19 outubro 2009

NOTADORES@ Socorro!!!

@Do ministro plenipotenciário Subchefe de Posto:

Houve um tempo em que as NV faziam de "watch dog" das constantes manobras de atropelo que todos os dias se registam no MNE. Todavia, aquela vertente reduziu-se gradualmente, para dar espaço a intervenções mais ligadas ao âmbito da diplomacia pura e das relações externas.

Sem querer pôr em causa o interesse destas matérias, importa ter em conta que o MNE é feito sobretudo de pessoas, bens e recursos financeiros. São os recursos financeiros que permitem a aquisição de bens e a afectação de verbas para as missões que as pessoas desempenham.

É, por conseguinte, da maior importância que a gestão de recursos humanos, patrimonial e financeira seja alvo de debate, de crítica, designadamente por parte de NV.

Deve ser uma crítica construtiva, elegante, mas incisiva, pois deve expor a nu e a cru todas as deficiências do sistema, a fim de que, pelo menos, haja um espaço onde essa matéria seja evidenciada.

Subchefe de Posto, m-p

NV: Desconhecemos o comentário do Inpector Diplomático a isto. Mas fique descansado, embaixador José Luís Gomes, que NV jamé querem tirar-lhe o emprego! Socorro!!!

NOTADORES@ Um exemplo

@Do conselheiro de embaixada João de Grau:

... As Notas sobem de importância quando põem o dedo nas feridas, e há tantas no Ministério... cada vez mais.
As suas recentes intervenções sobre o Dr. Amado relançam o debate sobre o distanciamento entre o poder político, i.e., os gabinetes, e o resto da casa, tal ilha perdida nas intrigas palacianas, nos jogos de amizades, nas ridículas reuniões do Conselho Diplomático no qual, só para dar um pequeno exemplo, alguém (omissão de nome por asfixia) escarnece abertamente e sem qualquer receio dos seus pares naquele órgão, impondo o seu punho de género retorcido (omissão de género, por claustrofobia) que quer fazer valer à força os interesses pessoais nas promoções, nomeações e colocações de amigos e protegidos.

João de Grau, cons. enb.

NV: Obrigado pelo que diz das Notas, mas quanto ao desabafo, se é verdade, será que ninguém protesta pelos adequados canais diplomáticos?

BARÓMETRO/NV  Obama, termina hoje

    A sondagem NV sobre o nobel da Paz para Obama (por caso muito participada) fecha hoje. Participe, que em matéria de sondagens Portugal nunca perdeu nas contrapartidas...

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs Macacos

Quando se diz que há muitos macacos na carreira é sinal de que houve evolução da espécie.
- Manuel CCLII Paleólogo©

18 outubro 2009

Pequeno passo do protocolo, grande passo das Necessidades

Até que enfim e sem pré-aviso: um ficheiro de 300 páginas on-line com o corpo diplomático acreditado em Lisboa, lista de precedências, funcionários internacionais, elementos do protocolo português... Para começar não é mau sinal.

    Mas - há sempre um mas! - chamamos a atenção para a harmonização da grafia das palavras. Por exemplo, Benin e Benim: na pág. 32 está Benin e na pág, 294 está Benim, o que é relevante para a ferramenta de pesquisa... Ambas as formas são usadas, no entanto há que optar por uma num ficheiro deste género.

    Há mais, fica para mais tarde.

NOTADORES@ Oil

@Do embaixador jubilado, Zé Plauto:

Li com muita atenção na revista Sábado a matéria sobre o Progama das NU, bem escrita, e fiquei estupefacto com a justificativa do embaixador Monteiro para aceitação do cargo na SOCO International. Diz o meu ilustre colega que quando "as coisas apareceram" o presidente da SOCO lhe tinha garantido não ter cometido nada de ilegal.
E o relatório do comité independente sobre "as coisas"? O embaixador Monteiro não leu o relatório? Como é possível ele aceitar um alto cargo numa empresa directamente visada e inculpada em actividades ilícitas que não são meras coisas, num programa das NU a cuja comissão o próprio embaixador Monteiro presidiu?
Nota final: não conheço o despacho do procurador-adjunto José Lopes Ranito, citado na revista, mas acho estranho, muito estranho esse argumento da lacuna da lei.

