18 junho 2004

O inevitável escrutínio da Europa

Mesmo nesta periferia que é Portugal, a partir de agora passa a ser obrigatória a reflexão crítica sobre a Europa, quer o Conselho Europeu consiga entender-se ou não sobre os dois temas dominantes (Constituição e presidente da Comissão). Na UE a 15, as questões europeias entravam ainda no domínio da confiança concedida quase automaticamente a governantes e representantes nacionais. Na UE a 25, esse ponto de tolerância chegou ao fim. Em pouco tempo, uma sucessão de actos e omissões provou já que esta UE não pode ser meramente observada com lassidão ou, quando muito, romanticamente avaliada nos paraísos académicos, agora impondo-se, pelo contrário, que seja ampla e permanentemente escrutinada.

Sim, o endereço Correspondente Europeu em breve sairá da fase experimental.

Regressam os vistos para os EUA

Os cidadãos dos 27 países do Visa Waiver Program, detentores de passaporte sem leitura óptica, critério norte-americano que inclui Portugal desde 1999, apenas poderão entrar nos EUA, a partir de 26 de Outubro deste ano, mediante visto.

Portugal já teve mais do que tempo para resolver a questão dos passaportes.

Vitorino. E agora?

E agora. António Vitorino? Refém do último minuto?

Resposta para todos...

Resposta para os 54 e-mails de hoje e até agora sobre a matéria: já em Novembro NV disseram que Martins da Cruz ficaria na calha para comissário em Bruxelas. E sobre Manuela Ferreira Leite - FMI.

Simoneta Luz Afonso. Parabéns!

Simoneta Luz Afonso, parabéns.

Cesário, em Londres: vai inaugurar uma mudança de casa…

Depois da visita à Austrália, uma peculiar inauguração de Cesário em Londres, dia 23 (quarta-feira): vai inaugurar… uma mudança de casa feita há dois meses!

O assunto está em Comunidades Portuguesas.

Só que Teresa Gouveia...

... sim, garante-me quem se afirma em condições de garantir: Teresa Gouveia não aceita a pasta da Cultura.

17 junho 2004

O erro de Cesário.

Já não é uma questão de política. O erro de Cesário é uma questão cultural. Questão dele, Cesário. Está agora na Austrália, a fazer o quê e para fazer o quê?

Ao que se sabe, visita instalações do consulado de carreira em Sydney e do consulado honorário em Melbourne, visita a Art Gallery de de New South Wales e visita o Museu de Arte Contemporânea visitando-o, segundo o noticioso oficial, «no âmbito da Bienal de Sydney» com cuja curadora, Isabel Carlos, «tem encontros», encontros que obviamente também se anunciaram com o embaixador de Portugal em Camberra. Visita a SBS (rádio/tv estatal multicultural), visita a Casa da Madeira, visita o Museu Português, visita o Clube Português de Sydney e depois mais «encontros» para compor o programa - com dirigentes associativos, professores, padres... tudo o que se perfilar na visita.

Prossegue assim Cesário a senda da generalidade dos seus antecessores na mesma pasta, não sendo por isso sequer uma excepção, pois sempre cada secretário de Estado primeiro da Emigração e depois das Comunidades Portuguesas se deslocou ao estrangeiro e ao terreno da emigração, não para resolver os problemas dos emigrantes, anunciar políticas adequadas e indagar a realidade, mas para uma afirmação pessoal cruzada com duvidosas proclamações doutrinárias, não raro passeando-se cada um deles como se fosse um Presidente da República em miniatura, exigindo honra pela miniatura, respeito pela mesma miniatura e obviamente sempre veneração e subserviência face à mesmíssima miniatura o que ~sempre se revelou como triste caricatura.

Ora Cesário não tem conseguido fugir a esta falsa cultura estatal de «mini-PR» que acaba por ser de facto contra o Estado, pois desarmada a festa circunstancial, os emigrantes continuam revoltados e, infelizmente na maior parte dos casos, com razões e com motivos que não abonam em nada a imagem do próprio Estado.

Ou seja: tal como muitos dos seus antecessores (de alguns nem vale a pena recordar-lhes as façanhas e peripécias próprias do domínio do anedotário) Cesário faz tudo menos articular a Diplomacia Consular a que deveria destinar toda a acuidade, e faz tudo menos a Diplomacia das Comunidades Portuguesas que continua a não existir ou que apenas existirá quando muito no patamar do voluntarismo primário que, por sua vez, é tudo menos política.

