Briefing da Uma. A propósito de debates, seria bom recordar Balzac: «Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares». O ímpar não pode julgar.
1 – A notícia de que Falcão Machado foi mandado para Bagdad…
2 – Prioridades e Pilriteiros
1 – (Afinal o Primeiro Ministro Santana Lopes despachou o processo da ida do embaixador Falcão Machado assim que o recebeu, ou seja, apenas na passada segunda-feira… Onde houve a demora?) - «A tramitação burocrática que a indigitação, proposta e nomeação de um Embaixador envolve é incrivelmente morosa, interpondo-se nesse processo o Ministério das Finanças. Sem dinheiro nada há a fazer porque as Necessidades estão sem orçamento adequado. A questão foi levantada pela Rádio Renascença e importa repetir – não se pode indigitar à força um embaixador para qualquer posto e muito menos para Bagdad! Em certa medida, é o que se passa com os capelães – a GNR que diga se um capelão militar pode ser despachado à força, a pesar de o terem solicitado para levantar a moral da rapaziada! A questão da ida do embaixador português para Bagdad deveria ter sido logo resolvida por Teresa Gouveia quando se constatou que Luís Barreiros, física e psicologicamente, já não aguentaria nem mais um dia no Iraque, depois das difíceis circunstâncias que suportou. E dizer-se que a embaixada estava a funcionar em pleno com um encarregado de negócios, isso também não corresponde à verdade e não vamos entrar em detalhes. Há uma série de embaixadas por abrir e de embaixadores para partir precisamente por esse mesmo processo burocrático que amarra o MNE. Portanto, é exagerado sugerir-se que Santana Lopes mandou o Embaixador Falcão Machado como se este fosse um pau mandado. Falcão Machado disponibilizou-se para as funções e nisso revelou acto de coragem – é o que o gabinete do Primeiro Ministro deveria ter dito logo à partida. Aliás, o Presidente da República que é quem tem exclusiva competência para nomear os embaixadores sob proposta do governo, não pode isentar-se deste arrastamento inacreditável, tratando-se de Bagdad. E não vamos entrar em detalhes…»
2 – (Nos programas dos dois principais partidos, nomeadamente quanto a política externa, fala-se amiúde em prioridades, nas grande prioridades, na máxima prioridade para isto e para aquilo… Afinal o que é uma prioridade?) - «É verdade. Os políticos portugueses banalizaram o conceito de prioridade pelo que já pouco se acredita quando se anuncia uma prioridade. Já tivemos até um Ministro do Comércio Externo que se chegasse à Tunísia, o primeiro anúncio era o de ‘a Tunísia é a prioridade para Portugal’ e no dia seguinte, com o Egipto no périplo, mal chegado ao Cairo, lá dizia que ‘o Egipto é a maior prioridade para Portugal’. Uma semana depois, na África do Sul, outra prioridade e quinze dias depois, em Banguecoque, a Tailândia a maior prioridade continua a ser, tendo o homem dado a volta ao mundo e anunciado prioridade de Portugal em todo o lado. Antes de Portugal ter entrado para a CEE, naturalmente que4 se aceitaria que a Europa fosse apresentada como uma prioridade para a nossa política externa, tal como agora isso se admite e alguns desejam por parte da Turquia e da Ucrânia… Mas sendo Portugal, há muito, membro pleno da EU tanto que disso por vezes já se esquece em matéria de direitos e também de deveres; tendo exercido a presidência, eleito eurodeputados e tendo-se até autoflagelado politicamente para generosamente doar um presidente para a Comissão após o empenho nacional prioritário num candidato que afinal ninguém apoiava, é inacreditável que partidos responsáveis ainda estejam a anunciar que a Europa é a nossa grande prioridade. Mas há dúvidas nisso ou será que isso é apenas uma manifestação secundária de adolescência europeia? A maturidade, uma maturidade europeia, exigiria outra pose, outro enunciado. E não vamos entrar em detalhes, bastando recordar o que a sabedoria portuguesa produziu em versos ridículos mas imortais – aliás tudo o que é ridículo, entre nós, ganha a imortalidade. São estes os versos:
Pilriteiro, dás pilritos…
Porque não dás coisa boa?
Cada um dá o que tem,
Conforme a sua pessoa.
Pilritos. Ora aqui está a prioridade.
1 – A notícia de que Falcão Machado foi mandado para Bagdad…
2 – Prioridades e Pilriteiros
Pilriteiro, dás pilritos…
Porque não dás coisa boa?
Cada um dá o que tem,
Conforme a sua pessoa.
Pilritos. Ora aqui está a prioridade.
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