Zé Plauto, emb

Sobre esta história do Oil

Sobre esta história do Oil e António Monteiro haverá Ponto Crítico.

Não residente? Sorria, está a ser fotografado

O prometido vai sendo cumprido: as cartas credenciais vão sendo postas em dia nas Notas Formais. Havia enorme atraso. E nisto a dificuldade de sempre: os curriculos dos novos embaixadores. As rotinas de divulgação do protocolo não devem andar muito longe dos anos 40 e 50 do século passado, limitadas, pois, ao envio de cópias "para os principais jornais da capital"... e não entram nos sites oficiais do MNE ou da Presidência. Enfim, já ter-se ultrapassado o telex, o telégrafo e até o pombo correio já é uma sorte. Em todo o caso, haja uma nota de boa disposição como é no caso dos embaixadores não residentes os quais, regra geral, em vez da cara de pau protocolar, preferem legar sorrisos para a posteridade nas fotos deferencialmente tiradas ao lado do Presidente da República que naturalmente fica contagiado.

Sorrisos por contágio. A partir da esquerda, os embaixadores não residentes da República Centro-Africana (Willybiro Sako), da Síria (Lamia Chakkour) e do Benim (Albert Agossou) com Cavaco Silva. O novos chefes de missão, na cerimónia das credenciais, usam fraque (equivalente) ou o traje nacional do país.


E quando foi da UNITA?

Não havia "vazio legal" para punição das violações da resolução de embargo à UNITA?

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs Oil-for-Food


Não há vazio legal* que não caiba no enchido da justiça.

- Manuel CCLI Paleólogo©

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* Sobretudo quando, como em Portugal, «não existe norma que puna como crime a violação de resoluções da ONU» ilibando quem violou...

17 outubro 2009

Sobre o Oil. E António Monteiro?

Perguntam sobre quais as exactas funções de António Monteiro no SOCO International presidido por Rui (Cabeçadas) de Sousa apontado no Relatório sobre o Oil-for-Food, programa da ONU a cujo comité Monteiro presidiu...

Aqui se reproduz o que o site da SOCO International diz sobre Monteiro que figura em 6.º lugar no Board of Directors:

6. Antonio Monteiro

    Non-Executive Director

  • A member of the Board of SOCO International since June 2009.
  • Over 40 years international diplomatic experience including three year's recent service as Portugal's Ambassador to France and posts in the Democratic Republic of Congo and Angola.
  • Formerly, the Foreign Minister of Portugal, the Portuguese Permanent Representative to the United Nations; President of the UN Security Council and High Representative of the Security Council for elections in Côte d'Ivoire.
  • Currently, a member of the Board of the Angolan Bank BPA (Banco Privado do Atlântico), a member of the Supervisory Board of the Portuguese Bank BCP (Banco Comercial Português) Millennium and a member of the Scientific Council of the Universidade Nova de Lisboa.

Portanto, está lá, no SOCO, desde Junho de 2009. Repete-se: Junho de 2009. Mas nada tem a ver com a colocação na disponibilidade (22 de Janeiro de 2009).

Onde está o "Relatório Oil-for-Food"?

Perguntam, segue a resposta. Basta clicar Relatório

Oil-for-Food. Mr. de Sousa

No relatório (623 páginas...) do comité independente de investigação sobre Programa Oil-for-Food, tal como Armando Carlos Oliveira, também Rui Cabeçadas de Sousa é citado, este último uma vez pelo nome completo, as restantes como Mr. de Sousa - abrir página no final. Citação também da SOCO Internacional em cujo site consta Rui (Cabeçadas) de Sousa actualmente à cabeça, como presidente não executivo, neste exactos termos:

1. Rui de Sousa
    Non-Executive Chairman

  • A member of the Board of SOCO International since July 1999 and Chairman of the Nominations Committee.
  • Currently, a director of Quantic Limited, a director of New Falcon Oil Limited, a director of Gazprombank-Invest (Lebanon) SAL and Chairman of Carbon Resource Management Ltd.
(clique para ampliar)

Com certeza, repete-se

Resposta a dois, cada um igual ao outro:

    Nuno Brito era o Administrador do Programa Oil for Food, cuja Comissão foi presidida por Antonio Monteiro!

    E qual será o problema de acrescentar que a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança (20011-2012) foi formalizada por António Monteiro no papel de MNE, e agora "desenvolvida" por Nuno Brito no papel de director político?

