05 dezembro 2006

China/Liberdade de expressão. Nova regulamentação. Ide e entrevistai à vontade, por dois anos

Nunca se sabe. Talvez seja oportuno comunicar à Embaixada de Portugal em Pequim que há nova regulamentação chinesa sobre actividade dos jornalistas estrangeiros no país, em função dos Jogos Olímpico de 2008 – entre 1 de Janeiro de 2007 e 17 de Outubro de 2008 – portanto, 21 meses e meio – os jornalistas estão dispensados de qualquer autorização prévia para conduzirem entrevistas na China.

Alemanha assume, a Portugal cabe... EU-África, EU-Mercosul... É de adormecer

Contar carneiros. Outrora, para se adormecer no MNE, contava-se carneiros... Agora, não admira que meio-país já esteja a dormir sem essa incómoda e lãzuda contagem - vai já em 879 a repetição nos comunicados oficiais de que "a Alemanha assume funções a 1 de Janeiro, cabendo a Portugal o segundo semestre de 2007". Mas, enfim, bons sonhos.

Mas oxalá que Manuel Lobo Antunes não repita mais vezes o breviário que entoou ontem para a imprensa estrangeira e que se ficou a saber pela ressonância portuguesa - «os pontos relevantes da agenda da presidência portuguesa são a segunda cimeira EU-África e um novo impulso nas negociações UE-Mercosul». É que se o sono não resultar com tais relevâncias, há pela certa pesadelo.

É que não se sai disto.

Antecedência e preparação. Um exemplo

Contraste diplomático. Diz, por exemplo, hoje o Foreign Office que Mr Tim Torlot has been appointed Her Majesty's Ambassador to the Republic of Yemen in succession to Mr Michael Gifford who will be transferring to another Diplomatic appointment, e que Mr Torlot will take up his new appointment in July 2007. Portanto, Tim Torlot fica com oito meses para se inteirar do Yémen, estudar alguma coisa do Yémen, sabendo, com antecedência razoável que vai para o Yemen e não haverá trocas, nem atropelos inesperados...

Vaticano. Bispo argentino para São Tomé

Sensibilidade. O Vaticano na mais santa das calmas, como diria o embaixador Rocha Páris, acaba de nomear um bispo argentino para São Tomé – o Mons. Hugo Santiago, nascido em 1954 em Maria Juana (Argentina), e até agora vigário da diocese de Rafaela.

Helsínquia. É uma Embaixada Portuguesa, com certeza, sem site sobre a mesa


A bandeira não engana. A Embaixada de Portugal em Helsínquia é como se vê. Localizada na Itäinen Puistotie 11 B. Embaixador, o Ministro Plenipotenciário de 1ª classe João da Silva Leitão. Correio electrónico: emb.port@portugal.fi e telefones + 3589-682 4370 (Geral), + 3589-682 43715 (Gab. Embaixador) e + 3589-682 43713 (Secretário de Embaixada).

O ICEP está instalado na Portugalin Kauppa - ja Matkailutoimisto (Runeberginkatu 29 A 16), correio electrónico icep@icep.fi, telefone + 3589-434 2710, mas sob a coordenação da Delegação em Estocolmo.

A missão portuguesa na Finlândia não dispõe de site, impensável nos tempos que correm e na Finlândia, onde, segundo chegou a constar, fomos recolher lição e exemplos!

Movimento. Cargo e Postos a preencher.

Para já. Nada de oficial e confirmado quanto a Inspector Diplomático e Consular. Mas há postos a terem que ser preenchidos em breve: Viena (CM), Washington (CH/Adjunto), São Paulo (CG), Nº 2 na OSCE (tendo em vista a Presidência UE), Tripoli (CM), Bagdad (CM) e Roma (Nº 2).

