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16 outubro 2008

Conselheiros do Reino Unido. Pedem intervenção do Presidente da República

CONSULADO-GERAL DE LONDRES É A QUESTÃO Primeiro sinal de que o primeiro plenário do Conselho das Comunidades Portuguesas não é uma assembleia amorfa, aí está. Os conselheiros que representam os emigrantes no Reino Unido endereçaram um carta aberta a Cavaco Silva solicitando a sua intervenção ou magistério de influência (como se diz) para solucionar o problema do Consulado-Geral em Londres.

    Dizem os conselheiros que «face à situação a que chegaram os serviços consulares no Reino Unido e atendendo a que, em 5 anos, passaram 5 Cônsules Gerais pelo Consulado de Londres, os Conselheiros do Reino Unido consideram que é por demais evidente a pobre resposta dos serviços consulares e da política de intervenção do Governo em termos de emigração portuguesa.»

    Em
    Notas Formais (a serem reactivadas) NV publicarão essa carta na íntegra, bem como uma outra endereçada, em Fevereiro, a António Braga sobre a mesma questão.

21 maio 2008

Rede consular à lupa

CONFUSÃO Refere-se hoje o Público aos relatórios semestrais a que titulares de postos e secções consulares vão ficar obrigados e a cartas de missão. Confusão. Confusão com planos de missão, como veremos. As cartas de missão têm a ver com o SIADAP, instrumento conexo ou afim à contratualização e definição de objectivos visando o procedimento da avaliação dos diplomatas. Os relatórios semestrais, previstos no novo Regulamento Consular, naturalmente que irão provocar reflexos, repercussões e aflições mas não têm a ver, ou só muito indirectamente têm a ver com as cartas de missão. Além disso, para além dos relatórios semestrais, há o plano e o relatório anual que chega ao ministro. Não há filtros.

    Com rigor, o novo regulamento vai estipular que postos e secções consulares de embaixada (diplomatas da carreira, todos eles) tenham que enviar ao MNE com cópia para a embaixada do respectivo país, relatório referente à actividade consular até 31 de Julho e 31 de Janeiro de cada ano.

    Tal relatório deve incidir em seis precisos pontos:

    1. Número, características e metas atingidas das acções empreendidas com destaque a para iniciativas culturais, educativas, económicas e sociais
    2. Número e natureza dos actos consulares, em conformidade com o registo no sistema informático de gestão consular (portanto, nada daquele «à volta de» e «cerca de» ou mesmo aquele «não obstante foi mais do que consta»)
    3. Indicação de resultados obtidos
    4. Grau de realização dos objectivos propostos
    5. Análise da actuação empreendida
    6. Planeamento de iniciativas futuras

    Além disso, os postos e secções consulares de embaixada, até 31 de Outubro de cada ano, terão de enviar um «plano de missão» com a definição dos objectivos a atingir no ano seguinte, e, até 31 de Março, o relatório anual das actividades em constem:

    1. Objectivos definidos no plano de missão
    2. Resultados alcançados

    Este plano de missão anual e o relatório anual são submetidos a homologação do ministro, sabendo-se o que a palavra homologação significa na Casa.

    Quer isto dizer que acabará aquela velha regra que cônsul anterior faz vigorar para cônsul sucessor: «Pá! Se queres ser promovido não faças nada, não levantes ondas! Quem mais e melhor faz, mais é punido!» E, de facto, muitos foram os promovidos bastando-lhes cumprir escrupulosamente esta regra… porque também muitos, avessos à matreirice, por não a terem cumprido, ficaram por isso na prateleira.

02 abril 2007

[Consulados:França] Resultados por áreas

Resultados por áreas consulares AQUI em Notas Formais.

01 abril 2007

[Consulados:Consulta:França] O dobro dos votantes nas presidenciais...

Resultados, a seco. A imaginosa consulta promovida nas áreas de emigração em França, implicando Paris, Nogent, Versalhes, Orléans e Tours, sobre a reforma consular, deu como resultado o seguinte:
      Total de votantes: 6.565 (51 mesas de voto)

      6.522 não concordam com o encerramento dos Consulados
      34 concordam com o encerramento dos Consulados
      9 votos nulos
A consulta foi promovida pelos Colectivos de defesa dos Consulados de Portugal em França e pelo o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) e, para os promotores, o número de votantes ultrapassou em muito as expectativas mais optimistas: para as eleições Presidenciais de Janeiro de 2006, nas mesmas áreas consulares, votaram 3.361 Portugueses. Para este referendo, tal participação foi duplicada.

O Conselho das Comunidades Portuguesas solicitou uma audiência ao Presidente da República, aguardando a todo o momento o agendamento. O mesmo órgão represntativo dos emigrantes diz que também tem vindo a solicitar, em vão, uma audiência com o Primeiro Ministro.


À pergunta «Concorda que o Governo encerre os Consulados de Nogent, Versailles, Orléans e Tours e crie um mega-Consulado em Paris?», os Portugueses residentes nestas áreas consulares responderam claramente que não - 99,35%.

23 março 2007

Reino da improvisação.

Como é possível ter havido uma Resolução do Conselho de Ministros sobre matéria cujo teor e implicações o decisor revela desconhecer depois da decisão? Decide-se sobre o consulado virtual sem se saber previamente o que pode ser feito e como pode ser feito?

Eis a missiva agora expedida do MNE para os postos. Comentários ficam para depois.

Assunto: Actos consulares feitos virtualmente

Bom dia, tarde ou noite,

Tendo-se iniciado a fase inicial de análise do Consulado Virtual e da futura aplicação Web do SGC (estilo PEP), agradecia que sugiram que tipo de actos consulares e a forma de os executar, por via remota ou virtual através dum portal de acesso à Internet ou quiosque, de forma a optimizar a execução/realização dos mesmos, ou seja, quais os actos consulares que poderiam ser executados sem a presença física do utente e enviados para o endereço postal do utente.

