22 abril 2013

Concurso

Temos em mãos o enunciado do prova de "cultura geral" do concurso diplomático. Quem fez isso não tem noção nenhuma do que se exige a um aspirante a diplomata. É uma falta de respeito pelos jovens que alimentam um sonho legítimo, que são sérios e se prepararam. A Faculdade de Letras ainda está no tempo do prof. Buescu das "aulas práticas" de História da Cultura Clássica, que exigia aos alunos saber de cor as mil ilhas do Mar Egeu? Gerações formadas nisso, no que deram.

7 comentários:

Anónimo disse...

O MNE só fez mal numa coisa: não ter convidado o José Carlos Malato para apresentar a prova...

Anónimo disse...

O MNE só fez mal numa coisa: não ter convidado o José Carlos Malato para apresentar a prova...

Anónimo disse...

Exmo. Carlos Albino,

Efectivamente a II Edição do teste ainda continha muitas obscuridades e pedia algum conhecimento desnecessário ao perfil de um bom Diplomata, assim como questões com estruturas que não eram adequadas ao tipo de teste nem ao conhecimento que se devia querer aferir. No entanto, creio que a justiça exige que se dê o devido crédito às mudanças que são positivas. E, nesse sentido, devo dizer que este teste já continha pelo menos 30 perguntas absolutamente relevantes e essenciais no que concerne à Diplomacia Portuguesa.

Seguiam-se umas tantas um pouco mais generalistas, mas que faziam sentido no enquadramento mental de um potencial diplomata...e depois vinham as outras. Enganei-me em 4 das 30 que mencionei supra por pura confusão mental, e muito arrependimento carrego por esses erros; principalmente quando uma das questões era sobre um país pelo qual nutro conhecimento e admiração e sobre o qual já escrevi artigos.

Acontece. Mas com os meus lapsos eu lido bem. Confesso, no entanto, que não me sinto assim tão responsável pela eventual ignorância quanto a algumas obscuridades triviais que lá constavam. Não era pragmaticamente possível eu estar preparado ad inicium para lhes responder tirando as circunstâncias da aprendizagem pelo mero acaso, que não creio ser uma boa base para um conhecimento relevante e sustentado. Sendo que o teste tem 90 perguntas, creio que se cometeu um erro semelhante ao da passada edição: usou-se o lugar de perguntas bem mais válidas e legítimas para colocar trivialidades que não creio servirem em nada os potenciais membros do Corpo Diplomático Português. Não creio eu, nem crê uma esmagadora maioria dos candidatos.

Diria, em suma e de uma forma mais informal, que este teste já estava muito mais adequado...mas ainda não estava no seu ponto ideal. Faltou muita cultura europeia, havendo apenas uma pergunta sobre arte europeia e também apenas uma sobre música, por exemplo. De qualquer das formas, a verdade é que esta prova nunca seria verdadeiramente adequada a uma selecção liminar de potenciais diplomatas por uma razão de estrutura.

A meu ver, o teste de cultura geral para o ingresso na Carreira Diplomática não pode ser um Quizz 'à americana'. Tem que ser algo mais profundo e mais completo. Tem que haver uma narrativa, uma hipótese de mostrar coordenação e articulação de conhecimentos e perspectivas sobre cultura que sejam relevantes e, ainda, a possibilidade de demonstrar um cabal entrosamento do conhecimento cultural com conhecimentos essenciais à Diplomacia. Acrescento que se devia testar a capacidade de discursar abertamente sobre cultura e que este teste devia ser uma oral.

Percebo o ‘medo’ deste modelo. Mas simplesmente não acredito que se deva sacrificar no altar da transparência a eficiência e o rigor de selecção de um tão importante concurso para Portugal e para o futuro da sua projecção.

Por agora resta aguardar. Desejo a melhor das sortes a todos os meus colegas candidatos.

Com os melhores cumprimentos,

João Teixeira de Freitas

Anónimo disse...