Cesário que fragilizou e em muito a gestão de Martins da Cruz, está a fragilizar e de forma irreversível a gestão de Teresa Gouveia. Nas Necessidades, um mau ministro pode atenuar o defeito que seja mais evidente com bons ou razoáveis secretários de Estado, mas num bom ou mesmo no melhor dos ministros qualquer virtude se transforma irreversivelmente num defeito se tiver maus, péssimos secretários de Estado.

16 junho 2004

Estranhas farpas!

«Mas que estranhas farpas referem Notas Formais», atirou desalmadamente o embaixador Agapito Barreto ao embaixador Martins da Cruz com quem há pouco se cruzou.

Que estranho Ultimato!

Mas que estranho e não menos premonitório Ultimato!

Briefing da Uma. Cesário. Concurso/novos diplomatas. Imagem de Portugal

Briefing da Uma. «Lá onde começam as dignidades, a sinceridade emudece», não é isto o que Denis Fonvizine dizia?

1 – Cesário. Austrália e Londres.
2 – Concurso de ingresso
3 – Trabalhadores dos Consulados e Missões Diplomáticas

1 – (Cesário vai à Austrália fazer o quê? E vai fazer o quê a Londres?) - «Oficialmente nada foi disto sobre esta nova viagem do Secretário de Estado José Cesário, aguardando-se que a Agência Lusa apresente como novo o que não é novidade, como vem sendo hábito. Sobre a deslocação a Londres que remata mais uma volta ao mundo por Cesário, podemos no entanto adiantar que vai inaugurar o "novo" Consulado de Portugal em Londres, o qual simplesmente mudou de instalações porque as anteriores chegaram ao termo do contrato há muito tempo... Além disso, estranha-se que Cesário vá inaugurar um "novo consulado" que já reabriu e recomeçou a atender público no passado dia 1 de Abril! Mas como sabe, Portugal gosta de inaugurar o que está inaugurado ou que não precise de inaugurações. É um velho hábito da Pátria e Cesário alimenta a tradição. Os senhores se não sabem ficam a saber que Portugal já teve um Presidente da República (Américo Tomás) que inaugurou as lavandarias do Hotel Sheraton (Picoas) e até… as escadas rolantes da estação do Metro do Parque Eduardo VII! Inaugurar uma mudança de instalações consulares em Londres é até um acto mais nobre.»

2 – (Como vai o concurso para admissão de 30 novos diplomatas?) - «Quanto a esse concurso, apenas foi publicado o Regulamento e a lista de temas. Falta o Despacho ministerial de constituição do júri, o Despacho ministerial de aprovação de abertura do concurso e, claro, o Aviso de abertura do Concurso. De facto, nada justifica o retardamento.»

3 - (Como se explica que o Estado Português não tenha resolvido há muito a questão da segurança social dos trabalhadores dos Consulados e das Missões Diplomáticas?) - «Infelizmente não há explicação. Há casos verdadeiramente escandalosos e que, a não serem resolvidos com urgência e eficácia, colocam muito mal a imagem de Portugal. A falta de diálogo por parte dos decisores do MNE tem sido gritante. Este é um assunto que – justifica-se – vai ter desenvolvimento fora destes briefings. Por favor, estejam atentos.»

Cesário sobrevoa a Índia!

Atenção Portugueses! José Cesário neste preciso momento sobrevoa a Índia rumo a Singapura!

Movimentão Diplomático. Actualização 16 de Junho.

