11 maio 2013

60 diplomatas em idas e voltas

22 abaladas

  • cons-emb Cristina Pucarinho, → Missão Permanente junto da ONU, Nova Iorque
  • cons-emb Manuela Teixeira Pinto → na Missão Permanente junto dos NUOI, Genebra ( ← diretora de serviços das Organizações Políticas Internacionais)
  • cons-emb Maria de Fátima Andrade Mendes → cônsul-geral em Lyon (← diretora de serviços de Vistos e Circulação de Pessoas)
  • cons-emb Maria João Urbano → cônsul-geral em Vancouver (← chefe de Divisão de Cifra)\
  • cons-emb João Pedro Fins do Lago → cônsul-geral em Xangai
  • cons-emb José Pedro Marinho da Costa → cônsul-geral em Marselha (← diretor de serviços de Cerimonial, Deslocações, Dispensas e Privilégios)
  • cons-emb Vítor Castanheira Marcelino → Delegação Permanente junto da OSCE
  • 1.ª sec-emb Ana Sofia Barros → Embaixada em Madrid
  • 1.ª sec-emb Lina Isabel Mota → Embaixada em Varsóvia
  • 1.ª sec-emb Marta Ribeiro Cowling → na REPER, em Bruxelas ( ← chefe de divisão de Desarmamento e Não-Proliferação de Armas Ligeiras e de Destruição Maciça)
  • 1.ª sec-emb Domingos Melo e Alvim → Embaixada na Haia ( ← chefe de divisão dos PALOP e da África Austral)
  • 1.ª sec-emb Paulo Teles da Gama → cônsul-geral em Barcelona
  • 1.ª sec-emb Pedro Troni Carneiro → cônsul em New Bedford
  • 2.ª sec-emb Gonçalo Soares Silvestre → Embaixada em Washington
  • 2.ª sec-emb Ivo Fernandes Inácio → Embaixada em Berlim
  • 2.ª sec-emb João Pedro Carvalho → Embaixada em Tóquio
  • 2.ª sec-emb Nuno Lopes Cabral → Missão Permanente junto dos NUOI, Genebra
  • 3.ª sec-emb Ana Filipa Barreiros → Embaixada em Adis Abeba
  • 3.ª sec-emb Susana Sabrosa Audi → cônsul-geral adjunta no Rio de Janeiro
  • 3.ª sec-emb Fernando Alves Morgado → Embaixada em Argel
  • 3.ª sec-emb João Ricardo Mendes → Embaixada na Cidade da Praia
  • 3.ª sec-emb Nuno Santos Félix → Embaixada em São Tomé

17 saltos no exterior

  • cons-emb Maria da Conceição Pilar Dias, de cônsul-geral em Marselha → Embaixada na Cidade da Praia
  • cons-emb Maria Leonor Penalva Esteves, da Embaixada em Liubliana → para a Embaixada em Bucareste
  • cons-emb Carlos Sousa Amaro, de cônsul-geral em Vancouver → cônsul-geral em Manchester
  • cons-emb Eduardo Fernandes Ramos, da Embaixada em Berlim → Embaixada em Pequim
  • cons-emb Luísa Pais dos Santos Lowe, da Embaixada em Washington → cônsul-geral em Hamburgo
  • cons-emb Manuel Grainha do Vale, de cônsul-geral em Manchester → Embaixada em Atenas
  • cons-emb Miguel Calheiros Velozo, da Embaixada em Praga → cônsul-geral em Genebra
  • cons-emb Paulo Ferreira Chaves, da Embaixada em Tóquio → Embaixada em Nova Deli
  • 1.ª sec-emb Lídia Nabais da Silva, da Embaixada em Argel → Embaixada em Paris
  • 1.ª sec-emb João Shearman de Lemos Macedo, da Embaixada em Pequim → Embaixada em Dublin
  • 2.ª sec-emb Ana e Brito Maneira, da Missão Permanente junto dos NUOI, Genebra, → Embaixada em Pretória
  • 2.ª sec-emb Cláudia Sofia Gonçalves, da Embaixada em Caracas → REPER, Bruxelas
  • 2.ª sec-emb Maria Inês de Almeida Coroa, da Embaixada em Harare → Missão Permanente junto da ONU, Nova Iorque
  • 2.ª sec-emb Maria João Coutinho, da Embaixada em Nova Deli → Missão Permanente junto da ONU, Nova Iorque
  • 2.ª sec-emb Raquel Morais Chantre, da Embaixada na Cidade da Praia → Embaixada em Viena
  • 2.ª sec-emb Rosa Futscher Pereira Podgorny, da Embaixada em Paris → Embaixada em Santiago do Chile
  • 2.ª sec-emb Hernán Leandro Amado, da Embaixada em Budapeste → Embaixada em Tripoli