Outra abordagem será que pensar que tipo de actos consulares poderiam beneficiar de algum registo ou preenchimento de formulários por via remota, para quando o utente se apresentasse no Posto Consular a requerer tais actos, a execução e pagamento do acto fosse mais expedita do que é actualmente através da corrente aplicação SGC.

Até à data já existe uma pequena abordagem no site
www.secomunidades.pt – clicando no item Consulado Virtual clique aqui para saber mais

Os melhores cumprimentos,

Ministério dos Negócios Estrangeiros
G.I.C. - Grupo de Informatização Consular

22 março 2007

[Diálogo.Com] Jorge Veludo, Secretário-Geral do STCDE. «Há funcionários a dirigir postos sem estar acreditados»

Jorge Veludo. O Secretário-Geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas no Estrangeiro, diz a NV: ODiversas decisões foram ao encontro do parecer do sindicato, mas que as reservas sobre a bondade da reforma continuam a existir e a não merecer aceitação em algumas medidas. Quanto ao consulado virtual, Jorge Veludo adverte que não é uma alternativa eficaz além de que o governo agiu pela ordem inversa "na miragtem dos amanhãs que cantam". Sobre a Convenção de Viena, o dirigente do STCDE afirma que o estado não cumpre ou não aproveita, dando nota negativa à protecção consular tal como está ou vai estando cada vez mais. Finalmente, Jorge Veludo insta para a obrigação do estado observar a acreditação dos funcionários - há alguns a dirigir postos sem estar acreditados. E dá um exemplo incómodo...


Os contributos do STCDE para a Reforma Braga, foram tidos em conta?
    Sem a pretensão de termos sido os fautores (de algumas) das alterações ao projecto original, que agora encontramos plasmadas na resolução do Conselho de Ministros, apraz-nos registar que diversas decisões vêm ao encontro do que defendemos no nosso parecer (ver páginas sindicais AQUI e AQUI).

    Desde logo o não encerramento de um grupo de pequenos postos cuja extinção estava prevista - New Bedford (que se mantém), Vigo, Toulouse e Providence (que passam a vice-consulados), Sevilha, Lille e Nova Iorque (que passam a meros escritórios, que consideramos uma solução mitigada pouco adequada), Osnabrück e Curitiba (originalmente escritórios, que vão tornar-se vice-consulados) e Madrid (cuja passagem a secção consular nos pareceu lógico sugerir para "compensar" a não extinção de Vigo, Sevilha e Bilbau).

    Para além disso, e numa perspectiva de reforma consular, agradam-nos as referências à necessidade de promover medidas de modernização, informatização, melhorias na organização, introdução e uniformização de procedimentos, que sempre defendemos serem o primeiro passo de qualquer reforma, propósitos cuja efectivação apoiamos vivamente.
À parte isso, a Reforma Braga satisfaz o STCDE?
    A Reestruturação Consular é uma decisão da competência governamental que não é feita para satisfazer o STCDE, devendo prosseguir uma política coerente no âmbito das relações consulares, nomeadamente no apoio às comunidades, através de serviços eficazes e adaptados, e respondendo às suas necessidades, salvaguardando os direitos dos trabalhadores dos serviços consulares.

    Sempre que a RC se aproxima destes princípios o STCDE fica satisfeito. No entanto, considerando quer o seu projecto inicial, quer o que foi decidido, as reservas sobre a bondade da RC continuam a existir e em relação a certas medidas a não merecer a nossa aceitação.

    É sabido que o nosso parecer comportava uma série de pressupostos e propostas que não mereceram acolhimento, como sejam as questões fundamentais da formação dos funcionários e da avaliação, e devendo sublinhar-se, em termos de rede, e sem ser exaustivo, a desadequação das "soluções honorárias" em Bilbau, Durban, Milão, para além da mais do que insuficiente revisão dos propósitos "parisienses", que deixam Comunidades significativas desguarnecidas e, parece claro, consubstanciam uma centralização inexplicável e arriscada (compare-se, por contraste, com o recuo na Nova Inglaterra).

    A resolução evoca ainda o propósito de instituir presenças consulares, o que, para além de ser uma solução dispendiosa por exigir deslocações, se compreende para acorrer a comunidades de dimensão razoável e relativamente longe do serviço consular, desde que devidamente organizadas, mas não são solução satisfatória para substituir serviços extintos que tinham toda a razão de ser.

    É de enaltecer a confiança demonstrada relativamente à capacidade dos funcionários externos para dirigir serviços, como já vinham demonstrando, naturalmente enquadrados nas estruturas hierárquicas (que ainda carecem de alguma definição). Esta confiança dignifica o serviço consular, que tem sido o parente pobre das nossas relações externas.

