20 setembro 2009

NOTADORES@ Questão de

@Do conselheiro Zé du Gard:

Na sexta-feira passada, o adido Gustave fez o reparo às Notas por se terem esquecido da promessa dos relatos de diplomatas estrangeiros acreditados em Lisboa, os quais acabaram por surgir para nosso divertimento. E a questão dos reis que bem constada pouco divertimento cauasrá a alguns? As Notas vão voltar a esse tema ou já sofreram pressões para abafar o caso?

Zé du Gard, conselheiro

NV - De facto pouco ou nada sabemos da evolução do processo em Itália contra Rosário Poidimani que disputa direitos a Duarte Pio numa querela em que, a nosso ver, o MNE não deveria ter-se envolvido (aquele parecer interno do tempo de Freitas é coisa de MNE decadente). Todavia, é admissível que, neste momento, o MNE já tenha carreado para os tribunais italianos provas da acusação que formulou junto do protocolo de Roma. Desconhecemos o ponto de situação desse processo, mas poremos a página em dia assim que for possível. Quanto às pressões, mesmo que existam, não nos afectam.

Cavaco, o adiamento cai-lhe mal

Cavaco Silva tem a obrigação de esclarecer se ordenou e, face ao aproveitamento eleitoral, não pode nem deve adiar um dia. Não pode ser o Presidente de uns até ao dia das eleições, Presidente dos restantes apenas depois, e só dele prórpio no dia de reflexão.

Júdice, de acordo

Interiramente de acordo com as declarações de José Miguel Júdice ao DN, sobre o caso Fernando Lima que é de onde tudo partiu.

Público-DN e «fontes»

O confronto entre Público e DN a propósito das «fontes» de Belém, tem muito a ver com o que tem sido habitual com as «fontes diplomáticas» e com os procedimentos dos assessores das Necessidades, independentemente do ministro A ou B, do governo X ou Y ou do partido no poder. O assunto é sério e pela primeira vez é levantado sem equívocos, embora com um dever ético sacrificado pelo DN. Em todo o caso, o sacrífio acaba por ser um mal menor face ao terreno pantanoso em que parte do jornalismo político português se transformou.

Já aqui se disse e reafirma que Fernando Lima foi useiro e veseiro nos métodos de influenciar jornalistas, designadamente quando serviu Martins da Cruz. Aliás, o seu mal quando foi director do DN, foi o de nunca ter perdido os tiques de assessor. Mas não foi o único - com muita dificuldade se descobre um assessor de MNE que não tenha recorrido aos mesmos métodos de Lima, invertendo-se as regras das Redacções políticas: os jornalistas em vez de irem às fontes, confrontarem as fontes e exigirem às fontes, deixam que sejam as fontes que venham selectivamente a eles, a troco de venenosa informação privilegiada e com a perversidade trazida em bandeja. Nisto, obviamente que os jornalistas têm enormes responsabilidades mas o quadro legal, sobretudo com a moldura de Santos Silva, também não os ajuda, antes pelo contrário, os coíbe de mudar o que está manifestamente mal.

Por isso mesmo, para que a «informação» seja administrada conforme as circunstâncias, é que o Palácio das Necessidades jamais desejou um serviço de informação e imprensa a sério, profissional e limpo, tendo preferido cometer essa tarefa a assessores de gabinete. E Belém tem ido nessa onda, não é apenas agora com Cavaco que se envolveu numa trama muito feia e que deveria esclarecer de imediato, com todas as consequências.

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs


A mentira é uma apresentadora de verdade: tem a melhor imagem para televisão.

- Manuel CCXXIII Paleólogo©

19 setembro 2009

D'OUVIDOS O Para Washington

Exactamente assim: O
D'OUVIDOS para Washington.


Expedido por B.W. (indicação de muito urgente):

"
Alerto os serviços competentes. O antigo chanceler e ex-comissário João de Deus Pinheiro, se não houver uma maioria absoluta, reclama um governo de salvação nacional depois de, há uma três semanas, o chefe monárquico Duarte de Bragança antever para Portugal a instauração de uma ditadura. Nenhum dos dois fala da iminência de novo MFA, mas não será conveniente accionar escutas para não sermos mais uma vez surpreendidos?

D'OUVIDOS O Para Estocolmo

Exactamente assim: O
E a abrir os relatos D'OUVIDOS aquele que
foi enviado para Estocolmo...