21 regressos à base

  • cons-emb Cláudia Spínola Boesch, ← Representação Permanente junto da OSCE
  • cons-emb Susana Vaz Patto ,← da Missão Permanente junto da ONU
  • cons-emb António Carvalho Barroso, ←cônsul-geral em Lyon
  • cons-emb Carlos Macedo Oliveira, ←cônsul-geral em Genebra
  • cons-emb José Manuel Santiago, ← Embaixada em Atenas
  • cons-emb Luís Gaspar da Silva, ← Missão Permanente junto da ONU
  • cons-emb Luís Ribeiro Cabaço, ← DELNATO, em Bruxelas,
  • cons-emb Mário dos Santos Miranda, ← Missão Permanente junto dos NUOI, Genebra, (representante permanente adjunto)
  • cons-emb António Chrystêllo d'Oliveira Tavares, ← cônsul-geral em Valência,
  • 1.ª sec-emb Beatriz da Silva Moreira, ← Embaixada em Santiago do Chile,
  • 1.ª sec-emb Márcia Gomes de Almeida, ← Embaixada em São Tomé,
  • 1.ª sec-emb Maria da Graça Costa Macedo, ← Embaixada em Madrid,
  • 1.ª sec-emb Sara Batoreo Lemos Crespo, ← REPER, Bruxelas,
  • 1.ª sec-emb Bruno Pais Moreira, ← Embaixada em Dublin,
  • 1.ª sec-emb Eduardo da Silva Rafael, ← Embaixada em Varsóvia,
  • 1.ª sec-emb Luís Borralho Sequeira, ←Missão Permanente junto do Conselho da Europa, Estrasburgo
  • 1.ª sec-emb Manuel André Cordeiro, ← Embaixada em Viena
  • 1.ª sec-emb Miguel Cruz Silvestre, ← Embaixada em Adis Abeba
  • 2.ª sec-emb Graça Araújo Fonseca, ←cônsul em New Bedford,
  • 2.ª sec-emb Joana de Araújo, ← REPER, em Bruxelas
  • 2.ª sec-emb Mafalda Groba Gomes, ← Embaixada na Haia,

10 maio 2013

Pacote diplomático

Colocações, transferências no exterior, nomeações, regressos aos serviços internos... a folha oficial dá hoje por consumado o destino de mais uns três, quatro anos para muitas vidas. Verdadeiro pacote.

09 maio 2013

Europa, que dias

Não há muita Europa a celebrar enquanto a União Europeia tiver um buraco negro que é a região do seu espaço da qual nada, nem mesmo objetos que se movam na velocidade da União, pode escapar.

O MNE e os 11,71% dos votos

O Palácio das Necessidades obviamente que esteve sempre politizado, mas raramente partidarizado de forma impresiva. Ministros oriundos de partidos, uns mais outros menos, esforçaram-se por compatibilizar funções de soberania com interesses de grupo político organizado. Embora não esteja escrito, um MNE assumia-se quase como órgão unipessoal, acima de querelas e mesmo nos ministros mais polémicos notava-se algum esforço constante em salvar as aparências. Era o costume da casa, costume que se transmitia, na primeira linha, aos chefes de missão nomeados e exonerados pelo Presidente da República. Os ministros, uns após outros, foram apanhando essa boleia institucional, mais de isenção do que de distanciamento. À exceção de algumas inadvertências, prontamente escrutinadas pela hierarquia da carreira ou queimadas pela pressão de corredores e gabinetes, os ministros entraram sabedores ou foram aprendendo que mexer em melindrosas questões implicando a imagem externa do Estado, a unidade da sua ação e a dignidade da representação, exigiam sobrevoo das vicissitudes governamentais e o isolamento possível das contradições domésticas que o naipe de ministérios inevitavelmente acaba por sugerir. Assim foi em governos de maioria, em governos de minoria suportada por milímetros parlamentares e em governos de coligação.