04 dezembro 2006

O que disse Bramão Ramos. Falta pessoal e recursos para a Presidência/UE

No essencial. O novo Director-geral de Política Externa, Vasco Bramão Ramos em resposta ao ministro (intervenção circunstancial) fez um discurso que a generalidade dos diplomatas presente considerou muito bom. VBR não se furtou a referir as dificuldades que o esperam decorrentes da falta de pessoal - "menos de metade do que na anterior Presidência nossa da UE" - e a falta de recursos financeiros. E, sem ser critico, mas apenas realista, VBR prometeu fazer o que puder apesar de tudo, com referências de apoio aos seus futuros serviços. Mas, uma fortissima critica subbentendida ao ex-ministro Martins da Cruz, para quem quis ou soube ouvir - sem o mencionar, mas toda a gente percebeu. Carismático, com a autoridade da competência que se lhe reconhece, VBR poderá apagar rapidamente a figura do Secretário-geral - é o que se diz, e de pouca gente se admira.

Com valor corrente. Três notas do MNE sobre idas e vindas

Poderia ser tudo dito numa nota só. Mas três notas num só dia, lá animam a chancelaria.

1.ª - Que o MNE Luís Amado se desloca a Berlim (amanhã, 5) para uma reunião com os homólogos alemão e esloveno, para a finalização do projecto do Programa que a Presidência da UE irá adoptar no próximo ano e meio, a ser discutido no Conselho de Assuntos Gerais (Bruxelas, dia 11)

2.ª - Que há que tratar de acreditações de jornalistas pois Sócrates participa na IX Cimeira Luso-Marroquina (Rabat e Casablanca, dias 18 e 19) acompanhado por Luis Amado, Teixeira dos Santos, Manuel Pinho, Mário Lino e Isabel Pires de Lima.

3.ª - Que Alpha Oumar Konaré, presidente da Comissão da União Africana, visita Lisboa de amanhã até dia 7. Conversações com Cavaco Silva, Jaime Gama, Luis Amado, João Cravinho. Temas normais de agenda: alargamento do Conselho de Segurança e reforma da ONU, e a cimeira UE-África almejada para 2007. Alpha Oumar Konaré assina um Acordo de Cooperação entre UA e o Instituto Camões (apoio à secção de Língua Portuguesa do Centro de Línguas da UA) e vai estar na CPLP para assistir a reunião extraordinária do Comité de Concertação Permanente.

Abrir e fechar portas em Belém. Como o Estado agradece!

E agora isto, a propósito dos que passam por Belém e que, apenas por passarem, são promovidos, ultrapassam, condecoram-se, atropelam, curvam-se, voam, lacrautizam-se…

O juiz e poeta satírico Sanches da Gama, uma das mais viperinas - mas sempre justas e oportunas - línguas do Chiado, dedicou os seguintes versos, na década de 40, a Carvalho Nunes, (da Casa Militar e do protocolo de Carmona no Palácio de Belém), a propósito de mais outra condecoração que recebera na época:

Foi em Tânger, foi em Tunes,
Que tu ó Carvalho Nunes
recebeste essas medalhas
que no teu peito comportas?
Não! Foi por 'star em Belém.
a abrir e a fechar portas!...


Esta quintilha ouviu-a AntónioValdemar a Assis Esperança, homem de bem e grande, mas penalizado romancista natural do Algarve cujo «Pão Incerto» ou mesmo «Fronteiras», podem ainda chegar às mãos de Cavaco. E isso foi ouvido na Tertúlia da Veneza, que nós também conhecemos.

Bramão Ramos, Margarida Figueiredo. Tomaram posse. Oficialmente, nada do MNE

Orgânica Nova. Hábitos antigos. O Director-geral de Política Externa, Vasco Bramão Ramos, e a Directora-geral dos Assuntos Técnicos e Económicos, Margarida Figueiredo, tomaram hoje posse nas Necessidades. Bramão Ramos, pelo que NV sabem, fez um excelente discurso sem papel (lá daremos conta disso). Deploravelmente o MNE fez silêncio sobre um acto desta grandeza – silêncio oficial, entenda-se – certamente confiado nas caixas de ressonância em que a comunicação social portuguesa se converteu, como se estas suprissem por si só aquilo que é dever e obrigação do Estado, não só perante os cidadãos, mas também face às chancelarias acreditadas em Lisboa e que não são poucas.

