
No paraíso fiscal, a imunidade é a maçã.
- Manuel CXXVIII Paleólogo©
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.

COMO O TEMPO PASSA. Neste dia, há 29 anos - era MNE, João de Freitas Cruz - entraram para a carreira como adidos de embaixada:
Não há ninguém que explique a Vasco Pulido Valente que não há Diplomacia do Pedinte, mas apenas Protocolo do Pedinte também com suas dispensas e privilégios?
OLHA QUEM FOI MINISTRO Dois - um, há 187 anos, e até era filósofo; outro, há 176 anos, interino, foi assassinado quatro anos depois.
Silvestre Pinheiro Ferreira que neste dia mas em 1821 assumiu os estrangeiros, foi um dos mais notáveis publicistas da cultura portuguesa, deixando marca no direito público francês (pertenceu-lhe a ideia consolidada do poder de sufrágio, depois desenvolvida por Hauriou) e com concepções políticas próprias (influenciou Proudhon, por exemplo), mas foi mais um a não ser profeta na sua terra. No Brasil, no entanto, consideram-no como que pai-fundador do liberalismo de lá. Acompanhou a coroa para o Rio onde viveu de 1810 a 1821, período em que produziu grande parte da sua obra. Estudou com os Oratorianos, formando-se em Filosofia. As suas Prelecções Filosóficas (1813), resultado das lições de filosofia que ministrou no Real Colégio de São Joaquim, no Brasil, será a mais importante das suas obras.
Agostinho José Freire, interino por três meses nos Estrangeiros (neste dia, em 1832, no governo de Palmela mas em dissonância com este) foi defensor da causa liberal, participou na Guerra Peninsular, fora deputado às Cortes Constituintes de 1821, ministro da Guerra e ministro interino da Marinha, nomeado por D. Pedro IV, e já em 1835 haveria ainda de se ministro do Reino. Na sequência da revolução de Setembro de 1836, quando se decidira a abandonar a vida política, Agostinho José Freira foi chamado ao Palácio de Belém pela rainha, e quando para aí se dirigia, alguns soldados da guarda real, postados na calçada da Pampulha, assassinaram-no.
OLHA QUEM FOI O PRIMEIRO DOS MINISTROS Exactamente, Marco António de Azevedo Coutinho, com funções reportadas à sua nomeação neste dia de Julho de 1736, embora apenas tenha tomado posse em 1738.
OLHA QUEM FOI MINISTRO Depois do 1.º e único conde de Porto Santo (ontem, como interino) há 181, seguiu-se hoje há 181 anos, o 7.º conde da Ponte, também interino. Mais perto mas já longe, em 1929, Henrique Trindade Coelho era empossado como MNE. Mas evoque-se alguém que não foi MNE e que, neste dia há 34 anos, tomava posse como secretário de estado dos Negócios Estrangeiros: Jorge Campinos.
Em 1929, Henrique Trindade Coelho (filho de José Trindade Coelho, o de Os Meus Amores, mas não saíu ao pai), foi MNE por escassos 20 dias, cruzando-se ainda com António de Oliveira Salazar então apenas nas Finanças (Ivens Ferraz, chefe do governo) e quando estava na forja, por Linhares de Lima, a Campanha do Trigo. Henrique Trindade Coelho foi amigo pessoal de Mussolini, certamente pela oportunidade ou circunstância próxima de ter sido embaixador junto da Santa Sé. Quando estalou o 28 de Maio, Henrique Trindade Coelho era director do diário O Século e pessoa da maior confiança de Gomes da Costa.
Jorge Campinos, neste dia há 34 anos, tomava posse como secretário de esatdo dos Negócios Estrangeiros (Mário Soares, MNE). Nasceu em 1937, foi um dos fundadores do PS, foi ainda ministro do Comércio Externo no VI Governo Provisório e ministro sem pasta no I Governo Constitucional, participou nas conversações que conduziram ao reconhecimento, por parte de Portugal, da independência da Guiné e S. Tomé e Príncipe, foi ainda juiz do Tribunal Constitucional e deputado europeu. Em 1988 foi escolhido para o cargo de director dos serviços jurídicos do Parlamento Europeu e funcionário da Comissão Europeia. Morreu em Moçambique vítima de acidente de viação, a 30 de Julho de 1993. Muitos o recordam, alguns o evocam.