Com Paulo Portas, ministro de Estado como os três antecessores e dos Negócios Negócios Estrangeiros com o peso simbólico e funcional que o cargo acarreta, iniciou-se um ciclo inédito. O Palácio das Necessidades ficou refém punido pelas marcações partidárias da coligação. É um Ministério do CDS, e punido na hierarquia do governo não por ser do CDS ou por Paulo Portas ser o ministro mas por ter sido reduzido a mera cabeça de S. João Batista numa bandeja à disposição de Herodes. Com funções de soberania, com túnel direto para Belém na representação do Estado e principal ator da execução da política externa, da cooperação para o desenvolvimento, da ligação às comunidades portuguesas no mundo, e da coordenação das ações externas dos outros ministérios. é número três, três que quase sempre parece cinco. Não é uma questão de punhos de renda que está e causa, o que está em causa é a desgraduação política do Ministro de Estado que, independentemente dos 11,71% em valor eleitoral fungível é a condição sine qua non da coligação, e desgraduação dos Negócios Estrangeiros para arvorar a secção governamental de guarda-livros.

Paulo Portas, como chefe de um ramo da coligação, das duas uma: se fala das questões domésticas, partidariza inevitavelmente o MNE; se está calado sobre Negócios Estrangeiros, eterniza e aprofunda a desgraduação. Nenhum dos antecessores de Paulo Portas passou por esta incomodidade.

08 maio 2013

Edifício que não passa do rés-do-chão

Entrou em vigor, dia 5, o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, aprovado em Nova Iorque, a 10 de dezembro de 2008. Condição para a entrada em vigor, dez estados que o ratificassem. Segundo nota do MNE "o Governo português congratula-se por ter contribuído, de modo decisivo", para a entrada em vigor desse protocolo, porquanto "Portugal promoveu empenhadamente este Protocolo Facultativo desde a sua génese, tendo estado na origem das decisões das Nações Unidas que levaram à sua elaboração". Mais: "Tivemos um papel de liderança durante o processo de negociação e aprovação do mesmo. Fomos o primeiro Estado a assinar o Protocolo, a 24 de setembro de 2009 e o nono a depositar o instrumento de ratificação", o que fez a 28 de janeiro deste ano. Diz ainda a nota que "Portugal atribui a maior importância à universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos, sejam eles civis, culturais, económicos, sociais ou políticos" e que o protocolo "constitui um marco fundamental que reforçará o edifício jurídico internacional na área dos direitos humanos ao instituir um mecanismo de queixas individuais sobre violações de direitos económicos, sociais e culturais".

Ponto de situação do protocolo

  • 42 Estados assinaram (curiosamente, Brasil e Angola estão fora, casos também da Alemanha, China, EUA, Rússia, Índia...)
  • 10 Estados ratificaram (Argentina, Bolívia, Bósnia, Equador, El Salvador, Eslováquia, Espanha, Mongólia, Portugal e Uruguai)

Nos termos do protocolo
  1. As queixas podem ser submetidas por ou em nome de indivíduos ou grupos de indivíduos, sob a jurisdição de um Estado Parte, que aleguem serem vítimas de uma violação, por esse Estado Parte, de qualquer um dos direitos económicos, sociais e culturais enunciados no Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais
  2. A admissibilidade das queixas pelo Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais só poderá ocorrer após o comité se ter assegurado de que todos os recursos internos disponíveis do Estado visado  forem esgotados. No caso português, bem se pode esperar uma vida