Expedido por G.T.K. (tradução automática):

    "
    Importante muito, artigo hoje in Expressen de Lisbon, suplemento de economia, assinado por Monoela Ferreyra Leite pretendente ao governo português eleições de 27. Artigo de título «Depois da Tempestade a Bonança», algo que geralmente diplomatas em Lisboa não entenderam, não se sente tempestade e bonança é palavra de astrólogos. Mas importantes para Estocolmo, sobretudo para o rei Carlos XVI Gustavo, as palavras iniciais de Leite que transcrevo em português para não perderem sentido (devem ter aí tradutor: «Quando uma tempestade dá sinais de querer acalmar, faz-se o balanço dos estragos que é preciso reparar ou voltar a construir». Diz-se aqui disto que é bom português, sobretudo o voltar a construir estragos. Informo que pelas palavras de Manoela, Portugal «evidencia uma devastação grave» e tudo o mais que desaconselha o IKEA vir mais para cá na tempestade. Como remédio, Manoela diz que «é preciso coragem, esperança e lucidez», palavras que se transcrevem para que esse ministério possa avaliar a rigorosa linguagem dos economistas portugueses, acrescentando-se que essa é a condição, ainda nas palavras de Manoela, «para que o progresso e o bem-estar venham a ser uma realidade e para isso é indispensável a mobilização solidária de todos». Nós suecos ouvimos isto há muito dos pastores calvinistas. Manoela termina o seu excelente artigo económico com a ideia de que «é necessário mudar as políticas para que as nuvens carregadas se afastem e posssa, finalmente, voltar a ver-se o azul do céu». Portanto, segundo Manoela, este povo só deve pensar nas condições metereológicas para ir à praia.

Os mesmos truques

Fernando Lima, nos seus tempos de Martins da Cruz, já usava os mesmos truques. E hostilizava quem não aparava o jogo.

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs


«Digo o contrário do que penso, logo sobrevivo» - diz o moribundo.

- Manuel CCXXII Paleólogo©

18 setembro 2009

NOTADORES@ Campanha

@ Do embaixador jubilado D.:

(...)Nesta campanha eleitoral, quanto a política externa, apenas se tem dito que não tem havido debate sobre política externa e os programas dos partidos com o pé no poder são de uma pobreza atroz. Mais uns anos em que Portugal na mesma andará como a lesma.

D., emb.

NOTADORES@ Lembrança

@ Do adido Gustave:

As Notas prometeram divulgar relatos ou partes de relatos de diplomatas estrangeiros acreditados em Lisboa acerca da actualidade política portuguesa e enviados para as respectivas capitais. Até agora nem uma linha. Asfixia, pressões?

Gustave

NV - Nada disso, mas fez bem lembrar. Ainda temos nove dias...

BRIEFING " Chegou a hora da verdade

"
Fernando Lima.
Preto, SECP?
Outra barraca.
Agência de viagens.


PELO QUE SE LÊ Destacação prévia - Fernando Lima, assessor do Presidente encomendou caso das escutas» - não é a manchete, é a primeira página inteira do DN, descontado o rodapé de um dedo de publicidade da Cambridge School. Na página dois, um e-mail fatal de Luciano Alvarez para Tolentino da Nóbrega. E a partir de agora, pois chegou a hora da verdade, ou Cavaco afasta Fernando Lima ou o Presidente fica colado como grude a isto. E será bom que o faça antes das chancelarias acreditadas em Lisboa e que contam, reportarem o episódio que não é um golpe de estado mas traduz um estado de golpe. Há trabalho para os tais ociosos correspondentes estrangeiros…

  1. Mas que excelente Secretário! Com tudo o que se vai sabendo pelos jornais de todas as tendências, António Preto é a pessoa melhor posicionada para secretário de estado das Comunidades Portuguesas, caso Ferreira Leite ganhe. Na verdade, em tal lugar deve estar alguém que saiba engessar o braço antes de assinar despachos, portarias…

  2. Khadafi. Diz o Público que o Expresso online noticia que Kadhafi pernoita em Lisboa, na próxima segunda-feira, em escala a caminho de Nova Iorque e que deverá ser recebido por Amado. Mais uma barraca armada na capital.

  3. TGV de marcha atrás De resto, folheados os jornais de hoje, tirando essa da defesa antimíssil (destaque do Público e apanhado noticioso no DN) e mais umas coisitas para fazer o jornal ao homem, as relações externas e a política internacional tomaram em Portugal o TGV mas em marcha atrás. As Necessidades também não ajudam em nada – o MNE há muito que está transformado numa agência de viagens, Teresa Gonçalves que o diga pois é a que mais parte a fim de participar, mais chega depois de ter estado presente, mais vai em representação e mais regressa depois de ter representado. Assim até dá gosto em ter sido.