Com continuados procedimentos desta natureza por parte do MNE ou da sua máquina, quanto a actos importantes das Necessidades, e a posições oficiais sobre temas internacionais, certamente sem querer (estamos longe de pensar que o ministro Luís Amado tenha dado instruções para silenciar…), vai-se assim apoucando a diplomacia e a política externa portuguesa, reduzindo-a aos horários de partida do ministro para aqui ou para acoli e, de quando em vez, a alguma viagem de secretário de Estado mais zeloso por algum protagonismo internacional pífio, que sendo viagem normal de Lineu se propagandeia como acto de excepção diplomaciosa a que pouca gente liga. Diplomaciosa, é a palavra.

Ora, pela nova cartilha, caberá a Bramão Ramos assegurar a coordenação e decisão dos assuntos de natureza político-diplomática, incluindo a Política Externa e de Segurança Comum (PESC) e a Política Europeia de Segurança e Defesa (PESD), bem como dos assuntos no domínio da segurança e defesa, e executar a política externa portuguesa no plano das relações bilaterais e no plano multilateral de carácter político. Portanto, não é um responsável qualquer. É um alto responsável.

E caberá a Margarida Figueiredo dar efectividade e continuidade à acção do MNE no plano internacional bilateral e multilateral no que respeita a todos os assuntos de carácter económico, científico e técnico. Também isto não é uma coisa qualquer e sem importância que o MNE não tivesse a obrigação de relevar e pela via oficial. Uma coisa é a discrição – coisa boa desde que seja a negação do barulho populista dos antecessores de Amado – , outra coisa é a lassidão, o deixar andar e a falta de atenção e respeito do poder público que é erva daninha de qualquer quintal.

Nada disto tem a ver com o que confiadamente a Lusa ainda hoje canonicamente narre, o Público amanhã registe na coluna direita, o DN faça info-eco, ou o Correio da Manhã destaque apesar de a posse de um novo DGPE não seja o assassinato do anterior, não há sangue. E claro também que um acto deste género não é uma romaria, nem uma festa e muito menos um derby que faça as delícias de um público cada vez mais embrutecido pela overdose de ecrã das delícias, mas é um acto que, secundarizando-se o simbolismo, tem a carga de inegáveis razões de Estado.

É que será Bramão Ramos quem irá normalmente receber, e eventualmente chamar os embaixadores acreditados em Lisboa, oxalá que sempre por bons motivos, e passará por Margarida Figueiredo o impulso a dossiers em que Portugal se revela efectivamente atrasado, quer interna quer externamente. O acto que hoje decorreu nas Necessidades não justificava obviamente ter-se chamado a Banda da Armada do Alfeite, mas também não se entende que tenha sido tratado como qualquer coisa a toque de caixa.

Ler Notas Formais ISTO e ISSO

Londrina/Paraná. Novo consulado honorário

Nem tudo fecha. O embaixador Francisco Seixas da Costa, inaugurou (2 Dez) as instalações do Consulado Honorário de Portugal em Londrina (meio milhão de habitantes), na presença do Prefeito desta cidade do Estado do Paraná. O consulado cobre o norte e o noroeste do Estado e fica confiado a António Lourenço Martins, prestigiado jurista português há muito residente na cidade.

Preso com clips. Ainda Macau.Pareceres escondidos e «traições»...

Jogos de Macau.Amílcar Feio, antigo coordenador-adjunto do Gabinete para os Assuntos Legislativos de Macau, em emtrevista a João Paulo Meneses/Ponto Final, num dos mais polémicos temas do território (o imposto profissional), acusa Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) de que «escondeu nos armários da ATFPM os pareceres dos professores portugueses Jorge Miranda, Gomes Canotilho e Alves Correia» e critica Martins da Cruz nos termos que se seguem:

Ponto Final – Como classifica o papel de Portugal, nomeadamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros?

