19 outubro 2006

Embaixador Agapito. Escreveu na ementa...

Crise. À falta de bloco de notas, de um post-it ou mesmo de papel de cartuxo, o Embaixador Agapito Barreto escreveu na ementa para comunicar ao Ministro:

«Meu caro! Apenas hoje, só hoje, é que, ao posto mais longínquo da rede diplomática e consular portuguesa, nos antípodas, chegou a notícia de que a crise tinha acabado em Portugal. O posto está tão longínquo que, nas Necessidades, vai para 17 anos que dele se esquecem - fica na ilha Ua Huka, Polinésia. Apesar de assim votado ao ostracismo e sem qualquer apoio do Estado (nem no tempo de Martins da Cruz recebia verba para dois selos que fosse) o heróico cônsul honorário que resiste nessas condições chama-se Manuel Pinho. Há coincidências. Lembre-se do cônsul.»

Pergunta da noite. Bernardo Ivo Cruz deu?

Será que Bernardo Ivo Cruz passou para António Braga o dossier-proposta sobre reestruturação consular, apresentada em Março pelos representantes dos trabalhadores dos serviços externos?

Luanda dá instalações à ONU. Para Centro de Informação

Mas, enfim. Angola reiterou à ONU a disponibilização graciosa de instalações para a abertura em Luanda de um Centro de Informação das Nações Unidas. Em intervenção na Quarta Comissão (Assembleia Geral), Estêvão Umba Alberto, secretário de embaixada da Representação angolana em Nova Iorque, disse que esse novo centro (já recomendado, de resto, pelo Departamento de Informação da ONU) poderá servir cinco países limítrofes que acabam de sair de conflitos prolongados. Estêvão Alberto entendeu dizer, todavia, que «os outros países lusófonos não estão em condições de fornecer suficientemente informações a Angola, o que faz com que a abertura de um centro em Luanda seja indispensável». Possivelmente este último reparo terá sido dispensável e desadequado. Mas, enfim.

Agenda/Amado. MNE alemão em Lisboa, hoje

Necessidades. Luís Amado debate (hoje, 20:00) com MNE alemão, Frank-Walter Steinmeier, o programa conjunto das presidências da UE (18 meses) a que a diplomacia de Berlim dá o tiro de partida, recebendo Portugal o testemunho em Julho de 2007 transmitindo-o depois à Eslovénia. Steinmeier vem a Lisboa acompanhado pelo Director-Geral dos Assuntos Europeus da chancelaria alemã, Peter Temple.

18 outubro 2006

Razões de fundo. Não podemos ficar indiferentes

Que o Embaixador do Irão em Lisboa, Mohammad Taheri, fique ciente: há razões de Fundo mais fortes que as razões de Estado. Não podemos ficar indiferentes à seguinte mensagem:

"Parisa, Iran, Khayrieh, Shamameh, Kobra, Soghra e Fatemeh são sete iranianas condenadas à morte por lapidação, acusadas de adultério!

"Assina a petição em seu favor em http://jirenna.blogspot.com/2006/10/petio.html

"Não fiques em silêncio. Levanta a tua voz para tentar salvá-las.

Kofi Annan disse ontem que os desenhos humorísticos podem ofender, mas condenações deste tipo não ofendem apenas, apunhalam a consciência humana. A barbárie não é civilização, mesmo que desta, com falas mansas, se apresente como caricatura.

ONU/Votação adiada. Para amanhã. Procura de consenso

A Assembleia Geral adiou para amanhã (quinta) a continuação do escrutínio Guatemala/Venezuela, para tentivas de consenso. Chávez, de imediato: «Ésta no es una competencia de Venezuela y Guatemala, sino de Venezuela con Estados Unidos», e agradeceu a solidariedade dos países membros do Mercosul, Caricom, União Africana, parte da Liga Árabe «y otros que individualmente han manifestado abiertamente su favoritismo por Venezuela».

BH = API + ICEP. Dentro de dias

Sim. Basílio Horta, dentro de dias, passa a acumular o ICEP com a API. Se o encontro de DFA, pouco antes de sair das Necessidades, com BH (colocado por DFA), foi um almoço, seria bom ter acesso à ementa.

