Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Motivos de relações internacionais.
26 novembro 2011
Diplomacia económica municipal
Conversa hoje com um consultor de empresas sobre a história da instalação de um parque de gás numa região onde não há qualquer parque de gás. A instalação suporia a criação de empregos, além do mais. Dirigiram-se a uma câmara que levou dois anos e meio a dar resposta. Resposta torcida, mas não desligada dos três grupos de interesses detectados nessa câmara, cada um a puxar a brasa à sua sardinha, com o presidente atado a não poder fazer nada. Dirigiram-se a outra câmara de município contíguo, apresentaram o projeto que segue o modelo de outros projetos já instalados por essa Europa a fora, mas primeiro porque o parque ali inviabilizava outros projetos que poderiam vir (nenhum veio até hoje...), segundo que o parque acoli destoava, terceiro que o parque não se enquadrava no que não foi bem explicado, sabendo-se pouco a pouco que as demoras de prendiam com o despique entre dois grupos de interesse cada um com apetites em lucros informais. Passaram mais três anos e meio, desta vez, e dirigiram-se a uma terceira câmara que, enfim, lá arranjava um local para a instalação do parque mas sem acessos, pelo que a empresa do parque teria que adquirir aquele terreno, a parcela de outro e mais dois terrenos para dispor do dito acesso, sabendo-se entretanto que os terrenos,a final, eram de decisores ou de compadres. Lá passaram mais dois anos e meio, portanto oito anos sobre o propósito inicial... Não há parque e os investidores foram-se, como é óbvio, e hoje nenhuma das três câmaras tem dinheiro sequer para fazer as iluminações de Natal. A história tem mais pormenores (engenheiros, paisagistas...) que seria fastidioso narrar, mas em resumo, como diria Jorge Coelho parafraseando-se a si próprio, "quem se mete com a diplomacia económica municipal, leva".
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