    Mas o nosso veredicto final sobre a RC só poderá ser proferido após a sua aplicação prática e, para isso, além de uma série de processamentos legais - exº: como os escritórios integram outros postos consulares, Nova Iorque vai ser um escritório de Newark? -, vamos ter de negociar com o SECP os moldes da sua concretização prática no sensível capítulo dos recursos humanos. Se o SECP entender as nossas preocupações e assumir uma postura de protecção dos seus funcionários, como nos afirmou, a fim de concretizar a RC de forma a não prejudicar (mais) os funcionários consulares, então poderemos vir a ficar razoavelmente satisfeitos com a “Reforma Braga”. Neste momento ainda não é possível avaliar a situação, pois falta agendar as reuniões, definir critérios e calendários, chegar a resultados aceitáveis.
Que avaliação faz o STCDE do consulado virtual?
    Por enquanto, tanto quanto é do conhecimento do STCDE, trata-se apenas de um anúncio, sem grandes explicações concretas de como vai funcionar. Não podemos negar que, no âmbito da modernização e simplificação da AP, incluindo os serviços no exterior, esta inovação, possa vir a ser um projecto de futuro. No entanto, a breve prazo, tendo em conta que um grande número de actos consulares exigem assinatura presencial, e dadas as características da maioria da população de potenciais utilizadores, não cremos que seja uma alternativa eficaz aos serviços de proximidade, tanto mais que as coisas são feitas pela ordem inversa: começa por se extinguir o que existe na miragem dos amanhãs que cantam, em lugar de, pela criação de alternativas adequadas, ir explicitando o esgotamento das anteriores soluções.
O STCDE considera que Portugal está a cumprir a Convenção de Viena relativa às Relações Consulares?
    Esta questão abrange aspectos muito vastos, podendo ser respondida em termos globais ou conjunturais.

    Globalmente, se pegarmos no seu art°. 5º - "Funções Consulares", parece-nos óbvio que o Estado Português não cumpre, ou melhor não aproveita, todas as possibilidades de intervenção a nível consular, que vão muito além da "produção" de actos consulares.

    E, neste aspecto, entende-se mal o anúncio de que vão ser estudadas novas missões da acção consular, quando aquele artº. 5º já prevê uma vasta panóplia de campos de actuação, que não são explorados por manifesta insuficiência de meios humanos e materiais - e não vemos propósitos de alterar a situação.

    Pelo contrário, é cada vez mais gritante o contraste entre a protecção consular que sucessivas situações concretas vêm exigindo - ou os anúncios de intervenção nas vertentes económica e cultural - e a falta de pessoal ou de meios financeiros para lhes fazer frente. Por exemplo: os técnicos de serviço social e cultural nos serviços constituem uma espécie em vias de extinção!

    Conjunturalmente, tendo presente a anterior reestruturação consular e a que agora se vem desenhando, há que chamar a atenção para a necessidade de observar a indispensável acreditação dos funcionários - há alguns a dirigir postos sem estar acreditados, na anterior reestruturação um funcionário foi detido nos EUA por tentativa de transferência à sucapa e vários estiveram meses impedidos de levantar a sua bagagem e de legalizar a sua situação no destino -, assim como, já que se pretende abrir escritórios em vez de agências, para o ponto 5 do art°. 4 da "Convenção": "o consentimento expresso e prévio do Estado receptor é igualmente necessário para a abertura de um escritório fazendo parte de um posto consular existente, fora da sede deste".

[Reforma.Braga] Demissão no Conselho das Comunidades.

David Gomes. Eleito em Orléans/Tours. A reforma consular provocou uma primeira demissão no Conselho das Comunidades Portuguesas: David Gomes, eleito representante na região de Orléans/Tours onde o Governo decidiu encerrar os dois consulados, e também membro suplente do Conselho Permanente do órgão consultivo.
    A fundamentar a demissão, David Gomes em carta endereçada para António Braga, afirma que «nos consulados a extinguir de Orléans e Tours, estão inscritos portugueses com empresas que se situam nas 10 primeiras da região, outros empregam mais de 1000 trabalhadores, outros ainda, fornecem cadeias de supermercados com volumes de negócios de dezenas de milhões de euros».

    David Gomes lembra ainda que «há cerca de dez anos não há concursos de admissão de novos funcionários nos consulados para substituir aqueles que saíram por motivos de reforma ou doença e que, por essa razão os serviços estão em ruptura» e que «esquecer o verdadeiro êxodo de Portugueses que chegam nestes últimos tempos à Suiça, à Inglaterra, ao Luxemburgo, à Alemanha e a França é demagogia, e é fugir à verdadeira razão de ser desta medida. Desinvestir, uma vez mais nas comunidades.»

21 março 2007

[Reforma.Braga] Diálogo com Jorge Veludo, em NV. Vamos saber qual a posição do STCDE

A posição do sindicato. Jorge Veludo, Secretário-Geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas no Estrangeiro, responde amanhã (dia 22, +/- 11:30 de Lisboa), às quatro questões colocadas por NV sobre a chamada reforma consular. As relações entre o STCDE e as Necessidades nem sempre têm sido fáceis, mas pode haver por aí surpresa para António Braga... Boa? Má surpresa? Saberemos amanhã.
NV solicitaram igualmente à ASDP (Associação Sindical dos Diplomatas) que se pronunciasse. As respostas do Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, Carlos Pereira, podem ser lidas AQUI.

20 março 2007

[Diálogo.Com] Carlos Pereira, presidente do Conselho das Comunidades. «Governo fez o contrário» do que devia fazer

Carlos Pereira. O presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, diz a NV: Os contributos do CCP foram muito pouco aproveitados, designadamente na hierarquização consular; a reforma não satisfaz; o consulado virtual é prematuro, e não conseguimos encontrar resposta à pergunta - para quê fazer toda esta reforma? Em nosso entender, primeiro definem-se as funções e os objectivos e só depois se ajusta a rede. O Governo fez o contrário: suprime Consulados e anuncia que vai iniciar uma reflexão sobre as novas funções dos Consulados...


Os contributos do CCP para a Reforma Braga, foram tidos em conta?
    Infelizmente, em termos de rede, o Senhor Secretário de estado aproveitou muito pouco a contribuição do CCP para o actual plano de reestruturação consular: deixou abertos os Consulados nos EUA e abre alguns postos, nomeadamente no Ticínio que era um velho pedido dos Conselheiros.