O Ministro Tântalo

A "política externa" portuguesa, à evidência, está presa por fios ao memorando a que uns tantos dão o nome refranizado de pacto de agressão, outros a designação equivalente a dobrar o Bojador da bancarrota, e que ainda outros erguem em glória como jazigo de Excel nos Prazeres. Sem direito ao título que corresponde ao exercício do cargo, o Ministro das Finanças é deveras o Ministro dos Negócios Estrangeiros, sobrando para o ministro que tem o título sem poder exercer o cargo na plenitude, as funções de diretor-geral, alguns discursos bilaterais condicionados pelo exame prévio das almejadas trocas comerciais vantajosas, alguma oratória esmoler de investimentos estrangeiros, e figura de corpo presente quando os deveres de representação a impõem de preferência sorridente. Pouco mais do que isso inspira ou suporta a ação diplomática, sendo que também isso fixa as margens da atividade externa do Estado, as balizas das instruções para as chancelarias, e as bitolas do suplício de Tântalo a que um virtual Ministro dos Negócios Estrangeiros se vê sentenciado no cumprimento da pena de ser Ministro do Comércio Exterior sem economia. Como no mito que aparece nos versos do Canto XI da Odisseia de Homero, é o sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável. A responsabilidade pelo facto da política desaparecer, não é do ministro, é própria do suplício. Fosse quem fosse, nessa condenação, passaria pelo mesmo. Da política externa portuguesa, desapareceu a política. Retomando o mito, num vale abundante em vegetação e água, o ministro Tântalo foi sentenciado a não poder saciar a sua fome e sede, pois, ao aproximar-se da água esta escoa e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos movem-se para longe do seu alcance sob a força do vento.

07 maio 2013

Luís Amado, ponto final.

A intervenção do ex-MNE Luís Amado no programa Prós e Contras da RTP1, nem foi pró nem foi contra - foi vira-casacas. E foi assim que o ex-MNE estragou em dois minutos a imagem de coerência e seriedade que fez por inculcar ao longo de anos e anos no poder e em vários estrados. Se assim pensa, porque é que Luís Amado não se demitiu de algum dos cargos num momento em que ninguém lhe chamaria vira-casacas?

03 maio 2013

Acordo Ortográfico. Em casa de ferreiro, espeto de pau

Nas regras fixadas para a prova de Língua Portuguesa, segundo a nota do presidente do júri, embaixador Fernandes Pereira, "solicita-se a especial atenção dos candidatos para o facto de que o enunciado da prova está redigido em conformidade com o Acordo Ortográfico, no cumprimento da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de janeiro". Mas, logo a seguir, cumprindo sem cumprir, lá está escrito que "os candidatos poderão no entanto, nas suas respostas, utilizar a ortografia conforme o Acordo Ortográfico ou, em alternativa, a ortografia em vigor antes daquele Acordo mas terão, coerentemente, de respeitar o sistema ortográfico que houverem adotado ao longo da prova escrita de língua portuguesa". E para que não haja dúvidas quanto ao espeto de pau em casa de ferreiro, segue-se a admoestação: "as penalizações por eventuais erros de ortografia serão baseadas nas regras de um ou do outro sistema ortográfico que a candidato tiver expressamente escolhido no enunciado da prova, no espaço reservado para o efeito, devendo assinalar com um X a ortografia adotada"...

Primeiro, não há dois "sistemas" ortográficos e o Acordo em vigor não introduziu um sistema novo. Segundo, o ajuste oficialmente em vigor, manda o bom senso, o razoável gosto e a cultura geral tolerante, não pode nem deve considerar como erro a escrita, no todo ou em parte, segundo o anterior ajuste. Erro será a escrita que nenhum dos ajustes tolera, e apenas neste caso erro. Terceiro, num concurso oficial, para mais dentro do Ministério dos Negócios Estrangeiros, ou se cumpre ou não se cumpre. À la carte é que não e com ameaças de penalização do que, pelo anterior ou pelo novo ajuste, não é nem pode ser considerado erro.

Destaque-se

DEFENDE PAULO MORAIS

Crise foi provocada pela corrupção, não pelos excessos

por Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca
Crise foi provocada pela corrupção, não pelos excessos
Fotografia © Ricardo Junior/Global Imagens

O vice-presidente da Associação de Integridade e Transparência, Paulo Morais, garantiu hoje que a crise económica em Portugal não se deve ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, mas aos fenómenos de corrupção.