Amílcar Feio – Pelo que li e ouvi, tive, e continuo a ter, “vergonha” por ter sido “representado” pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da altura e pelo Secretário de Estado das Comunidades que então foram à RAEM. Do que secretamente trataram não sei, apenas conheço o resultado: dobraram a cerviz perante a grosseira violação à Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a questão de Macau. Do famigerado Sr. Ministro veio a saber-se das trapalhadas em que se meteu e que levou à sua demissão do Governo e que por isso passou para a história como o Martins da “cunha”. Num outro plano, ele que era assessor diplomático do Primeiro Ministro, e actual Presidente da República, em 1987, não percebeu pelo relacionamento com outras pessoas de diferentes culturas e civilizações que não se dando ao respeito nunca seria respeitado?! Ou será que não lhe serviu de nada o curso de Direito e a História Diplomática? E porque considerou, em entrevista à revista Visão de Abril de 2003, que “é fundamental a imagem que os outros têm de nós”, sempre direi que neste caso, com as devidas adaptações, poderá passar para a história no século XXI com a imagem do Miguel de Vasconcelos de há 366 anos no palácio real.

Tudo AQUI

Patriotismo económico... Pode dar debate

Patriotismo económico. Chamam a atenção de NV para uma entrada na Wikipedia sobre o conhecido "patriotismo económico" lançado, há tempos, como eixo estratégico pelo Primeiro Ministro Dominique de Villepin e pelo deputado Bernard Carayon . É uma debate possível. Ver AQUI
Mas há coincidências - temos entre mãos precisamente um ensaio de Bernard Carayon, Patriotisme Éonomique (Editions do Rocher), edição recente. Carayon, um advogado de 48 anos e deputado da UMP, contraria a tese dos defensores mais entusiastas da mundialização segundo os quais a abertura dos mercados conduzirá à desaparição dos Estados-nações. Diz o autor que, depois da Guerra Fria, a guerra económica «que não tem rosto» é feita de todas as maneiras: entre empresas e entre Estados, no âmbito das organizações internacionais governamentais e não-governamentais, pela da pilhagem tecnológoca, do dumping fiscal e social, ou pelo recurso a processos de desestabilização - com uma brutalidade jamais esperada e por métodos muitas vezes ardilosamente dissimulados. Carayon afirma que nem a França nem a Europa estão suficientemente preparadas para enfrentar esse «capitalismo em guerra», e é aí que entra o «patriotismo económico» que ele crê como uma verdadeira ética de acção à dimensão de uma nova era económica: a dos pós-liberalismo.

Dos Notadores. Promoções. Como é?

Pesos e medidas. Do Notador A.S.:
«Agradeço a atenção de NV para as promoções a full Ambassador. Só sei que há algumas cinco promoções para ministros de primeira antigos, que não prejudicam ninguém - trata-se de uma carreira, onde quem tem o suficiente mérito acaba por ser promovido - e há a do 46.º ministro de primeira classe Morais Cabral, que não tendo tido nenhuma responsabilidade de chefia, excepto Telavive, chega ao topo da carreira. Em Telavive também foi Chefe de Missão o Pedro Bártolo e agora, com a mesma categoria segue para número dois na REPER.

A.S.
Vamos ver.

03 dezembro 2006

Para sossego de Ribeiro e Castro. Rumsfeld vaticinou regresso de Portas em 2030

Faltariam 24 anos. Se fosse verdade. Verdade, pelo extracto da entrevista colectiva de Donald Rumsfeld e Paulo Portas, a 18 de Junho de 2002, em Washington, transcrição do Departamento de Defesa dos EUA:
(...)
Rumsfeld: O ministro e eu fomos eleitos para cargos legislativos quando tínhamos cerca de 30 anos.
Portas: (Risos)
Rumsfeld: E o ministro e eu fomos nomeados ministro e secretário da Defesa quando tínhamos cerca de 40 anos. Portanto, para os jovens que estão aqui, quero alertá-los de que poderão ver este cavalheiro de volta em 2030. (risos)
Portas: (Risos) E o encontrarei como secretário da Defesa pela terceira vez! (risos)
Rumsfeld: (Risos) Isso não – (risos)
Portas: (Risos)
(...)

A entrevista colectiva, de resto, de novidade apenas trouxe este vaticício e os risos. O resto foi uma declaração chapa 1 de Portas sobre Portugal/EUA/NATO que se repete há décadas e respostas de Rumsfeld a questões da política norte-americana.

Voos da CIA. E o MNE de então não tomou conhecimento?