    Todo o aspecto inovador da «proposta» do CCP não foi tomado em consideração, nomeadamente a estrutura com hierarquias que sugeríamos para França, Estados Unidos e Brasil. Neste aspecto (Consulados ou postos consulares a dependerem de outros Consulados) a nossa proposta era moderna e funcional. Pena não ter sido seguida. O Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros ainda foi ao Parlamento falar de hierarquização dos Consulados, mas tal não consta do plano aprovado em Conselho de Ministros.
À parte isso, a Reforma Braga satisfaz o CCP?
    Uma reestruturação consular que encerra 12 Consulados, afastando a administração dos Portugueses residentes no estrangeiro nunca poderia satisfazer o CCP.

    Por outro lado, o plano evoca, mas não desenvolve, um aspecto que nos parece muito importante que são as novas funções que os Consulados deveriam ter (cf. documento do CCP disponivel AQUI ). Hoje os Consulados têm de ter novas funções.

    Em nosso entender, primeiro definem-se as funções e os objectivos e só depois se ajusta a rede. O Governo fez o contrário: suprime Consulados e anuncia que vai iniciar uma reflexão sobre as novas funções dos Consulados.

    A proposta de reestruturação consular é «gratuita» porque o Governo nem ganha financeiramente (apenas vai economizar, em média, cerca de 50.000 euros por ano por cada Consulado encerrado), nem traz melhorias no serviço aos utentes, porque afasta os Consulados dos utentes.

    A pergunta à qual não conseguimos encontrar resposta é: para quê fazer toda esta reforma?

    Quanto à forma: esta reestruturação consular foi feita num gabinete, por pessoas que não têm qualquer experiência nem conhecimento das Comunidades. Muniram-se certamente de um mapa e de um quadro exell com os números de actos consulares. O resultado (já o estávamos a prever) é mau.

    O Senhor Secretário de estado demorou dois anos para fazer a proposta agora aprovada em Conselho de Ministros (em qualquer empresa já lhe teriam perguntado porquê esta demora para apresentar um plano tão pobrezinho). Durante esse tempo, podia ter «rentabilizado» o Conselho das Comunidades, trabalhando com os Conselheiros, país por país, encontrando soluções de consenso e sobretudo, pensando nos utentes. Não o fez. Em nosso entender errou!

    Engraçado que na mesma semana em que o Senhor Secretário de estado anuncia aos jornalistas que o voto para as próximas legislativas passa a ser presencial (nos postos consulares), também anuncia que encerra Consulados. Raios de lógica!
Que avaliação faz o CCP do consulado virtual?
    O CCP não se opõe ao Consulado virtual. Todos nós o queremos utilizar com muita urgência. Eu quero ser o primeiro a poder fazer um passaporte de minha casa, no meu computador. Quero evitar de ir ao Consulado para recolher os meus dados biométricos.

    Quando o Consulado virtual estiver a funcionar, então que se estude a viabilidade de encerrar todos os postos Consulares espalhados pelo mundo, mas também todas as conservatórias de registo civil em Portugal.

    Mas hoje, ainda não existe Consulado virtual, por isso, é prematuro antecipar o encerramento de postos alegando que um dia teremos um!

    A posição do CCP é, pois: mostrem-nos primeiro o Consulado virtual. Mostrem-nos onde vão gastar os tais 7 milhões de euros que têm previstos para desenvolver o Consulado virtual!
O CCP considera que Portugal está a cumprir a Convenção de Viena relativa às Relações Consulares?
    Deixo esta resposta para a ASDP e para o STCDE.

    No entanto, sobre este tema, penso que é necessário trabalhar de forma a agilizar a rede consular para além das fronteiras de cada país.

    Por exemplo: Os (muitos) Portugueses que residem em Nancy e em Metz (França) têm de se deslocar a Estrasburgo (fazer mais de 400 kms) para tratar dos seus actos consulares, enquanto que têm o Consulado do Luxemburgo a alguns quilómetros…!

    Mas, infelizmente, sobre esta questão, ninguém parece querer trabalhar. E é pena!

19 março 2007

[Reforma.Braga] Diálogo com Carlos Pereira, em NV. Vamos saber qual a posição do CCP

As questões-chave. Carlos Pereira, que preside à estrutura executiva do Conselho das Comunidades Portugueses, órgão legalmente representativo das diversas estruturas eleitas, em cada estado de acolhimento, pelos portugueses emigrados em todo o mundo, responde amanhã (20, +/- 11:30 de Lisboa), a quatro questões colocadas por NV sobre a chamada reforma consular. E estamos em crer que um leitor garantido (do écrã ou da cópia) será o próprio secretário de estado António Braga... A democracia obriga a que seja do seu próprio interesse.

NV solicitaram igualmente à ASDP (diplomatas) e ao STCDE (trabalhadores dos postos externos) que se pronunciassem. Estas duas organizações juntamente com o CCP foram as que o MNE considerou como parceiros neste polémico e conturbado processo. O STCDE já confirmou o seu depoimento, enquanto a ASDP ainda não o fez, aguardemos.

15 março 2007

Governo consular. Tremenda falta de comunicação

Quatro eixos. O Conselho de Ministros decidiu sobre a questão consular, está decidido. Em concreto, o governo aprovou «os princípios orientadores e o conteúdo da reforma consular», enunciando aquilo a que chamou «quatro eixos», com promessa de desenvolvimento «ao longo de 2007».
Lendo bem o que está nestes eixos, e vendo bem o que fora dos eixos ficou, não é difícil chegar à conclusão de que o governo, nesta matéria, revelou uma tremenda falta de comunicação - nem as ideias que tem é capaz de comunicar, anda à volta, contorna, usa palavras que não são cem por cento sinónimas das palavras que sugere terem correspondência ao que pensa mas que também dão justificar aquela percentagem do que pretende executar sem que ninguém pense ou nisso pense o menos possível. Para um governo chegar a meio do mandato e, só agora, conseguir aprovar quatro eixos, além disso quatro eixos estafados por cada um dos governos anteriores (então como Cesário os estafou!) apenas não é definitivamente defraudante porque ainda se tem a esperança de que o governo algum dia queira (porque saber, sabe e melhor que muitos) pois queira distinguir o que é marketing político e comunicação.

