Notas Verbais
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Relações internacionais.
23 Maio 2013
Portugal faz 834 anos como Estado reconhecido
A rigor, Portugal faz hoje 834 anos, como Estado reconhecido: neste dia, em 1179, a Bula Manifestis Probatum do Papa Alexandre III reconhecia D. Afonso Henriques.
Não sejamos indiferentes, porque não há menos desiguais
Avaliação do pessoal não diplomático
Três portas para a homologação das avaliações de desempenho do pessoal não diplomático, na sequência de delegações da Secretária-Geral do MNE, Ana Martinho:
- Diretor do Departamento de Assuntos Jurídicos, João Serpa Soares, para o pessoal afeto a esse departamento
- Secretário-Geral Adjunto, António Alves Machado, para o pessoal da Secretaria-Geral
- Diretor do Departamento Geral de Administração, Francisco Vaz Patto, para o pessoal desse departamento
Concurso diplomático
Claro que seria de esperar. A 14 de maio, o ministro determinou a substituição de Pedro Lomba e de Patrícia Fragoso Martins, no júri do concurso de ingresso na carreira, por Nuno da Silva Piçarra e Francisco Pereira Coutinho, para a área do direito internacional público e direito da União Europeia.
Cavaco com três dias europeus
Roteiro europeu para o Presidente da República, entre 11 e 13 de junho, primeiro Estrasburgo e depois Bruxelas. No Parlamento Europeu, discurso no plenário após reunião com Martin Schulz e encontros com presidentes dos grupos políticos. Em Bruxelas, encontro com o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e reunião com o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Claro que as atenções centram-se no que Cavaco Silva irá dizer perante os euro-deputados.
22 Maio 2013
Comparações
Perguntam, responde-se: em todas as profissões hierarquizadas, sobretudo naquelas em que se verificam sobreposições entre hierarquia administrativa e hierarquia funcional, uma promoção ou nomeação que não atenda ao mérito integral (ciência e arte...) pode partir as pernas ao mérito. Assim é na carreira diplomática e assim é na carreira jornalística. No jornalismo, por exemplo, têm-se perdido grandes repórteres para se ganhar maus, péssimos diretores. Um grande repórter com muita arte de repórter e ciência adequada, mas sem a arte com tempo e ciência com esforço que se exige no perfil de diretor, estraga-se quando fica inebriado pela oportunidade de comando e pela suposição de que a influência que é algo inerente ao cargo. Estraga o cargo, estraga a carreira e dificilmente voltará a ser grande repórter. Mutatis mutandis, com o diplomata acontece o mesmo. O jornalismo português é um cemitério destes inebriados, alguns, lamentávelmente, jovens. Quanto à carreira diplomática, os diplomatas que olhem à sua volta e concluam.
Diplomacia, ciência ou arte?
Velha questão: a Diplomacia nutre-se da ciência ou requer arte? A elevação de um diplomata mede-se pela extensão do currículo académico, peregrinação por escolas prestigiadas, exibição de saber teórico adquirido e falas a comprovar domínio de conceitos, doutrinas e relatórios? Ou mede-se pelo talento testado ao longo do tempo nas funções essenciais, nos exercícios que conduziram ao êxito um interesse de Estado, e na pontualidade de ações que impediram que a imagem do mesmo Estado resvalasse para o fracasso, fosse salva do laxismo, ou que nunca se tenha podido dizer que houve omissão ou ausência do Estado, seja no trabalho discreto nos serviços centrais ou no rodopio por capitais? Quanto à ciência, sem dúvida que ela pode manifestar-se no diplomata, desde a iniciação de adido até ao descanso da jubilação de embaixador. Quanto à arte, esta está submetida à lei do tempo, não se compadece com a lógica dos lugares vagos a puxar progressões por automatismo, por consideração pessoal ou por confianças políticas de poderes transitórios acima dos quais está o Estado.