    Não é a isto que Luís Amado chama continuidade da política externa, mais o tal consenso e ainda mais a tal agenda externa consolidada?

Quem pode explicar o Oil for Food?

Será segredo de estado a razão pela qual Portugal se candidatou e foi eleito para dirigir o malfadado programa Oil for Food?

Quem melhor pode explicar isso do que António Monteiro que presidia ao referido programa, e Nuno Brito, actual director geral de Política Externa, e que foi administrador do mesmo programa quando era N.º 2 da representação portuguesa em Nova Iorque?

Aliás, António Monteiro presidiu igualmente ao Comité de Sanções ao Iraque, no período 1997-1998...

António Monteiro, oil for food, santo deus...

Na Revista Sábado, pelo jornalista Nuno Tiago Pinto, mais uma: «Em Junho passado, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (António Monteiro) foi nomeado administrador não executivo na Soco International, a empresa de que Rui (Cabeçadas) de Sousa é presidente não executivo».

Rui (Cabeçadas) de Sousa que, no âmbito do escândalo do Petróleo por Alimentos, «depois de ser acusado pela ONU de contrabandear petróleo do Iraque, foi ilibado pela justiça portuguesa por causa de um vazio legal»...

Ora, António Monteiro foi administrador do programa da ONU. É que não fica bem apenas, fica nuito mal.

E que vazio legal? «Em Portugal não existe norma que puna como crime a violação genérica de resoluções da ONU, por particulares, ou a violação concreta de resolução 661, do Conselho de Segurança da ONU», lê-se no despacho de arquivamento do DIAP. Portugal, portanto, paraíso penal.

Mais um forte argumento para justificar a candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança... Não será, Luís Amado?
    NV referiram-se a este escândalo em várias ocasiões, designadamente aqui, também por isto, por aquilo, e mais aquilo, havendo mais...

Cartas credenciais postas em dia

Por hoje e amanhã, em Notas Formais, iremos pondo as cartas credenciais em dia. As Notas Formais hão-de servir para alguma coisa.

    Começaremos pelas cartas entregues pelo novo embaixador chileno Fernando Ayala - 15 de Setembro, onde já vai...

Limpeza de gabinetes

Bem! Por aquilo que foi notado, se os do terceiro andar estão a ser limpos, é sinal do* que, ou de que tinham muito pó.
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* do e não de

Prova dos nove...

Luís Amado, pergunta-se:

    Quer fazer a prova dos nove à soma das parcelas do discurso redondo e das afirmações peremptórias com incidência ao quadrado? Faça um blog, mesmo que seja um blog a imitar o de Miliband...

Uma santa vida, a vida à século XIX

Na nossa janela Por Troca de Notas (coluna à direita), há uma boas horas que permanece o alerta para a mais recente entrada no blog do embaixador britânico no Brasil, Alan Charltonl, precisamente a propósito do seu próprio blog…


    Diz o diplomata que a sua embaixada aproveita as novas possibilidades da internet para se conectar aos brasileiros e que a sua equipa de Comunicação usa Youtube e Flickr, e ele mesmo escreve o blog e usa o Twitter. E conclui (sic): Estamos aprendendo a utilizar essas ferramentas. Não é brincadeira. Cada ação deve ter uma meta clara e uma audiência determinada. Ao mesmo tempo, é preciso experimentar para ver o que produz impacto e com quais pessoas. Não faz sentido se estamos falando com nínguem!
Ora aí está – a maior parte, a esmagadora, a quase totalidade dos embaixadores portugueses que o estado paga pelo mundo fora, esses é que estão «falando com ninguém». É o que se chama uma vida à século XIX!

Para quem ainda não clicou na coluna,
vale a pena ler o que o embaixador Alan Charltonl escreve

Sobre os consensos...

Luís Amado, pergunta-se:

    Tornou-se rotineira a afirmação do ministro sobre a necessidade de consensos partidários em matéria de política externa... Consensos ou silenciamentos? Não haverá por aí uma ligeira confusão de termos? É que em terra de mudos quem diz uma sílaba é rei.

Barroso fala...