10 março 2007

Paulo Pisco/António Franco.Melhor: António Franco/Paulo Pisco

Tosco e de serventia. O texto que Paulo Pisco publicou no semário Expresso (24 de Fevereiro) sobre a questão consular, um texto tosco e de serventia, perder-se-ia na memória se o embaixador António Franco não o ressuscitasse neste sábado e no mesmo jornal. E como ressuscitar textos toscos e de serventia dá muito trabalho, é intrigante que António Franco se tenha dado a isso, quando, à frente da Associação dos Diplomatas, poderia e deveria ter-se dado a muito mais - publicamente, claro, e não apenas no micro-ondas em que as Necessidades esturrisca qualquer ideia válida a 950W que foi a potência usada por Paulo Pisco para esturriscar. Mas ainda bem que, apesar de tarde, António Franco vem publicamente ao debate de ideias porque é o debate de ideias que está em causa.

E assim é que, não pela importância do texto tosco e de serventia de Paulo Pisco, mas porque este escreveu com os galões intimidatórios de «Director do Departamento Internacional e de Comunidades do PS», NV colocaram esse mesmo texto tosco e de serventia em Notas Formais, não só para que conste mas porque nos iremos pronunciar depois dos leitores avaliarem bem esse texto que para nós é tosco e de serventia e diremos oportunamente porquê. Antes leiam AQUI

05 março 2007

[Consulados] Mas quem anda a enganar?

Não é de lei, mas tem jeito disso. Solicitam bastantes notadores e alguns leitores de NV (foi deixado transparecer que um dos leitores será mesmo alguma «fonte oficial» por entre as muitas das Necessidades que, não chegando a oficiosas e sendo meramente oficialistas ou oficinais, não dão a cara) pois solicitam que façamos prova de que o documemento sobre a reestruturação foi apresentado como «proposta» e não como «estudo preliminar»...

Se desafiam, vamos à prova, mas antes dois considerandos:
    Primeiro. A tratar-se de equívoco como acreditamos que seja, devia o MNE ter cortado o «engano» pela raiz quando no seminário diplomático, embaixadores questionaram frontalmente a proposta. Não cortou.

    Segundo. Quando o equívoco começou a aquecer em banho-maria (fomos dando conta das reservas e reparos da Associação dos Diplomatas, do STCDE e do CCP quanto ao processo), o MNE devia ter feito nota oficial, oficial mesmo e não recados lusos, pondo os pontos nos iis. Não fez.
O documento, apresentado como «A Proposta» e não como «Estudo Preliminar», é público e está publicado, por exemplo, no site oficial do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas no Estrangeiro (STCDE), de onde reproduzimos a elucidativa página 14, onde nomeadamente constam as extinções em Espanha e em França.

(Clique sobre a imagem, para ampliar)

Consulados. Balbúrdia

A propósito da balbúrdia consular. A agência Lusa reportava ontem afirmações atribuídas a fonte oficial, depois fonte da Secretaria de Estado das Comunidades, segundo a qual,
    1 - "O número de portugueses não é critério (para a reestruturação consular), mas antes o número de actos consulares (emissão ou renovação de documentos)"

    2 - "Lamentavelmente as pessoas estão a ser enganadas e o que não passa de um estudo preliminar foi-lhes apresentado pelos parceiros como um projecto final"

Diga-se o seguinte:
    1 - Os critérios usados para se chegar à elaboração da proposta, foram explicitados no documento apresentado e circulado pelos «parceiros». Contrariamente ao que terá dito a «fonte oficial» - continuamos nesta: se é oficial, não se percebe porque não é identificada - tais critérios foram com exactidão aqueles que NV descreveram em 18 de Fevereiro AQUI. O número de portugueses (residentes e inscritos) vem à cabeça, o número de actos consulares segue-se. Nenhuma fonte oficial pode afirmar que o número de portugueses «não foi critério». Assumidamente foi.

    2 - O documento circulado não termina com um «estudo preliminar» mas exactamente com a proposta. É uma irresponsabilidade e uma leviandade afirmar-se, com rosto oficial mas encoberto, que «as pessoas estão a ser enganadas» sem explicitar quem está a enganar e no que se anda a enganar. Se é este o caso, deve dizer e depressa, para que a balbúrdia não aumente. É inacreditável que uma fonte oficial faça juízos de intenção não suportados.

19 fevereiro 2007

Convenção de Viena sobre Relações Consulares. Transformemos cada alínea numa pergunta...

Exercício. Apenas porque no documento «técnico» da Reestruturação Consular nem uma única vez se cita a Convenção de Viena sobre Relações Consulares que Portugal ratificou em 1972, apenas por isso se reproduz aqui o Artigo 5.º desse instrumento vinculativo. As funções consulares consistem no que foi convencionado entre os Estados, e qualquer projecto ou proposta de reforma deveria começar por avaliar se Portugal assume, ou como é que assume o que convencionou, e se disso, ou como disso tira partido. Cada alínea, num estudo sério, deveria equivaler à formulação de um problema. Faremos isso, mas, por ora, tenham santa paciência, é longo, no entanto vale a pena recapitular, mesmo para quem saiba ou julgue saber de cor e salteado.