Quer pela doutrina dos factos, quer pelos livros da estante, a cabeça do diplomata deve ser um continente em que ciência e arte sejam juntamente o conteúdo. Ciência porque, consabidamente, implica o conhecimento tão exato quanto possível das relações jurídicas e políticas das organização e organismos internacionais, dos diversos estados, dos interesses destes, das suas tradições históricas, e das disposições contidas nos tratados. E arte porque nas relações internacionais, de negócos e de pessoas, em que as subtilezas e os imponderáveis imperam, há forças não sistematizadas que exercem domínio. Independentemente de aptidões e capacidade, para a ciência basta algum tempo; para a arte, bastante tempo é incontornável. Maduro na ciência e verde no tempo, o diplomata será, quando muito, um fruto de boa casca mas azedo lá por dentro. Como também, um diplomata que seja verde na ciência embora maduro no tempo, será um fruto peco.
Vem a propósito, a conhecida citação de Pradier-Fodéré: "a diplomacia é uma ciência em que é preciso aprender as regras e uma arte em que é preciso surpreender os segredos".
Quer pela doutrina dos factos, quer pelos livros da estante, a cabeça do diplomata deve ser um continente em que ciência e arte sejam juntamente o conteúdo. Ciência porque, consabidamente, implica o conhecimento tão exato quanto possível das relações jurídicas e políticas das organização e organismos internacionais, dos diversos estados, dos interesses destes, das suas tradições históricas, e das disposições contidas nos tratados. E arte porque nas relações internacionais, de negócos e de pessoas, em que as subtilezas e os imponderáveis imperam, há forças não sistematizadas que exercem domínio. Independentemente de aptidões e capacidade, para a ciência basta algum tempo; para a arte, bastante tempo é incontornável. Maduro na ciência e verde no tempo, o diplomata será, quando muito, um fruto de boa casca mas azedo lá por dentro. Como também, um diplomata que seja verde na ciência embora maduro no tempo, será um fruto peco.
Vem a propósito, a conhecida citação de Pradier-Fodéré: "a diplomacia é uma ciência em que é preciso aprender as regras e uma arte em que é preciso surpreender os segredos".
Tamil Tadu extinto, Tamil Nadu reconhecido...
A propósito da nomeação de um cônsul honorário, Portugal criou por despacho de 30 de abril o tal ignorado Estado indiano de Tamil Tadu, mas hoje é revelado que o MNE, duas semanas depois, extinguiu esse Estado, reconhcendo o Estado de Tamil Nadu. "Tamil Tadu, Tamil Nadu" parece um trava~línguas, mas uma letrinha na desatenção faz a diferença. O rigor nos textos oficiais é muito bonito.
Periferia externa, assim se designa...
E também hoje a folha oficial deu à luz do dia, duas portarias (MNE e Finanças) que têm a ver com os trabalhadores dos serviços periféricos externos do MNE) recrutados localmente pelo Estado (não se sabe onde estão os periféricos internos, mas enfim). Uma das portarias regulamenta o procedimento dos concursos para recrutemento desses trabalhadores, e a outra adapta o Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública aos ditos periféricos externos.
Já podem cumprir a formalidade
Dois embaixadores que disso estavam à espera, já podem fazer as viagns, haja orçamento, para cumprirem a formalidade da entrega de cartas credenciais como embaixadores não residentes. Os decretos presidenciais foram publicados hoje:
- Tadeu Soares, como embaixador não residente em Andorra
- Simeão Pinto de Mesquita, embaixador não residente no Níger e no Benim.
Conselheiros culturais que restam...
... anotem:
Toda a biblioteca de Fernando Pessoa online. Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online. Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo, que é riquíssimo. Com o site, bilíngue (português e inglês) e disponível em Casa Fernando Pessoa em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet, é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.