"Há duas mentiras que têm sido repetidas na sociedade portuguesa: que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades e que não há alternativa à austeridade para expiarem os pecados (que não cometeram)", disse.
Segundo Paulo Morais, que falava sobre a "Origem da Crise" numa conferência sobre o modelo do Estado Social, promovida pela Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, "grande parte da divida pública e privada é fruto da corrupção e não dos alegados excessos dos portugueses".
Paulo Morais destacou o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública e lembrou que 68% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária, salientando que só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses.
Os resultantes 15% da divida privada, disse Paulo Morais, correspondem a todo o dinheiro disponível na banca para apoiar a economia portuguesa, que considerou insuficiente.
Para o antigo vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, a verdadeira explicação para a crise em Portugal está nos fenó9menos de corrupção na administração central e local, que têm permitido a "transferência de recursos públicos para grandes grupos económicos".
"Seis a sete por cento dos recursos do Orçamento de Estado vão para grandes grupos económicos", disse Paulo Morais, referindo o grupo Espírito Santo, o grupo Mello e o grupo Mota Engil, como alguns dos principais beneficiários.
"Em 2011, as PPP custaram 1.700 milhões de euros, ou seja, mais do dobro dos 799 milhões de euros que estavam previstos inicialmente", disse Paulo Morais, considerando incompreensível que tivesse havido um desvio com um custo superior ao preço que estava inicialmente previsto.
"O que o Estado pagou a mais às PPP só é possível porque a sede da política - Assembleia da República - está transformada num centro de negócios", disse.
Como exemplo da gestão danosa dos dinheiros públicos, Paulo Morais referiu uma fórmula de cálculo inserida no contrato de uma PPP, numa auto-estrada em Viana do Castelo, em que o concessionário paga multas, ou recebe prémios do Estado, em função da taxa de sinistralidade.
"Se a sinistralidade aumentar 10%, o concessionário tem de pagar uma multa de 600 mil euros, mas, se houver uma redução de 10% na sinistralidade, o Estado tem de pagar à empresa 30 milhões de euros", disse.
"Quem assinou o contrato, só por isso, devia estar preso", sentenciou.
Referindo-se à nacionalização do BPN, Paulo Morais lembrou que o anterior governo socialista nacionalizou apenas os prejuízos, que estão a ser pagos pelo povo português, e permitiu que os acionistas da SLN - Sociedade Lusa de Negócios (agora com o nome Galilei), detentora do banco, ficasse com os ativos e com todas as empresas lucrativas.
Paulo Morais garantiu, no entanto, que "se houver vontade política e se a justiça atuar como deve, o Estado ainda pode recuperar três ou quatro mil milhões de euros, através dos ativos do grupo Galilei e das contas bancárias dos principais acionistas".
A aquisição de dois submarinos à Alemanha é, segundo Paulo Morais, mais uma caso de "corrupção comprovada", não pelos tribunais portugueses, mas pelos tribunais da Alemanha.
"Na Alemanha há pessoas [acusadas de corrupção] a dormirem todos os dias na cadeia", disse.

02 maio 2013

Mais concurso, dia 18 e entrada por código postal

Os 42 candidatos e 2 candidatas que se salvaram do tsunami de cultura geral, têm duas provas de línguas já marcadas para dia 18 deste mês de maio. Entram pelo Largo do Rilvas, e, ao entrarem, cuidado que a convocatória indica que o devem fazer pelo código postal 1399-030... Prova de Língua Portuguesa das 9:30 às 11:00, e prova de Língua Inglesa das 11:30 às 13:00. E de cada uma destas provas se salvarão se obtiverem classificação de 14 valores no mínimo.

Com essa de "com entrada no largo do Rilvas, 1399-030", é caso para perguntar: Você vai em correio normal ou por correio azul? 

Incomodidade da diplomacia espanhola

Será muito difícil à diplomacia espanhola explicar ao México um voto no candidato do Brasil ao cargo de diretor-geral da OMC. E mais difícil será explicar ao Brasil um voto no candidato mexicano, até porque esta eleição em Genebra é já coisa emblemática para a diplomacia brasileira. Com tanto pregão quanto a exclusividade da "representação da UE na América Latina" e "representação da América Latina na UE", Madrid está numa situação incómoda, pois diplomacia não é propriamente uma Dulcineia.

OMC. Dois na final, Portugal apoia candidato do Brasil

Voto de Lisboa em Genebra para o embaixador Carvalho de Azevêdo
Em Genebra, começou hoje a última ronda da disputa do cargo de diretor geral da Organização Mundial do Comércio, entre dois candidatos finais apurados a 26 de abril – o embaixador brasileiro Roberto Carvalho de Azevêdo e o ex ministro mexicano do Comércio e Indústria, Herminio Blanco. Um e outro procuram obter o maior número de votos possível da Europa, Estados Unidos e Canadá por entre os 159 representantes que, o mais tardar a 31 de maio (pode ocorrer antes), no órgão decisório de mais alto nível da organização (Conselho Geral) adotarão a decisão final. Portugal deu público apoio à candidatura do embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo.