ARTIGO 5.º Funções consulares

As funções consulares consistem em:

a) Proteger no Estado receptor os interesses do Estado que envia e dos seus nacionais, pessoas singulares ou colectivas, dentro dos limites permitidos pelo direito internacional;

b) Fomentar o desenvolvimento das relações comerciais, económicas, culturais e científicas entre o Estado que envia e o Estado receptor e promover por quaisquer outros meios as relações amistosas entre eles dentro do espírito da presente Convenção;

c) Informar-se, por todos os meios lícitos, das condições e da evolução da vida comercial, económica, cultural e científica do Estado receptor, informar a esse respeito o Governo do Estado que envia e fornecer informações às pessoas interessadas;

d) Emitir passaportes e outros documentos de viagem aos nacionais do Estado que envia, assim como vistos e documentos apropriados às pessoas que desejarem viajar para o Estado que envia;

e) Prestar socorro e assistência aos nacionais, pessoas físicas ou jurídicas, do Estado que envia;

f) Agir na qualidade de notário de conservador do registo civil e exercer funções similares, assim como certas funções de carácter administrativo, desde que não contrariem as leis e os regulamentos do Estado receptor;

g) Salvaguardar os interesses dos nacionais, pessoas físicas ou jurídicas, do Estado que envia, nos casos de sucessão verificados no território do Estado receptor, de acordo com as leis e os regulamentos do Estado receptor;

h) Salvaguardar, dentro dos limites fixados pelas leis e regulamentos do Estado receptor, os interesses dos menores e dos incapazes nacionais do Estado que envia, particularmente quando para eles for requerida a instituição da tutela ou curatela;

i) Representar, de acordo com as práticas e procedimentos que vigoram no Estado receptor, os nacionais do Estado que envia e tomar as medidas convenientes para a sua representação apropriada perante os tribunais e outras autoridades do Estado receptor, de forma a conseguir a adopção de medidas provisórias para a salvaguarda dos direitos e interesses destes nacionais quando, por estarem ausentes ou por qualquer outra causa, não possam os mesmos defendê-los em tempo útil;

j) Transmitir os actos judiciais e extrajudiciais e dar cumprimento a cartas rogatórias em conformidade com os acordos internacionais em vigor, ou, na sua falta, de qualquer outra maneira compatível com as leis e regulamentos do Estado receptor;

k) Exercer, em conformidade com as leis e regulamentos do Estado que envia, os direitos de fiscalização e de inspecção sobre as embarcações, tanto marítimas como fluviais, que tenham a nacionalidade do Estado que envia e sobre as aeronaves matriculadas neste Estado, bem como sobre as suas tripulações;

l) Prestar assistência às embarcações e aeronaves a que se refere a alínea k) do presente artigo, assim como às suas equipagens, receber as declarações sobre as viagens dessas embarcações, examinar e visar os documentos de bordo e, sem prejuízo dos poderes das autoridades do Estado receptor, abrir inquéritos sobre os incidentes ocorridos durante a travessia e resolver qualquer litígio que possa surgir entre o capitão, os oficiais e os marinheiros, sempre que assim o autorizem as leis e regulamentos do Estado que envia;

m) Exercer todas as demais funções confiadas ao posto consular pelo Estado que envia, que não sejam proibidas pelas leis e regulamentos do Estado receptor, ou às quais este não se oponha, ou ainda as que lhe sejam atribuídas pelos acordos internacionais em vigor entre o Estado que envia e o Estado receptor.

Se a Convenção de Viena fosse oradora, remataria: «Tenho dito!»

18 fevereiro 2007

Critérios do projecto de reestruturação consular. Não foram além disto

A fábula e o equivalente. Imagine-se que um cirurgião, perante um problema grave de coluna, em vez de começar por olhar para a coluna, leva o tempo a contar os dedos do paciente e o número de cabelos das sobrancelhas, a verificar se o paciente tem as duas orelhas, a medir o comprimento dos pés, por aí fora, para chegar a uma conclusão sobre a coluna do paciente sem nunca ter olhado para a coluna. Que cirurgião será este, mesmo que tenha vindo de Londres?

Pois, no documento «técnico» olhou-se para a coluna das 61 secções consulares (mais 7 em instalação), dos 60 postos consulares de carreira e dos 231 consulados honários, exactamente com os critérios que se seguem.

À cabeça, «os seguintes elementos»:

a) O número de portugueses residentes
b) O número de portugueses inscritos
c) O número de actos consulares praticados por ano
d) O número de funcionários existentes em cada estrutura consular
e) O número de associações portuguesas existentes
f) O número de professores de português e de alunos inscritos

Depois, «outros factores»:

a) As características da comunidade portuguesa residente em cada país
b) As questões sócio-políticas inerentes à autonomia de regiões e estados em determinados países
c) As distâncias entre as várias estruturas consulares actualmente existentes
d) A rede rodoviária e ferroviária de ligação entre as cidades onde ficam sedeadas aquelas estruturas consulares e respectiva facilidade na mobilidade
e) As características geográficas do país
f) Os horários de funcionamento e atendimento ao público praticados em cada estrutura consular

Ainda segundo o documento, sucintamente:

- «Foi tido em conta o apoio que as associações portuguesas prestam» e «aquele (apoio) que poderão, a muito curto prazo, vir a prestar (…) através de quiosques multimédia que permitirão o acesso ao futuro Consulado Virtual, onde será possível praticar os actos e ter acesso a serviços apenas disponíveis nas estruturas consulares»

- «Foi ainda ponderada a pertinência de harmonizar o modelo organizacional da representação consular portuguesa»

Mas, porque a verdade vem sempre no fim...

- «... foi permanente preocupação encontrar soluções de reestruturação da rede consular que (...) permitissem uma real economia de recursos humanos, financeiros e patrimoniais», pelo que a proposta «permite uma poupança de encargos anuais estimada em 3.645.424 euros».