Briefing. De Amado/Moratinos a todos os iberismos…

Briefing. «Há que recear mais alguns portuguesitos do que os Espanhóis, porque esses tais são iguais a todos os espanholitos», assim pensa qualquer pensador vulgar de Lineu.

1 – Amado/Moratinos
2 – Gulbenkian/Interrogações
3 – Vaticano
4 – ONU/Votações/Portugal
5 – Conselho de Sábios
6 - Iberismo

1 – (Luís Amado, amanhã, com Moratinos. Que pasa, hombre?) - No pasa nada. Encontro vulgar de Lineu. Preparação da próxima próxima Cimeira Luso-Espanhola, acertos para a Cimeira Ibero-Americana em Montevideu – Chávez, Cuba, Bolívia… - e, tema caro a LA, o Fórum Mediterrâneo.

(Moratinos vem só? Vem acompanhado?) – Acompanhamento vulgar de Lineu – o encarregado espanhol para UE, Miguel Angel Navarro, o Director-Geral de Política Externa do Palácio de Santa Cruz, Rafael Dezcallar… Tudo Espanhol, ao que consta nenhum espanholito.

2 – (Por um dia destes, vai haver pensamento na Gulbenkian. Comenta?) – Sim. Trata-se de um colóquio de três dias – de 25 a 27 - sob a interrogação geral ‘que valores para este tempo?’ Como sabem, em Portugal, só nos interrogamos quando sabemos tacitamente as respostas. E lá estará Cavaco Silva, na abertura – oxalá que nenhum matutino de lembre de dizer antecipadamente que o PR vai falar de corrupção! E claro, a sempre imprescindível conferência de Eduardo Lourenço. No que nos interessará, há painel sobre o mundo em crise como se alguma vez em algum tempo tivesse deixado de estar, mas, enfim, painel. Em que Patrick Nerhot se vem interrogar sobre o fim do sujeito, Jean Petitot sobre o fim da racionalidade, Jacques Bouveresse sobre o fim da verdade, Hubert Damisch sobre o fim da beleza e Robert Kagan sobre o fim da história. E lá para o fim, dia 27, David Gordon também vem interrogar-se sobre se, na moralização da globalização, haverá obrigação de transferir riqueza, isto depois de John Keane ainda se interrogar se o ideal da democracia é universal… Da lista de palestrantes não consta nenhum teórico português de relações internacionais, de política internacional ou de política externa, um embaixador jubilado que fosse, e compreende-se que assim seja – não há teórico português que não tenha certezas e se interrogue. E então embaixadores jubilados!

3 – (Tem andado muito calado sobre o Vaticano e sobre a diplomacia papal…) – E assim é, seria desprimoroso as NV fazerem concorrência ao Embaixador Rocha Paris que reporta bem. Em todo o caso, dada a vossa curiosidade, damos nota de que o papa no início de Outubro recebeu o Presidente da Áustria, Heinz Fischer, com quem diz estar em sintonia sobre o tema ‘da identidade cultural e espiritual da Europa’. Depois, o mesmo papa recebeu o chefe do Governo Italiano, Romano Prodi, e apenas se disse que foi especialmente abordado o tema do ‘lugar dos valores cristãos no processo da integração europeia’. São nuances de diplomacia papal que variam da Áustria para a Itália. Mas para completar, e longe de nuances, anote-se num outro encontro, há uma escassa semana, desta vez do papa com um dos gémeos polacos, o chefe do Governo, Jaroslaw Kaczynski, a diplomacia papal foi mais precisa ao dar conta de trocas de pontos de vista sobre ‘o processo de integração europeia e a referência às raízes cristãs do Continente’.

(Sugere que com tais nuances, o papa de alguma forma foi alertando para o significado da eventual integração da Turquia?) – Nada disso! A diplomacia papal sabe o que anda a fazer e tanto assim é que Bento XVI aceitou o convite do Presidente turco, Ahmet Necdet Sezer para uma visita ao país com estadias oficiais em Ankara, Éfeso e Istambul, marcada já para 28 de Novembro a 1 de Dezembro. Sabia-se que iria em Novembro mas as datas aqui estão. Lá vai o nosso embaixador Lemos Godinho ter trabalho acrescido…

4 – (No filme Guatemala/Venezuela, qual tem sido o voto português?) – O voto é secreto, estatal e intransmissível, como diria o embaixador João Salgueiro ao seu homólogo norte-americano na ONU, John Bolton. É, pois, um segredo inenarrável de Estado.

