amélia Paiva - 6,750
10—Manuela Freitas Bairos - 6,738
11—António Pinheiro Marques - 6,726
12—Luís de Almeida Ferraz - 6,726
13—José Eduardo Ferreira da Silva - 6,726
14—Teresa Alvarenga - 6,628
15—Carlos Nuno Amaro 6,614
16—Fernando Cunha Figueirinhas - 6,594
17—Maria de Fátima Gonzalez - 6,594
18—Rui Fernando do Carmo - 6,594
19—Maria Gabriela de Albergaria 6,594
20—Miguel Simão Pires - 6,582
21—João Mendes Ribeiro de Almeida 6,580
22—Paulo Neves Pocinho - 6,540
23—Luís Albuquerque Veloso - 6,540
24—Luís Augusto Gaspar da Silva - 6,526
25—Manuel Grainha do Vale 6,508
26—Miguel João Alves Rita - 6,506
27—João Paulo Sabido Costa - 6,506
28—José Eduardo Carvalho Rosa - 6,506
29—José Frederico Drumond Ludovice 6,506
30—Rui Alberto Baceira - 6,506
31—Afonso Henriques Malheiro - 6,506
32—José Rui Velez Caroço - 6,506
33—Paulo Jorge do Nascimento - 6,496
34—Isabel Brilhante Pedrosa - 6,492
35—António José Chrystello Tavares - 6,474
36—Ana Filomena Rocha - 6,462
37—Maria Manuela Caldas Faria 6,452
38—Jorge Gabriel da Fonseca - 6,452
39—Cláudia Spínola Boesch - 6,452
40—António Vilhena Moniz - 6,452
41—Helena Fernandes Malcata - 6,418
42—Helena Andrade Furtado Paiva - 6,418
43—Luís Ribeiro Cabaço - 6,418
44—Maria Pilar Dias - 6,408
45—Rui Tavares Gabriel - 6,374
46—Susana Sampaio Macedo Leão - 6,330
47—Pedro Leite de Sampaio - 6,320
48—Maria Baptista Durão - 6,320
49—António Sabido Costa - 6,320
50—Carlos Macedo Oliveira - 6,320
51—André Sopas Bandeira 6,264
52—Fernando Demée de Brito 6,232
53—Paulo Ferreira Chaves - 6,232
54—Eduardo Fernandes Ramos - 6,198
55—João Quesada Manso Preto 6,188
56—João Pedro Antunes 6,188
57—Isabel Marques Batoque - 6,188
58—Luísa da Palma Fragoso - 6,188
59—Susana Diogo Vaz Patto - 6,154
60—Cláudia da Mota Pinto 6,154
61—Maria Jorge da Guerra Pires - 6,144
62—João Syder Santiago Terenas - 6,144
63—Pedro David Laima - 6,144
64—Francisco Duarte Azevedo - 6,110
65—Rogério Silvestre Lopes - 6,110
66—António Carvalho Barroso - 6,110
67—Mário Pedro Abreu de Almeida - 6,110
68—Jorge Teixeira de Sampayo - 6,100
69—Rui Gonçalves Monteiro - 6,066
70—João Pedro Fins do Lago - 6,066
71—António Pedro Rodrigues da Silva - 6,052
72—Cristina Cerqueira Pucarinho - 6,032
73—Pedro Soares de Oliveira - 5,998
74—João Miguel Abrantes da Costa - 5,978
75—Ana Paula Abreu de Almeida - 5,978
76—Adelino Vieira da Cunha da Silva - 5,910
77—José Manuel Costa Santiago - 5,890
78—António Pedro Corrêa de Aguiar - 5,880
79—Jorge Manuel Fernandes - 5,690
80—Artur Magalhães - 5,670
81—Filipa Calheiros Ponces - 5,670
82—Filipa Menezes Cordeiro - 5,660
83—Walid Maciel Saad - 5,450
84—Pedro Filipe Félix Coelho - 5,450
85—Beatriz da Silva Moreira - 5,440
86—Paulo Jorge Patrício Mendes - 5,440
87—Ermelinda da Silva Arede - 5,320
88—João Mário Pinto Arez - 5,220
89—Isabel Maria Craveiro - 5,220
90—José Carneiro Mendes - 5,040

Declaração notável. Em nome do ministro...