António Jorge Mendes para Camberra
Ferreira da Fonseca para Bogotá
Paulouro das Neves (o mais provável) para Chefe da Casa Civil do Presidente da República
Madeira Bárbara para São Tomé e Príncipe
Russo Dias para Cônsul Geral em Madrid
Freitas Ferraz para Maputo
Mário Santos para Sófia
Niza Pinheiro para Genebra/NUOI como Nº. 2 mas, formalmente, Representante junto da OMC, o que é a primeira vez que acontece (há anos, Mários Santos tivera as mesmas funções mas informalmente). Decisão estranha mas correcta.
António Sennfelt para Viena
Paulo Jerónimo para Belgrado. Está a ver Sequeira e Serpa?
Moreira da Cunha, a surpresa - para Teerão
António Montenegro para Dakar
Ramos Pinto para Díli
Vieira Branco para Bratislava (instalações da nova embaixada estão a ser ultimadas)
Maria do Carmo Allegro de Magalhães para Ljubljana
Cruz de Almeida para Nicósia (agora príncipe passa a ser cada um do grupo dos 10, não é Vasco Valente?)
Rita Ferro para SGA, Secretária Geral Adjunta. Volta às lides depois de Madrid.
Luís Barreiros para Zagrebe
Costa Arsénio para a Inspecção Diplomática e Consular (diplomata sério, boa solução)
Bouza Serrano para Islamabad
Pais Moreira para Bissau
Lemos Godinho para Ancara
Silva Leitão para Helsínquia
Nunes Barata para Bruxelas
Marcelo Curto para Moscovo (ou não seja o único diplomata português que domina fluententemente russo e que percebe mais do que ninguém das questões russas...)
Henriques da Silva (DGAM) para o México
Lindim Vassalo (Islamabad) para Abuja
Moraes Cabral para a ONU (que grande salto, nem é embaixador full rank... mas enfim, sempre fica mais perto da capital do Canadá, dirá Silveira Carvalho)
Manuel Lobo Antunes para DG Assuntos Comunitários (outro salto notório, pois foi promovido a ministro plenipotenciário há relativamente pouco tempo)
Tadeu Soares para a CPLP (fica em Lisboa, acreditado como elemento de uma organização internacional, com os correspondentes privilégios e colaterais imunidades diplomáticas)
Carlos Neves Ferreira para Atenas
Ramalho Ortigão para Copenhague
Freitas Ferraz para o Maputo
Rosa Lã para Paris (uma troca...)
António Monteiro para Madrid (... por troca)
Seixas da Costa para Brasília (sujeito a confirmação por João Salgueiro)
Monteiro Portugal para DGAM
Ana Barata para a OSCE
Luís Sampaio para Argel
Caimoto Duarte para o Conselho da Europa/Estrasburgo
Vizeu Pinheiroascende interino no SIEDM, com militar na calha...

As 18 perguntonas. Actualização 16 de Junho.

1. Moraes Cabral irá para a ONU quando for promovido a embaixador full rank? E a lista de antiguidades?
2. Eurico Paes não sai porque saiu-se bem. Irá para Berna que vaga em 2005? Tem tempo.
3. Ana Martinho não sai de Praga. Por enquanto. Não seria já demais?
4. Quem vai para Belém? Depois de uma ventoinha, só um desumidificador...
5. Não há mais alguma nova embaixada prometida por Durão Barroso?
6. E quem irá para Maputo?
7. Quem vai para IPAD? Acotovelam-se à porta, mas... se calhar não será um diplomata. Ou será? As ONG que se acautelem...
8. O futuro Consulado Geral em Xangai prometido por Teresa Gouveia, ficará para próximo movimento que não será movimentão mas movimentinho?
9. Repete-se: quem vai para o Palácio de Belém? Para Chefe da Casa Civil, por certo, um amigo ou homem/mulher de confiança da Sampaio. Continuará a ser da Carreira?
10. E quem vai pagar todo este movimentão?
11. Quem vai para uma ainda outra nova embaixada prometida por Durão Barroso?
12. Sequeira e Serpa não deve sair, não gostou de Belgrado. E todos fogem do cargo. Mais um contragosto de Cesário. O que dirá o Conselho das Comunidades Portuguesas?
13. António Ramalho Ortigão? Home, sweet home... diria o ministro plenipotenciário Charles Calixto. Memórias ou ainda é cedo?
14. E a chefia da missão diplomática de Portugal em Malta continuará em... Lisboa? Ou será uma não-residente a partir da Eslovénia depois da tradição de Roma, antes da UE?
15. E esse assunto da Namíbia, a tal embaixada que «encerrou mas não foi extinta»?
16. Miguel Almeida e Sousa aí vem da Cidade Eterna. O ditado segundo o qual a língua não tem osso e a palavra tudo consente será mesmo válido?
17. O actual DGRB, Tavares de Sousa não sai. Faltou uma embaixada de peso?
18. Paulo Castilho para onde?

Cesário. Liberdade de circulação.