(Portanto, não pode narrar…) – Não é de narrar.

5 – (Em Paris, o ministro Philippe Douste-Blazy acaba de criar um Conselho dos Negócios Estrangeiros, a funcionar junto de si para formular pareceres sobre as grandes orientações da política externa francesa e sobre a evolução das organizações e funcionamento da acção externa do Estado. Esta inciativa não influenciará Luís Amado?) – Não vemos que tenha de influenciar. Esse novo conselho do Quai d’Orsay equivale a um 'conselho de sábios', integrando nove diplomatas de alto nível, e visa, em princípio, reforçar a colegialidade das decisões, nada tendo a ver com o Conselho de Ética criado pouco antes e que, com o definido na definição, tem em vista escrutinar as questões de ética da diplomacia francesa. Ora, em Portugal, o PRACE transformou todo o MNE num Conselho de Sábios e igualmente todo o mesmo MNE num Conselho de Ética. Estamos à frente dos franceses.

6 – (Por sondagem em Portugal, mais de dos portugueses serão da opinião que Portugal e Espanha deveriam ser um só país; por sondagem em Espanha 45,7 % dos espanhóis quererão a união entre Portugal e Espanha… É a Ibéria?) – As sondagens, quando passam a brincadeiras de caleidoscópio, divertem e cada vez que se agita a brincadeira, a imagem é diferente. Mas diverte portuguesitos em Portugal e espanholitos em Espanha. O divertimento de portuguesitos e espanholitos está para a Ibéria assim como alguns divertimentos russos estão para a Sibéria. Os caleidoscópios, até pelos nomes, são quase iguais, pois a Ibéria não passa de Sibéria sem S. E ficaríamos por aqui, se não houvesse conhecimento de uma outra sondagem reportada por Le Monde, segundo a qual 22 % dos Britânicos quererão ser franceses… caso sem dúvida mais grave do que a subtracção de um simples S à Sibéria…

(Está a falar a sério?) – Naturalmente que estamos a agitar apenas o caleidoscópio. A Espanha tem problemas, uns mais graves, outros menos graves, que estão a ser geridos pelas partes como num jogo entre gato e rato. Catalunha, País Basco e outros que não pespontam mais porque os outros não querem por enquanto ou não podem pespontar mais, para não se falar de Gibraltar e das possessões em Marrocos. Portugal não tem tais problemas e até os problemas que poderia levantar, designadamente de fronteiras e de direitos históricos, esquece-os ou pelo menos não os coloca na agenda diplomática por uma espécie de deferência temerosa. Como brincadeira, tolera-se brincar com o caleidoscópio, até porque diverte portuguesitos e espanholitos, como inglesitos e francesitos se divertem nesse agitar do tubo. E será aconselhável não agitar muito o tubo para não acordar os fantasmas. A História prova que nenhum Estado está imune a fantasmas.

Trabalho diplomático. Adivinhem quem será


John Bolton, representante dos EUA nas Nações Unidas, nesta votação para o Conselho de Segurança, já terá percorrido 191 assentos dos 192 da Assembleia Geral, e, naturalmente, a excepção de assento será o da Venezuela. Quanto a Portugal, adivinhem quem está na foto com o diplomata norte-americano... Sublinha a diplomacia de Caracas que esta foto é uma prova da pressão dos EUA. Nota-se?

Guatemala/Venezuela. Filme prossegue hoje. Ainda longe do record

ONU. Já lá vão 22 voltas em dois dias de escrutínio sobre Guatemala ou Venezuela para o Conselho de Segurança, sem que um dos países consiga a necessária maioria de dois terços da Assembleia Geral.

As últimas voltas de terça-feira

17.ª - Guatemala 104, Venezuela 78
18.ª - Guatemala 100, Venezuela 85
19.ª - Guatemala 107, Venezuela 79
20.ª - Guatemala 102, Venezuela 81
21.ª - Guatemala 101, Venezuela 79
22.ª - Guatemala 102, Venezuela 77

Tudo aberto para hoje. Recorde-se que à 6.ª volta a Guatemala empatou com a Venezuela com 93, havendo um voto isolado para o México que não é candidato.