O que é que a Nigéria tem a ver com isso? Um cidadão português, que nas horas vagas é cônsul honorário da Nigéria em Lisboa, vai ao Brasil e é detido, por antes ter sido condenado por narcotráfico. O que, em nome do ministro se disse, foi isto:

"Portugal não tem que fazer nada. Quem tem que acompanhar a situação é a Nigéria. Será prestado apoio consular, se for pedido".

É com este tipo de "instruções" que os consulados portugueses vivem ! E é por este tipo de instrutores que o MNE está cada vez mais nas mãos de instruendos. Possivelmente o embaixador nigeriano Akatou A. Ella não passa de instruendo...

Hora de recompor. O que passou, passou

Notas Verbais e, sobretudo, a Agenda ficaram directamente prejudicados, mas vamos recompor. O que passou (não foi pouco), passou.

Era de calcular. Greve nos serviços externos, dia 9

Como era de calcular. Dia 9 de Junho, os serviços externos do MNE estão em greve.

17 maio 2006

Para começar. É curioso

Sim. Sabemos o que Bernardo Ivo Cruz ouviu de António Franco sobre a prática de consulta da ASDP, sobre promoções a Ministro Plenipotenciário e sobre procedimentos disciplinares. O que foi ouvido e o que foi dito, para além de em resumo corresponder, é muito curioso.

Sobre o PRACE, demos tempo ao tempo.

Subsídio para a recepção. A última de Toronto

Subsídio emolumentar. Parece que há fantasmas colados às paredes do Consulado-Geral em Toronto. Mudem-se as instalações, mudem-se os titulares, mude-se o que se mudar, lá continuam eles, os fantasmas. Desta vez colaram-se a um ofício enviado pela Cônsul-Geral, Maria Amélia Paiva em que a estrutura do Estado pede a empresários e personalidades de referência da comunidade emigrante «a concessão de um subsídio» para a recepção do 10 de Junho... Ver o documento que dispensa comentários em Comunidades Portuguesas.

Martins da Cruz não viu. Azar atrás de azar

Azar. As experiências de Martins da Cruz como «consultor» têm, no mínimo, o selo da sorte adversa: depois do que correu com o polémico contributo na Carlyle, agora com a posição que tinha na Afinsa (consultor internacional) e na participada norte-americana Escala Group (administrador não executivo)... Ao Jornal de Negócios, ACM afiança que «nos sete meses que assisti a reuniões no Escala Group em Nova Iorque e no grupo Afinsa em Madrid, nunca vi o mínimo indício de ilegalidade» - todavia, já em 2001 (o ano da condecoração), o Greenpace via (ler em Notas Formais). Mas ACMA, além de não ter visto, reitera a «amizade e confiança pessoal no engenheiro Albertino Figueiredo».

SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- Escala Group Inc. on Monday said a written statement by the Spanish prosecutorial office doesn't allege any impropriety by Escala or its subsidiaries in connection with its investigation of Afinsa Bienes Tangibles S.A., the company's majority owner. No charges have been filed against Escala or any of its subsidiaries, the New York-based global collectibles merchant and auction house said. Last week, the Madrid headquarters of Afinsa were raided by Spanish police as part of a probe of alleged stamp investment fraud. Escala said that Antonio Martins da Cruz, an Afinsa representative on the board, has tendered his resignation. Additionally, Escala said it is seeking the resignation of the other Afinsa representative, Carlos de Figueiredo, from the board.


Nunca se sabe o que o administrador judicial pensa, mas provavelmente se AMC não se demitisse, seria demitido.

MNE a fervilhar... Críticas sobem de tom

Matéria de fundo. Sindicato dos Diplomatas e Sindicato dos Trabalhadores das Missões Diplomáticas protagonizam já um descontentamento que, obviamente, nada tem a ver com diletantes nem com ressaibos da direita política, e muito menos tem a ver com o entretém divertido que caricatos episódios quotidianos sugerem. O descontentamento tem na base matéria de fundo.

  • A associação representativa dos diplomatas (liderada pelo embaixador António Franco) queixa-se de não ser consultada, critica frontalmente o alter-ego do ministro e, muito embora com punhos de renda, chumba na prática pontos cruciais do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado no que diz respeito ao MNE.