O candidato brasileiro não é consensual por entre os estados da União Europeia, havendo sinais de que Canadá e EUA também se inclinarão pelo ex-ministro mexicano, para suceder a Pascal Lamy, quinto diretor-geral da OMC e a terminar um segundo e último mandato de quatro anos. O sucessor de Lamy tomará posse a 31 de agosto.

O "quadro europeu" de Van Rompuy

Imagine-se alguém que consegue a proeza de ser António José Seguro a apoiar Passos Coelho. Esse é Herman Van Rompuy.

Idas e voltas

O presidente da AICEP tem a vida facilitada. O ministro faz por ele, até porque pouco mais pode fazer do aquilo que um presidente da AICEP pode fazer só por si.

Trabalhos diplomáticos

Se grande parte do trabalho diplomático acaba por se refletir na folha oficial, então ou isso anda aí pelas gavetas da AR ou o trabalho do MNE anda muito por baixo...

MNE sem agenda pública

O site oficial do MNE continua sem agendas. Nem agenda do ministro, nem dos secretários de Estado. O velho hábito: divulga-se através de "antenas" o que, para cuidar da imagem, convirá divulgar, e quem divulga, consegue afirmar sem desplante que sabe alguma coisa de mera agenda, apurando de fonte oficial...

Ministro e secretários de Estado tratam as suas agendas públicas como se fossem propriedade privada.

Saiba VEXA que Cultura Geral é...

Quanto a um dito por aí produzido, reiteramos a VEXA que Cultura Geral é saber-se que o Estado Indiano, para o qual Portugal cria um consulado honorário, se chama Tamil Nadu, e ausência de cultural geral é deixar que esse mesmo Estado chegue à folha oficial com o nome Tamil Tadu, pela mão de dois ministros e um diretor de departamento geral do MNE, pelo menos.

Presidente ou Cabide da União Europeia

Herman Van Rompuy lá desceu hoje a Belém
Não tem nada, mesmo nada que ver com a pessoa que é Herman Van Rompuy, só que pelo que se tem visto, ouvido, saboreado, cheirado e palpado, o Presidente do Conselho da União Europeia, até agora, tem sido o seu cabide.

Concurso, bons almanaques

... nem se percebe porque é que, por entre o enunciado da prova de cultura geral, não constou uma pergunta sobre a fórmula de Euler, outra sobre se a Berlenga Grande tem 0,788 km2 ou isso mais dois palmos de testa, e ainda outra pergunta sobre se a data de aniversário do ministro dos Estrangeiros é antes, coincidente ou depois da data do das Finanças... Com tais perguntas, em vez dos 44 apurados, ficariam exatamente e apenas os 20 necessários para o preenchimento das vagas.

É evidente que o enunciado feito por Letras, cujos catedráticos, assistentes e alunos, em seguramente em 97%, não sabem concertar um casquilho fundido, é um monumental disparate como prova de "cultura geral". Uma prova de Cultura Geral não é charadismo e para respostas ao calhas. É um amontoado de perguntas de almanaque, desses amontoados próprios para concursos de TV. Selecionaram-se almanaques.

30 abril 2013

Grande momento

Cavaco Silva vai receber a 2 de maio (10:00), em audiência, o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

O rei da Holanda, porquê?

O Presidente da República enviou uma mensagem ao novo monarca dos Países Baixos, formulando "sinceros votos de esperança neste significativo momento de renovação geracional, que, seguramente, marcará a História do Seu País". Na mesma mensagem, endereçou um convite para o monarca efectuar uma Visita de Estado a Portugal, em data a acordar através dos canais diplomáticos.

Sabe-se muito bem como o rei holandês pouco conta nas decisões do seu país, designadamente no quadro da União Europeia, e sabe-se como este agora investido ainda menos quer contar, tanto que até prescinde do tratamento de "majestade". A Portugal, o que interessará, é a visita do primeiro-ministro. A visita do monarca terá apenas um brilho protocolar proporcional ao brilho que o sol provocar na calçada entre Belém e a Ajuda, pelo que Portugal, nas presentes e próximas circunstâncias, não se pode dar ao luxo de brincar às cortes europeias e a cerimoniais sem fundamento bastante. Na expressão tão ao gosto de Cavaco Silva, não ganhamos um cêntimo com isso, a não ser que o rei holandês vá às compras ao Pingo Doce.