Corrigindo record: Para a eleição do candidato da mesma região (América/Caraíbas), o record foi em 1980, numa votação igualmente renhida entre Cuba e Colômbia que durou dois meses, 154 voltas.

17 outubro 2006

A propósito de Angola, portanto. Alberto Costa/Justiça e superavit/petróleo

Angola por Angola, já agora. Três registos.

1 - Alberto Costa está desde domingo em Luanda (regressa a Lisboa amanhã, quinta-feira) e assina acordos de cooperação para informatização dos tribunais angolanos e… para a exportação da proclamada ideia portuguesa da Empresa-na-Hora. Honras de primeira página no Jornal de Angola, são, para quem sabe, o sinal seguro de que a visita está a correr bem. Quando isso não acontece, é mau sinal.

2 – Superavit ou Petróleo na Hora. A balança comercial angolana irá registar, pelo segundo ano consecutivo, um superavit decorrente das exportações de petróleo que, em 2005, subiram espectacularmente de 4,6 para 19,8 biliões de dólares. A previsão está no estudo Banca em Análise - Angola/2006, publicado pela Deloitte/Angola e pela Associação Angolana de Bancos. Nesse período Angola registou também um aumento na arrecadação tributária na ordem dos 3,9 biliões de dólares e na despesa tributária em 3 biliões de dólares, elevando o saldo orçamental global para cerca de um bilião de dólares. Quanto à dívida externa, esta aumentou de subiu dos 970 milhões de dólares para 10,5 biliões de dólares - a relação entre dívida externa e o PIB angolano (impulsionado pelo aumento de produção do petróleo e subida dos preços no mercado mundial) era em 2005 de 36 %, contra 103 % em 2001. A produção angolana de petróleo, em 2005 (ano em que Angola passou a segundo produtor em África), excedeu 1.250 milhões de barris por dia (996 milhões em 2004) representando 51,5 % do PIB e 95 % por cento das exportações. As projecções apontam para uma produção que excederá os dois milhões de barris por dia em 2007.

3 - A imigração ilegal em Angola, foi classificada pelo ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro ‘Ngongo’, uma ameaça à segurança nacional. Tirem-se as ilações.

Expediente/Angola. Desculpas pelo atraso

NV estão ainda a tentar confirmar afirmações atribuídas, em mensagem angolana apara aqui enviada, ao Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues. No MNE, a matéria é desconhecida. Mas porque - abrindo um pouco o pano - implica pensionistas angolanos e portugueses espoliados, a substância que se surpreende na mensagem tem interesse, se corresponder à verdade. Portanto, deculpas pelo atraso. Fica para amanhã, caso tenhamos confirmação do essencial. Por junto, trataremos também de Sevilha.

Pela ONU. Continua a luta renhida

Longe do record. Continua inconclusivo o escrutínio na Assembleia geral. Mais 6 voltas (quatro de manhã), vai-se na 17.ª tentativa para encontrar uma maioria.

Assim:

11.ª - Guatemala 107, Venezuela 76
12.ª - Guatemala 107, Venezuela 77
13.ª - Guatemala 112, Venezuela 75
14.ª - Guatemala 108, Venezuela 76
15.ª - Guatemala 107, Venezuela 78
16.ª - Guatemala 108, Venezuela 76
17.ª - ...
Mas estamos longe, bastante longe ainda do record de 1979-80, quando o México foi escolhido à 155.ª volta...

Nascimento Rodrigues. Que se passou em Luanda para NV pagarem?

Em expediente

1 - Carta de angolano de Angola, em manisfesto tom provocatório a NV, mas a dar conta de algo de turbulento que ocorreu na passagem do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, por Luanda. Tentamos saber por portas e travessas do MNE o que é isto, mas a carta segue lá para a noite, com provocações na íntegra. Conhecemos o estilo de alguns angolanos de Angola. E tal como naquela carta de 24 páginas redigida por um pobre angolano apenas para agradecer uma camisola de malha, remataremos como ele: "Enrosco-me aos pés de Vossa Inscelência, cuma calorosa salva de palmas. Ass."