Essencial. Os esclarecimentos da eurodeputada Ana Gomes, naturalmente que são relevantes, não pelo acessório mas pelo essencial. E o essencial é que, de uma vez por todas, se esclareça se ou como Portugal foi usado, e se alguém, nesse quadro, eventualmente abusou. Em matéria que, de resto, deveria ser por princípio do conhecimento das Necessidades de então. Para tal esclarecimento, é obviamente importante que os responsáveis governamentais da época apresentem as suas versões à comissão de inquérito – não são menos nem mais do que os da Polónia e da Roménia,e a justificadissima luta contra o terrorismo organizado à escala internacional exige antes de tudo que não se dê pretextos. Não se entende pois como é que Paulo Portas (na foto, quando condecorado por Rumsfeld) e Figueiredo Lopes poderão ser isentados do esclarecimento. Porquanto, segundo Ana Gomes:

1 - A Comissão Temporária do Parlamento Europeu quer na Polónia, quer na Roménia, foram pedidos - e tidos - encontros com anteriores ministros e chefes de serviços secretos, sem antes se saber se actuais responsáveis declinariam ou não os convites da Comissão.

2 - Na Roménia houve encontros com quatro ex-responsáveis: Dan Vulcan - ex-Inspector Chefe da Aviação Civil do Ministéerio dos Transportes; Radu Timofte - antigo Director dos Serviços Internos de Informação; Ioan Talpes - ex-Director do Departamento de Seguranca Nacional da Presidencia e actual Senador; e Gheorghe Fulga - ex-Director dos Serviços de Informação Externa. Na Polónia também foram pedidos encontros com 4 antigos responsáveis, incluindo 2 ex-ministros, Jerzy Szmajdzinkski e Zbigniew Wasserman.

3 - A audição de ex-governantes portugueses teve por fundamento a análise dos últimos dados fornecidos pelo Governo português à Comissão, incluindo formulários de tráfego de vários voos.


4 - Tais voos envolveram pernoitas ou estadias de vários dias em aeroportos portugueses - incluindo o aeroporto civil/militar das Lajes - para destinos suspeitos, como Guantanamo, Libia, Rabat, Amman, Alger ou Kabul, de aviões civis particulares, todos com acesso regular a bases militares americanas... Voos em que, de acordo com os respectivos formulários de tráfego, houve passageiros, em muitos casos controlados pelo SEF e DGA. Voos que, em 80 por cento dos casos, se realizaram em 2002, 2003 e 2004.


Rodapé. Refira-se que - transcrevendo-se propositadamente do Wikinews - «O ex-ministro da Defesa de Portugal, Paulo Portas, foi condecorado dia 4 de Maio (2005) no Pentágono pelo secretário da Defesa dos Estados Unidos da América, Donald H. Rumsfeld. A condecoração é um reconhecimento do governo americano à liderança e bons serviços prestados por Portas em conflitos na Bósnia, Kosovo, Timor Leste, África, Afeganistão e Iraque. É a primeira vez que um ministro da Defesa português recebe a medalha, dificilmente dada a estrangeiros». Dois dias depois, a 6 de Maio, este facto já estava registado no Wikinews, supostamente por alguém registado em São Paulo, com base na Lusa, Público e Expresso de 3 de Maio... Eficiências da informação portuguesa em São Paulo.

02 dezembro 2006

Voos da CIA. Paulo Portas e Figueiredo Lopes

Fonte directa. Sobre o caso da investigação sobre os voos e prisões da CIA, com a delegação da Comissão Temporária do Parlamento Europeu a visitar Portugal (6 de Dezembro) no, pelos vistos, justificado desejo de ouvir os ex-ministros Paulo Portas e Figueiredo Lopes, é de ler os esclarecimentos de Ana Gomes AQUI