NV tudo farão para que nada falte a José Cesário em mais uma ds suas campanhas no outro lado da Terra.

Saído ontem de Paris, não queremos que lhe falte hoje seja o que for em Singapura e muito menos um Four Seasons, até porque amanhã, dia 17, tem que estar em Sidney, no dia 20 em Melbourne e, logo no dia seguinte (21) tem que seguir para Kuala Lumpur pois no dia imediato (22) irá para Londres (como é bom o Sheraton Towers!) e dois dias depois, dia 24, enfim, o regresso a penates.

Chama-se a isto a verdadeira, a autêntica Liberdade de Circulação!

15 junho 2004

Assuntos europeus

Numa fase experimental, as questões europeias passam a ser editadas em Correspondente Europeu através do endereço http://europeu.blogspot.com ou www.europeu.blogspot.com
Cerca das 23:00(hora de Lisboa)de hoje (dia 15) serão lançados os primeiros textos.

Também em fase experimental, os temas da emigração estão a ser editados em Comunidades Portuguesas através do endereço http://comunidades-portuguesas.blogspot.com ou www.comunidades-portuguesas.blogspot.com

António Vitorino e o último minuto.

António Vitorino já devia ter dito e feito o que se esperava que tivesse já dito e tivesse já feito. Obviamente que não deveria ficar assim tão refém do «último minuto»...

E lá vai Cesário!

Cesário, desta vez até à Austrália. Até dia 24. Portanto, adaptando o adágio ao caso, «as viagens tudo consentem e o orçamento não tem osso»

Hipótese Moraes Cabral

«Se, por hipótese, a nomeação do ministro plenipotenciário Moraes Cabral para chefe da Missão Permanente de Portugal junto da Organização das Nações Unidas fosse submetida à apreciação do Parlamento e aí escrutinada, você acha que o homem passaria?»

Não é difícil saber quem, de rompante, nos dirigiu esta pergunta, ali mesmo, nos Claustros. Exactamente - o embaixador Agapito Barreto. Reaparecido.

14 junho 2004

O Parlamento e a nomeação de Embaixadores.

Sim. O Parlamento deveria estar minimamente comprometido no processo de nomeação dos embaixadores. O processo poderia continuar a não ser totalmente transparente mas mais translúcido seria pela certa... Debate a ser reaberto.

10 junho 2004

Adeus a dois amigos. Lino de Carvalho. Sousa Franco.

Lino de Carvalho

Agora, sim, este é o caminho verdadeiro
Porque até há pouco estávamos na verdade.


Sousa Franco

Há uma ave que voa na ave do corpo
Com uma asa maior que os lugares conhecidos.
Não cabe, essa asa não cabe
Onde estamos cativos.


Carlos Albino

Os 11 edifícios da diplomacia de Paris

A Diplomacia Francesa funciona dispersa por 11 edifícios em Paris, três dos quais alugados. O ministro Miguel Barnier quer resolver esse assunto para que os franceses, segundo a expressão de Michel Cadilhe «não dêem o exemplo de que não sabem gerir-se a si próprios»... Os interessados podem ler a declaração sobre a matéria em Notas Formais.

Ultimato a Putin

Um bom futuro para Arons de Carvalho que fez o que Marques Mendes jamais conseguiria e que nunca talvez tivesse desejado: extirpar um direito fundamental da Lei de Imprensa feita por Sousa Franco em 1975 e que se revelara uma das melhores da Europa. Purgou pela calada, mas purgou. Ver Ultimatos.

Mas o que mais acontece no Consulado Geral em Genebra?

Acontece o inacreditável. Podem ler em Comunidades Portuguesas um caso a justificar que Teresa Gouveia, sob proposta de Cesário, nomeie com urgência para esse posto uma «impressora honorária»... Sim, a história está em Comunidades Portuguesas.

Briefing da Uma. Sousa Franco, CIG/Conselho Europeu, Cadilhe 1 e Cadilhe 2

Briefing da Uma. Pertence a Cadilhe o melhor discurso para o Dia de Portugal.