2 - Sevilha. Também lá para a noite.

Cenas da ONU. Diplomacia do tio ao tio.

Quem vê caras, não vê diplomacias. Em pleno escrutínio da Assembleia Geral, eis o representante norte-americano nas Nações Unidas, John Bolton, em evidente esforço para não ser persuadido:


E como a chanceleria de Caracas, pelos vistos, tem fotógrafos à altura dessa flagrante humildade, é ela mesmo que nos proprociona mais uma cena:


Imagine-se se o nosso embaixador João Salgueiro tivesse sido apanhado! Lá se perdia petróleo.

Amado, Parlamento. Amanhã. Promete

Ementa. Luís Amado, amanhã (10:00), no Parlamento (Comissão dos Negócios Estrangeiros). Os voos. Levará cópia da ementa de DFA e acta da reunião informal da UE/NATO?

Chile demarca-se da Venezuela. Dois episódios determinantes

Redutor. Dizer-se que este filme da Assembleia Geral sobre Guatemala/Venezuela, é apenas e só um despique entre Chávez e Bush, é simplificar a questão, reduzir a questão. É também isso, mas não é apenas isso. E no que diz respeito aos votos da própria América Latina, o filme está longe de ser exactamente isso. Foi determinante a retirada do apoio do Chile às pretensões de Caracas, garantido até há pouco e com entusiasmo por Michelle Bachelet, numa sintonia política com Chávez que não andava muito longe da expectativa estratégica de uma ajuda venezuelana em petróleo para debelar a crise energética chilena. A sintonia esboroou-se com dois episódios. Primeiro, Caracas não retirou com prontidão o seu embaixador em Santiago quando este acusou o PDC - fundamental na coligação do governo chileno - de ter apoiado o golpe de estado fracassado na Venezuela. Depois, episódio determinante, o Chile não se conformou com o facto de Chávez ter financiado a construção da base militar que a Bolívia ergueu na fronteira com o Chile...

O preço dos episódios viu-se ontem: o Chile votou na ONU contra a Venezuela, e certamente arrastou outros votos. Nem tudo é Bush, e interpretar a votação para o Conselho de Segurança apenas como um depique de Chávez contra Bush, é redutor.

Madrid. É óbvio que…

Em resposta a inúmero correio, sobre matéria aqui publicada, é óbvio que NV sabem que o Eng. José Vital Morgado, Delegado Coordenador do ICEP em Madrid, está acreditado como Conselheiro para os Assuntos Comerciais junto da Embaixada de Portugal na capital espanhola. Está, e deve continuar a estar.

Filme Guatemala/Venezuela. Tudo adiado para hoje

Foram já dez votações. Os 192 Estados membros da ONU ainda estão por decidir, na Assembleia Geral, que país vai render a Argentina no Conselho de Segurança. Ontem inconclusivo, o escrutínio prossegue hoje.

Filme do escrutínio:

1.ª volta - Guatemala 109 votos, Venezuela 76
2.ª - Guatemala 114, Venezuela 74
3.ª - Guatemala 116, Venezuela 70
4.ª - Guatemala 110, Venezuela 75
5.ª - Guatemala 103, Venezuela 83, México 1
6.ª - Guatemala 93, Venezuela 93 e México 1
7.ª - Guatemala 96, Venezuela 89, Cuba 1 e México 1
8.ª - Guatemala 102, Venezuela 85
9.ª - Guatemala 107, Venezuela 81
10.ª - Guatemala 110, Venezuela 77

Inofensivos Corredores. Antes de surgir o Ministro

Vai-se em frente e ouve-se ao lado: Caetano da Silva que, em Manila, estava a aguardar o agrément de Chávez, já o tem. Se calhar, aquela história dos cartazes apressou.

Antes daquela porta, segredam: E lá sai de Caracas, Veiga Domingues que, como Encarregado de Negócios estava a fazer um excelente trabalho na Venezuela. Já tinha igualmente estado muito bem em Timor e em Toronto onde apagou muito fogo.