Concluiria Esopo que a fábula «O Cirurgião e a Coluna» mostra que se poderia poupar o mesmo ou mais mas sem se perder tanto nuns casos e tão mal noutros, caso se olhasse para a coluna, ou, fábula à parte, para o que está em causa.

17 fevereiro 2007

Sr. Ministro, encontre outro nome...

Rigor. A um Ministério de Negócios Estrangeiros exige-se rigor na linguagem. Nada temos contra os quiosque (antes pelo contrário), é admissível que o projecto dos quiosques seja tratado por uma questão prática como «Consulado Virtual», é aceitável que 500 quiosques seja um bom e suficiente número... mas não se chame a isso «consulados» e muito menos se induza o cidadão comum a pensar que se abrem 500 consulados, pelo que o encerramento de 60 até ficaria compensado. Além disso, misturar-se o projecto do «Consulado Virtual» com a questão da reformulação do mapa consular português, é o mesmo que confundir-se a instalação dos terminais de mediadores de jogos da Santa Casa, com o Orçamento do Estado. Não sabemos como é que o Estado Português reagiria se, por exemplo, a Ucrânia ou o Mali decidissem criar 87 quiosques em Portugal...

Naturalmente que «o problema» consular não é o da falta de quiosques - matéria virtual que escapa à Convenção de Viena que vincula o Estado em matéria de relações consulares. Por isso, Sr. Ministro, encontre outro nome - o quiosque é uma boa e engenhosa via verde para o atendimento, mas não é consular, nem, como quiosque, pode substituir consulados. Basta-nos as más experiências com os honorários, algunsdos quais foram uns bons e sabidos quiosques.

A uma chancelaria, no mínimo exige-se rigor.

14 fevereiro 2007

Consulado em Sevilha. Por exemplo, o requerimento

É que é verdade. O deputado Mendes Bota, do PSD, em requerimento ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, questionou o pretendido encerramento do Consulado-Geral de Portugal em Sevilha. E fez bem, não por se chamar Mendes Bota, nem por pertencer ao PSD * (ler, p.f. nota de rodapé). Fez bem pelos argumentos que aduz, os quais, naturalmente, o Ministério só fará bem ponderar. Ponderar, é o termo. Sigamos então o requerimento:

Afirma o deputado Mendes Bota

1 – Que «o esplêndido edifício do Consulado tem uma localização privilegiada – sito no centro da cidade, na esquina da Av. de Portugal e da Avenida del Cid, defronte da antiga Fábrica do Tabaco, hoje Faculdade de Direito e de Filosofia e Letras – é um verdadeiro património da presença nacional. Construído por Portugal para a Exposição Internacional de 1929, o imóvel possui um magnífico salão nobre decorado com frescos e talha dourada». Isto é verdade? É, independentemente da talha.

2 – Que «após a referida Expo de 1929, o edifício foi cedido gratuitamente pelo Município de Sevilha, acordo de concessão renovado em 2004 com duração até 2054, sem pagamento de qualquer renda, ao Governo Português; constitui, por isso, uma autêntica “casa” de Portugal na capital andaluza, sem quaisquer custos (e mesmo em pessoal estes custos são parcos, porquanto a representação consular portuguesa comporta apenas um cônsul e um chanceler)». Isto é verdade? É.

3 – Que «este consulado tem um intenso movimento, não só no apoio a cidadãos portugueses, mas também no apoio a cidadãos de outras nacionalidades, sobretudo a brasileira, que trabalham em Portugal, mas ali se deslocam por ser o posto consular mais próximo das suas residências». Isto é verdade? É.

4 – Que «trata-se de um Consulado financeiramente rentável, pois as receitas são cinco vezes superiores aos custos de funcionamento». Isto é verdade? É.

5 – Que «o Consulado de Portugal em Sevilha – pelas características apontadas, designadamente pela imponência, situação privilegiada e prestígio – representa uma base de apoio preciosa para actividades de promoção e divulgação do nosso país, nos mais diversos domínios, desde a economia à cultura. Ainda recentemente – no passado dia 1 de Dezembro de 2006 – ali teve lugar uma recepção muito concorrida, por ocasião do Congresso Luso-Espanhol de Direito Administrativo, que contou com a participação dos mais distintos especialistas (por Portugal, entre muitos mais, os Profs. Jorge Miranda, Fausto Quadros e Gomes Canotilho) desse importante ramo do Direito Público». Isto é verdade? É, mesmo descontando o congresso, Miranda, Quadros e Canotilho.

6 – Que «para além de grave atentado à presença da diplomacia nacional, o anunciado encerramento revela-se especialmente gravoso para o Algarve. Com efeito, só quem ignora a História desconhece as multisseculares relações entre o Algarve e a Andaluzia. Relações essas que sempre foram de complementaridade, com trocas comerciais intensas e uma não menos intensa emigração recíproca, que estreitaram laços entre os dois lados da fronteira – fronteira hoje livre e aberta mercê da ponte internacional sobre o Guadiana». Isto é verdade? É.

7 – Que «os períodos de maior crescimento económico do Algarve coincidiram sempre com as fases de dinamismo económico da Andaluzia e, nas condições actuais, esta Região Autónoma apresenta-se como o mercado mais prometedor quer para a produção algarvia quer para o turismo algarvio, com nove milhões de cidadãos espanhóis com grandes laços de simpatia e afectividade com o Algarve, e por inerência, com Portugal». Isto é verdade? É.

8 – Que «ao invés de o encerrar, impunha-se que o governo português revitalizasse o Consulado de Sevilha, quer recuperando o edifício (que não tem sofrido obras de conservação), quer fazendo dele um pólo para o incremento das relações estratégicas entre Algarve e Andaluzia. Não será, pois, exagero afirmar que a manutenção do Consulado em Sevilha se afigura absolutamente vital para o Algarve e para Portugal». Isto é verdade? É.