1 – Sousa Franco
2 – CIG, dia 14 e Conselho Europeu a 17 e 18.
3 – Cadilhe e os submarinos
4 – Cadilhe e CGD

1 – (Com a morte de Sousa Franco, como vai ser a presença portuguesa na assembleia parlamentar da UE?) - «Sousa Franco era quem, de entre todos os candidatos, estava melhor preparado para enfrentar os debates previsíveis nessa assembleia parlamentar, sobre matérias institucionais. Deus Pinheiro é uma sombra simpática e os restantes bem se podem dedicar às palavras cruzadas, mesmo o Senhor António Costa. Daí que se tenha estranhado o tom da intervenção de Teresa Gouveia, perfeitamente dispensável sendo MNE que é um cargo onde relevam razões de Estado que um MNE, em todas as circunstâncias deve acautelar – Jaime Gama, nisto, teve uma actuação exemplar e irrepreensível . Os decisores partidários ou suportados pelos partidos têm que aceitar, alguma vez, que o combate político não justifica todos os meios, todas as palavras ou tudo o que lhes venha à cabeça como se estivessem a redigir manchetes do Independente dos anos 90. Têm que admitir que, no dia seguinte, poderão ter que colocar uma gravata preta ao pescoço pelo outro ou os outros por ele. E se não admitirem, vão sem dúvida convertendo-se em Pais, Filhos, Primos, Avós e Sobrinhos do Défice Democrático que é o pior dos défices. Na verdade, Sousa Franco foi primeiramente vítima daquela morte que não se vê e que infelizmente mesmo a Democracia não permite que seja vista, e só depois é que não resistiu à morte que se vê e que suscita o choro geral.»

2 – (E aí temos à porta três importantes reuniões, a do Conselho dos Assuntos Gerais e Relações Externa (CAGRE), a reunião ministerial da Conferência Intergovernamental ou CIG, que antecedem o Conselho Europeu. Portugal pode pôr as bandeirinhas nacionais à janela?) – «Teresa Gouveia vai estar na segunda-feira no Luxemburgo para a CAGRE e para CIG e será uma MNE entre 25, incluindo ela própria. Sobre a CIG, oficialmente, Lisboa pouco mais pode ou deve dizer que os 25 ministros “vão procurar resolver o maior número possível de questões ainda em aberto”… E sobre a CAGRE pois o que poderão, também oficialmente, as Necessidades acrescentar a que os 25 “os Ministros se debruçarão sobre os últimos desenvolvimentos no Iraque”, que “discutirão o Processo de Paz no Médio Oriente, a questão nuclear do Irão e a situação nos Balcãs Ocidentais, entre outros temas” e que “deverão ultimar o texto do projecto da agenda anotada do Conselho Europeu” marcado para Bruxelas, a 17 e 18? Naturalmente que o assunto da futura presidência da Comissão vai estar presente, ou melhor, sobre a mesa. Seria inédito se, com a delicadeza que se lhe conhece nos dedos, Teresa Gouveia retirasse da mala uma bandeirinha que, em certas circunstâncias, sempre fará jeito numa diplomacia constipada como a nossa.»

3 – (Cadilhe diz que “os submarinos não servem para nada” e que está revoltado com a decisão do Governo. Comenta isto?) - «Cadilhe disse o que um Ministro dos Negócios Estrangeiros deve dizer.»

4 – (Cadilhe diz que “o Estado Português não deve vender nem um tostão da Caixa Geral de Depósitos. Também comenta isto?) – «Cadilhe disse o que um Ministro das Finanças deve dizer.»

09 junho 2004

Se isto é verdade...

Numa mensagem destinada aos Emigrantes e que pode ser lida na íntegra em Notas Formais e também em Comunidades Portuguesas, o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas, entre outras coisas, diz isto:

  • que desde 2002 os salários não são actualizados (e para muitos já desde 2000);
  • que há mais de quatro anos - e para categorias de chefias há 6 anos - não tem havido concursos;
  • que muitos trabalhadores ainda continuam a trabalhar para o Estado Português sem estarem inscritos em qualquer regime de segurança social (à revelia do estipulado na Constituição Portuguesa);
  • que o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a contratar trabalhadores ilegalmente ou a “tapar buracos” com adidos mais caros ou “estagiários gratuitos”

    Assim, como é que as instituições podem funcionar, tal como pretende Sampaio?
  • Sinceras melhoras para Carlos Neves Ferreira

    Sim, que o embaixador Carlos Neves Ferreira recupere e a cem por cento!

    Honorários...