Um muito recente na Casa: Naquela foto de NV, não são Ana Martinho e José da Costa Pereira, Representante Permanente em Genebra? A voarem? Onde foi aquilo?

O que ia no lanço de escadas para o corredor à direita: Mário Damas Nunes vai substituir Augusto Peixoto como vice do Protocolo.

Compunha o topete frente ao espelho, falando para si próprio com tiques: Quem será o novo SGAdjunto e o chefe gabinete de Fernando Neves? Como os rumores daquelas NV se mantêm, cuidado com o cabelo! Cabelo impecável aqui na Casa é meio caminho andado! Mas, com um diabo! O nosso Ministro devia oferecer este espelho aos da NBA!

De perna cruzada no cadeirão, dizia para o do lado: Sim, pá! Rita Ferro, adjunta de Quartin, sai em breve, muito em breve, pá! Tal como Damas Nunes, pá! Creio que até ao fim do mês.

Um para dois, em passo lento, com quatro atrás tentando ouvir: Sabes como são estas coisas na Casa. Álvaro Gonçalves Pereira por lá continua, agora eleito representante dos Embaixadores no Conselho do MNE, apesar de estar a passar à disponibilidade. Sabes como são estas coisas…

Um de trás para o falador da frente: Cuidado, vem aí o Ministro no corredor à esquerda. E vem com Paula Mascarenhas que ouve a 100 quilómetros de distância, vê a 200 e intui até 400!

16 outubro 2006

ONU/Luta renhida. Venezuela, para já, desaire...

Quatro eleitos. África do Sul (186 votos dos 192 possíveis), Bélgica (180 votos), Itália (186) e Indonésia (158) estão eleitos para o Conselho de Segurança - ganharam à primeira volta. Pretória rende a Tanzânia; Bruxelas e Roma tomam os assentos da Dinamarca e da Grécia, e Jacarta sucede ao Japão.

Resta por decidir, entre a Guatemala e a Venezuela, qual o Estado do Grupo da América e Caraíbas que tomará o lugar da Argentina, a partir de 1 de Janeiro de 2007. Para já, grande desaire para a diplomacia de Caracas que até ontem espalhou por toda a parte, cantando com engenho e arte, que aquilo era trigo limpo, cevada ao papo.

Na primeira volta, a Guatemala arrecadou 109 votos contra apenas 76 da Venezuela (mais 7 abstenções); numa segunda votação, a Guatemala subiu para 114 votos, a Venezuela baixou para 74 (4 abstenções); numa terceira volta, 116 para Guatemala e 70 para a Venezuela (5 abstenções), e numa quarta volta, a Guatemala recolheu 110 votos e a Venezuela 75 (6 abstenções).

Continua a luta renhida em Nova Iorque, com tendência para uma vitória da diplomacia guatemalteca. Curiosas abstenções...

15 outubro 2006

António Carneiro Jacinto. Para onde?

É mesmo de fazer um Warning. Por via credível, tomámos nota de que estará a ser avaliada a possibilidade da nomeação de António Carneiro Jacinto como conselheiro económico junto da Embaixada em Madrid. Apenas porque a via é credível, justifica-se um warning.

António Carneiro Jacinto, nas gestões dos ministros António Monteiro e DFA, acumulou as funções de porta-voz do MNE com as de conselheiro de imprensa da Embaixada em Paris (recebendo em Lisboa como se estivesse em Paris). Na polémica exoneração de conselheiros em Fevereiro deste ano, aliás justificada publicamente para poupança orçamental, ACJ foi dado como um dos exonerados «a pedido do próprio» das funções virtuais em Paris, continuando porta-voz em Lisboa, havendo despacho posterior a formalizar o pelouro nas Necessidades sem prejuízo dos vencimentos e abonos de Paris no passado.

Num «Esclarecimento» do MNE (21 de Fevereiro, com o nº 031)do próprio ex-porta-voz, este garantia que,quanto a mexidas de conselheiros económicos «Saem todos os Conselheiros Económicos de Países onde exista uma Delegação do ICEP, incluindo, obviamente, Luanda, cujos delegados serão acreditados como Conselheiros Económicos junto das Embaixadas em Madrid, Londres, NUOI, Washington, Paris e Moscovo. O Quadro fica apenas com um Conselheiro em Nova Deli e outro em Caracas». E saíu o de Madrid.