CONTAGEM DECRESCENTE Falta 1 dia para se constatar 272 anos.
COMO O TEMPO PASSA. Neste dia, há 32 anos - era MNE, José de Medeiros Ferreira - entraram para a carreira como adidos :Se Fernanda Leitão diz, é porque é mesmo assim.
CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão
PORTUGUESA DE MÉRITO
Susy Soares, uma popular figura da comunidade portuguesa no Canadá, acaba de assumir a direcção do departamento Diversity, por decisão da administração da OMNI Television, num documento em que não poupa elogios à nossa compatriota.
Tendo entrado ao serviço do grupo Rogers em 1986, como voluntária, no termo da sua passagem pela Universidade de Toronto, bem se pode dizer que Susy Soares fez uma carreira a pulso, por exclusivo mérito, tendo sido uma fiel e atenta colaboradora da evolução de uma estação televisiva multicultural que, actualmente, tem a funcionar estações subsidiárias em várias províncias do Canadá.
A OMNI, por si mesma, e por parcerias com televisões doutros países, entre os quais Portugal e o Brasil, abrange um universo de milhões de espectadores de costa a costa deste imenso país. De passagem se anote que, ao comprar a popular estação City TV e um esplêndido imóvel na Dundas Square para instalação de todos os seus serviços televisivos, o grupo Rogers mostra que está confiante no futuro. Susy Soares é, sem dúvida, uma peça importante desta empresa que vem a servir os emigrantes de 160 países que vivem no Canadá. É um quadro de empresa de alto gabarito profissional.
Descendendo da família Amorim dos Arcos de Valdevez e tendo casado com um cidadão de Ponte de Lima, Amaro Soares, Susy tem pautado a sua vida por um alto perfil moral e um grande apego aos valores portugueses. Os seus dois filhos, Nicole e Michael, ambos estudantes da Universidade de York, foram criados nesses valores e no gosto pela língua portuguesa.
Sempre disponível para ajudar quem precisa e as boas causas da comunidade portuguesa de Toronto, Susy Soares fez por suas mãos o seu lugar de prestígio neste país que acolhe 650 mil portugueses, o que vem a ser um legítimo orgulho para a comunidade lusa.
A Diplomacia de Resultados em vez de representar, soma; em vez de proteger, subtai; em vez de informar, multiplica; em vez de promover, divide; em vez de negociar, faz de conta, e em vez de tantos aborrecimentos de estado com essa coisa da extensão externa do serviço público, diverte-se com a fórmula E=mc².
OLHA QUEM FOI MINISTRO Dois interinos: o Conde de Porto Santo, neste dia em 1827 e por um dia apenas, e Cândido José Xavier em 1833 mas por três meses.
Alexandre de Saldanha da Gama, 1.º conde de Porto Santo, já tinha sido titular da pasta dos Estrangeiros entre 1825 e 1826, oficial da marinha, foi ajudante de campo do duque de Sussex, foi maçon, governador do Maranhão (1802-1806) e de Angola (1807-1810), representou Portugal no Congresso de Viena (1814-1815), embaixador na Rússia (1815-1818) e em Espanha (1820 e 1823). Depois da celebérrima vilafrancada é feito conde de Porto Santo, retornando à embaixada de Madrid. Morreu sem descendência e o título de Porto Santo morto ficou na adjacência.
Sobre Cândido José Xavier, oficial do Exército e secretário particular de D. Pedro IV, teve protagonismo nas guerras liberais, mas antes com outra história: fez parte da Legião integrada nos exércitos de Napoleão Bonaparte na Batalha de Wagram e na Batalha de Borodino e integrou a força de invasão do general André Massena em Portugal, por essa razão condenado à morte, por traição, pelo conselho de regência mas aguentou-se exilado em Paris até que a Revolução de 1820 lhe anulçou a sentença, regressando a Portugal, e, reintegrado no posto de sargento-mor, subiu na política. Dele disse Oliveira Martins que «tinha a astúcia e com ela a tenacidade dos ambiciosos e a impertinência própria dos caracteres subalternadamente dominadores»... Ainda hoje se conhece o género.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 2 dias para os 272 anos, mas não há motivo para nervosismo.
Foi dito e por aí se repete que o primeiro-ministro José Sócrates defendeu hoje que “a língua portuguesa é um instrumento potenciador da cultura e dos laços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, acrescentando José Sócrates “ser necessário transportar o português para o mundo”.