    John Binde nomeado cônsul honorário de Portugal em Trondheim (Noruega).
    Steinar Olsen, cônsul honorário de Portugal em Stavanger (Noruega)
    José Carlos Correia de Sousa, cônsul honorário em Curaçau (sabe por acaso o prezado notador que Curaçau vem do português coração?)
    Fahri Gökyayla nomeado cônsul honorário de Portugal em Esmirna, dependente da Secção Consular da Embaixada de Portugal em Ankara, com jurisdição sobre as províncias turcas de Esmirna, Mugla, Aydin, Manisa, Usak e Denizli.

    Sousa Franco.

    Sousa Franco. Quem acredita nas lágrimas dos crocodilos?

    A viagem de regresso de Rui Quartin Santos

    Sim, Rui Quartin Santos regressa a Lisboa, já sem retorno a Díli, no próximo Domingo, dia 13. Quartin deve tomar posse do cargo de Secretário-Geral do MNE antes do final deste mês e pelo menos a 1 de Julho estará já no cadeirão de Rocha Páris que, depois de umas férias... o Vaticano.

    Greve na Embaixada em Seul

    Os trabalhadores da Embaixada em Seul perderam a paciência e fizeram uma primeira greve que obrigou o Embaixador Carlos Frota a compra de serviços para «salvar» a recepção do Dia de Portugal. O sindicato emitiu um comunicado que pode ser lido na íntegra em Notas Formais.

    Movimento diplomático.

    «Estão a fazer testes aos interessados e aos desinteressados», diria alguém ao Embaixador João Salgueiro aconselhando-o a ter calma.

    Remodelação?

    Teresa Gouveia vai deixar as maiores saudades no MNE quando se transferir para a pasta da Cultura.

    Escrita em dia...

    Santo Deus! Tantas coisas acontecem em apenas três dias: o «desbloqueamento» das promoções (com o recente Expresso a dizer o que NV já tinham avançado em 12 de Maio); a mais do que estranha incursão eleitoral de Teresa Gouveia, como MNE que é; a greve dos trabalhadores da Embaixada em Seul; a proposta de nomeação de embaixadores a ter que ir agora por conta gotas, com a lista provisória incial praticamente atirada para o cesto dos papéis; os apetites que já se movem para a presidência do IPAD, para as direcções-gerais do MNE... Tantas coisas, Santo Deus!

    Sim, hoje, dia 9, a escrita vai ficar em dia.

    04 junho 2004

    Sudão. Apenas 50 mil contos.

    No Breafing da Uma (hoje), NV sabiam já que a representação portuguesa na reunião de doadores para o Sudão, em Genebra, anunciara ontem a entrega de 250 mil euros (50 mil contos) na sequência do apelo da ONU sobre a iminência de um grande catástrofe humanitária em Darfur.

    E não dissemos que Portugal já tinha prometido esses escassos 50 mil contos porque decidimos cronometrar o silêncio do MNE sobre o assunto, pois a generosidade de um País não deve grande ou razoável apenas quando os carenciados falam português, podendo ser pequena e mesmo insignificante quando a desgraça não é lusófona. Em todo o caso, quatro horas depois do nosso modesto briefing, as Necessidades lá acabaram por assumir a contribuição dos 50 mil contos para o Sudão que é um pouco tão pouco que talvez tivesse sido melhor um nada.

    Mas o nada até se compreenderia. O que não se compreende é que as Necessidades, em nota pública, tenha reduzido o agravamento da crise humanitária em Dafur à «elevada incidência de doenças infecto-contagiosas, associada aos ataques das milícias armadas»...

    À fraca generosidade junta-se, assim, uma desastrosa explicação. Ora Portugal tem missionários (então os Combonianos!) que sabem mais de Sudão que o coronel líbio...

    Briefing da Uma. Justiça, Sudão, CIA, Alatas.

    Briefing da Uma. Adivinhem quem está em Luanda mas, desta vez, sem representação do Estado Português…

    1 – Costa Freire/celeridade da justiça portuguesa
    2 – Sudão/drama humanitário
    3 – Director da CIA/demissão
    4 – Timor/Austrália/Petróleo

    1 – (Cavaleiro Ferreira, advogado de Costa Freire, afirma que o seu constituinte aguarda há 17 anos pelo desfecho do processo judicial em que está envolvido. Não há convenções internacionais?) - «Há convenções mas, segundo a pergunta do profeta do Antigo Testamento, quem julga os juízes? O problema da justiça portuguesa é ainda não passou do Antigo Testamento. De qualquer forma, as Necessidades deveriam ter já criado um departamento especializado para acompanhamento rigoroso da aplicação das convenções internacionais, sobretudo nas matérias dos direitos humanos. Não criou e não se sabe se lhe interessa criar...»