  • O Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas (liderado por Jorge Veludo), por sua vez, deve ter mais do que motivos para sentir que promessas feitas estão longa da vista e do orçamento, particularmente a abertura de concursos para vice-cônsul e para promoção interna. Ou muito nos enganamos ou o patriótico mundial de futebol vai dar greve.

  • Naturalmente que vão ser temas dominantes em Notas Verbais.

    13 maio 2006

    Pedro Lourtie. Trajecto

    Aos 11 anos de carreira. Pedro Lourtie nasceu em 15 de Janeiro de 1971, em Lisboa; licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa; mestre em Estudos Europeus pelo Colégio da Europa, em Bruges; aprovado no concurso de admissão aos lugares de adido de embaixada, aberto em 11 de Julho de 1994; adido de embaixada, na Secretaria de Estado, em 1 de Fevereiro de 1995; assessor do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus (Seixas da Costa), em 28 de Outubro de 1995; secretário de embaixada, em 26 de Abril de 1996; terceiro-secretário de embaixada, em 2 de Março de 1998; na Representação Permanente junto da União Europeia, em Bruxelas, em 29 de Janeiro de 1999; segundo-secretário de embaixada, em 1 de Fevereiro de 2000; primeiro-secretário de embaixada, em 2 de Fevevreiro de 2003... chefe de gabinete de Sócrates em 2006, após intergrar a assessoria diplomática do PM. Assume funções na terça-feira (dia 15)

    Explicações/Ivo Cruz. Que defesa?

    Condicionantes de «país pequeno»? As explicações de Bernardo Ivo Cruz (Público, hoje/13 de Maio)apenas justificam o entendimento de que a corrida ao Conselho dos Direitos Humanos é um «jogo» e não uma «negociação». Na diplomacia multilateral não se joga, faz-se negociação. Voltaremos ao assunto.

    Portugal «quer»? Quem «sopra» tanta vontade para os jornais?

    Grande vontade. Portugal «quer» mudar 22 embaixadores, ou a verdade é que o MNE «tem» que transferir transferir uns tantos diplomatas de postos e «deve» preencher outros postos em aberto ou que vão ficar em aberto? E quando se diz que o processo deve estar concluído em Março dde 2007 é apenas porque um embaixador não atinge o limite de idade por decreto como não são os decretos, por serem decretos, que dão orçamento ao MNE para a movimentação. Soprar falsos dinamismos para os jornais é mau, mas está na moda e é cá da terra.

    Conselho dos Direitos Humanos/ONU. Portugal ficou no caminho e emudeceu

    Desaire está no silêncio oficial. Na verdade ouviu-se dizer (não é verdade, Bernardo Ivo Cruz?) que Portugal se candidatara a membro fundador do novo e importante Conselho dos Direitos Humanos da ONU cuja primeira reunião (47 Estados eleitos) está marcada para 19 de Junho, em Genebra. Ouviu-se dizer mas, oficialmente, nada mais – o assunto caiu porque uma qualquer candidatura portuguesa tão depressa é jóia da coroa como, face a desaire diplomático (sem dúvida foi desaire pela defesa fraca mas não é desastre), arrasta-se para um silêncio de pelourinho o órgão, o organismo, a agência, a instituição ou seja o que for que Lisboa tenha goradamente ambicionado. É mau que assim seja, porque é mau perder – e neste perder Portugal viu-se acompanhado pela Grécia no que diz respeito ao grupo da Europa Ocidental. Mas o que é difícil de aceitar é que nem o MNE tenha feito comunicado oficial sobre a matéria de fundo – o que seria de esperar em função do reiterado interesse e até profissão de fé pelo multilateralismo, tal como consta no programa do Governo com honras de primazia. Ao menos uma congratulação pela presença do Brasil, único Estado lusófono eleito (delegação na foto). É como se nada tivesse acontecido na 80.ª sessão plenária da Assembleia Geral ou como se nada ou pouco possa existir onde Portugal não está ou não consegue entrar.