21 Maio 2013
Oficial e consumado está
2 abaladas
- cons. emb. Florbela Paraíba, de diretora de Serviços da África Subsariana, → Embaixada em Brasília
- cons. emb. Pedro Soares de Oliveira, de representante do MNE no Comissariado-Geral para o Ano de Portugal/ Brasil, → cônsul-geral em Newark
- cons. emb. José Rui Velez Caroço, da Embaixada em Brasília → cônsul-geral em Boston
- m-p 2.ª classe Maria Amélia Paiva, de cônsul-geral em Newark, → serviços internos do MNE
- m-p 2.ª classe Paulo da Cunha Alves, de cônsul-geral em Boston, → serviços internos do MNE
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Movimento
Abriu-se a gaveta
E como se deu conta de que na Colômbia e na Suazilândia entrou ou vai entrar em vigor, neste ano de 2013, a Convenção Sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais e o respetivo anexo (Paris, UNESCO, 2005) de que Portugal é parte pelo que se obriga a fazer o aviso público desses factos, eis que se abriu a gaveta, com avisos públicos em falta para mais 39 países, alguns em falta desde 2007. Ano este em que a convenção entrou em vigor na República Portuguesa. Seis anos levou a coisa a dormir nas gavetas. Nos casos de Angola e Moçambique, o sono foi apenas de um ano. Em Angola a convenção vigora desde maio de 2012 e em Moçambique desde janeiro de 2008. Apenas hoje a folha oficial avisa.
A arte da diplomacia e os artistas
O adjunto ou assessor diplomático de um gabinete, seja na Presidência, no parlamento ou no Governo, não é mais um técnico ou especialista a juntar a outros. Na carreira dos especialistas, sem dúvida que o critério predominante na seleção é a ciência. Na carreira diplomática, não conta apenas a ciência, conta fundamentalmente a "arte". E esta arte apenas vem com o tempo, com a experiência, com o calo. Leva anos, pelo que, quem seja de bom senso não se oporá a que o Estado financie a formação de um diplomata. É bom e tanto melhor será que um diplomata inicie a sua carreira com o maior acervo científico possível, mas este acervo, por si só, não faz um diplomata. Ele tem que aprender a arte, e para isso precisa de tempo, é necessário tempo. Também não se está a sugerir que o tempo faz um diplomata, ou que não haja diplomatas que, por mais tempo que estejam alojados na carreira e nela vão prosseguindo pela promoção automática ou pelo jogo de empenhos que fogem ao escrutínio, não passam da cepa torta. Há de tudo. Um diplomata feito é aquele que ostenta ciência e arte, sendo um bem precioso para o Estado, no qual vale a pena investir e confiar, no interesse público. Daí decorre que um diplomata colocado num gabinete, sobretudo num gabinete que mexe com questões de soberania, não deva ser visto e muito menos estigmatizado pela cor política ou facção partidária que decora tal gabinete. O diplomata feito, em qualquer circunstância serve o Estado, não serve um grupo, uma pessoa, uma visão, pelo que não choca, antes pelo contrário será de aplaudir que os gabinetes cooptem diplomatas feitos e não por fazer, porque um diplomata feito não é contaminado pela inevitável confiança política e pessoal de quem o nomeia para junto de si. O histórico dos diplomatas que foram adjuntos ou assessores comprova isso, embora, a par, também comprove que um diplomata não se faz de gabinete em gabinete, não ganhando com isso a arte da diplomacia, sendo artista. Diremos mais.
O critério das nomeações
O facto de aqui, em NV, se ter registado, a seco, a nomeação de um 3.º secretário de embaixada para adjunto diplomático do Primeiro-Ministro, anexando-se o respetivo currículo (por sinal, de apreciável valia, no ponto de vista académico, para um jovem diplomata) constante na folha oficial, isso deu aso a comentários de anónimos, cada um com a sua deriva. Não escondemos que alguns comentários tiveram que ser eliminados por entrarem no campo do ataque pessoal ou da piada de bar, pelo que o episódio ficou encerrado, por ter excedido o registo liofilizado da nomeação, como se pode reler.
Mas também se reconhece que, subjacente ao registo a seco, poderia ser lida alguma insinuação. Não tanto insinuação mas corolário não expresso. Claro que há corolário. E este não tem nada ou pouco tem a ver com o nomeado, mas com o critério da nomeação. A questão não é nova. Desde 2003, que aqui, volta e meia, se tem questionado o critério seguido para certas nomeações de diplomatas para gabinetes governamentais, independentemente do poder político que está..