    2 – (Parece inevitável uma gravíssima crise humanitária no Dafur, Oeste do Sudão. Lisboa não diz nada?) - «Dizem alguns jornais e em breves. Isso não basta? Mesmo que ajuda consiga entrar nesse país, 350 mil seres humanos parecem estar já condenados e se a ajuda lá não chegar, o número de vítimas subirá para um milhão. As Necessidades nada dizem, em nada apelam e não se sabe se lhes interessa apelar…»

    3 – (O director da CIA, George Tenet, demitiu-se. Qual o seu futuro?) - «Naturalmente que Tenet se demitiu pelos erros da CIA relacionados com o 11 de Setembro. Até poderá vir a ser um bom embaixador dos EUA em Lisboa onde ninguém erra. De resto, as Necessidades em nada erraram sobre 11 de Setembro, nunca tiveram dúvidas sobre o Iraque e não se sabe se lhes interessa não errar…»

    4 – (Alatas vem dizer a Lisboa que a Indonésia teve que ceder no acordo com a Austrália sobre o Mar de Timor. A Austrália não mereceia já uma crítica portuguesa?) - «O Senhor Alatas é uma velha raposa da diplomacia e sabe usar as palavras onde e como sejam convenientes. Ele não disse, por exemplo, que a cedência da Indonésia tinha por preço o reconhecimento da anexação do território timorense… Só agora se compreende ou se vai compreendendo a persistente e continuada actuação da inteligência australiana em Lisboa muitas vezes dissimulando-se no bom pretexto da defesa dos direitos humanos. A Austrália não tem razão e Portugal já deveria ter esboçado um aviso disponibilizando apoio caso Timor a solicite. Antes pelo contrário, as mais recentes declarações de Manuela Franco, que foi a Díli e voltou, equivalem a verdadeiro descarte. E não se sabe se às Necessidades outra coisa não lhes interessa que não seja o descarte… À Austrália interessa isso.»

    CPLP procura um tom empresarial.

    O Conselho Empresarial da CPLP é hoje formalmente constituído, após um arrastado processo de quatro anos que, de resto, prenuncia o futuro dessa estrutura. Emblematicamente, uma representante da Sonangol, a angolana Albina Faria, preside à direcção. Teresa Gouveia aproveita a ocasião e oferece almoço nas Necessidades aos elementos que integram os corpos sociais desse conselho (ver em Notas Formais)

    Apelo comovente

    Os responsáveis pelas pastas governamentais dos Assuntos Europeus dos 25 Estados da UE (entre nós, é o secretário de Estado Costa Neves), assinam uma «carta aberta» destinada a quem designam por «cidadãos europeus» apelando a que «338 milhões de mulheres e homens» se convençam de que vão escolher 732 representantes para esse corrupio Bruxelas-Estrasburgo...

    Para que conste, tal carta fica arquivada em Notas Formais onde pode ser lida na íntegra.

    Cheia de frases feitas do princípio ao fim e com uma redacção da primária política, a carta anda perto daquele lamurioso peditório da Liga de São João de Deus que enche de arrepios as ruas de Natal.

    Diz-se, por exemplo, nessa carta que «A Europa é bem mais do que um mercado; é uma comunidade viva de valores e de objectivos. Não é uma abstracção, mas está presente na vida quotidiana de cada um de nós»…

    É comovente.

    Maria Elisa, parabéns...

    Consta que Maria Elisa está a fazer um bom trabalho como Conselheira Cultural na Embaixada de Portugal em Londres e que os frutos desse trabalho poderão aparecer num futuro mais ou menos breve. Mas os parabéns de NV são por outro motivo - é que hoje é o dia de aniversário de Maria Elisa. Os amigos que ponham na agenda.

    03 junho 2004

    Aspecto...

    Sim, neste dia 3 de Maio, NV passaram por ligeira remodelação. Oxalá que o nosso 350.879º notador tenha gostado... Custou mas foi.