    Os 47 Estados eleitos

    Por regra, os 47 Estados do novo conselho são eleitos para um mandato de três anos, renovável uma única vez, mas como se tratou da primeira escolha, os mandatos iniciais obedecem à seguinte escala:

    Até 2009: Alemanha, Arábia Saudita, Azerbeijão, Bangladesh, Camarões, Canadá, China, Cuba, Djibouti, Federação Russa, Jordânia, Malásia, Maurícias, México, Nigéria, Suiça e Uruguai.

    Até 2008: Brasil, França, Gabão, Gana, Guatemala, Japão, Mali, Paquistão, Peru, República da Coreia, Roménia, Reino Unido, Sri Lanka, Ucrânia e Zâmbia.

    Até 2007: Argélia, África do Sul, Argentina, Bahrein, Equador, Finlândia, Índia, Indonésia, Marrocos, Holanda, Polónia, República Checa e Tunísia.

    12 maio 2006

    Day Trading do comendador Albertino.Ou a vida de ACM numa Embaixada não alternativa

    "Decálogo do Operador". E por causa dos selos e da comenda, sim, vale a pena reler agora no n.º 1 da Revista Negócios Estrangeiros (MNE), de Março de 2001, a excelente peça de António Martins da Cruz intitulada "Day Trading ou a vida numa Embaixada não alternativa". Mas que excelente peça! Como se sabe, o ex-MNE (2002-2003) e embaixador em Madrid (1999-2001), foi o proponente da condecoração conferida (Sampaio/10 de Junho de 2000) ao filatelista Albertino o qual sentiu no peito esse peso patriótico da Ordem do Mérito com serrilha na linguagem dos selos, em Novembro de 2001, das mãos do próprio embaixador que, em Setembro de 2005, entraria para o conselho de administração do Escala Group/Afinsa do já meritoso comendador Albertino. De resto, o Presidente Cavaco Silva deve estar muito bem informado pois tem junto de si quem esteve perto do outro.

    Então releia-se a parte final da peça de ACM:

    "O trabalho em algumas Embaixadas, e muito provavelmente em Madrid, aproxima-se cada vez mais do day trading, a técnica de investimento na bolsa que procura tirar benefícios da oscilação diária das cotações.

    "O decálogo do operador é simples:

    "1 – não tentar saber tudo de um dia para o outro;
    "2 – não ter medo de perder, mas limitar as perdas;
    "3 – aprender à própria custa a melhorar os conhecimentos do mercado;
    "4 – tentar prever a evolução, sabendo que raras vezes consegue;
    "5 – cultivar a paciência, a perseverança e a capacidade de decisão;
    "6 – não procurar ganhar em cada operação, já que o que conta é o lucro final e não os benefícios de cada movimento;
    "7 – saber ser flexível, já que não há uma estratégia única;
    "8 – o acesso imediato às informações e a rapidez das decisões são condições para o êxito;
    "9 – a diferença entre ganhar e perder depende muitas vezes da disciplina;
    "10 – é fundamental manter a confiança da direcção da empresa.

    "Os day traders são como os diplomatas – todos os dias arriscam a sua reputação em valores que são cada vez mais voláteis. Até escrever artigos como este."


    António Martins da Cruz, in Negócios Estrangeiros, Nº. 1, Março de 2001

    Posse da extinção. Ou extinção da posse

  • Em 21 de Abril, há treze dias, a folha oficial publicou a Resolução do Conselho de Ministros n.º 39/2006 que aprova o Programa para a Reestruturação da Administração Central do Estado. Nesse programa fica claro que, no MNE, entre outras estruturas, fica extinta a Direcção-Geral dos Assuntos Multilaterais cujas competências transitam, quanto às matérias políticas para a Direcção Geral de Política Externa, e quanto às matérias económicas, técnicas e científicas para uma nova Direcção-Geral de Assuntos Técnicos Internacionais.

  • Em 4 de Maio, treze dias depois da extinção, o MNE conferiu posse à Embaixadora Margarida Figueiredo como nova Directora-Geral dos Assuntos Multilaterais… que até estava a fazer bom trabalho em Varsóvia quando recebeu o desafio para o cargo a extinguir.
  • Livro de Carrilho. Longe de haver lapso...