Nova forma do MNE. Vasco Bramão Ramos. Segunda-feira, as chefias juram

Geralmente reconduções. Destaque para Bramão Ramos. Posse de Directores-gerais, no âmbito da nova lei orgânica do MNE : segunda-feira (dia 6) . Reconduções mutatis murandis. Mas, destaque para a posse de Vasco Bramão Ramos (foto) como Director-geral de Política Externa e, agora, figura-chave das Necessidades . Diplomata de primeira linha, embaixador full rank em 2002, Vasco Bramão Ramos, que o bem conhecemos como director dos Serviços da América (idos tempos!), era até agora Embaixador em Viena e junto da UNIDO desde 2005, após embaixador em Caracas (2003, Ah! Martins da Cruz!). Antes currículo profissional de referência: Director-Geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (1999) ; Director-Geral dos Assuntos Multilaterais (1998); chefe da delegação encarregada da negociação do Acordo de Cooperação e Defesa com os EUA, e director-geral adjunto na Direcção-Geral de Política Externa da Comissão Europeia (1994); presidente da Comissão para o Estudo do Relacionamento político-militar com os EUA (1992), e chefe da delegação encarregada das negociações relativas à cessação da utilização pela Força Aérea alemã da Base Aérea nº. 11 em Beja (1992); Presidente da Comissão para o Estudo do Relacionamento político-militar com a República Federal da Alemanha (1991).

Para a estante. Alcides Sakala. As datas da UNITA de 1998 a 2002


Savimbi visto de perto. Muito embora concordemos com algumas das observações de Carlos Pacheco, este livro de Alcides Sakala que não pretende fazer história mas dar testemunhos datados, com Savimbi visto de perto e com paixão, é sem dúvida importante para se conhecer Angola, uma parte de Angola que não pode ser amputada, muito menos deve ser abatida. Daí que vá na terceira edição, devendo ir para mais, pelo que nos dizem. Muito de Angola se fica a compreender por aqui, para incomodidade dos que continuam a fazer com que não se entenda Angola, ainda. Livro para a estante.

"Memórias de Um Guerrilheiro - Os Últimos Anos da Guerra em Angola", Alcides Sakala (Dom Quixote, 2006 - 450 pág.s)

Dos Notadores. Contra o esquecimento

Dos Notadores. Aqui se recorda o que fez Rocha Páris

«Gostei da menção ao Pedro Adão nas NV. E a observação ao esquecimento lamentável do MNE em o mencionar. Quando há uns 5 anos faleceu o Jorge Baptista de Oliveira, também assim de repente, então Cônsul em Dusseldorf, o então SG, J.Rocha Páris, enviou uma circular a todos os Postos "a informar do doloroso desenlace, etc e tal." Foi um gesto simpático que caíu bem e nos fez pensar que afinal ainda há quem se lembre de nós, diplomatas, e que acha que existimos. Tanto quanto sei, agora não se fez nada, nem uma nota interna na SE, pelo menos até sexta. Conheci o Pedro, era bom rapaz e bom profissional. Tenho pena do sucedido, muita pena. Ainda bem que pelo menos as NV se lembraram dele. Haja quem o faça.

Embaixatrão

Argumentário. O Globo/Seixas da Costa. Portugal sem complexos ou remorsos

Notado. No Brasil, muito notado e comentado o artigo do embaixador Francisco Seixas da Costa, publicado em O Globo (ontem, dia 1), evocando a deslocação da Corte Portuguesa para o Rio, em tempos que já lá vão. Aí se escreve: «Sem os menores complexos ou remorsos, Portugal vive a sua história com uma imensa serenidade e um grande orgulho. O tempo ajudou-nos a arquivar os conflitos e a saber retribuir os afectos, muito para além das hipérboles da retórica. Brasil e Portugal, pelo que foram e pelo que são, podem hoje dar-se ao luxo de revisitar, num exercício de imaginário assente numa língua e em tantas outras coisas em comum, os dias da presença da Corte de um deles na bela cidade que, afinal, se tornaria a capital do outro.»

E porque é artigo definido, pode ser lido na íntegra AQUI

Argumentário. D. José Policarpo. Bento XVI, Mufti, Demétrio I…

Comissão. Com Bento XVI, o Mufti de Istambul e Demétrio I quase a fazerem de Comissão Europeia, quem ganhou a Ocidente foi o Patriarca de Lisboa – entrevista de página três no Público, três respostas ao Expresso. Ao Público: «Se um dia for possível o islão unir-se com o cristianismo num projecto de civilização, as convergências virão ao de cima». Sobre a adesão à UE, confrontado com a sugestão de que Bruxelas diz que a Turquia tem que esperar, responde: «Ainda não disse, espero que não diga»; e, depois de referir a Roménia e a presença do islão na Bulgária e na Bósnia, observa: «a fronteira com a Ásia tem que ser definida e, para isso, dava muito jeito a Turquia».Já ao Expresso, D. José Policarpo diagnostica que «a Europa fez um alargamento rápido demais» e «agora tem de se unir numa identidade cultural para um dia integrar a Turquia», pois «a falta de identidade cultural é um grande risco para o Velho Continente face ao islão».