    02 junho 2004

    Jordão na partitura oficial

    O pianista Adriano Jordão, enfim, também vê hoje a sua nomeação para conselheiro cultural em Brasília publicada na folha oficial. A avaliar pela música já tocada...

    Novos Diplomatas. Concurso: regulamento e matérias em Notas Formais.

    Concurso para ingresso de Adidos.

    A folha oficial publica o despacho da Ministra (asssnado a 14 de maio, levou duas semanas...) mas Notas Formais divulga na íntegra. Imprimam porque está lá tudo e é comprido: regulamento e matérias que, descansem, não queimam o cérebro.

    A todos os jovens interessados, NV dizem: Força, Coragem e Rectidão!

    Dúvidas? Escrevam-nos e ajudaremos no que for possível.

    01 junho 2004

    Novo modelo curricular ...

    E é a esta hora que me telefona o Embaixador Agapito Barreto. Não porque haja assutno grave:

    «Meu caro, você já reparou bem que as regras para a elaboração dos currículos em Portugal se alteraram? Já reparou? Outrora, um curriculum devia no mínimo e por ordem facultar, ponto um – os dados biográficos, ponto dois – o percurso académico, ponto três – a experiência profissional, o percurso político no caso dos políticos, a ascensão e desempenho na carreira no caso dos diplomatas e, claro, no casos dos jornalistas as ganhunças que recebeu sem vender a alma; ponto quatro – a formação extra-académica, ponto cinco – trabalhos publicados, colaborações relevantes, enfim, intervenções em congressos ou até mesmo livros de poesia, separatas de história e tanto melhor se um trabalho sobre dinossauros; finalmente, alguns cheirinhos da vida privada – se joga golfe ou petanca, se é barão nomeado pelo Senhor D. Duarte Pio ou pratica a arte de ouvir as anedotas do padre Melícias, sei lá, fazer footing com o Dr. Durão Barroso, coleccionar brilhantinas com o Dr. Santana e encadernar primeiras páginas de semanários com pelo menos dez anos de arquivo ou mesmo ir à missa com a Dr.ª Maria Barroso também serve...»

    Tivemos que interromper Agapito Barreto – Oh meu caro embaixador! Já são já duas da madrugada e não é o momento mais adequado para o briefing de NV! Vá directo ao assunto!

    «Vou, meu caro, vou direito ao assunto. Pois os currículos a partir de agora, em Portugal devem ostentar um novo item e à cabeça, mesmo antes daquele da formação académica! E na vida diplomática isso é particularmente relevante!»

    Ouviu-se, aqui e nitidamente, um profundo suspiro de Agapito. E os suspiros de Agapito são mais dramáticos que os ruídos de linha da PT!

    «Pois agora, à cabeça, os currículos têm que conter obrigatoriamente o passado criminal ou penal do curriculado.»

    Mas, embaixador, chegámos à decadência?

    «Nada disso! Chegámos à excelência! Se um indivíduo não tiver passado penal, acredite, nada vale. Se tiver sido meramente indiciado de dois crimes públicos prescritos, já começa a valer alguma coisa; de 17, melhor; de 48 não prescritos nem se fala, começa a ser um ás, e se por acaso pagou 800 mil euros para evitar a prisão preventiva, então meu caro, é já um potentado! Se fugiu à justiça para o Brasil ou para Angola, esse acto de coragem deve vir bem destacado e se tiver sido condenado a oito, dez, vinte anos de prisão, então será um génio, um sobredotado.»

    E na carreira?

    «Na carreira é o mesmo. Um diplomata que não tenha roubado nada ao Estado, não presta; se não tratou os emigrantes a pontapé, não tem dignidade para postos de primeira classe; se nunca foi tentado a uma prolongada e indevida ausência de posto, é no mínimo um desgraçado. Acredite que lhe digo a verdade!»

    Mas por que razão, meu caro embaixador, me telefona a esta hora para me dizer isso?

    «Olhe, é para você colocar nas Notas Formais o novo modelo curricular. Prestará um grande serviço, pois há muitos diplomatas que andam a ocultar tanta coisa que se revelassem nem imaginariam como subiriam alto e de vez. Ponha nas Notas Formais. Ponha! Esse modelo será a jangada nacional da auto-estima! Você é que não terá coragem para pôr!»

    Ponho.