02 novembro 2009

Consenso e continuidade, ou falta de debate e de golpe de asa?


A avaliar o que por aí se escreve, Portugal deve ter alcançado o ponto supremo da sua felicidade diplomática, se corresponde à verdade aquilo que sucessivos governos (e o actual na senda) reproduzem sempre e com intensa magnitude, e que uns tantos e virtuosos indivíduos isolados designam por consenso político e por continuidade em torno das grandes opções externas do país, mas que outras e defeituosas pessoas interpretam como falta de debate sério e atempado em torno das questões fundamentais, como exercício de ludíbrio da opinião pública e como expediente oratório dos políticos loquazes de serviço.

Onde os virtuosos garantem que há o infartável brilho do consenso, os indivíduos defeituosos vêem nisso um sintoma de como não há ou foi subtraído espaço social para a discussão crítica dos temas colectivos, e para piorar o defeito, observam esses que a discussão parece o que não é desde que ela decorra, como decorre, sob controlo ou com prévia garantia de que o argumento de autoridade esmague qualquer devaneio inesperadamente provocante.

Há um suposto consenso e deveras uma continuidade sobre o que não falamos nem discutimos, sobre o que não queremos falar nem queremos discutir – a questão europeia, por exemplo, como se verificou na oportunidade perdida do referendo mas que, tendo sido perdida, alguns continuam a considerar virtuosa. É como que aproveitar a premissa de abertura daquela falácia anedótica: tu tens o que não perdeste… Na verdade, seja reconhecido, a política externa portuguesa apenas vai tendo o que não perdeu, embora não se saiba ao certo o que se tem e o que foi perdido.

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