Não é tema para um grande lençol mas bom assunto para, em breves apontamentos, abordarmos ao longo desta semana. Pouco a pouco.
Mas também se reconhece que, subjacente ao registo a seco, poderia ser lida alguma insinuação. Não tanto insinuação mas corolário não expresso. Claro que há corolário. E este não tem nada ou pouco tem a ver com o nomeado, mas com o critério da nomeação. A questão não é nova. Desde 2003, que aqui, volta e meia, se tem questionado o critério seguido para certas nomeações de diplomatas para gabinetes governamentais, independentemente do poder político que está..
Não é tema para um grande lençol mas bom assunto para, em breves apontamentos, abordarmos ao longo desta semana. Pouco a pouco.
20 Maio 2013
BARÓMETRO? Avaliação dos cinco protagonistas
RESULTADOS? De início, a participação foi fraca, muito fraca mesmo. Nos últimos quatro dias a participação subiu e atingiu um bom número, bastante bom. Por ordem alfabética, eis os resultados dos cinco protagonistas da imagem externa do Estado, com as percentagens mais elevadas à cabeça, e que, valendo o que valem, dão uma ideia:
Cavaco
71,43% Péssimo
12,86% Medíocre
7,14% Razoável
5,71% Muito bom
2,86% Bom
Gaspar
43,48% Medíocre
36,23% Péssimo
11,59% Bom
5,80% Razoável
2,90% Muito bom
Passos
37,31% Razoável
29,85% Péssimo
19,40% Medíocre
10,45% Muito bom
2,99% Bom
Portas
67,61% Péssimo
23,94% Medíocre
5,63% Razoável
2,82% Bom
0.00% Muito bom
Seguro
41,67% Péssimo
29,17% Razoável
15,28% Bom
11,11% Medíocre
2,78% Muito bom
Cavaco71,43% Péssimo
12,86% Medíocre
7,14% Razoável
5,71% Muito bom
2,86% Bom
Gaspar43,48% Medíocre
36,23% Péssimo
11,59% Bom
5,80% Razoável
2,90% Muito bom
Passos37,31% Razoável
29,85% Péssimo
19,40% Medíocre
10,45% Muito bom
2,99% Bom
Portas67,61% Péssimo
23,94% Medíocre
5,63% Razoável
2,82% Bom
0.00% Muito bom
Seguro41,67% Péssimo
29,17% Razoável
15,28% Bom
11,11% Medíocre
2,78% Muito bom
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Barómetro/NV
Efeméride
Na página HOJE & AMANHÃ (botão em cima), a juntar a Dias temáticos e Dias nacionais, iniciamos hoje a Efeméride do dia. Hoje assinalamos os 212 anos da Guerra das Laranjas entre Portugal e Espanha com o início da ocupação de Olivença pela Espanha do general Godoy (entre 20 e 30 de Maio de 1801).
Cidadania europeia. Quem acredita no palavreado?
Entra amanhã em vigor a resolução do Conselho de Ministros que detremina a nível nacional a execução de atividades associadas ao Ano Europeu dos Cidadãos.
Para tanto, a partir de segunda (27) ficará constituída uma “equipa operacional” com representantes do Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto, da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, do Alto Comissariado para a Imigração, e da Direção-Geral do Consumidor. Claro que o Gabinete de Meios para a Comunicação Social não poderia faltar para que se encha a imprensa regional de press-releases.
Além disso, contar-se-á como uma nutrida Comissão Nacional de Acompanhamento de 32 elementos, do governo (MNE lá pelo meio) à CGTP, do Provedor de Justiça à DECO, dos governos dos Açores e da Madeira à União das Misericórdias e confederações patronais, só faltando a Conferência Episcopal Portuguesa e as organizações que observam e lutam contra a corrupção... Acompanhamento não faltará.