13 louvores, copy and paste

À saída, o anterior Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Brites Pereira, distribuiu 13 louvores, a começar pelo seu chefe de gabinete, secretário de embaixada João Martins de Carvalho. E não esteve para exercícios de estilo e recurso a sinónimos que por vezes nos louvores funcionam como antónimos. A todos e a cada um manifestou "reconhecimento pela inexcedível competência profissional, zelo, lealdade e dedicação" no exercício das funções, e disse que cada um "soube aliar qualidades pessoais que contribuíram para um bom e muito produtivo ambiente de trabalho e para que o exercício da ação governativa fosse realizado com elevado sentido de ética, rigor e profissionalismo". Copy and paste.

MNE e Finanças inventam Estado indiano

A folha oficial publica hoje que, por despacho dos ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, foi criado "o Consulado Honorário de Portugal em Chennai, com jurisdição sobre o Estado de Tamil Tadu, dependente da Embaixada de Portugal em Nova Deli". Só que esse Estado de Tamil Tadu não existe, o que existe é o Estado de Tamil Nadu... Chamar Tadu ao que é Nadu equivale a hastear uma bandeira ao contrário num Estado que tem 65 milhões de habitantes, é um dos estados de vanguarda no país em termos de desenvolvimento geral, e cuja capital, Chennai (outrora, Madrás), tem cerca de 7 milhões. Mas, enfim, o MNE e as Finanças lá sabem que estados andam a criar na Índia. Nenhum exotismo perdoa o laxismo.

29 abril 2013

Teoria Geral de Protocolo

A comenda exprime
 "a alma da nação portuguesa"...
A propósito da condecoração (hoje, em Belém) de José Avelino Bettencourt, monsenhor luso-canadiano atualmente chefe de protocolo do Vaticano, com a comenda da Ordem de Cristo, ocorreu a Cavaco Silva referir com total originalidade que numa "Santa Sé milenar, o chefe de protocolo assume uma grande responsabilidade". E isso, porque o protocolo "é um instrumento da maior importância na política externa e na diplomacia" e "dá solenidade aos diferentes atos".

Desta teoria geral, 50% era até agora do desconhecimento milenar, e dos outros 50% ninguém também até agora se tinha apercebido da importância do instrumento.

A completar esta teoria geral, o padre condecorado disse sentir que a comenda que lhe foi conferida exprime "a alma da nação portuguesa", assim mesmo. Há muito que, num ambiente protocolar, não se ouvia falar da alma da nação, expressão que outrora não se confinava a uma mera comenda, era um regime inteiro e que regime!

Embaixador em Kinshasa

O Embaixador João Côrte Real, recebeu hoje em Belém as cartas credenciais como representante diplomático de Portugal em Kinshasa. A foto está no ÁLBUM

Unanimidade nas chancelarias em Lisboa

As chancelarias estrangeiras que reportaram de Lisboa para as suas capitais, o discurso de Cavaco, revelaram unanimidade no uso de uma expressão: "O Chefe de Estado português endereçou neste 25 de Abril a Mensagem de Ano Novo. Ninguém, neste esquisito país, notou o atraso de quatro meses".

As mesmas palavras...

Cavaco Silva diz que as palavras que usou no discurso de 25 de abril foram exatamente as mesmas que usou na sua mensagem de ano novo... "Se bem notaram, muitos nem perceberam que eu tinha utilizado precisamente as mesmas palavras que tinha utilizado na mensagem de ano novo. Distrações", afirmou. Portanto, desde que haja a "arte" de usar apenas as mesmas palavras que possam ser ditas seja num batismo, seja num enterro, o discurso ficará salvo seja também pertante cangalheiros, seja perante risonhos padrinhos.

De facto, vem de longe. Nas visitas oficiais, Cavaco usa sempre as mesmas palavras, à exeção do nome da capital onde fala e do Chefe de Estado a qual se dirige.

Resultado do barómetro. Vale o que vale, mas...

Almeida Leite, boa escolha? Terminada a consulta, por acaso muito participada, eis os resultados:

Boa: 6,45%. Tanto faz: 6,45%. Má: 87,10%.