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs

«Chegou a hora da verdade», diz deveras quem mentiu antes da hora e mentirá depois da hora ter passado.
- Manuel CCXXI Paleólogo©

17 setembro 2009

O 10 de Setembro

Enquanto as Letras Oficiais que não estão insolventes, não saem do "lay-off", aqui temos hoje despachos de 10 de Setembro publicados na folha oficial com promoções independentemente das complicações e sem mais cartões:

    Júlio Carranca Vilela, a ministro plenipotenciário de 2.ª
    Simeão Pinto de Mesquita, igualmente plenipotenciário de 2.ª
    João Cabral Corte-Real, para o mesmo género
    Bernardo de Lucena, m-p idem
    Clara Nunes dos Santos, claramente ministra plenipotenciária

BRIEFING " Enfim

"
Leonor.
Quintal.
Correspondentes estrangeiros.
Gaza.


PELO QUE SE LÊ Declaração prévia - Enfim, o briefing está de volta ao dia a dia, mais ou menos mesmo que seja à noite, como diria Ferreira Leite.

  1. Como falo alemão, fui. No DN, afirma Leonor (Leonor Ribeiro da Silva, do serviço de porta-voz do presidente da Comissão Europeia), a propósito de continuar ou não com Durão Barroso em Bruxelas: «Trabalho com ele desde 1991 e só interrompemos a nossa colaboração quando ele esteve na Universidade de Georgetown e eu, como falo alemão, fui para a nossa embaixada em Viena»... Porque fala alemão é que foi para a embaixada em Viena ou porque tem sido regra incessante que os ministros cessantes coloquem os cessantes adjuntos e assessores cessantes em lugares por isso mesmo não concursáveis? Freitas do Amaral bem tentou que os lugares de conselheiros e adidos em embaixadas ou em missões no estrangeiro perdessem a fama de mordomias mas essa intenção foi para o purgatório da amnésia. Empenhos pessoais, cunhas, compensações espúrias e quase sempre excepções de sedicioso reconhecimento sem justificação adequada colam-se a esses lugares independentemente do saber-se alemão, inglês e já agora do arranhar-se castelhano.

  2. A salsa da vizinhança. Ainda no DN, no editorial «A reeleição de Barroso e os desafios do futuro», escreve-se à cabeça que «Não é indiferente para o País ter à frente da Comissão um português, um belga ou um lituano». Depende – há portugueses que até são capazes de ser mais belgas que os belgas e mais lituanos que os lituanos. Nessa matéria é aconselhável deixar de pensar que a Europa é o quintal de Portugal e que a salsa do nosso quintal é melhor que a salsa do quintal da Lituânia…

  3. Portanto, lugares a extinguir. Segundo o Público, as eleições não motivam os correspondentes estrangeiros que «Estão em Portugal com a função de levar as novidades do país ao mundo, (…) mas consideram que nestas eleições não está nada em causa» … E a não motivação merece registo?

  4. Gaza. Linhas oportunas de José Manuel Fernandes (editorial do Público) sobre o relatório do Conselho dos Direitos Humanos quanto à intervenção militar de Israel na Faixa de Gaza. Mas não colhe justificar uma fuga intervalar para o tema de Gaza lá porque a campanha eleitoral pareça «começar a deparrapar». Mesmo que assim seja, não será conveniente dizer isso em voz alta ou deixar em palavra impressa.

Barómetro...

Já devem ter reparado, há nova sondagem. Nop Barómetro/NV, o próximo MNE deve ser diplomata, político lobo encartado ou cordeiro independente? Respondam antes de José Luís Arnault ponha o convencimento em crise ou Amado corrija essa ideia peregrina do Ibéria política...

    No momento deste telegrama, ninguém quer ministro da carreira, 87,5 % preferem-no proveniente de partido e 12,5% que seja um independente...

Veludo

Mas que substantiva entrevista de Jorge Veludo à revista Diplomática que vai no n.º 5, salvo erro... Mais duas entrevistas que por aí apareçam com o líder do STCDE e haverá nas Necessidades uma revolução de veludo.

Agapito }

O embaixador Agapito Barreto }, precisamente:

    - Meu caro! Ouça! Está a ouvir-me? O Amado falou da integração política da Ibéria? E com que regime, o republicano ou o monárquico? E os espanhóis aceitarão a abdicação de Juan Carlos a favor do XPTO de Bragança? Mas será por isso que o Palácio está cheio de XPTO's?