E o que tem em vista?
À cabeça, todo esse pelotão tem em vista “promover a compreensão e difusão da dimensão política e jurídica do conceito de cidadania europeia”. Depois, “identificar os obstáculos que impedem o eficaz exercício da cidadania europeia em Portugal” e “fomentar a compreensão mútua entre os portugueses e os demais cidadãos europeus, respeitando e celebrando a diversidade cultural, contribuindo do mesmo modo para o diálogo intercultural”. Só isto, é um tratado.
MAs não fica por aí, porquanto, tenhamos paciência para conhecer tão ciclópico trabalho, o pelotão vai, até que enfim, “sensibilizar os portugueses para os direitos inerentes à cidadania europeia, entre os quais o direito de circular e permanecer livremente no território da União, bem com todos os outros direitos garantidos aos cidadãos da União, sem discriminação, independentemente do Estado -Membro em que residam”. E também até que enfim. “enraizar nos portugueses a forma como podem beneficiar dos direitos da União, bem como sobre as políticas e programas que existem para apoiar o exercício desses direitos”.
Finalmente, o que nunca pode faltar: promoção de de ações, debates e reflexões relacionadas com a dita “cidadania europeia” e, como se já fosse pouco esse trabalho e algo de diferente do já indicado, uma tarefa sublime – “refletir sobre os desafios futuros que se colocam à cidadania europeia no contexto de uma União Europeia mais integrada”.
Vai por aí passar um ciclone de conferências que, sabendo-se o que a casa gasta, com mais propaganda e desfile de vaidades não remuneradas (recebem o salário do prestígio social) que eficácia, duvidando-se que se sinta ou haja uma simples brisa de cidadania que, para ser europeia, terá que começar por ser portuguesa. Portuguesa e com exemplos a serem dados lá do alto.
Para tanto, a partir de segunda (27) ficará constituída uma “equipa operacional” com representantes do Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto, da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, do Alto Comissariado para a Imigração, e da Direção-Geral do Consumidor. Claro que o Gabinete de Meios para a Comunicação Social não poderia faltar para que se encha a imprensa regional de press-releases.
Além disso, contar-se-á como uma nutrida Comissão Nacional de Acompanhamento de 32 elementos, do governo (MNE lá pelo meio) à CGTP, do Provedor de Justiça à DECO, dos governos dos Açores e da Madeira à União das Misericórdias e confederações patronais, só faltando a Conferência Episcopal Portuguesa e as organizações que observam e lutam contra a corrupção... Acompanhamento não faltará.
E o que tem em vista?
À cabeça, todo esse pelotão tem em vista “promover a compreensão e difusão da dimensão política e jurídica do conceito de cidadania europeia”. Depois, “identificar os obstáculos que impedem o eficaz exercício da cidadania europeia em Portugal” e “fomentar a compreensão mútua entre os portugueses e os demais cidadãos europeus, respeitando e celebrando a diversidade cultural, contribuindo do mesmo modo para o diálogo intercultural”. Só isto, é um tratado.
MAs não fica por aí, porquanto, tenhamos paciência para conhecer tão ciclópico trabalho, o pelotão vai, até que enfim, “sensibilizar os portugueses para os direitos inerentes à cidadania europeia, entre os quais o direito de circular e permanecer livremente no território da União, bem com todos os outros direitos garantidos aos cidadãos da União, sem discriminação, independentemente do Estado -Membro em que residam”. E também até que enfim. “enraizar nos portugueses a forma como podem beneficiar dos direitos da União, bem como sobre as políticas e programas que existem para apoiar o exercício desses direitos”.
Finalmente, o que nunca pode faltar: promoção de de ações, debates e reflexões relacionadas com a dita “cidadania europeia” e, como se já fosse pouco esse trabalho e algo de diferente do já indicado, uma tarefa sublime – “refletir sobre os desafios futuros que se colocam à cidadania europeia no contexto de uma União Europeia mais integrada”.