Agora, será ACJ a ir para Madrid como conselheiro económico? O que é isto, se essa possibilidade for mesmo de ir para a frente? Não se justificando já qualquer coisa de Mário Soares, acordo com DFA? Prova cabal e documental de habilitação adequada?

Fiquemos por aqui.

Segundo o mais recente Anuário Diplomático,
embora de 2004 (Pág. 510)


JACINTO (António José da Graça Carneiro) – Nasceu em 7 de Setembro de 1951, em Lisboa; licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito de Lisboa; antigo jornalista; Administrador do ICEP Portugal; conselheiro de imprensa, na Embaixada em Washington (1995-1998); conselheiro de imprensa na Embaixada em Paris, em 5 de Julho de 2001.

Porta-voz do Primeiro-Ministro Mário Soares (1983-1985), Porta-voz do Presidente da República, Mário Soares (1986-1989); fundador da SIC-televisão; fundador da TSF – rádio jornal; redactor dos jornais “Diário de Lisboa” “Diário Popular” “O Jornal”. Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Trabalho diplomático. Muito acima do solo...

Dispensa legenda. Numa homenagem ao esforço de José Pacheco Pereira para um inventário do «Trabalho em Portugal», aqui segue uma prova de trabalho diplomático, uns milhares de metros acima do solo. A comunidade diplomática sabe, pela certa, de quem se trata, dispensando-se legenda.

BID sintomático. É um retrato disto

Défice. Não porque hoje seja Domingo mas porque o Sábado esteve cheio de acontecimentos internacionais e de actividade diplomática, o BID hoje chegado aos Postos é um retrato disto, quanto a número (número apenas) de notícias disponibilizadas ao cidadão português.

Transcreve-se do BID e dos critérios do BID:

POLITICA / MNE [0 Notícias]
COOPERAÇÃO / MNE [0 Notícias]
UE / COMISSÃO EUROPEIA [0 Notícias]
SEGURANÇA / NATO [0 Notícias]
ONU / CIMEIRAS [0 Notícias]
MATUTINOS 1ª E ÚLTIMA PÁGINA [0 Notícias]
ASSUNTOS EUROPEUS E POLÍTICA EXTERNA [18 Notícias]

IMPRENSA

CORREIO DA MANHÃ - 1 notícia
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - 3 notícias
JORNAL DE NOTÍCIAS - 3 notícias
PÚBLICO - 11 notícias

Dependência informativa. Filtros atrás de filtros

E vai parar ao MNE. Na generalidade da Imprensa de hoje, e da Rádio e Televisão de ontem para hoje, a propósito da Resolução do Conselho de Segurança sobre a Coreia do Norte, ficou patente a dependência informativa das agências noticiosas. Não se vai à fonte institucional, documental, à origem onde as agências também vão. Por vezes, para se reforçar a autoridade da dependência, até se diz ou escreve que precisou a Associated Press... como se a Associated Press precisasse disso. Filtra-se o que já vem filtrado. E o curioso é que, para os dossiers do MNE, muitas vezes apenas se trabalha com o material das várias dependências - portuguesa, espanhola, francesa, britãnica... Filtra-se o que já foi filtrado da filtragem. Não dá trabalho.

Conselho de Segurança a votos. Luta renhida por cinco lugares

Venezuela à prova. Nesta Segunda-feira, em Nova Iorque, é a primeira volta da eleição pela Assembleia Geral da ONU dos novos membros não permanentes do Conselho de Segurança para o biéno 2007-2009, com contagem de votos dos 192 Estados a cargo da Hungria, Suiça, Brunei, Chile e Quénia.