Boa tarde,
Fiz a 1ª prova de cultura geral e a 2ª também. Contrariamente à opinião de muitos, não considero que o 1ª prova fosse desadequada, se estamos a falar de cultura geral, então terá de haver uma abragência de temas suficiente para a prova poder ser considerada sobre "cultura geral". Talvez algumas perguntas fossem um pouco obscuras ou desadequadas mas estavam longe de ser a maioria. Não vejo problema nem me choca perguntar a um futuro diplomata o que é o ADN ou qual a ordem dos planetas no sistema solar. Não são perguntas difíceis, é conhecimento que deveria ser comum. Mais me chocaria que numa qualquer conversa um diplomata que por inerência representa o meu país, julgasse que Plutão fica logo a seguir a Vénus! Na minha perspectiva, também passível de críticas claro, um diplomata não deverá ser um simples técnico. Deverá ter um conhecimento vasto e aprofundado para assegurar a capacidade de discorrer sobre diferentes temas e apresentar ideias válidas nas mais diversas situações, sejam elas formais ou informais. Deve possuir uma cultura geral nunca superficial e limitada à área de formação ou à área de trabalho. Ao contrário da esmagadora maioria das opiniões esta 2ª prova, na minha opinião acabou por ser mais desadequada do que a 1ª pois as perguntas incidiram basicamente sobre RI e história das RI e algumas questões técnicas sobre UE, assuntos que, julgo não estar enganada, serão avaliados em fases posteriores do concurso. Unicamente três perguntas sobre pintura, duas sobre música e quatro ou cinco sobre literatura, nem uma única pergunta sobre cinema por exemplo. Um excesso de perguntas sobre os EUA e sobre a Alemanha, o que me leva a crer que um dia destes nas escolas as crianças aprenderão sobre os Reich e a Constituição Norte Americana ao invés de História de Portugal. Ninguém pode saber tudo sobre tudo mas cultura geral é por definição, geral, não é cultura geral das RI ou cultura geral da minha área de formação ou cultura geral sobre aquilo que eu sei. Aquilo que julgo que, possivelmente não é adequado, é o formato americano da prova e concordo que um modelo que permitisse aferir o nível de cultura geral dos candidatos de uma outra forma seria mais adequado mas sobre isso não vou alongar-me porque concordo com o que foi dito no comentário anterior escrito pelo João Teixeira de Freitas. Apesar das diferentes opiniões, desejo muito boa sorte a todos aqueles que fizeram a prova e em breve saberemos os resultados, espero, sem mais repetições e anulações.
Melhores Cumprimentos,
Ana Sofia

NV disse...

Cara Ana Sofia, com certeza! Mas cultura geral com relação direta e útil para o que está em causa. Estamos em crer que a posição de Plutão (que já não é planeta...) não fará perigar uma negociação, representação ou promoção do Estado português. Ou indo ao assunto: pode-se possuir uma vasta cultura generalizada mas escassa cultura geral para o que interessa e está em jogo. E, neste caso, estão longe disso perguntas atiradas para servirem de mero alçapão e não para fazer triagem de perfis cultos e não propriamente de boas memórias ambulantes. A conversa poderia ir longe, mas obrigado pela sua participação e sinceridade. E permita-nos que observar que a Ana Sofia tem perfil de diplomata: discorda sem ser discordante. Desejo-lhe que passe à prova seguinte e a todas as restantes.

CA

Anónimo disse...

Creio que existe alguma confusão com o teor e o objectivo da prova que foi novamente realizada. Se se queria uma prova de cultura geral, não poderia ser de cultura específica. Para isso continua a existir a prova de conhecimentos, numa fase posterior.
Se começarmos a enumerar aquilo que um diplomata deve saber, não seria uma prova de cultura geral, seria de história, de economia, de línguas, de etiqueta, de quase tudo, enfim. Não era o objectivo da prova abranger tudo e apenas o que é importante para a diplomacia, isso seria irrealista.
É preciso chamar os bois pelos nomes, como se costuma dizer, e uma prova de cultura geral não é (não pode ser) uma prova limitada a assuntos diplomáticos.
Obrigado pela oportunidade de participação no debate.
A.

Anónimo disse...

Cultura geral não é cultura de almanaque...