Vai por aí passar um ciclone de conferências que, sabendo-se o que a casa gasta, com mais propaganda e desfile de vaidades não remuneradas (recebem o salário do prestígio social) que eficácia, duvidando-se que se sinta ou haja uma simples brisa de cidadania que, para ser europeia, terá que começar por ser portuguesa. Portuguesa e com exemplos a serem dados lá do alto.
19 Maio 2013
O erro alemão, deutsch fehler
Não é de crer que a Alemanha queira ou deseje provocar mais um grande conflito europeu como os dois que armou no século XX, um no típico estilo prussiano e outro na lógica de uma ditadura erguida sobre uma democracia indolente e mal avisada. Todavia, o facto de não querer ou não desejar, não significa que a Alemanha não resvale para essa tendência sem que se saiba até que ponto ela pode ser contida, emendada ou até rejeitada pelos próprios alemães. O governo da chanceler Merkel, animado por alguma popularidade interna episodicamente mais alta ou mais baixa, está hoje longe dos pressupostos que estiveram na base da constituição das Comunidades Europeias e que ditaram o rumo para uma União Europeia, incompleta como união e longe de esconjurar nacionalismos que têm tudo menos de europeu. É impossível uma união que não ultrapasse o patamar de mero grémio ou sindicato de soberanias que só por hipocrisia se recolhem e que por isso mesmo prosseguem as clássica estratégias de intervenção. Este tem sido o erro alemão que antes da crise económica e financeira era latente mas que ficou exposto mal a doutrina dos factos revelou o estado dramático em que a Europa projetada se encontra. Com uma Comissão Europeia tibiamente burocrática, sem golpe de asa e que se arrasta quotidianamente no oportunismo político, não se falando das outras figuras de retórica e meramente decorativas a que correspondem as instituições europeias decorrentes do Tratado, a Alemanha permitiu-se interferir nos outros Estados parceiros, a começar pelos mais fragilizados pela crise, pondo condições, aconselhando intempestivamente orientações sobretudo na política económica e nos modelos sociais, estigmatizando por conveniências próprias os "países do sul" como exemplos a punir, e arrastando os países satélites de Berlim nesse entusiasmo de divisão, alguns dos quais não se coibiram de ser embaixadores do propósito que passou a ser mais germânico que alemão, no simbolismo trágico que os adjetivos acarretam. O erro alemão consistiu e continua a ser prosseguido nessa interferência condicionante e intervenção declarada do "Estado mais forte", a tal ponto que não apenas os alemães mas já grande parte da Europa chegou a pensar que a União Europeia era ou é uma realidade paga pela Alemanha, pelo que a Alemanha terá ou tem direitos próprios de exceção democrática, ou que a Europa, incluindo os países do sul não pagaram absolutamente nada para que a Alemanha seja o que é, designadamente para a sua recomposição territorial. Por esse erro alemão, os Estados mais fracos da almejada união, serão os primeiros a pagar, como já estão a pagar. Mas chegará a vez, possivelmente em último lugar, de ser a Alemanha a pagar pelo seu próprio erro.
18 Maio 2013
Diplomacia Cultural
Nuno Júdice que não é humorista, não é apresentador de televisão, não é contador de historietas brejeiras, não é vendilhão dos cinco sentidos, não é vedor de notáveis, não faz redações colegiais votadas aos elogios de quem não leu um livro até ao fim, e não é capacho de poderes e comitivas, porque não é nada disso – é poeta, grande poeta, reconhecido poeta entre os maiores – foi galardoado com o Prémio Rainha Sofia de Poesia ibero-americana pelo conjunto da sua obra poética, desenvolvida há mais de três décadas, e que, segundo realça o júri, constitui uma contribuição relevante para o património cultural ibero-americano.
O prémio é atribuído desde 1992. Até agora, por entre poetas portuguesas, apenas Sophia de Mello Breyner fora galardoada, em 2003. Nuno Júdice é o 22.º poeta a ser premiado, por entre vultos como João Cabral de Melo Neto ( Brasil, 1994), Mario Benedetti (Uruguai, 1999), José Antonio Muñoz Rojas (Espanha, 2002), José Emilio Pacheco (México, 2009), Fina García Marruz (Cuba, 2011) e Ernesto Cardenal (Nicarágua, 2012).