    Calçadas. Em respeitoso apreço por telefonemas e e-mails recebidos pela referência ao livro de Manuel Maria Carrilho, reitera-se que não houve lapso, nenhum lapso, pelo que se repete: «Aí temos também o livro de Manuel Maria Carrilho sobre o qual devemos em consciência dizer: em grande parte, na sua maior parte é verdade, aplicando-se também a muito do que passa pela ou vem da política externa e alguns dos seus protagonistas.» E acrescenta-se: quem tem pedras na consciência é que está contra essa verdade, havendo consciências que são verdadeiras calçadas
    .

    Pausa, retempero e ponderação. Apenas isto.

    É verdade. Foi uma pausa necessária para retempero e, não se esconde, para ponderação. Entretanto, tudo o que aconteceu foi muito triste: entrevista ligeira e título que expressamente ajudou (chama-se a isto concertação estratégica ou diletante) ; confissões iberistas a comprovar um transporte mental igualmente ligeiro ; uma explosão de selos a cunhar um ex-MNE na ligeireza ; a ligeirice de um aperto de mão que nada tem a ver com o recíproco respeito oficial pelos símbolos sagrados ; aquela portaria 417/2006 de 2 de maio (I Série-B) que ligeiramente abre a candidatura curricular para ministro plenipotenciário ; o Secretário-Geral a ir a despacho à ligeira com o sub-secretário de Estado Adjunto como símbolo da confusão nas Necessidades ; a corrida aligeirada para DGPE ; uma comissão de serviço para colocação em posto sem passar pelo Conselho Diplomático para já a preanunciar de ligeiro outras, e, para além do mais, notando-se já ligeiramente aqueles movimentos de roedores para abandono do navio - Roma, então! E como se isto não bastasse, aí temos também o livro de Manuel Maria Carrilho sobre o qual devemos em consciência dizer: em grande parte, na sua maior parte é verdade, aplicando-se também a muito do que passa pela ou vem da política externa e alguns dos seus protagonistas. Assim sendo, depois do retempero e da ponderação, haja fôlego neste Maio cheio de Fátima a que se seguirá Junho cheio de futebol, então esse mega-jantar marcado para 10 de Junho, em Colónia, na véspera do primeiro jogo da salvação nacional, não é?

    02 maio 2006

    Cavaco/credenciais. Estreia austríaca

    Que Protocolo! Ewald Jäger, novo embaixador da Áustria, apresenta hoje cartas credenciais ao PR Cavaco Silva. E perdeu-se um hábito, para não se falar de défice de cortesia protocolar: nem a célebre «central» de S. Bento (esta nem dá conta do evento), nem as Necessidades, nem Belém divulgam o curriculum do diplomata. Ewald Jäger, antes de chegar a Lisboa, era sub-director geral do MNE austríaco.

    Na Agenda Diplomática de Lisboa pode-se constatar que o diplomata Rui Mendes Correia está hoje com bolo de aniversário de velas acesas. Aliás, estes três primeiros dias de Maio pertencem a três Ruis: para além do de hoje, ontem foi Rui Alves Gomes e amanhã Rui Lopes Aleixo...

    01 maio 2006

    Peça de teatro. Auto-balanço de DFA

    Peça em Um Acto. Lendo ou vendo bem o balanço que DFA faz de um ano como MNE, estamos rendidos: é uma boa peça de teatro e que poderia receber o título «Sertório».

    Como coisa de ministro... ... é coisa politicamente irresponsável

    Irresponsável. Vários e-mails a comentar a lição de Mário Lino na Galiza, o ministro dos Transportes que só agora descobriu a Ibéria, realidade sobre a qual os romanos tentaram imperar, pelos vistos sem êxito. Como cidadão, a título pessoal, Mário Lino tem todo o direito a regressar inspiradamente ao Império Romano e a sentir-se pró-cônsul na Ibéria. Mas como ministro do Governo de Portugal e com a Constituição que nos ordena, aquela de apregoar que se sente «iberista confesso» não se trata apenas de uma inadvertência hostil à Lusitânia - é uma calinada e uma declaração politicamente irresponsável. E como DFA (autor de «O Viriato») pediu há tempos às representações no exterior «relatos pormenorizados» de viagens, declarações e inciativas de todos os membros do Governo no estrangeiro, terá recebido esta? É que, na actualidade e pelas razões que são conhecidas, apenas os linces têm sobejas razões para serem ibéricos...