9 – Que «só uma desastrada miopia política poderá pretender o contrário, e consumar este gravíssimo atentado aos interesses nacionais e algarvios, qualquer que seja o número actual de actos consulares inscritos no livro de registos.» Isto é verdade? É, independentemente do deputado se chamar Mendes Bota e ser do PSD. É verdade.


Agora, breve comentário que não é do deputado Mendes Bota e muito menos do PSD. Na verdade, é inexplicável que alguém junto de António Braga, por invocados critérios de poupança (aceitáveis e defensáveis, como princípio) leve o Secretário de Estado a propor o encerramento de um consulado cujas receitas são cinco vezes superiores aos custos, em instalações com custo zero para o Estado Português até 2054, que o Governo da Andaluzia assume oficialmente como ponto de honra da capital autonómica (constatámos isto, por diversas vezes, presencialmente), e que deveria ser potenciado para as valências económica, política e cultural como os consulados deveriam ser potenciados (não estamos a dizer nada de novo nem de diferente do que sempre dissemos e mantemos – posição que manifestamente recolhe o apoio dos diplomatas e dos trabalhadores consulares, da Casa, portanto).

Ao que sabemos e pelas constatações ao longo de trinta anos, há sempre gente adventícia nas Necessidades que, nestas coisas - e não é o Secretário de Estado, muito menos o Ministro - gente que tudo faz pelo ponto de não retorno depois da asneirada técnica, «técnica» entre aspas. Essa gente, por regra, independentemente de ser do PS ou do PSD, começa bem e acaba mal, mas, neste acabar, acaba impune, punindo politicamente quem dá o nome e o rosto, sendo probo e competente. O caso de Sevilha, entre outros casos onde está Vigo, é um exemplo da incompetência dos que preparam dossiers tão bem preparados que decidem pelos decisores.

*Naturalmente que só por adolescência tardia, senilidade precoce ou bolchevismo indecoroso, se pode classificar uma crítica a acto de um Governo do PS como «fazer o jogo do PSD». Já ouvimos essa, e devemos dizer que o contribuinte não pode nem deve pagar coisas dessas.

13 fevereiro 2007

Dos Notadores. Consulados, quo vadis António Braga?

Do Notador Ptolomeu de Arriaga

A reestruturação consular:
quo vadis António Braga?


Percebe-se o motivo - poupar. Sorri-se com a nuvem de consulados honorários. Mas não se entende a falta de sensibilidade política - extinguir Hamilton, Nova Iorque e Windhoek...

Em matéria de "dois pesos e duas medidas" há propostas que deviam ser explicadas, ver-se-á que respostas poderão ser dadas.

Mas há uma pergunta incontornável: que critérios presidem à criação de escritórios longe do posto-mãe, se, para estes casos, a Convenção de Viena prevê poderem ser criados vice-consulados e/ou agências consulares ?

Parece-nos que, com os erros cometidos, António Braga ganhou uma série de guerras, das quais dificilmente resultarão vencedores. Vejamos: o PSD pode até sentir-se em posição cómoda para criticar porque, tendo fechado 5 serviços, também é verdade que ainda criou 3 - em Manchester, na Córsega e em Xangai. Contudo, é difícil de sustentar, como fazem os opositores ao projecto - dos partidos ao conselho das comunidades - uma recusa em bloco de todo o plano de reestruturação. E será que o próprio Sindicato dos Trabalhadores Consulares ganhará alguma coisa em apresentar críticas mais diferenciadas, mostrando compreensão para alguns encerramentos, em função da sua avaliação dos prejuízos relativos?

É bem provável que os recuos de António Braga resultem da força política ou oposição dos interesses locais - legítimos e compreensíveis, mas pontuais - e não da maior ou menor razoabilidade das extinções preconizadas. Repare-se no empenho dos Açores relativamente a New Bedford em comparação com o (quase) silêncio sobre as Bermudas.

Ora da manutenção, no essencial, do projecto apresentado, resultará que:
- Portugal perde porque fica mais desguarnecido, sobretudo em Espanha.
- muitos emigrantes perdem - e podem perder-se para Portugal - porque o seu consulado deixa de estar perto e passa para longe.
- os opositores ao projecto em bloco perdem credibilidade, por muito que possam ficar contentes consigo próprios.
- a carreira diplomática perde uma série de bons lugares onde podia reinar tranquilamente.
- o STCDE perde porque o seu esforço de razoabilidade foi ignorado.
- a presidência da União Europeia abrirá negativamente com os rescaldos das lutas que ainda aí vêm.
- António Braga perde porque vai recuar sem critérios defensáveis e sofrer as consequências do aumento do descontentamento no barril de pólvora parisiense, o que poderá prejudicar a sua carreira política.

Ganham apenas alguns interesses locais, provavelmente muito pouco significativos no cômputo geral.

08 fevereiro 2007

Vai alta a noite consular. São horas de FAQ

  • Uma - A que propósito se pretende extinguir consulados em Lille, Toulouse e Tours, tão longe dos consulados vizinhos, tal como Clermont - em geral com menos serviço - está de Lyon?
  • Duas - Não é de pasmar com esta crença na boa capacidade centralizadora da Administração Pública portuguesa, porquanto Nogent e Versalhes foram criados no início dos anos 70 para descongestionar Paris, e o volume de trabalho não indicia racionalidade com a operação inversa?
  • Três - E quase com dois anos de governação nas Necessidades, acreditará António Braga na qualidade da gestão da casa para governar um consulado megalómano em Paris? Estará a olhar bem à sua volta?