O Prémio Rainha Sofia de Poesia insere-se no âmbito do Acordo-Quadro de Cooperação Cultural entre a Universidade de Salamanca e do Património Nacional, designação dada em Espanha a um organismo público que, sob o Ministério da Presidência do Governo de Madrid gere os bens de propriedade do Estado. Simbolicamente tem o nome da Rainha Sofia, alegadamente pela sensibilidade literária que ela demonstrou e pela sua vontade expressa de reconhecer a difícil e sublime escrita que é a poesia.
Nuno Júdice foi conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris, numa época em que, sem continuidade, Portugal apostava em figuras credíveis e consolidadas para ancorar a ação e atividade cultural externa (Eduardo Prado Coelho, Maria Velho da Costa, Eduardo Lourenço e João de Melo, entre outros). Foi uma época.
O prémio é atribuído desde 1992. Até agora, por entre poetas portuguesas, apenas Sophia de Mello Breyner fora galardoada, em 2003. Nuno Júdice é o 22.º poeta a ser premiado, por entre vultos como João Cabral de Melo Neto ( Brasil, 1994), Mario Benedetti (Uruguai, 1999), José Antonio Muñoz Rojas (Espanha, 2002), José Emilio Pacheco (México, 2009), Fina García Marruz (Cuba, 2011) e Ernesto Cardenal (Nicarágua, 2012).
O Prémio Rainha Sofia de Poesia insere-se no âmbito do Acordo-Quadro de Cooperação Cultural entre a Universidade de Salamanca e do Património Nacional, designação dada em Espanha a um organismo público que, sob o Ministério da Presidência do Governo de Madrid gere os bens de propriedade do Estado. Simbolicamente tem o nome da Rainha Sofia, alegadamente pela sensibilidade literária que ela demonstrou e pela sua vontade expressa de reconhecer a difícil e sublime escrita que é a poesia.
Nuno Júdice foi conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris, numa época em que, sem continuidade, Portugal apostava em figuras credíveis e consolidadas para ancorar a ação e atividade cultural externa (Eduardo Prado Coelho, Maria Velho da Costa, Eduardo Lourenço e João de Melo, entre outros). Foi uma época.
Corrupção e negócios de risco
Relatório sobre corrupção nos negócios. Portugal não sai bem na fita.
Por exemplo, quanto à prática de suborno, com o Quénia à cabeça, Portugal é apenas antecedido pela Grécia, Croácia e Eslovénia...
Ler AQUI relatório completo
Por exemplo, quanto à prática de suborno, com o Quénia à cabeça, Portugal é apenas antecedido pela Grécia, Croácia e Eslovénia...
Ler AQUI relatório completo
Artigos Definidos Regressa a Carta do Canadá
FALAR CLARO
Fernanda Leitão

Creio que, nos últimos dias, há dois acontecimentos positivos a registar: as declarações de Lobo Xavier e Pacheco Pereira, e a entrada para o secretariado e Comissão Política do PS de António Costa e Francisco Assis.
Lobo Xavier (CDS) e Pacheco Pereira (PSD) afirmaram, na SIC, portanto perante todo o país, que Portugal nunca devia ter pedido o resgate e deixado entrar a troika, o que em sua opinião destruiu o pais, e que não devia ter sido derrotado o PEC IV e com ele o governo anterior (e eu acrescento que o foi com a entusiástica colaboração do PC e do BE, históricos adeptos do quanto pior, melhor).
(...)
Portas de outrora
É claro que o pessoal do MNE tem um fim-de-semana garantidamente divertido, com coisa par ler em casa. Será de mau tom e até disciplinarmente perigoso, entrar na segunda-feira pelas Necessidades com a revista do Expresso a dedicar aquelas páginas a Paulo Portas no tempo em que era "anarquista de direita" - Deus Pinheiro que o diga, naquela história da manta da TAP. Em todo o caso, este jornalismo de investigação tem o que se lhe diga. As agendas não caem do céu.