Só que uma «identidade cultural» não se obtém com uma directiva nem com qualquer referência imperativa em eventual Constituição…

Argumentário. Cutileiro/Expresso. NATO, moral e jantar…

Moral armada. Depois de muito misturada, José Cutileiro faz este remate: «O risco maior que a Aliança (e a Europa) corre é moral. Quando Jacques Chirac convida Putin para jantar em Riga a seguir à cimeira, a gente alarma-se. (Tanto de resto que o russo acabou por não ir. Do mal o menos.)»
A gente alarma-se.

Argumentário. Três perguntas de Le Point. Ao arquimilionário George Soros

Respostas de George Soros, o arquimilionário autor do livro "A Grande desordem Mundial", a três perguntas de Marc Nexon/Le Point :

Qual foi o seu papel nas chamadas “revoluções da cor” nos países europeus de Leste?
Eu não sou um revolucionário! Só o Puttin é que me acusa de o ser. Apenas ajudo governos desejosos de abrirem os seus países à democracia. Veja o caso da Geórgia, depois da “revolução rosa”: as minhas fundações contribuiram para o pagamento dos salários dos polícias. Os resultados foram imediatos: a corrupção qase desapareceu nessa corporação.

Como foi na Ucrânia?
Os ideais da “revolução laranja” passaram para segundo plano graças ao insucesso dos novos governantes. Mas algo de muito precioso restou: a liberdade de imprensa e um novo espírito de responsabilidade civil. Tal como na Hungria a seguir à insurreição de 1956. Trinta anos depois, a democracia instalou-se ali.

Há um desvio autoritário na Rússia?
Sim. O Ocidente está a pagar a conta do seu excesso de desenvoltura perante a derrocada da União Soviética. Nessa altura propus o equivalente ao Plano Marshall para ajudar a consolidar a democracia. Riram-se de mim. Os resultados estão
à vista. Tendo nas mãos a arma energética, a Rússia encontrou um instrumento de dominação em relação aos vizinhos. E a Europa baixa os braços. Comos nos anos 30 fez em relação à Alemanha.

01 dezembro 2006

Pedro Adão, na memória. Quando dois diplomatas assinam o livro

Fica bem. Inevitável, a transcrição das mensagens que os diplomatas Luis Filipe Castro Mendes e Madalena Fischer colocaram no livro de visitas que Pedro Cabral Adão, Cônsul-geral em Goa, mantinha na página onde ia colocando as suas fotografias de grande valor artístico e humano.

De Luis Filipe Castro Mendes 01-Dec-2006 14:53

Não o cheguei a conhecer. Preparava-me para o vir a ter no futuro como colaborador, enquanto cônsul-geral em Goa. Chegavam-me dele as melhores referências: culto, sensível, empenhado, trabalhador. Agora não chegarei a conhecê-lo. Só nas memórias que deixou. Como futuro embaixador na India, queria deixar a familia e amigos do Pedro Adão um testemunho de solidariedade e de mágoa.

Luis Filipe Castro Mendes

De Madalena Fischer 01-Dec-2006 17:24

À família do Pedro um grande abraço neste momento doloroso e incompreensível. Sou uma colega do MNE e recordo muitos momentos partilhados, às vezes com milhares de quilometros de distância entre nós mas que sempre nos permitiram viver com muito humor e boa disposição as dificuldades e mil vicissitudes típicas da nossa casa e carreira. Recordo particularmente os relatos fascinados do Pedro sobre a sua estadia no Irão e a partida de Estocolmo para Goa, assim como o entusiasmo com que ele encarava este novo desafio pessoal e profissional. Já em Goa, falamos ainda várias vezes sobre os projectos que ele tinha para as várias áreas de acção, desde a mudança e a renovação da Embaixada aos inúmeros projectos culturais. Com a partida do Pedro perdemos um bom colega mas também um execelente profissional, que encarava a sua profissão com muito rigor, empenho e disponibilidade, acompanhada de um imenso entusiasmo e curiosidade pelo mundo. Ao Pedro um grande abraço de saudade.