Passam à primeira volta – oito canditados para cinco vagas – os países que obtiverem dois terços de votos. Argentina, Dinamarca, Grécia, Japão e Tanzânia terminam no final de 2006 os respectivos mandatos cedendo lugares.
Venezuela e Guatemala (pelo Grupo de Estados da América/Caraíbas) protagonizam luta a luta mais renhida para ocupar o lugar a ser deixado pela Argentina. Chávez (ontem mesmo a chancelaria de Caracas emoldurou entusiasmo inusitado) assegura que o seu país conseguirá, logo na primeira volta, apoio de dois terços dos 192 membros da ONU, para o qual contará com o respaldo da Liga Árabe, Rússia, China, Irão, Cuba, países do Mercosul (designadamente do Brasil), e ainda de boa parte dos Estados da União Africana – o Chile diz que revela o seu voto sobre o momento da eleição. A Guatemala tem o apoio dos EUA – em entrevista a The Wall Street Journal, no final de Setembro, Condoleezza Rice considerou que entrada da Venezuela no Conselho de Segurança da ONU paralisaria este órgão e que ditaria «o fim do consenso».

A Guatemala nunca esteve no Conselho de Segurança por onde a Venezuela já passou por quatro vezes (a última vez no biénio 1995-96)
Indonésia, Coreia do Sul e Nepal, por sua vez, disputam a vaga do Grupo Asiático a ser deixada deixada pelo Japão.

Nepal e Indonésia, duas vezes no Conselho de Segurança; Coreia do Sul uma única vez (1995-96)
África do Sul é o único candidato africano a prestar-se para render a Tanzânia.

A África do Sul nunca foi eleita para o Conselho de Segurança
Bélgica e Itália são também os únicos contendores do Grupo Europeu Ocidental (para os lugares a vagar pela Dinamarca e Grécia).

A Bélgica cumpriu já quatro mandatos (o último em 1991-92) e a Itália teve cinco presenças (última em 1995-96)
Eslováquia, Qatar, Peru, Gana e Congo terminam mandatos no final de 2007. Portugal só deve revelar o sentido de voto (sobretudo entre Venezuela/Guatemala) terminada a contagem ou conhecidos os resultados. Não será assim, Embaixador João Salgueiro?

ONU/Coreia do Norte. Resolução por unanimidade

Pyongyang recusa «totalmente». O texto da resolução do Conselho de Segurança impondo sanções e impondo restrições em matéria de armamento à Coreia do Norte, aprovado por unanimidade em Nova Iorque, está na íntegra em Notas Formais, como habitualmente para casos de relevante importância. Refira-se que o representante norte-coreano recusu «totalmente» a resolução do Conselho acusando o órgão da ONU de aplicar uma política de «dois pesos e duas medidas».

Versão oficial em francês, em Notas Formais

14 outubro 2006

ONU/Coreia do Norte. Dois sinais finais no Conselho de Segurança

Direitos de resposta. O mais interessante, nos debates da ONU (do Conselho de Segurança à Assembleia Geral) é o exercício do direito de resposta. Hoje, após o debate da resolução aprovada sobre a Coreia do Norte, EUA e Rússia fizeram isso, como se transcreve do relato oficial da sessão:

Le représentant des États-Unis a pointé du doigt la chaise vide que venait de quitter le représentant de la République populaire démocratique de Corée. C’est la deuxième fois en trois mois, a-t-il fait remarquer, que le représentant de la RPDC a demandé à participer aux réunions, qu’il a repoussé une résolution unanime du Conseil de sécurité et qu’il a ensuite quitté la salle du Conseil. Cela ressemble à ce qu’avait fait Khrouchtchev en tapant avec sa chaussure sur son pupitre à l’Assemblée générale des Nations Unies, a-t-il affirmé.

Prenant à son tour la parole, le représentant de la Fédération de Russie a demandé au Président du Conseil de sécurité d’user de son influence pour demander que des membres du Conseil, même sous le coup de l’émotion, évitent de faire des références historiques déplacées.

MNE/Nobel da Paz. Atenção especial

Microcrédito. Em Nota de Imprensa, «o Ministério dos Negócios Estrangeiros Português congratula-se com a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Banco Grameen e ao seu fundador, Muhammad Yunus.»

Compreende-se, mas por ora, não dizemos porquê. Não é permitido fumar dentro do Centro Ismaili, incluindo os jardins e outros espaços exteriores. Existe um cinzeiro logo à entrada, como DFA, o embaixador Ruy Brito e Cunha e Edmundo Martinho sabem. Literatura, química, Ban Ki-monn e outras especiarias, por regra, não sobem às chancelarias.
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