ESTAMOS num momento interessante, pelo menos para mim, ao nível das ideias e das estratégias em jogo.
Em primeiro lugar, o Ministro Amado ao assumir o compromisso de elaborar um documento sobre o futuro das relações transatlânticas para a Reunião Informal de MNE's, em Setembro, em Avignon, toma uma iniciativa interessantíssima em política externa europeia que paralelamente, em termos internos portugueses, pode levar a um reequilíbrio da vertente excessivamente europeista que tem caracterizado a nossa politica externa desde 1986.
RECEBI ONTEM uma notícia que me agradou especialmente: o outrora Vice-Cônsul de Portugal na Embaixada em Rabat, Fernão Quintanilha dos Santos, após um processo na justiça que durou mais de 6 anos, foi ilibado.
Como é costume no MNE, com este "pessoal de segunda categoria", não há qualquer contemplação e, assim, resolveram exonerar o Vice-Cônsul, instaurar-lhe um processo disciplinar e entregar o caso ao Ministério Público. A acusação foi esta: ter permitido que o Chefe de Missão (naquela época era o Embaixador Brito e Cunha, já aposentado e sobejamente conhecido por ter arranjado problemas a vários colaboradores) utilizasse os dinheiros públicos como se fossem seus próprios (adquiriu viaturas acima do valor permitido; fez obras na Residência sem autorização, etc.). Esta situação não seria tão criticável se ao principal beneficiário destes gastos tivesse sido também instaurado um processo, mas não o foi e pelo contrário ainda foi arrolado como testemunha principal.
ISTO de José Eduardo dos Santos e, agora também, de Armando Guebuza privilegiarem pela ausência, durante a Cimeira da CPLP, será caso para se pensar, se valerá ou não a pena o investimento político da parte daqueles que nela, ainda, se empenham. A CPLP, pelos vistos, não conseguiu, até hoje, impor-se como Organização para ser levada a sério pela totalidade dos seus componentes, nem tão pouco como instituição capaz de galvanizar os mais altos dirigentes dos países que dela fazem parte. Assim sendo...
Vale a pena continuar a existir? Se Angola e Moçambique não enviam os seus Presidentes a estas Cimeiras, justifica-se a sua continuação? Não são esses gestos reveladores do pouco interesse que suscita a dita CPLP junto daqueles países?

OLHA QUEM FOI MINISTRO Neste dia, chegou a vez de lembrar um há 32 anos e recordar outro de há 207 anos...
José de Medeiros Ferreira, neste 23 de Julho de 1976, tomava posse como ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo que exerceu cerca de 15 meses mas de que ficou com muito por contar, e já contou aos poucos alguma coisa. Medeiros Ferreira, antes, fora secretário de estado dos Negócios Estrangeiros com Melo Antunes (desde 19 de Setembro de 1975), enfim, 1975 e 1976, dois anos que, à distância parecem dois meses mas equivaleram a dois séculos. Os dois meses estão contados, os dois séculos é que não.
D. João de Almeida Melo e Castro, figura de hábitos controversos, também neste dia mas em 1801, assumia a secretaria de estado na regência de D. João VI. Com o título de 5.º conde de Galveias, Carlota Joaquina, já a corte estava no Rio, apelidava-o depreciativamente de "Dr. Pastorinhas" por disputas do âmbito da esfera privada de rectaguarda. Adiante, fiquem as coisas positivas, ele foi, apesar de "pastorinhas", o fundador do primeiro laboratório químico no Brasil. João de Almeida Melo e Castro assumiu os Estrangeiros pouco mais de um mês após a assinatura do tratado de Badajoz, entre o príncipe regente, e Carlos IV de Espanha, comprometendo-se este a restituir praças tomadas por Espanha a Portugal, incluindo Olivença - o que até hoje ficou por cumprir. Como registo, anote-se que este 5.º conde de Galveias, em cujo curriculo figura ter sido embaixador de Portugal em Viena, Londres, Roma e Haia, nas discussões que antecederam a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, apoiou a aliança inglesa e a mudança da corte para o Rio, ao lado de D. Rodrigo de Souza Coutinho, contra a aproximação à França defendida pelo marquês de Belas.
CONTAGEM DECRESCENTE Faltam 5 dias para aqueles 272 anos. O FRI não podia ter dado um subsidiozinho para alguma coisa de jeito e preceito?