...fala para portugueses como se fosse uma figura consensual, e logo, com paternalismo, conselheiral, sem mácula. Fala à vontade como o tal maratonista isolado à frente com os adversários a perder de vista. E não deixa de ser reconfortante ouvi-lo a elogiar Obama e a concordar com o nobel da paz para Obama - evoluiu dos tempos do seguidismo de Bush. É reconfortante.

O fundo da língua...

Luís Amado, pergunta-se:

    Como é que foi possível o fundo para a língua portuguesa acabar sob gestão do IPAD e dependente de uma «comissão interministerial», como se isso fosse mais um programa do género do programa allgarve?

Lema de cabeceira

«À máquina tudo o que seja problema da máquina», será o lema de cabeceira do ministro enquanto maquinistas que sabem muito, lhe garantem que a máquina ainda não gripou...

Amado, na ordem do dia

É claro que Amado-sim, Amado-não, está na ordem do dia. Sem dúvida que na imprensa, rádios e televisões, ou melhor dito, na Lusa, Amado passa bem. Mas acabámos agora mesmo de responder a um Notador estreante que se o MNE fosse da Agricultura, há muito que os tractores estariam a entupir o Rilvas e que a entrada do Protocolo mais pareceria uma caixa de compostagem.

E isto a propósito da forma como o MNE, com o conhecimento e cumplicidade do ministro que é de estado, se tem comportado no procedimento administrativo, a propósito do que acontece no conselho diplomático e nos patamares autonómicos da hierarquia da casa que se beneficiam e glorificam do alheamento táctico do ministro, mas sobretudo a propósito dos níveis de intriga, de nepotismo e de falta de transparência que ferem o lombo mais sadio da carreira diplomática.

DISPENSAs & PRIVILÉGIOs

Haverá ministros que têm de decidir de uma vez por todas, antes de andarem por aí a migrar: ou são do círculo da Europa ou do de fora da Europa...
- Manuel CCL Paleólogo©

16 outubro 2009

Nada invalida perguntas a Amado

    Mais uma perguntas a Luís Amado, amanhã e domingo. Nada invalida a desgraça das respostas. Não se trata de campanha contra, como muitos nos têm transmitido com apreensão. Trata-se apenas de deixar claro que Luís Amado, desde que tomou em mãos as Necessidades, tem conseguido passar ao lado dos problemas, evitando-os ou por ricochete devolvendo-os «à máquina», mas se, por acaso ou por premência, Luís Amado continuar no palácio, essa táctica de sobrevivência política (não chega a ser estratégia) não vai resultar. Não vamos dizer que todos os dias serão um fracasso, mas que estamos em crer que nem por deferência e muito menos por pudor os fracassos serão dissimulados ou «relativizados», como agora se diz. Freitas conheceu isso em pouco tempo, o próprio Jaime Gama a tempo disso se apercebeu e, é bem verdade, quase todos os outros nem tiveram tempo.

Comentadores armados aos cucos

VAI EM SETE MNE's Sempre foi mais ou menos assim nos momentos ou fases de formação de novos governos, mas agora está a ser demais. Ou seja na televisão, ou seja nas rádios, lá vem um comentador de barrela a ufanar-se com aquele "ontem encontrei-me com Sócrates e eu bem lhe disse que...", ou outro a garantir que "pelas conversas que eu tenho mantido com Cavaco, sou levado a pensar que..."

O que espanta é que a maior parte dessa gente vem toda do jornalismo profissional onde, outrora que não é de há muito tempo, cairia no ridículo quem se armasse aos cucos.

Bem contados, por via dos cucos, já tomaram posse sete ministros de Estrangeiros, e Amado já entrou e saíu quatro vezes.

Não vá algum dos tais chineses ler isto!

Cópia de circular assinada pelo subdirector-geral dos Assuntos Consulares, João Teotónio Pereira, relativa a matéria sem melindre (planeamento da formação consular e diagnóstico de necessidades de formação) expedida por fax - tudo bem até aqui. Só que, contra as normas de segurança de redes privativas (e então as do estado!) , no final do ofício revela-se o endereço IP da intranet consular, o qual, naturalmente, ocultamos não vá algum chinês ler isto...

Clique na imagem para ampliar, ver e crer

Sem ironia mas apenas por coincidência mal limada, a cópia da circular foi-nos entregue num discreto café da Avenida de Roma por uma «fonte excelente», como agora se diz.