O assunto da FLAD
Sobre o assunto da FLAD, que o primeiro-ministro ainda não tenha decidido, não é notícia; que Luís Amado pode vir a ser presidente da fundação-ponte para os EUA, é tão notícia como 43 outros puderem vir a ser, mas dado que a hipótese de um governo de iniciativa presidencial está posta de lado, quando muito, Amado está tão bem colocado como mais uns quatro ou cinco. Notícia será que, até na FLAD, Maria de Lurdes Rodrigues já colocou a sua marca patenteada: mau ambiente.
3.º secretário, adjunto do primeiro-ministro
Hugo de Melo Palma, 3.º secretário de embaixada, foi nomeado adjunto do gabinete de Pedro Passos Coelho.
Currículo
Licenciado em Relações Internacionais pelo ISCSP (Universidade Técnica de Lisboa); master of arts em Relações Internacionais e Diplomáticas da UE pelo Colégio da Europa (Bruges), onde foi assistente. Aprovado no concurso diplomático do MNE aberto em 2008; adido de embaixada, em abril de 2010; e 3.º secretário de embaixada em julho de 2012.
17 Maio 2013
MNE de Timor-Leste visita CPLP
Protocolo sobre... o que não consta
O que vai sendo aprovado no parlamento, cai de um dia para o outro ou nem chega a ver a luz do dia se algum jornal não destina duas linhas. Quando as coisas chegam à folha oficial, têm outro peso e significado. É o caso da resolução aprovada em 15 de fevereiro que aprova o "Protocolo sobre as Preocupações do Povo Irlandês a Respeito do Tratado de Lisboa", protocolo esse, assinado em Bruxelas em 13 de junho do ano passado. O Presidente ratificou esse protocolo a 8 de maio e o decreto é hoje publicado.
O que diz e a que leva esse protocolo? A que leva, desconhece-se; mas o que diz está lá. É um estranho protocolo que diz e volta a dizer o que não consta no Tratado de Lisboa e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia... Para se afirmar o que não consta será necessário um protocolo? É a questão. Se não consta, não é assunto.
De resto, agora só será de esperar que por aí seja feito um outro Protocolo sobre as Preocupações do Povo Português a Respeito do Tratado de Lisboa, se é que os seus representantes entendam que tem preocupações. Vale a pena ler AQUI
O que diz e a que leva esse protocolo? A que leva, desconhece-se; mas o que diz está lá. É um estranho protocolo que diz e volta a dizer o que não consta no Tratado de Lisboa e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia... Para se afirmar o que não consta será necessário um protocolo? É a questão. Se não consta, não é assunto.
De resto, agora só será de esperar que por aí seja feito um outro Protocolo sobre as Preocupações do Povo Português a Respeito do Tratado de Lisboa, se é que os seus representantes entendam que tem preocupações. Vale a pena ler AQUI
Barroso/Berlim
Era de esperar de Berlim um papel de apoio tático a Barroso. O essencial não foi desmentido nem foram desautorizadas as "fontes" de onde partiram as duras críticas à Comissão Europeia. A um ano e tal do final da mandato dos 27 comissários, era de esperar uma formalidade alemã. Circunstancial.
16 Maio 2013
Vão para perspetivar
E lá vai de viagem mais uma delegação parlamentar (seis deputados) da Comissão de Assuntos Europeus à XLIX COSAC, em Dublin, dias 23 a 25 de junho, para pensar e repensar os seguintes temas:
Não foi incluido um tema que será o mais importante:
- Balanço e Perspetivar o Futuro
- O futuro da integração europeia
- Concretizar a Política de Desenvolvimento
- Um futuro europeu para os jovens cidadãos
- Alargamento e Política de Vizinhança - preservar a dinâmica
Não foi incluido um tema que será o mais importante:
- Preparar o regresso e selecionar fotografias
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