Madalena

Instituto Diplomático. As gazetas

Prova de vida. Também é verdade - o Instituto Diplomático faz mais uma prova de vida na terça-feira (dia 5), em cenário adequado, na Cozinha Conventual do Palácio das Necessidades. Será a apresentação das «Gazetas da Restauração (1641-1648) : uma revisão das estratégias diplomático-militares portuguesas» (edição transcrita), da autoria de Eurico Gomes Dias.

Portugal-Castela. História à medida e conforme

Farofa. E eis que um historiador espanhol, Rafael Valladares, em livro já a circular, vem defender que 1640 apenas «foi uma revolta das elites portuguesas, principalmente uma parte da nobreza e da Igreja, que viam os seus privilégios, e 'liberdades' como eles diziam, atacadas pela política reformista de Filipe IV». Daqui se inferirá que as elites portuguesas que rodeavam Filipe IV não tinham privilégios e que a política 'reformista' do monarca castelhano iria ao encontro dos portugueses sem 'liberdades' acolhidos sob o manto protector de Castela... Não foi portanto um movimento da burguesia mercantilista alcandorada no litoral contra os grandes senhores rurais do interior sempre propensos a Castela e aliados. Não foi portanto algum entendimento daquela mesma burguesia e nobres aliados com congéneres da Catalunha. E sendo assim, pela visão de Valladares, lá longe, bastante mais longe, também não se justificaria a remoção e desaparição do vice-rei do México de então, primo-irmão de D. João IV (Diego López Pacheco Cabrera y Bobadilla, substituido em 1642 pelo tenebroso bispo de Puebla, Juan de Palafox y Mendoza) por supeitas também de entendimento, e a repressão contra tudo o que fosse portugueses ou filho de portugueses na Nova Espanha que ficaram com a obrigação de se apresentar mensalmente perante as autoridades espanholas da colónia, quase todos, por isso mesmo, mudando os nomes dos filhos para o das terras de origem - Belmonte, Barreiro, Setúbal, Tavira... Ora suspeitam muitos e com fundamento que 1640 não ficou completo porque, para além da restauração portuguesa, envolveria uma revolta das elites do México, para além das da Catalunha. De qualquer forma, livro a ler - A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640-1680 (A Esfera dos Livros Lisboa/Madrid/Barcelona). Prefácio de Joaquim Romero Magalhães, que não destoa, AQUI

Missão Militar/NATO-UE. Sai Exército, entra Marinha.

Rotatividade. Para o cargo em nada despiciendo de Chefe da Missão Militar junto da NATO e UE, em Bruxelas, o Presidente Cavaco Silva exonerou o tenente-general Sousa Rodrigues e nomeou o vice-almirante Lima Bacelar.

Diplomatas e Cônjuges. Apagão nos sites...

Foi uma limpeza nos vidros. Ao chamar-se a atenção para os sites produzidos na órbita das Necessidades, julgava-se prestar, com isso, algum contributo. Mas no que resultou? O balanço não é positivo: a Associação dos Diplomatas apagou os conteúdos do site reduzindo a página de entrada a um cartão de visitas no modelo dos se imprimem na tipografia de Arganil com vírgulas em tudo o que seja fim de linha - AQUI ; a Associação dos Cônjuges outro apagão provocou, elidindo aquela página de entrada tão alegre, com botões azuis a abrir botões lilazes como nas máquinas de jogos do café central de Cuba, agora é uma tristeza despida, e com o link para a versão inglesa a exigir autenticação para entrar, pelos vistos, entrar em segredos - AQUI ; a Associação dos Amigos do Arquivo Histórico-Diplomático, continua isso mesmo, histórico - AQUI.

Activo, vivo e a dar cartas, apenas o site do STCDE, a organização dos trabalhadores dos serviços externos - AQUI.