Taverna dos Embuçados

É chegado o minuto, a hora, o dia do PSD e, muito em particular Manuela Ferreira Leite falarem sobre política externa, designadamente sobre as relações com Espanha, se é que, depois das omissões e pronunciamentos, têm alguma coisa a dizer que não se saiba que José Luís Arnaut não pense ou Pacheco Pereira não deixe de pensar...

Claro que nas Necessidades há gente que já aparecia mas volta a esconder-se atrás dos biombos. São os embuçados. Aprenda Amado.

16 setembro 2009

Nova greve nos serviços externos

Dia 24. Consulados, embaixadas, missões e centros culturais no estrangeiro vão estar de novo em greve no dia 24, quinta-feira da próxima semana. O STCDE diz que os trabalhadores “estão fartos de conversa e de adiamentos”.

Supostamente

Mas quem não gostaria de ouvir Ferreira Leite a debater política externa, sobretudo os temas que não constam do seu programa eleitoral e que não constam porque são supostos?

Asfixia...

Pelo menos escrevam bem o português, uma língua cada vez mais asfixiada. Mas o que é isso de «asfixia democrática»? Há alguma asfixia que seja democrática supostamente oposta a alguma asfixia antidemocrática? Na verdade, pode admitir-se uma democracia asfixiada mas asfixia democrática só quem da sua língua não vê o mar e está noite e dia a espreitar a meseta ibérica.

Faz este erro lembrar as tais «tragédias humanitárias» de que alguns embaixadores dão conta em prolixos telegramas. Mas há alguma tragédia que seja humanitária? Tragédia humana, talvez...

43.ª posição

Portugal em 43.ª posição no índice de competitividade global (2009-2010) atrás de Porto Rico e à frente de Barbados...

Clique sobre o gráfico para ampliar

Carreira auto regulada ou desgovernada?

No preâmbulo da portaria de 11 de Setembro que adapta aos trabalhadores da carreira diplomática os subsistemas de avaliação do desempenho na Administração Pública - SIADAP 2 e 3, afirma-se que:

    1. «Entre as características da carreira que tornam indispensável esta adaptação do regime do SIADAP releva, antes de mais, a sua estrutura hierarquizada tendo no seu topo o secretário-geral bem como o facto de se tratar de uma carreira especial e auto regulada.
    2. «Esta auto regulação é fundamentalmente consubstanciada no Conselho Diplomático, órgão presidido pelo secretário-geral que assegura a dupla função de gestão da carreira e de representação das diversas categorias, o que justifica as competências de natureza diversa que lhe são atribuídas pela presente portaria.


Em função do que se tem passado no CD, mas que grande auto regulação!

NOTADORES@ Pois...

@ De C. :

Já tínhamos saudades suas, embora nos pareça que anda a tocar menos em questões controversas. Com efeito, nem uma única palavra a respeito do concurso de promoções a ministro plenipotenciário... nem das broncas dentro do conselho diplomático, etc. etc...

C.

NV - Meu caro, nas Necessidades não é o crime que compensa; como dizia o outro, quando compensa, muda de nome.

NOTADORES@ Iberoamado

@ Do ministro plenipotenciário Marcel:

Grave, grave um ministro dos Estrangeiros falar da integração política da Ibéria, algo que politicamente não existe. O Amado sempre confundiu geografia com política.

Marcel, m-p

Luís Amado a voar na Ibéria

Classe executiva ou turística? É o que falta saber. A propósito da tal descoberta genial de que «Portugal não é uma província de Espanha», Luís Amado responde a Ferreira Leite com a defesa da «integração económica e política da Ibéria,» o que não deixa de ser outra genial descoberta.

E tem andado muita gente a pensar que, em pé de igualdade, Portugal e Espanha estariam solidários na integração política e económica da Europa, essa sim que pode extirpar pronvincianismos mentais como o de Ferreira Leite e, pelos vistos, agora acompanhada em escala aérea por Amado que não se sabe onde foi descobrir a realidade política da Ibéria.

Má prestação do ministro-candidato a explicar as derrapagens nas Necessidades nos últimos meses.

Porque há esquecimentos em alta velocidade

Como muita gente gostaria de ouvir Nuno Brito sobre o TGV ou sobre traçados, à falta de Barroso e na impossibilidade de Aznar. Não há ninguém que diga um ¿por qué no te callas tú? a Ferreira Leite?

Próximo MNE...

Tanto o PS como o PSD já têm cálculos feitos para as Necessidades. No PS há passadeira enganadoramente estendida, no PSD quem está ou se sugere na calha tem o perfil de uma província de Espanha... Adivinhem.